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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Um Soneto de Manuel Valente!

«A Meus Paes»

 

«Noite silenciosa em que a tristeza

Fala baixinho ao coração aflicto…

Uma estrella sequer, se o céu eu fito

Brilhar não vejo na amplidão acesa

*

Dorme por toda a parte a Natureza

Na doce paz, no seio do infinito…

No entretanto afanoso eu ressuscito

Uma lembrança entre soluços presa.

*

Talvez que lá no meu Paiz distante

Onde vivem meus paes e irmãos queridos

(recordação que beijo a cada instante!)

*

Talvez nest`hora de silencio eterno,

Que os olhos todos cerrem-se endormidos

Que só não durma o coração paterno!...»

*

Manuel

Rio de Janeiro, 16/4/912

 *******

Voltamos à Poesia. Num modelo clássico: o Soneto! Talvez a forma mais perfeita de expressão do sentimento poético. Para muitos apreciadores de Poesia, não é talvez, é de certeza.

Divulgamos, novamente, Poesia de “Outros Poetas”. Uma estruturação temática transversal ao blogue. Muitos textos poéticos de “Outros Poetas e Poetisas” constituem acervo de “Aquém-Tejo”.

Se quiser saber como surgiu este poema no blogue, é ter a amabilidade de ler os comentários do penúltimo postal “Rota Histórica de Flor da Rosa”. Aí se contextualiza o surgimento deste Poema.

Se quiser saber sobre Manuel Valente, faça favor de consultar.

Obrigado!

Segundo Mª J. Brito de Sousa, de poetaporkedeusker”, “é o único dos sonetos dele que sobreviveu aos anos, às perseguições e aos exílios…”

A temática da Saudade dos Paes e Familiares, para quem está distante. Se faz favor, repare também na “ortographia”.

Muita Saúde e PAZ!

 

«Momento de Poesia - Num Navio a Passar»


«É só embarcar

Poesia»

«NUM NAVIO A PASSAR»

de R.A.R.

 

«Que saudade é esta de momentos que não tive

Sentimento preso de beijos perdidos?

Que vontade urgente é esta, de abraçar

Dizer o que ninguém ouviu nem sentiu?

Na viagem dum navio que se afasta

Largando fumo que, lento, se esvanece

Como ave que ao longe desaparece

Música que aos poucos se esvai

O navio de memórias assim vai…

Nem quando floria

Nem quando aquecia

Nem quando folha caía

E o triste frio enrijecia

O navio, sempre, prosseguia…

Na rota houve fome, houve sede

Medo, lutas, solidão

Gritos surdos de um Munch

Fantasias de Disney

Doces contos de encantar

Hollywood a despertar

Paris, alma com alegrias,

Poesia, romance, coração e cantigas

E o navio sem parar, sem parar…

Aqui há comédia, drama, suspense e mistério.

Agatha Christie, ninho de intrigas.

Sem terra à vista, onde é possível sonhar

Tudo aquilo que se sabe e predestina…

Como a viagem fascina!»

 

 

«ROLANDO AMADO RAIMUNDO

12 DE JANEIRO DE 2022»

 

(Hoje, neste postal nº 1026, voltamos à Poesia.

Não de minha autoria, que ando desinspirado, mas de Poeta Amigo: R.A.R.

Espero que aprecie, Caro/a Leitor/a.

Muita Saúde e Muito Obrigado!)

 

Memorieta a Poeta José Duro

Jardim da Corredoura – “Cidade de Régio” -Portalegre

Homenagem José Duro. Foto Original. 2021.11.04.jpg

“Portalegre a Cidade e a Serra”, de Ângelo Monteiro, com Introdução, revisão e notas de Luís Bacharel. Edição de “A CIDADE” – Revista Cultural de Portalegre” – 1982.

Vista da Cidade. Foto original. 2021.01.08.jpg

Este livro debruça-se sobre a temática citada, englobando “Resenha histórica, Roteiro urbano, Descritivo, Volta à Serra, Freguesias rurais, Triângulo turístico e Notas.»

Nele, fazem-se referências ao monumento evocativo do Poeta José Duro. E, pelo descritivo e foto apresentada, constatam-se algumas alterações ao modelo inicial. (Tal como o Jardim e equipamentos da Corredoura que sofreram grandes alterações na sequência da intervenção do Programa Pólis: 2004, …).

Algumas citações do livro:

«… encontra-se em ampla praceta, a memorieta a José Duro (XVI)»… pag.20

(...)

«XVI – Duro (Memorieta ao poeta José Duro)

Por justa iniciativa dos estudantes portalegrenses, em 23 de Julho de 1944, foi inaugurada a memorieta que homenageia o notável e infeliz poeta José Duro, nascido nesta cidade em 27 de Outubro de 1878. Depois de uma curta vida, torturado pela doença e quase esquecido, veio a falecer em 1899, em Lisboa, no dia 18 de Janeiro.» pag. 41

(Nesta página 41, contendo a breve descrição anterior, figura também uma foto do medalhão com a efígie do poeta e subscrevendo a imagem, os seguintes dizeres: «HOMENAGEM DOS ESTUDANTES».)

«Nota (41) – O projecto da memorieta é do pintor portalegrense João Tavares e o trabalho em bronze de Inácio Perdigão.» pag. 82

Assinatura I. Perdigão. Foto original. 2021.11.04.jpg

Este postal completa o anterior sobre o assunto, esclarecendo um pouco mais sobre o monumento evocativo, de que me lembro das diferenças, nomeadamente o texto evocativo da homenagem dos estudantes, que não figura atualmente no monumento.

Medalhão José Duro. Foto original. 2021.10.15.jpg

Face também à Autoria do monumento, João Tavares, não seria justo figurar uma placa evocativa dos promotores da homenagem, da autoria do singelo, mas sugestivo monumento e a data da respetiva concretização?! (Digo eu... Sei lá!)

E quem foi Ângelo Monteiro?!

(...)

Grato pela atenção. Votos de muita saúde!

 

Portalegre: Valorização da Poesia!

E dos seus Poetas!

Não tenho dúvidas que Portalegre é uma Cidade de Poesia! Por muitas, diversas e variadas razões. E situações.

De Poetas! E, entre todos, Portalegre: “Cidade de Régio”.

Se quiser ter a amabilidade de navegar em Aquém-Tejo, terá essa confirmação.

Hoje, Caro/a Leitor/a, trago-lhe esta singela Homenagem prestada, na “Cidade de Régio”, a José Duro, postada num banco, de “sentar”, no Jardim da Corredoura.

Banco na Corredoura. Foto original. 2021.10.15.jpg

Tentarei saber mais sobre o Poeta e sobre o banco.

De “sentar”, friso. Que os outros…

José Duro. Portalegre. Foto Original. 2021.10.15.jpg

Excertos Poéticos...

Excerto poético I. Foto original. 2021.10.15.jpg

Preste atenção à mensagem e à ortografia, S.F.F.

Excerto Poético. Foto original. 2021.10.15.jpg

E que saudades de “Momentos de Poesia”!

Mas com “Isto da Covid”…

Obrigado pela sua atenção. Votos de muita Saúde!

 

Poema sobre Serra da Arrábida

Foto Original. 20210715_104859.jpg

«A cadeia da Arrábida»

 

«És calcária cadeia montanhosa,

Na península de Setúbal, meridional,

Relevos, vultos, paisagem rochosa,

Notável orografia à vista da capital.

Proeminente e afortunada escultura,

Tuas serras se destacam da planura,

S. Francisco, S. Luís, Louro, Gaiteiros,

Teus vales são grenhas de verdura,

Barris, Alcube, Rasca e Picheleiros.

 

Na cordilheira, Arrábida sobressai,

A mais alta, debruçada sobre o mar,

Enamorado e meigo o Sado vai,

A sua alcantilada face beijar.

Serra-mãe, que de Deus és criação!

Será teu nome de origem Ribat?

Do muçulmano, lugar de oração,

Ou quem sabe, talvez Arrabdah?

Gelfa, pascigo, pastagem d’eleição. 

…   …   …   …   …   …   …   …   …    

Tu Arrábida, soberbo e mágico mirante,

Património histórico, científico, cultural,

Tua paisagem, desmesurada, fascinante,

Dádiva da natureza, meu parque natural!»

 

In. “Segredos da Natureza a dois passos de Lisboa”, pag. 26.

De: Professor Manuel Lima (Fotografias e Texto)

Edição de Autor

1ª edição – Dezembro 2012

Tiragem: 1000 exemplares.

 

Em postal anterior, “Passeios por Aquém Tejo”, na sequência de postais sobre Setúbal, havia escrito que publicaria um Poema sobre Arrábida. Só hoje foi possível.

Foto Original. 20210621_094621.jpg

Este livro citado é um trabalho de excelência, como pode ajuizar a partir do excerto do Poema, de que transcrevo apenas três estrofes. Doze estrofes o compõem. Onze nonas e uma quadra.

Excelentes Fotografias, excelentes Poemas, abordando seis grandes Áreas Temáticas: “Parque Natural da Arrábida, Cabo Espichel, Reserva Natural do Estuário do Tejo, Lagoa de Albufeira, Arriba Fóssil da Caparica, Parque Natural de Sintra – Cascais”.

Comprei o livro em 06/04/2013, num lançamento promovido pelo Autor. Não me lembro em que local de Almada. O preço não registei, contrariamente ao que costumo fazer. Mas sei que foi relativamente em conta, entre dez e quinze euros. Para o trabalho que nele está incorporado, que não tem preço e sem suporte de editora, foi baratíssimo.

 

Caro/a Leitor/a, desejo-lhe boas Leituras de Verão, com muita Saúde!

 

De um Poeta para Outro Poeta!

«PARTIU UM DE NÓS, EM SILÊNCIO

JOSÉ BRANQUINHO

UM POETA QUE DEIXA SAUDADES

Serra. Boninas e Pinheiro. Foto Original. 2021.05. jpg

Era um homem afável, acessível, com quem se simpatizava de imediato. A sua permanente boa disposição conquistava amizades e boa impressão onde quer que estivesse. A simplicidade e a humildade eram notórias e davam bem a ideia da pessoa. Eram o seu melhor e fiel cartão de visita.

José Garção Ribeiro Branquinho, nasceu em Monte Carvalho, freguesia de Ribeira de Nisa, Concelho e distrito de Portalegre, em 1931. Deixou-nos este ano, em Fevereiro de 2021.

O nosso poeta, era um ser humano iluminado que a si próprio classificava deste modo: «Sou poeta, sou cantor, adoro poder cantar, e canto por amor…» e logo a seguir, fosse qual fosse o local onde estivesse e fossem quais fossem as pessoas presentes nos brindava sem cerimónias com alguma canção, ora de Coimbra, do Alentejo ou quaisquer outras, sempre «à capela», numa voz afinada, clara e possante. Obviamente romântico, sonhador e humanista, este professor jubilado do Ensino Básico sempre elegeu a poesia, a música e o canto como interesses favoritos na vida, através dos quais expressava todas as mágoas, saudades e alegrias.

José Branquinho participou em dezenas de antologias de poesia e conto, entre as quais do Círculo Nacional  D´Arte e Poesia. Colaborou em inúmeros jornais e revistas, com destaque para o seu clube do coração, o Sporting, no Jornal do Sporting, onde foi um dos fundadores do grupo coral e pertenceu à direcção da Associação de Solidariedade Sportinguista.

Uma alma apaixonada que ia buscar inspiração no seio da mãe-natureza, na beleza dum recanto urbano ou muitas vezes no silêncio da noite. O que lhe interessava era descrever o sentir profundo da relação com as pessoas e a natureza, tal como conta no livro «Cantos do Meu Canto» : «Quero dizer-te, meu amor/ Com verdade de coração aberto/ Que continua a minha dor no meu deserto/Que continua este fervor por ti/ Sempre desperto.»

Cidade de Régio vista da Serra. Foto original. 2021.05.jpg

Ao longo da vida José Branquinho nunca esqueceu os lugares por onde passou como Évora, Coimbra e sobretudo Portalegre, que o inspirava sobremaneira nos versos. E muitos escreveu alusivos à sua terra. A grande admiração e ternura pela mulher em geral, com especial relevo e carinho para a querida e saudosa esposa. Como só a alma sensível de um poeta sabe sentir e expressar.

Como companhia literária o nosso membro tertuliano lia Camões, Fernando Pessoa, Bocage, Florbela Espanca, Eça de Queiroz e especialmente José Régio. Seus clássicos preferidos

Calou-se a voz de um amigo poeta e homem franco e bem disposto com a vida. Vai ser difícil continuar sem o ouvir cantar tão bem, sem a presença calorosa onde o seu sorriso se harmonizava com qualquer ambiente. José Branquinho, o ser humano que exaltava o sol, as flores as saudades e sobretudo o amor. Felizmente deixou-nos os versos, pedaços de alma, emoções e sentimentos à flor da pele.

Estaremos sempre contigo, José Branquinho.

«Até à Eternidade

ROLANDO AMADO RAIMUNDO» 2021

*******

Notas Finais:

OBRIGADO a Rolando, pela amabilidade em deixar-me reproduzir tão belo e sincero testemunho de Amizade Poética. Já agora, também clubística, porque Rolando também é do Sporting! (Os negritos são de minha lavra.)

Se não forem os Poetas a lembrarem-se dos Poetas, quem o fará?!

Lembre-se e preste atenção, Caro Leitor/a Leitora/a, Se Faz Favor!

Aproxima-se o “Dia de Camões” também celebrado como “Dia de Portugal”.

Nas “Cerimónias Oficiais”, consta o “Dizer Poesia” de Camões? Oxalá eu esteja completamente enganado!

Obviamente há Instituições particulares, modestas muitas delas, que farão essa homenagem. A APP – Associação Portuguesa de Poetas será uma delas. O CNAP também já o tem feito. Outras Instituições também.

Obrigado pela sua Leitura e votos de muita Saúde!

 

Homenagem a José Branquinho!

Poeta – Cantor – Declamador – Tertuliano – Sportinguista – Professor

Tília Miradouro Foto original. 2021. 01. jpg

Ontem, soube do falecimento de José Garção Ribeiro Branquinho (08/07/1931 – 16/02/2021), através de mail enviado de Direção da APP – Associação Portuguesa de Poetas.

Para homenagear um Poeta nada melhor que dar a conhecer a sua Poesia.

José Branquinho é várias vezes referenciado no blogue e com textos poéticos aqui divulgados. Ser igualmente sócio da APP e do CNAP e participante em “Momentos de Poesia” é determinante para esse facto.

Quadras ao Meu Amor” – XIII Antologia CNAP

Meu Alto Alentejo” – “Momentos de Poesia”

Ao Teu Olhar” – Antologia APP – XX Vol.

 

Também sobre José Branquinho e “Momentos de Poesia”, escrevi talvez a minha primeira crónica cultural, em 2013, antes de ter blogue. (A léguas de tal assunto!)

Crónica breve dos dias de hoje”, publicada no Boletim Cultural Nº 111 de CNAP – Junho 2013. Hei-de divulgar no blogue.

 

José Branquinho também organizou, enquanto pôde, uma Tertúlia Poética, na Sala VIP do Estádio José Alvalade – Sporting. Ocorria nas terceiras quartas – feiras de cada mês. Nunca cheguei a participar.

Na Poesia de José Branquinho alguns dos temas dominantes são “O Amor”, “O Alentejo” e a sua e nossa também, “Portalegre”. (Era natural de Ribeira de Nisa, também uma das suas fontes de inspiração.)

Portalegre. Foto Original. 2021. 01. jpg

Da X Antologia do Círculo Nacional D’Arte e Poesia – CNAP – 2009, transcrevo:

 

«PORTALEGRE, MINHA CIDADE»

 

«Portalegre, minha Cidade

Aí nasci, estudei e amei,

És sempre minha saudade

Desde que daí me ausentei.

 

Portalegre, minha Cidade

De tantos belos recantos!

À mais qu’rida realidade

Exaltada nos meus cantos.

 

Tenho em ti minhas raízes

Meus afectos que enalteço!

Meus momentos mais felizes

Desse tempo que não esqueço.

 

Quantas vezes, Portalegre

Aqui te recordo saudoso!

Em teu seio sou alegre

Longe de ti, tão choroso.

 

Ando de cá para lá

Enquanto Aqui vivo for

Porque o coração está

Onde está o nosso Amor.

 

Vivo a cantar-te, Cidade

De ti eu me enamorei!

Tu és a minha verdade

Em breve a ti voltarei.»

 

 

"Amália, um coração em nós"!

Foto Original. 2020. 10. jpg

“AMÁLIA, UM CORAÇÃO EM NÓS”

 

Costa Caparica. Foto Original. 2019. 09. jpg

 

«Sempre que cantas, estende-se um mar

Um lamento indizível, um choro, escuridão

Numa rua à noite, uma alma por libertar

Um grito de gaivota a quebrar solidão.

Sempre que cantas há uma infância a surgir

Uma névoa de pobreza, com tristeza a rimar

Há poetas, há telas, um barco negro a fluir

Que nos ensina a cantar, para não chorar.

Amália o teu canto faz comover

Amália nossa para bisar

Vem nossas penas sossegar.

Porque insistes em morrer

Se o teu fado é para cantar

Se o teu destino é para ficar?»

 

ROLANDO AMADO RAIMUNDO  - 30 / 10 / 2020

Hoje voltamos à Poesia!

Não de minha autoria, que neste blogue também se divulgam os trabalhos de outras pessoas, de outros poetas, de outras poetisas. Também esse é o propósito do blogue. Desde que me enviem poemas, que sejam publicáveis, terei muito gosto em fazê-lo.

É uma forma também de nos afastarmos das politiquices que abundam sempre por aí.

E, principalmente e neste caso específico, lembrarmos AMÁLIA. Que também admiramos. Tal como Rolando e Olívia Diniz Sampaio, também grande admiradora da nossa maior Cantante.

Um abraço amigo, virtual, que estas cenas da Covid obrigam-nos a estarmos afastados das tertúlias.

Para ilustrarmos o Poema, uma linda Rosa. (Amália era grande apreciadora de rosas.)

(Esta Rosa rosa pertence a uma roseira que enxertei numa base de roseira brava de cor branca. Fica um rosa mais claro. E floriu em Outubro, que é essa a riqueza do nosso clima: termos rosas praticamente todo o ano.)

E cuidem-se!

 

«ESCUTA!...»

POESIA de João Guerreiro da Purificação.

Original DAPL. 2016. jpg

 

 

«ESCUTA!...»

 

«Se à Bíblia deres razão

Muda a tua vida de vez

Não faças que a tua mão

Veja o bem que a outra fez.

 

Se tu pousares com amor

A mão num ombro qualquer

Não toques sino nem tambor

Que tal bem morre ao nascer.

 

Se levares pela mão

Alguém em rude caminho

Não digas ao teu coração

Nem fales disso ao vizinho.

 

Se houver alguém que te pise

Ou te der algum encosto

Desculpa-te com um sorriso

Com esse, do pé mal posto.

 

Se tens arestas como picos

Lima-os todos muito bem

Não se virem os malditos

E te piquem a ti também.»

 

In.

III ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA, 64 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1986. Minigráfica, Lisboa.

 

Original DAPL Aldeia Igreja Araucária 2017jpg

 

Notas Finais:

Conforme mencionara em post anterior, prossigo na divulgação de Poesia de Pessoas da Aldeia, de que eu tenho conhecimento.

Supracitado, está o Srº João Guerreiro da Purificação, (10/07/1927 – 17/12/1997), que dispensa apresentações e que tive o grato prazer de conhecer e de conviver, como a grande maioria dos Matenses.

Segundo julgo saber, esta “III Antologia de Poesia Contemporânea” foi o 1º livro em que o Srº João participou, tendo também ainda publicado, nessa Antologia, “INIMIGOS”.

 

(Nesta mesma Antologia também participei. Com: “UM QUADRO” e “CAVALO DE FERRO”, que já figuram no blogue.)

 

No domínio das Antologias, que seja do meu conhecimento, ainda participou na “IV ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA”, 80 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1987; Minigráfica, Lisboa.

Deu a conhecer: “E FOI ASSIM” e “QUADRAS SOLTAS”.

 

(Nesta Antologia não participei. Mas tenho um exemplar autografado, que me foi oferecido pelo Srº João.)

(Relativamente a estas Antologias, não posso deixar de frisar o trabalho altamente meritório de Luís Filipe Soares, que neste domínio conseguiu sempre um crescendo de adesões, pois a “V Antologia de Poesia Contemporânea”, de Fev. 1988, conseguiu 97 Autores!

No final desse mesmo ano, Nov. 1988, “estranhamente”, surgiria uma outra Antologia intitulada “I Antologia de Poesia Contemporânea”, coordenada por um dos participantes na V Antologia de Poesia Contemporânea, já referida.) (!!!???)

 

No concernente ao Srº João Guerreiro da Purificação, frise-se que ainda veria, em vida, a publicação das suas Poesias, em livro de sua autoria: “ANTA”, Aldeia da Mata - 1992; Gráfica Almondina, Torres Novas. Com “Apresentação” de Srª D. Maria Aires, impulsionadora da publicação deste trabalho, como o próprio frisa na “Introdução”: “Encorajou-me de tal maneira que consegui levar por diante esta sua lembrança.”

 

Seria ainda publicado de sua autoria, embora já não em vida, um outro livro versando “As tradições da nossa Terra… o que foi a Grande Sabedoria Popular da nossa Terra”, conforme, de algum modo, sugerira na “Introdução” do mencionado “ANTA”.

Intitula-se “A nossa terra”; “2000, Há Cultura. Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda. / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata”; Colecção Patrimónios; Lisboa.

*******

As Fotografias são originais de D.A.P.L., de 2016 e 2017, de locais emblemáticos de Aldeia e de algum modo sugestionados pelo conteúdo do texto, numa interpretação sempre livre e pessoal.

A primeira reporta-se ao "Vale de Baixo"!

A segunda é por demais evidente.

(Foi nesse caminho que se situou um das metas do extraordinário evento de "Orientação", ocorrido em Fevereiro transato.) 

« “Mendigo do Ideal”»

« “Mendigo do Ideal”»

 

«Em outras eras, quando adolescente,

das Hostes do Ideal eu fui soldado,

Vida…fraternidade…amor…dourado

tudo eu via, sob luz’resplandecente…

 

Tudo…terra…água…’strelas…sol ardente…

Tudo, tudo eu amava, enamorado…

Ah! Frente à Natureza, extasiado,

Eu tive orações místicas de crente.

 

O Tempo andou…Com dolo e vil traição,

Os Batalhões do Mal, em elo forte,

Avassalaram o Ínclito Pendão.

 

De então, a alma em farrapos, no temporal

da Vida, aos baldões, mísero, sem norte,

Em vão esmolo o Reino do Ideal.»   

 

«Luanda, Dezembro de 1948

JoCris»

 

 

In.:

- Jornal “A MENSAGEM”, Setembro 2013, “Lembrando…” pag. 10.

- “TESTEMUNHOS de José Cristóvão Henriques (Engenheiro - Silvicultor)”; Junta de Investigações Científicas do Ultramar – Lisboa – 1981; (Edição de iniciativa de suas irmãs, Drª Piedade da Rosa Cristóvão e Drª Rita Florinda Cristóvão, que tomaram a seu cargo os custos da respetiva publicação.)

 

*******

 

Notas Finais:

Este soneto “encontrei-o” no supracitado Jornal “A Mensagem”. Decidi publicá-lo no blogue, no enquadramento de divulgação de “Poesia” e cumulativamente dar a conhecer trabalhos de e sobre Aldeia. Divulgarei outras Pessoas e Poesias, em idênticos enquadramentos.

Posteriormente, foi-me oferecido, pela Srª D. Belmira, o livro citado. A quem, publicamente, agradeço, pois a obra é muitíssimo interessante, versando fundamentalmente assuntos de silvicultura, especialidade de engenharia do mencionado senhor, que eu desconhecia completamente.

(Nasceu em Aldeia da Mata, a 8 de Dezembro de 1917 e aí viveu até aos sete anos. Aos 10 anos, foi para Lisboa - 1927. Em 1935, entrou no Instituto Superior de Agronomia, tendo concluído o curso já referido, em 1940. Em 1946, passou a exercer as funções de engenheiro – silvicultor em Angola, onde trabalhou; para além de Portugal Continental, Moçambique e Timor. Pertenceu aos quadros profissionais da Direção-Geral de Economia do Ministério do Ultramar, de 1961 a 1975.

Faleceu em 4 de Abril de 1976, com 58 anos, não sei em que localidade.)

 

Ilustro com foto original de DAPL – 2017, de paisagem de Aldeia, junto à "Fonte das Pulhas" que, de algum modo, nos poderá reportar para o “Idealismo” subjacente ao soneto e para paisagens possivelmente vislumbradas pelo Autor. No recorte do horizonte, os montados de azinho...

 

IMG 2016. Original DAPL.jpg

 (Foto original DAPL - 2016.)

*******

 

“Vi a luz numa pequena aldeia rural, toda alvacenta e em eterno namoro com montados de sobro e azinho e olival. Os contrafortes cinzentos da serra de S. Mamede…”

In. supracitado livro: “TESTEMUNHOS…” pag. 53

 

*******

Rua do Norte  - Fundão. Original FMCL.jpg

(Imagem de Rua Larga, ou do Fundão ou do Norte, que me lembram todos estes nomes da Rua. Original de FMCL - meados dos anos oitenta.)

(Esta "imagem" da Aldeia poderá ter sido "visualizada" pelo Autor do soneto, nos anos vinte, quando viveu na "aldeia... alvacenta...". Com excepção dos postes da luz, que só foi inaugurada nos finais dos anos cinquenta; da roseira, à porta da D. Dolores e da própria, que seria jovem à data, anos vinte do século vinte.)

 

 

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