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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

The Durrells – Epílogo

Uma Celebração à Vida! E à Paz!

Terminou ontem, 2ª feira, 14 de Setembro, a divertida série, de quatro temporadas.

The Durrells Tv series Films season 4 In. News.gtp

Imagem: in. the-durrells-tv-series-films-season-4-

Perante o aproximar da guerra, Louisa Durrell, apesar da relutância ou alheamento iniciais, andava totalmente enlevada em Spiros, decidiu deixar Corfu, onde haviam sido todos tão felizes. Estamos em 1939, não me pergunte a data exata, dia e mês, S.F.F., que não vi o telegrama enviado à mãe de família e protagonista principal do seriado. O que sei, que a senhora leu, é que o primo Basil (não o primo Basílio, de Eça), mas o primo dela, co – herdeiro da tia Hermione, cuja herança delapidara por inépcia, havia sido morto na Albânia. Só pelo facto de ser inglês.

(Albânia fora invadida pelo exército da Itália fascista, na 2ª semana de Abril.) Terá sido depois disso que essa decisão foi tomada e apressada. Theo, amigo da família, já vinha avisando dessa necessidade, nomeadamente o caçula, Gerry, de quem era muito amigo, pelo mútuo interesse pelos animais.

Foi nessa sequência, pelo tempo presumia-se já Verão, que decidiram voltar a Inglaterra. Mas não iriam por terra, contrariamente ao que escrevi em postal anterior, pois não seria seguro. Viajariam de barco, que brevemente um navio aportaria a Corfu, para levar eventuais repatriados. (Não vimos esse repatriamento na série. Mas foi pena!)

 

Antes de abalarem, quiseram homenagear e agradecer à comunidade local que os recebera, de um modo geral bem, apesar de alguns equívocos recíprocos, e com os elementos gregos com quem mais se entrosaram, encenaram uma peça de autoria de Larry: Ulisses. Uma prova da consideração sobre o povo que os acolheu, uma celebração da Cultura Grega Clássica. Um êxito! Um verdadeiro acontecimento, “happening”, aos moldes dos anos sessenta, pois que factos reais se incorporaram no desenrolar da representação.

Um deles, foi a entrada em cena da protagonista. Vinda, mais o taxista, da praia, onde finalmente se declararam. Não sabemos se ficaram apenas pela verbalização. Outro acontecimento, bem espetacular, foi a chegada de barco, de Zoltan, ex - namorado de Margot, qual Poseidon… O que ocorreu a seguir?! … A rapariga britânica preferiu o turco ao grego!

 

Outro acontecimento de despedida ocorreu também na água… elemento primordial da Vida Humana. Uma degustação, uma celebração vínica, de despedida. Instalada uma mesa no mar, junto à casa onde habitaram, celebraram a Amizade que os uniu: os principais protagonistas.

(A família irá retornar a Bournemouth, exceto Larry que, regressado de Paris, onde estivera uns tempos, ficará na Grécia, pois entrou para os Serviços Secretos Britânicos!)

E muitíssimo ficou por contar…

 

Hoje, a RTP2 dará continuidade à saga dos Durrells. Como o enredo se baseava em situações reais, romanceadas é certo, vão abordar o prosseguimento da vida dos personagens principais.

 

Aguardo para ver, pois, à partida, acho que será bastante interessante.

 

Até logo, à hora habitual das séries na RTP2: 22h. 15´.

Covid - 19: Guerras - Refugiados - Paz

Reflexões em conexão!

Guerras e Paz!

 

À data que escrevo, os países europeus, nomeadamente os que nos estão mais próximos e especificamente Portugal, puseram em prática medidas mais drásticas para contenção do vírus. Pecam por tardias, realçando Itália que atuou muito tardiamente e Portugal, o que mais nos interessa, que não agiu logo de forma ativa perante os portugueses vindos de Itália, antes do Carnaval.

Nesta confusão de países afetados, chama-me a atenção a Coreia do Norte. Rodeada de países afetadíssimos: China, Coreia do Sul, Japão. Não há casos?! Mistério!

 

Se há algo que esta pandemia nos deveria fazer refletir, muito especialmente para os dirigentes, os que mandam realmente neste Mundo, é sobre a precariedade da Vida Humana. Como perante uma ameaça desta natureza, a Natureza nos alerta para a nossa condição de fragilidade e igualdade perante algo que nos é inevitável: a Morte. A “Mulher da Gadanha” está sempre presente e nem toda a evolução das nossas modernidades nos permite escapar dessa fatalidade.

Essa condição deveria fazer pensar todos os Donos deste Mundo, os senhores da guerra, os dirigentes das grandes, médias, pequenas potências: a inutilidade da Guerra.

 

A verdadeira Guerra a travar pela Humanidade deverá ser perante estas ameaças que surgirão periódica, ciclicamente. Ultrapassada esta pandemia surgirão outras no futuro. É só olhar para o passado. Há pouco mais de um século, 1918, a eclosão da designada “Gripe Espanhola” teve mais efeito na mortandade de soldados nas frentes, que as próprias armas. E foi um dos fatores que apressou o final da 1ª Guerra!

 

A disponibilização de recursos para vencer e preparar os “ataques” a estas e outras calamidades, para as catástrofes naturais, a ocorrerem todos os anos e nos mais diversos locais da Terra, deverá ser a prioridade de exércitos, marinhas, forças aéreas, das Forças Armadas.

Uma reconversão funcional e material dos recursos militares, a todos os níveis, para fins de salvar a Humanidade.

 

Já reparou, caro/a leitor/a, que ao produzir uma bomba, por ex., seja ela qual for, há uma aplicação de múltiplos e variados recursos, no valor de milhões e milhões, retirados obviamente de outras necessidades?! E para quê?!

Para simplesmente serem destruídos, queimados e ademais ainda para matarem seres humanos, animais e plantas e destruírem equipamentos, construções, outros recursos necessários ao bem-estar da Humanidade.

Não acha que é um verdadeiro desperdício e estupidez?! Tantos hospitais, escolas, creches, habitações, estradas, que ficam por construir, para produzir uma bomba que só serve para destruir. Reflita nisso!

 

A guerra da Síria, as guerras do Médio Oriente, as guerras em África e na Ásia eternizam-se. Provocam milhões de refugiados, que aportam à Europa…

(Como classificar a atitude da Turquia?!)

É imperioso, urgente negociar para o fim dessas guerras sem sentido.

É desse modo, a montante, que prioritariamente o problema dos refugiados tem que ser resolvido.

Todavia, é a jusante que ele se torna premente de resolução imediata.

Para essa resolução têm que se empenhar todos os países mais diretamente participantes, nomeadamente as grandes potências que se digladiam indiretamente, por ex. na Síria.

A Europa, sim! A Rússia, os EUA, as potências regionais do Médio Oriente, países e entidades insuspeitáveis, todos têm a sua quota-parte de responsabilidade. Todos devem cooperar na resolução imediata do problema dos refugiados.

 

“O Roubo do Códice” - (Reposição)

Mini Série na RTP2

Agosto de 2016

 

Continua o calor. Persistem os fogos. Algumas notícias quentes, mesmo no Alentejo, habitualmente tão pacífico e com tantas festas e festivais.

Lá fora, as guerras, persistem... no tempo!

Crimes hediondos!

Codice Calistinnus in. www.wikiwand.com

 

Como é hábito, a RTP2 volta a transmitir programas já exibidos. Salutar, quando são interessantes! Desta vez, a mini série “ O Roubo do Códice”, “El Codice”, original da Televisão da Galiza, que transmitira em 2015, a seguir a “Hospital Real”.

Sobre os dois episódios escrevi algumas ideias, entrecruzando os personagens da série “Hospital…” com os da mini série “O Roubo…”. Nem sempre de forma direita, por vezes enviesando, como gosto de fazer e também não tendo identificado bem todos os personagens.

Ontem, após ter revisto o primeiro episódio, julgo ter reconhecido o “Padre Bernardo” do Hospital, no desempenho do Juiz, no “Roubo…”. E Alicia, a noviça do “Hospital…”, na empresária do bar, ex-jornalista, a colaborar com os antigos colegas.

Ainda não é desta que escrevo os nomes corretos dos artistas, para o que remeto também para este link, de Galiza.

elenco codice in. www.vertele.com

 

Apresento igualmente fotos do elenco, bem como do livro roubado.

Roubado?!

codice in. elpais.com

 

Veja ou revisite o 2º episódio.

manolo in. www.lavozdegalicia.es.jpg

 

Vale bem a pena, pelo conteúdo da história, a construção narrativa, o desempenho artístico, o contexto espacial e cénico… o enredo, o basear-se em factos reais.

Deão da Catedral in. media.rtp.pt.jpg

 

Natal! Olhar o Mundo pelo olhar dos “Outros”!

Votos de Feliz Natal!

 

Desejo a todas as Pessoas que visitam este blogue, que têm a amabilidade de ler estes textos que aqui vou publicando, sobre os mais diversos temas, desejo a Todos, “Um Santo e Feliz Natal”!

 

Giotto Scrovegni 20 Flight into Egypt  In wikipédia

 

Para ilustrar esta temática natalícia, escolhi, propositadamente, esta reprodução de uma Pintura de GIOTTO, integrada no “Ciclo da Natividade”. A “Fuga para o Egipto”!

Lembrar a todos nós que a “Família Cristã” também viveu a condição de “refugiada” / ”refugee”. Também fugiram à tirania de um rei louco e cruel, atormentado pelo medo de perder a sua coroa, assassino de crianças inocentes, autor de massacre sobre meninos que supostamente poderiam vir a “usurpar-lhe” o trono!

Estranho, paradoxal, abominável que, passados mais de dois mil anos, ainda a mesma região onde nasceram as três religiões monoteístas, globalmente designada “Médio Oriente”, historicamente também apelidada como “Crescente Fértil”, que engloba as terras de onde partiu o Patriarca Abraão, e que as percorreu, ele também na condição de nómada, quiçá refugiado, continue a ser o palco onde tanto sangue se derrama de inocentes e fonte de onde partem tantos milhares e milhares de refugiados…

Um tema para refletirmos neste Natal. De mentes abertas e despertas para “Olhar o Mundo” pelo olhar dos “Outros”, dos que fogem aos horrores das guerras. De que não têm quaisquer culpas, que os verdadeiros culpados estarão muito bem resguardados dos horrores dessas mesmas guerras, festejando os seus “natáis” em maravilhosas consoadas, algures por aí, onde não ecoa o estrondo das bombas e bazucas, nem os cheiros de enxofres e corpos putrefactos…

 

Mas… deixemo-nos de cenas tristes! Que é Natal!

 

Os meus renovados Votos de um Santo Natal! E que haja Paz!

 

E Muito Obrigado por me acompanharem nestas leituras!

1975 - 2015: Passaram-se quarenta anos!

 Ainda a propósito de “Mad Men”. 

E de um acontecimento de 1975.

 

E volto ao blogue e ao post em que abordei um acontecimento real ocorrido em 1975, a propósito dos “Homens Loucos” de Madison Avenue, N. Y. C., “Mad Men”. E dos computadores, na altura uns verdadeiros “monstros”, não só na forma, como no conteúdo, pela perspetiva de como eram vistos e percecionados, mesmo por quem lidava de perto com eles nos escritórios, mas não sendo especialista no assunto. Mais ainda para quem era completamente desconhecedor das suas funcionalidades e modus operandi.

Agora em que, a propósito de alguns acontecimentos mediáticos da política portuguesa atual, tanto se tem falado de 1975

 

Gostaria de deixar registado neste blogue alguns aspetos relevantes de algumas mudanças significativas deste Portugal de início século XXI, 2015, relativamente a esse findar do 3º quartel do século XX, 1975.

 

Neste Portugal atual, e apesar da tão apregoada Crise, vive-se significativamente melhor do que nessa data já longínqua de setenta e cinco.

Em termos de Consumo, os portugueses têm genericamente acesso a um cabaz de compras de bens mais ou menos essenciais muito mais vasto e diversificado não só pelos bens suscetíveis e acessíveis à sua bolsa, como pela existência e proliferação de locais de compra. Tanto de bens de consumo imediato, como duradoiro.

Vivemos numa Democracia consolidada. A Liberdade também é um Valor inquestionável!

O acesso a bens e serviços englobados no contexto da Educação, da Saúde, da Habitação, é um Direito também estruturado. Apesar de algum retrocesso que se tem verificado nomeadamente no campo da Saúde, face ao que já adquiríramos entretanto.

Portugal vive em Paz, apesar dos medos que hoje se sentem e pressentem, resultantes do alastrar à Europa de Guerras, que, até há poucos anos, pareciam confinadas a Países distantes… Que não deixavam de ser Guerras por isso…

 

in. escreveretriste.jpg

 

Estas são algumas situações em que, no plano interno, se constatam diferenças positivas relativamente há quarenta anos atrás.

 

E, no plano externo?!

 

Constate-se.

Portugal está integrado na União Europeia.

Faz parte da Zona Euro.

Não existe o “Muro de Berlim”, apesar de muitos outros muros que têm sido criados, por esse mundo afora. Físicos e psicológicos, culturais e sociais…

Não existe “Cortina de Ferro”.

Não existe “Pacto de Varsóvia”.

Não existe a URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas!

 

Thefalloftheberlinwall1989 in wikipedia.JPG

 

Vivemos num Mundo substancialmente diferente, mas…

Em que apesar de a designada “Guerra Fria” ter terminado, vivemos atualmente numa tensão e medo ainda maior. Em que a “Guerra” atual, há quem fale que vivemos numa “Terceira Guerra Mundial”, uma Guerra com contornos diferentes das anteriores, em que essa “Guerra” invadiu diretamente a Europa. E indiretamente chegou ao Continente Europeu através dos refugiados das Guerras por essas Áfricas e Médio Oriente.

 

E quem “produziu” essas “Guerras”?

Quem as alimenta com armas de todos os tipos?

Quem as financia?!

E com que fins?!

Quem as semeou e continua a sustentar, a adubar e fertilizar, com armas, munições, tanques e explosivos e carne para canhão de tantos inocentes?!

E quais os meios utilizados para obtenção de dinheiro para sustentar essas “Guerras”, umas “Grandes” e outras pequenas?

 

in imdb.com

 

Por vezes questiono-me e lembrando a “Família Krupp”, e a “Queda do Terceiro Reich”, se as pessoas que de facto alimentam as guerras, produzindo e financiando o armamento, mas vivem afastadas dos locais de conflito, quando ocorrem situações como as que têm acontecido por essa Europa, não se interrogam sobre o seu papel no Mundo…! Sobre a sua ação destrutiva da Humanidade!

 

E voltamos ao ponto de partida.

Vale a pena comparar 1975 com 2015?!

Apesar do pessimismo recente, vivemos ou não num Portugal substancialmente melhor?!

É ou não possível haver em Portugal abertura a novas e diversas perspetivas de “conduzir” este barco “Portugal” a bom porto?!

Que não faltarão as tempestades, os ventos alterosos, as borrascas…

 

Ah! E não posso esquecer o Imperialismo!

E o Imperialismo ainda existe ou não?!

Os Estados Unidos da América continuam a ser uma nação imperial, mesmo e apesar de terem um Presidente Obama?

E a Rússia, a nova Rússia, continua a ser também um Estado imperial, como o foi a antiga U.R.S.S., talvez o maior império à face da terra? Tal como fora também um império a antiga Rússia czarista?!

E o Reino Unido? E a França? E a Alemanha? São ou não nações imperialistas ou vivem apenas na nostalgia dos respetivos impérios passados?!

E a China?! É a terceira potência militar mundial, já detentora de enorme poder e liquidez financeira, “proprietária” e “co-proprietária” de variados setores estratégicos por esse Mundo fora, a nação mais populosa, com “colonos” espalhados também por todo esse Mundo, ocupando setores variados, talvez a maior produtora e fornecedora de bens utilitários de maior ou menor préstimo, mas que os Ocidentais, na sua febre consumista, tudo compram...

E o imperialismo das grandes multinacionais, dos grandes grupos financeiros, das grandes petrolíferas?!

(…)

E voltamos a interrogar:

O Imperialismo continua a existir ou não?

E Portugal e os Pequenos Países podem ou não tomar decisões e tomar conta do seu Destino fugindo às garras do Imperialismo?!

 

E com esta pergunta nos ficamos, por Hoje!

E terei esquecido o E. I.??!!

 

 NOTA Final:

HOJE, dia 24/11/2015, tomei conhecimento deste texto publicado na Revista "Visão" sobre o "financiamento" desta "Guerra" em curso.

Imprescindível LER!

 

“Hospital Real” – 15º Episódio Television de Galicia - Comentários - Parte III

Série da RTP2

6ª Feira 18/09/15

Comentários

Parte III

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E não deixar de referir ainda…

 

No respeitante ao enredo… e também às personagens

 

Este enredo, neste décimo quinto capítulo, enredou-se bastante, devido aos desempenhos e ações de alguns personagens.

Para esse facto muito tem contribuído Duarte. Ao fazer-se passar por Doutor Alvarez de Castro, roubando-lhe a identidade em dois momentos da narrativa, cria situações problemáticas a várias personagens, nomeadamente ao próprio roubado.

 

A partir da certidão de nascimento do filho de Alicia e Cristobal, e que se chamava Martiño, mas que só agora o pai teve conhecimento, conseguiu que este se desentendesse com Rosália. Lembramos que Duarte soube do segredo de Alicia, quando a ouviu em confissão, como se de clérigo se tratasse. Pelo que a sua ida à paróquia de Santa Susana, a falar com Padre Manuel, já fazia parte dum plano….

Cristobal, na posse dessa certidão, confrontou Alicia sobre o facto de ter sido ela que a obtivera e colocara no quarto de Rosália.

Aquela completamente desconhecedora do facto, negou e supos ter sido Dona Úrsula que diligenciara nesse sentido e, sem mais delongas, a ela se dirigiu e, no calor da discussão, logo a ameaçou de dar a conhecer a situação desta com os Dominicanos, pois juntamente com Duarte haviam lido a carta que a Enfermeira Mor lhes enviara.

Foi como dar-lhe veneno a beber! Nunca víramos Dona Úrsula tão exaltada, tão fora de si, tão extravasada de emoções, que quase matou a jovem. O assunto em causa é sobre algo que mexe completamente com ela, no mais profundo do seu ser, ao ponto de ter deixado a sua postura seráfica, estátua ausente de sentimentos, que se move nos corredores e enfermarias, entre doentes, como se visitasse museu de cera…

Atirou ao rosto de Alicia tudo o que haviam feito por ela, que a haviam tirado da rua onde vivia e se entregava por um naco de pão. Que voltaria à rua, de onde nunca houvera de ter saído, que seria expulsa do Hospital, logo que o Administrador resolvesse abrir os portões.

O que logo que aconteceu, foi vê-la carregando a sua trouxa, com os seus pertences, na direção do portão de saída, sem lugar ou rumo a seguir, sem eira nem beira, nem dinheiro que Cristobal lhe quisera oferecer, que não queria esmolas e o dinheiro já viera alguns anos atrasado.

 

Dona Úrsula, torre preta, foi confrontada pelo Inquisidor, Dom Gaspar Somoza, bispo preto, que também quer depor o rei branco, pelo facto de ter na sua posse o original do tão célebre testamento do Padre Damião, que bastantes voltas já terá dado no túmulo, quantas o testamento tem volteado nos episódios. Que Somoza já encostara Dona Elvira à parede, que isto de um bispo querer ser Rei tem que se lhe diga. Que Dona Elvira fora a mão executora e Dona Úrsula a mão indutora do crime, pois mexer com a Santa Inquisição tem muito que se lhe diga e termos técnicos próprios de designação dos crimes. E, à partida, bastava ser suspeito. Era-se desde logo criminoso e, sendo ou não sendo, havia sempre maneira de o provar, para isso havia os suplícios. E não havia crime sem castigo e mesmo sem crime sempre se arranjava castigo. Que o dissesse o Padre Bernardo, que nada fizera, só não revelara um segredo de confissão.

 

E já que falamos de Padre Bernardo, que no tabuleiro poderia ser visto como bispo branco, mas agora de pouco valia porque decidia como preto, condicionado a Somoza… Ou seria antes um peão?

E o Padre Damião, enquanto vivo, não teria sido o bispo branco? Não esqueçamos, que na narrativa, o Arcebispo só apareceu mais tarde! Bispo branco que também foi comido, nas jogadas de poder do rei preto, assassinado pelo peão Duarte.

 

E ainda sobre Bernardo… Foi ele portador da carta de Aníbal, paciente que falecera no Hospital e que, no leito de morte, escrevera a célebre carta dirigida ao Doutor Sebastian Devesa, que erradamente fora parar às mãos de Úrsula, que a entregou a Somoza, para incriminar o Padre. E que o levou à prisão de que, há pouco, saíra.

E saíra e trouxera uma cópia dos ditos da dita carta, que ele transcrevera de memória, com a sua própria letra, pois que Somoza lhe dera o original a ler, para que lendo ele dissesse a quem ela se destinava na verdade. Só que ele não lhe revelara o nome proscrito, embora soubesse quem era, porque o ouvira em confissão, na qual se escudava para manter o segredo. Pagando com isso os costados na prisão. Que ele além de Homem de Honra era ungido e juramentado de Sacerdote.

E entregando a cópia dessa famigerada carta a Doutor Devesa e deixando-o a sós na Igreja, para que este a lesse para si próprio, este a leu alto, para que também ouvíssemos as palavras que nela estavam escritas, com o punho de Bernardo, pois também estávamos curiosos. E para que passados mais de dois séculos, pudéssemos também ajuizar da gravidade ou não de tão afamadas palavras, capazes de levar um Homem à prisão, condenação antecipada e fogueira do Santo Ofício.

Pois ouvida a leitura da carta, mas não retidas todas as frases, porque a memória nos atraiçoa, mas nos recordamos que genericamente continha só e apenas palavras formando frases bonitas, de um Amigo para outro Amigo, expressando-lhe o seu sentimento de Amizade, uma amizade mais forte e apegada, de que se subentendia o Amor.

E lendo, Doutor Devesa chorou. E das frases ditas me lembro de uma “… Uma vida arrebatada pela incompreensão…”

E, será pecado amar Alguém?! O próprio Jesus o disse dirigindo-se aos seus Apóstolos. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!”

 

E sobre Doutor Sebastian Devesa, nos quedamos por aqui. Que ele anda atarefadíssimo nas suas funções de médico do Hospital Real de Santiago de Compostela, aonde chegaram dezenas de estropiados e feridos, moribundos e mortos, queimados vivos, tal qual ele teria sido se tivesse sido denunciado por Padre Bernardo. Provenientes da explosão havida no armazém de pólvora seca da Cidade Compostelana.

Não lhe bastariam já os doentes do mal que desconheciam o nome, bem como a cura, que é isso que o médico precisa saber; mas que inoculando transfusões de sangue da ama primeiramente atingida pela doença, constataram que nem todos morreram, alguns sobreviviam, que Doutor Daniel já lhe dissera. O que não sendo, per si e desde logo, conclusiva esta constatação, nos mostrava haver já algum avanço na Medicina e na Ciência, que aos poucos progrediam.

 

E permanecendo no Hospital e na enfermaria, cheia de doentes, olhamos agora para a nossa querida Olalla, a mocinha e heroína da história, aflitíssima com tanta gente precisando de ajuda, que as enfermeiras não tinham mãos a medir.

De entre a muita gente que chegava ao Hospital, nem todos eram feridos, também vinham familiares procurando por eventuais doentes seus e veio também o Capitão Ulloa, que não chegara a ir para a frente do Rossilhão, porque ficara na busca dos rebeldes de Laurier, que haviam despoletado a explosão, que eles isso mesmo comunicaram através de um bilhete, não foi por vídeo, que ainda não havia essa tecnologia, mas, pelos vistos, também conheciam os métodos de guerra psicológica.

E o Capitão também veio, para também ver a mocinha, por quem também era apaixonado, que para a heroína nunca faltam candidatos a heróis, mas também viera para lhe dizer que, entre os feridos com gravidade, estaria o seu irmão Breixo, que fora encontrado no próprio local da explosão.

E entre palavras e ações, a tranquilização de Dom Andrés para Olalla, de que fariam todos os possíveis por ele e ela que fosse para junto do irmão, que o ajudasse, lhe dissesse tudo o que havia para dizer, palavras também de Ulloa, pois supostamente Breixo iria morrer.

 

E nesta confusão de palavras e sentimentos, de atos e ações, não posso deixar de realçar uma sugestão de Padre Bernardo, sobre a forma de operacionalizar o modo de lidar e gerir o tratamento dos feridos.

E, como?! Colocando uma fitinha colorida em cada um dos doentes, de acordo com o respetivo grau de gravidade. O designado “Método de triagem de Manchester”, antes de tempo. Que era um dos méritos do Hospital, antecipar-se ao progresso e avançar cientificamente!

 

E Olalla foi para junto de uma cama onde estava um doente quase totalmente queimado, rosto irreconhecível, tapado por ligaduras, e supostamente seu irmão Breixo, a ele se dirigiu, o consolou, lhe disse o que achou ser importante dizer nessa hora atormentada e aí se deixou ficar, chorando.

Posteriormente, já mais consolada, por acaso, encontrou o seu amado Daniel, que o Destino assim quer e como haveria de ser se trabalham no mesmo Hospital, que não é nenhum Santa Maria ou São João, pois haveria de ser, se isto se passou há mais de duzentos anos!?

E Daniel não perdeu tempo e lhe disse que a amava e se beijaram, quando a sua esposa, Clara, chegou e os viu, ficando enraivecida, chamando mosca morta a Olalla e foi quando ela disse ao marido, Daniel, que ele iria ser pai. Mas isto já contei anteriormente e não volto a esse Caminho!

E terá sido também daí que ficou com raiva a Olalla e, quando esta estaria descansada no muro da escadaria, a empurrou e ela caiu no lajedo e Duarte lhe foi pegar, levando-a.

Aparentemente morta, mas eu estou em crer que não, pois assim se fecharia uma porta importante no enredo, pois como me referiram num comentário, com os protagonistas mortos, a série perderia completamente o interesse. O que é inteiramente verdade.

Mas eu estou convicto que nenhum deles morreu. Os guionistas apenas nos quiseram induzir nessa sugestão.

E, mesmo agora, li outro comentário em que me dão conhecimento que a 2ª temporada vai estrear na Galiza no Outono e que os protagonistas não terão morrido.

Pois é mesmo assim que eu também acho, que os guionistas devem dar seguimento à Série e ouvir ou ler o que dizem os “fazedores de opinião” das redes sociais.

E Muito Obrigado a quem tem a paciência de ler o que escrevo e ainda comentar!

 

E com este remate, proponho-me findar este comentário enviesado, mas sem antes também lembrar que não valia a pena tanto desconsolo de Olalla, porque o seu irmão, Breixo, supostamente quase morto na explosão, afinal não morreu, que nós o vimos posteriormente na Cidade. E mais uma vez o Destino teceu a sua teia na narrativa, e fez com que ele se cruzasse, melhor dizendo, esbarrasse com o Alcaide Mendonza, que o vinha procurando insistentemente, que isto como se diz, “quem procura, acha”, só que Mendonza procurando e achando, afinal não achou e mesmo dando um encontrão em Breixo, não o encontrou.

Porque Mendonza, agora, também era procurado, porque os homens do Arcebispo, procurando na sua casa, encontraram, acharam a máscara do assassino, em Série, “serial-killer”!

 Ver também, S.F.F. Parte I aqui e Parte II aqui

E aguardemos a próxima temporada da Série!

Afonso III de Fonseca in wikipedia.jpg

 Afonso III de Fonseca está pensativo sobre se há-de ou não apoiar, enquanto mecenas, a continuação da Série.

 Nota Final: A imagem inicial representa São Tiago, na fachada principal da Catedral. In Andarilho de Andanhos. Cortesia de Tamara Junior

“Hospital Real” – 11º Episódio

Série da RTP2

 

2ª Feira 14 / 09 / 2015

 

La familia de Carlos IV. De  GOYA. in wikipedia.jp

 

 

“Gostaria que fizesse algo por mim.” Palavras do Alcaide, para Dona Elvira.

Assim também ficámos a saber como a fidalga obteve o dinheiro para saldar a dívida e pagar a Ulloa. A carta misteriosa que ela recebera teria sido proveniente do Alcaide, não sabemos é o que ele terá andado a fazer nestes episódios em que esteve desaparecido. Dinheiro continua a ter. Também irá repor o correspondente ao desfalque que fez? Aguardemos. Mas visualizámos a sinopse do próximo episódio e tudo indica que irá ter papel importante!

 

E aqui focamos um dos subtemas que vem perpassando na série. O modo de vida da fidalguia de nome e linhagem antiga, vivendo acima das posses, desbaratando as heranças dos antepassados, enchendo-se de dívidas, usando todos os mecanismos de sobrevivência, para se manter à tona da sociedade. De que o modo de atuação de Dona Elvira serve de mote e que ela pretende continuar, assumindo o papel de Homem da Casa, a chefia da Família, já que o filho optou por outro modo de ganhar a vida, recorrendo ao Trabalho, fator e base de desenvolvimento da Nova Sociedade que se adivinha.

 

Exemplificando a queda do Antigo Regime de que a Revolução Francesa foi o motor, à data, ainda em primeira velocidade, mas de que a Guerra do Rossilhão, no início, já prenuncia a futura entrada dos exércitos napoleónicos na Península.

 

O filho, Dom/Doutor Daniel, no papel principal do enredo, em múltiplas facetas.

Enquanto fidalgo, nos princípios e valores ainda espelha a sua educação de base; mas também no papel de médico, exercendo uma profissão mediante salário, de formação académica superior, obtida em França, no início da Revolução, inovador nos métodos, na pesquisa e experimentação, perfil de investigador, aliando teoria e prática.

Enquanto herói apaixonado por uma mocinha da aldeia, do campo, Amor que pretende salvaguardar, prenúncio do Romantismo. Simultaneamente casado, segundo os cânones da Ordem Antiga, por conveniência, casamento combinado pelas famílias, e formalizado por um acaso excecional, mas que ele pretende manter, porque deu a sua palavra, selando um compromisso. Contudo, não amando a sua esposa, ainda não conseguiu consumar o matrimónio. O que se tornou tema do enredo, envolvendo a esposa, Clara, viva, que já foi morta; o Pai, Dom Andrés, confidente da filha que já não tem mãe, ou julga não ter, ou não se lembra, o que dá no mesmo. E também Dona Elvira, que, assim, fica a saber dos desaires do filho.

Mas o rapaz acaba por concretizar o ato! Numa cena filmada com o classicismo e a contenção de outros tempos, em que as ações são mais sugeridas do que explicitadas. Mais imaginadas que vistas.

De caráter exaltado não consegue controlar as pulsões viris, fácil e irrefletidamente se envolve em disputas cegas e absurdas, de que a briga na taberna foi o paradigma e cujas consequências lhe rebentaram nas mãos, quando se viu perante o paciente, que quase rebentara de pancadaria. Agora, na sala de operações, onde seria suposto Daniel, enquanto médico, salvar.

E voltam as palavras sábias do seu colega e mentor, Doutor Devesa, de que as mãos são o seu bem mais precioso, que não são para desbaratar em sessões de boxe, que não sei se já assim seria designado esse desporto briguento.

 

Doutor Devesa, papel crucial no Hospital, enquanto Cirurgião Mor e membro do Conselho Hospitalar, numa vida dedicada aos Outros, tentando salvar Vidas, mas também consciente dos fracassos sempre inerentes dessa função. Inovador quanto baste enquanto profissional, mas apoiando as pesquisas do novel médico, pragmático e sensato, que a idade tudo leva e tudo traz. Portador de um segredo, que confessou ao Capelão e certamente dedutível a partir das palavras gravadas numa carta que um seu Amigo escreveu na hora da Morte e que foi parar em endereço errado, passando das mãos da víbora Úrsula para as da cascavel Somoza. Destino trágico e cruel!

 

Dona Irene, feminista antes de tempo, ao sujeitar-se a uma operação a um pólipo no Hospital, aliviada de não ser gravidez, pode observar internamente o respetivo funcionamento. Uma vantagem para todos.

Constatando que as enfermeiras eram pouco mais que escravas na Instituição, propôs que elas recebessem um salário.

Proposta ousada na altura, sob todos os aspetos, muito para além do lado financeiro, ou eventual prejuízo para o Hospital, que ela se propôs cobrir, abdicando de alguns benefícios no seu negócio de abastecimento de víveres.

Sujeita a votação no Conselho, foi a proposta aprovada, revelando-se Dom Andrés, além de excelente administrador, também exímio estratega.

Doutor Devesa votou a favor, sendo igualmente portador do voto favorável da comerciante, que estava ainda de convalescença. O Inquisidor e a Enfermeira Mor foram, naturalmente, opositores. E aí, Dom Andrés pediu o voto do Capelão Mor, que também foi favorável, situando-se, assim, em oposição, mais uma vez, ao Inquisidor, desobedecendo-lhe. Calcule-se como este ficou a ferver por dentro, pronto a explodir, o que acontece umas linhas adiante.

Estava a proposta aprovada, mesmo sem sequer ser precisa a votação do Administrador.

Mas sendo este interpelado pelo Inquisidor para que o fizesse, foi também a sua opinião no sentido de aprovar um salário para as Enfermeiras.

E, assim, definiu também os papéis de cada um no Conselho e reforçou o seu Poder, que o Inquisidor tanto deseja.

Este, após a ocorrência e nos bastidores, no corredor, perante o Capelão, Padre Bernardo, saltou-lhe completamente a tampa, berrou-lhe que nem fera enlouquecida, não o engoliu vivo porque não pôde, explodiu de raiva e informou-o de que o iria mandar prender pelo Santo Ofício.

 

E isto porque a carta, que o amigo de Doutor Devesa lhe escreveu, foi parar às mãos da Enfermeira Mor, Dona Úrsula, o “Dragão”, de Komodo, lhe chamo eu, víbora que também é cascavel. Que conduz a narrativa pelos caminhos ínvios da destruição e malvadez.

Portadora da carta e conhecedora do segredo do Doutor Devesa, resolveu mudar-lhe o endereço e atribuir-lhe outro destinatário: o Capelão Mor, Padre Bernardo, Alma caridosa e boa, que não merecia tal destino. Assim, simultaneamente, atacava dois opositores, de forma imediata, o Capelão e quem sabe, futuramente, o Cirurgião!

Na posse da carta dirige-se ao Inquisidor, supondo que levava um trunfo imbatível, exigindo ou propondo, não sei bem, a troca da carta pelo original do testamento do Padre Damião, que ela falsificara.

Pensava ela que levava um trunfo imbatível, disse eu. Só que o feitiço se virou contra o feiticeiro e, o Inquisidor, víbora ainda mais peçonhenta, não só lhe confiscou a carta, como não lhe deu o testamento, e cumulativamente ameaçou-a de Tribunal e cadeia e ainda a subjugou mais à sua vontade e fome de Poder!

 

Do Poder que quer ganhar no Hospital, que nós já sabíamos, pois ele já o explicitara ao Capelão, frisando-lhe que o seu papel na Instituição era precisamente esse e não outro qualquer. Ajudá-lo a obter o lugar de Administrador, retirando-o a Dom Andrés. E, por isso mesmo, fora designado para as funções de Capelão Mor.

Objetivo que, a partir de agora, Dom Andrés também já ficou sabedor, pois que o Capelão lho deu a conhecer, quando dele se foi despedir.

Que o Capelão não quis esperar que viessem buscá-lo para ir para a prisão do Santo Ofício. “Adianto-me aos seus enviados. Ninguém sentirá a minha falta”, disse ele a Somoza, Inquisidor Mor, ao apresentar-se para ser preso.

 

Que não lhe sentissem a falta não é verdade, que Dom Andrés manifestou-lhe logo a sua estima e relevância no Hospital.

Doutor Devesa, ao saber que era devido à célebre carta, em que certamente se falaria de uma amizade, só que colorida e, malevolamente, fora endereçada para o Capelão, logo ali quis assumir os seus pecados, que ninguém tinha que pagar por eles. O Capelão lhe disse que os seus pecados, já confessados, expiaram com a morte do seu Amigo, Aníbal.

Interrogando-se como a carta poderá ter ido parar a Somoza e deduzindo que só poderia ter sido a cascavel, a ela se dirigiu, apelidando-a precisamente de víbora, o que nós já fazemos há alguns episódios, e, exaltado, lhe gritou: “Vou encarregar-me que pague pelo que fez com Bernardo!”

Pelo que bisbilhotámos do próximo episódio, vislumbrámos que o Destino se vai encarregar desta ameaça!

 

E ficam-nos sempre temáticas por abordar, personagens por mencionar, excertos por comentar.

 

Já referi a simpatia de Duarte por Olalla.

Ontem, quando no quarto dela entrou, muitas ideias malévolas se supuseram! Quando abriu a navalha com que degolou as suas vítimas, e da jovem se aproximou, um arrepio surgiu, como se ele fosse executar o papel do Destino…

Afinal, tão somente e apenas se abeirou dela para lhe cortar uma madeixa de cabelo, que guardou cuidadosamente num bolso, junto ao coração.

E é assim, este assassino. Simultaneamente crudelíssimo e ao mesmo tempo capaz de gestos simples de carinho, só carinho (?), nomeadamente quando olha, enlevado, para a mocinha, heroína da novela!

 

E, a outra moça, Rosália, continua se derretendo com o seu Cristobal, o boticário!

 

E, assim, termino, por hoje!

Espero que tenha gostado!

 

Hospital Real” – 9º Episódio

Série da RTP2

5ª Feira, 10 de Setembro

 

Prólogo

 

Antes de escrevinhar alguns comentários sobre o nono episódio, devo, antes de tudo o mais, enquadrar algumas palavras neste breve prólogo.

Prologuemos então.

Estimado/a leitor/a,

Quero agradecer-lhe a amabilidade em visitar este blogue, a gentileza em percorrer os posts que nele vou colocando. As suas leituras muito têm contribuído para que as visitas e visualizações deste “canal de comunicação” tenham crescido substancialmente. Relativamente ao contexto em que se insere, claro!

Espero que aprecie os textos, que se divirta e que tire algum proveito dos mesmos.

Não tenho qualquer pretensão com o que escrevo. Apenas transmitir algumas opiniões, tecer uns breves comentários. E, sinceramente, desenvolvo esta atividade com gosto e por gosto! Sabendo que há quem leia, ainda me dá maior satisfação.

Pois continue lendo. Desejo que ganhe gosto a estas leituras. E que continue vendo a série.

E o meu sincero muito obrigado!

 

in thegypsynomads.com catedral santiago.jpg

 

Desenvolvimento

 

E prossigamos, então, para alguns comentários sobre a Série e o Episódio 9, de 5ª feira.

 

O desenrolar desta série não deixa de nos surpreender. Quando julgamos que vai terminar e o enredo se vai desenrolar, lá aparece outro nó na trama.

Ontem equivoquei-me, pois na 4ª feira vira mal a programação e supusera que na 5ª feira, ontem, haveria dois episódios e deste modo finalizariam a série. Erro meu… e o meu pedido de desculpas.

 

Que eu já estou ansioso não que ela termine, que as temáticas nos prendem ao enredo, mas por saber o final.

Se fosse livro, já o tinha lido todo. Como quando leio determinados romances, como já referi em post anterior, no respeitante a Jorge Amado.

 

Mas esta pequena novela tem algumas características que no-la tornam muito apelativa.

À partida é uma série histórica, pelo que se me torna desde logo e, à priori, apetecível. E, neste aspeto, é impecável, reconstituição exemplar do tempo histórico a que se reporta. Inclusive com o cuidado de nos ir situando nos momentos cruciais. Ontem, soubemos que a Espanha já estava em guerra com a França. Guerra de que já falámos em post anterior. Logo, a ação que ocorria nos primeiros meses de 1793, já foi também precisado o mês de Fevereiro, agora estará a processar-se na 2ª quinzena de Abril de 1793.

Num cenário de Guerra, o que altera completamente as vivências e o quotidiano das personagens. O Hospital já reuniu o respetivo Conselho, na sequência do conhecimento que o Administrador teve dessa declaração de Guerra, por meio de carta enviada diretamente do Rei, através de um emissário militar.

Militares que agora passam a ter um papel mais importante na narrativa, para além do que já desempenhava o nosso célebre Capitão, mas o desempenho deste, até agora, resumira-se apenas a outras lutas, que não as militares, nomeadamente o ferimento que o levara ao Hospital, nada teve a ver com Guerras. Só as de alcova.

 

E abrimos já duas vias neste pequeno excerto: falámos do Conselho e do papel dos Militares na narrativa…

 

No concernente ao Conselho, presenciámos a respetiva constituição: além do Administrador, o Cirurgião Mor, o Capelão Mor, Dona Irene e o Inquisidor e a Enfermeira Mor.

Surpreendeu-me não ter visto o Alcaide. Não pertencerá? A sua função será outra? Ou terá ido buscar o dinheiro do desfalque que fez?! Pois, sinceramente não sei!

Os jogos de Poder decorreram em cenas de momentos seguintes, nos corredores e meandros do Hospital.

O Inquisidor pressiona o Capelão, situando-o na sua verdadeira missão ali: agir no sentido de que o Inquisidor venha a ser o Administrador!

Por sua vez, faz um jogo tático com Dona Úrsula… é um verdadeiro jogador de xadrez, cerebral, no xadrez e campo de luta da política hospitalar.

 

Don Manuel de Godoy in lavozdegalicia.es.jpg

 

E tomando o rumo dos Militares… Quem foi para o xadrez, por enquanto apenas no Hospital, foi um soldado, cuja arma se disparou ou que ele fez disparar na mão esquerda. Em tempo de Guerra, tal procedimento, quando propositado, tem sentença de morte: a forca.

Que será, provavelmente o destino do imprudente soldado, que na ânsia de perder dois dedos com o disparo, com medo a perder a vida com os disparos na Guerra, acabará, provavelmente, por se finar, mas numa morte considerada desonrosa para si e família.

Foi submetido a julgamento, no próprio Hospital, que é autónomo jurisdicionalmente no respetivo espaço e contexto institucional. O Administrador considerou não haver provas suficientes de que o jovem militar agira propositadamente, mas o Oficial Militar, presente como membro do Júri, teve opinião contrária.

Pelo que o rapaz será condenado à forca, após estar curado.

 

“Então vamos mandá-lo para a morte depois de o termos curado?!” Interrogou a nossa mocinha, enfermeira ingénua, Olalla.

E fica esta questão como ponto de reflexão sobre a Guerra, sobre o sentido de todas as Guerras.

 

E pegando na deixa, Olalla… esta e o seu amado já avançaram bastante, no seu próprio quarto, no que de Amor se trata, mas por enquanto ainda se ficaram apenas por preliminares, valeu-lhe a sua própria sensatez! Que ela é uma verdadeira mocinha!

Já o seu amado, Daniel, o herói, resolveu armar-se em cow-boy e teve honras de abertura deste nono episódio, numa cena de pugilato, numa taberna dos subterrâneos de Santiago, para onde fora levado por Duarte, para afogar o desgosto pela morte da, agora, sua esposa, Clara. Enraivecido pela sua impotência enquanto médico, na incapacidade de salvar uma vida, quase matou, de raiva, o seu opositor. Valeu-lhe Duarte!

“… na nossa profissão, temos que nos habituar a conviver com a Morte…”, já o alertara o Cirurgião Mor, seu mentor, quase Pai espiritual. Que também lhe lembrou a importância das suas mãos, na profissão que exerce.

 

E a narrativa direciona-nos para o assunto com que queremos finalizar… mas aguardemos ainda.

 

Voltemos ao quarto de Ollala e da sua colega Rosália, enfermeira Castelo.

O quarto agora transformado em alcova…

Pois a enfermeira Rosália, mais expedita, não se ficou apenas pelos preliminares com o seu boticário…

E se ela já andava sempre meio na lua, agora ficou totalmente de olhar vagueando no espaço sideral.

 

O boticário tem também outras evasões, quem as não tem (?), mas tenta libertar-se da sua dependência do ópio.

 

Dona Irene descobre, sim, ela tomou consciência disso a pós a consulta com Doutor Daniel, apercebe-se que está grávida.

E, imagine-se, naqueles tempos de tantos preconceitos, uma senhora da sua condição, viúva, ficar grávida…

E cumulativamente resultante de uma violação, de que apenas ela tem conhecimento e também o seu bom amigo, Dom Andrés, para além de Dona Elvira, que presenciou a cena, que ocorreu no seu palácio e na sua mesa da sala!

Imagine-se a bomba, quando se souber… Numa sociedade tão recheada de tabus, falsidades e aparências.

Aguardemos como este assunto irá ser abordado.

 

Que outro aspeto enriquecedor nesta série é a forma como vai apresentando várias temáticas, sempre num contexto de época. Há certamente um trabalho de pesquisa prévio muito relevante.

Veja-se como nos apresenta os problemas do exercício da Medicina, agora a problemática da Guerra nos seus reflexos na Sociedade…

 

E ainda sobre personagens, Dona Elvira de Santamaria e Dona Úrsula.

Já foram episodicamente aliadas, agora definitivamente inimigas. Que Dona Úrsula já avisara que sempre cobra as dívidas. Mas não sabemos quem deve mais a quem, ou quem tem mais a temer.

Duas mulheres, no mesmo tempo e espaço ficcional, pertencentes a duas Classes Sociais distintas, mas poderosas na altura, uma da Nobreza, ainda que falida, a outra do Clero Regular, cada uma usando as armas de que dispõe, sempre tecendo e enredando a narrativa, pelo lado da malvadez. Harpias, que não se limitam a profetizar, mas agem condicionando e dirigindo a narração, no sentido que pretendem: o seu benefício pessoal, o seu egoísmo, os seus apetites, a sua fome de poder e influência, a fome que se avizinha com as guerras que se aproximam. Recorrendo a táticas e estratégias diversas, mas sempre com uma metodologia comum: pisar os outros, especialmente os mais fracos e indefesos; bajular os ricos e poderosos, mas apunhalando-os pelas costas, sempre que possível.

 

E, julgo que, agora, finalmente, vamos ao cerne do episódio.

 

Enquanto todos estes acontecimentos decorriam e os que eu não relatei, porque de todo não me é possível, Clara, a jovem que padecia de doença psíquica, incurável, que sofrera um ataque de epilepsia, provavelmente provocado pela bebida de estramónio que a “Dragão”, bruxa má e malvada, lhe dera, Clara, dizia, jazia no esquife, na Capela do Hospital.

Velada pelo pai, por Dona Irene, pelo marido, Dom Daniel, não sei se por mais alguém, que não vi e nem sempre foi possível estar gente a velar o seu corpo defunto.

Enquanto todos estes acontecimentos aconteciam, se desenrolavam intrigas e conluios nos corredores, nas enfermarias os doentes padeciam, os amantes se enrolavam nos quartos e escadarias do Hospital, e nas respetivas salas se discutiam assuntos nobres e se sabia de Guerras que aconteceriam nos Pirinéus, lá para a França e na taberna galega se guerreavam dois homens enraivecidos pelo Destino, e Dona Irene desmaiava e vomitava; enquanto tudo isto acontecia, Clara Osório, permanecia imóvel no seu esquife, uma quase santa, na Capela Real do Hospital de Santiago de Compostela, na Galiza, uma das Pátrias de Espanha e  irmã de Portugal, aguardando que a Morte chegasse e a viesse buscar.

Só que a Morte tardou… Não chegou. E não a veio buscar!

E a jovem doente e que fora prometida e agora já não era, porque sendo noiva se casou… a jovem Clara, não morreu!

 

 

 

 

De Portalegre, para Timor.

De Portalegre

Para Timor

 

Timor, Timor

Palavra que rima com dor

Com guerra e opressão

Genocídio, humilhação.

Mas também quadra com Amor.

Timor, Timor. Tanto horror!

 

Setembro, oito, noventa e nove

Portugal pára, não se move

Solidário por Timor

Irmanado pelo Amor

Partilhando sua Dor

Gente, Terra Portuguesa

Capaz de grande lhaneza.

 

Três em ponto, pela tarde

Calor sufocante, que arde

Alentejo, Portalegre

Cidade, port’alegre

Mas triste meu coração

Olhos choram de emoção.

Pouco faço. Estendo a mão

Daqui, pensando em Dili.

 

À sombra de plátano secular

Simbólica árvore, tutelar

Ouço sirene a tocar.

Um convite a respeitar

Três minutos de silêncio.

 

De silêncio, por Timor

Terra que quadra com Dor

Pátria rimando com Amor

Nação valente, sem temor.

 

Em Portalegre, cidade

Com respeito e dignidade

Por Timor! Por Liberdade!

 

Notas:

Este poema está publicado na Antologia "Portalegre em Momentos de Poesia", coord. Deolinda Milhano; Edições Colibri, Lisboa, Setembro 2011.

Também está publicado em Boletim Cultural de C.N.A.P. - Círculo Nacional D'Arte e Poesia, Maio/2000.

E no Boletim da A. P. P. - Associação Portuguesa de Poetas, Nov. 1999.

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