Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
“Caro Carita, caso queira, terei muito gosto de ver este artigo incluído no seu excelente magazine.
Abraços,
Rolando e Maria Olívia.
*******
OS NOSSOS POETAS
JOSÉ DURO
Com a morte na alma
Parece que existem certos seres humanos marcados desde o princípio da sua vida para penarem até ao fim e morrerem jovens. É o caso do poeta de que hoje nos ocupamos. José António Duro, nascido em Portalegre a 22 de Outubro de 1875, abandonado à nascença, foi registado como filho de pais incógnitos. Seria a sua querida avó, quem mais recordaria em termos afectivos, na sua curta vida. «Ó minha avozinha, Lua de Janeiro / Branca de cuidados / Olha o teu netinho - face de coveiro / E olhos encovados…»
Na sua infância brincou e frequentou a escola primária na cidade natal. Mais tarde, o liceu. Não se tendo dado bem com a matemática, José Duro escolheu a Escola Politécnica e os seus estudos levaram-no à cidade do Porto e também a Lisboa, onde igualmente não se deu bem, tendo regressado a Portalegre.
Em Lisboa, o convívio com os jovens dados às letras, às tertúlias e às farras, fizeram-no sonhar e escrever os primeiros textos e colaborar em jornais. Numa revista lisboeta sai o soneto A Morte, tema fantasma que o perseguiria sempre. «Ó morte, vai buscar a raiva abençoada com que matas o mal e geras novos seres…»
A colaboração em jornais, mais em prosa do que em poesia, repartiu-se pelos periódicos Diário de Elvas, Campeão de Portalegre, Comércio do Alentejo, o Distrito de Portalegre, A Plebe e Branco e Negro. Textos inéditos seriam posteriormente publicados na imprensa da época.
A tristeza e a intuição de uma morte anunciada e iminente sempre o perseguiram e ocuparam a maioria da sua poesia, como Dor Suprema, O Coveiro e Doente. Em 1896 é publicado em Portalegre, o folheto Flores, e, dois anos mais tarde, o livro Fel, numa altura em que já se sabia tuberculoso e sem esperança. Pouca produção numa vida breve e que mais não permitiu. Por esse motivo repleto de desespero, revolta e melancolia sem fim. «Bendita sejas tu, ó morte, inexorável / Pelo mundo a chorar, desde que o mundo existe» e ainda «Que eu vivo ao abandono e sou miserável / Aos tombos pela vida, em busca de mim mesmo…»
Admiradores da sua poesia, entre muitos, foram Irene Lisboa, Augusto de Castro e José Régio, que sobre ele escreveu: «Se há poeta que não baste admirar, mas que é preciso amar, esse é José Duro.»
Qual o jovem na flor da vida que não se revoltará de ver a vida a fugir-lhe, com as asas cortadas antes de conseguir voar e numa alma sensível, ensombrada e amordaçada? Daí a mágoa, assim expressa em Doente:
«Quando o meu corpo, já sem vida, inerme,
Lançado for à podridão do verme.
- Se ele é verme também, e o verme é pó
Porque de todo o meu olhar eu cerre,
Pede, pede ao coveiro que me enterre
Na terra mais humilde, ó minha avó!
Escrevo e choro; dói-me a alma; tenho febre
Não sei quantos graus - calor insuportável;
- Moderno Lázaro – ó que vida miserável
Eu vivo aqui. Doente e só, no meu casebre…»
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José Duro, poeta decadentista, a quem a vida mais não concedeu do que 24 anos de idade, faleceria em 1899, da tuberculose de que sofria e lhe minava o corpo e a alma. Deixou-nos as suas palavras de um desespero sem fim, melancólicas, trágicas, mas belas, como aqueles sonhos bonitos que se deixam apenas deslumbrar, mas que se sabem fatalmente perdidos.
Hoje, voltamos ao nosso querido Alentejo! Para divulgarmos outro Evento Poético: “Momentos de Poesia”.
Este acontecimento poético, pioneiro, único na Cidade de Régio – Portalegre, no próximo sábado, desloca-se a Castelo de Vide, outra das bonitas localidades deste Alentejo do Nordeste.
Para homenagear Miguel Joanes.
Miguel Joanes é um Poeta ímpar. “Repentista”! De improviso, cria Poesia! Por várias vezes em que assisti ou participei em “Momentos de Poesia”, no final, este Poeta “Dizia a sua Poesia” sobre o acontecimento. Em verso, nos contava – rimando - sobre a ocorrência, os participantes, os organizadores, particularidades, aspetos de realce ou que lhe despertaram atenção, no decorrer da sessão poética. Algo digno de se presenciar, de ouvir, de ver o seu estro, enfatizando a Palavra, o Verbo, a narrativa poética.
Bonita e merecida homenagem!
O cartaz, em epígrafe, especifica sobre o assunto.
E também, para homenagearmos o Poeta, inserimos um dos poemas de sua autoria, de sugestivo título: Amigos!
« AMIGOS»
«Eu tenho muitos amigos
Amigos serão de verdade
Meus amigos do presente
Amigos de toda a gente
Nas doenças e amizades
Amigos quantas saudades
Tenho amigos, muitos amigos,
Até não sei quantos são
Amigos do coração,
Na vida que imagem linda
Tenho amigos, sempre amigos
Quantos são, não sei ainda!...
Amigos dos bons “MOMENTOS”
E os d’alegres divertimentos
Os d’aventuras reais
Amigos, cada vez mais
Que sonham na vida e na paz
Cada amigo é bem capaz
De lutar p’la união
Eu tenho amigos, e amigos…
Amigos do coração!!!»
Miguel Joanes
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Parabéns a todos os Organizadores, com especial realce a Drª Deolinda Milhano e Sr. José! Votos de excelente evento!
Felicitações a Miguel Joanes e que ainda tenha oportunidade de o ouvir “Dizer a sua Poesia!
(Saúde e Paz!)
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(Imagens:
Cartaz, cedido pela organização, bem como Poema.
Flores silvestres, da Serra de Portalegre: foto de minha autoria - Março - 2021.
Voltamos à Poesia. Num modelo clássico: o Soneto! Talvez a forma mais perfeita de expressão do sentimento poético. Para muitos apreciadores de Poesia, não é talvez, é de certeza.
Divulgamos, novamente, Poesia de “Outros Poetas”. Uma estruturação temática transversal ao blogue. Muitos textos poéticos de “Outros Poetas e Poetisas” constituem acervo de “Aquém-Tejo”.
Se quiser saber como surgiu este poema no blogue, é ter a amabilidade de ler os comentários do penúltimo postal “Rota Histórica de Flor da Rosa”. Aí se contextualiza o surgimento deste Poema.
Se quiser saber sobre Manuel Valente, faça favor de consultar.
Obrigado!
Segundo Mª J. Brito de Sousa, de “poetaporkedeusker”, “é o único dos sonetos dele que sobreviveu aos anos, às perseguições e aos exílios…”
A temática da Saudade dos Paes e Familiares, para quem está distante. Se faz favor, repare também na “ortographia”.
Jardim da Corredoura – “Cidade de Régio” -Portalegre
“Portalegre a Cidade e a Serra”, de Ângelo Monteiro, com Introdução, revisão e notas de Luís Bacharel. Edição de “A CIDADE” – Revista Cultural de Portalegre” – 1982.
Este livro debruça-se sobre a temática citada, englobando “Resenha histórica, Roteiro urbano, Descritivo, Volta à Serra, Freguesias rurais, Triângulo turístico e Notas.»
Nele, fazem-se referências ao monumento evocativo do Poeta José Duro. E, pelo descritivo e foto apresentada, constatam-se algumas alterações ao modelo inicial. (Tal como o Jardim e equipamentos da Corredoura que sofreram grandes alterações na sequência da intervenção do Programa Pólis: 2004, …).
Algumas citações do livro:
«… encontra-se em ampla praceta, a memorieta a José Duro (XVI)»… pag.20
(...)
«XVI – Duro (Memorieta ao poeta José Duro)
Por justa iniciativa dos estudantes portalegrenses, em 23 de Julho de 1944, foi inaugurada a memorieta que homenageia o notável e infeliz poeta José Duro, nascido nesta cidade em 27 de Outubro de 1878. Depois de uma curta vida, torturado pela doença e quase esquecido, veio a falecer em 1899, em Lisboa, no dia 18 de Janeiro.»pag. 41
(Nesta página 41, contendo a breve descrição anterior, figura também uma foto do medalhão com a efígie do poeta e subscrevendo a imagem, os seguintes dizeres: «HOMENAGEM DOS ESTUDANTES».)
«Nota (41) – O projecto da memorieta é do pintor portalegrense João Tavares e o trabalho em bronze de Inácio Perdigão.»pag. 82
Este postal completa o anterior sobre o assunto, esclarecendo um pouco mais sobre o monumento evocativo, de que me lembro das diferenças, nomeadamente o texto evocativo da homenagem dos estudantes, que não figura atualmente no monumento.
Face também à Autoria do monumento, João Tavares, não seria justo figurar uma placa evocativa dos promotores da homenagem, da autoria do singelo, mas sugestivo monumento e a data da respetiva concretização?! (Digo eu... Sei lá!)
Se quiser ter a amabilidade de navegar em Aquém-Tejo, terá essa confirmação.
Hoje, Caro/a Leitor/a, trago-lhe esta singela Homenagem prestada, na “Cidade de Régio”, a José Duro, postada num banco, de “sentar”, no Jardim da Corredoura.
Tentarei saber mais sobre o Poeta e sobre o banco.
In. “Segredos da Natureza a dois passos de Lisboa”, pag. 26.
De: Professor Manuel Lima (Fotografias e Texto)
Edição de Autor
1ª edição – Dezembro 2012
Tiragem: 1000 exemplares.
Em postal anterior, “Passeios por Aquém Tejo”, na sequência de postais sobre Setúbal, havia escrito que publicaria um Poema sobre Arrábida. Só hoje foi possível.
Este livro citado é um trabalho de excelência, como pode ajuizar a partir do excerto do Poema, de que transcrevo apenas três estrofes. Doze estrofes o compõem. Onze nonas e uma quadra.
Excelentes Fotografias, excelentes Poemas, abordando seis grandes Áreas Temáticas: “Parque Natural da Arrábida, Cabo Espichel, Reserva Natural do Estuário do Tejo, Lagoa de Albufeira, Arriba Fóssil da Caparica, Parque Natural de Sintra – Cascais”.
Comprei o livro em 06/04/2013, num lançamento promovido pelo Autor. Não me lembro em que local de Almada. O preço não registei, contrariamente ao que costumo fazer. Mas sei que foi relativamente em conta, entre dez e quinze euros. Para o trabalho que nele está incorporado, que não tem preço e sem suporte de editora, foi baratíssimo.
Caro/a Leitor/a, desejo-lhe boas Leituras de Verão, com muita Saúde!
Era um homem afável, acessível, com quem se simpatizava de imediato. A sua permanente boa disposição conquistava amizades e boa impressão onde quer que estivesse. A simplicidade e a humildade eram notórias e davam bem a ideia da pessoa. Eram o seu melhor e fiel cartão de visita.
José Garção Ribeiro Branquinho, nasceu em Monte Carvalho, freguesia de Ribeira de Nisa, Concelho e distrito de Portalegre, em 1931. Deixou-nos este ano, em Fevereiro de 2021.
O nosso poeta, era um ser humano iluminado que a si próprio classificava deste modo: «Sou poeta, sou cantor, adoro poder cantar, e canto por amor…» e logo a seguir, fosse qual fosse o local onde estivesse e fossem quais fossem as pessoas presentes nos brindava sem cerimónias com alguma canção, ora de Coimbra, do Alentejo ou quaisquer outras, sempre «à capela», numa voz afinada, clara e possante. Obviamente romântico, sonhador e humanista, este professor jubilado do Ensino Básico sempre elegeu a poesia, a música e o canto como interesses favoritos na vida, através dos quais expressava todas as mágoas, saudades e alegrias.
José Branquinho participou em dezenas de antologias de poesia e conto, entre as quais do Círculo Nacional D´Arte e Poesia. Colaborou em inúmeros jornais e revistas, com destaque para o seu clube do coração, o Sporting, no Jornal do Sporting, onde foi um dos fundadores do grupo coral e pertenceu à direcção da Associação de Solidariedade Sportinguista.
Uma alma apaixonada que ia buscar inspiração no seio da mãe-natureza, na beleza dum recanto urbano ou muitas vezes no silêncio da noite. O que lhe interessava era descrever o sentir profundo da relação com as pessoas e a natureza, tal como conta no livro «Cantos do Meu Canto» : «Quero dizer-te, meu amor/ Com verdade de coração aberto/ Que continua a minha dor no meu deserto/Que continua este fervor por ti/ Sempre desperto.»
Ao longo da vida José Branquinho nunca esqueceu os lugares por onde passou como Évora, Coimbra e sobretudo Portalegre, que o inspirava sobremaneira nos versos. E muitos escreveu alusivos à sua terra. A grande admiração e ternura pela mulher em geral, com especial relevo e carinho para a querida e saudosa esposa. Como só a alma sensível de um poeta sabe sentir e expressar.
Como companhia literária o nosso membro tertuliano lia Camões, Fernando Pessoa, Bocage, Florbela Espanca, Eça de Queiroz e especialmente José Régio. Seus clássicos preferidos.
Calou-se a voz de um amigo poeta e homem franco e bem disposto com a vida. Vai ser difícil continuar sem o ouvir cantar tão bem, sem a presença calorosa onde o seu sorriso se harmonizava com qualquer ambiente. José Branquinho, o ser humano que exaltava o sol, as flores as saudades e sobretudo o amor. Felizmente deixou-nos os versos, pedaços de alma, emoções e sentimentos à flor da pele.
Estaremos sempre contigo, José Branquinho.
«Até à Eternidade.»
ROLANDO AMADO RAIMUNDO» 2021
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Notas Finais:
OBRIGADO a Rolando, pela amabilidade em deixar-me reproduzir tão belo e sincero testemunho de Amizade Poética. Já agora, também clubística, porque Rolando também é do Sporting! (Os negritos são de minha lavra.)
Se não forem os Poetas a lembrarem-se dos Poetas, quem o fará?!
Lembre-se e preste atenção, Caro Leitor/a Leitora/a, Se Faz Favor!
Aproxima-se o “Dia de Camões” também celebrado como “Dia de Portugal”.
Nas “Cerimónias Oficiais”, consta o “Dizer Poesia” de Camões? Oxalá eu esteja completamente enganado!
Obviamente há Instituições particulares, modestas muitas delas, que farão essa homenagem. A APP – Associação Portuguesa de Poetas será uma delas. O CNAP também já o tem feito. Outras Instituiçõestambém.
Poeta – Cantor – Declamador – Tertuliano – Sportinguista – Professor
Ontem, soube do falecimento de José Garção Ribeiro Branquinho (08/07/1931 – 16/02/2021), através de mail enviado de Direção da APP – Associação Portuguesa de Poetas.
Para homenagear um Poeta nada melhor que dar a conhecer a sua Poesia.
José Branquinho é várias vezes referenciado no blogue e com textos poéticos aqui divulgados. Ser igualmente sócio da APP e do CNAP e participante em “Momentos de Poesia” é determinante para esse facto.
Também sobre José Branquinho e “Momentos de Poesia”, escrevi talvez a minha primeira crónica cultural, em 2013, antes de ter blogue. (A léguas de tal assunto!)
“Crónica breve dos dias de hoje”, publicada no Boletim Cultural Nº 111 de CNAP – Junho 2013. Hei-de divulgar no blogue.
José Branquinho também organizou, enquanto pôde, uma Tertúlia Poética, na Sala VIP do Estádio José Alvalade – Sporting. Ocorria nas terceiras quartas – feiras de cada mês. Nunca cheguei a participar.
Na Poesia de José Branquinho alguns dos temas dominantes são “O Amor”, “O Alentejo” e a sua e nossa também, “Portalegre”. (Era natural de Ribeira de Nisa, também uma das suas fontes de inspiração.)
Da X Antologia do Círculo Nacional D’Arte e Poesia – CNAP – 2009, transcrevo: