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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Tertúlias de Poesia!

APP – CNAP – Momentos de Poesia – SCALA

Corona Connection. 2020. 03. jpg

Com isto de Covid”, se há coisa que me chateia é não haver as célebres Tertúlias de Poesia.

Selfie Selfish Quadro 2019. jpeg

Bem! Haver, há, que ainda no passado domingo a APP tinha prevista a sua tertúlia mensal na Sede, como havia antes de Covid, no último domingo do mês. Neste caso, 27 de Setembro. Ter-se-á realizado, que não sei, que não fui.

Portanto, haver, há, eu é que ainda não me mentalizei a andar por aí em vários transportes públicos. E, depois, nos espaços de realização das sessões, quantas pessoas podem estar presentes?!

Foto Original. Costa. 2020. 08. jpg

Também D. Olívia Diniz Sampaio, presidente do CNAP, festejou o seu aniversário, no passado dia 26, sábado, num restaurante da Av. de Berna - Lisboa. Também não fui, não sei quantas pessoas estiveram, não sei se disseram poesia, terão dito, certamente, mas sei que correu muito bem.

Poesia Visual. Foto Original. 2018. 07. jpg

Faz agora um ano, estava a decorrer a Exposição de Poesia Visual, na sede da SCALA, em Almada. Algumas fotos são de alguns dos quadros expostos. Outras são da Costa da Caparica; do Tejo, visto da Ponte, vindo no comboio e de Portalegre.

Somos Mar. Foto original.2018. 07. jpg

Também tenho saudades das tertúlias de poesia na sede da SCALA, da “Poesia à Solta”. Em Almada: na Sede, na Oficina de Cultura.

Portalegre. Foto original. 2020. 06. jpg

E das tertúlias de “Momentos de Poesia”, em Portalegre. No Hotel José Régio, no Café José Régio.

Foto Original. Rio Tejo. jpeg

 

Este meu postal é dedicado a todos/as Tertulianos/as das Associações em que costumo participar:

APP – Associação Portuguesa de Poetas - Lisboa

CNAP – Círculo Nacional D’Arte e Poesia - Lisboa

"Momentos de Poesia" - Portalegre

SCALA – Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada – Almada

 

Votos de Muita Saúde! E Muita Poesia!

Um Poema de Despedida!

“REQUIEM  PARA  UM  IRMÃO”

 

“Partiste

Assim como um suspiro, folha de árvore que cai

Alguma aragem, tão livre, como a natureza quis.

Olha, irmão,

Por aqui, o mundo gira igual, louco, caótico e indiferente.

O sol volta a pôr-se magnífico em fogo, lá no horizonte

Há vidas que hoje se te vão juntar e amanhã

Sempre a vida brotará de outros seres e haverá novo sol.

Perdeste o respirar, o olhar, a magia desta Primavera

Saberás de nós nesse outro lado? Como tudo é insondável!

E assim nos deixaste sem queixas, sem remorsos, como um guerreiro.

Onde estarás agora?

As tuas coisas, os teus objectos estão iguais no seu canto

Mas não são mais os mesmos sem ti

E esperam, esperam, sem jeito.

No bosque dos meus afectos sinto-te mais perto

O rio escorre seus murmúrios e continua

Com as libélulas, os peixes, os minúsculos insectos

Tudo no seu ritmo natural de sempre.

Flores selvagens, os pequenos algodões e os fulgores.

É primavera, as aves cantam e tudo mexe,

Há sinais ao redor, há perfumes, há rastolhadas,

Seres da terra de que não sei o nome

E por vezes o vento, nas ramagens,

Que tudo agita e tudo harmoniza.

Olha, meu irmão

Oiço o Réquiem de Mozart e deixo-me sucumbir

É tão belo, é tão triste, tão fora deste mundo

Como tu estás, agora!

Se por alguma razão que não sei

Se por algum profundo mistério

Se também tu estiveres a ouvir…

Será, será que também te comoves?”

 

ROLANDO AMADO RAIMUNDO

24 DE MAIO DE 2020

*******

Foto original. Portalegre vista do Passadiço. 2019. 05.jpg

 

Voltamos à Poesia.

 

Como algumas vezes neste blogue, um lindíssimo Poema de Despedida. Também tenho alguns meus escritos e aqui divulgados, acenando Adeus a Pessoas que nos são queridas. Também de outras pessoas.

Muito bonito, este Poema.

 

De Rolando A. Raimundo, também sócio do CNAP – um dos organizadores e participantes nas Tertúlias do Círculo. Também um dos colaboradores do Boletim Cultural, tal como D. Olívia, Alma Mater do Círculo, ativa divulgadora e promotora da Cultura ligada à Poesia e Artes; António Diniz Sampaio e Luís Filipe Soares, sócio nº 1 e fundador da APP, organizador e dinamizador das Antologias de Poesia, das Maratonas e outras atividades culturais, nos anos oitenta do séc. XX.

 

A divulgação deste Poema insere-se num dos propósitos deste blogue que é a divulgação de Poesia de “Outros Poetas e Poetisas”! Desiderato bastante bem documentado, com Poesia. De elementos da APP, do CNAP, de “Momentos de Poesia”, da SCALA; de Pessoas de Aldeia da Mata.

 

Poucos blogues, ou nenhuns (?), neste universo (digital), realizam ação igual ou semelhante.

Eu também agradeço a amabilidade de todos os participantes, que desse modo também engrandeçam este universo particular e específico de Aquém Tejo.

 

(Foto? - Original de Cidade de Régio, vista do "Passadiço".)

“Em Casa D’Amália” – Tertúlias semanais na RTP1

Fado – Poesia - Cultura

Fafá de Belém, Waldemar Bastos, Dany Silva - André Dias e Bernardo Viana

Apresentação de José Gonçalez

 

 

Foto Original. 2019. 05.jpg

 

Programa da RTP1, tertúlia transmitida às 6ªs feiras, à noite. Na passada sexta, dia 19, já o nono programa. Em semanas anteriores, algumas vezes visualizei excertos do programa. Neste último, face aos tertulianos presentes, deixei-me, em boa hora, levar na onda. Quando e onde podemos ouvir, assim numa assentada, Fafá de Belém, Waldemar Bastos, Dany Silva, acompanhados por André Dias e Bernardo Viana, dois jovens músicos, engrandecendo a tríade de cantores?! Dany e Waldemar também executantes.

 

Num jeito muito informal, apresentação de José Gonçalez, precisamente na Casa de Amália, à Rua de São Bento, na sala, deduzo eu, bem bonita, por sinal.

Programa, homenageando a Diva do Fado, recriando, de certo modo, as tertúlias que Amália promovia na sua própria casa. Neste programa foi precisamente lembrada a célebre tertúlia em que participou Vinícius de Morais, também Ary, Natália Correia, David Mourão Ferreira, em 1968, génese de disco editado em 1970: Amália – Vinícius.  

 

Programa excelente! Parabéns aos participantes. E Obrigado pela beleza de Música e Canções que nos trouxeram.

 

E que saudades tenho das tertúlias. Das Tertúlias de Poesia, confinadas, com esta coisa do Corona!

 

Da APP – Associação Portuguesa de Poetas. Na sede, aos Olivais; no Vá – Vá, na Avenida de Roma. Ambas em Lisboa.

Do CNAP - Círculo Nacional D’Arte e Poesia. Ultimamente no Café Império. Anteriormente, ao Centro de Dia de S. Sebastião da Pedreira. Também em Lisboa.

De “Momentos de Poesia”, no Café José Régio, antigamente “Café Facha”, em Portalegre.

Da SCALA – Sociedade Cultural das Artes e Letras de Almada, na Sede – R. Conde Ferreira – Almada Velha ou na Oficina de Cultura, no centro de Almada.

 

E.. Viva  a Poesia! Viva o Fado! Viva Amália!

 

E novamente parabéns a todos os participantes e organizadores do Programa da RTP1, supramencionado.

Cinco Estrelas!

Momentos de Poesia – Fevereiro 2020

“Desde 2006 a Dar Voz aos Poetas”!

Foto original. 2017.jpg

 

Dia 15 – Sábado – 16 horas

Hotel José Régio

PORTALEGRE

Foto original. 2017. jpg

Convidado: Miguel Almeida

Licenciado em Filosofia.

“Autor de várias obras que vão do ensaio filosófico à prosa de ficção, da poesia à literatura para crianças.”

“A completar a Poesia não faltará o Canto”!

Compareça você, também!

 

“A Chaga do Lado!”

Natal no contentor!

 

Nascido em contentor, em noite fria

Parábola hospitalar deste País

Achado por sem abrigo, quem diria

Que eu tivesse mãe, sem ter, que não me quis!

 

Querer, queria, mas sem vida não podia

Ter-me, e tendo, de criar-me de raiz.

Valeu-me choro ser fala, nesse dia

Qua nascesse outra vez, ser talvez feliz!

 

Feliz ou não, futuro não sei. Sou petiz!

Nem visita real, per si, vaticina.

 

Cada qual que nasce, nasce sua sina

Neste mundo atroz tudo se desatina

Na rede social todo o mundo opina.

 

Mas houve já Natal, sim! Sou eu quem to diz!

 

No post anteriormente publicado, 7 de Novembro, escrevi sobre a “Chaga do Mundo”, reportando no final também para a “Chaga do lado”, isto é, para as desgraças que ocorrem, bem ao nosso lado, que praticamente ignoramos, ou fingimos ignorar. Quem me diria que estava já a acontecer o tão badalado assunto do abandono de criança em contentor de lixo?!

Pois é precisamente sobre esse tema que me debruço neste post, através do poema “Natal em contentor!”.

Poema escrito a nove de Novembro, (09/11/19), inspirado nessa ocorrência.

Nessa tarde, ocorreu “Momentos de Poesia”, no Hotel José Régio, em Portalegre. Aí, li pela primeira vez este poema, no decurso da tertúlia celebrativa do décimo terceiro aniversário do referido evento cultural, que tenho vindo a divulgar regularmente no blogue. Entretanto já o decorei!

Também disse o poema “O Menino / o Futuro morre na praia!”

Dois dos meus poemas de Natal!

(Habitualmente sobre Natal, os meus poemas realçam o lado trágico da Vida, do Nascimento…)

 

O título do post remete-nos precisa e propositadamente para José Régio.

Nem a propósito, no dia seguinte, dez de Novembro, (10/11/19), havia “Visita guiada na Casa – Museu José Régio”, integrada num evento associado à Enologia. Visita super interessante, guiada por Drª Olga. Obrigada e parabéns à Casa e à Cidade, que comemoram dignamente o cinquentenário do falecimento do Poeta. (É esta a faceta que mais admiro!)

Aí, li o poema “Cristo”. Hei - de publicá-lo no blogue e falar da Casa e da visita.

Frise-se, que a Cidade e a Casa lembram Régio sob as suas múltiplas e variadas facetas, enquanto Cidadão e Artista. Parabéns!

Momentos de Poesia e Casa José Régio

Fotografia original 2018.jpg

 

Momentos de Poesia

Portalegre – 21 de Setembro

“Integrado no ano em que passam cinquenta anos após a morte de José Régio, Momentos de Poesia no dia 21 de Setembro lembra também o seu nascimento, com o seguinte programa:

15h – Visita guiada à Casa Museu José Régio

16h 15’ – Poesia de Régio e canto, no Hotel José Régio.”

Organização: Deolinda Milhano ------ Apoio: Hotel José Régio

Bem que gostaria de (re)visitar a Casa, e “Dizer Poesia” no Hotel, mas é-me impossível, pois estarei na inauguração da Exposição de “Poesia Visual”, na SCALA, em Almada. Onde já por diversas vezes, em "Poesia à Solta", ouvi excelentes “Dizedores” de Régio: “Cântico Negro”, “Toada de Portalegre”.

*******

Casa José Régio

Aproveito também esta oportunidade para frisar que a “Casa José Régio” tem organizado variadas atividades de divulgação de José Régio, segundo as suas múltiplas e variadas facetas de Homem de Cultura e Arte, não apenas enquanto Poeta, que é, todavia, a que melhor conheço e aprecio.

Ainda não tive oportunidade de comparecer, mas algum dia poderei!

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Obrigado pelas informações e parabéns às duas entidades: “Momentos de Poesia” e “Casa José Régio.”

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E aproveito para referenciar uma ideia que já explicitei no blogue: A Cidade precisa criar a “Marca Identitária Régio”, relacionando a identidade Cidade, com a identidade poética de Régio!

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https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/ai-as-nossas-fezes

Ai, as nossas “fezes”!

“E se eu gostasse muito de morrer”

Rui Cardoso Martins

Romance – Publicações Dom Quixote – 2006 – 1ª edição

Fotografia original 2015.jpg

 

Momentos de Poesia” de Julho foi subordinado à divulgação de um Autor Portalegrense atual, Rui Cardoso Martins, que nesse contexto tive oportunidade de conhecer pessoalmente. Sabia da sua existência, apesar da imagem mental que tinha dele ser a de outra pessoa das “Produções Fictícias”. Situação, aliás, que reportei ao próprio. Também não é devidamente conhecido e valorizado na Cidade, como merece. Frise-se!

Posteriormente a “Momentos”, na net, pude aprofundar sobre o Autor. E pude constatar do seu valor.

Entretanto na “Nun´Alvares” comprei o livro “E se eu gostasse muito de morrer”. Que já li e estou a reler. Muitíssimo interessante. Todo o Portalegrense, todo o Alentejano deveria ler! E não só! Porque é um livro universal.

Lê-se muitíssimo bem, dada a forma como as várias narrativas se entrelaçam. Seguir as várias histórias num livro tão impregnado da Cidade foi uma experiência única!

Fotografia original 2018.jpg

 

Conhecendo os espaços da ação, como tão bem conheço, vários dos enquadramentos tantas vezes e por vários anos calcorreados por mim, foi um modo de ler e fruir a leitura com maior envolvência.

Vários dos locais vêm identificados pelo nome próprio (colégio, hospital, seminário, praceta de Camões, plátano do Rossio, castelo, sé, paço do bispo, algumas ruas também…)

Outros foram batizados com outros nomes, o que a partir de certa fase da leitura, o meu modo de integração do processo de compreensão do que ia lendo, foi escrever, por cima, o nome exato do local. (Café Cortiça / Tarro, Rua Directa / Direita, Assentados / Assentos, Penhasco / Penha, Senfim / Bonfim, Porta da Defeza / Devesa, tasca do Marchito / Marchão, Av. João XXI / Pio XII, …Café do Centro / Central, Corredor / Corredoura, Rua dos Canastros / Canastreiros, Ribeira da Lixeira / Lixosa, …)

 

Os factos narrados, vários são por demais conhecidos, alguns bem na memória de muito boa gente, outros ter-se-ão desvanecido com o tempo. Não conheço todas as situações, aliás questiono-me se terão todos, um fundo de verdade…?

 

Os / As personagens, melhor, as pessoas reportadas no romance, algumas também com os nomes ligeiramente alterados, outros / outras com o nome próprio. Alguns identifico, a maioria, não…

 

Saliento desde já, que acho que neste livro o Autor homenageia bem por demais a Cidade! Presta um grande tributo à sua vivência nesta Cidade Transtagana. Apresenta de modo peculiar, talvez até um pouco descontraído, as nossas tragédias, melhor a nossa tragédia máxima, que é a Morte, a única e acutilante certeza com que nascemos. E que a todos os seres humanos coloca em pé de igualdade. “Ninguém cá fica!”

Apesar da temática, a narrativa não é relatada de forma mórbida. Há muito sentido de humor, ironia por demais, até graça, no relato dos acontecimentos. Tão peculiar esta nossa forma alentejana de encararmos as vicissitudes do Destino! …As nossas “fezes”…

 

E por “sorte macaca”, caso o Autor viesse a dar continuidade a esses relatos de mortes violentas e trágicas, várias ocorreram na Cidade, após o término da ação transcrita no romance. Fatalidades! Todavia… “… Não devemos perder a capacidade de nos rirmos de nós próprios…” p.115. Cito!

 

Faça favor de ler! (Contudo, atrevo-me a vaticinar que muitíssima boa gente torcerá o nariz ao livro.) Atreva-se! Ouse, que é inteligente! Irá divertir-se, tenho a certeza!

 

“A palavra saudade…”

Afonso Lopes Vieira

 

Volto ao blogue.

E, nem a propósito, com o tema “Saudade”!

E ainda com o livroDe Altemira Fiz Um Ramo…”

 

Pessoa Amiga (Drª Deolinda Milhano / “Momentos de Poesia” – Portalegre) chamou-me a atenção que duas quadras integradas neste livro que editei, enquadradas no capítulo “Cantigas da Prima Teresa” seriam de Autores conhecidos. De Afonso Lopes Vieira e de João de Deus.

 

Através da internet, consegui confirmar o facto. (Parabéns pela perspicácia! E Obrigado!)

 

“A palavra saudade / Aquele que a inventou / A primeira vez que a disse / Com certeza que chorou.” (pag. 53 “De altemira fiz um ramo…”)

 

Esta quadra é de autoria de Afonso Lopes Vieira. Confirmado, via net. Não sei a que livro pertence. Inclino-me para “Poeta Saudade” – 1903. Já procurei nos meus livros do ensino primário, mas não encontrei. Afonso Lopes Vieira é um dos Autores consagrados que mais figura nos antigos livros da primária.

 

“Quem teve a grande desgraça / De não aprender a ler / sabe só que se passa / No lugar onde estiver.” (pag. 59 “De altemira fiz um ramo…)

 

Da autoria de João de Deus. Também confirmado via net. João de Deus também é um dos Poetas consagrados que mais aparece nos mesmos livros da antiga primária. Mas não encontrei esta quadra nem sei a que livro pertencerá.

 

Mérito dos Autores, que sendo consagrados e eruditos, conseguiram ser igualmente populares.

A respetiva Poesia é popular tanto na sua génese, a montante, como igualmente a jusante, na sua divulgação: público - alvo. Para a sua construção, estes Poetas beberam na Poesia Tradicional, tanto na forma como no conteúdo.

Inspiraram-se no Cancioneiro Popular, poetando segundo os mesmos moldes, nos temas abordados e também pelo modo e como o fizeram formalmente. Daí a sua aproximação ao Povo, tornando-se muito populares e conhecidas as suas produções poéticas.

Por outro lado, também beneficiaram do facto de serem muito divulgados nos livros oficiais da escolaridade. Nos livros únicos e obrigatórios em que estudei, editados nos anos cinquenta e sessenta, Estado Novo, lá figuram estes dois Poetas com variada frequência.

Nos livros em que minha Mãe e Prima Teresa terão estudado, nas correspondentes Primárias, nos anos trinta, no início do Estado Novo, não sei se terão figurado, que ainda não consegui obter estes livros para consulta.

 

A quadra de A. L. Vieira já a localizei num livro deste Autor: “Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa”, editado por António Manuel Couto Viana, Veja Editora, 1998.

Esta quadra tem duas versões. Para além da já transcrita, mais antiga, também figura uma segunda versão diferente nos dois últimos versos: “… /… / por ser palavra tão doce, / ia chorar, não chorou.”

 

Mérito também da Prima Teresa que sendo uma Poetisa Popular, não erudita, incorporou na sua narrativa, na sua Sabedoria, na sua Cultura, estas bonitas quadras de Poetas eruditos e consagrados.

Aliás, como muitas outras quadras destes e outros Autores, o Povo integrou-as no seu saber, no seu conhecimento, como refere o editor mencionado na obra citada e outros autores também.

As pessoas teriam ou não consciência da respetiva autoria, aliás provavelmente pouco lhes importaria tal facto. Era mais uma das “cantigas” a fazer parte do reportório do respetivo “cantante”, que a utilizaria quando precisasse nos bailes e arraiais em que participasse.

 

E este facto só valoriza todos os intervenientes!

Portalegre: Na encosta, ridente alegria…

Foto original DAPL. 2018. jpg

 

Portalegre, “Momentos de Poesia” e Régio

 

JOSÉ RÉGIO (Vila do Conde, 1901 – 1969), pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, viveu grande parte da sua vida em Portalegre, onde foi Professor de Português e Francês, no antigo Liceu Nacional, de 1929 a 1962, ano em que se aposentou. Manteve-se na Cidade até 1966, regressando a Vila do Conde, sua terra natal, onde viria a falecer em 1969.

Está indubitavelmente ligado à Cidade e esta, a Régio. A sua ação cívica na Cidade e no País foi, todavia, bem mais vasta do que a sua condição de Professor e Poeta, per si e só por si certamente bem importantes.

Comemoram-se este ano cinquenta anos da sua morte.

 

Momentos de Poesia que, desde 2006, vem desenvolvendo na “Cidade de Régio” um trabalho altamente meritório na divulgação da Poesia, dedicou o seu último evento poético, precisamente ao Poeta supracitado. No dia 21 de Março, “Dia Mundial da Poesia”, a partir das dezasseis e trinta, cerca de trinta pessoas percorreram as ruas da Cidade, desde a Praça da República, até ao Tarro, calcorreando a vulgarmente conhecida por “Rua do Comércio”. Num périplo por locais e espaços frequentados pelo Poeta, alguns emblemáticos e marcantes, como o Café Alentejano, o Central, o atual Café José Régio. Aí, disseram, declamaram, leram a Poesia de Régio.

Previamente a Organização do evento distribuíra e afixara cartazes com vários poemas do Autor, nas mais diversas lojas e comércios das ruas previstas de percorrer. Deste modo, o Poeta, a sua Poesia foram devidamente divulgados entre os transeuntes, os passantes, que os textos estavam nas montras, vários dias antes.

Também nos locais onde havia um cartaz com um poema, um elemento da comitiva lia esse mesmo poema na rua. Houve “Poesia na Rua”! Cantou-se o hino de “Momentos”!

Iniciativa de valor, esta. Parabéns à Organização. A todos os Participantes.

E Obrigado também!

 

Integrei-me na comitiva já ela vinha frente ao Conservatório. Acompanhei, ouvi, escutei, observei e gostei. E também participei!

E li os sonetos “Boneco Desfeito”, no Café Central e “Filho do Homem”, no Café José Régio.

E novamente Obrigado a Drª Deolinda Milhano e à Organização do evento, pelo trabalho de divulgação da Poesia de tão insigne Poeta e pela oportunidade de podermos também ter participação na efeméride.

Que assim também concretizei um dos meus objetivos para este ano. Que foi “Dizer Poesia” de um Poeta consagrado, ademais José Régio, um dos meus Poetas preferidos. E na sua Cidade… E no Café onde realizou tertúlia, tantos anos…

 

E ocorre-me perguntar:

E Portalegre, Cidade… oficialmente, como vai comemorar o Poeta e a sua Poesia?! (Pelo menos esta sua faceta, sem dúvida uma das mais conhecidas.)

Há uma ligação tão forte, tão marcante, entre Poeta e Cidade, que certamente existirão atividades. Que poderão envolver múltiplas e diversificadas entidades…

A Cidade ganharia muito em aproveitar esta “riqueza, recurso”, sei lá como designar, valor imaterial, que é potenciar globalmente a “Marca Régio” na Cidade. Tenho dito!

 

(A Rua, melhor, Ruas, ainda vulgarmente designadas de “Comércio”, já o tiveram, o comércio. Que este, hoje, se concentra quase exclusivamente fora dos espaços tradicionais. Decisões políticas tomadas há anos… cujas consequências se vivem, atualmente, numa cidade moribunda no seu miolo tradicional…

E soube, à saída do Café com o nome do Poeta, que havia outro evento simultâneo na “Velha Casa”. É caso para dizer que antes dois eventos, que nenhum… Mas alguma coordenação seria importante. Digo eu!)

 

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