Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Um Poema de Despedida!

“REQUIEM  PARA  UM  IRMÃO”

 

“Partiste

Assim como um suspiro, folha de árvore que cai

Alguma aragem, tão livre, como a natureza quis.

Olha, irmão,

Por aqui, o mundo gira igual, louco, caótico e indiferente.

O sol volta a pôr-se magnífico em fogo, lá no horizonte

Há vidas que hoje se te vão juntar e amanhã

Sempre a vida brotará de outros seres e haverá novo sol.

Perdeste o respirar, o olhar, a magia desta Primavera

Saberás de nós nesse outro lado? Como tudo é insondável!

E assim nos deixaste sem queixas, sem remorsos, como um guerreiro.

Onde estarás agora?

As tuas coisas, os teus objectos estão iguais no seu canto

Mas não são mais os mesmos sem ti

E esperam, esperam, sem jeito.

No bosque dos meus afectos sinto-te mais perto

O rio escorre seus murmúrios e continua

Com as libélulas, os peixes, os minúsculos insectos

Tudo no seu ritmo natural de sempre.

Flores selvagens, os pequenos algodões e os fulgores.

É primavera, as aves cantam e tudo mexe,

Há sinais ao redor, há perfumes, há rastolhadas,

Seres da terra de que não sei o nome

E por vezes o vento, nas ramagens,

Que tudo agita e tudo harmoniza.

Olha, meu irmão

Oiço o Réquiem de Mozart e deixo-me sucumbir

É tão belo, é tão triste, tão fora deste mundo

Como tu estás, agora!

Se por alguma razão que não sei

Se por algum profundo mistério

Se também tu estiveres a ouvir…

Será, será que também te comoves?”

 

ROLANDO AMADO RAIMUNDO

24 DE MAIO DE 2020

*******

Foto original. Portalegre vista do Passadiço. 2019. 05.jpg

 

Voltamos à Poesia.

 

Como algumas vezes neste blogue, um lindíssimo Poema de Despedida. Também tenho alguns meus escritos e aqui divulgados, acenando Adeus a Pessoas que nos são queridas. Também de outras pessoas.

Muito bonito, este Poema.

 

De Rolando A. Raimundo, também sócio do CNAP – um dos organizadores e participantes nas Tertúlias do Círculo. Também um dos colaboradores do Boletim Cultural, tal como D. Olívia, Alma Mater do Círculo, ativa divulgadora e promotora da Cultura ligada à Poesia e Artes; António Diniz Sampaio e Luís Filipe Soares, sócio nº 1 e fundador da APP, organizador e dinamizador das Antologias de Poesia, das Maratonas e outras atividades culturais, nos anos oitenta do séc. XX.

 

A divulgação deste Poema insere-se num dos propósitos deste blogue que é a divulgação de Poesia de “Outros Poetas e Poetisas”! Desiderato bastante bem documentado, com Poesia. De elementos da APP, do CNAP, de “Momentos de Poesia”, da SCALA; de Pessoas de Aldeia da Mata.

 

Poucos blogues, ou nenhuns (?), neste universo (digital), realizam ação igual ou semelhante.

Eu também agradeço a amabilidade de todos os participantes, que desse modo também engrandeçam este universo particular e específico de Aquém Tejo.

 

(Foto? - Original de Cidade de Régio, vista do "Passadiço".)

“Em Casa D’Amália” – Tertúlias semanais na RTP1

Fado – Poesia - Cultura

Fafá de Belém, Waldemar Bastos, Dany Silva - André Dias e Bernardo Viana

Apresentação de José Gonçalez

 

 

Foto Original. 2019. 05.jpg

 

Programa da RTP1, tertúlia transmitida às 6ªs feiras, à noite. Na passada sexta, dia 19, já o nono programa. Em semanas anteriores, algumas vezes visualizei excertos do programa. Neste último, face aos tertulianos presentes, deixei-me, em boa hora, levar na onda. Quando e onde podemos ouvir, assim numa assentada, Fafá de Belém, Waldemar Bastos, Dany Silva, acompanhados por André Dias e Bernardo Viana, dois jovens músicos, engrandecendo a tríade de cantores?! Dany e Waldemar também executantes.

 

Num jeito muito informal, apresentação de José Gonçalez, precisamente na Casa de Amália, à Rua de São Bento, na sala, deduzo eu, bem bonita, por sinal.

Programa, homenageando a Diva do Fado, recriando, de certo modo, as tertúlias que Amália promovia na sua própria casa. Neste programa foi precisamente lembrada a célebre tertúlia em que participou Vinícius de Morais, também Ary, Natália Correia, David Mourão Ferreira, em 1968, génese de disco editado em 1970: Amália – Vinícius.  

 

Programa excelente! Parabéns aos participantes. E Obrigado pela beleza de Música e Canções que nos trouxeram.

 

E que saudades tenho das tertúlias. Das Tertúlias de Poesia, confinadas, com esta coisa do Corona!

 

Da APP – Associação Portuguesa de Poetas. Na sede, aos Olivais; no Vá – Vá, na Avenida de Roma. Ambas em Lisboa.

Do CNAP - Círculo Nacional D’Arte e Poesia. Ultimamente no Café Império. Anteriormente, ao Centro de Dia de S. Sebastião da Pedreira. Também em Lisboa.

De “Momentos de Poesia”, no Café José Régio, antigamente “Café Facha”, em Portalegre.

Da SCALA – Sociedade Cultural das Artes e Letras de Almada, na Sede – R. Conde Ferreira – Almada Velha ou na Oficina de Cultura, no centro de Almada.

 

E.. Viva  a Poesia! Viva o Fado! Viva Amália!

 

E novamente parabéns a todos os participantes e organizadores do Programa da RTP1, supramencionado.

Cinco Estrelas!

Confinamentos e Mensagens Contraditórias!

Começou o Verão, no sábado passado, dia 20 de Junho. E o calor… e os fogos!

 

Continuamos com a Covid, que não há meio de nos largar.

 

Ontem, 2ª feira, dia 22, o Senhor Primeiro Ministro anunciou o retomar dos “confinamentos”, nalguns dos concelhos da Grande Lisboa, após reunião com os respetivos Autarcas: Lisboa, Sintra, Amadora, Loures, Odivelas.

Finalmente, diria eu!

 

Medida incongruente, que acaba por passar, novamente, uma mensagem dúbia e contraditória. Dado que se centra num contexto espacial, em zonas urbanas de grande densidade populacional e interligadas. Nalgumas regiões, numa rua ou avenida de um concelho “confinado”, segue-se imediatamente essa mesma rua ou avenida em concelho “não confinado”.  Basta dar dois passos e os normativos são completamente diferentes. Não faz sentido. Não há uma coerência comportamental, uma mensagem clara e precisa. Vai tudo continuar “ao molho e fé em Deus”!

Ademais, pelo que li, essas ações de confinamentos contextualizam-se em freguesias! (?)

A mensagem deve centrar-se na possibilidade de contágio pelo corona, probabilidade de aumentar em função dos contactos estabelecidos.

Tem que haver muita, muitíssima responsabilidade das pessoas, de cada pessoa, a ação de cada um tem reflexos, consequências, nos outros.

 

Por isso, Caríssimos, mantenham-se calmos, não desconfinem demasiado.

Já basta o que temos que fazer impreterivelmente, o que não podemos adiar…

Quem tem que andar em transportes públicos, nomeadamente comboios e metros da Grande Lisboa, continua sardinha em lata, na hora de ponta?! (...)

 

Hoje, 23, é véspera de S. João. “S. João, S. João, dá-me um balão…”

Jogam Porto e Boavista…

Seja qual for o resultado… Não façam manifs!

Há que escolher o Caminho certo!

Foto original. Percurso pedestre. 20190520. jpg

 

 

Até logo… ainda gostaria de enviar outro postal, hoje.

 

Saúde para todos/as!

Futebol – “Champions”: Tapar o sol com a peneira!

Que viva o futebol! Isto é uma assombração! Futebol é arrebol: Areia para os olhos!

 

Que maravilha, princesa ervilha. A “Champions”, a final, em Portugal. Que bestial! É a salvação nacional. Não ligas a futebol?! É arrebol?! Não és bom português! Só tu não vês.

 

A Liga dos Campeões, a Taça dos Campeões Europeus, cá prós plebeus. Dá direito ao regozijo institucional, dos Altos Representantes da Nação. É quase uma assombração.

 

Em Lisboa! Que importa a Covid aumentar?! A Champions nos vai safar. A Grande Lisboa, o Corona a exportar?! Para locais improváveis?! São, da ciência, imponderáveis!

 

É, também, a irresponsabilidade das pessoas. É! A falta das zaragatoas. É! Culpa do Povinho, do Zé. Também é. Cada ação individual tem reflexos no geral. Porque tem! Mas não convém.

 

Festas e festarolas?! Manifs e manifs?! Venham os “bifes”. Turista está a vir. Fronteiras, abrir.

 

E os Bancos, aos solavancos?!

 

E o Algarve vai fechar?! E onde me vou banhar? Que o Verão vai chegar.

 

Que outros países nos ponham no vermelho?! Isso é dor de escaravelho. “Nós somos o melhor destino do mundo”. O resto é poço sem fundo.

 

E os das festas promotores vão ser indiciados? Isso é justo. São mais que culpados. E quem lá vai não é?! Quem paga é o Zé!

 

A situação está mais que controlada. Dizem os DDTs, para a manada!

 

*******

 

Hoje, deu-me para escrever assim. Tem sido uma semana muito stressante, apesar das coisas, por enquanto, terem corrido melhor do que temíamos.

 

Tenho alertado para as “desconfinaçõesapressadas e vejo coisas tão assombrosas! Surgir o “bichoonde nunca esperei ou imaginei.

 

E, esta do futebol, da “Champions” em Lisboa! É atirarem-nos areia para os olhos. Tapar o sol com a peneira!

O Poder instituído acaba por passar mensagens contraditórias!

 

Mas cada um de nós tem a obrigação de ser responsável. Ações individuais têm reflexo no coletivo.

 

Prémio aos profissionais de saúde”?! Mais trabalho e aumentarem-lhes os riscos, é que é.  

 

Saúde para quem está doente. Melhoras! Mas mantenham-se confinados, como é vosso dever!

Desconfinamento(s)?! ?!

Uma salganhada de Covid’s!

 

Não sei se estes desconfinamentos sucessivos, face à Covid 19, estão ou não correlacionados com o aumento de casos, principalmente na Grande Lisboa e mesmo noutras zonas, embora de forma menos expressiva. (Alguém saberá?!)

 

O que sabemos, todos, é que não há, atualmente e ainda, uma cura para esta doença, nem uma vacina que, à priori, a previna. E porque demora?!

 

O que nos dizem as entidades responsáveis, tanto nacionais como supranacionais, é que as ações preventivas e inibidoras da propagação do vírus, passam, entre outras, por higiene, muito especialmente das mãos, nas nossas atividades diárias; pela “contenção e distanciamento social”; pelo uso de máscara, em locais públicos, medida tornada obrigatória, desde que passou a havê-las disponíveis no mercado. (…)

 

Também sabemos que algumas das informações, que nos têm sido prestadas, têm variado um pouco. Conforme as circunstâncias, à medida das situações evolutivas, a partir do conhecimento que foi sendo adquirido, com o evoluir pandémico e os ensinamentos provenientes dos diferentes países e das respetivas ações face à situação. Uma aprendizagem um pouco por tentativa e erro, comum à maioria dos aprendizados humanos, em situações novas!

 

Por vezes, informações algo contraditórias. Apesar disso, prefiro acreditar nas informações oficiais. Precisamos todos de nos sentirmos seguros dessas informações.

 

Independentemente desse aspeto de confiança, tenho expressado a minha discordância de algumas das atitudes, decisões, sugestões, das nossas entidades superiores, apesar de, globalmente, pelo menos na fase inicial, ter concordado com as mesmas.

 

A minha maior discordância tem-se centrado no desconfinamento, que julgo apressado. De repente, tenho observado pelos mais diversos locais e localidades, que “anda tudo um pouco ao molhe e fé em Deus!”.

 

Todos temos plena consciência que é imperioso e urgente “reativar a economia”. Sim, mas muito especialmente nos setores fundamentais e sempre, mas sempre, com segurança, pessoal e dos outros. Cada um é responsável por si mesmo. Mas tem que pesar o reflexo das suas atitudes e comportamentos, face às outras pessoas.

 

Há ações, que neste enquadramento, deveriam pura e simplesmente não ser realizadas.

As manifestações, repito! Sem desconsiderar a respetiva relevância e motivações.

 

Não concordei com a forma como foram evocadas datas fundamentais: 25 de Abril, 1º de Maio, outras manifestações realizadas, umas com mais ordem e estruturação, outras mais desordenadas. Nem com algumas festas futuras (Avante, por ex.)

 

E que dizer da “atuação” dos nossos “Representantes Máximos”, em “ações pedagógicas”, fosse nas idas à praia, na degustação restaurativa, na fruição de atividades culturais, em locais icónicos e espetáculos na “moda”?!

Achei, sinceramente, atos supérfluos.

E que dizer dos convites oficiais, publicitados via TV, à vinda de pessoal para Aquém Tejo?!?!

 

Pese embora as intenções tivessem sido de passar uma mensagem de confiança, de abertura, uma certa pedagogia positiva na atuação geral das pessoas para o seu dia-a-dia… (Digo eu, que ninguém me encomendou sermão.)

Questiono, se toda estas ações e face à necessidade que todos sentíamos de sair do “confinamento”, não terão levado ao extravasar de saídas da população para tudo quanto é sítio, a este “desconfinamento” exagerado a que assistimos.

 

E o futebol?! Valeu a pena tanta pressão para a retoma?!

Tanta ganância! E logo na 1ª jornada, os “quatro grandes” meteram o pé na argola. Alguns ainda emendaram o perdido. Mas o Benfica! O Benfica…!

E depois aqueles incidentes… Que não são adeptos… são criminosos!

Uma melhor distribuição da riqueza gerada, dos prémios auferidos. Ordenados menos opulentos. Muitos clubes vivem numa bolha de dívidas astronómicas! E as ligações futebol / politica – política / futebol?! Politiquices!!!

 

E a saída do Senhor Ministro das Finanças?! Relacionada com a Covid?!?!

E todos estes dinheirames, que vão para aqui e para ali, que reflexos irão ter nas nossas vidas, já tão sobrecarregadas de alcavalas diversas e variadas?!

 

E os Bancos? Injeções monetárias, neste, naquele… Sem lucros?! Tantas comissões!!!

 

E deixem as fronteiras ainda em paz! E o turistame!

E as praias?! (…)

 

Se há algo que esta pandemia trouxe à superfície mediática, foram as profundas desigualdades existentes nas diversas sociedades e contextos!

 

Ricochetes de Covid?!

Padre António Vieira?!

 

Quando publiquei o postal “Passeio Virtual por Cidades… e Aldeias”, em Maio, fi-lo precisamente porque estava e estou, farto de Covid. E quem não estará? Escrever sobre o dito cujo ainda me saturava e satura mais.

 

Entretanto passaram-se tantas coisas e qual delas mais estranha.

O “desconfinamento” atingiu proporções, a meu ver, exageradas e não só em Portugal.

 

Manifestações, de motivações justas, mas que descambaram em efeitos injustificados.

Em Portugal, as ações têm sempre uma escala proporcional à nossa dimensão. Alguns cartazes despropositados.

 

Nos States, após aqueles descalabros, previsíveis, dadas as assimetrias gritantes entre estratos populacionais, acentuadas pelos efeitos de Covid; na Velha Albion, onde a Covid também tem feito grande mossa; inépcia e incoerência dos respetivos governantes, em ambos os estados anglófonos, deu-lhes, aos manifestantes, para derribarem e apearem estátuas. (Não haviam bastado os talibans!…)

Sem qualquer sentido.

Porque, reflita, SFF. Que seria da América se não tivesse havido Colombo? Ou de Inglaterra sem colonialismo(s)? Onde estariam esses sujeitos a quem lhes dá esses amoques?! Existiriam sequer, enquanto seres humanos?!

Porque se fossem os contestatários, ameríndios nos States; ou os anglos, ou os saxões, ou os celtas, em Inglaterra, ainda se perceberia… mas sendo quem são, que seria dos ditos se não tivesse havido todos esses horrores, que de facto foram: escravatura, esclavagismo, colonialismo, tráfico negreiro… Que não defendo nenhum destes retrocessos históricos, friso!

Que existem atualmente, sim! Com outras variantes e cambiantes, sim!

 

A História não se apaga, não deixa de existir por ser negada ou escondida ou submersa nos rios, enterrada nos pântanos da ignorância. Bem pelo contrário! Deve estar visível para ser aprendida, apreendida, interpretada, estudada, ensinada. Para ajuizarmos com discernimento e espírito crítico o que tem valor ou não, ao nosso olhar atual, sem deixar de perceber o enquadramento epocal.

Tudo o que é Humano tem que ser contextualizado no tempo e no espaço. Não se pode emendar o que foi ou deixou de ser mal feito em tempos passados, porque o “tempo não volta para trás”!

 

Cá pelo burgo, melhor, na Grande Cidade, também lhes deu para vandalizarem monumentos! E logo do Padre António Vieira!

Não sou especialmente apreciador de estatuária laudatória na via pública. Muita é inestética, mal colocada no espaço, os respetivos personagens suscetíveis de valoração ou não, positiva ou negativa. Todavia, já que expostos, permitem-nos opinar, ajuizar sobre os mesmos. São lições de História!

Não têm que ser consensuais. Muito menos estragados, destruídos. Para estragação e achincalhamento, basta o que lhes fazem os pombos, diária e continuadamente.

Que nos digam os Grandes: Camões, lá do alto do seu pedestal e Eça, mais terra a terra, mais a sua Verdade, um pouco mais em baixo.

De modo que, e um pouco mais acima, esborratar o Vieira é completamente incongruente.

Açucenas quintal. 2019. 05. jpg

 

António Vieira (Lisboa – 1608 / Baía – 1697): Orador e Escritor português. De pais de condição modesta, sua avó paterna era mestiça, serviçal na casa dos condes de Unhão.

Foi para o Brasil aos 6 anos. Estudou no Colégio dos Jesuítas, na Baía. Entrou na respetiva Companhia.

Distinguiu-se na catequese dos índios, de quem foi defensor intransigente.

De 1641 a 1652, esteve na Europa, nomeadamente ao serviço de D. João IV, de quem foi embaixador em França, Holanda e Itália.

Voltou ao Brasil, onde permaneceu de 1652 a 1661.

Levou o decreto real de libertação dos "índios", que provocou violentas reações dos colonos e o seu desterro para Lisboa.

Na sua segunda estada na Europa, 1661 – 1681, foi preso em Coimbra, em 1665, nos cárceres da Inquisição.

Viveu em Roma de 1669 – 1675. Regressaria ao Brasil em 1681, onde morreria em 1697.

Foi um Cidadão do Mundo, atravessou sete vezes o Atlântico, percorreu milhares de quilómetros, muitas vezes a pé.

Distinguiu-se especialmente nos sermões. Profundo conhecedor do coração humano. F. Pessoa o intitulou “Imperador da Língua Portuguesa”. Elogiado por A. Sérgio “nunca se escreveu em português mais claro, mais próprio, mais natural…”

Arrebatava tanto a gente inculta do Brasil, como o requintado mundo dos cardeais da Cúria Romana.

“Expoente da oratória sacra portuguesa e um dos maiores da oratória universal, foi político, missionário, defensor dos fracos, crítico audaz dos poderosos e patriota visionário.”

*******

(Para este excerto sobre P. António Vieira, mais uma vez, me baseei na Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal – Círculo de Leitores - Tomo XVIII – pag.s 164, 165, 166.

Manias pré históricas!!!)

*******

E ainda...

Relacionado com o postal anterior, dizer que continuei com Tieta. Apaixonante a narração. Dá vontade de não parar. É sempre assim com Jorge Amado.

*******

E a foto?!

Original, como gosto que sejam. De flores, ou de plantas, pela(s) sua(s) simbologia(s).

Repare, SFF:

Hoje é dia 13 de Junho. Dia de Sto António. A respetiva flor simbólica é o lírio branco. (Na minha terra, também chamamos a estes lírios, açucenas.) E qual foi o celebérrimo sermão de Padre António Vieira? De Santo António... aos peixes. Que é isso que também ando a fazer... Mais valia ao pessoal que, em vez de desconfinar por dá cá aquela pallha, fosse tratar de jardins, que bem precisam. Nem sabem como é relaxante, tratar de um jardim ou de uma horta. Experimente, SFF.

 

Tieta do Agreste - Pastora de Cabras

Ou a Volta da Filha Pródiga, Melodramático Folhetim em Cinco Sensacionais Episódios e Comovente Epílogo: Emoção e Suspense!

Tieta. in. estantevirtual.com.br. jpg

Jorge Amado

Editora Record – 2ª Edição – 20/8/77

Capa de Carlos Bastos

Ilustrações de Calasans Neto

Retrato do autor por Flávio de Carvalho

Foto do autor por Zélia Amado.

 

Comprei o exemplar que tenho, numa Feira do Livro de Lisboa, em 6/6/80, há 40 anos! Li-o nessa data. Mais tarde, vi a novela que passou na TV portuguesa - (89 / 90).

Agora, resolvi voltar a lê- lo. Apenas comecei. Mas interessante (!), ao fazê-lo e imaginar as personagens, associo aos artistas que lhes deram corpo na novela, de que gostei muito, aliás.

Betty Faria na personagem principal, Tieta; a célebre Perpétua, representada por Joana Fomm e assim por diante.

Questiono-me: Quando li pela primeira vez, antes da novela, como imaginaria as personagens?! Será que as associava às de Gabriela que já vira em 77?! (Mistério… como diria Dona Milu.)

 

Jorge Amado (1912 - 2001) é, de entre os escritores brasileiros, aquele de que mais tenho lido. Certamente será dos mais conhecidos, mercê também da sua divulgação através dos audiovisuais: televisão, cinema.

Além do supracitado, também Gabriela…, duas apresentações novelísticas, e também cinema; Dona Flor… Mar Morto… pelo menos estes de que me lembro.

No caso de Gabriela… considero que o livro e as duas novelas subsequentes são três obras artísticas ricas e peculiarmente diferenciadas, embora partindo do mesmo universo narrativo. Não sei de qual delas mais gostei. Se ler, se visualizar as tramas novelísticas!

 

Voltando ao Escritor. Cidadão envolvido social e politicamente na vida do seu país, apesar da trama narrativa dos livros mais emblemáticos se situar geográfica e culturalmente no universo do seu Nordeste / Baía – Região do Cacau, consegue transpor nos seus personagens os sentimentos universais do Ser Humano.

Partindo dum contexto muito particular, alcança a universalidade no conteúdo da sua trama narrativa. Também gosto, na sua escrita, como transparece o sentimento geral do Amor e a luminosidade otimista da Vida de um país cheio de sol!

 

(Livro escrito em português do Brasil, frise-se, com quase 600 páginas.

No final da sua narração, o Autor, após registar “FIM”, escreve: “Bahia, Londres, Bahia – 1976 / 1977”.

Quer dizer que o escreveu no período da ditadura militar: 1964 - 1985.

Havia Portugal saído há pouco da sua dita dura e, aliás o Autor refere isso logo no início pag. 16: “… ninguém sabe o que pode acontecer no dia de amanhã, recente, aí está, o exemplo de Portugal, quem poderia prever?”

Também já Chico Buarque editara “Tanto Mar” – 1975 - e cantava: “Sei que estás em festa, pá / …”

Esta 2ª edição fora de 50.000 exemplares – A 1ª, de 120.000, datada de 3/8/77. Distribuição: Centro do Livro Brasileiro, Lda)

 

Divulgados todos estes dados o melhor é recomeçar a ler.

 

Mas antes e ainda, referir que a ação decorre “… nos idos de 1965 – data tão próxima, ainda ontem, parecendo contudo distante passado ante as transformações do mundo; …” (pag. 333)

 

E também, que Jorge Amado, após conclusão da escola primária, em Ilhéus, aos 10 anos, vai estudar para Salvador de Baía, como interno no Colégio António Vieira… de onde foge. (Esta informação tem a ver com a atualidade de ontem em Portugal!)

Imagem: in. https://www.estantevirtual.com.br

Anda tudo de “pata alçada…”

Isto está tudo ligado: É pescadinha de rabo na boca! / Conversa é como cerejas!

 

Corona Connection 2020. 03.jpg

 

Neste fim de semana, de sábado para domingo, terminou o “Estado de Emergência”. Mas entrou em vigor o “Estado de Calamidade Pública”. Também no final de domingo, 3 de Maio, terminou a proibição de circular entre concelhos.

 

Mas 2ª e 3ª feira e hoje, quarta, parece que o pessoal, praticamente desconfinou de todo. Grupinhos nas bombas de gasolina, no Mac’s, nos bairros, nas tabernas... Os passeios com os caniches são prolongados, as cavaqueiras…

A modos que a interpretação do assunto se ficou pelo levantamento do “Estado de Emergência”.

Mas a “Emergência Sanitária” mantém-se. A Covid continua ativa!

(Mas “anda tudo de pata alçada!” para o passeio: Isto é, o pessoal e os caniches.)

A pressa de descomprimir é natural. Tantos dias confinados…

 

Algumas das mensagens implícitas também contribuíram para tal.

Oficialmente, a comemoração do 25 de Abril, da forma como foi feita não foi correta. A celebração do 1º de Maio, idem. (Não concordei! E que importa a minha opinião?!)

 

Curiosa, nestas sequências, a atitude da Senhora Ministra da Saúde praticamente a autorizar, até a incentivar, a celebração de Fátima, com pessoas: fiéis, peregrinos, remetendo essa decisão para as autoridades eclesiásticas. Surpreendente, no mínimo, não acha?!

Presente envenenado, achei eu!

As autoridades eclesiásticas, que já andam nestas lides há milénios, não aceitaram o presente. E fizeram muito bem!

 

Portugal tem tido uma atuação exemplar, no contexto da gestão da pandemia. Da parte das Autoridades, consonância entre os vários poderes, entre oposições. E a postura do Povo Português que aceitou confinar-se, sem grandes alardes.

Atualmente é necessário, de facto, começar a reativar a Vida, económica, social, etc. Mas nos setores económicos realmente importantes e fundamentais em termos da Vida das Pessoas. Com cautelas! “Cautelas e caldos de galinha não fazem mal a ninguém!”

 

Nalguns setores não vejo qualquer sentido. No futebol! Bem sei que anda ali muito dinheiro em jogo. Aliás, é precisamente aí que reside o busílis da questão. O “Money” que os clubes, os “Grandes”, querem auferir, para pagarem as despesas milionárias, as dívidas que contraíram. Houvesse um pouco de bom senso e pura e simplesmente o campeonato era dado como terminado. Sem subidas nem descidas, sem vencedores nem vencidos! Mas anda ali muita ganância… Porque se terminaram várias modalidades, outros escalões, porque persistir em recomeçar o futebol?

No jogo vão manter a distância social de dois metros? Quem não cumprir, é autuado?

Nos jogos, mesmo sem público, como evitar as concentrações e os atropelos dos fanáticos? Vão destacar forças de segurança para acompanhar esse pessoal pelo país? Vão decretar proibição de circulação nos dias dos jogos?!

E as equipas das Ilhas?! (…)

Senhores Decisores, tenham coragem e terminem o Campeonato e a Taça! Já!

 

E, futuramente, haja a moralidade de não pagar salários astronómicos, de dividir prémios entre todas as equipas do campeonato. Sim, porque os que ganham, por serem mais ricos, fazem-no à custa dos mais pobres, em quem “andam a bater” todo o campeonato.

 

E, meus Caros Senhores e Senhoras, sabem o que é andar nos comboios e metros da Grande Lisboa, atulhados de gente?!?!?!

 

Quanto ao recomeço das aulas presenciais e subsequentes exames também não fazem sentido. A respetiva operacionalização é verdadeira loucura!

 

Ah! E a praia! (…)

 

E mantenham as fronteiras fechadas ao “turistame”. Senão, espanholadas, inglesadas e francesadas invadem isto tudo, à procura da tranquilidade. Trazem euros, sim, mas se fosse só isso que trouxessem!

 

E os corredores de camiões e camiões, continuamente, Lisboa e porto seco de Badajoz?! Vias férreas indispensáveis. Reativação funcional de linhas por esse País, nomeadamente a de Leste e Ramal de Cáceres!

 

E tenho dito! Que já vai longo o texto… Qu’isto é tudo “pescadinha…” ou então como as cerejas…

(Foto e Desenho originais.)

Abril (25) – Maio (1) – Covid (19)

Que as pressas não deem em vagares!

 

Foto Original. Giestas Floridas. 2019. 04.jpg

 

O 25 de abril e o 1º de Maio são datas importantíssimas. Deveria ser algo consensualmente aceite, embora na verdade não o seja. Não escamoteemos o assunto.

 

Podem e devem ser devidamente celebradas, lembradas e vivenciadas coletivamente.

Com manifestações, arruadas, grandes concentrações de gente, por tudo quanto é sítio e lugar deste País e ainda mais nas grandes cidades?!

NÃO! De todo, absolutamente NÃO!

Dadas as circunstâncias que vivemos, NÃO!

 

Portugal, dentro do contexto da pandemia, tem sido dos países menos fustigados. (Contudo os valores absolutos apresentados devem ter em conta os valores relativos. Rácio das mortes ou infetados  / versus população total.)

Apesar de tudo e comparativamente com os países mais próximos, Espanha França ou Itália, Portugal, felizmente, está relativamente distante. Pelo menos, até agora. Não sabemos o que poderá ainda acontecer.

Para esses resultados têm contribuído as medidas adotadas e, não esquecer, o contributo da população que acedeu ao confinamento, sem grandes constrangimentos.

 

Agora, com a previsão de um certo desbloqueamento das medidas constrangedoras da liberdade individual, parece que já está tudo num afã de “andar tudo ao molhe e fé em Deus”! E andar de comboio ou metro lotados, sabem o que é?!

 

Penso que deve haver algum cuidado nessa pressa de começar tudo, nos mais diversos contextos e enquadramentos, como se já estivéssemos livres do perigo do “bicho”.

É necessário criar uma certa abertura, sim, mas com cuidados sérios.

 

Giestas Floridas. 2019. 04.jpg

 

Face ao que ainda vivemos, não vejo qualquer sentido em quererem que haja manifestações no 1º de Maio.

Porque, ideologicamente, sou contra o que tal data representa?!

De modo algum.

Se há recordação grata e bonita que tenho de manifestações, foi a do Primeiro 1º de Maio, em Liberdade. Em 1974!

Enormíssima a manifestação, não inferior em Sentimento: de Unidade, Liberdade, Fraternidade, Solidariedade, Esperança. Um mar de gente irmanada em Ideais, dos melhores que a Humanidade pode ter!

 

Não sou a favor de manifestações nestes tempos, nem é preciso explicar porquê.

Inventem uma forma de comemorarmos estas datas de outro modo.

 

Quanto ao Vinte e Cinco de Abril já escrevi como deveria ser a celebração na Assembleia da República. (“Prestem atenção que eu não posso durar sempre!” Como diria o meu saudoso Pai.)

 

E, já agora. “Vinte e Cinco de Abril, Sempre!” E “Viva o Primeiro de Maio”!

 

(Fotos: As giestas floridas em terrenos na minha Aldeia – Tapada do “Rescão” – “Maio, maduro Maio” e as “Maias”!)

 

 

A rapariga loura e o cão!

Uma anedota de loiras?!

Casos de Saúde Pública

“Só não vê quem não quer ver”!

Nestes tempos que vivemos, de contenção social, acabamos por desenvolver atividades que noutras ocasiões nos passam mais despercebidas.

Uma delas é a conexão com as redes sociais, o que pode parecer estranho, dado escrever num blogue.

Outra é o estar à janela a ver quem passa! (?!) Passa pouca gente, o que vejo diariamente são os pássaros a voar: andorinhas, pardais, os inevitáveis pombos, as milheirinhas, as rolas, os melros e um pássaro que me intriga, cujo nome desconheço. A Primavera que se vai adiantando nas olaias, que já perderam as flores. Os inefáveis gatos, sempre dormitando na encosta soalheira do Hospital. O respetivo movimento, mais acentuado nos dias de semana, mais sossegado aos sábados e domingos.

 

Esse vivenciar já me inspirou para dois poemas publicados no blogue: “Venceremos!” e “Da janela…” Agora, a poesia anda escassa.

 

Pois, da minha janela vejo… algumas cenas interessantes.

Ligando os dois aspetos referidos.

Num blogue, que tenho lido, é costume aparecerem umas anedotas sobre “loiras”.

Não gosto de me guiar muito por estereótipos ou preconceitos, mas também não lhes sou imune e verdadeiramente as anedotas que tenho lido até lhes tenho achado piada.

 

O que vou relatar não é anedota, é real, resulta precisamente dessa observação.

Uma rapariga loura, costuma ir passear higienicamente um dos cães que a respetiva família tem. Que não é propriamente um cão, mas um canzarrão, dado o respetivo tamanho. Além desse, têm outro mais pequeno, que habitualmente é passeado pelo pai de família. (Não sei como conseguem ter tantos cães em casa!)

São todos louros, os membros da família: pai, mãe, irmã, avó. A moça, portanto, é loura, loura!

 

Mal sai do prédio, o canzarrão vai afogueado...

A rapariga leva-o atrelado… (Que faria ele se ela o largasse… não mais o apanhava!)

Mas mal começa a subir a Avenida, a primeira coisa que o bicho faz é esticar a respetiva corda e dirigir-se ao primeiro carro que vê no estacionamento.

Já se vê para quê!

Alça a perna e descarrega o reservatório para o carro. Abastece-o de urina!

E a moça loura o que faz?!

Puxa-o e leva-o para mictório mais público?! (…)

Não! Nem pensar, também não sei se conseguiria, que é um canzarrão, jovem, cheio de força e genica.

A rapariga deixa-o mijar, enquanto ela disfarça, olhando precisamente para o lado oposto, o do Hospital, como se não fosse nada com ela! Loura?!

 

É por este mijar e ***** de cão por tudo quanto é lado, que eu digo que os cães se tornaram num caso de Saúde Pública!

E relativamente aos respetivos donos, alguns, frise-se, que: “Só não vê quem não quer ver”!

Este “ditado” aplica-se a muitas outras situações da Vida!

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D