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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Idolatrias e Teimosias!

Rima, na Forma e no Conteúdo!

Nestes dias de confinamento, não posso deixar de abordar dois acontecimentos mediáticos recentes, um de caráter internacional e outro nacional.

Carapeteiro. Foto original. 2020. 10. jpg

A 25 de Novembro, faleceu Maradona. Face ao que observei, no presente e no passado, em tantas manifestações reais e virtuais, em tantos meios comunicacionais, em declarações inflamadas de tanta e tão boa gente… não imaginava tanto endeusamento em torno de um indivíduo.

Foi o triunfo da Idolatria!

 

Neste fim de semana de confinamento, decorreu, em Loures, o congresso do PCP.

Foi o triunfo da teimosia!

Não é que o PCP não tivesse o direito de realizar o encontro partidário, que tinha, todavia, neste contexto, não deveria. Ou deveria realizar virtualmente, sei lá!

E para quê?! Para ficar tudo na mesma, que, pelos vistos, continua o mesmo secretário geral!

 

Mas a teimosia é também dos que persistentemente passam o tempo a bater no assunto, por preconceito.

Diz o provérbio: Um teimoso nunca está só! Tem de haver sempre outro teimoso, no caso vertente, vários.

Tenho dito! Até próximo postal…

E a foto?!

De carapetos! 

Sabe que flor é esta?!

Este postal é introdutório dos que quero publicar a partir de amanhã.

Foto Original. Silva. 2020.10.jpg

Foto original tirada na minha Aldeia, no caminho da Fonte das Pulhas, em 3 de Outubro, deste ano de 2020.

O nosso clima permite que, já no Outono, as silvas ainda floresçam. Não terão chegado a produzir amoras, já se vê, que, entretanto, choveu e bem(!), e certamente… adeus pétalas das flores…

Para o próximo ano haverá mais… lá para Junho.

As silvas são das plantas mais peculiares que conheço, no respeitante aos frutos: as saborosas amoras. Começam a dar em Junho, como as uvas, que começam a “pintar” nessa altura, e em anos bons, ainda há amoras em Novembro.

Quem ganha com isso é a passarada!

Até amanhã… e prestem atenção aos passarões, que por aí andam… SFF!

(Que também se cá usa.)

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/fontes-passadeiras-e-pontes-233188?tc=56072133428

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/sugestao-para-percursos-pedestres-ii-233543

"Amália, um coração em nós"!

Foto Original. 2020. 10. jpg

“AMÁLIA, UM CORAÇÃO EM NÓS”

 

Costa Caparica. Foto Original. 2019. 09. jpg

 

«Sempre que cantas, estende-se um mar

Um lamento indizível, um choro, escuridão

Numa rua à noite, uma alma por libertar

Um grito de gaivota a quebrar solidão.

Sempre que cantas há uma infância a surgir

Uma névoa de pobreza, com tristeza a rimar

Há poetas, há telas, um barco negro a fluir

Que nos ensina a cantar, para não chorar.

Amália o teu canto faz comover

Amália nossa para bisar

Vem nossas penas sossegar.

Porque insistes em morrer

Se o teu fado é para cantar

Se o teu destino é para ficar?»

 

ROLANDO AMADO RAIMUNDO  - 30 / 10 / 2020

Hoje voltamos à Poesia!

Não de minha autoria, que neste blogue também se divulgam os trabalhos de outras pessoas, de outros poetas, de outras poetisas. Também esse é o propósito do blogue. Desde que me enviem poemas, que sejam publicáveis, terei muito gosto em fazê-lo.

É uma forma também de nos afastarmos das politiquices que abundam sempre por aí.

E, principalmente e neste caso específico, lembrarmos AMÁLIA. Que também admiramos. Tal como Rolando e Olívia Diniz Sampaio, também grande admiradora da nossa maior Cantante.

Um abraço amigo, virtual, que estas cenas da Covid obrigam-nos a estarmos afastados das tertúlias.

Para ilustrarmos o Poema, uma linda Rosa. (Amália era grande apreciadora de rosas.)

(Esta Rosa rosa pertence a uma roseira que enxertei numa base de roseira brava de cor branca. Fica um rosa mais claro. E floriu em Outubro, que é essa a riqueza do nosso clima: termos rosas praticamente todo o ano.)

E cuidem-se!

 

EUA – Continente – Açores – Oriente

Crónica prevista para três pontos, acabou em quatro

Caparica. Foto Original. 2020. 09. jpg

Primeiro: Regozijar-me com o facto de Joe Biden ter vencido as eleições americanas de 2020. Muito especialmente pela saída de Trump. Indivíduo inqualificável, insano, que não merecia ter sido presidente, sequer por um minuto. Mas foi presidente por quatro anos! E nestas eleições ainda conseguiu mais de setenta milhões de votos! É caso para refletir.

De qualquer modo, queira ele ou não, vai ter de abandonar o cargo.

Ele segue, mas muitas das atrocidades que deixou, em diferentes enquadramentos, vão persistir. E demorarão a serem erradicadas.

 

Segundo: As medidas dimanadas do recente conselho de ministros extraordinário. Não ouvi o discurso de Sua Excelência, o Senhor Primeiro Ministro. Tenho a TV avariada. Li, não muito pormenorizadamente. Mas o que acho é que se misturam muitas coisas, muitas realidades. Uma certa confusão. Hei-de ler com mais atenção.

Pela minha parte irei esforçar-me por cumprir, como, aliás, tenho feito.

E continuo a afirmar o que tenho vindo a frisar desde que entrámos neste filme da Covid. Inicialmente, muito bem. Mas, quando se abriu a porta do desconfinamento, muita desarticulação das pessoas em geral, “tudo ao molho e fé…”, mas também, muita, mas muita incongruência dos nossos Queridos Dirigentes. Ao mais Alto Nível! (Bem sei que tem sido um processo de aprendizagem… E a Covid é uma epidemia. Não se compadece com politiquices.)

 

Terceiro: O governo de coligação nos Açores.

Não sou contra um governo de coligação centrada no PSD, não tendo sido este o partido mais votado.

Todavia já questiono a situação, se para concretizarem esse objetivo, tiverem de se coligar com o “chega”.

Não são precisas grandes explicações para fundamentar este meu opinar. Inconvenientes?! São uma “Caixa de Pandora”! Só não vê quem não quer ver!

Mas a fome desta gente pelo poder é tanta… A começar pelos que mais atacam os que estão em exercício, mas logo que podem, achegam-se à mesa dos comensais instalados. Razão tinha o Bordalo.

 

E ainda um quarto ponto:

Sobre a Covid e os Países do Oriente.

Inicialmente só se falava na situação na China, na Coreia do Sul, (na do Norte nunca se falou), no Japão, em Taiwan, em Singapura… No Irão. Mais tarde na Índia.

Como está a situação nestes países?! Já entraram na segunda vaga?!

Agora só se fala na Europa, onde a epidemia mais alastra e toma proporções quase incontroláveis.

Em Portugal, em que correu tão bem inicialmente, mas que depois descarrilhou e atualmente atinge valores de infeção muito preocupantes.

Esperemos que venham dias melhores, a breve trecho!

E quando estará a vacina disponível?

Covid, que não nos larga! Eleições Americanas.

Este postal continua a temática do anterior.

 

Foto Original. 2020. 04. jpg

 

Como agora faço, quando um postal se alonga, desdobro-o em dois.

Voltando ao país cuja decisão eleitoral se arrasta…

 

Estranho que o País, que deveria ser o mais avançado tecnologicamente, seja tão atrasado no processo eleitoral. Que pode demorar dias, até semanas, ou meses, para se saberem, definitivamente, os resultados eleitorais. É um modelo anacrónico, anquilosado e nada democrático, frise-se. Sujeito a muitas fraudes possíveis.

Para além de não ser uma eleição direta. Além do mais, o candidato mais votado, já aconteceu, não vir a ser o vencedor.

Praticamente, a eleição centra-se sempre em dois candidatos. E, neste ano, qual deles o melhor.

Obviamente, Biden merece a nossa simpatia, quanto mais não seja para não ficar aquele indivíduo novamente no poder. (Mas Biden é uma pessoa já com certa idade…)

Impressiona como é que num País com todos os recursos de que dispõe, tal fulano, Trump, possa ter sido presidente. Desejamos que saia!

Também impressiona que com tantos recursos haja tanta miséria, tantas clivagens sociais, tanto ódio, tanto racismo!

E os povos autóctones?! Segregados em guetos, quase extintos.

E tanto gastam em guerras e guerras que fomentam por todo o Mundo!

Não é que, com Biden, as coisas melhorem nestes aspetos, mas talvez melhorem noutros. (Mantem-se a mesma plutocracia, o mesmo conceito de nação imperialista.)

Todavia com o fulano que lá tem estado é que não, de todo!

 

E voltando à Covid…

 

Independentemente de tudo o que possam decidir no nosso Portugal ou no Mundo, também nos cabe a nós, a cada um de nós, cumprir o seu papel.

 

Tenho dito isso, aqui, por diversas vezes, como também tenho chamado a atenção para as discrepâncias nas decisões dos nossos dirigentes.

 

O que nós gostaríamos era que todos, mas todos os que mandam neste País, no Mundo, se concentrassem em encontrar um remédio, para este mal que aflige a todos.

A todos, sem excepção!

Se deixassem de tantas questiúnculas sem sentido e se concentrassem no fundamental: encontrar remédio para erradicar o corona!

 

Crónica de Desabafos: Portugal e Américas!

Há imenso tempo sem escrever no blogue!

 

Bem, não é assim há tanto tempo, mas para este universo, acaba por ser muito. Também tinha vontade de escrever, mas, por vezes, parece que se perde o jeito.

Alguns dias sem acesso à internet, nem sequer computador disponível, nem mesmo televisão ou rádio, mas, este, é há anos… Depois, mesmo com os acessos disponíveis…, mas aquela inércia, preguiça; vontade de escrever, mas sem passar à ação.

A modos que a vontade de agir chegou hoje!

 

Entretanto, perderam-se muitos temas que se foram diluindo na voragem e vertigem dos dias. Na rapidez com que os assuntos se tornam voláteis, se sublimam, liminarmente.

Foto original. 2020. 04. jpg

 

Ultimamente e neste ano de 2020, a Covid, sempre, sempre. Ando farto, andamos todos saturados desta epidemia, que não há meio de querer largar-nos. “Até parece que nos quer bater à porta a todos”, dizia-me, há pouco, uma vizinha.

"Deus nos livre e guarde!" Respondi eu.

Certo, certo, é que nesta altura do campeonato, não haverá ninguém em Portugal, quiçá no Mundo (?), que não conheça, direta ou indiretamente, alguém que tenha sido afetado pelo corona.

Infelizmente, para todos nós!

 

Independentemente das medidas adotadas e a adotar, temos de reconhecer que este tem sido um processo de aprendizagem por tentativa e erro.

Os nossos dirigentes, os dirigentes do Mundo, umas vezes de forma mais acertada, outras de modo mais incongruente, lá têm conduzido os respetivos barcos nesta tempestade.

Alguns aprenderam por si mesmos, face às respetivas vivências. Caso do timoneiro do Reino Unido.

Outros nem por isso. O do nosso País Irmão, de Além Atlântico, não aprendeu nada, absolutamente.

Aliás, não acredito que o dito “bicho”, o tivesse atacado. Foi só fumaça!

O mesmo digo do “cóboi”, do País que, há bem pouco tempo, era a nação mais poderosa da Terra.

A infeção pelo corona não passou de encenação eleitoral.

 

E, em Portugal, terão aprendido?!

(…)

Em Tempos de Máscaras…

Álvaro de Campos – Heterónimo de Fernando Pessoa

 

“Depus a máscara e vi-me ao espelho. –

Era a criança de há quantos anos.

Não tinha mudado nada…

É essa a vantagem de saber tirar a máscara.

É-se sempre criança.

O passado que foi

A criança.

Depus a máscara, e tornei a pô-la.

Assim é melhor,

Assim sem a máscara.

E volto à personalidade como a um términus de linha.”

 

In. "Obras Completas de Fernando Pessoa – POESIAS de Álvaro de Campos "– pag. 61

Colecção Poesia - Edições Ática – Julho 1978.

Foto Original. Amendoeira 2015? 16? jpg

“… Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1,30 da tarde…”) Isto escreveu, entre muitas outras coisas, numa carta, o seu “criador”, Fernando Pessoa. Carta “dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem dos seus heterónimos. Publicada na revista «Presença», nº 49, Junho, 1937.”

Faria, ontem 130 anos. O poema não saiu ontem. Sai hoje! Ainda se vai a tempo de parabenizar! A POESIA, sempre!

(Fotografia?! De uma Amendoeira. Sendo Álvaro de Campos algarvio, terá visto amendoeiras, digo eu. Esta não viu, de certeza. Nem eu já vejo, que morreu em 2017. Ano terrível: seca e incêndios. Está muito documentada no blogue.)

O Meu Pé de Laranja Lima: Emocionante!

Uma Leitura Recomendada! Ternurento!

Foto Original. Flor do Quintal. 2020. 04. jpg

 

Abordei a temática deste livro ainda em Setembro. Entretanto li-o, já há vários dias. Tendo-me debruçado sobre outros assuntos, demorei a ter oportunidade de escrever sobre o mesmo.

É um livro interessantíssimo. Extremamente emocional. Deve ser difícil a qualquer pessoa lê-lo, sem chorar ou reter as lágrimas, esforçando-se por não se emocionar demasiado. Também, quando menos se espera, nos proporciona momentos de riso, em que as gargalhadas se soltam, espontânea e saudavelmente. É de uma criatividade extraordinária, é difícil não nos sentirmos envolvidos empaticamente com o personagem primordial, Zezé, também narrador principal.

 

Zezé, menino de cinco anos, extremamente sensível, inteligente, precoce, que tinha um passarinho que cantava para dentro dele.

(Sabe o que é cantar para dentro?! Quase todos os poemas que escrevo ultimamente são escritos com música, que canto para dentro. Pena tenho não saber escrever música! Não sei se a música, que canto para dentro, é original ou não, isso já é outro plano de realidade. Mas que canto para dentro, isso é um facto meu, pessoal. Mas deixemos os devaneios pessoais…)

 

Zezé, que queria ser poeta e usar gravata de laço. Que aprendeu a ler sozinho, antes dos seis anos e assim entrou para a escola mais cedo. Que gostava imenso da Escola e da sua Professora… Que encontrou no Amigo Português, “Portuga”, o Pai que o verdadeiro pai não conseguia ser, vivendo a situação desesperada de desempregado e a sequente miséria de não conseguir governar o rancho de filhos.

 

Enfim… é um livro que nos toca magistralmente no mais sensível que tenhamos enquanto Seres Humanos.

Toda a pessoa devia ler. Principalmente, nós, os adultos. Quanto às crianças, muito sinceramente acho que não. O relato de vida tão sofredora, daquela criança, não sei se será adequado que outras crianças leiam… (Digo eu...!)

 

Zezé representa o Autor / Escritor, José Mauro de Vasconcelos, que relata, descreve, romanceia (?) a sua vida de infância.

Um livrinho!… não é um livro grande em dimensão, não chega a duzentas páginas, mas é um Livrão, em termos de qualidade literária, ideativa, sentimental, um romance emocionante.

 

Leia, SFF e formule o seu próprio juízo de valor!

(A foto?! Original, de flor do quintal. Não sei como se chama esta planta, mas sei que a trouxe, através de semente, já há vários anos, do Jardim Botânico de Lisboa.)

"Fado Português" – Régio – Amália

Costa. Foto Original. 2020. 08. jpg

«III - FADO PORTUGUÊS

 

O fado nasceu num dia
Em que o vento mal bulia
E o céu o mar prolongava,
Na amurada dum veleiro,
No peito dum marinheiro
Que estando triste, cantava.

 

(- Saudades da terra firme,

Da terra onde o mar acabe,

Da casinha, e das mulheres,

Guitarra, vem assistir-me,

Que a gente é bruto e não sabe,

Expressa-as tu, se souberes…)

Por esse mar além fora,

A guitarra, dim…dom, chora,

Tem pausas, ais e soluços.

E tão bem faz isso à gente,

Que o triste bruto valente

Chora sobre ela de bruços!

 

(- Mãe, adeus! Adeus Maria!

Guarda bem no teu sentido

Que aqui te faço uma jura

Que ou te levo à sacristia,

Ou foi Deus que foi servido

Dar-me no mar sepultura!)

 

Por mar além, chão que treme,

O dim-dom da corda freme

De espanto, angústia, incerteza;

Mas reluz no olhar do triste

Não sei que alto apelo em riste

Contra essa humana fraqueza…

 

(- Que terra é esta…, este mar

Que só acaba nos céus,

Ou nem lá tem seu fim?...

Ou hei de o eu acabar,

Ou hei de, querendo Deus!,

Ou ele acabar a mim!)

 

Casada à trémula corda,

Sobe a voz trémula…, acorda

Tristezas do peito inteiro,

E as sereias que enlevadas

Se agarram às amuradas

Do frágil barco veleiro.


(- Ai que lindeza tamanha,
Meu chão, meu monte, meu vale,
De folhas, flores, frutas de ouro!
Vê se vês terras de Espanha,
Areias de Portugal,
Olhar ceguinho de choro…)

 

Deitando o olhar às lonjuras,

Só vê funduras, alturas

Das águas, dos céus, da bruma,

E as rijas pomas redondas,

De bico a boiar nas ondas,

Das sereias cor de espuma.

(- Sei eu, sequer, por que venho,

Deixando a jeira de chão

Que ao menos me não fugia,

Atrás de não sei que tenho

Tão dentro do coração

Que inté julguei que existia…?)

 

E à voz que sobe a tremer,

Morre lá longe…, e ao morrer,

Sobe outra vez, mais se aferra,

Que etéreo coro responde

De vozes que chegam de onde

Não seja nem mar nem terra!

 

(- Quem canta com voz tão benta

Que ou são os anjos nos céus

Ou é demónio a atentar?

Se é demónio, não me atenta,

Que a minh’alma é só de Deus,

O corpo, dou-o eu ao mar…)


Na boca do marinheiro
Do frágil barco veleiro,
Morrendo, a canção magoada
Diz o pungir dos desejos
Do lábio a queimar de beijos
Que beija o ar, e mais nada.


(- Mãe, adeus! Adeus, Maria!
Guarda bem no teu sentido
Que aqui te faço uma jura
Que ou te levo à sacristia,
Ou foi Deus que foi servido
Dar-me no mar sepultura!)

 

Sob o alvor da lua cheia,

Naquela noite, a sereia,

Cujo seio mais se enrista

Da aurora até ao sereno

Beijou o corpo moreno

Do moço nauta fadista…

 

(- Que terra é esta…, este mar

Que só acaba nos céus,

Ou nem lá tem seu fim?...

Ou hei de-o eu acabar,

Ou hei de, querendo Deus!,

Ou ele acabar a mim!)

 

Nas vias-lácteas faiscantes

Que esmigalhado em diamantes

O luar no mar espraia,

Um dim-dom…, dim-dom tremente,

Mais doces queixas de gente,

Vão ter a uma certa praia.

 

(- Ai que lindeza tamanha,
Meu chão, meu monte, meu vale,
De folhas, flores, frutas de ouro!
Vê se vês terras de Espanha,
Areias de Portugal,
Olhar ceguinho de choro…)

 

E as mães de filhos ausentes

Acordam batendo os dentes,

Torcendo as mãos, e carpindo,

Sabendo todas que é a morte

Que chega daquela sorte

No luar funéreo e lindo…


Ora eis que embora, outro dia,
Quando o vento nem bulia
E o céu o mar prolongava,
À proa doutro veleiro,
Velava outro marinheiro
Que estava triste e cantava.»

 

In.

RÉGIO, J. – FADO – Klássicos – A BELA E O MONSTRO, EDIÇÕES Lda. Lisboa – Portugal - 2011

 

Agressão a Médica de serviço em Centro de Saúde!

A estupidez de gente agressora!

Ainda ecoavam as vozes sobre “As vistas do Bairro Amarelo”, em Almada e consequentes repercussões mediáticas… Noticiam que uma paciente, de Centro de Saúde do Concelho, agredira uma Médica em serviço. Sem mais! In. JN 23/09/20.

Foto Original. Costa da Caparica. 2020. 08. jpg

Uma pessoa que agride, assim, um profissional em exercício das suas funções, não tem qualquer justificação.

Tem de haver atuação legal, legislativa e funcional que, de forma célere, permita agir, atuar, dar castigo exemplar a esta gente.

 

Caro/a Leitor/a, coloque-se no sentir da médica, SFF. Além do trabalho de grande responsabilidade que tem, a diversidade de consultas, as diferentes atividades a desempenhar, o stress natural, ainda o receio / medo, de lhe entrar pelo consultório uma desgovernada qualquer, que vai agredi-la!

Imagine, sendo profissional em serviço, se tiver de lidar com pessoas, que lhe pode aparecer um maluco qualquer, contrariado no atendimento, a dar-lhe um murro, só porque sim! Como se sentiria, Caro/a Leitor/a?! Como iria para o trabalho?

Se vai a um supermercado, imagine que querendo determinado produto, que não há em stock, chega à caixa e não está com meias medidas. Descarrega na rapariga em atendimento e dá – lhe um soco! Era capaz de fazer isso, Caro/a Leitor/a?!

 

A Médica meteu baixa, e fez muito bem. É ela que vai ser penalizada por isso e fica traumatizada. “Sinto-me um lixo!”, expressão da médica, na notícia.

Menos uma profissional a trabalhar no serviço. Menos gente que pode ser atendida, nomeadamente os pacientes dessa médica. As ações violentas dessa gente desgovernada refletem-se não só na pessoa agredida, mas em toda a comunidade, que também sai prejudicada pelas ações dessa gente tresloucada.

 

Não é assim que se resolvem as situações. Nem a pandemia desculpa, nem eventuais dificuldades da pessoa, poderão servir de atenuantes.

Se é pessoa doente, mais razão para ter calma: precisa dos profissionais de saúde.

Independentemente da pessoa, a respetiva ação tem de ser sempre penalizada.

Nestes casos ocorridos em contexto de trabalho deve haver queixa não só da vítima, como do serviço em que esta exerce funções e respetivas estruturas profissionais. Não deve é ficar em branco, nem haver protelamentos.

Se agressor/a já é pessoa com historial de agressividades, maior a necessidade de ação penal. Privação de liberdade, pagamento de multa, trabalho comunitário e nome e foto deveriam passar a figurar no local do delito, como forma de punição moral pelo mal infligido a toda a comunidade.

 

No referente a este Centro de Saúde, é imperioso e urgente que haja desdobramento do Centro, que serve duas freguesias.

(E voltamos ao início. Implica haver recursos e nestes, é fundamental haver recursos humanos. O que reforça a estupidez dessa gente agressora!)

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