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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

A Chaga do Mundo!

 

E... "A Chaga do Lado"!

(Políticas... politiquices!)

 

Vivemos num mundo em permanente convulsão. Em guerras constantes. Há regiões do globo em que os conflitos armados persistem continuadamente.

 

A região do Médio Oriente é um desses espaços em que, as duas guerras mundiais, as guerras internas / civis, entre países da região, com intervenções diretas ou indiretas de outras potências, regionais, ou mundiais, mais restritas ou generalizadas, a região não conhece estabilidade há mais de um século.

Não é alheia a essa situação a questão do petróleo e todas as problemáticas que lhe são correlativas. Nem a forma de constituição dos Estados nascidos após a queda do Império Otomano.

Nem, após a Segunda Guerra, a criação do Estado de Israel. Faltando o compromisso de criação de um Estado Palestiniano!

Recentemente, a questão da guerra na Síria cristaliza, diaboliza, todas as discrepâncias e desentendimentos em permanente convulsão naquele contexto espacial, introduzindo novas variáveis.

Mas outros espaços na região mantêm focos ativos de guerras: Arábia, Yemen, Iraque… Israel, Faixa de Gaza…ou próximos: Irão, Afeganistão

Na restante Ásia, as guerras mais localizadas, conflitos entre vários países, confrontos bilaterais ou multilaterais, com intervenção ou não de grandes potências, totalitarismos vários, subdesenvolvimentos diversificados, pobreza e fomes gritantes, hiperpopulação, guerras, perseguições, genocídios, fazem do Continente um alfobre de migrantes, que tudo arriscam para chegarem a pretensos “Paraísos”, Ocidentais ou outros.

 

Mas noutras regiões do Globo outros conflitos se mantêm ativos e persistentes. Na Europa, inclusive (Ucrânia, Rússia…). Europa palco principal das duas grandes guerras.

A África é um Continente em permanente instabilidade: Colonização na 2ª metade do século XIX, descolonização no pós 2ª Grande Guerra, conflitos internos, guerras civis, são poucos os países com estabilidade sócio – política. A fome, a miséria, as doenças, perseguições… a corrupção…

Em todo o mundo, os conflitos despoletados no contexto da Guerra Fria, dos interesses das grandes potências continuam latentes ou mais ou menos ativos.

Em todos os Continentes, a criminalidade organizada, as drogas, os tráficos humanos… os “senhores da guerra”…

 

Falta tolerância, diálogo. Liberdade, Democracia! Desigualdades atrozes, mas injustificadas, dado que a produção de bens e serviços, a tecnologia existente, os meios de produção disponíveis não remetem para tais discrepâncias, nem as caucionam. Uma gritante má distribuição do que se produz, incluindo desperdício geral de recursos, à priori e à posteriori, do processo produtivo. A ganância, a primazia pelo lucro, o egoísmo, a corrupção, o nepotismo.

 

A Europa, apesar de tudo, o Continente aparentemente com melhor estabilidade e condições económicas, funciona como foco de atração dos milhões de deserdados do Médio Oriente, da restante Ásia, do restante Mundo. Na América, os Estados Unidos têm essa força centrípeta. Milhões de deserdados das Outras Américas acorrem em massa a esse almejado e suposto “Eldorado”!

 

E na Europa, como principal foco atrativo, o “Reino Unido”, primordialmente a Inglaterra! Reino onde paradoxalmente ocorre essa palhaçada a que resolveram batizar de “Brexit”. Um verdadeiro Carnaval, realce-se!

Mas ainda na Europa, a França viveu semanas de lutas sociais e bem perto de nós, na Catalunha vive-se um conflito social, de contestação nas ruas, por enquanto, que não se vislumbra de fácil solução. Erros crassos e sucessivos do poder central, do governo, do rei, que não souberam gerir as aspirações independentistas, contrapondo uma política de diálogo. Dificilmente Madrid aceitará uma independência da Catalunha, nem sei se será justificável, no contexto das múltiplas interdependências entre povos, países, estados, nações. Um referendo ainda que possa ser feito, dificilmente será conclusivo. O espectro da Guerra Civil está sempre presente! As aspirações independentistas de outras nações de Espanha, adormecidas, podem ressurgir… A implosão de Espanha não é sequer desejável. Todavia, o Estado centralizado de Espanha precisa repensar as suas funções e atribuições face às autonomias. A Coroa, supostamente unificadora, não soube agir sensatamente!

 

No Chile, em Hong – Kong, no Líbano, no Haiti, no Equador,… os desejos de melhores condições de vida, de liberdade, de uma maior igualdade, democracia, de Justiça, levam a que milhares e milhares de Cidadãos se revoltem, façam ouvir as suas vozes aos poderosos do mundo, ensurdecidos na ganância, soberba e avareza de poder e dinheiro.

 

Instabilidades, as abissais desigualdades, a fome, as guerras, as perseguições, provocam fugas maciças de povos, à procura de melhores condições de vida. Arriscam tudo, caem nas mãos de redes de exploração e milhares de jovens, crianças, velhos e novos lançam-se em aventuras, arriscando a vida em busca de sonhos, que viram pesadelos.

Periodicamente surgem casos chocantes, os mais diversos. Nessa altura o Mundo acorda para uma realidade por vezes bem perto de nós, mas depressa os poderes instituídos se esquecem de promessas, ignorando as pobrezas, o abandono, que também ao nosso lado, nos mostra a “Chaga do Mundo”!

 

Ou o/a Caro/a Leitor/a não se apercebe das misérias gritantes que connosco convivem e se cruzam diariamente nas ruas, nos becos, nos metros, nas paragens, nos locais escondidos, nos bancos dos jardins da nossas cidades?!

(No nosso País, na nossa Cidade…

É olhar e ver enquanto se distrai no seu telemóvel!)

 

O que fazer para erradicar a fome, a pobreza, a desgraça do mundo e a chaga do lado?!

 

“Estranha Forma de Vida” – Amália

(Amália - 1920 – 1999)

 

Na Visão Biografia - Out. Nov. Dez. nº3 – 2019, através de Bolsa de Investigação Jornalística Gulbenkian, apresenta-se: “AMÁLIA – A História Secreta:

Como a “Rainha do Fado” conviveu com a Ditadura, escapou à PIDE, conspirou com comunistas, ajudou presos políticos e financiou a resistência ao Estado Novo.”

 

Surpreende-se pelo título e subtítulo desta análise biográfica?!

 

Mais surpreendido/a ficará quando se embrenhar na leitura desta visão sobre a vida da maior Cantante do Fado. Uma análise focando vários aspetos da vida da Diva do Fado, essencialmente centrada nos subtítulos citados, que nos traz uma perspetiva desconhecida para a maioria de nós, certamente. Também aspetos de alguns Personagens a ela ligados, com papel relevante. Outros ficaram por realçar, digo eu.

Comprei ontem a revista e compulsivamente li os artigos todos. Não resisti a parar ou adiar as leituras.

Um trabalho exemplar de Miguel Carvalho – “Grande Repórter”!

 

(Todavia acho que algumas fotos coletivas deveriam ter as pessoas nomeadas. Deduzo que para quem conhece bem o meio, muitas dessas pessoas serão identificáveis, mas para a maioria dos possíveis leitores, leigos como eu, são relativamente desconhecidas. A da pag. 38 intrigou-me sobremaneira!)

 

E como neste blogue, a Poesia está sempre presente, segue-se a letra do fado que intitula o post, da autoria da própria Amália. (Não sei se a letra estará totalmente correta, pois encontrei versões ligeiramente diversas na net.)

Na reportagem conta-se a curiosa história deste fado e de outros não menos interessantes. Afinal Amália cantou alguns dos nossos maiores Poetas!

 

“Estranha Forma de Vida”

 

“Foi por vontade de Deus

Que eu vivo nesta ansiedade

Que todos os ais são meus

Que é toda minha a saudade

Foi por vontade de Deus

 

Que estranha forma de vida

Tem este meu coração

Vive de vida perdida

Quem lhe daria o condão?

Que estranha forma de vida

 

Coração independente

Coração que não comando

Vive perdido entre a gente

Teimosamente sangrando

Coração independente

 

Eu não te acompanho mais

Pára, deixa de bater

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais

 

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais.”

 

 

José Régio: Cinquentenário do seu falecimento

Alentejo entardecer Original DAPL 2016.jpg

 

Comemorações em Portalegre

"Casa José Régio"

 

Através da Casa José Régio – Portalegre, tenho tomado conhecimento das diversas atividades organizadas para comemorar a efeméride na Cidade. E essas ações têm sido diversificadas, de acordo com a multifacetada ação cívica de Régio, que se desdobrou ativamente em múltiplos aspetos culturais.

O cartaz divulgador – anunciador é só por si e por demais elucidativo. Nele, escritas, surgem essas componentes variadas da sua intervenção cultural:

- Dramaturgo, professor, diarista, crítico, editor, novelista, contista, romancista, poeta, desenhista, ensaísta, colecionador. Umas mais realçadas que outras, supostamente segundo a importância relativa das mesmas, certamente face ao próprio e também ao público em geral.

A de Poeta é a que melhor conheço e mais aprecio. Régio é um dos meus Poetas preferidos!

Também foi Romancista: “O Príncipe com orelhas de burro”… Esta é uma das facetas em que ele se achava relativamente desvalorizado pela crítica da especialidade, face aos seus contemporâneos.

Dramaturgo, indiretamente conheço, através dos filmes baseados na sua obra: “Benilde ou a virgem mãe”, “O meu caso”…

Novelista: “O vestido cor de fogo”, foi o primeiro livro que li do autor, um dos célebres “livros RTP”.

Colecionador, faceta bem patente na Casa. É só visitar. Há bem pouco tempo, 21 de Setembro, houve essa oportunidade, mas já tinha outros compromissos. Visitei já há alguns anos…

 

No dia 8/10 haverá um debate com antigos alunos seus no Liceu. Será certamente interessante. (Frequentei o Liceu já depois da sua morte, não o conheci pessoalmente.)

(Na semana passada houve o lançamento de um livro, abordando a história do antigo Liceu Nacional de Portalegre, desde a sua fundação, nos finais do século XIX, até 1974. Parabéns à Autora.)

 

Em diferentes contextos, tenho tido oportunidade de apreciar “Dizedores” de Régio, para além dos que a “net” nos proporciona. O próprio, inclusive.

Peculiar, no mínimo.

Por vezes tenho questionado diversas pessoas que “Dizem” Régio sobre a forma do próprio dizer…

E lanço-lhe a questão:

- Caro/a Leitor/a: O que acha da forma de Régio “dizer” a sua própria poesia, nomeadamente o “Cântico Negro”? (…)

Outra questão, que poderá parecer herética:

- O que seria da Poesia de Régio, se João Villaret não a tivesse feito transcender?!

Ou reformulando a pergunta:

- Qual a importância e o papel de João Villaret na valorização da Poesia de Régio?!

 

E, para finalizar, uma ideia – sugestão que já coloquei neste blogue:

- Seria importante que a Cidade criasse a “Marca Régio”, direcionada aos mais diversos contextos, associando duas “entidades” intrinsecamente ligadas: Portalegre – Régio.

E, já agora, Vila do Conde!

Parabéns e Obrigado à "Casa José Régio".

Parabéns à Cidade!

 

E outra sugestão…

Porque não lançar um desafio aos vários “Dizedores de Poesia” de José Régio, espalhados pelo País, que comparecessem a um evento final que “celebrasse” a Poesia de Régio?! ….

 

Elogios post mortem

Foto Original. 2017.jpg

 

Elogios Fúnebres!

(Eleições!)

Hoje, 2ª feira, sete de Outubro, efetivadas as eleições ontem, domingo, e com algum tempo, retorno ao blogue e com algumas das minhas questões pertinentes, perguntas impertinentes.

Face ao falecimento do Professor Doutor Freitas do Amaral, alvo dos mais variados e praticamente unânimes elogios, provenientes das mais diversas origens, alguns de personagens que foram seus detratores em vida, ele que fora sujeito aos mais diversos ódios, alguns de estimação, inclusive de entre os seus correligionários…

Ocorre-me questionar:

- À partida essa atitude elogiosa será inteiramente merecida, não ponho sequer essa situação em dúvida, todavia e para o próprio que já cá não está, de que vale toda essa consideração?

- Não teria sido preferível que tivesse sido feita em vida?

- Para quê a forma como os seres humanos se destratam em vida, com tanto ódio e rancor, por vezes de forma desadequada e caprichosa, mas que deixa marcas nas pessoas em quem são projetadas essas atitudes odiosas?!

- Que sentido faz a Humanidade, nos mais diversos contextos, odiar-se tanto?!

E volto ao início. Para os próprios, após o falecimento, nem lhes adianta nem atrasa. Só, eventualmente (!) se esses elogios vierem a servir numa Outra Vida! Só, talvez nesse caso…

Para os familiares que cá ficam esse reconhecimento poderá trazer algum consolo, ainda que tardio.

E termino, com votos de pesar à Família e ao falecido, que “Descanse em Paz”!

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E já que houve eleições ontem, cujos resultados alguns esperados, outros surpresas, a abstenção por demais elevada, caso para refletirem… populismos radicais à mistura.

E futuros acordos?! Bom senso por parte do PS, recomenda-se! Que não inventem uma “Paningonça”, que ainda teremos cães a comer nos restaurantes, de faca e garfo!

 

“Line of Duty” – Afinal quem é o H?!

Lei e Corrupção

 

Season Five – 5ª Temporada – BBC One - 6 Episódios

 

Terminou ontem, 24 de Setembro, 3ª feira, o sexto episódio desta interessante série britânica e também a 5ª temporada.

 

Pelo modo como finalizou, ainda estará prevista uma sexta, pois o suposto H, chefia superior dos quadros da polícia e elo fundamental de ligação e comando com o crime organizado, ainda não foi descoberto.

 

No desenvolvimento destes seis episódios, tudo parecia indicar que este chefão oculto seria o superintendente Ted Hastings e essa suposição, quase certeza, manteve-se até quase ao final do episódio último.

Numa reviravolta rocambolesca, afinal Ted foi mais uma quase vítima desse celebérrimo H.

Valeram-lhe os seus subordinados e equipa imprescindível, composta pelos infatigáveis, leais e incorruptíveis, sargento Steve Arnott e “investigadora” Kate Fleming. Assim a brigada anti corrupção AC – 12 irá continuar em funções.

 

Em contraponto e infiltrado no mundo do crime para descobrir o H, John Corbett, que acabaria degolado por um jovem destrambelhado dessa equipa de psicóticos que constituíam o Grupo Organizado de Criminosos. Deixando uma linda rapariga viúva com duas crianças para criar… Parece que Hastings, no final, lhe foi entregar um envelope com 50 mil libras! Parece!

Pelo meio, uma quantidade de mortos, especialmente polícias corruptos. E uma frívola dengosa, Gill Biggloe, assessora jurídica e falsa amiga de Ted, que afinal era intermediária desse celebérrimo H! Mas que também não sabe quem é.

Nem ela nem nós, que ficamos com esta curiosidade, que certamente só será esclarecida futuramente.

 

Gostei muito de ver esta 6ª temporada. Mas não gostei do desfecho, nem o achei especialmente plausível, nem de fácil entendimento na finalização.

Mas lá está. Há que “fazer render o peixe” e dar continuidade a mais uma “season”!

E tudo isto por causa do H! Afinal, o melhor é mesmo acabarmos com o H!

 

A “Operação Pear Tree” – árvore das peras, apenas serviu para deitar fora mais algumas maçãs podres.

Foi isto que os políticos de serviço declararam aos meios de comunicação social, para tranquilidade pública.

Não há corrupção institucionalizada na polícia. Apenas algumas maçãs pobres. Mas estas foram removidas com a operação da árvore das peras!!!

Temos dito!

(Aguardemos a sexta… season – estação – temporada…)

Momentos de Poesia e Casa José Régio

Fotografia original 2018.jpg

 

Momentos de Poesia

Portalegre – 21 de Setembro

“Integrado no ano em que passam cinquenta anos após a morte de José Régio, Momentos de Poesia no dia 21 de Setembro lembra também o seu nascimento, com o seguinte programa:

15h – Visita guiada à Casa Museu José Régio

16h 15’ – Poesia de Régio e canto, no Hotel José Régio.”

Organização: Deolinda Milhano ------ Apoio: Hotel José Régio

Bem que gostaria de (re)visitar a Casa, e “Dizer Poesia” no Hotel, mas é-me impossível, pois estarei na inauguração da Exposição de “Poesia Visual”, na SCALA, em Almada. Onde já por diversas vezes, em "Poesia à Solta", ouvi excelentes “Dizedores” de Régio: “Cântico Negro”, “Toada de Portalegre”.

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Casa José Régio

Aproveito também esta oportunidade para frisar que a “Casa José Régio” tem organizado variadas atividades de divulgação de José Régio, segundo as suas múltiplas e variadas facetas de Homem de Cultura e Arte, não apenas enquanto Poeta, que é, todavia, a que melhor conheço e aprecio.

Ainda não tive oportunidade de comparecer, mas algum dia poderei!

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Obrigado pelas informações e parabéns às duas entidades: “Momentos de Poesia” e “Casa José Régio.”

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E aproveito para referenciar uma ideia que já explicitei no blogue: A Cidade precisa criar a “Marca Identitária Régio”, relacionando a identidade Cidade, com a identidade poética de Régio!

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https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/ai-as-nossas-fezes

Ai, as nossas “fezes”!

“E se eu gostasse muito de morrer”

Rui Cardoso Martins

Romance – Publicações Dom Quixote – 2006 – 1ª edição

Fotografia original 2015.jpg

 

Momentos de Poesia” de Julho foi subordinado à divulgação de um Autor Portalegrense atual, Rui Cardoso Martins, que nesse contexto tive oportunidade de conhecer pessoalmente. Sabia da sua existência, apesar da imagem mental que tinha dele ser a de outra pessoa das “Produções Fictícias”. Situação, aliás, que reportei ao próprio. Também não é devidamente conhecido e valorizado na Cidade, como merece. Frise-se!

Posteriormente a “Momentos”, na net, pude aprofundar sobre o Autor. E pude constatar do seu valor.

Entretanto na “Nun´Alvares” comprei o livro “E se eu gostasse muito de morrer”. Que já li e estou a reler. Muitíssimo interessante. Todo o Portalegrense, todo o Alentejano deveria ler! E não só! Porque é um livro universal.

Lê-se muitíssimo bem, dada a forma como as várias narrativas se entrelaçam. Seguir as várias histórias num livro tão impregnado da Cidade foi uma experiência única!

Fotografia original 2018.jpg

 

Conhecendo os espaços da ação, como tão bem conheço, vários dos enquadramentos tantas vezes e por vários anos calcorreados por mim, foi um modo de ler e fruir a leitura com maior envolvência.

Vários dos locais vêm identificados pelo nome próprio (colégio, hospital, seminário, praceta de Camões, plátano do Rossio, castelo, sé, paço do bispo, algumas ruas também…)

Outros foram batizados com outros nomes, o que a partir de certa fase da leitura, o meu modo de integração do processo de compreensão do que ia lendo, foi escrever, por cima, o nome exato do local. (Café Cortiça / Tarro, Rua Directa / Direita, Assentados / Assentos, Penhasco / Penha, Senfim / Bonfim, Porta da Defeza / Devesa, tasca do Marchito / Marchão, Av. João XXI / Pio XII, …Café do Centro / Central, Corredor / Corredoura, Rua dos Canastros / Canastreiros, Ribeira da Lixeira / Lixosa, …)

 

Os factos narrados, vários são por demais conhecidos, alguns bem na memória de muito boa gente, outros ter-se-ão desvanecido com o tempo. Não conheço todas as situações, aliás questiono-me se terão todos, um fundo de verdade…?

 

Os / As personagens, melhor, as pessoas reportadas no romance, algumas também com os nomes ligeiramente alterados, outros / outras com o nome próprio. Alguns identifico, a maioria, não…

 

Saliento desde já, que acho que neste livro o Autor homenageia bem por demais a Cidade! Presta um grande tributo à sua vivência nesta Cidade Transtagana. Apresenta de modo peculiar, talvez até um pouco descontraído, as nossas tragédias, melhor a nossa tragédia máxima, que é a Morte, a única e acutilante certeza com que nascemos. E que a todos os seres humanos coloca em pé de igualdade. “Ninguém cá fica!”

Apesar da temática, a narrativa não é relatada de forma mórbida. Há muito sentido de humor, ironia por demais, até graça, no relato dos acontecimentos. Tão peculiar esta nossa forma alentejana de encararmos as vicissitudes do Destino! …As nossas “fezes”…

 

E por “sorte macaca”, caso o Autor viesse a dar continuidade a esses relatos de mortes violentas e trágicas, várias ocorreram na Cidade, após o término da ação transcrita no romance. Fatalidades! Todavia… “… Não devemos perder a capacidade de nos rirmos de nós próprios…” p.115. Cito!

 

Faça favor de ler! (Contudo, atrevo-me a vaticinar que muitíssima boa gente torcerá o nariz ao livro.) Atreva-se! Ouse, que é inteligente! Irá divertir-se, tenho a certeza!

 

“A palavra saudade…”

Afonso Lopes Vieira

 

Volto ao blogue.

E, nem a propósito, com o tema “Saudade”!

E ainda com o livroDe Altemira Fiz Um Ramo…”

 

Pessoa Amiga (Drª Deolinda Milhano / “Momentos de Poesia” – Portalegre) chamou-me a atenção que duas quadras integradas neste livro que editei, enquadradas no capítulo “Cantigas da Prima Teresa” seriam de Autores conhecidos. De Afonso Lopes Vieira e de João de Deus.

 

Através da internet, consegui confirmar o facto. (Parabéns pela perspicácia! E Obrigado!)

 

“A palavra saudade / Aquele que a inventou / A primeira vez que a disse / Com certeza que chorou.” (pag. 53 “De altemira fiz um ramo…”)

 

Esta quadra é de autoria de Afonso Lopes Vieira. Confirmado, via net. Não sei a que livro pertence. Inclino-me para “Poeta Saudade” – 1903. Já procurei nos meus livros do ensino primário, mas não encontrei. Afonso Lopes Vieira é um dos Autores consagrados que mais figura nos antigos livros da primária.

 

“Quem teve a grande desgraça / De não aprender a ler / sabe só que se passa / No lugar onde estiver.” (pag. 59 “De altemira fiz um ramo…)

 

Da autoria de João de Deus. Também confirmado via net. João de Deus também é um dos Poetas consagrados que mais aparece nos mesmos livros da antiga primária. Mas não encontrei esta quadra nem sei a que livro pertencerá.

 

Mérito dos Autores, que sendo consagrados e eruditos, conseguiram ser igualmente populares.

A respetiva Poesia é popular tanto na sua génese, a montante, como igualmente a jusante, na sua divulgação: público - alvo. Para a sua construção, estes Poetas beberam na Poesia Tradicional, tanto na forma como no conteúdo.

Inspiraram-se no Cancioneiro Popular, poetando segundo os mesmos moldes, nos temas abordados e também pelo modo e como o fizeram formalmente. Daí a sua aproximação ao Povo, tornando-se muito populares e conhecidas as suas produções poéticas.

Por outro lado, também beneficiaram do facto de serem muito divulgados nos livros oficiais da escolaridade. Nos livros únicos e obrigatórios em que estudei, editados nos anos cinquenta e sessenta, Estado Novo, lá figuram estes dois Poetas com variada frequência.

Nos livros em que minha Mãe e Prima Teresa terão estudado, nas correspondentes Primárias, nos anos trinta, no início do Estado Novo, não sei se terão figurado, que ainda não consegui obter estes livros para consulta.

 

A quadra de A. L. Vieira já a localizei num livro deste Autor: “Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa”, editado por António Manuel Couto Viana, Veja Editora, 1998.

Esta quadra tem duas versões. Para além da já transcrita, mais antiga, também figura uma segunda versão diferente nos dois últimos versos: “… /… / por ser palavra tão doce, / ia chorar, não chorou.”

 

Mérito também da Prima Teresa que sendo uma Poetisa Popular, não erudita, incorporou na sua narrativa, na sua Sabedoria, na sua Cultura, estas bonitas quadras de Poetas eruditos e consagrados.

Aliás, como muitas outras quadras destes e outros Autores, o Povo integrou-as no seu saber, no seu conhecimento, como refere o editor mencionado na obra citada e outros autores também.

As pessoas teriam ou não consciência da respetiva autoria, aliás provavelmente pouco lhes importaria tal facto. Era mais uma das “cantigas” a fazer parte do reportório do respetivo “cantante”, que a utilizaria quando precisasse nos bailes e arraiais em que participasse.

 

E este facto só valoriza todos os intervenientes!

Jack Taylor – Assassinatos encenados

Assassino encomenda investigação aos seus assassinatos!

 Série Irlandesa – RTP2

4º Episódio – 4ª feira – 14 de Agosto

 

Poderá um assassino, um senhor professor idoso e respeitável, pedir investigação aos seus próprios assassinatos e ir fornecendo informações ao investigador, neste caso, o famoso Jack, o mais reputado detetive privado de Galway e arredores?!

(…)

Este 4º episódio não foi menos complexo que o anterior. Mas já mencionei o criminoso principal neste, que contraria um pouco a tese anterior da “Justiça divina”, porque o assassino não me pareceu ter morrido, acho que levou um tiro no pé, provocado pela ação de Cody, imprescindível nas investigações do chefe Taylor.

Quem também desenvolveu ação importantíssima foi Kate, que por duas vezes quase morreu e desempenhou o papel final de Deirdre, personagem mitológica das lendas irlandesas, bebidas nas tradições celtas. Última encenação do professor Gorman, visando atrair Jack a uma cilada final.

 

Como é habitual, faço uma leitura em viés do texto, salto aspetos fundamentais, nos vários capítulos narrados. Ademais os episódios são bem ricos, o meu penitenciar de “pueril”. De amores, também friso que sendo este episódio recheado do tema, desde logo pela estruturação temática dos crimes à volta da personagem Deirdre, o amor entre Kate e Jack está cada vez mais presente na narrativa, ainda que não assumido, forma de ir prolongando a atenção na temática. Anne parece ter sido esquecida, não mais apareceu no enredo e Linda, a mãe de Cody, envolvida em desafogo, certamente passageiro de ambos os intervenientes. Com direito a murro do rapaz ao chefe, pelo inesperado da situação, ao descobri-los no quarto dois da pensão, onde Jack se acolhe. Que o rapaz compreende, que não é nenhum Édipo!

 

E estes enquadramentos mitológicos estruturam o desenvolvimento da narração e dos crimes. Assassinatos de jovens raparigas da universidade local, uma primeira, Sarah Bradley, aparentemente atirada duma torre, como se fora suicídio, com marcas de consumo de heroína e citações poéticas do mito referido. Uma segunda, Karen Lowe, numa atuação única no papel de Deirdre! Para a qual Jack foi convidado telefonicamente via telemóvel, sem tempo para chegar a tempo, que já a encontraram morta. Mas chegou a tempo de ainda salvar a sua amada Kate, que, já mencionado, atuou na derradeira apresentação teatral do mito.

 

Fica muito por contar. O interesse do inspetor chefe, Griffin, por Kate, que morreu para a salvar. A ação de outro professor da universidade, Lawrence Doyle, viciado em cocaína, encantador das jovens e respetivo iniciador nas drogas. A atividade clandestina de um livreiro, importante fornecedor destes personagens, inclusive o professor Gorman, um dos principais clientes. O papel de um jovem psicopata, pequeno dealer na escola, de nome Ronan, especialmente atraído por degolação de cisnes brancos, outra referência mítica irlandesa. As citações de Yeats, poeta icónico da literatura irlandesa e universal.

 

E sobre o “Justiceiro” – Jack. Mencionar que começara a deixar de beber, que se reconciliara com a mãe, que recuperara um pouco após o enfarte, mas haveria de falecer no decurso deste episódio. E que após a experiência traumática da quase morte e salvação de Kate, voltou a beber!

 

E assim, dou por findas as minhas transcrições do episódio!

 

 

 

 

 

Jack Taylor – Um Policial –Seriado pueril?

Assassinatos em série, em Série Irlandesa – RTP2

A partir das 22h 10’. Episódios de cerca de 1h 30’.

3º Episódio – 3ª feira – 13 de Agosto

 

Pueril, classifiquei eu no primeiro texto sobre a série. Admito que não fui especialmente feliz na adjetivação. O enredo tem-se revelado mais complexo do que aparentava inicialmente. O termo pueril refere-se à forma como é tratada a questão da justiça. Os maus são sempre castigados, se não atua a justiça humana, acaba por intervir a divina. Afinal estamos na Irlanda, por demais católica, um padre é personagem atuante, fumador inveterado, e enamorado, platónico, da mãe de Jack. Sugestivos os nomes do icónico par: Brad e Angelina!

 

No 3º episódio mais uns quantos crimes em Galway. Que Jack, agora definitivamente acoplado ao seu parceiro, Cody, com direito a cartão de apresentação: Taylor & Cody! As ajudas sempre preciosas de Kate, pondo em risco o seu próprio papel oficial de “Guarda”.

 

Enredo complexo, daí pueril ser pobre no epíteto.

 

Que relação poderá haver entre assassinatos sequenciais de dois jovens irmãos, sem quaisquer antecedentes de marginalidade; o pedido de uma senhora para que Jack investigasse sobre uma antiga casa religiosa, “As Mónicas – Lavandaria Santa Mónica” - de acolhimento de jovens raparigas em risco, que aí eram especialmente maltratadas por uma freira, por elas denominada de “Lúcifer”; a decifração identitária deste cognome maldito; um diário que a mãe dessa senhora, que contratou Jack, escreveu enquanto esteve aí enclausurada, relatando as atrocidades e sofrimentos passados pelas raparigas; a exigência de um traficante de droga, doente de cancro e conhecido de juventude de Jack, para que o diário lhe fosse entregue; as leituras assombrosas e terríficas que o diário ia proporcionando ao nosso herói / anti-herói; a respetiva mãe, com quem tem um relacionamento tão agreste; o mergulhar no respetivo passado e no de Jack, criança e jovem; as lembranças do pai, o seu gosto por leituras, compartilhado pelo filho; a sua fuga de casa… a Justiça Divina”???!!!

 

Bem, foi todo o desenrolar deste novelo que os detetives particulares desbravaram no 3º episódio!

 

O traficante, mandante dos crimes dos jovens, morreu de cancro, no mesmo dia que a “Lúcifer”, senhora da cidade, de nome Rita Monroe. “Espero que aquela cabra arda no inferno”, vociferou o padre, para Jack, em lembrança do sofrimento infligido por ela às jovens de Santa Mónica, nomeadamente da mãe de Jack, que aí vivera a sua juventude. Rita, solteirona, era extremosa tia dos jovens e os assassinatos eram para a fazer sofrer. O traficante era filho de outra senhora que na juventude também sofrera os maus tratos da “Lúcifer”, pois frequentara a mesma Casa, de 60 a 66... E, por acaso, (!?) irmão da senhora que contratara o nosso investigador para descobrir quem era essa “Lúcifer”!!!

E a mãe de Jack, que ele através do diário, aprendeu a conhecer e perceber e com quem se passou a relacionar, teve um enfarte!

 

“Um tipo de justiça muito estranho! Espero que tenham levado o ódio com eles!” Disse um personagem sobre o enterro do traficante e da ex – freira.

 

(E, eu termino, que queria resumir dois episódios num post, mas não me é possível.)

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