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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Ricochetes de Covid?!

Padre António Vieira?!

 

Quando publiquei o postal “Passeio Virtual por Cidades… e Aldeias”, em Maio, fi-lo precisamente porque estava e estou, farto de Covid. E quem não estará? Escrever sobre o dito cujo ainda me saturava e satura mais.

 

Entretanto passaram-se tantas coisas e qual delas mais estranha.

O “desconfinamento” atingiu proporções, a meu ver, exageradas e não só em Portugal.

 

Manifestações, de motivações justas, mas que descambaram em efeitos injustificados.

Em Portugal, as ações têm sempre uma escala proporcional à nossa dimensão. Alguns cartazes despropositados.

 

Nos States, após aqueles descalabros, previsíveis, dadas as assimetrias gritantes entre estratos populacionais, acentuadas pelos efeitos de Covid; na Velha Albion, onde a Covid também tem feito grande mossa; inépcia e incoerência dos respetivos governantes, em ambos os estados anglófonos, deu-lhes, aos manifestantes, para derribarem e apearem estátuas. (Não haviam bastado os talibans!…)

Sem qualquer sentido.

Porque, reflita, SFF. Que seria da América se não tivesse havido Colombo? Ou de Inglaterra sem colonialismo(s)? Onde estariam esses sujeitos a quem lhes dá esses amoques?! Existiriam sequer, enquanto seres humanos?!

Porque se fossem os contestatários, ameríndios nos States; ou os anglos, ou os saxões, ou os celtas, em Inglaterra, ainda se perceberia… mas sendo quem são, que seria dos ditos se não tivesse havido todos esses horrores, que de facto foram: escravatura, esclavagismo, colonialismo, tráfico negreiro… Que não defendo nenhum destes retrocessos históricos, friso!

Que existem atualmente, sim! Com outras variantes e cambiantes, sim!

 

A História não se apaga, não deixa de existir por ser negada ou escondida ou submersa nos rios, enterrada nos pântanos da ignorância. Bem pelo contrário! Deve estar visível para ser aprendida, apreendida, interpretada, estudada, ensinada. Para ajuizarmos com discernimento e espírito crítico o que tem valor ou não, ao nosso olhar atual, sem deixar de perceber o enquadramento epocal.

Tudo o que é Humano tem que ser contextualizado no tempo e no espaço. Não se pode emendar o que foi ou deixou de ser mal feito em tempos passados, porque o “tempo não volta para trás”!

 

Cá pelo burgo, melhor, na Grande Cidade, também lhes deu para vandalizarem monumentos! E logo do Padre António Vieira!

Não sou especialmente apreciador de estatuária laudatória na via pública. Muita é inestética, mal colocada no espaço, os respetivos personagens suscetíveis de valoração ou não, positiva ou negativa. Todavia, já que expostos, permitem-nos opinar, ajuizar sobre os mesmos. São lições de História!

Não têm que ser consensuais. Muito menos estragados, destruídos. Para estragação e achincalhamento, basta o que lhes fazem os pombos, diária e continuadamente.

Que nos digam os Grandes: Camões, lá do alto do seu pedestal e Eça, mais terra a terra, mais a sua Verdade, um pouco mais em baixo.

De modo que, e um pouco mais acima, esborratar o Vieira é completamente incongruente.

Açucenas quintal. 2019. 05. jpg

 

António Vieira (Lisboa – 1608 / Baía – 1697): Orador e Escritor português. De pais de condição modesta, sua avó paterna era mestiça, serviçal na casa dos condes de Unhão.

Foi para o Brasil aos 6 anos. Estudou no Colégio dos Jesuítas, na Baía. Entrou na respetiva Companhia.

Distinguiu-se na catequese dos índios, de quem foi defensor intransigente.

De 1641 a 1652, esteve na Europa, nomeadamente ao serviço de D. João IV, de quem foi embaixador em França, Holanda e Itália.

Voltou ao Brasil, onde permaneceu de 1652 a 1661.

Levou o decreto real de libertação dos "índios", que provocou violentas reações dos colonos e o seu desterro para Lisboa.

Na sua segunda estada na Europa, 1661 – 1681, foi preso em Coimbra, em 1665, nos cárceres da Inquisição.

Viveu em Roma de 1669 – 1675. Regressaria ao Brasil em 1681, onde morreria em 1697.

Foi um Cidadão do Mundo, atravessou sete vezes o Atlântico, percorreu milhares de quilómetros, muitas vezes a pé.

Distinguiu-se especialmente nos sermões. Profundo conhecedor do coração humano. F. Pessoa o intitulou “Imperador da Língua Portuguesa”. Elogiado por A. Sérgio “nunca se escreveu em português mais claro, mais próprio, mais natural…”

Arrebatava tanto a gente inculta do Brasil, como o requintado mundo dos cardeais da Cúria Romana.

“Expoente da oratória sacra portuguesa e um dos maiores da oratória universal, foi político, missionário, defensor dos fracos, crítico audaz dos poderosos e patriota visionário.”

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(Para este excerto sobre P. António Vieira, mais uma vez, me baseei na Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal – Círculo de Leitores - Tomo XVIII – pag.s 164, 165, 166.

Manias pré históricas!!!)

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E ainda...

Relacionado com o postal anterior, dizer que continuei com Tieta. Apaixonante a narração. Dá vontade de não parar. É sempre assim com Jorge Amado.

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E a foto?!

Original, como gosto que sejam. De flores, ou de plantas, pela(s) sua(s) simbologia(s).

Repare, SFF:

Hoje é dia 13 de Junho. Dia de Sto António. A respetiva flor simbólica é o lírio branco. (Na minha terra, também chamamos a estes lírios, açucenas.) E qual foi o celebérrimo sermão de Padre António Vieira? De Santo António... aos peixes. Que é isso que também ando a fazer... Mais valia ao pessoal que, em vez de desconfinar por dá cá aquela pallha, fosse tratar de jardins, que bem precisam. Nem sabem como é relaxante, tratar de um jardim ou de uma horta. Experimente, SFF.

 

Post Natalício / Amendoeira frutificada!

Este blogue comemora, hoje, três anos! 

Original DAPL. Amendoeira Verão. 2017.jpg

 

Umas vezes melhor, outras pior, já contam 553 posts publicados sobre as mais variadas temáticas.

Aquém – Tejo sempre presente. Aquilo que mais nos “toca”, que nos está mais “perto”, geográfica e afetivamente, diga-se!

Sem ignorarmos o que se passa no Mundo, à nossa volta.

 

Não me vou alongar em considerações evocativas. Vou comemorar a efeméride com a colocação de um texto e algumas imagens sobre um dos temas que mais nos “dizem”, que mais nos “tocam”:

- As questões ligadas ao Ambiente e, neste tema tão vasto, tão variegado, as Árvores e a sua importância para a Humanidade.

Original DAPL Amendoeira Verão II. 2017.jpg

 

- E num enquadramento tão relevante, mas tão descurado, o “Mundo Vegetal”, as Árvores, lembrar e documentar sobre uma Árvore muito específica, que tem tido aqui, no blogue, direito a “desfilar”, na sua beleza primaveral, que tem sido aqui, no blogue, referida pela sua História.

 

Original DAPL. Epifania  Primavera 2015.jpg

 

Para além das imagens primaveris, é altura de mostrá-la na sua grandeza matriarcal, frutificada, carregada de frutos.

Este ano foi muito abençoada. Em termos estatísticos e, para que conste, frise-se, deu, ofertou-nos, quase mil amêndoas doces. Casca rija, difíceis de partir as amêndoas, é certo, mas não foi avara na sua dádiva.

 

Original DAPL. Amendoeira Verão III. 2017.jpg

 

Na colaboração, sempre constante, neste veículo comunicacional, sempre, repito, desde o início, o trabalho impagável de D.A.P.L.

 

Mais uma vez, as fotografias são de sua autoria.

 

Original DAPL. Amendoeira Verão IV. 2017.jpg

 

E retornando à Amendoeira

Após esta abundante frutificação e talvez dado este tempo que nos assola, (continuam temperaturas desmesuradamente altíssimas para esta época do ano, bem acima dos trinta graus, somos ainda assolados pelos fogos, ainda!), talvez efeitos de toda esta conjugação de fatores adversos, a Árvore parece que secou.

Parece! Vou deixar chegar nova Primavera. E que chova entretanto. Que chova! Que chova!

 

(E há, por aí, alguns dirigentes (ir)responsáveis que cismam em ignorar os problemas ambientais, o aquecimento global, os efeitos poluentes de fontes de energia fósseis, o perigo do nuclear, das bombas, das armas, das guerras atrozes, eu sei lá!)

 

Voltando à Amendoeira

Todavia e apesar de todas as adversidades, tem uns rebentos, já crescidos e nascidos a uns metros do tronco principal.

 

(São um sinal de Esperança, de Paz, neste mundo conturbado.)

 

Vou continuar a regá-la e a regar os rebentos.

Não creio que vá morrer ainda.

(Tem ainda pouco mais de quarenta anos!)

 

“MAD MEN” – Série Americana na RTP2

“MAD MEN” 

Série Americana na RTP2

Texto II

(Outubro 2015 – 19 a 23)

 

Alguns tópicos extraídos do enredo do seriado

 

Esta semana decorreram cinco episódios desta 7ª Temporada da série, de um total previsto de catorze. Várias fontes referem ser esta a derradeira temporada.

 

Nesta fase, a ação decorreu, temporalmente, até agora, em 1969.

No contexto de espaço, ocorre maioritariamente na Costa Leste, em Nova Iorque, onde está sediada a empresa fictícia de publicidade “Sterling Cooper”, nos respetivos escritórios, na Madison Avenue. Também na Costa Oeste, Los Angeles ou Hollywood, não sei com precisão, onde trabalha como atriz, a segunda mulher de Don Draper, Megan Draper. Noutros locais dos States não facilmente identificáveis por mim. Decorre fundamentalmente em espaços interiores, cenários fictícios, portanto.

 

Alguns aspetos que se realçam nesta série.

 

Em primeiro lugar, pensando especificamente em 1969, e, genericamente, na década de sessenta, o que nos ocorre?!

 

Para quem tenha nascido nos anos quarenta ou cinquenta do século passado, muitas das vivências retratadas ou sugeridas ou mencionadas ou visualizadas nesta série, lembram-nos situações por nós vividas direta ou indiretamente ou que delas tivemos conhecimento, através dos meios de comunicação, na altura quase exclusivamente em suporte de papel, jornais, algumas revistas; através da rádio, que era um veículo comunicacional de certo alcance, e embora de muito menos projeção, mas em constante crescimento, a televisão. E do cinema, que foi um dos meios marcantes da transmissão dos valores, atitudes, comportamentos e hábitos dos norte americanos.

Porque apesar de na década de sessenta ainda estar vivo o célebre "Senhor de Santa Comba", de estarmos em Guerra, de haver censura, exame prévio, e outras coisas mais e de pior gabarito, como a polícia política, a ameaça de prisão arbitrária... foi havendo gradualmente alguma abertura, até porque o dito senhor “caiu da cadeira” em 1968 e morreria em 1970.

 

De que nos lembramos em 1969 que de algum modo a série aborda?

 

A nível de acontecimentos, a Guerra do Vietname, a chegada à Lua, que teve direito a transmissão na RTP e sobre o que a maioria do País (Portugal) ficou relativamente incrédulo.

Sobre a Guerra já falaram, era um assunto problemático, porque já havia movimentos contrários à mesma, especialmente no seio das camadas mais jovens e que eram mal vistos nos meios mais conservadores. Mas também se referiu que Nixon, o presidente da altura, também já equacionava o fim da Guerra. Mas o que só aconteceria em 1975.

Sobre a chegada à Lua, ainda não acontecera nesta fase da narrativa, mas previa-se a sua efetivação para breve.

 

mad men  in. thorpebenefits.com

E a nível de hábitos, costumes, atitudes e comportamentos?!

 

Ressalta à vista o que de algum modo, atualmente, impressiona. O uso e abuso do tabaco e do álcool, de uma forma tão indiscriminada, no local de trabalho e no quotidiano da vida pessoal dos protagonistas. Fuma-se e bebe-se em todo o lado e local, a qualquer hora e momento, em qualquer circunstância. São atos e comportamentos rotineiros, socialmente bem aceites por todos. Ou não fossem esses homens promotores e encorajadores desses mesmos hábitos, enquanto publicitários dos respetivos consumos, através dos produtos específicos que vendem publicitariamente.

 

A generalização da mini-saia, lançada nessa década, em 1964, pela inglesa Mary Quant. As secretárias e funcionárias da agência, bem como as mulheres jovens em geral, fizeram desse trajar um modo de ser e de estar. Peggy Olson usou-a também como forma de mostrar a sua ascensão hierárquica, o seu poder e sedução feminista.

Algumas eram bem ousadas, que como se dizia na altura, “o que é bom é para se ver”.

Em 1967, no Festival da Eurovisão em Viena, a inglesa Sandie Shaw fez furor por cantar descalça e pela mini mini-saia atrevida com que se trajou. Venceu com "Puppet on a String"! Esses "fait-divers" tinham bastante repercussão naquele mundo tão fechado e atrasado que era Portugal de sessenta!

 

O movimento hippie, surgido na Costa Oeste, São Francisco, cuja canção evocativa, de 1967 e de Scott Mackenzie, também cá chegou. ‘Se fores a São Francisco, não esqueças de levar flores no teu cabelo…”

Em 1969, realizou-se o festival de Woodstock, cujos ecos ainda que repercutidos também cá chegaram.

A rádio e muito particularmente alguns programas do antigo Rádio Clube Português e da Rádio Renascença foram veículos importantes do fazer chegar ecos da boa música que se produzia nos E.U.A. e na Grã-Bretanha. Alguns desses ecos ouviram-se já nos primórdios de setenta.

Na série, os efeitos deste movimento também se observam, nomeadamente no trajar colorido e florido de alguns personagens. E também na adesão da filha de Roger Sterling a esse movimento, indo viver para uma comunidade hippie, no campo, abandonando família, marido e filho.

Paradigmática a cena de pai e filha, cada um trajado ao seu modo de estar socialmente, ele, como executivo; ela, como rapariga hippie, a discutirem afetos e desafetos, no meio de um charco de lama, numa comunidade campestre, junto a uma camioneta de caixa aberta, a cair de podre.

 

Ainda no plano dos hábitos e também relacionado com consumos e o movimento hippie, o “consumo de erva”, e outros consumos psicotrópicos, que em Portugal explodiriam mais tarde, já após 1974/75.

 

As festas particulares, com muito álcool, música, drogas e sexo. “Sex, Drugs and Rock and Roll”

 

No plano económico - empresarial

 

Para além da importância crescente da publicidade como mais-valia no processo produtivo, o destaque de algumas empresas que se tornariam ícones nos respetivos ramos empresariais.

A IBM e a instalação dos computadores nas empresas. Uns “monstros” enormes, que inclusive “assustavam e atemorizavam” alguns dos empregados mais suscetíveis e atormentados mentalmente.

A relevância da fast-food, observada na alimentação dos diversos executivos que com os hambúrgueres se deliciavam às refeições. Referência à “Burger Chef”, que contratou ou entrou em negociações com os serviços da agência publicitária.

Não posso deixar de mencionar a utilização das velhinhas e saudosas (?) máquinas de escrever mecânicas. E do seu sonar tão peculiar.

E dos telefones fixos, o único meio de comunicar à distância. E a importância e solenidade de fazer e receber uma chamada. E de ter um telefone!

 

Tudo isto faz parte da nossa História recente, pessoal e social, individual e coletiva!

 

E a nível de Valores?

 

O papel crescente da Mulher no plano das funções empresariais, materializado, por ex., na assunção dum cargo de chefia criativa por Peggy Olson, tendo às suas ordens, ainda que muito relutante e obstinadamente contrariado, o célebre criativo publicitário e um dos fundadores da firma, o reputado, Don Draper, macho alfa da empresa.

 

A rebeldia dos filhos adolescentes

 

As mudanças relativas à sexualidade para que, entre outros aspetos, contribuiu a generalização do uso da pílula.

 

As lutas pelos Direitos Cívicos são um aspeto contextual que também emerge da trama.

 

E estes são alguns dos assuntos que, de uma forma genérica e despretensiosa, consigo realçar do conteúdo temático desta série, pelo menos do que me lembro e me ressalta numa abordagem simplificada.

 

Alguns destes acontecimentos ou situações repercutiram-se em Portugal um pouco mais tarde. Uns para o Bem, outros para o Mal!

 

Se houver mais algum aspeto que me tenha faltado, agradeço que mo comunique, S.F.F..

 

 

 

“A Família Krupp” - Série Alemã - Teil I

“A Família Krupp” 

 

Drei_Ringe_von_Krupp in wikipdia.jpg

 

RTP2 – Episódio I

3ª Feira – 13/10/15

 

rtp.pt.jpg

 

A história de uma Família, entrosada na História e outros considerandos de maior ou menor relevância…

 

Foi transmitido ontem, dia 13 de Outubro, 3ª feira, o 1º episódio desta série alemã sobre esta célebre família de industriais, ligados ao nascimento da indústria no território alemão, desde inícios do século XIX. Industriais produtores de aço, indústria siderúrgica. "Aciaria!"

 

A visualização da série era para ter-se iniciado anteontem, 2ª feira, mas devido a um problema técnico na RTP2, a emissão foi interrompida. Facto de que, ontem, antes do início da emissão pediram desculpa.

 

E eu que pensara que era um problema apenas da minha TV, que, de vez em quando, me prega essa partida.

Foge a imagem ou fixa-se parada numa cena qualquer, esquecida do que vem a seguir, é como se tivesse lapso de memória visual. Depois, desfoca-se, abala o som, desfaz-se em cores abstratas como se ensaiasse uma pintura de Vieira da Silva, até que foge também a cor, aparece um “sem sinal” e a sigla “Ext”, ou qualquer coisa assim parecida e era uma vez…

Mas esta situação é comum em diferentes TVs que usam essa tecnologia TDT, que nem sei o que significa e, periodicamente, ocorre em variadas localidades por esse País fora.

Mas continuamos a pagar sempre a taxa áudio visual, na fatura da eletricidade. O que ainda não vi foi que, num mês ou até mais, na fatura não viesse esse valor acrescentado à despesa. Um aviso tal como: “Este mês não paga taxa audiovisual, porque a TV nem sempre se porta bem!”

 

Mas a quem é que nós nos podemos queixar?! Já o fiz para o Provedor do Cliente, mas não tive qualquer resposta!

 

A forma como este negócio das telecomunicações funciona, das várias operadoras, dos vários meios de comunicação, das várias televisões, dos media e das ligações e interligações entre eles, da concorrência feroz, da manipulação da opinião pública, o seu “modus operandi” deixa muito a desejar…

 

Mas vamos ao que titula o post.

 

Ainda bem que foi um problema geral.

Assim alteraram a programação e apresentaram o 1º episódio da série.

 

Acho que vale a pena seguir. As temáticas que aborda. A História da Alemanha por mais de meio século, desde o início do século XX. Os ambientes e ambiências retratadas. Os conflitos e paixões, o entrosamento entre a vivência desta família e dos seus trabalhadores como se fossem uma grande Família, mas cada um no seu lugar, que cada rato tem seu buraco.

E, nesta família, vão-se descobrindo muitos buracos.

A ligação umbilical ao Poder, sendo também eles parte e suporte desse mesmo Poder. Em determinados momentos competindo de igual para igual.

O seu suporte desse mesmo Poder Político e Militar. E Económico. Base do desenvolvimento e poderio, primeiro da Prússia, potência continental emergente no século XVIII, e cujas guerras com a Áustria e França sustentou, ainda em meados do século XIX, consolidando esse estatuto de potência continental.

Depois da Alemanha, a partir da sua constituição como Estado unificado, em 1871, precisamente após a vitória sobre a França, na Guerra Franco-Prussiana. Base económica do Império Alemão até à 1ª Guerra. Pilar e estrutura fundamental da indústria alemã, sendo que a siderurgia, a produção de aço de alta qualidade era a matriz de múltiplas e variadas outras indústrias, na Alemanha e nos outros países em processo de industrialização acelerada. E também do expansionismo ultramarino alemão, com a colonização de África, que a Alemanha também partilhou com as outras potências europeias.

Base da indústria de guerra, da corrida aos armamentos, prenúncio, preparação e sustentáculo da Primeira Grande Guerra. E de outras Guerras… E o mais que estará para vir, que apenas ainda veio o primeiro episódio…

 

A qualidade técnica. A música. A interpretação dos personagens. Não são artistas que conheçamos, como aliás acontece com as outras séries europeias, excetuando as britânicas, pois nos últimos cinquenta anos a quase monopolização da cultura cinematográfica tem sido exacerbada pelo domínio anglo-saxónico, com especial realce para o lado americano.

 

E, o enredo?

 

Neste episódio, a ação decorreu em dois momentos temporais marcantes.

 

Em 1957, já bem após a 2ª Grande Guerra, em que os Krupp tiveram um papel relevantíssimo. E nos primeiros anos do século XX, 1901 e 1902, antes ainda das Guerras, mas em que as respetivas sementes estavam já lançadas e eram ensaiadas e testadas noutras guerras “menores”. E os armazéns e celeiros dessas mesmas guerras, de ódios assassinos e irracionais, estavam a ser recheados, na corrida aos armamentos. Papel fundamental que a Família desempenhou na Alemanha recentemente unificada, sob a égide imperial, nesse 2º Reich! E, mais tarde, também no terceiro. Mas ainda não vimos nada disso. Não nos adiantemos!

 

O espaço em que decorre a ação situa-se principalmente na cidade de Essen, ainda hoje um dos pólos industriais da Alemanha da Senhora Merkl, nesta Alemanha reunificada. Cidade situada no Centro Oeste do Estado Alemão.

Na villa Huguel, palácio residência da família, edifício monumental, mas austero; nas indústrias siderúrgicas, com demonstrações do funcionamento das máquinas colossais e do seu grau de precisão minuciosa, visitas de clientes nacionais e estrangeiros, até do Extremo Oriente, que o Japão também iniciava a respetiva industrialização. Visitas que as meninas da família, Bárbara e Berta estavam proibidas de realizar, que segundo a mãe, a fábrica não era lugar para mulheres.

Cenas episódicas em Berlim, no palácio do Kaiser Guilherme II, que os Krupp e o Império andavam entrançados, de braço dado.

Passagens por Capri, ilha italiana, no Mediterrâneo, lugar de descanso, veraneio, sonhos, paixões e devaneios, onde estavam atracados os iates da família.

 

A narração centra-se em Berta Krupp, jovem solteira ainda, no início do século XX, mas que em 1957, após ter vivenciado e vivido todos os enredos, enlaces e desenlaces da primeira metade do século XX, sofre um ataque de coração, estando a Vida entre cá e lá. Como o seu País também estava na época, Guerra Fria, Alemanha dividida, na linha de fronteira entre Ocidente e Leste.

E, convalescendo, não assumindo a doença, mas sentindo que a “Ceifeira de Gadanha” se aproximava, prepara a sua sucessão no império industrial e vai recordando a sua vida nesse meio século de história familiar, da História da Alemanha e do Mundo, que como sabemos, se entrosam e entrelaçam para o Bem e para o Mal.

Mas tudo isso ainda veremos. Que ela ainda nem ao casamento chegou. Apenas vimos o funeral de Estado do pai, Frederico Krupp, em 1902, a que o próprio Kaiser Guilherme II compareceu, seguindo isolado atrás do caixão, como comandante supremo das Forças Armadas, numa encenação político militar, mas igualmente de consideração e estima pelo industrial a que o Estado tanto devia.

E, a propósito de Berta, lembramos que foi este o nome de batismo dos célebres canhões de longo alcance, que bombardearam Paris na 1ª Grande Guerra.

Mas também lá irão, digo eu!

 

 

 

“CÓDICE” - Série de Television de Galicia

“CÓDICE” 

“O Roubo do Cálice”

RTP2

ou melhor

“Roubo de Identidade de Objeto Roubado”

 

Códice, foi como designaram, na Television de Galicia, à mini série, de dois episódios, que aborda o roubo do “Códice Calistinus”  ou “Codex Calistinus”, em 5 de Julho de 2011 e que viria a ser encontrado em 4 de Julho de 2012. Enquadrando todo o contexto do roubo e a posterior demanda na sua busca e achamento, desse livro manuscrito e iluminado, do século XII, pertença da Catedral de Santiago de Compostela.

 

A RTP2 volta a exibir nova série galega! Mas por demais interessante, como titulam a série em português de Portugal, muitíssimo diverso do galego, como todos sabemos?!

Pois então! “O Roubo do Cálice”!

Um espanto, estas espantosas traduções. Como diz o ditado italiano, “tradutor é traidor”. Mas aqui não é apenas traição, é quase crime, ou assassinato.

Com uma diferença tão grande de nomenclatura, o mais certo é que, na versão portuguesa, nem achem o objeto desaparecido. Porque a perder-se um livro e procurar-se um cálice, vai uma grande diferença! Mas onde é que terão ido buscar esse título?! Analogia com alguma outra série ou algum best-seller?!

 

Ontem à noite, ainda divulguei um post sobre o assunto!

 

in. caminodesantiago.lavozdegalicia.com

 

Mas vamos aos finalmentes, que os entretantos nos retardam!

 

É muito agradável rever os “nossos amigos” da saudosa série “Hospital Real”, agora a desempenharem outros papéis.

 

Antes de mais, logo o nosso bom amigo “Drº Devesa”, a nossa torre branca, que de médico- cirurgião passou ao papel de clérigo, como deão, diácono da Catedral de Santiago, a cuja guarda estava o referido Códice, que o estudava, mostrava e explicava aos visitantes e estudiosos. Era uma das poucas pessoas que tinham acesso a tal documento.

 

Na equipa policial de investigação contracenam uma série de nossos conhecidos do “Hospital”.

A equipa da Judiciária local é chefiada pelo comissário, “Dom Leopoldo Alvarez”, o cavalo negro, que de fidalgo falido e trambiqueiro, mandante de assassinatos e também assassinado, morto e ressuscitado, agora coordena a equipa de investigação em Santiago.

Coadjuvado pelo seu assassino, primeiro à sua própria ordem, antes que sendo “criatura”, se ter voltado contra o seu “criador”. De quem falamos? Pois, de “Duarte”, o moço de fretes, “pau para toda a obra” do Hospital, “serial-killer”, que de assassino, ter-se-á regenerado e, agora, desempenha funções na polícia de investigação lá do sítio.

E o outro funcionário, quem é?! Pois nem mais nem menos que “Dom Cristobal”, o boticário, agora não investigando e pesquisando sobre plantas, mas sobre ladrões de livros antigos. E que continua a fazer das suas trapalhadas.

E, esta é a base da equipa de Santiago, mas que teve a ajuda e coordenação de um elemento exterior, proveniente de Madrid, em viagem de TGV. Não sei se é TGV, mas faz de conta, se não for.

E que elemento é esse?!

Pois, a nossa boa “Dona Irene”, a rainha branca, que finalmente viu satisfeitas as suas reivindicações feministas, passados mais de duzentos anos, de as mulheres poderem ascender a profissões livres, a estudos superiores, a igualdade de direitos e até coordenar e dirigir uma equipa de homens. Valeram as palestras que promoveu e o incentivo que deu às jovens da Cidade Compostelana. E ela que estava para ser presa! Mas deve ter sido libertada ou nem chegou a ir para a prisão, que o mundo dá muitas voltas em duzentos anos! Não nos trouxe novas de “Dom Andrés”, o rei branco!

Toda esta equipa trabalha interligada, interdependente, dependente, não sei bem o tipo de elo, com  um Juiz, como é de praxe, que já sabemos de “Crime e Castigo”. Mas como o senhor em causa, neste mini seriado, não participou em “Hospital Real” não sei quem é, nem vale a pena saber, que são apenas dois escassos episódios.

 

Paralelamente à equipa jurídico policial, os jornalistas do jornal local também fazem investigação, formando outra equipa, que procura também deslindar o caso, na perspetiva comunicacional; paralela e entrecruzada com a equipa da Judiciária, criando, estreitando, desenvolvendo até, laços de colaboração mútua, entreajudando-se.

Nesta equipa trabalham vários profissionais, uma jornalista parece-me que a conheço, mas não sei bem e há um profissional, julgo que free-lancer, que era o nosso mal-amado inquisidor, Somoza.

Ele que era um todo-poderoso, a jogar como bispo negro, aqui faz papel de peão, que até foi dispensado, comido, em linguagem de xadrez, porque deu em falar as verdades, que trabalhava e não lhe pagavam. Imagine-se no tempo da sua Inquisição, teria ido logo para a masmorra. Ele a reivindicar pagamento, quando votou contra o recebimento de salário pelas nossas boazinhas enfermeiras!

Da restante equipa redatorial, nomeadamente o diretor, um mal-humorado, nenhum fazia parte dos nossos conhecidos do “Hospital”. Logo, também não importam neste contexto em que só pretendo relacionar as duas séries, pelos personagens que conheço.

 

Das personagens aparentemente conhecidas, a rapariga que trabalha no café também parece uma cara familiar, mas não tenho a certeza de a identificar!

 

E resta-nos um personagem que não mudou de caráter! Refinou e adaptou-se aos novos tempos, já que não exerce funções superiores, é um subalterno que desempenha as funções de eletricista da Catedral, desde os finais de setenta, do século XX. Identifico anos 70, pelas roupas, que não me lembro de referiram datação, quando apresentaram as cenas iniciais. Foi sempre protegido de Dom José Maria, o deão, diácono da Catedral, o nosso bom “Drº Devesa”, mas ele “pintou a macaca” na Catedral, por mais de trinta anos.

Fazendo falcatruas de todo o tamanho e feitio, desde o início. Roubando nas esmolas, muitos dos intervenientes nas respetivas recolhas, roubam. Falsificando os contratos a seu favor. Ludibriando no material das instalações que fazia. Enganando sempre que podia!

Foi sendo descoberto, mas foi-se encobrindo e desculpando, manipulando… Até que o despediram já neste milénio! Mas foi sempre ficando pela Catedral a ver se o readmitiam…

Mas quem é mau caráter, uma vez sendo, é sempre!?

E quem era este personagem no “Hospital”?!

Pois, Dom Mendonza, o Alcaide, o rei negro, que esteve quase a ser preso, não fora a temporada acabar… e que, pelos vistos, não o prenderam em “Hospital”, vêm prendê-lo no “Cálice”?! Melhor, no “Códice”!

 

Mas já me estou a adiantar no enredo!

 

E que mais a dizer?!

 

O decorrer da ação em Santiago de Compostela, na Catedral, na Biblioteca, nos corredores, sacristias, claustros, daqueles edifícios majestosos e carregados de História!

Alguns efeitos de encenação, montagens e remontagens, toques e retoques de fotoshopes, não sei!

 

Vamos ver o segundo e último episódio, embora já saibamos a autoria do roubo!

 

Também estou curioso em ver se mantêm o mesmo estúpido título em português, de Portugal!

 

 

 

 

“HOSPITAL REAL” (Síntese) Série de Television de Galicia

Série de Television de Galicia

Transmitida na RTP2

15 Episódios: De  1 a 18 de Setembro de 2015

 

máscara in youtube.com

 

Terminou recentemente, 6ª feira passada, esta excelente Série de “Television de Galicia” que a RTP2, em boa hora, resolveu adquirir. Aliás, na sequência de outras séries europeias que vem transmitindo, desde 2014 e com as quais me comecei a “prender”, a partir de “BORGEN”.

Sobre estas obras fui escrevendo alguns posts, sobre que fui notando o agrado crescente das Pessoas que têm a amabilidade de visitar o blogue. Assim também me fui entusiasmando na escrita e, após Agosto, em que apenas coloquei dois posts, em Setembro procurei responder ao crescente interesse constatado, colocando textos maioritariamente sobre a Série supra citada, mas também diversificando outros temas.

Obrigado a todos os Visitantes e Visualizadores, pelo estímulo e desafio a que me incentivaram.

 

E, agora e sob a forma de síntese, registaria alguns aspetos relevantes desta série, que me fizeram ficar “pegado” ao écran durante estas três semanas e ainda escrever textos comentando os episódios.

 

Par romântico in betafilm.com

 

A saber:

 

- O facto de ser uma série histórica.

 

- No respeitante a História, enquadrar-se numa época de grandes mudanças na sociedade europeia. O final do Antigo Regime, a eclosão da Revolução Francesa e o mais que virá, caso a série continue.

- Cuidado nessa reconstituição, embora não saiba muito sobre o assunto, mas o vestuário; os temas abordados tanto na medicina como na ciência; os objetos utilizados pelos médicos e enfermeiras, as plantas usadas na botica; o papel e transformações nas classes sociais; as problemáticas na Igreja e os vários posicionamentos relativos dos vários intervenientes, por vezes até contraditórios e contrários à própria essência do cristianismo; a Santa Inquisição.

A intencionalidade em ir-nos situando no tempo narrativo, referência à decapitação de Luís XVI, à declaração de guerra da Espanha a França. E, até no tempo meteorológico. Talvez nem sempre se reparasse, mas quando a narrativa foi avançando e já se estava na Primavera, após a declaração de guerra, quando apresentavam exteriores, tinham o cuidado de mostrar flores, aves a chilrear e saltitar nos arbustos.

 

- A ação decorrer em Santiago de Compostela.

 

- Os temas, o texto e os diálogos. Eram sugestivos e ricos.

Valores, atitudes e comportamentos da época e possibilidade de comparar com a atualidade, constatar mudanças ou verificar persistências.

Preconceitos e tabus, versus surgimento de novas ideias e problemáticas.

A estruturação classista da época, papéis sociais, funcionais e profissionais bem definidos. A estruturação sexista da sociedade.

 

- A representação. Os atores fizeram um ótimo trabalho individual e resultaram muito bem no plano coletivo.

 

- O enredo romanesco. Não posso de deixar de frisar o romance entre os protagonistas, Daniel e Olalha; o par engraçado que formaram Cristobal e Rosália. O Amor de Dom Andrés por Dona Irene.

 

- A intriga, a luta pelo Poder dos vários interessados. As alianças táticas que foram estruturando. Os conluios que foram congeminando.

 

- O mistério dos assassinatos que se vai desvendando, em termos de narrativa, embora não tenham chegado a conclusões finais, mas que para o espetador foi revelado mais cedo, quando Duarte retirou a máscara, após assassinar o Padre Damião.

Mas, e lá vou eu com opiniões, se só tivessem revelado quando ele matou o fidalgo, Dom Leopoldo, ter-se-ia ficado mais tempo na dúvida e consequente expetativa.

 

A estruturação da narração e desenrolar do enredo, como se de uma partida de xadrez se tratasse, sugestão que o narrador formula num diálogo entre Mendonza e Elvira.

 

- A caraterização das personagens através das ações que vão executando e como também vão evoluindo, mudando até na sequenciação temporal e também conforme o contexto e a contracenação.

Destaco mais especialmente Duarte, que foi ganhando protagonismo.

Dona Elvira que se foi afundando, tal qual a classe que simboliza.

…   … …

- O enquadramento num perfil psicológico e de personalidade, personagens que nos vão revelando princípios, valores, atitudes caracterizadoras, agindo nos seus comportamentos em função desses princípios. Os seus conflitos interiores, os seus dilemas, ... 

 

Contudo, acho que se esta série fosse produzida por outros canais televisivos com muitos mais recursos, teria sido tecnicamente muito mais enriquecida.

Veja-se que nos exteriores não há utilização de quaisquer outros meios que não os humanos.

Estando-se em guerra ou em vias disso, não há qualquer sinal, para além da presença de três atores, vestidos de soldados. Não há cavalos, coches, canhões… Não circula qualquer veículo de transporte. A explosão foi filmada como se estivesse a ver-se ao longe…   …

Mas cada um faz o que pode, com o que tem e, nesse aspeto, o trabalho de Television de Galicia foi excecional, sob todos os pontos de vista.

 

E como não tenho a pretensão de esgotar o assunto, diga-nos também a sua opinião sobre o que reteve como síntese da Série. Se faz favor!

 

Ah! E por último: Seria de todo importante que a RTP2 pensasse numa reposição desta série, como está a fazer com Borgen!

Concorda comigo?

16º Episódio

 

"Hospital Real" - Episódio 8

Série da RTP2

4ª Feira – 9 de Setembro de 2015

 

Deixaremos de desviar dinheiro do Hospital Real. Concentrar-nos-emos na produção do linho, cultura em expansão…” (…) “Temos de eliminar o nosso homem no Hospital.” Palavras do Alcaide, Dom Mendonza, para os seus apaniguados.

 

E Duarte foi vítima de tentativa de assassinato. Mas defendeu-se muito bem e saiu ileso, tendo o pretenso assassino sido ele próprio assassinado.

Mas como disse D.Úrsula, de parvo não tem ele nada. Automutilou-se com o estilete que utilizou nas mortes que cometeu, fingindo ser vítima do assassino à solta, o que não deixa de ser verdade.

Já antes engendrara um plano de defesa, pois não queimara todo o livro de contabilidade, tendo guardado folhas incriminatórias de Alcaide e Tesoureiro, que guardou numa carta como se tivesse sido enviada via postal. Simultaneamente escreveu outra carta, anónima, acusando o Alcaide sobre os crimes por ele mesmo cometidos.

Ferido, dirigiu-se ao Hospital para ser socorrido e, já no leito, após tratado, deu conhecimento do suposto correio que trazia para o Hospital.

Uma bomba!

 

A equipa de investigação tomou conhecimento e o Administrador deu andamento ao processo de averiguações, confrontando o alcaide com os factos.

Este, inicialmente negou, escudado na sua pretensa superioridade, com base nas suas funções, de Alcaide e Regedor do Conselho do Hospital, e no apoio que tem do Conde de Altamira. Num debate e confronto direto, Dom Andrés só conseguiu fazê-lo ceder, e assumir o ato do desvio de dinheiro, quando o ameaçou com a Santa Inquisição, para quem as suspeitas bastam

“Em primeiro lugar, o que tem a fazer é devolver o dinheiro roubado…”

Veremos o que vai acontecer hoje, em que julgo a série irá terminar…

 

Simultaneamente, com o regresso da mulher à Cidade, apesar de encerrada num palácio, à guarda de uma empregada, Flora, o sossego de Dom Andrés, é ainda menor.

Tendo ido visitá-la, foi seguido pela Enfermeira-Mor, que não desiste em descobrir o seu segredo e tramá-lo.

 

E, por artes do Diabo, na sequência desta situação houve um pequeno incêndio na cozinha do palácio e a esposa de Dom Andrés desapareceu.

E, também por artes do Demo, apareceria, de facto, no Hospital e à própria filha, Clara, a quem a freira dera o tónico adulterado e que ficou perturbadíssima, tendo piorado da sua doença psíquica, para a qual os médicos, apesar de todos os cuidados, não conseguem encontrar uma cura. Teve um ataque de epilepsia e ficou à beira da morte…

Na presença do cirurgião-mor, do médico auxiliar e do próprio pai, inconsolável junto dela, sentindo aproximar-se a hora fatídica, fez um último pedido, casar-se com Daniel, seu noivo prometido.

Este, após consultar a sua verdadeira amada, Olalla, como verdadeiro cavalheiro que é, anuiu. Celebrou-se o casamento, sendo celebrante o novo Capelão-Mor. Que de seguida logo lhe administrou a Santa Unção.

E assim tivemos uma cena quase de Romeu e Julieta!

 

Curioso que neste mesmo episódio já houvera outra cena algo perturbante. A mulher de um peregrino russo, adoecera e ao ser hospitalizada, à beira da morte, descobriram que estava grávida, mas a criança estava viva, apesar de ainda muito prematura. Morta a mãe e a criança viva, coloca-se o dilema de deixá-la morrer no ventre da progenitora ou tentar tirá-la do ventre da mãe, sabendo que também iria morrer logo a seguir…

Dilema moral, científico, técnico-medicinal e teológico-religioso, numa época em que todos estes aspetos eram altamente problemáticos.

Apesar de Dom Devesa achar que era contra natura, pois iam salvar a criança para ela morrer em seguida, prevaleceu a decisão de se fazer uma cesariana, por Doutor Daniel, defensor destas novas práticas. Simultaneamente logo a nascer seria batizado, Yakov, e administrada a Santa Unção, pelo Capelão-Mor.

Assim, o menino tinha direito ao Céu!

E assim, por contingências altamente improváveis e espúrias, se conciliou simultaneamente a modernidade científica e técnico-medicinal e os princípios tradicionais da Igreja.

 

Interior_Catedral_Santiago_de_Compostela.jpg

 

E outros aspetos do enredo?

 

Vamos sintetizar, que se faz tarde.

 

Dom Andrés pretende para membro do Conselho do Hospital, alguém que seja de confiança e em quem se possa depositar essa mesma confiança.

E contra todas as probabilidades e hipóteses irá propor Dona Irene, que aceitou, após ele lhe ter pedido muitas desculpas pela suposição absurda de que ela pudesse ser a assassina do fidalgo. E para quem já começou a obter a concordância de outros elementos.

 

Dona Elvira de Santamaria está nas ruas da amargura, falida, sem dinheiro, que nas lojas já nem fiam às criadas…

Num ato de desespero tenta matar Ulloa… num encontro supostamente de amor, mas que foi perturbado pela presença de Rebeca, fidalga-filha e verdadeira amante do Capitão, a quem este chamara também para esse encontro e que, após trocas e baldrocas, próprias destas situações rocambolescas, o verdadeiro Amor prevalece sempre e lá ficaram os verdadeiros amantes, Ulloa e Rebeca, enroscados e encostados ao sobreiro!

 

E, por agora, ficamos por aqui, que a narrativa começa a tomar conta do narrador e é preciso “postar” este texto, antes que se inicie o 9º Episódio! Último?!

 

E Dom Cristobal e a sua amada?!

E o Inquisidor?

…   …

 Veja também sobre episódio sete aqui!

Vejamos o episódio nono.

 

 

Uma estória de escola de antigamente...

Nota Introdutória:

escola livros 4ª classe.jpg

Neste post nº 170, volto aos contos, ou estórias, como gosto de lhes chamar...

Estórias do arco-da-velha, assim eram nomeadas. Gostaria de as designar, agora, como "Estórias do Arco da Dona Augusta", parafraseando uma série de situações...

Esta é uma "estória" sobre aspetos de como era a Escola, antigamente.

Não há aqui qualquer saudosismo, nem qualquer constrangimento sobre essa "Escola de Outros Tempos".

São apenas vagas lembranças desses mesmos tempos.

Ocorreu-me divulgar este texto, também já escrito há alguns anos, hei-de ver quando, e que também ainda não fora publicado, inédito, portanto! 

Trazê-lo a lume, agora, que em breve irá começar novo ano letivo. Neste dia sete, de  Setembro, que na época era também a sete, mas de Outubro, que o ano letivo se iniciava. E, digamos, sem quaisquer artificialismos, chegava muito bem!

E tenho dito neste intróito. Faça favor de ler a estória e espero que goste.

 

 

Uma questão de orelhas

 

O Zé entrou na escola primária na década de sessenta, a sete de Outubro, data fixa da altura.

No primeiro dia de aulas a mãe foi levá-lo e, ao despedir-se, disse à professora:

- Senhora Professora, dele só quero uma orelha no final do ano!

 

Esta expressão fez-lhe muita confusão e ficou a matutar nela.

No dia anterior fora o pai que lhe dissera, à noite, após o jantar:

- Amanhã vais para a Escola. Olha que não quero aqui orelhas de burro em casa!

Para burros, aqui na rua, basta o burro do Mestre Paulo.

O dito burro conhecia ele. Toda a gente conhecia. Era tema do anedotário local.

Mas orelhas de burro?! Já ouvira contar, mas não sabia bem o que era.

Quanto a ficar só com uma orelha no final do ano, não se conformaria com tal.

Também nunca percebera muito bem o que isso significava: se, no final do ano, voltaria para casa só com uma orelha, mas mantendo tudo o resto, ou se dele restaria, no final do ano, apenas uma orelha, ficando o restante na escola.

 

Não tardou muito até saber o significado dessas expressões.

Mal começava a escola, também se iniciavam os famigerados trabalhos de casa.

No dia seguinte a serem marcados, logo no início da aula, a professora pedia os trabalhos de casa e todos colocavam os cadernos em cima da carteira.

A professora foi chamando os alunos um a um...

Após observar as contas, dar uma vista de olhos à cópia, punha um visto, guardando os cadernos, para ler as cópias mais tarde. Também prestava atenção ao asseio dos cadernos, alguns tão cheios de nódoas, de quem fazia os deveres na mesma mesa onde comia e enquanto comia... Também reparava para a limpeza da roupa.

 

Chegou a vez do Oliveira, da 2ª classe, mas já um corpanzil. Corpo grande alma de pau, dizia a avó.  Anda cá, Oliveira! Oliveeera! Gritava-lhe, quando ia para o campo da bola, um naco de pão, surripiado sem que a avó o visse escapulir para a brincadeira...

O Oliveira pegou no caderno, com aquela cara meio apalermada, sempre meio ausente das realidades... Andas sempre com a cabeça na bola! Parecia ouvir a avó.

Ao mostrar o caderno amarrotado, a professora torceu logo o nariz.

Então isto é caderno que se apresente?! E os trabalhos?

O Oliveira tentou abrir a boca, deglutiu a voz, fez-se vermelho e embatucou!...

No caderno estava iniciada uma cópia que não fora terminada, porque teve que ir marcar um golo na equipa do Saco, o bairro a que pertencia, contra a equipa do Terreiro, o outro bairro em que se dividia a aldeia: Terreiro – Saco, os dois rivais locais.

E os trabalhos?! Gritou a professora, atordoando os ouvidos do Oliveira...

Das contas apresentava apenas uma salganhada sem nexo, porque para a aritmética é que ele não dava mesmo nada e a tabuada ficara enredada nos passes mágicos dos adversários e nos gritos de gooollooo!!... do Sporting, que o Artur Agostinho ecoava na Emissora Nacional, aos domingos à tarde.

artur agostinho.jpg

O grito da professora chamou-o à realidade. Oliveira!!! O-li-vei-ra!... Sílabas e letras bem pronunciadas e sublinhadas. Queres ficar novamente de burro?! Ficas de castigo no intervalo, a fazer os trabalhos e agora vou mostrar-vos o que é ficar só com uma orelha!

 

Enfim, o Zé iria saber o que era isso. Ainda bem que não era a sua orelha!

A professora mandou o Oliveira sentar-se, começando a puxar-lhe uma das orelhas, sem deixar que ele se levantasse, pois com o braço esquerdo segurava-o na carteira, enquanto com a mão direita lhe puxava a respectiva orelha, que esticava, esticava... Era agora que ele ficava sem uma orelha, pensava o Zé e lá se cumpria a profecia da mãe, se calhar de todas as mães. Dele, só quero uma orelha no final!

Ainda bem que era o Oliveira, também a oliveira tem tantos ramos e folhas que, mais ramo menos folha, tanto faz. Ficava o Oliveira sem orelha e a oliveira sem folha.

Mas a professora acalmou e a orelha do Oliveira ficou a ganhar e, por enquanto ainda, no respectivo lugar, apesar de muito vermelha, cheio de dores o miúdo.

 

Quanto à segunda expressão orelhas de burro, só mais tarde, já próximo ao final do ano, haveria de saber o seu significado.

O Joaquim da Corneta andava na 4ª classe, sendo o mais velho da escola. Já repetira vários anos. Tinha este anexim, já de família, todos os irmãos o herdaram do pai, o ti Xico da Corneta, sendo que esta alcunha era quase um sobrenome.

À medida que se aproximavam os exames da quarta classe havia revisões de preparação, testando com provas escritas e orais os conhecimentos de cada um.

Quando chegou a vez do Joaquim a professora foi desesperando gradualmente.

Na leitura e interpretação do texto trocou alhos com bugalhos, nos problemas de Aritmética e Geometria derrapou ao comprimento e largura, estatelou-se na prova dos noves, porque já era velho, na História e Geografia trocou rios com serras, astros e linhas de caminho-de-ferro. Foi um desastre. O comboio descarrilou de vez.

Pensar em bater-lhe a professora pensou, mas achou que não valia a pena, não só por ser mais velho, como para tanta asneira não havia porrada que chegasse. Mas tinha que castigar, para dar o exemplo, para haver respeito. Vai daí usou a estratégia mais radical.

Enfiou-lhe na cabeça as ditas orelhas de burro, um círculo com duas grandes orelhas do dito animal e mandou-o colocar à janela, com a cabeça de fora, estando assim exposto todo o dia, sujeito aos ditos e dichotes dos passantes, que teciam comentários, uns divertidos, outros humilhantes ou toleirões, conforme quem lhos atirava à cara.

 

 

 Notas Finais.

Imagem de livros antigos da Escola, in: ciberjornal.wordpress.com.

Do saudoso Artur Agostinho in: restos decolecçao.blogspot.com e tesouroverde.blogspot.com.

Sobre "Orelhas de burro", busquem aqui e encontrarão imagens engraçadíssimas! 

(Posteriormente foi publicado em: Boletim Cultural do C. N. A. P.  Nº 125 - Ano XXVII - Nov. 2016.)

RTP 2 - "Visita Guiada"

Programas RTP2

 VISITA GUIADA

 

Ao falar de Programas da RTP2, não posso deixar de mencionar o excelente e imperdível Programa “ "Visita Guiada", apresentado às 2ªs feiras à noite, cerca das 23h, após a exibição das séries, por Paula Moura Pinheiro, sempre acompanhada por reputados especialistas no assunto.

Ao longo dos vários episódios, têm sido divulgados monumentos, peças artísticas e museológicas de valor cultural inexcedível, verdadeiras obras de arte, das mais variadas correntes estéticas e diferenciadas épocas históricas, de contextos e funcionalidades diversas e de todo o País. Mas sempre de relevância inigualável, sob os mais diferentes pontos de vista. Pelo valor artístico, pelo peso histórico, pela função para que serviram ou ainda servem, pelo fim a que se destinaram, pelas personagens históricas a que estiveram ou estão ligadas, pela sua autoria…

E, de um modo geral, Obras relativamente desconhecidas de muitos de nós!

 

Biblioteca In www.fundaçãopassoscanavarro casamuseu.jpg

 

Lembro, por ex. dois dos mais recentes.

O que foi visualizado na noite de 20 de Julho, em que se apresentou a “Casa de Passos Manuel”, em Santarém, agora uma Casa Museu, instituída por um seu trineto, Canavarro.

E não posso deixar de relacionar com o que Almeida Garrett refere sobre essa casa, em "Viagens na Minha Terra", obra literária sobre que já me debrucei neste blogue. Aqui! .

 

“… entremos nos palácios de D. Afonso Henriques.”  (…)

“Recebeu-nos com os braços abertos o nosso bom e sincero amigo, actual possuidor e habitante do régio alcáçar, o Snr. M. P. 

Notável combinação do acaso! Que o ilustre e venerado chefe do partido progressista em Portugal, … viesse fixar aqui a sua residência no alcáçar do nosso primeiro rei…”

In pag.196, da mencionada obra literária, cap. XXVIII.

 

Sim, porque a referida Casa foi o alcácer que Dom Afonso Henriques conquistou aos mouros e onde posteriormente habitou!

 Aqui!

 E, agora sobre outra "Casa" e outro episódio...

Manutenção Militar. In www.exercito.pt.JPG

 

No transato dia 1 de Setembro, repetiram o excelente episódio sobre a “Manutenção Militar”. Extraordinário documento histórico, que passará certamente despercebido a quase todos nós!

Que não se deixe perder, desbaratar, apodrecer, tão valioso acervo de património industrial, para que dentro de alguns anos, alguns dos nossos queridos e iluminados governantes, não usem esse abandono como pretexto para o venderem para um armazém/shopping, de alguns endinheirados de qualquer nacionalidade…

 

Não deixe de ver este Programa, já amanhã, 2ª feira!

 

 

 

 

 

 

10ª Mostra de Cinema Brasileiro - Fórum Romeu Correia - Almada

"GETÚLIO"

 

20140510getulio-filme-com-charuto-1024x678.jpg

 

Como já referi em, Almada, cidade de cultura e arte

Iniciou-se, anteontem, dia 22 de Julho 4ª feira, a 10ª Mostra de Cinema Brasileiro, no Auditório Fernando Lopes-Graça, no Fórum Romeu Correia, Almada.

Comemorando cem anos do cinema desse País.

Ainda bem que a série em transmissão na RTP2 não faz parte dos meus gostos, pois deste modo posso seguir esta Mostra, sem remorso de estar a perder alguma série que me interesse.

 

Na inauguração, foi projetado o filme: “Getúlio”, de 2014, do realizador João Jardim. Estrelando no protagonista, o astro das novelas brasileiras, Tony Ramos, desempenhando o papel do Presidente da República Brasileira, Getúlio Vargas. Praticamente como única personagem feminina, a artista Drica Moraes, no papel da filha do presidente, Alzira Vargas, e seu braço direito na presidência. Não resisto a referir que esta artista, não sendo habitualmente protagonista, é uma das minhas preferidas desde os tempos de Márcia, na novela “Chocolate com Pimenta”.

Vários outros artistas, nossos conhecidos das novelas, participam no elenco. E não se consegue deixar de, ao vê-los transfigurados, tentarmo-nos lembrar de onde, quando e de que novela… Também dois portugueses, Fernando Luís e José Raposo, pois o filme resulta duma co-produção.

 

A ação decorre num curto período de tempo, concretamente no mês de Agosto de 1954, desde o atentado ao jornalista da oposição, Carlos Lacerda, a cinco, em que morreu o seu guarda-costas, o major de Aeronáutica, Rubens Vaz; até ao suicídio de Getúlio, em vinte e quatro desse mês, quase há sessenta e um anos.

O espaço em que decorre a ação é a cidade do Rio de Janeiro, a capital brasileira na época. Brasília só seria inaugurada em 1960, por Kubitschek. E, a quase totalidade do enredo, desenrola-se no Palácio do Catete, sede da presidência.

 

Na sequência do atentado e num contexto político, em que o passado ditatorial do Presidente e dos métodos por ele usados são considerados charneira do seu modus operandi epocal, 1954, é este acusado como mandante do crime.

Lembramos que Getúlio Vargas exerceu a Presidência, de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954.

Fui ver o filme não conhecendo praticamente nada da vida do protagonista, nem isso é necessário para a compreensão do mesmo, mas depois consultei e fica-se a perceber melhor o enquadramento.

Para quem quiser conhecer a trajetória de Getúlio, consultar:

Getúlio Vargas

Deixo link, também sobre o filme propriamente dito.

Getulio filme

 Relativamente ao filme…

Na sequência do atentado, um cerco se vai apertando à volta do Presidente que, diretamente não teve nada a ver com o assunto nem tinha consciência do mesmo, como ele referiu ignorava “estar sentado num poço de lama”. Mas, para todos os efeitos, a ordem para matar partiu de elementos da sua guarda pessoal de há dezenas de anos, sediados no próprio Palácio da Presidência.

Os apelos, os protestos, a pressão para que renunciasse ao cargo eram cada vez mais fortes e abrangendo setores sempre mais diversificados. A oposição parlamentar, os meios de comunicação: a imprensa e a rádio. A opinião pública, as classes detentoras do poder, as forças militares.

A Força Aérea Brasileira esteve desde o início no processo de investigação ao atentado e morte de um dos seus majores e os mandantes e autores foram sendo identificados e investigações foram realizadas no próprio Palácio.

O Presidente não estava diretamente implicado, mas era sobre ele que recaía o ónus do crime. E era sobre ele que incidia a pressão para renunciar, até entre elementos e chefias no próprio Governo.

 

E perante essas pressões externas ao indivíduo, presidente, homem, ser humano, Getúlio e a sua própria consciência, numa roda-viva alucinatória… as imagens dos candelabros do teto rodopiando são uma metáfora do que se passaria na sua cabeça… vai este delineando, tomando uma decisão, que, de algum modo, também dá a conhecer aos que o rodeiam.

Porque, renunciar não estava absolutamente nada nos seus planos.

O medo, o horror de ser preso e vilipendiado, conforme era atormentado nos seus pesadelos…

 

E, assim foi construindo a sua decisão sobre que deixou carta manuscrita:

“Deixo à sanha de meus inimigos, o legado da minha morte. (…)

Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor…”

E na carta dactilografada: “Saio da vida para entrar na história.”

 

Decisão que executará na manhã do dia 24 de Agosto de 1954, tendo o seu suicídio um grande impacto em todo o Brasil, nomeadamente entre as classes mais pobres e trabalhadoras. Era considerado o “pai dos pobres”, embora os seus detratores também lhe chamassem o “pai dos ricos”…

 

Getulio_Vargas_(1930) in wikipedia.jpg

 

E, no final, no filme são apresentadas imagens reais da época em que o “povão” vai passando aos ombros o féretro até ao avião…

Em que, posteriormente, seria levado para a sua terra natal, São Borja, no Rio Grande do Sul, onde seria sepultado.

 

E, estes são alguns comentários breves que posso tecer sobre este filme também com algum carácter documental.

 

No final da sessão foram os espetadores surpreendidos com uma agradável surpresa!

No hall do Fórum Romeu Correia dispunham de um simples mas refinado beberete, com algumas iguarias doces e salgadas, de que se serviram os presentes.

Gostaria de saber a respetiva origem, mas foi algo que ainda não consegui esclarecer.

 

 

trabalhar cansa.cinefilos.jornalismojunior.com.br.

Ontem voltei ao cinema.

Passou o filme “Trabalhar Cansa”, de Juliana Rojas e Marco Dutra. Sem estrelas conhecidas no elenco.

Os temas versam a atualidade: a vida de um casal quase nos quarenta, cuja mulher lança um negócio, mercearia de bairro, ramo que, em Portugal, com tantas grandes e médias superfícies, dificilmente daria… O marido, recentemente desempregado, numa procura desalentada de emprego, entre os gurus das novas modernidades e marketings enganosos…

Mas, estranhamente, perpassava em toda a narrativa algo de misterioso, de inexplicável, talvez fantasmagórico, que se situava no local das vendas, na mercearia…

E eu que não aprecio o género…

Mas sentia-se a presença de algo indefinível, real ou irreal, a que o ladrar sistemático de um cão, à noite, quando fechavam a loja, apelava… E para o que os acontecimentos no edifício iam encaminhando o enredo.

E, o que seria?!

Bem, peço desculpa, mas só vendo mesmo o filme. Que a crónica já vai longa…

 

 

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