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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Novos bitaites… Avulso… Variados! / As conversas são como as cerejas!

Ainda a(s) Ponte(s)… “Negócios” de futebóis e bancos… Seca e cheias! O Tejo!

 

Ainda relativamente à Ponte 25 Abril e ao comboio. É imperioso que a manutenção da Ponte, nomeadamente nos seus pilares e tabuleiros, não seja esquecida. Diariamente mantida.

Qual a pressão que os pilares e tabuleiros sustentam pela força das marés que, quatro vezes ao dia, percorrem o rio, subindo e descendo e neles embatem?! Sem falar na força dos ventos, ademais em tempo de tempestades, como as ocorridas a 19 e 20 de Dezembro. Sem esquecer o peso das toneladas de milhares de carros, autocarros, camionetas…dos comboios e do peso também dos passageiros… Precisamos de estar tranquilos, quando atravessamos!

E eventuais sismos e maremotos?! (Vá de retro…!)

 

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Quando se fala em negócios de futebóis, as cifras são sempre de milhões. Pelo menos são essas as notícias que a comunicação social foca. (É claro que no futebol também há filhos e enteados!) (E o Benfica ganhou!)

Quando são abordadas as “negociatas” dos bancos (“negociatas” é um eufemismo) também se fala sempre em milhões, que foram “dados”, ”emprestados”, sem as devidas garantias. (!!!!)

Quando se fala em aumentos das reformas, fala-se em dois, três euros!!!  Os meios de comunicação até se deveriam envergonhar de noticiar tais “aumentos”.

Se atendermos que é com a carga fiscal que suportamos diariamente, cada vez mais gravosa, que o Estado paga as “negociatas” nesses bancos, em última instância, somos nós que as pagamos, ou não seremos?!

 

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Agora a seca e as cheias. Que isto não há fome que não dê em fartura. É como no dinheiro, se as uns falta, a outros sobeja.

Quando, ainda em Dezembro, se falava na “seca severa” que assolava o País, invocava-se que, nomeadamente no referente ao Rio Tejo, a nossa vizinha Espanha não cumpria os acordos de “libertação” da água combinada, das barragens a montante do Rio, na gestão da sobredita. Também nalgumas publicações se apresentava, como imagem documental, o Rio Ponsul, praticamente seco. Frise-se que este afluente da margem direita do Tejo, por acaso, até tem toda a sua bacia hidrográfica em território português! Com a vinda da tempestade “Elsa que assombrosamente despejou milhares ou milhões de litros de água por esse Portugal e Espanha, só podemos deduzir ter sido encomenda dos nossos vizinhos, para satisfazerem pedidos e reclamações, enchendo rios, barragens, regatos, ribeiros e ribeiras… (Daríamos razão ao célebre aforismo: De Espanha…) Só que a dita “Elsa” não nos entrou de supetão pelo País, proveniente de Espanha, mas com proveniência dos lados do Oceano…

Barragem Maranhão. 2019. Outubro.jpg

 

Agora as imagens documentais: Que não são do Rio Ponsul.

São da Ribeira de Serrazola, que proveniente das bandas de Alter, desagua na Ribeira de Seda, junto a Benavila, perto do santuário de Nossa Senhora de Entre – Águas, que cristianiza um espaço simbólico pela sua localização especial. Em tempos, terá sido de grandes romarias, como prova o espaço envolvente, de acolhimento de peregrinos.

Duas ribeiras, dois dos mananciais da célebre Barragem do Maranhão - Avis.

Barragem Maranhão seca. 2019. Outubro.jpg

 

As duas fotos foram tiradas ainda em tempo de seca, Outubro, e mostram-nos a ponte antiga que com a barragem cheia, está totalmente submersa e a ponte nova, de grande envergadura, mas que durante a seca tinha os respetivos pilares totalmente descobertos.

(Também aqui as descargas de Espanha não são vistas nem achadas.) Esta barragem com todos os seus afluentes descarrega águas, para a Ribeira de Raia que se junta com a Ribeira de Sor, perto do Couço, formando o Sorraia, Também afluente do Tejo, com foz perto do Porto Alto. (No século XVIII era cerca de Benavente! Os rios mudam!)

(Nesta região da Barragem do Maranhão e com as respetivas águas, são regados centenas de hectares de olival super intensivo. Que consequências a longo prazo?!)

Lisboa precisa ser "pensada" de outro modo. Bitaites!

Porque é que serviços fundamentais a todo o País hão - de estar todos sediados em Lisboa?!  (…)

 

Na sequência da Tertúlia do CNAP, no Café Império, voltei a viajar na Fertagus, ao final da tarde, perto das 19h, no sentido Norte - Sul. No início da tarde, viajara no sentido Sul – Norte.

Ponte 25 Abril. Foto original. 2015.jpg

 

Os comboios em qualquer dos sentidos não foram a abarrotar, como noutras ocasiões. Valeu-me também, no regresso à Margem Sul, ter tomado o comboio em Roma Areeiro. Situação que, aliás, muito boa gente usa. (Só encheu em Sete Rios!)

Antes de o comboio arrancar, aproveitei para conversar com o “parceiro” da frente, questionando-o sobre o respetivo percurso diário. Situação cada vez mais rara, a conversa entre passageiros, que vai todo o mundo “preso / agarrado” no telemóvel. Nem para a paisagem olham! E Lisboa é bem bonita, muito especialmente a travessia da Ponte, ademais ao início da noite, com toda a iluminação na Zona Oriental, o rio, os monumentos e o casario a rebrilharem, os carros circulando de luzes acesas…! (Alguns resistentes ainda leem!)

 

Situação do senhor: casa dos 30 / 40, mulato, angolano. Vinha de Paço de Arcos, concelho de Oeiras, onde trabalha na construção civil e dirige-se para Quinta do Conde, concelho de Sesimbra onde mora! Apanha o comboio da Linha (Cascais) até Alcântara – Mar. Aí sai e vai apanhar o comboio a Alcântara – Terra, que se dirige para Castanheira do Ribatejo. Sai em Campolide, onde deveria ficar para depois tomar o da Fertagus para a Coina (Margem Sul), mas como o comboio vem sempre cheio e teria que ir de pé, segue também num da Fertagus, mas no sentido inverso do que pretende, até Roma – Areeiro. Aproveita o respetivo retorno para a Coina, indo assim já sentado no respetivo percurso. Chegando a Coina apanhará um autocarro até Quinta do Conde!

Faz estes percursos diariamente!

Como ele, muitos milhares todos os dias, nos mais diversos transportes, provenientes das várias linhas de comboio, autocarros, barcos, metros, de carro, até Lisboa, provindos dos variados concelhos, desde Cascais, Oeiras, Sintra, Amadora, Odivelas, Mafra, Loures, Vila Franca, Azambuja, Alcochete, Montijo, Moita, Setúbal, Palmela, Sesimbra, Barreiro, Seixal, Almada, estes os mais próximos, que há quem venha de mais longe ainda!

Todos os dias! Em ambos os sentidos, num movimento pendular diário.

 

E se a Fertagus seguisse até à Gare do Oriente?! Bem jeito daria a muito boa gente. Mas a situação como resultaria?! Mas que dava jeito, dava.

 

Por ex. o aeroporto não deveria sair da Grande Lisboa!? Sendo um obra de grande envergadura e de longo prazo, porque não fazer, por ex. em Beja, aproveitando o que já está feito? A longo prazo, a distância relativizar-se-á. Traria novas centralidades. Bem sei que este assunto já dura há décadas, muito dinheiro já por aí tem corrido por muitos bolsos, com tantos adiamentos, projetos, estudos, anulações. Mas, no Montijo, fica à beira do estuário, em zona de muitos impactos ambientais negativos, a uma altitude muito baixa, também num espaço muito povoado, já demasiado desenvolvido.

 

E a promoção de habitabilidade em Lisboa? Rendas acessíveis, para quem lá trabalha. Facilidades de crédito, para quem queira comprar.

Porquê este modelo de desenvolvimento, com a permanente expulsão dos cidadãos cada vez mais para as periferias das periferias?! A quem interessa? Petrolíferas & Associados?!

 

Porquê o previsto Hospital, substituindo o de São José, não poderia sair de Lisboa, por ex. para Sul, concelho de Palmela, com acesso a várias linhas de comboio e de auto estradas? Quase ninguém mora em Lisboa. Os utentes vêm de todo o País…

 

Isto são…  só bitaites! Hei - de voltar! Políticas!

Tertúlia Poesia do CNAP - Lisboa – Café Império

Círculo Nacional D'Arte e Poesia

Tertúlia Poética

 

Volto a alguns dos temas das crónicas anteriores: Poesia, Tertúlias, Lisboa…

Foto original. 2019.jpg

 

O CNAP – Círculo Nacional D’Arte e Poesia realizou dia 14, a sua habitual Tertúlia: segunda terça - feira de cada mês.

Agora no emblemático, icónico, Café Império – Alameda Afonso Henriques / Avenida Almirante Reis - Lisboa. Acho que mantém a estrutura fundamental que conhecia das décadas setenta / oitenta, adaptado às funcionalidades atuais e ao modelo de utilização em que se insere. Muitas fotografias de artistas conhecidos. Junto à mesa em que dissertamos Poesia, reconheci as ”Primas” Madalena e Io. (“Primas”, advém do facto de sermos todos parentes, sejam quais forem as teorias que perfilhemos.)

 

Compareceram à Tertúlia nem muitos nem poucos, os bastantes: D. Maria Olívia, Alma – Mater do Círculo; Rolando, desta vez sem “Chansons”, talvez inibido pelas “Primas”; António Diniz Sampaio, que há muito não aparecia; Luís Ferreira, desta vez, e bem, acompanhado pelo “Poeta Cabacinha”, em livro; Carlos Pinto Ribeiro, que nos trouxe lembranças do irmão, Fernando Pinto Ribeiro, através da amável oferta de um exemplar da revista “Contravento – Letras e Artes” – Nº 2 – Dezembro de 1968. Impagável! Uma plêiade de Artistas de alto gabarito, hoje, consagradíssimos, muitos já no Além! Destaco apenas e por curiosidade, António de Sousa, com um poema manuscrito “Sal e Pimenta”, de Março 1966!

 

Como habitualmente, Carlos consagra-se à “Missão” de divulgar a Obra do irmão, Fernando. Para quando a edição do livro?! Gosto!

 

O “Poeta Cabacinha”, que tive o grato prazer de ouvir “Dizer Poesia”, como só ele sabe (!), num dos encontros de Cante e Poesia, organizado pelo Grupo de Cante do Feijó, no Auditório Fernando Lopes Graça – Fórum Romeu Correia, em Almada, num Outubro transato, foi o tema de conversas e de Leituras de Poesia, tanto pelo Luís, como pelo Rolando. Gostei!

D. Maria Olívia e António leram Poesia, a partir do Boletim Cultural Nº 137 – Ano XXX – Dez. 2019, do CNAP. Tema Natal: “Recordar é viver…”, “Quando eu era pequenino…”, “Natal nasceu Jesus” “O Primeiro Natal”, “Vem aí o Natal…”. Rolando: “Ano Bom – a Fé sempre renovada”. Gostei!

Também António Aleixo marcou presença. E também Amália! Também deles falámos, a propósito da importância e valor da “Poesia Popular”. E outros Poetas e Poetisas e Artistas, para além dos que compõem a plêiade de todos os que figuram nas paredes do Café, das esculturas e Autores do monumento que é todo o edifício, antigamente Café e Cinema Império, de tantas estreias cinematográficas, desde a sua inauguração (1955)! Por isso não estivemos apenas seis, mas muitos sessentas! Gostei!

 

E eu não disse?!

Natal no contentor”, “O Menino / O Futuro morre na praia”; “Aquem – Tejo”: sextilha e quadras sobre o Alentejo e ainda: “Qualquer coisa…” e “Num mundo em que tudo se compra e se vende…”  E, adeus, até uma próxima Tertúlia. Gostaram?!

Efeitos da tempestade “Elsa”: uma crónica já fora de tempo!

Não há fome que não dê em fartura - Seca que não dê em inundação!

 

Este post deveria ter saído da gaveta da memória, ainda no ano transato. Sai agora!

Oliveira caída 2019.jpg

 

Relativamente a 2019, tenho que registar que nos trouxe bastante chuva. Até demais, dirá muito boa gente. De facto, em Dezembro, muito especialmente nos dias e noites de 19 e 20, choveu pelos quatro anos em que praticamente não chovera, desde 2015. Uma verdadeira tempestade, “Elsa”, que assolou o país, descarregando milhões de litros de água, por todo o lado. Em compensação dos anos transatos e talvez dos próximos vindouros, digo eu. Paradoxal que ainda escassos dias, semanas antes, nos queixávamos da “seca severa” que desertificava a nação.

Friso este aparente paradoxo, mas não posso deixar de mencionar que estes períodos de seca e chuvas diluvianas ocorrem periodicamente, não sei se ciclicamente. Lembro-me, lembrar-nos-emos os mais velhos, que com estes problemas nos preocupamos, das cheias catastróficas que assolavam o Douro, a respetiva Ribeira, no Porto; a Régua…

De como o Tejo tinha cheias proverbiais, que alagavam a Lezíria, das povoações isoladas, dos cortes das estradas e da Linha do Norte. Situações que me recordo desde os anos cinquenta e sessenta, desde criança…

Do Mondego nem se fala!

Estranho, estranho sim, é que as previsões anunciadas, quando da construção das barragens do Douro, do Tejo; da Aguieira, no Mondego, dos açudes de Coimbra, da regularização do leito deste rio “Basófias”, a jusante da “Lusa Atenas”, que as previsões de que estas cheias catastróficas não se iriam verificar, saíram completamente defraudadas. Foi ver os rios extravasarem os respetivos leitos e inundarem as planícies, como fazem certamente desde que há memória.

Diferente, sim, do que ocorria nessas décadas dos idos cinquenta, sessenta, setenta, foi a previsão e as precauções tomadas face ao que era inevitável. Quanto ao mais, os rios, quando as chuvas são excessivas, extravasam.

“Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento…” B. Brecht.

 

Até a ribeira da minha Aldeia também saiu das margens e invadiu os terrenos circundantes. Mas já viveu cheias bem maiores que a deste ano. Lembro-me da de 1957, documentada na Ribeira das Pedras, que levou os parapeitos da Ponte do Salto.

Curiosa a nomenclatura desta Ribeira. Oficialmente designa-se Ribeira de Cujancas. Mas nos locais em que passa junto à povoação, à medida que se vai aproximando da Aldeia, vai adquirindo nomes específicos. Na Aldeia, o nome próprio só tem a montante, quando se inicia antes da ponte que liga Monte da Pedra a Crato, pela junção da Ribeira dos Canais, que vem de Flor da Rosa, com nascentes para os lados da Alagoa e a Ribeira proveniente dos lados de Vale do Peso.

De montante para jusante, vai adquirindo diferentes nomenclaturas, conforme o povo a foi batizando ao longo dos séculos, de geração para geração: Ribeira da Vargem, Ribeira das Caldeiras, Ribeira das Pedras, onde tem uma ponte rodoviária, Ribeira da Lavandeira, Ribeira do Salto, com a respetiva ponte, apenas pedonal, mais antiga que a rodoviária, mas talvez não tão antiga como habitualmente se julga; Ribeira do Porcozunho, Ribeira do Salgueirinho, Ribeira da Midre, Ribeira da Lameira e junto à ponte da Linha de comboio do Leste, volta a adquirir o nome original, Ribeira de Cujancas. Desagua na Ribeira de Seda, a montante da célebre ponte romana de “Vila Formosa”.

 

Curiosidades que me ocorrem sobre e a propósito da tempestade “Elsa”.

Que também fez estragos no “Vale”! A foto original testemunha, uma oliveira, várias vezes centenária, quantos centos não sei, que a tempestade derrubou. Fica para memória futura!

 

 

Poesia e Fertagus?! Crónica Poética e não só!

"VÁ – VÁ": Poesia – Antologia (XXIII) – APP – Associação Portuguesa de Poetas

Fertagus ?!

 

As Tertúlias da APP, do 2º sábado de cada mês, a partir das 16h. 30’, voltaram a ser realizadas no VÁ – VÁ. E bem! Que são uma ocorrência poética, que já há alguns anos se vem desenvolvendo naquele espaço lisboeta, sob a batuta da APP. E, anteriormente, noutros enquadramentos, alguns documentados em fotos no local. Comparecemos vinte pessoas, das quais dezoito “Disseram” Poesia, dos próprios ou de Outros.

Cada um a seu jeito e modo, contribuiu para o engrandecimento da Poesia! Da POESIA! (Que é esse desiderato que nos deve unir. E que nos chega e nos basta! A Poesia!)

Disseram “Presente!”: Graça Melo, Daniel Costa, Francisco Carita Mata, Aires Plácido, Júlia Pereira, Bia Maria, Joaquim Sustelo, Santos Zoio, Pais da Rosa, Felismina Mealha, Fernando Afonso, Fernanda Beatriz, Tita Tavares, Maria Saudade, Custódia, João Coelho dos Santos, Quim Marques, Maria Helena.

(Estranho a ausência de alguns poetas e poetisas, habitualmente presentes. Sobre alguns me informaram que estão doentes. Aproveito para lhes desejar rápidas melhores. Outros têm outros compromissos. Voltem todos, engrandecem a Associação e a Poesia!

Apesar do ruído que continua, o Vá – Vá é sempre o VÁ – VÁ!!!)

 

Também foi entregue a XXIII Antologia a quem o pretendeu. Está bonita, sim! (Os vinte e três anos!) Uma capa muito sugestiva, que nos apela ao desbravar da leitura. Que ainda não tive oportunidade de fazer totalmente. Mas já a folheei na totalidade, lendo em “diagonal” sobre os antologiados. Técnica e materialmente, apreciei o objeto, a forma, a dimensão, o tipo de papel…E também já li alguns poemas. Alguns Poemas de que gostei imenso e com algumas surpresas muito agradáveis, para mim! Estão todos de parabéns. Poderemos gostar mais ou menos de uns do que de outros, concordar ou não… é um direito de cada um expressar-se livremente… também com respeito e consideração por quem lê: o(s) Outro(s), para quem escrevemos! Os Organizadores, com todo o trabalho que tiveram, merecem a nossa especial consideração. Porque há sempre muito esforço organizativo.

Existirão algumas gralhas, mais ou menos técnicas, ou tipográficas. Existem sempre!

 

Não posso deixar de frisar o que já expressei pessoalmente: A ordenação dos participantes deverá ser feita alfabeticamente. É o critério mais objetivo! Qualquer outro método é sempre por demais subjetivo e aleatório.

 

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E não posso deixar de aproveitar para outro assunto. As minhas “deslocações capitais” são habitualmente via Fertagus! Fui numa carruagem das que tiveram lugares sentados reduzidos. Sábado, levava pouca gente, para o que é habitual em dias de semana e horas de ponta. Também já viajei nesses dias e horas… o tratamento é de gado para matadouro, ou pior! As Pessoas são tratadas “abaixo de cão”! (Que estes agora são chiques!) (Infelizmente a situação aplica-se a outros meios de transporte de toda a “Cintura de Lisboa”!)

É imperioso e urgente que as Cidades, nomeadamente Lisboa, sejam “pensadas” de outro modo, no que respeita às suas funcionalidades e serviços. Que os espaços, em todas as suas valências, sejam “pensados” globalmente, de forma articulada pelos diversos agentes fundamentais no terreno. E que as Pessoas sejam vistas e tratadas como PESSOAS!!!!!

 

Tenho dito, melhor, escrito! E VIVA a POESIA!

 

Sexta - Feira negra, sexta

Fotografia Original 2016. jpg

 

("Black Friday")

 

Sexta - feira negra, sexta

Anda todo o mundo besta

Atrás de cabaz, de cesta

De compras ao desbarato.

 

Quantas vezes são gato

Por lebre, que até o rato

Do capital fez um trato

C’o diabo do consumo.

 

Gasto e mais gasto sem rumo

Tanta roupa em desarrumo

Tudo isto, em resumo

É mais comprar só por comprar!

 

Que compre, compre sem cessar

Porque o mundo vai acabar

É levar cesto abarrotar!

 

Black Friday, em cada ano

Outro import americano

É sempre mais um engano.

 

É bom lembrar que o planeta

(Bem pode dizer que é treta!)

Tem recursos limitados!

 

Se vamos gastar, gastando

Como gastar nós gastamos

É certo que nos tramamos

A consumir, consumando

Nossa geração e vindoura

Nada de bom nos agoura!

 

Hoje e amanhã tramados!!!

 

 

Novembro / Dezembro 2019

(Na sequência da “Black Friday” da última 6ª feira 29/11/2019.)

Volto a Poesia, de cariz social. Hei-de continuar com temas de outros Autores. Inclusive tradicionais!

(Fotografia Original.)

Saúde e Educação... e saudações!

Políticas e Politiquices!

 

Se houve setores sócio profissionais que, principalmente após a segunda grande guerra, contribuíram globalmente para a progressiva melhoria das condições de vida de povos, nações, países, estados, foram a Educação e a Saúde.

O acesso à educação, nas suas variadas formas e contextos e o acesso às condições básicas de saúde, nomeadamente nas suas vertentes preventivas, possibilitaram uma melhoria generalizada da vida de milhões de seres humanos, todavia havendo grandes discrepâncias entre diferentes países.

Em Portugal essas alterações positivas, iniciadas ainda no Estado Novo, tanto na Saúde (por ex. saúde preventiva através de vacinações básicas…), como na Educação (escolarização obrigatória…) trouxeram benefícios diretos e indiretos às populações.

Com a Democracia, as ações nestes dois campos foram alargadas e exponenciadas nas suas valências e funcionalidades.

(Obviamente, o desenvolvimento, nomeadamente económico, e outros fatores externos, possibilitaram melhorias nestes e noutros setores sociais.)

 

Atualmente, em Portugal, assiste-se a algum retrocesso nestes dois campos da sociedade.

Um certo desinvestimento, mais ainda uma certa desvalorização dos enquadramentos associados a estes dois campos sócio – profissionais, marcadamente dos respetivos atores fundamentais, diga-se, agentes profissionais. Esse desinvestimento e desvalorização resultaram numa perda de qualidade dos serviços prestados a nível público. A intromissão / concorrência cada vez mais acentuada do setor privado nestes campos, com especial realce na Saúde, tem levado a uma certa degradação dos serviços públicos, nomeadamente no SNS – Serviço Nacional de Saúde.

Importa, é urgente, retomar a valorização / investimento, não somente financeiro, nestes campos: Saúde e Educação. Tendo consciência que a valorização nestes setores terá repercussões em muitos dos outros, nomeadamente na qualidade de vida das populações.

 

Nestes, como noutros setores, surgem periodicamente reivindicações por melhores condições de vida. Legítimas e justas, inquestionavelmente!

 

Uma das últimas foi protagonizada por Forças de Segurança.

 

Algumas questões sobre essa ação reivindicativa, que poderão ser apenas trivialidades, mas que talvez não sejam.

Um gesto manual que pode ser associado / interpretado de forma bastante negativa.

O aproveitamento da situação por parte de um deputado de extrema - direita, com a sua proverbial demagogia e populismo.

O cantar o Hino, um dos Símbolos da nossa Nacionalidade, Identidade Patriótica, de costas voltadas para a Assembleia! Não podemos, nem devemos esquecer que o Parlamento é a sede da Democracia institucionalizada!

 

Ultimamente, por aí, por essa Europa, mais recentemente também em Portugal, surgem sub-repticiamente, alguns sinais inquietantes: “o ovo da serpente”!

Políticas e Politiquices!

“A Chaga do Lado!”

Natal no contentor!

 

Nascido em contentor, em noite fria

Parábola hospitalar deste País

Achado por sem abrigo, quem diria

Que eu tivesse mãe, sem ter, que não me quis!

 

Querer, queria, mas sem vida não podia

Ter-me, e tendo, de criar-me de raiz.

Valeu-me choro ser fala, nesse dia

Qua nascesse outra vez, ser talvez feliz!

 

Feliz ou não, futuro não sei. Sou petiz!

Nem visita real, per si, vaticina.

 

Cada qual que nasce, nasce sua sina

Neste mundo atroz tudo se desatina

Na rede social todo o mundo opina.

 

Mas houve já Natal, sim! Sou eu quem to diz!

 

No post anteriormente publicado, 7 de Novembro, escrevi sobre a “Chaga do Mundo”, reportando no final também para a “Chaga do lado”, isto é, para as desgraças que ocorrem, bem ao nosso lado, que praticamente ignoramos, ou fingimos ignorar. Quem me diria que estava já a acontecer o tão badalado assunto do abandono de criança em contentor de lixo?!

Pois é precisamente sobre esse tema que me debruço neste post, através do poema “Natal em contentor!”.

Poema escrito a nove de Novembro, (09/11/19), inspirado nessa ocorrência.

Nessa tarde, ocorreu “Momentos de Poesia”, no Hotel José Régio, em Portalegre. Aí, li pela primeira vez este poema, no decurso da tertúlia celebrativa do décimo terceiro aniversário do referido evento cultural, que tenho vindo a divulgar regularmente no blogue. Entretanto já o decorei!

Também disse o poema “O Menino / o Futuro morre na praia!”

Dois dos meus poemas de Natal!

(Habitualmente sobre Natal, os meus poemas realçam o lado trágico da Vida, do Nascimento…)

 

O título do post remete-nos precisa e propositadamente para José Régio.

Nem a propósito, no dia seguinte, dez de Novembro, (10/11/19), havia “Visita guiada na Casa – Museu José Régio”, integrada num evento associado à Enologia. Visita super interessante, guiada por Drª Olga. Obrigada e parabéns à Casa e à Cidade, que comemoram dignamente o cinquentenário do falecimento do Poeta. (É esta a faceta que mais admiro!)

Aí, li o poema “Cristo”. Hei - de publicá-lo no blogue e falar da Casa e da visita.

Frise-se, que a Cidade e a Casa lembram Régio sob as suas múltiplas e variadas facetas, enquanto Cidadão e Artista. Parabéns!

A Chaga do Mundo!

 

E... "A Chaga do Lado"!

(Políticas... politiquices!)

 

Vivemos num mundo em permanente convulsão. Em guerras constantes. Há regiões do globo em que os conflitos armados persistem continuadamente.

 

A região do Médio Oriente é um desses espaços em que, as duas guerras mundiais, as guerras internas / civis, entre países da região, com intervenções diretas ou indiretas de outras potências, regionais, ou mundiais, mais restritas ou generalizadas, a região não conhece estabilidade há mais de um século.

Não é alheia a essa situação a questão do petróleo e todas as problemáticas que lhe são correlativas. Nem a forma de constituição dos Estados nascidos após a queda do Império Otomano.

Nem, após a Segunda Guerra, a criação do Estado de Israel. Faltando o compromisso de criação de um Estado Palestiniano!

Recentemente, a questão da guerra na Síria cristaliza, diaboliza, todas as discrepâncias e desentendimentos em permanente convulsão naquele contexto espacial, introduzindo novas variáveis.

Mas outros espaços na região mantêm focos ativos de guerras: Arábia, Yemen, Iraque… Israel, Faixa de Gaza…ou próximos: Irão, Afeganistão

Na restante Ásia, as guerras mais localizadas, conflitos entre vários países, confrontos bilaterais ou multilaterais, com intervenção ou não de grandes potências, totalitarismos vários, subdesenvolvimentos diversificados, pobreza e fomes gritantes, hiperpopulação, guerras, perseguições, genocídios, fazem do Continente um alfobre de migrantes, que tudo arriscam para chegarem a pretensos “Paraísos”, Ocidentais ou outros.

 

Mas noutras regiões do Globo outros conflitos se mantêm ativos e persistentes. Na Europa, inclusive (Ucrânia, Rússia…). Europa palco principal das duas grandes guerras.

A África é um Continente em permanente instabilidade: Colonização na 2ª metade do século XIX, descolonização no pós 2ª Grande Guerra, conflitos internos, guerras civis, são poucos os países com estabilidade sócio – política. A fome, a miséria, as doenças, perseguições… a corrupção…

Em todo o mundo, os conflitos despoletados no contexto da Guerra Fria, dos interesses das grandes potências continuam latentes ou mais ou menos ativos.

Em todos os Continentes, a criminalidade organizada, as drogas, os tráficos humanos… os “senhores da guerra”…

 

Falta tolerância, diálogo. Liberdade, Democracia! Desigualdades atrozes, mas injustificadas, dado que a produção de bens e serviços, a tecnologia existente, os meios de produção disponíveis não remetem para tais discrepâncias, nem as caucionam. Uma gritante má distribuição do que se produz, incluindo desperdício geral de recursos, à priori e à posteriori, do processo produtivo. A ganância, a primazia pelo lucro, o egoísmo, a corrupção, o nepotismo.

 

A Europa, apesar de tudo, o Continente aparentemente com melhor estabilidade e condições económicas, funciona como foco de atração dos milhões de deserdados do Médio Oriente, da restante Ásia, do restante Mundo. Na América, os Estados Unidos têm essa força centrípeta. Milhões de deserdados das Outras Américas acorrem em massa a esse almejado e suposto “Eldorado”!

 

E na Europa, como principal foco atrativo, o “Reino Unido”, primordialmente a Inglaterra! Reino onde paradoxalmente ocorre essa palhaçada a que resolveram batizar de “Brexit”. Um verdadeiro Carnaval, realce-se!

Mas ainda na Europa, a França viveu semanas de lutas sociais e bem perto de nós, na Catalunha vive-se um conflito social, de contestação nas ruas, por enquanto, que não se vislumbra de fácil solução. Erros crassos e sucessivos do poder central, do governo, do rei, que não souberam gerir as aspirações independentistas, contrapondo uma política de diálogo. Dificilmente Madrid aceitará uma independência da Catalunha, nem sei se será justificável, no contexto das múltiplas interdependências entre povos, países, estados, nações. Um referendo ainda que possa ser feito, dificilmente será conclusivo. O espectro da Guerra Civil está sempre presente! As aspirações independentistas de outras nações de Espanha, adormecidas, podem ressurgir… A implosão de Espanha não é sequer desejável. Todavia, o Estado centralizado de Espanha precisa repensar as suas funções e atribuições face às autonomias. A Coroa, supostamente unificadora, não soube agir sensatamente!

 

No Chile, em Hong – Kong, no Líbano, no Haiti, no Equador,… os desejos de melhores condições de vida, de liberdade, de uma maior igualdade, democracia, de Justiça, levam a que milhares e milhares de Cidadãos se revoltem, façam ouvir as suas vozes aos poderosos do mundo, ensurdecidos na ganância, soberba e avareza de poder e dinheiro.

 

Instabilidades, as abissais desigualdades, a fome, as guerras, as perseguições, provocam fugas maciças de povos, à procura de melhores condições de vida. Arriscam tudo, caem nas mãos de redes de exploração e milhares de jovens, crianças, velhos e novos lançam-se em aventuras, arriscando a vida em busca de sonhos, que viram pesadelos.

Periodicamente surgem casos chocantes, os mais diversos. Nessa altura o Mundo acorda para uma realidade por vezes bem perto de nós, mas depressa os poderes instituídos se esquecem de promessas, ignorando as pobrezas, o abandono, que também ao nosso lado, nos mostra a “Chaga do Mundo”!

 

Ou o/a Caro/a Leitor/a não se apercebe das misérias gritantes que connosco convivem e se cruzam diariamente nas ruas, nos becos, nos metros, nas paragens, nos locais escondidos, nos bancos dos jardins da nossas cidades?!

(No nosso País, na nossa Cidade…

É olhar e ver enquanto se distrai no seu telemóvel!)

 

O que fazer para erradicar a fome, a pobreza, a desgraça do mundo e a chaga do lado?!

 

“Estranha Forma de Vida” – Amália

(Amália - 1920 – 1999)

 

Na Visão Biografia - Out. Nov. Dez. nº3 – 2019, através de Bolsa de Investigação Jornalística Gulbenkian, apresenta-se: “AMÁLIA – A História Secreta:

Como a “Rainha do Fado” conviveu com a Ditadura, escapou à PIDE, conspirou com comunistas, ajudou presos políticos e financiou a resistência ao Estado Novo.”

 

Surpreende-se pelo título e subtítulo desta análise biográfica?!

 

Mais surpreendido/a ficará quando se embrenhar na leitura desta visão sobre a vida da maior Cantante do Fado. Uma análise focando vários aspetos da vida da Diva do Fado, essencialmente centrada nos subtítulos citados, que nos traz uma perspetiva desconhecida para a maioria de nós, certamente. Também aspetos de alguns Personagens a ela ligados, com papel relevante. Outros ficaram por realçar, digo eu.

Comprei ontem a revista e compulsivamente li os artigos todos. Não resisti a parar ou adiar as leituras.

Um trabalho exemplar de Miguel Carvalho – “Grande Repórter”!

 

(Todavia acho que algumas fotos coletivas deveriam ter as pessoas nomeadas. Deduzo que para quem conhece bem o meio, muitas dessas pessoas serão identificáveis, mas para a maioria dos possíveis leitores, leigos como eu, são relativamente desconhecidas. A da pag. 38 intrigou-me sobremaneira!)

 

E como neste blogue, a Poesia está sempre presente, segue-se a letra do fado que intitula o post, da autoria da própria Amália. (Não sei se a letra estará totalmente correta, pois encontrei versões ligeiramente diversas na net.)

Na reportagem conta-se a curiosa história deste fado e de outros não menos interessantes. Afinal Amália cantou alguns dos nossos maiores Poetas!

 

“Estranha Forma de Vida”

 

“Foi por vontade de Deus

Que eu vivo nesta ansiedade

Que todos os ais são meus

Que é toda minha a saudade

Foi por vontade de Deus

 

Que estranha forma de vida

Tem este meu coração

Vive de vida perdida

Quem lhe daria o condão?

Que estranha forma de vida

 

Coração independente

Coração que não comando

Vive perdido entre a gente

Teimosamente sangrando

Coração independente

 

Eu não te acompanho mais

Pára, deixa de bater

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais

 

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais.”

 

 

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