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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“Hospital Real” – 15º Episódio Television de Galicia - Comentários - Parte III

Série da RTP2

6ª Feira 18/09/15

Comentários

Parte III

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E não deixar de referir ainda…

 

No respeitante ao enredo… e também às personagens

 

Este enredo, neste décimo quinto capítulo, enredou-se bastante, devido aos desempenhos e ações de alguns personagens.

Para esse facto muito tem contribuído Duarte. Ao fazer-se passar por Doutor Alvarez de Castro, roubando-lhe a identidade em dois momentos da narrativa, cria situações problemáticas a várias personagens, nomeadamente ao próprio roubado.

 

A partir da certidão de nascimento do filho de Alicia e Cristobal, e que se chamava Martiño, mas que só agora o pai teve conhecimento, conseguiu que este se desentendesse com Rosália. Lembramos que Duarte soube do segredo de Alicia, quando a ouviu em confissão, como se de clérigo se tratasse. Pelo que a sua ida à paróquia de Santa Susana, a falar com Padre Manuel, já fazia parte dum plano….

Cristobal, na posse dessa certidão, confrontou Alicia sobre o facto de ter sido ela que a obtivera e colocara no quarto de Rosália.

Aquela completamente desconhecedora do facto, negou e supos ter sido Dona Úrsula que diligenciara nesse sentido e, sem mais delongas, a ela se dirigiu e, no calor da discussão, logo a ameaçou de dar a conhecer a situação desta com os Dominicanos, pois juntamente com Duarte haviam lido a carta que a Enfermeira Mor lhes enviara.

Foi como dar-lhe veneno a beber! Nunca víramos Dona Úrsula tão exaltada, tão fora de si, tão extravasada de emoções, que quase matou a jovem. O assunto em causa é sobre algo que mexe completamente com ela, no mais profundo do seu ser, ao ponto de ter deixado a sua postura seráfica, estátua ausente de sentimentos, que se move nos corredores e enfermarias, entre doentes, como se visitasse museu de cera…

Atirou ao rosto de Alicia tudo o que haviam feito por ela, que a haviam tirado da rua onde vivia e se entregava por um naco de pão. Que voltaria à rua, de onde nunca houvera de ter saído, que seria expulsa do Hospital, logo que o Administrador resolvesse abrir os portões.

O que logo que aconteceu, foi vê-la carregando a sua trouxa, com os seus pertences, na direção do portão de saída, sem lugar ou rumo a seguir, sem eira nem beira, nem dinheiro que Cristobal lhe quisera oferecer, que não queria esmolas e o dinheiro já viera alguns anos atrasado.

 

Dona Úrsula, torre preta, foi confrontada pelo Inquisidor, Dom Gaspar Somoza, bispo preto, que também quer depor o rei branco, pelo facto de ter na sua posse o original do tão célebre testamento do Padre Damião, que bastantes voltas já terá dado no túmulo, quantas o testamento tem volteado nos episódios. Que Somoza já encostara Dona Elvira à parede, que isto de um bispo querer ser Rei tem que se lhe diga. Que Dona Elvira fora a mão executora e Dona Úrsula a mão indutora do crime, pois mexer com a Santa Inquisição tem muito que se lhe diga e termos técnicos próprios de designação dos crimes. E, à partida, bastava ser suspeito. Era-se desde logo criminoso e, sendo ou não sendo, havia sempre maneira de o provar, para isso havia os suplícios. E não havia crime sem castigo e mesmo sem crime sempre se arranjava castigo. Que o dissesse o Padre Bernardo, que nada fizera, só não revelara um segredo de confissão.

 

E já que falamos de Padre Bernardo, que no tabuleiro poderia ser visto como bispo branco, mas agora de pouco valia porque decidia como preto, condicionado a Somoza… Ou seria antes um peão?

E o Padre Damião, enquanto vivo, não teria sido o bispo branco? Não esqueçamos, que na narrativa, o Arcebispo só apareceu mais tarde! Bispo branco que também foi comido, nas jogadas de poder do rei preto, assassinado pelo peão Duarte.

 

E ainda sobre Bernardo… Foi ele portador da carta de Aníbal, paciente que falecera no Hospital e que, no leito de morte, escrevera a célebre carta dirigida ao Doutor Sebastian Devesa, que erradamente fora parar às mãos de Úrsula, que a entregou a Somoza, para incriminar o Padre. E que o levou à prisão de que, há pouco, saíra.

E saíra e trouxera uma cópia dos ditos da dita carta, que ele transcrevera de memória, com a sua própria letra, pois que Somoza lhe dera o original a ler, para que lendo ele dissesse a quem ela se destinava na verdade. Só que ele não lhe revelara o nome proscrito, embora soubesse quem era, porque o ouvira em confissão, na qual se escudava para manter o segredo. Pagando com isso os costados na prisão. Que ele além de Homem de Honra era ungido e juramentado de Sacerdote.

E entregando a cópia dessa famigerada carta a Doutor Devesa e deixando-o a sós na Igreja, para que este a lesse para si próprio, este a leu alto, para que também ouvíssemos as palavras que nela estavam escritas, com o punho de Bernardo, pois também estávamos curiosos. E para que passados mais de dois séculos, pudéssemos também ajuizar da gravidade ou não de tão afamadas palavras, capazes de levar um Homem à prisão, condenação antecipada e fogueira do Santo Ofício.

Pois ouvida a leitura da carta, mas não retidas todas as frases, porque a memória nos atraiçoa, mas nos recordamos que genericamente continha só e apenas palavras formando frases bonitas, de um Amigo para outro Amigo, expressando-lhe o seu sentimento de Amizade, uma amizade mais forte e apegada, de que se subentendia o Amor.

E lendo, Doutor Devesa chorou. E das frases ditas me lembro de uma “… Uma vida arrebatada pela incompreensão…”

E, será pecado amar Alguém?! O próprio Jesus o disse dirigindo-se aos seus Apóstolos. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!”

 

E sobre Doutor Sebastian Devesa, nos quedamos por aqui. Que ele anda atarefadíssimo nas suas funções de médico do Hospital Real de Santiago de Compostela, aonde chegaram dezenas de estropiados e feridos, moribundos e mortos, queimados vivos, tal qual ele teria sido se tivesse sido denunciado por Padre Bernardo. Provenientes da explosão havida no armazém de pólvora seca da Cidade Compostelana.

Não lhe bastariam já os doentes do mal que desconheciam o nome, bem como a cura, que é isso que o médico precisa saber; mas que inoculando transfusões de sangue da ama primeiramente atingida pela doença, constataram que nem todos morreram, alguns sobreviviam, que Doutor Daniel já lhe dissera. O que não sendo, per si e desde logo, conclusiva esta constatação, nos mostrava haver já algum avanço na Medicina e na Ciência, que aos poucos progrediam.

 

E permanecendo no Hospital e na enfermaria, cheia de doentes, olhamos agora para a nossa querida Olalla, a mocinha e heroína da história, aflitíssima com tanta gente precisando de ajuda, que as enfermeiras não tinham mãos a medir.

De entre a muita gente que chegava ao Hospital, nem todos eram feridos, também vinham familiares procurando por eventuais doentes seus e veio também o Capitão Ulloa, que não chegara a ir para a frente do Rossilhão, porque ficara na busca dos rebeldes de Laurier, que haviam despoletado a explosão, que eles isso mesmo comunicaram através de um bilhete, não foi por vídeo, que ainda não havia essa tecnologia, mas, pelos vistos, também conheciam os métodos de guerra psicológica.

E o Capitão também veio, para também ver a mocinha, por quem também era apaixonado, que para a heroína nunca faltam candidatos a heróis, mas também viera para lhe dizer que, entre os feridos com gravidade, estaria o seu irmão Breixo, que fora encontrado no próprio local da explosão.

E entre palavras e ações, a tranquilização de Dom Andrés para Olalla, de que fariam todos os possíveis por ele e ela que fosse para junto do irmão, que o ajudasse, lhe dissesse tudo o que havia para dizer, palavras também de Ulloa, pois supostamente Breixo iria morrer.

 

E nesta confusão de palavras e sentimentos, de atos e ações, não posso deixar de realçar uma sugestão de Padre Bernardo, sobre a forma de operacionalizar o modo de lidar e gerir o tratamento dos feridos.

E, como?! Colocando uma fitinha colorida em cada um dos doentes, de acordo com o respetivo grau de gravidade. O designado “Método de triagem de Manchester”, antes de tempo. Que era um dos méritos do Hospital, antecipar-se ao progresso e avançar cientificamente!

 

E Olalla foi para junto de uma cama onde estava um doente quase totalmente queimado, rosto irreconhecível, tapado por ligaduras, e supostamente seu irmão Breixo, a ele se dirigiu, o consolou, lhe disse o que achou ser importante dizer nessa hora atormentada e aí se deixou ficar, chorando.

Posteriormente, já mais consolada, por acaso, encontrou o seu amado Daniel, que o Destino assim quer e como haveria de ser se trabalham no mesmo Hospital, que não é nenhum Santa Maria ou São João, pois haveria de ser, se isto se passou há mais de duzentos anos!?

E Daniel não perdeu tempo e lhe disse que a amava e se beijaram, quando a sua esposa, Clara, chegou e os viu, ficando enraivecida, chamando mosca morta a Olalla e foi quando ela disse ao marido, Daniel, que ele iria ser pai. Mas isto já contei anteriormente e não volto a esse Caminho!

E terá sido também daí que ficou com raiva a Olalla e, quando esta estaria descansada no muro da escadaria, a empurrou e ela caiu no lajedo e Duarte lhe foi pegar, levando-a.

Aparentemente morta, mas eu estou em crer que não, pois assim se fecharia uma porta importante no enredo, pois como me referiram num comentário, com os protagonistas mortos, a série perderia completamente o interesse. O que é inteiramente verdade.

Mas eu estou convicto que nenhum deles morreu. Os guionistas apenas nos quiseram induzir nessa sugestão.

E, mesmo agora, li outro comentário em que me dão conhecimento que a 2ª temporada vai estrear na Galiza no Outono e que os protagonistas não terão morrido.

Pois é mesmo assim que eu também acho, que os guionistas devem dar seguimento à Série e ouvir ou ler o que dizem os “fazedores de opinião” das redes sociais.

E Muito Obrigado a quem tem a paciência de ler o que escrevo e ainda comentar!

 

E com este remate, proponho-me findar este comentário enviesado, mas sem antes também lembrar que não valia a pena tanto desconsolo de Olalla, porque o seu irmão, Breixo, supostamente quase morto na explosão, afinal não morreu, que nós o vimos posteriormente na Cidade. E mais uma vez o Destino teceu a sua teia na narrativa, e fez com que ele se cruzasse, melhor dizendo, esbarrasse com o Alcaide Mendonza, que o vinha procurando insistentemente, que isto como se diz, “quem procura, acha”, só que Mendonza procurando e achando, afinal não achou e mesmo dando um encontrão em Breixo, não o encontrou.

Porque Mendonza, agora, também era procurado, porque os homens do Arcebispo, procurando na sua casa, encontraram, acharam a máscara do assassino, em Série, “serial-killer”!

 Ver também, S.F.F. Parte I aqui e Parte II aqui

E aguardemos a próxima temporada da Série!

Afonso III de Fonseca in wikipedia.jpg

 Afonso III de Fonseca está pensativo sobre se há-de ou não apoiar, enquanto mecenas, a continuação da Série.

 Nota Final: A imagem inicial representa São Tiago, na fachada principal da Catedral. In Andarilho de Andanhos. Cortesia de Tamara Junior

Hospital Real” – 9º Episódio

Série da RTP2

5ª Feira, 10 de Setembro

 

Prólogo

 

Antes de escrevinhar alguns comentários sobre o nono episódio, devo, antes de tudo o mais, enquadrar algumas palavras neste breve prólogo.

Prologuemos então.

Estimado/a leitor/a,

Quero agradecer-lhe a amabilidade em visitar este blogue, a gentileza em percorrer os posts que nele vou colocando. As suas leituras muito têm contribuído para que as visitas e visualizações deste “canal de comunicação” tenham crescido substancialmente. Relativamente ao contexto em que se insere, claro!

Espero que aprecie os textos, que se divirta e que tire algum proveito dos mesmos.

Não tenho qualquer pretensão com o que escrevo. Apenas transmitir algumas opiniões, tecer uns breves comentários. E, sinceramente, desenvolvo esta atividade com gosto e por gosto! Sabendo que há quem leia, ainda me dá maior satisfação.

Pois continue lendo. Desejo que ganhe gosto a estas leituras. E que continue vendo a série.

E o meu sincero muito obrigado!

 

in thegypsynomads.com catedral santiago.jpg

 

Desenvolvimento

 

E prossigamos, então, para alguns comentários sobre a Série e o Episódio 9, de 5ª feira.

 

O desenrolar desta série não deixa de nos surpreender. Quando julgamos que vai terminar e o enredo se vai desenrolar, lá aparece outro nó na trama.

Ontem equivoquei-me, pois na 4ª feira vira mal a programação e supusera que na 5ª feira, ontem, haveria dois episódios e deste modo finalizariam a série. Erro meu… e o meu pedido de desculpas.

 

Que eu já estou ansioso não que ela termine, que as temáticas nos prendem ao enredo, mas por saber o final.

Se fosse livro, já o tinha lido todo. Como quando leio determinados romances, como já referi em post anterior, no respeitante a Jorge Amado.

 

Mas esta pequena novela tem algumas características que no-la tornam muito apelativa.

À partida é uma série histórica, pelo que se me torna desde logo e, à priori, apetecível. E, neste aspeto, é impecável, reconstituição exemplar do tempo histórico a que se reporta. Inclusive com o cuidado de nos ir situando nos momentos cruciais. Ontem, soubemos que a Espanha já estava em guerra com a França. Guerra de que já falámos em post anterior. Logo, a ação que ocorria nos primeiros meses de 1793, já foi também precisado o mês de Fevereiro, agora estará a processar-se na 2ª quinzena de Abril de 1793.

Num cenário de Guerra, o que altera completamente as vivências e o quotidiano das personagens. O Hospital já reuniu o respetivo Conselho, na sequência do conhecimento que o Administrador teve dessa declaração de Guerra, por meio de carta enviada diretamente do Rei, através de um emissário militar.

Militares que agora passam a ter um papel mais importante na narrativa, para além do que já desempenhava o nosso célebre Capitão, mas o desempenho deste, até agora, resumira-se apenas a outras lutas, que não as militares, nomeadamente o ferimento que o levara ao Hospital, nada teve a ver com Guerras. Só as de alcova.

 

E abrimos já duas vias neste pequeno excerto: falámos do Conselho e do papel dos Militares na narrativa…

 

No concernente ao Conselho, presenciámos a respetiva constituição: além do Administrador, o Cirurgião Mor, o Capelão Mor, Dona Irene e o Inquisidor e a Enfermeira Mor.

Surpreendeu-me não ter visto o Alcaide. Não pertencerá? A sua função será outra? Ou terá ido buscar o dinheiro do desfalque que fez?! Pois, sinceramente não sei!

Os jogos de Poder decorreram em cenas de momentos seguintes, nos corredores e meandros do Hospital.

O Inquisidor pressiona o Capelão, situando-o na sua verdadeira missão ali: agir no sentido de que o Inquisidor venha a ser o Administrador!

Por sua vez, faz um jogo tático com Dona Úrsula… é um verdadeiro jogador de xadrez, cerebral, no xadrez e campo de luta da política hospitalar.

 

Don Manuel de Godoy in lavozdegalicia.es.jpg

 

E tomando o rumo dos Militares… Quem foi para o xadrez, por enquanto apenas no Hospital, foi um soldado, cuja arma se disparou ou que ele fez disparar na mão esquerda. Em tempo de Guerra, tal procedimento, quando propositado, tem sentença de morte: a forca.

Que será, provavelmente o destino do imprudente soldado, que na ânsia de perder dois dedos com o disparo, com medo a perder a vida com os disparos na Guerra, acabará, provavelmente, por se finar, mas numa morte considerada desonrosa para si e família.

Foi submetido a julgamento, no próprio Hospital, que é autónomo jurisdicionalmente no respetivo espaço e contexto institucional. O Administrador considerou não haver provas suficientes de que o jovem militar agira propositadamente, mas o Oficial Militar, presente como membro do Júri, teve opinião contrária.

Pelo que o rapaz será condenado à forca, após estar curado.

 

“Então vamos mandá-lo para a morte depois de o termos curado?!” Interrogou a nossa mocinha, enfermeira ingénua, Olalla.

E fica esta questão como ponto de reflexão sobre a Guerra, sobre o sentido de todas as Guerras.

 

E pegando na deixa, Olalla… esta e o seu amado já avançaram bastante, no seu próprio quarto, no que de Amor se trata, mas por enquanto ainda se ficaram apenas por preliminares, valeu-lhe a sua própria sensatez! Que ela é uma verdadeira mocinha!

Já o seu amado, Daniel, o herói, resolveu armar-se em cow-boy e teve honras de abertura deste nono episódio, numa cena de pugilato, numa taberna dos subterrâneos de Santiago, para onde fora levado por Duarte, para afogar o desgosto pela morte da, agora, sua esposa, Clara. Enraivecido pela sua impotência enquanto médico, na incapacidade de salvar uma vida, quase matou, de raiva, o seu opositor. Valeu-lhe Duarte!

“… na nossa profissão, temos que nos habituar a conviver com a Morte…”, já o alertara o Cirurgião Mor, seu mentor, quase Pai espiritual. Que também lhe lembrou a importância das suas mãos, na profissão que exerce.

 

E a narrativa direciona-nos para o assunto com que queremos finalizar… mas aguardemos ainda.

 

Voltemos ao quarto de Ollala e da sua colega Rosália, enfermeira Castelo.

O quarto agora transformado em alcova…

Pois a enfermeira Rosália, mais expedita, não se ficou apenas pelos preliminares com o seu boticário…

E se ela já andava sempre meio na lua, agora ficou totalmente de olhar vagueando no espaço sideral.

 

O boticário tem também outras evasões, quem as não tem (?), mas tenta libertar-se da sua dependência do ópio.

 

Dona Irene descobre, sim, ela tomou consciência disso a pós a consulta com Doutor Daniel, apercebe-se que está grávida.

E, imagine-se, naqueles tempos de tantos preconceitos, uma senhora da sua condição, viúva, ficar grávida…

E cumulativamente resultante de uma violação, de que apenas ela tem conhecimento e também o seu bom amigo, Dom Andrés, para além de Dona Elvira, que presenciou a cena, que ocorreu no seu palácio e na sua mesa da sala!

Imagine-se a bomba, quando se souber… Numa sociedade tão recheada de tabus, falsidades e aparências.

Aguardemos como este assunto irá ser abordado.

 

Que outro aspeto enriquecedor nesta série é a forma como vai apresentando várias temáticas, sempre num contexto de época. Há certamente um trabalho de pesquisa prévio muito relevante.

Veja-se como nos apresenta os problemas do exercício da Medicina, agora a problemática da Guerra nos seus reflexos na Sociedade…

 

E ainda sobre personagens, Dona Elvira de Santamaria e Dona Úrsula.

Já foram episodicamente aliadas, agora definitivamente inimigas. Que Dona Úrsula já avisara que sempre cobra as dívidas. Mas não sabemos quem deve mais a quem, ou quem tem mais a temer.

Duas mulheres, no mesmo tempo e espaço ficcional, pertencentes a duas Classes Sociais distintas, mas poderosas na altura, uma da Nobreza, ainda que falida, a outra do Clero Regular, cada uma usando as armas de que dispõe, sempre tecendo e enredando a narrativa, pelo lado da malvadez. Harpias, que não se limitam a profetizar, mas agem condicionando e dirigindo a narração, no sentido que pretendem: o seu benefício pessoal, o seu egoísmo, os seus apetites, a sua fome de poder e influência, a fome que se avizinha com as guerras que se aproximam. Recorrendo a táticas e estratégias diversas, mas sempre com uma metodologia comum: pisar os outros, especialmente os mais fracos e indefesos; bajular os ricos e poderosos, mas apunhalando-os pelas costas, sempre que possível.

 

E, julgo que, agora, finalmente, vamos ao cerne do episódio.

 

Enquanto todos estes acontecimentos decorriam e os que eu não relatei, porque de todo não me é possível, Clara, a jovem que padecia de doença psíquica, incurável, que sofrera um ataque de epilepsia, provavelmente provocado pela bebida de estramónio que a “Dragão”, bruxa má e malvada, lhe dera, Clara, dizia, jazia no esquife, na Capela do Hospital.

Velada pelo pai, por Dona Irene, pelo marido, Dom Daniel, não sei se por mais alguém, que não vi e nem sempre foi possível estar gente a velar o seu corpo defunto.

Enquanto todos estes acontecimentos aconteciam, se desenrolavam intrigas e conluios nos corredores, nas enfermarias os doentes padeciam, os amantes se enrolavam nos quartos e escadarias do Hospital, e nas respetivas salas se discutiam assuntos nobres e se sabia de Guerras que aconteceriam nos Pirinéus, lá para a França e na taberna galega se guerreavam dois homens enraivecidos pelo Destino, e Dona Irene desmaiava e vomitava; enquanto tudo isto acontecia, Clara Osório, permanecia imóvel no seu esquife, uma quase santa, na Capela Real do Hospital de Santiago de Compostela, na Galiza, uma das Pátrias de Espanha e  irmã de Portugal, aguardando que a Morte chegasse e a viesse buscar.

Só que a Morte tardou… Não chegou. E não a veio buscar!

E a jovem doente e que fora prometida e agora já não era, porque sendo noiva se casou… a jovem Clara, não morreu!

 

 

 

 

Muito Obrigado!

Anteontem, dia 17 de Fevereiro, plagiaram-me o "post": 

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/borgen-21629

BORGEN clip_image002.jpg

 

Ontem, dia 18 de Fevereiro, a equipa dos blogs SAPO, destacou-me o "post":

 http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/syriza-e-icaro-20653

 

View_of_the_Acropolis_Athens_(pixinn.net).jpg

 

Muito Obrigado!

Ainda que, dado o conteúdo, a temática, a forma e os objetivos por que escrevo, não sejam sempre enquadráveis em "destaques", ou talvez não, não sei, todavia é sempre gratificante reconhecer o interesse dos Outros. Por isso é sempre agradável receber um destaque. De novo, obrigado!

 

Quanto ao plágio, acaba por ser uma manifestação de interesse, ainda que concretizada de forma errada.

 

Então... Até ao próximo "post", em que vou prosseguir com o tema que iniciei dia 16.

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/memorias-paroquiais-24934

 

 

 

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