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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“Simone, Força de Viver”

Costa Caparica. foto original. 2020. 08. jpg

Simone de Oliveira com Patrícia Reis – 3ª Edição: Novembro de 2013, Matéria-Prima Edições.

 

Tinha curiosidade em desbravar o livro.

E assim foi. Entre 5º e 6ª feira, foi lido, nalguns excertos relido. Muito bem escrito, muito bem contado, estórias da vida da Artista, multifacetada, umas mais apimentadas que outras. Simone é incontornavelmente uma figura pública da Cultura Portuguesa, desde os inícios dos anos sessenta. Música, teatro, canções, espetáculo.

 

Tinha pica na leitura, ademais bem contado e bem escrito, melhor se lê.

(Só assisti, melhor, assistimos, a um espetáculo ao vivo com a Simone, aí pelos inícios dos anos noventa, 91 ou 92 (?), nas Ruínas do Convento do Carmo.)

Mas em televisão, na rádio, desde meados de sessenta, principalmente 65, passou a fazer parte do nosso universo musical e do nosso imaginário.

Tinha uma voz que arrepiava. Em 69, foi aquele deslumbramento, aquela canção, aquele poema, aquela música, aquela interpretação. Arrebatadora!

Interessante a explicação, dada pela própria, sobre essa interpretação e o relacionamento dela com Henrique Mendes (pag. 46).

 

Anos sessenta, início dos setenta… a vivermos em ditadura, com todas as restrições à Liberdade, em todas as suas vertentes: pessoais, cívicas, sociais, políticas, culturais. Computadores, internet, redes sociais, revistas cor de rosa, “big brother”, tudo isso era ficção. Jornais, revistas, meios de comunicação, jornalistas tinham outra postura. Também estavam condicionados à censura, não havia liberdade de expressão. Falava-se nas ligações dos artistas, de boca em boca, exagerava-se até, mas pouco publicavam sobre a vida particular. Menos ainda os próprios a divulgavam, como agora, que mostram tudo, da raiz do cabelo até à unha do pé.

 

Bem, no livro, passados tantos anos, é interessante ler o que a Artista conta sobre essa emblemática interpretação com que ganhou o festival de 1969! Os acontecimentos tinham outra repercussão. Presenciámos, vimos em direto na TV, aquela atuação! Aquela garra!

Depois, a perda da voz, acompanhámos essas truculências da vida. A recuperação, numa forma diferente. Lembro-me perfeitamente do festival de 73, em que voltou a participar. (Até houve um concurso, promovido não sei se pela Emissora Nacional se pelo Rádio Clube Português, sobre uma das canções, penso que “Minha Senhora das Dores”.) O Ary quase monopolizou o Festival, escrevendo a maioria das letras.

 

Também fala da “rivalidade” com Madalena. E também da amizade entre ambas. Existindo, certamente. À data, realçava, de facto, essa picardia entre as duas. Existisse ou não, era muito alimentada pelos meios de comunicação da altura. Rainhas da Rádio, Rainhas disto e daquilo. Nunca votei nesses concursos, não tinha acesso aos respetivos cupões, não abundava o dinheiro para gastar em trivialidades, nem elas existiam no fim de mundo aonde vivia, aonde vivíamos todos, nesses tempos obscuros. O mundo da época, segunda metade da década de sessenta, não tinha nada a ver com o de hoje. Mas lembro-me, era miúdo, do Festival de 66, ganho pela Madalena e, eu, na altura, torcia por ela e pelo “Ele e Ela”.

Estas coisas podem parecer futilidades sem importe, mas naqueles tempos, pouco havia com que se interessar. Houve o célebre Mundial de 66, nesse ano na Inglaterra. E como foi empolgante e como se criaram tantas expectativas, goradas no fatídico jogo com a equipa anfitriã. E como Eusébio chorou e com ele chorámos.

Mas estou a perder-me do livro…que não aborda o futebol.

 

Mas aborda muitas mais coisas e mais importantes. Mas fará o favor de procurar o livro, adquirir, para oferecer às suas Velhotas ou Velhotes. E lê-lo, primeiro, antes de oferecer.

Vai gostar!

Confinamento… Pássaro Preto… Natal… Prendas

Mais um fim de semana de confinamento.

Oportunidade para não sair de casa. E observar. E escrever!

 

Na rua abaixo, nos estendais, as roupas esticadas ensaiam bailados com o vento.

O peculiar pássaro preto, agora com identidade, Rabirruivo Preto, saltita da olaia para a parede do quintal, daí para o chão, dos carros para os marcos anti estacionamento. Debica alguns grãos, ou insetos, ou outros bichitos, que desconheço os seus hábitos alimentares. Debuta tremeliques nervosos com a cauda, elegantes, frise-se. Parece querer interagir connosco. Rivaliza em rapidez com o melro, mas ganha-lhe em graciosidade. Perde nos cânticos, que nunca consegui ainda ouvi-los.

 

Aproxima-se o Natal.

As inevitáveis prendas.

Para as Velhotas foram sugeridos livros.

Livros, sim! Gostam de ler. Um deles deveria ser alguma biografia ou autobiografia, de alguma personalidade, mulher famosa. À partida excluída a da “Dita Cuja - Acima de Não Sei o Quê”. Certo!

Cova da Piedade. Foto original. 2018. 05. jpg

Anteontem dirigi-me à Cova da Piedade, aonde não ia há meses, antes destas cenas de Covid.

(Ainda andava em obras, toda a envolvente do Chalet, ali ao pé, o jardim. Agora tudo arranjado. A rua em frente já não tem estacionamentos, mais espaçosa, aparentemente. O Chalet renovado. Já estava. Agora falta o edifício da SFUAP. Não menos merecedor. Esperemos que um dia seja melhorado. As casas, a leste, de inspiração pombalina, também renovadas. O Largo fica bonito, parece mais espaçoso… Não gostei do chão e parece pouco durável.)

SFUAP. Foto Original. 2018. 05. jpg

Mas eu ia comprar uns livrosÀ Livraria Escriba, uma pequena livraria, num pequeno centro comercial, dos de antigamente, mas com um portfólio de obras por demais interessantes. Arranjam-se sempre bons livros. Iremos lá, talvez há vinte anos. Ultimamente menos.

Referi o que pretendia, como habitualmente faço em qualquer compra. Quero isto, assim, deste modo, com estas características. Excluo aquilo, aqueloutro…

A proprietária apresentou-me o que estava mais a jeito… um livro de “… Castel Branco”, que rejeitei à partida.

A Srª observou mais alguns escaparates, pegou no escadote, retirou uns livros do alto das estantes.

O primeiro que me mostrou era sobre a Simone.

Não é preciso mais, também gosto da Simone, calha mesmo bem o livro e antes de oferecer, primeiro vou eu lê-lo.

Rosa na SFUAP. Foto Original. 2018. 05. jpg

“SIMONE, Força de Viver” – Simone de Oliveira com Patrícia Reis – 3ª Edição: Novembro de 2013, Matéria-Prima Edições. (14 E.)

Ramos de Tília. Foto original. 2018. 05. jpg

 

Em Tempos de Máscaras…

Álvaro de Campos – Heterónimo de Fernando Pessoa

 

“Depus a máscara e vi-me ao espelho. –

Era a criança de há quantos anos.

Não tinha mudado nada…

É essa a vantagem de saber tirar a máscara.

É-se sempre criança.

O passado que foi

A criança.

Depus a máscara, e tornei a pô-la.

Assim é melhor,

Assim sem a máscara.

E volto à personalidade como a um términus de linha.”

 

In. "Obras Completas de Fernando Pessoa – POESIAS de Álvaro de Campos "– pag. 61

Colecção Poesia - Edições Ática – Julho 1978.

Foto Original. Amendoeira 2015? 16? jpg

“… Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1,30 da tarde…”) Isto escreveu, entre muitas outras coisas, numa carta, o seu “criador”, Fernando Pessoa. Carta “dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem dos seus heterónimos. Publicada na revista «Presença», nº 49, Junho, 1937.”

Faria, ontem 130 anos. O poema não saiu ontem. Sai hoje! Ainda se vai a tempo de parabenizar! A POESIA, sempre!

(Fotografia?! De uma Amendoeira. Sendo Álvaro de Campos algarvio, terá visto amendoeiras, digo eu. Esta não viu, de certeza. Nem eu já vejo, que morreu em 2017. Ano terrível: seca e incêndios. Está muito documentada no blogue.)

O Meu Pé de Laranja Lima: Emocionante!

Uma Leitura Recomendada! Ternurento!

Foto Original. Flor do Quintal. 2020. 04. jpg

 

Abordei a temática deste livro ainda em Setembro. Entretanto li-o, já há vários dias. Tendo-me debruçado sobre outros assuntos, demorei a ter oportunidade de escrever sobre o mesmo.

É um livro interessantíssimo. Extremamente emocional. Deve ser difícil a qualquer pessoa lê-lo, sem chorar ou reter as lágrimas, esforçando-se por não se emocionar demasiado. Também, quando menos se espera, nos proporciona momentos de riso, em que as gargalhadas se soltam, espontânea e saudavelmente. É de uma criatividade extraordinária, é difícil não nos sentirmos envolvidos empaticamente com o personagem primordial, Zezé, também narrador principal.

 

Zezé, menino de cinco anos, extremamente sensível, inteligente, precoce, que tinha um passarinho que cantava para dentro dele.

(Sabe o que é cantar para dentro?! Quase todos os poemas que escrevo ultimamente são escritos com música, que canto para dentro. Pena tenho não saber escrever música! Não sei se a música, que canto para dentro, é original ou não, isso já é outro plano de realidade. Mas que canto para dentro, isso é um facto meu, pessoal. Mas deixemos os devaneios pessoais…)

 

Zezé, que queria ser poeta e usar gravata de laço. Que aprendeu a ler sozinho, antes dos seis anos e assim entrou para a escola mais cedo. Que gostava imenso da Escola e da sua Professora… Que encontrou no Amigo Português, “Portuga”, o Pai que o verdadeiro pai não conseguia ser, vivendo a situação desesperada de desempregado e a sequente miséria de não conseguir governar o rancho de filhos.

 

Enfim… é um livro que nos toca magistralmente no mais sensível que tenhamos enquanto Seres Humanos.

Toda a pessoa devia ler. Principalmente, nós, os adultos. Quanto às crianças, muito sinceramente acho que não. O relato de vida tão sofredora, daquela criança, não sei se será adequado que outras crianças leiam… (Digo eu...!)

 

Zezé representa o Autor / Escritor, José Mauro de Vasconcelos, que relata, descreve, romanceia (?) a sua vida de infância.

Um livrinho!… não é um livro grande em dimensão, não chega a duzentas páginas, mas é um Livrão, em termos de qualidade literária, ideativa, sentimental, um romance emocionante.

 

Leia, SFF e formule o seu próprio juízo de valor!

(A foto?! Original, de flor do quintal. Não sei como se chama esta planta, mas sei que a trouxe, através de semente, já há vários anos, do Jardim Botânico de Lisboa.)

“Fado Português”: Amália – Oulman - Régio

Óbidos Castelo Foto original. 2019. 04. jpg

 

Aniversário do Blogue e Homenagem a Vultos da Cultura Portuguesa

Óbidos Rua. Foto Original. 2019. 04. jpg

 

Para elaborar o postal anterior, nº 806, transcrevi o texto poético do livro:

RÉGIO, J. – FADO – Klássicos – A BELA E O MONSTRO, EDIÇÕES Lda. Lisboa – Portugal – 2011.

Apesar de uma das normas da produção literária ser a sua não reprodução, penso que, ao divulgar o Poema de Régio, referindo as fontes, estou a valorizar a Obra e a dá-la a conhecer. (Publicidade, de que não recebo um tostão!)

Livraria Igreja Coro. Foto original. 2019. 04. jpg

Este livro é mesmo um clássico e está apresentado em formato de bolso, o que facilita o seu transporte para onde nos desloquemos. Foi comprado em Óbidos, numa Livraria icónica, situada numa antiga igreja católica, dessacralizada. A um preço super acessível: 3 Euros. Em Abril, do ano passado (2019).

Vou lendo e relendo. É daqueles livros que por ser de poesia e de autor que aprecio, vou sempre voltando a ele. É mesmo clássico!

 

Também pesquisei na net e os textos apresentados são sempre parcelares, relativamente à fonte documental referida. Há, obviamente, outras versões em livro, pois que na Introdução – “Da Vida à Obra”, elaborada por Isabel Pires de Lima, Professora Catedrática da Universidade do Porto, refere que o original é de 1941!

Não sei se essas versões alteraram a dimensão do texto e pormenores, porque também se notam pequenas diferenças, nalguns versos. (É natural que tenha acontecido, pois o processo criativo leva a modificações nas versões apresentadas, que qualquer autor vai realizando.)

A versão apresentada compõe-se de vinte sextilhas.

Estes postais organizei-os para “celebrar” os seis anos do blogue. E para homenagear José Régio, Amália e também Alain Oulman, neste postal.

Como sabemos, Amália cantou vários Poetas nacionais consagrados, neste caso, Régio e para esse facto o contributo de Alain Oulman foi marcante.

Sobre o disco contendo esses fados, eis a ligação.

Anexo as cinco estrofes apresentadas na net, constituindo excerto do poema de Régio, a parte cantada por Amália. (A Diva não podia, evidentemente, cantar as vinte estrofes. Comparando, pode observar as modificações e o que foi escolhido para cantar.)

 

“Fado Português” 

“O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.”

Óbidos. Trepadeira. Foto Original. 2019. 04. jpg

Ligações para postais sobre Régio e sobre Amália:

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/jose-regio-cinquentenario

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/momentos-de-poesia-e-casa-jose-regio

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/surgiu-no-palco-um-dia-um-bailarino

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/momentos-de-poesia-e-jose-regio

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/sera-portalegre-uma-cidade-de-poesia

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/poesia-em-regio-portalegre

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/autografo-de-amalia

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/o-meu-momento-amalia-ao-vivo

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/em-casa-damalia-tertulias-semanais

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/estranha-forma-de-vida-amalia-

 

 

O Meu Pé de Laranja Lima

Um livro a (re)ler, após a visualização do filme.

Meu Pé de Laranja Lima filme  in. cinemaville.net

(In. cinemaville.net)

Hoje vimos o filme “O Meu Pé de Laranja Lima”, de 2012, realização Marcos Bernstein, também co - autor do argumento com Melanie Dimantas.

Elenco principal: João Guilherme Ávila (Zézé), José de Abreu (Portuga), Caco Cioler (o Escritor).

Baseado no célebre livro homónimo, de José Mauro de Vasconcelos (1920 – 1984), publicado em 1968.

 

Tenho um exemplar do livro, 31ª edição – 1980, de Comp. Melhoramentos de São Paulo, Indústrias de Papel – Caixa Postal 8120, São Paulo.

Tê – lo -ei adquirido pelos anos oitenta e li-o nessa mesma data. Não anotei, como por vezes costumo, quando e onde comprei, quanto custou e quando li. Será o próximo livro que irei (re)ler.

 

Tanto o filme, como o livro, relatam uma história muito ternurenta, mas também muito dramática de uma criança, Zézé, de seis anos.

Da sua família mais pobre que pobre, mãe trabalhando na grande cidade, pai desempregado, irmãos cuidando uns dos outros. Zézé, de tão sensível e inteligente, desadaptado ao mundo real, criava seu próprio mundo imaginário com a sua “Minguinho” – o Pé de Laranja Lima, corcel correndo pelo sertão. Traquinas, era saco de pancada do pai e da irmã mais velha.

Da sua amizade com seu Manuel, “Portuga”, imigrante, desesperançando da vida, que encontrou na criança um filho que terá desejado e nunca tido, nas lonjuras do seu Portugal.

Zézé achou no “Portuga” a ternura que uma criança precisa para dar rumo ao seu crescer de menino.  

(…)

 

O Autor termina a sua narrativa, “ -  "Último Capítulo” – “A Confissão Final”

 

“OS ANOS SE PASSARAM, meu caro Manuel Valadares. Hoje tenho quarenta e oito anos e às vezes na minha saudade eu tenho impressão que continuo criança. Que você a qualquer momento vai me aparecer me trazendo figurinhas de artista de cinema ou mais bolas de gude. Foi você, quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. (…)”

Ubatuba, 1967.

 

Então?!

Vamos à leitura, Caro/a Leitor/a!

O Crime do Padre Amaro - Crónica sobre um Amor Amaldiçoado!

"O Crime do Padre Amaro"

Eça de Queirós

 

crime padre amaro livro in. books.google.com.jpg

 

Ousar falar, escrever, opinar, sobre uma obra de Eça de Queirós poderá parecer pretensiosismo.

Eça é sem sombra de dúvida um dos escritores icónicos da nossa Literatura. É um marco incontornável da Prosa Portuguesa. Realista, de um realismo corrosivo, raiando, por vezes, o cinismo, mais das vezes irónico, trata e por vezes destrata (?), será mesmo que maltrata (?) certos personagens e grupos sociais e cívicos. A crítica e a ironia à sociedade do seu tempo, sempre presentes!

 

Como qualquer obra, seja qual for o seu campo artístico ou literário, não pode ignorar-se o contexto espacial e temporal em que surgiu, nem os seus enquadramentos autorais.

 

Eça_de_Queirós_c._1882 in. wikipedia.jpg

 

Eça de Queirós nasceu a 25/11/1845, na Póvoa de Varzim. Era filho “natural” de Dr. José M. A. T. de Queiroz e de D. Carolina A. P. de Eça.

Faleceu em 16/08/1900, em Neuilly, França. (55 anos incompletos). Vida relativamente curta, para os padrões atuais, mas extremamente produtiva. Algumas das suas obras só foram publicadas postumamente.

(O romance “A Cidade e as Serras”, um dos meus preferidos e dos que acho mais otimistas, foi publicado em livro, só em 1901. “A Tragédia da Rua das Flores” só em 1980!)

Formado em Direito, pela Universidade de Coimbra, Julho de 1866, vinte anos de idade, exerceu fundamentalmente atividades profissionais ligadas à Administração Pública. Colaborou também com jornais e revistas, tendo fundado e dirigido o jornal “Distrito de Évora”, 1867.

Escreveu crónicas, cartas, contos, romances de grande fôlego, profere conferências, entra em polémicas, escreve artigos políticos, publica em folhetins... analisa e critica, causticamente, a sociedade portuguesa dos últimos decénios do século XIX.

Nalguns aspetos, quase se reporta aos tempos atuais e noutros inclusive parece premonitório.

Menos conhecida será a sua poesia, em nome próprio, e também através do “heterónimo coletivo” de “Carlos Fradique Mendes”, divulgada ainda em 1869, em a “Revolução de Setembro”.

 

Foi neste ano de 1869, 24 anos, que assiste à inauguração do Canal do Suez e viaja pelo Oriente. As vivências desta viagem seriam tema para livros subsequentes.

(A realidade que o cerca, as suas experiências vividas, caraterizam e são marca indelével da sua Obra. Defende e integra-se na corrente realista da Literatura.)

 

Em 1870 e 1871, vinte e cinco para vinte e seis anos, exerce funções de “administrador do concelho de Leiria”.

Foi nesse contexto espacial e temporal que “bebeu nas fontes” para o romance que titula este artigo.

Após ter prestado provas para cônsul, ainda em 1871, será nomeado em Março de 1872, para o consulado das Antilhas Espanholas, sendo empossado em Dezembro, em Havana, Cuba.

Em Novembro de 1874 será transferido para o consulado de Newcastle, Inglaterra.

O exercício das funções de cônsul será a sua atividade profissional dominante.

Em 1878, será transferido para Bristol. Mais tarde, 1888, para França, aonde viria a morrer.

Casou em Fevereiro de 1886, aos 40 anos, com D. Emília de Castro Pamplona (Resende), de 28 anos – (1857 – 1934).

 

Em Fevereiro de 1875, na “Revista Ocidental” surgem os capítulos iniciais do romance citado, numa primeira versão. Nesse mesmo ano, trabalha uma 2ª versão, que será “posta à venda, em volume”, em Julho de 1876.

Em 1879, “sai a lume a terceira e última versão de O Crime do Padre Amaro”.

 

Eça viveu toda a sua vida de adulto na 2ª metade do século dezanove, que, comparativamente com a primeira, foi de muito mais estabilidade política, social, económica.

(A primeira metade do século dezanove fora mais turbulenta e de maior instabilidade: "guerra das laranjas", invasões francesas, guerra civil, revoltas populares…)

 

A segunda foi fase de maior progresso e desenvolvimento. Surgiram e implementaram-se grandes modernidades de que o comboio foi expoente, provocando uma verdadeira revolução sobre múltiplos aspetos.

Os jornais ganharam projeção; surgimento de novas ideias, uma conceção e crença na modernidade, na educação e no progresso técnico e científico, como bases do desenvolvimento individual e social; questões cívicas importantes como foram a abolição da pena de morte e da escravatura.

O debate de ideias ganhou projeção entre intelectuais, políticos, estudantes.

Em 1865/66 surgiu a “Questão Coimbrã”, em que Eça não participou. Mas participou nas tertúlias do “Cenáculo” em 1870 e interveio nas “Conferências do Casino”, 1871.

Fez parte da chamada “Geração de 70”, “geração que traz a modernidade pela ironia e pela sátira, pelo idealismo utópico e pela reflexão metafísica”.

As ideias republicanas ganhavam destaque a partir da década de setenta. Surgiam novos partidos.

No plano internacional, entre os muitos acontecimentos relevantes, destaco a guerra franco-prussiana, 1870/71, perdida pela França e que, entre outras consequências, levou à designada “Comuna de Paris”, cujos ideais e ecos revolucionários também chegaram a Portugal e tiveram repercussão nos jovens intelectuais portugueses da já referida “Geração de Setenta”.

 

Mas formulo a questão:

Com todas as modernidades e mudanças ocorridas, será que no País vigorava a senda do progresso e do desenvolvimento, tanto no domínio das ideias, das mentalidades, das técnicas, da economia?!

Resposta a essa pergunta ninguém a deu melhor que Eça nos seus textos, especialmente nos romances, em que ele faz uma crítica mordaz à sociedade do seu tempo, nomeadamente a determinados grupos sociais, culturais, políticos, religiosos, artísticos…

 

Em “O Crime do Padre Amaro”, a ação da narrativa contextualiza-se espacialmente na cidade de Leiria, reportando-se, obviamente, ao tempo direto de observação em que Eça aí permaneceu como administrador do concelho, 1870 – 71.

Este seu primeiro romance, dada a temática e os grupos sociais que descreve e o respetivo conteúdo e enredo romanesco, “caiu que nem pedrada no charco” na sociedade portuguesa da época. E mesmo posteriormente, continuou sendo um livro “proibido” não só em Portugal, como no Brasil, onde Eça foi sempre um escritor muito admirado, reverenciado e conceituado.

 

malvina. in. http:wp.clicrbs.com.br. jpg

 

(Lembre-se que até Jorge Amado, em “Gabriela Cravo e Canela”, refere a proibição do livro às meninas de bem, nomeadamente à personagem “Malvina”, que o lia às escondidas no seu quarto e dele segredava a sua amiga Gerusa.)

 

(Atualmente, já no séc. XXI, este livro serviu de inspiração para um filme português, com Soraia Chaves e Jorge Corrula.

E, em 2003, também serviu de inspiração para um filme mexicano.)

 

O_Crime_do_Padre_Amaro_ filime. 2005 cartaz in. wi

 

Mas voltemos ao romance original.

Nele, Eça faz uma crítica mordaz e perturbante, ao clero, à pequena burguesia provinciana, especialmente personificada nas beatas aduladoras da “padraria”, sediadas sugestivamente na Rua da Misericórdia.

Os padres, nestes personagens essencialmente “baixo clero”, são vistos, entre outros aspetos mais verrinosos, como uns “patuscos”, na satisfação dos apetites do corpo, ainda que entregues ao ofício de salvação das almas. (Exceção de abade Ferrão: “…virtude de vida…ciência de sacerdote.”)

As beatas, supersticiosas, mexeriqueiras, sujeitas às mais diversas crendices irracionais, vivem agarradas à sotaina e batina, de abade, cónego, pároco, sacerdote, coadjutor, capelão, padre-mestre, adulando e reverenciando o cabido da Sé.

A classe social dominante no enredo constitui a pequena burguesia provinciana, vivendo mediocremente com seis tostões por dia, preço de aluguer de um quarto.

Neste contexto, surge exacerbado um amor afogueado de um jovem padre, Amaro, correspondido por igual amor piegas de uma jovem beata, Amélia, eros que acha satisfação numa enxerga velha de uma cama podre, num quartinho de telha vã no 1º andar da casa do sineiro, nas traseiras da Sé.

Amor amaldiçoado por uma entrevada, filha do sineiro, que agarrada à cama onde jazia a sua invalidez, pressentia o aconchego dos amantes, como se fora “cio de cães”.

 

E poderia ficar por aqui, que não destoaria da perspetiva como Eça nos apresenta a satisfação carnal dos amantes, ainda que possa parecer pouco abonatório para tal Obra e para tão genial Autor.

 

(Fica muito, fica imenso, por contar, porque a riqueza ideativa de Eça ultrapassa completamente esse aspeto um pouco mais sórdido (?) do enredo.

Bastantes personagens, caraterização pormenorizada de pessoas, sentimentos e ações, a especificação dos ambientes, o enquadramento dos contextos espaciais, por vezes temporais, descrição minuciosa de objetos e acessórios da ação, de personagens, vestuário, modos e tiques, teatralidade de gestos e comportamentos…   o humor, a graça, a fina e requintada ironia, a intriga, a trama do conteúdo, o estilo, a multiplicidade de sentidos…)

 

Se nunca leu Eça, o que espera?!

 

Mas, voltando ao enredo…

Tantas idas à casa do sineiro a cumprir a promessa de ilustrar a “entrevada” levaram ao inevitável: Amélia, “a flor das devotas”, engravidou.

E Amaro, o pároco, com a ajuda do cónego Dias e da beata da irmã deste, Dona Josefa Dias, resolveu a situação.

Remeteu a heroína para Ricoça uma quinta recôndita do cónego, em Poiais, onde a rapariga haveria de dar à luz. Tratou logo de despachar o futuro rebento e com a ajuda de uma alcoviteira, Dionísia, encomendou-o para uma ama-de-leite, habitualmente conhecida como “tecedeira de anjos”.

E com estes preparos tudo preparou.

Enviou a rapariga amada e o filho, de anjinhos, para o Céu. Cumprindo assim o seu papel de abastecer a corte celestial.

 

E assim termino a “minha crónica” sobre este livro e o seu Autor.

 

Lembrando que Eça tem este condão de “matar” ou fazer esquecer, as heroínas dos seus romances, enredadas em amores proibidos e incestuosos.

 

(Amélia em “O Crime…”, que cumulativamente levou o anjinho.

Luísa, em “O Primo Basílio…”

Maria Eduarda, em “Os Maias”, não morreu mas… “É como se ela morresse... sem mesmo deixar memória…” pag. 671.

Genoveva, em “Tragédia da Rua das Flores”.)

 

Os heróis, passado aquele fulgor e arroubo inicial, depressa olvidam as suas amantes.

É essa a “condição humana” ou é essa a visão do Eça?!

 

(E sobre personagens do supra citado livro…

Questionei-me se “O secretário-geral, o Sr. Gouveia Ledesma” personificaria o próprio Autor, Eça.

Pelo que li na pág. 439, linha 24, edição Círculo de Leitores, 1980, parece-me que não…)

 

*******

 

 (Pesquisa Bibliográfica:

- “Obras Completas de Eça de Queirós, Primeiro Volume – O Primo Basílio” – Círculo de Leitores – 1980;

- “Obras Completas de Eça de Queirós, Quarto Volume – O Crime do Padre Amaro”, - Círculo de Leitores - 1980.

- Lexicoteca - Moderna Enciclopédia Universal – Círculo de Leitores, 1987

- “Diário da História de Portugal”, José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra; Selecções do Reader’s Digest, 1998.

- “História de Portugal, 1640 – Actualidade” – Vol. 3; Direcção de José Hermano Saraiva – Publicações Alfa, SARL, 1983.

(E artigos da internet, wikipédia.)

 

 

 

Coletânea de Poesia e Prosa Poética: “Pai e Mãe” – Vários Autores

Apresentação Pública 3 de Maio de 2017

Sede da APP – Associação Portuguesa de Poetas

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Realizou-se, na passada quarta-feira, dia três de Maio, na sede da APP, Rua Américo de Jesus Fernandes, 16 A -, aos Olivais, Lisboa, a apresentação pública da supracitada “Coletânea de Poesia e Prosa Poética”, subordinada à temática “Pai e Mãe”, coordenada pela vice-presidente da Associação, Maria Graça Melo.

Estão representados 31 Autores, com poemas dedicados ou inspirados pelos respetivos progenitores.

 

“Na Bíblia Sagrada, um dos Dez Mandamentos manda honrar o pai e a mãe”, refere a coordenadora, em jeito introdutório do posfácio.

 

E este foi o Valor primordial, no relacionamento da Família, que estruturou as atitudes e comportamentos dos Antologiados que tiveram a grata oportunidade de participar na sessão de apresentação.

Honrar, homenagear, lembrar, com Saudade e Amor, os seus ascendentes mais diretos.

 

Puderam estar presentes na apresentação, Maria Graça Melo, que igualmente dirigiu a assembleia, Ana Nunes Ribeiro, Francisco Carita Mata, João Francisco da Silva, Alexandre Aveiro, Manuel Rodrigues, Júlia Pereira, João Coelho dos Santos e Pais da Rosa. Para além do presidente da APP, Carlos Cardoso Luís, que, nessa qualidade, também participou na sessão poética, também disse poemas de outros autores da coletânea, embora não participante, enquanto antologiado.

 

Foi uma sessão muitíssimo interessante, pois para além do óbvio, apresentar a Antologia e “dizer Poesia”, tornou-se uma reunião em que as Pessoas presentes se “abriram” aos Outros de uma forma muito espontânea, livre e salutar.

Fosse pelo tema “Pai e Mãe”, as figuras primordiais do nosso entrosamento social; e as imprescindíveis lembranças que nos remetem, consciente ou inconscientemente, para o nosso universo infantil; para a presença ou ausência das figuras parentais; o certo é que houve uma apresentação não menos calorosa de quando a sede da APP está repleta de Associados.

 

Estivemos presentes dez Sujeitos, cada um com o seu jeito e modo de estar face à Poesia e à temática abordada, mas e para isso também não terá sido alheia, para além do número, também a própria disposição dos convivas, em círculo pequeno, sentados numa roda, sem qualquer mesa ou entrave entre eles, propiciadora que houvesse interação, espontaneidade, sentimento, abertura aos Outros, disponibilidade e acolhimento.

Foi, talvez, uma sessão com alguma componente terapêutica e igualmente com um cunho didático, pois também houve oportunidade para sugestionar, quiçá, ensinar alguns princípios e conhecimentos sobre metodologias poéticas.

 

Parabéns e obrigado aos organizadores e participantes.

 

(P. S. - E a sala agora está ainda mais bem composta com os retratos de antigos Presidentes!)

 

Nota Final: Fotografia original de D.A.P.L. - 2016.

 

 

 

Post 500º - POESIA!

Lírio - Original DAPL 20160124.jpg

Este é o Post Nº 500.

Poderia fazer um balanço do blogue, mas é algo que já fiz noutras situações.

 

Este ano propus-me divulgar, mais ainda, a Poesia.

Por isso, neste quinto-centésimo post, aproveito para dar a conhecer a Agenda da APP – Associação Portuguesa de Poetas, de Março, como tenho feito ao longo destes anos de blogue.

 

AGENDA EVENTOS Março 2017.jpg

 

Não esqueci a divulgação da Poesia da XX Antologia!

 

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Anexo dois links, para blogues que subscrevo e sigo sempre com atenção, que nos trazem sempre lindas Poesias, ilustradas por sugestivas e belíssimas imagens:

poetaporkedeusker

rumoaonossosul.

 

E também solpaz, que nos brinda sempre com belos poemas declamados por sócio da APP.

 

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E também para Poetas e Poetisas, sócios do CNAP, que também aqui tenho apresentado. 

E de "Momentos de Poesia"!

Pena tenho que ainda não tenha conseguido organizar-me com um tema sobre "Mensageiro da Poesia"!

 

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Deixo igualmente ligações para posts em que divulguei Poetas Consagrados:

 

António Gedeão

 

Jorge de Sena

 

José Régio

 

Luís Vaz de Camões

 

E para a Poetisa Florbela Espanca.

 

Penso ir continuando com outros Poetas e Poetisas, à medida que for tendo oportunidade.

 

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E gostaria de deixar neste Post também dois Poemas de um Poeta e uma Poetisa, que tiveram muita relevância na Associação Portuguesa de Poetas.

Mas ainda tenho que fazer pesquisa documental sobre o assunto.

 

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E sobre o 500º Post, e, por agora, é tudo!

Se for clicando pode navegar pelo Blogue e pela Poesia! Acredite, que não se arrependerá!

 

A foto ilustrativa é de D.A.P.L. – 2016.

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (VII)

A Nossa Antologia

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

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Tejo original DAPL 2016.jpg

 

Introdução:

 

Continuamos com a divulgação de Poemas da XX Antologia da APP - 2016. Um sétimo grupo de Poetas estruturam o post nº 491.

Damos a conhecer Poesia de Hérlon Cavalcanti, João Baptista Coelho, João Coelho dos Santos, João de Deus Rodrigues e João Francisco da Silva.

Cabe a Si, caro/a Leitor/a apreciar mais um conjunto de bela Poesia!

E, como estamos em Fevereiro, todos os Poemas versam o Amor.

 

 

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flor mandacaru in. recantodas letras.com.br.jpg 

HÉRLON CAVALCANTI

 

“FLOR DE MANDACARU, NO TEJO”

 

“De Terras longas que vim

de mar, de rios e florestas

trouxe um bocado de mim

pra me juntar nessa festa

cantando e fazendo versos

nessa vida que me resta

 

Ao Tejo corri pra ver

toda a cidade a correr

linda e misteriosa

No berço que vi nascer

Visitei a minha história

E tudo que vim a ser..

 

Na Terra de minha gente

No berço dos ancestrais

deitei uma flor no Tejo

sai sem olhar pra traz

Por aqueles que chegaram

e os que não existem mais.

 

Na flor de mandacaru

Trazida do meu país

visitei o mar azul

amei e fui muito feliz

E voltei a Caruaru

E agora conto pra tu

Tudo quanto eu aprendi.”

 

(Hérlon e Mabel Cavalcanti)

 

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Cacela Original DAPL 2016.jpg

 

JOÃO BAPTISTA COELHO

 

“ POEMA DE AMOR”

 

“Anda comigo, amor, p´la praia fora,

os dois, de mão na mão, pisando a areia.

Vem ver a luz do sol a ir-se embora

e a noite a converter-se em lua-cheia.

 

Irmãos do par de amantes, do outrora

- o cavaleiro triste e Dulcineia –

seremos, no instante dessa hora,

o nauta enfeitiçado e a sereia!

 

No mar e na fundura da neblina,

a nau dos meus desejos, à bolina,

navega em meu azul do pensamento.

 

Vem vê-la! Vem falar-lhe com teu canto!

E põe a paz suprema no meu pranto…

com beijos que trocarmos sob o vento.”

 

*******

 

JOÃO COELHO DOS SANTOS

 

“A MÚSICA E A ALMA”

 

“Deslumbrado, abri um pórtico de luz,

Que cresceu ou emergiu,

Como a música e a alma.

Compus expressão teatral,

E gargarejei um pueril libreto de ópera.

No gotejar nota a nota do violino,

Com a alma grávida de ilusões,

Ou no suave tanger da lira,

Ora patético e teatral,

Ora tranquilo e benevolente

Cantei em tom de falsete,

Soltei lágrimas de felicidade

E adormeci sereno e sossegado,

Com o vento a acariciar a música e a alma.”

 

*******

 

Troia original DAPL 2016.jpg

 

JOÃO DE DEUS RODRIGUES

 

“À PROCURA DO TEU PASSADO”

“(a saudade)”

 

“Passaram-se dias, meses e anos,

E fui à tua procura sem te encontrar.

Perguntei por ti a rios, mares e oceanos,

Mas nenhum parou, para me escutar.

 

Era enorme a minha vontade de te ver,

Para saber se continua moreno o teu rosto.

E se tudo aquilo que tens andado a fazer,

Te trouxe felicidade ou causou desgosto.

 

Mas encontrei desertas as ruas do passado,

E gastas as pedras da calçada que pisámos,

Quando abraçados cumpríamos o nosso fado,

 

A olhar para as estrelas que ora ainda vejo,

Tão trémulas, a cintilar no firmamento,

Como as do jardim da realização do desejo.”

 

*******

 

JOÃO FRANCISCO DA SILVA

 

“EXCELSA FORMOSURA”

 

“ Deslumbrante é tua excelsa formosura,

Charme de mulher em todo o seu esplendor;

Tens coração generoso e alma pura,

Simbolizas a beleza e o amor!

 

És mãe da emoção, musa do poema,

Cultora da paz e da fraternidade;

Tens no amor o teu preferido tema,

És a rainha da singularidade!

 

Muito humana, sentes carinho e doçura,

Fazes o bem, partilhas da alheia dor;

Teus encantos aumentam com a candura

Com que semeias simpatia e amor!

 

És personagem de romântica fita,

Doce e terna como pétala de flor;

Mas o mundo quando diz que és bonita

Almeja interesses, ao dar-te valor!

 

Pura filha da humana natureza,

Amas as gentes, cultivas a verdade;

Floresce-te no Ser a moral riqueza,

És fluente fonte de felicidade!

 

Desafias o fulgor de mil estrelas,

És poema, maravilha, cor e luz,

Subiste ao pódio das mulheres mais belas;

Deus, por ditosos caminhos te conduz!

 

Sabendo tu que encantas, que deslumbras,

Que és admirada de modo profundo,

Nunca te envolvas em opacas penumbras;

Continua a ser um exemplo p´ró mundo!”

 

 Notas Finais:

Este post é ilustrado com algumas fotografias, originais de D.A.P.L., 2016. Lamento, mas não consegui enquadrar todos os poemas com fotografias originais.

Também, para documentar a "flor de mandacaru", que eu não sabia o significado, pesquisei na net. Mandacaru é um tipo de cacto. Também tenho um exemplar deste tipo de plantas, cuja flor apenas floresce por um dia. Plantei-a em 2015. A primeira vez que deu flor foi nesse mesmo ano, pela noite de São João: 23 para 24 de Junho. Em 2016 não sei se deu flor ou não. Não tive oportunidade de presenciar.

 

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