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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Natal! Olhar o Mundo pelo olhar dos “Outros”!

Votos de Feliz Natal!

 

Desejo a todas as Pessoas que visitam este blogue, que têm a amabilidade de ler estes textos que aqui vou publicando, sobre os mais diversos temas, desejo a Todos, “Um Santo e Feliz Natal”!

 

Giotto Scrovegni 20 Flight into Egypt  In wikipédia

 

Para ilustrar esta temática natalícia, escolhi, propositadamente, esta reprodução de uma Pintura de GIOTTO, integrada no “Ciclo da Natividade”. A “Fuga para o Egipto”!

Lembrar a todos nós que a “Família Cristã” também viveu a condição de “refugiada” / ”refugee”. Também fugiram à tirania de um rei louco e cruel, atormentado pelo medo de perder a sua coroa, assassino de crianças inocentes, autor de massacre sobre meninos que supostamente poderiam vir a “usurpar-lhe” o trono!

Estranho, paradoxal, abominável que, passados mais de dois mil anos, ainda a mesma região onde nasceram as três religiões monoteístas, globalmente designada “Médio Oriente”, historicamente também apelidada como “Crescente Fértil”, que engloba as terras de onde partiu o Patriarca Abraão, e que as percorreu, ele também na condição de nómada, quiçá refugiado, continue a ser o palco onde tanto sangue se derrama de inocentes e fonte de onde partem tantos milhares e milhares de refugiados…

Um tema para refletirmos neste Natal. De mentes abertas e despertas para “Olhar o Mundo” pelo olhar dos “Outros”, dos que fogem aos horrores das guerras. De que não têm quaisquer culpas, que os verdadeiros culpados estarão muito bem resguardados dos horrores dessas mesmas guerras, festejando os seus “natáis” em maravilhosas consoadas, algures por aí, onde não ecoa o estrondo das bombas e bazucas, nem os cheiros de enxofres e corpos putrefactos…

 

Mas… deixemo-nos de cenas tristes! Que é Natal!

 

Os meus renovados Votos de um Santo Natal! E que haja Paz!

 

E Muito Obrigado por me acompanharem nestas leituras!

Numa Cidade sem Tempo...

 

Numa Cidade sem Tempo

                         Com(Templo)!

 

Contemplo o branco!

Sempre a brancura das paredes a povoar-nos a Memória.

Ressequida a paisagem: tons castanho, creme, ocres, amarelos

De quando em vez, uns verdes (lapsos de pintor)

Vermelhos (lembranças de lutas, de conquistas, violências).

Transversais barras riscam o branco da monocromia:

- Margens dum espaço de rodapé colorido.

 

E o horizonte… a perder de vista!

Sem limite, a terra nos marca o Destino

Nos espraia sem (ha)ver praia.

É ponto de partida e de chegada.

 

Por aqui ficaram muitos Povos

Perderam-se nas searas, na terra fértil.

E sendo perecíveis as sementes, morrendo e nascendo cada ano…

Quiseram intemporizar-se nas paredes, nas pedras que ergueram.

Cantaram hinos em mármores e granitos!

Que o Pão nos sustenta, mas todos-os-dias

Se come, se dorme e… se morre um pouco.

Levantaram-se colunas, menhires erguidos proclamaram

Louvores à Fertilidade, à Deusa – Terra (Mãe – Fecunda)!

E ao Homem, agente transformador (Fecundante!)

E Templos e Igrejas, aos Deuses

Sublimação dos homens, cristalização dos Ideais. Apenas!

Que os Deuses nunca existiram, Além da Imaginação

                                                                            Dos Homens.

 

Nem sem ela, o Céu e o Olimpo.

 

Ficaram as folhas de acanto, petrificadas, nos capitéis coríntios.

 

Em linguagem marmorificada, dizem-nos: 

“ – Antes de os homens existirem à face da Terra

Mesmo antes de a terra o ser

Já nós éramos.

Éramos muito antes do Antes.

Somos muito antes mesmo de serem o que são, as folhas que somos.

Muito antes das Plantas.

Existimos muito antes de nos chamarem o que nos chamam.

 

Só muito Depois vieram os homens.

E vieram muitos e depois muitos mais por nós passaram, até que nos chamassem.

Pedras nos chamaram, calhaus, pedregulhos, pedra rija e outros nomes…

Que esquecemos.

Até que nos dignificaram, chamando-nos mármores.

E Sempre por nós passaram, por muitos e muitos Tempos, os Elementos em nós

Permanecendo imutáveis. Intemporais.

Até que há pouquíssimo tempo passaram uns Homens, de certeza dados à Poesia

Que em nós viram plantas, flores ou somente eles próprios, ou partes suas

Ou as suas partes sublimadas.

E, sendo eles mortais, temporais como as plantas

Quiseram simplesmente eternizar-se, eternizando-se, transformando-se-nos.

 

E, eis-nos contemplando a Cidade dos Homens, deste alto, infinitamente intemporais

Marcando num curto espaço das nossas vidas, como Pedras, a precaridade da vida dos homens

De número tão infinitos, mas tão finitos de Tempo.

 

E os homens, mesmo os que Homens foram, continuaram passando.

 

Chegados e partidos!

 

E nós aqui estamos em capitéis coríntios, sobre colunas graníticas

Formando o Templo.

Sustentando o Céu, que sobre nós se ergue!”

 

E, nesta cidade crescida das lavouras

Do rasgar do ventre criador pelos arados

Dos campos ondulantes de trigais

(Ilusão de mares balouçados pelos ventos)

Lembra-me outra cidade… minguada de terras

Sem arados nem trigais, mas com excesso de águas

Navegando na laguna, transbordando por ciclos.

Afundando-se no berço em que nasceu e prosperou.

 

(Nos Lóios, em painéis de azulejos

Essa arte sublime de portugueses

Corre a vida de Lourenço

Patriarca – santo de Veneza.)

 

Contraste com esta cidade que contemplo

Sempre minguada de águas e terras a perder de vista.

 

Em ambas, a marca do tempo nos lembra

A precaridade da Existência.

 

Se uma se afunda lentamente

O mar fazendo ondas no chão da Catedral

A corrosão do ar salgado leprosando os calcários…

Nesta, não falarei de monumentos construídos, destruídos, reconstruídos…

Lembrarei somente esse macabro achado:

Revestida de ossos, a Capela assim chamada

Nos situa no presente – futuro que recalcamos.

 

E que dizer das praças?!

Nas mais belas praças, lugar de Homens

O sol num céu azul

A luz ferindo a vista

Reflete-se do branco das paredes…

No centro, gotejando, a água das fontes

Corre pura e cristalina.

 

Se na do Geraldo a fonte, de perfeita

“Bien merece ser coronada”.

Na de Moura, um globo, o Mundo

Distribui com parcimónia a água

Pelos quatro pontos cardeais.

 

E por que corrermos mais

Se nesta cidade se resume

A nossa condição maior de Portugueses

O nosso orgulho de Humanidade?

 

Nesta cidade com Templo

De colunas e capitéis coríntios

Não sustentando teto ou abóboda

Erguido apenas ao Sol e à Lua

Coberto de manto azul durante o dia

Ou céu estrelado pela noite…

 

(Exceto quando chove ou está Encoberto

Que nestas pequenas cousas reside

A nossa condição de humanos.

E, nas pequenas coisas do dia-a-dia

Também há muita Poesia!)

 

… Nesta Cidade, dizia…

Ficamos contemplando o Templo

Desenhado sobre fundo branco

E Céu azul.

Esquecido o tempo.

Nesta Cidade sem Tempo!

 

 

 

Escrito em 1987.

Publicado em “Poiesis” – Volume VIII, Editorial Minerva, Dez. 2002.

 

PARABÉNS, RONALDO!

 

 

PARABÉNS, RONALDO! Ronaaaaaaaaaaaaallldddooo!!!!!!!!!!

(Lembrando Artur Agostinho a relatar os golos, nos anos 60!)

bola de ouro.jpg

 

 

Parabéns?!

Então, mas Ronaldo já ganhou o 3º título de “Melhor Jogador do Mundo”?! A 3ª Bola de Ouro?!

Não! Não ganhou ainda. Mas merece ganhar.

 

Não só pelo seu desempenho no ano transato:

Nº de golos marcados na Liga Espanhola e na Liga dos Campeões, em ambas foi o melhor marcador; melhor marcador nos campeonatos europeus.

Conquista da Liga dos Campeões, Supertaça Europeia, Supertaça de Espanha.

Melhor jogador para UEFA e para BBC…

Bem sei que o Mundial, foi o que foi… Mas como ele próprio comentou: “não pode carregar a seleção às costas!”

 

Mas também e principalmente pela sua postura como atleta e como trabalhador. Sim, porque um futebolista para o ser a um nível de excelência, tem que trabalhar muito, no seu ofício, já se vê.

Tem qualidades de génio futebolístico, que terão nascido com ele, mas neste futebolista e atleta há um grande trabalho, treino, esforço, empenho, dedicação, motivação, que vêm desde miúdo. Segundo relato dos diversos treinadores, é um atleta que nunca se nega a treinar. Ele, enquanto atleta, é o resultado de todos estes fatores, intrínsecos, inatos, mas também o resultado de todo o seu esforço e dedicação a uma causa que para ele é nobre.

Pelas suas qualidades, pelo seu exemplo, sou fã deste jogador português, apesar de ter muitos detratores.

Tal como sou fã de Mourinho, apesar de tudo…

São ambos orgulhosos, mas orgulham-nos a todos de serem portugueses.

 

Voltando a Ronaldo que é uma figura de projeção mundial, um ícone à escala planetária, um modelo para milhões e milhões de jovens de todo o Mundo, de muitíssimos “deserdados de fortuna”, jovens a viverem no “limiar da pobreza”, muitos em condições sub-humanas, em regiões de permanente conflito, em locais sem esperança, para quem ele representa uma aspiração, um sonho, um ideal, a imagem de uma vida melhor, talvez inatingível, mas que os ajuda a viver, alimentando, idealizando esse sonho, que os faça sair do pesadelo em que vivem no seu dia-a-dia, nem que seja apenas por fugazes imagens de um jogo de futebol, um cartaz do futebolista, ou do jovem com um novo modelo de penteado e um fato completo do melhor corte.

Permite-lhes sonhar, nem que seja apenas isso! Sonhar! Sonhar que um dia poderão ser como ele, aspirar à posse de bens, estatuto, dignidade de vida a que todos os seres humanos têm direito, para quem tem pouco ou quase nada!

 

E é aqui neste plano que a análise também tem que ser situada.

RONALDO é inequivocamente um modelo e um exemplo. Como futebolista e como trabalhador. E este aspeto é relevante: frisar que, para se conseguir sucesso em qualquer atividade que se desempenhe, é preciso trabalhar! Aí ele não defrauda os seus seguidores. Tem sucesso, mas trabalha! É exemplar e modelar!

Sendo genial, no que faz. O que nem todos conseguimos ser, claro!

 

Tendo ele aquela pose glamourosa, é um manancial para a publicidade. Futebol é negócio, de milhões, de biliões, na escala e no patamar em que ele desempenha o seu “métier”. Por isso é supra solicitado para “emprestar” a sua imagem e pessoa para campanhas publicitárias, com mais ou menos bom gosto, mas certamente de acutilante recorte financeiro.

Promove originais penteados, que qualquer adolescente pode concretizar, até valorizar com mais criatividade, sentindo-se na pele do modelo; divulga fatos de excelente corte e marca, não tão acessíveis como “um corte de cabelo à Ronaldo”, mas pelo menos haverá imitações mais ou menos semelhantes pelas mais diversas feiras terceiro mundistas, em qualquer dos Mundos, no 1º , no 2º ou no 3º. Não sei se existe quarto!

Participa até em campanhas de publicidade enganosa, certamente bastante compensatórias. Mas neste contexto não tinha a mínima obrigação de saber ou vislumbrar o que se passava por detrás do espelho. Fez o seu trabalho, mais a Dona Inércia e fizeram-no bem feito. Certamente foram no logro como todos os cidadãos nacionais e estrangeiros que compraram o produto que eles anunciavam!

Outras pessoas bem mais relevantes no contexto nacional também participaram nessa promoção!... E essas sim tinham a obrigação e o dever de saber o que se passava, por detrás dos biombos, dos espelhos, dos cortinados… Ou não sabiam. E é grave! Ou sabiam e mesmo assim jogaram esse jogo… E, nesse caso, é gravíssimo! Mas isso são outros rosários…

 

Voltando ao facto de Ronaldo ser um modelo que tem uma projeção mediática universal, ser um exemplo para tantos “deserdados deste mundo” e que, à sua maneira, também o ajudam a ser quem ele é, a ser o que é e ter a importância que tem, não seria também relevante que, enquanto ser humano de referência planetária, ele “desse a cara” por CAUSAS de índole mais altruísta, mais solidárias, como por exemplo na “Promoção da PAZ” ou da SOLIDARIEDADE entre os Povos?!

Há tantos conflitos em que crianças e jovens são trucidados estupidamente… E há Instituições que procuram a promoção da Paz, pela inter-relação, entreajuda, comunhão de esforços entre as partes envolvidas. Não só entre quem promove, faz, executa a guerra, mas principalmente entre quem a sofre em cada um dos lados da barricada e quem realmente sente no dia-a-dia como a guerra é inútil e não leva a fim nenhum…

No conflito israelo palestino há instituições que procuram promover a Paz, socorrendo-se por ex. da Música e até do Futebol, envolvendo crianças e jovens, no sentido de “Construir a Paz de raíz”. Haverá muitas mais que desconheço.

Porque não “emprestar” o Ronaldo todo o seu carisma, o seu glamour, o seu “poder” mediático a CAUSAS e INSTITUIÇÕES deste tipo?!

Ele, com a ajuda de pessoas influentes e mais sabedoras que eu e com o apoio da sua Família, saberá certamente escolher.

Agora que se vai aproximando o “final de carreira”, que tenha ainda muitos sucessos, mas não seria de pensar nisso? Pode fazer toda a diferença. Embaixador de Boa Vontade, por ex. Eu sei, lá!

 

Provavelmente estarei a pecar, porque Ronaldo ajuda certamente causas e instituições de diferentes formas, de forma monetária ou de outras maneiras, seguindo o preceito cristão de “dar com uma das mãos de modo que a outra não saiba” e, por isso, essas ações não são nem têm que ser noticiadas.

Mas eu estou-me a referir a situações em que a publicidade, a imagem, o mediatismo são importantes e podem fazer toda a diferença pelo impacto que podem ter!

Um simples sugestão para quem nunca irá ler este texto!

 

E que ganhe a sua terceira “Bola de Ouro”!

E não a beije. É tão feio beijar objetos!

bola de ouro. wikipédia

 

Um Fado… Uma Vida…Madalena Arrependida

 

Um fado… Uma vida…

 

Madalena arrependida

De tudo se arrependeu

Por meio mundo conhecida

Outro Mundo conheceu.

 

Se ela conheceu o mundo

O mundo a não conheceu

No poço desceu ao fundo

Com todo o mundo viveu.

 

No mundo com toda a gente

Toda a gente a conheceu

Mas encará-la bem de frente

Nunca isso aconteceu.

 

Mas aconteceu um dia

Um dia de acontecer

Foi suprema alegria

Que mudou o seu viver.

 

Seu viver e sua vida

Se mudaram num instante

Bastou um olhar de fugida

E a vida rompeu, de rompante.

 

De um Homem o olhar

Que bem no fundo a olhou

Lendo sua Alma a sangrar

A sua vida mudou.

 

E Madalena, arrependida

De vergonha se corou

Se lançou ao chão, estendida

E aos pés do Homem chorou.

 

Madalena, arrependida

De tudo se arrependeu

Por meio mundo conhecida

Outro Mundo conheceu.

 

 

Escrito em Junho 2003

Publicado em:

Boletim nº 63 de “Mensageiro da Poesia”, Nov. 2003

 

 

 

Alma de Poeta

Alma de Poeta

 

Tenho a Alma repleta

Deste sentir de poeta

Nesta enorme imensidão.

 

De tamanho oceano

Que se alarga cada ano

E me avassala o coração.

 

Desta Terra – Universo

Crescendo em cada verso

De Mercúrio a Plutão.

 

Deste cometa que passa

De prazer a dor e trespassa

Esta minha condição”.

 

Na minha tão grande Alma

Cabe a tormenta e a calma

Cabe o Mundo na palma da mão.

 

Escrito em 07/07/1982

Publicado em:

Revista “Família Cristã”, Junho 1987

Estórias que parecem mentiras…

Introdução

 

Vamos iniciar un conjunto de seis "estórias", que serão publicadas diariamente em pequenos capítulos.

Hoje apresentamos uma pequena introdução.

 

Estas estórias, como todas as “estórias do arco-da-velha”, foram escritas num tempo já passado, embora não muito distante, mais concretamente nos anos oitenta do século XX, que agora já parece tão longínquo, tal a voracidade e velocidade com que cronos nos devora os dias e as noites, no suceder do nosso dia-a-dia.

 

Já foram publicadas, em pequenos capítulos, em Boletins Culturais do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, em 2002, 2004, 2005, 2006, 2007, já século XXI e agora, tempos modernos, vamos dá-las a conhecer neste blog.

 

Quando publicadas no Boletim já aí lhes déramos algum tempero deste século XXI. Uma pitadinha de sal aqui, um grãozinho de pimenta acolá…

Agora nesta republicação, embora mantendo a estrutura e narrativa originais, tentaremos dar-lhes algum novo e pequeno aconchego, para que fiquem ainda mais saborosas. Usaremos a ortografia atual, pese embora o desacordo relativamente ao Acordo, mas como já o vimos utilizando há algum tempo, não nos parece já tão obtuso, apesar das reticências que ainda possamos ter no referente ao mesmo.

 

Vieram estas historietas dum tempo em que ainda havia escudos e notas de quinhentos e de mil e assim por diante e para trás, sendo que cada nota de mil escudos era designada por “um conto de réis”. Corresponde ao valor atual de cinco euros.

Será que ainda nos lembramos das notas de escudos e de contos com a efígie de Homens Ilustres do nosso passado histórico?! Ou já as esquecemos na voragem do nosso quotidiano de euros e cêntimos, o porta-moedas sempre cheio de unidades centesimais: um, dois, cinco… cinquenta cêntimos, uns quantos euros. Pretendendo lembrar-nos o nosso Primeiro Afonso, mas de uma forma tão abstrata, que não sei se alguém lá chega. Em contrapartida, presenteiam-nos com a imagem de reis de outros países seja da Espanha, da Bélgica, da Holanda…

E notas de pontes e arcos e arcos e pontes e arcos e… em verdade se diga que, hoje em dia e cada vez mais, as pessoas o que mais usam é o cartão de crédito!

Moedas e notas de Euros . Foto de F.M.C.L. 2014 

Pois estas histórias passaram-se ainda no tempo dos nossos velhinhos (!) escudos e contos, que provavelmente nós, os mais velhos, ainda não conseguimos esquecer completamente. Pelo menos quando calculamos mentalmente o preço de qualquer mercadoria, de valor mais avultado, e pretendemos comparar com outras compras que já tenhamos feito.

 

A personagem central destas estórias chama-se Odete, que já conhecemos de “Estória inverosímil”, historieta escrita já neste milénio e já publicada no blog.

 

Odete, nessa altura ainda não adquirira a condição de Dona, corria a Grande Cidade um pouco ao acaso, mas sempre com algum fim em vista. Finalidade nem a si mesma confessada, a maioria das vezes disfarçada por algum outro motivo plausível, razoável, que lhe permitia deambular pela urbe.

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