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Tertúlia do C.N.A.P. – Maio 2018: Arte e Poesia!

por Francisco Carita Mata, em 13.05.18

Arte e Poesia em semana de Eurovisão!

 

O Círculo Nacional D’Arte e Poesia continua na sua meritória caminhada, há quase trinta anos, desde 1989, na divulgação da Arte e da Poesia.

 

No passado dia oito de Maio, como tem ocorrido nos últimos anos, graças à amabilidade da Direção do Centro de Dia de São Sebastião da Pedreira, aí decorreu mais uma Tertúlia dedicada à Poesia, irmanada com uma bonita Exposição de Pintura.

 

De entre os vários artistas, com obras expostas na improvisada galeria, estiveram presentes na inauguração (que piada eu acho à palavra “vernissage”!), digo, deram-nos a honra da sua comparência, D. Josefina Almeida, D. Fernanda de Carvalho, D. Maria Ivone Azevedo e D. Teresa Filipe. Autodidatas da arte de pintar, com alguns cursos de tempos livres, não académicos, mas nem por isso menos primorosas no seu labor!

Pintura original Josefina Almeida.jpg

 

D.Josefina apresenta-nos trabalhos paisagísticos, da sua região natal: Ponte Manuelina, na vila de Góis; Rio Ceira, na aldeia do Colmeal e “Cai neve”, em Viseu.

Pintura figurativa, em tons escuros, a que não são alheios os estados de alma e a tristeza vivida nas tragédias, ainda bem presentes, dos recentes incêndios que devastaram as áreas da “Zona do Pinhal” e das Beiras!

Mas o verde também sempre poeticamente presente, de esperança!

Pintura original Josefina Almeida. jpg

 

Essa nostálgica tristeza também se reflete em “Rio Turvo” “…meus desenganos…”, título e excerto de poema de sua autoria que nos deu a conhecer.

Já em “Mulher vais ser Mãe!”, “poema que escreveu há quase sessenta anos”, impregnado de realismo vivenciado, a que Mãe se referirá o sujeito poético?!

 

D. Fernanda de Carvalho opta por uma estética surrealista. Expõe duas peças artísticas. Uma “Sem Título”, que ela própria não consegue muito bem decifrar o que pretende mostrar-nos, segue o que o seu estro ordena, embora na obra vislumbre parte de mulher, uma pata de touro… Deixa-nos a nós, a capacidade e primazia de lermos o desenho e a pintura, segundo a nossa perspetiva de observadores.

Pintura original Fernanda Carvalho.jpg

Cores alegres, bem presentes também no sugestivo Rosinha dos Limões”. Lembrou-se deste título, pois veio-lhe à memória essa célebre canção, que eu desconhecia. (Mas vale-nos a net!) Na cara da “Rosinha” um lagarto pintado. (Lagarto pintado, quem te pintou?! A D. Fernanda que por aqui passou…)

Pintura original Fernanda Carvalho.jpg

Leu-nos poesia de índole pessoal. “…caminho passo a passo…”, ”Retalhos de uma Vida” e o sempre divertido, irónico, alegre: “Os meus namorados”.

 

Pintura original Maria Ivone Azevedo. jpg

D. Maria Ivone Azevedo, algarvia, traz-nos além de uma versão de “Girassóis” de Van Gogh, uma peculiar e icónica pintura do seu Algarve, com alguns elementos parcelares e temáticos desta província do sul de Portugal. Como se estivessem a ser visualizados a partir da estrutura de uma casa, envidraçada ou aberta à paisagem figurativa. A luz, a cor, as imagens… Os elementos marcantes do Sul: amendoeira, alfarroba, chaminé, moinho, o sol e a lua. E assim constrói a sua poesia!

Pintura original Maria Ivone Azevedo. jpg

 

D.Teresa Filipe apresenta-nos também uma pintura sobre uma paisagem, um ribeiro imaginário, correndo entre margens verdejantes. Não faz um plano prévio sobre o que pretende, vai inventando e dando largas à sua imaginação, à medida que vai construindo o quadro… também a sua forma de se expressar poeticamente!

(Desta pintora, não temos, por agora, imagem elucidativa. Lapsos do senhor fotógrafo! As novas tenologias permitir-nos-ão corrigir o problema, logo que possamos.)

 

Em termos picturais, está também exposto um quadro de Vitor Hugo: uma paisagem realista de Marvão, perspetivada a partir de uma das portas góticas.

Pintura original Vitor Hugo. jpg

 

De Elmanu: pintura no domínio do imaginário, atrevo-me a integrá-la também num conceito de surrealismo, bebido igualmente em Miró(?)

Pintura original  Elmanu. jpg

Tente o caro/a leitor/a expressar-se opinativamente!

 

Estão ainda expostos os seguintes sugestivos e festivos quadros.

O primeiro mais abstrato e algo impressionista.

Pintura original.jpg

 

E o segundo, um verdadeiro Hino à Primavera!

Pintura original. jpg

 (Autoria: Méli - Amélia Figueiredo.)

 

E refiro, aqui, como seria sempre importante a presença dos Artistas, que nos dessem um vislumbre pessoal da sua Arte!

 

E como no C.N.A.P. a Poesia é uma das vertentes primordiais, também esta Arte teve o seu papel.

D. Olívia Diniz Sampaio, a Alma-Mater do Círculo, trouxe-nos “Noctívago”, de Fernando Pinto Ribeiro e “Cântico e Súplica de Louvor a Deus”, de Amélia Figueiredo. Ambos figurando no recente Boletim Cultural (Nº 131 – Ano XXIX – Março 2018.)

 

Também de Pinto Ribeiro, o seu irmão, Carlos, presença habitual nestas tertúlias, assumindo quase a missão de divulgar a obra do irmão falecido, Fernando, nos leu o poema “Bendito Amor”, de canção gravada por José Mourão, com música de Jorge Fontes.

 

Igualmente do mesmo poeta, Drº Santos Silva também leu poemas do livro “O Cisne Submerso”: “… foi Deus quem de mim te raptou…”

E de Alberto de Serpa: “Há instantes tão longos…”, que também figura no citado Boletim nº 131 do CNAP.

 

Pela minha parte, desta vez, li a fábula “O HOJE e o Amanhã”.

E na sequência de Drº Santos Silva nos ter reportado para o JL e para um comentário de José Carlos Vasconcelos sobre o Facebook, acabei por dizer Meu Amor do Facebook!”. Que encerrou a Tertúlia!

 

Rolando Amado, que, de novo, colabora com as fotografias, a quem desde já agradeço, por esta vez não cantou! Reportou-nos, via telemóvel, para a audição do clássico: “Ninguém é de ninguém.” (Vantagens das novas tecnologias!)

Em contrapartida, tendo-nos enviado o seu último poema, é este que encerra esta crónica.

 

(Dir-me-á, caro/a leitor/a que estes são eventos culturais que passam quase despercebidos. E, infelizmente, é verdade!

Mas o que é que os nossos meios de comunicação divulgam?!

E a quem dão direito à palavra as nossas TVs?!

Há por aí uns quantos, que nem o bê-á-bá sabem soletrar, em que não há dia nem canal que não tenham direito de antena exclusivo!!!

É só estar atento, caro/a leitor/a.

E acha isso bem, estarmos a ouvir tantas calinadas diárias?!)

 

Bem, mas nem tudo é mau!

Esta crónica veio sendo escrita no contexto do espetáculo único que foi a realização do Festival da Eurovisão em Portugal!

E, na minha opinião, passe algumas futriquices de somenos importância, a realização portuguesa não ficou nada a dever às anteriores! Parabéns Portugal!

AH! A classificação da canção portuguesa… E o que posso eu dizer?! (…)   (…)

 

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«PORQUE AGORA É NOITE»

 

«Atravesso a noite e estremeço

Ainda temo essas sombras que sussurram,

O eco dos passos que produzo.

Porque a noite é longa,

Porque a noite é tudo.

A noite é ventre, é mãe, é princípio

É sonho, fuga, caos, turbilhão, redenção.

É a noite que nos agarra e devora

É ela que nos possui.

Embarco no navio da noite

À boleia de alguma tentação

Vestida de poesia sedutora

De pensamentos errantes

Porque sendo noite são memórias

De outras noites transformistas

De mil e uma noites eternas.

Atravesso a noite, densa, absoluta

Pelas ruas desertas de luzes tristes

E pintadas de sonhos dos sem-abrigo

Dos meus fantasmas e fantasias,

Que persistem.

É noite de bandidos e inocentes

De histórias intermináveis

De amores vendidos, de amores falsos

De sexo, amizade e ternura.

De navalhas em riste, crime e sangue

De vingança e de perdão

De grandes verdades e colossais mentiras.

É noite que transfigura,

De predadores e de santos

Dos animais das trevas, que nos miram

Expectantes, pelo medo que também sentem.

É noite, espelho de cada um

Que me abraça em seu mistério

Cada vez que navego em noite.

Do princípio e fim de tudo

Porque a noite é de ninguém

A noite é o sono da vida.»

 

ROLANDO AMADO RAIMUNDO

 

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publicado às 10:34

"... E Cai a Noite"!

por Francisco Carita Mata, em 08.04.18

Poesia de Rolando Amado Raimundo

 

Continuamos na "onda" da Poesia.

Hoje, divulgamos dois bonitos poemas do confrade supracitado: 

"Na cidade e cai a noite" e "Canção que transcende". Ambos de 2012.

 

Ginjal 2017. Original DAPL. jpg

 

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«NA CIDADE E CAI A NOITE»

 

«A penumbra trouxe agora acalmia aparente

Já tudo se vestiu para a noite, como as aves

As portas trancadas, os alarmes precavidos

Lá ao longe

O grito de ambulância fere lancinante

Aproxima-se. Homem, mulher?

Quem lá irá, que lhe aconteceu

Acidente, algum suicídio, mais um?

Junto à linha férrea, ratinhos banqueteiam-se

Sem pejo nem temor

Nos caixotes da avenida.

Velhas espreitam atrás dos vidros

Pela vez derradeira

Janelas com luzes dentro

Onde se faz sexo

E talvez amor

Há promessas de não cumprir

Ou maquinações tenebrosas

Gente feliz, gente contente

Gente a nascer e gente a morrer

Menos carros indiferentes

Tudo a girar como a bola mundo.

 

Há insónias, rezas

Pensamentos impuros

Intenções fraternais

E pensamentos lúbricos

A lassidão é companhia

Como mulher que seduz

Lânguida, impulsiva, quase empurra

Para os braços de Morfeu

É hora dos bichos nocturnos e sua rotina

Dos olhos dos gatos reflectidos

Das ratazanas e dos ladrões

Tudo atento, em seu lugar

Perfeito, como em êxtase.

 

Nalguns cantos espetam-se seringas de raiva e de alívio

E de viagens, nem sempre de retorno

Há restolhar do oculto e de segredos

De árvores, de pedras, de espíritos

De dentro das casas

De dentro da alma das casas

 

Agarrados um casal, tropeça

De álcool ou algo mais.

 

Beijam-se, há desejos carnais

Iluminados pelo luar

Sedentos de prazer

Felizes de juventude, que o tempo foge

Com todos os sonhos possíveis.

 

Querem viver e embriagar-se disso e agora.

- Depressa, antes que amanheça.»

 

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«CANÇÃO QUE TRANSCENDE»

 

«De súbito, como janela que se abre

A deixar entrar suave, suavemente

A fresca brisa que toca a reviver

Uma cantora vivencia e é sublime

Nessa voz que penetra fundo

Vai ao limbo do que sabemos nosso

Adormecido sono existencial.

 

E consola e abraça, como uma mãe

A cantar esses instantes

Esses sopros de vida remexidos

A despertar lembranças, sensações

 

Numa canção, todo esse mundo

Que revisitamos a pulsar

Voz de surpresa, canção que transcende

Voz tão suave, do coração

Tão perto e tão amiga

Voz que podíamos beijar…de gratidão.»

 

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(Fotografia original DAPL - 2017: Cais do Ginjal, ao entardecer.)

 

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publicado às 18:13

Tertúlia Poética da APP no “Vá – Vá” - Uma Ronda de Poesia!

por Francisco Carita Mata, em 23.02.18

Associação Portuguesa de Poetas – APP

Restaurante, Café, Pastelaria, Snack – Bar,  “Vá – Vá”

Lisboa

11 Fevereiro 2018 (Domingo) – 16h. 30’

 

2018. Carlos Cardoso Luís. Lisboa. jpg

 

No Restaurante – Café – Pastelaria, Vá – Vá, em Lisboa, são organizadas tertúlias, há décadas.

 

Algumas estão documentadas, através de cartazes emoldurados nas paredes da sala onde habitualmente se realizam.

É esse facto que a fotografia apresentada, a documentar este post, nos atesta.

Alguns dos cartazes em que figuram algumas das personalidades homenageadas: os atores Rui de Carvalho e Eunice Muñoz, Lili Caneças, padre Feytor Pinto, maestro Victorino de Almeida… Ainda e também no lado oposto da sala, figura outro conjunto de posters, com outras personalidades: Herman José, Júlio Isidro, Lauro António, Lia Gama, Lurdes Norberto, Nicolau Breyner, e até o atual Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa. (Noutro contexto, evidentemente!). Também António Sala, Carlos do Carmo, Maria Eduarda Colares…

Estas tertúlias e/ou homenagens, que não sei de todo como funcionam, não pertenço a esse “meio” em que se enquadram estas Personalidades, têm um nome sugestivo “VÁ.VÁ.DIANDO”!

Mas não é sobre elas que lhe quero falar, Caro/a Leitor/a.

 

Antes de mais, e “o seu a seu dono”, frisar que a fotografia é um original de Carlos Cardoso Luís, atual Presidente da Associação Portuguesa de Poetas – APP.

 

E é sobre as Tertúlias da APP – Associação Portuguesa de Poetas, no Vá – Vá, que eu quero dizer de sua justiça!

Já se realizam também há anos, não sei desde quando, mas até seria interessante saber. (Caso tenha conhecimento, agradeço…).

Sei que já se realizavam quando, a saudosa, D. Maria Ivone Vairinho era Presidente.

Não me recordo se alguma vez terei comparecido nessa época, tinha muito menos disponibilidade… Mas compareci nesta última Tertúlia, dizendo poesia.

 

E, tal como eu, estiveram outros Poetas e Poetisas, também dizendo, declamando, lendo, cantando, os seus poemas, as suas canções ou de outros Autores, consagrados ou não.

 

Abençoados os Dizedores de Poesia!

Que transportam e difundem a Luz, que a Poesia representa e significa, culturalmente!

 

Dizer, Declamar, ler POESIA é quase um ato de “transgressão” Social!

Choca esta afirmação?!

Explicito: No sentido de ser um ato minoritário, quiçá ‘marginal’, perante o enquadramento e o destaque que outras atividades culturais têm na nossa sociedade.

(Se perspetivarmos o assunto reportando-nos ao destaque que os mass-media concedem à Poesia, as televisões, as rádios, os jornais, as redes sociais… Bem…

Em contraponto, observe-se a peroração nos “media”, sempre que um qualquer árbitro dá uma canelada no regulamento… Ou que um jogador dá uma cabeçada na bola!

Sem menosprezo pelo futebol, mas que acho hipervalorizado sob todos os ângulos de análise!)

 

*******

 

E vamos então à Tertúlia.

 

Como é habitual nestes eventos, cada Poeta ou Poetisa, Leitor ou Leitora, “Diseur”, Dizedor ou Dizedora, apresenta um dos seus trabalhos, original ou não, completando uma rodada, de modo que todos tenham a sua oportunidade. A não ser que queiram “passar”, como aconteceu desta vez com algumas pessoas.

 

Havendo ocasião, dependendo dos presentes, vai-se a uma segunda rodada ou até terceira, conforme o número de presenças e a disponibilidade de cada um e da Instituição onde se realiza o “sarau”.

 

Nas Tertúlias da APP, conforme tenho observado, há sempre um número razoável de presenças, quase sempre se chega a uma segunda volta, mas nem sempre todos voltam a participar, porque algumas pessoas têm que se ausentar, dado que a primeira ronda é mais demorada.

É também habitual fazer-se um pequeno lanche. Aliás, realizando-se numa Instituição particular de restauração, esse comportamento é mesmo de norma social! “Faz-se sempre despesa.”

Pessoalmente, prefiro chegar mais cedo e, antes de iniciar, tomar a minha bebida e bolo ou salgado e, no final, repetir.

 

Então… dirá… nunca mais diz quem esteve ou não esteve, que disse ou não disse, que cantou ou não cantou… e se encantou ou não?!

 

Bem, meu caro, se encantou ou não, fica à consideração de cada um. Que eu, por norma, não ‘adjetivo’ estas atuações. Não formulo juízos de valor. Todos contribuem, a seu modo, para o grande valor que têm estas ocorrências poéticas.

Que pena e que desperdício os media não lhes darem a merecida importância. Ademais, nelas comparecem Pessoas, Poetas e Poetisas que já têm alguma idade, alguns com mais de noventa anos, apesar de jovens de espírito e extremamente criativos!

 

E, nem a propósito, quem iniciou propriamente a ronda dos Poetas presentes a dizerem Poesia foi precisamente João Baptista Coelho, (1927), um dos decanos dos Poetas, sócios da APP. Quatro sonetos: “Tetralogia do Amor – Primavera… Verão… Outono… Inverno!”

 

Bem… dirá o/a caro/a amigo/a… mas não foi assim que se iniciou a Tertúlia…

E tem toda a razão!

 

É de praxe referir que a mesa era constituída por três elementos da Direção da Associação: Carlos Cardoso Luís, a presidir e que fez a apresentação do evento e a coadjuvar, Maria Graça Melo e Rogélio Mena Gomes.

 

Que, também como é habitual nas Tertúlias APP, são lidos poemas de ausentes, que, por dificuldades logísticas, não podendo comparecer, os enviam para serem lidos aos presentes. “Os Poemas do Mês”!

Foram lidos textos de Valquíria Imperiano, de Manuel Canela e Cassiano Santos Cabral, de Porto Alegre, Brasil. De Valquíria, "Batalha" e dos seguintes, refiro respetivamente: “Da minha janela” e “Sol e café”.

 

Ainda antes de se iniciar a ‘Ronda dos Poetas Presentes’, Carlos C. Luís leu um texto sobre a significação da quadra do Carnaval e uma quadra de Gilberto Gil.

E foi continuando as apresentações dos Poetas, intercalando com pequenos excertos, pensamentos e epigramas (?) sobre a temática carnavalesca e também alguns improvisos seus (?)

Ah! Esquecia-me de frisar que, estando nós, à data, no Carnaval - “Domingo Gordo”, esta temática do “Entrudo” foi sendo abordada por vários dos presentes.

 

Talvez por isso mesmo, quando chegou a sua vez, que foi logo em segundo, Rogélio Mena Gomes leu um seu poema, de um conjunto de "poemas do absurdo", que considerou o mais pequeno de todos, do seu livro “In Verso”, intitulado “Gargalhada”: Há? Há. Ahhh...!"

 

E foi com esta boa disposição que o sarau e convívio foi continuando.

 

Pais da Rosa disse “Perdido no tempo”.

Tereza Pais da Rosa, “É dia de Carnaval”.

Vitor Camarate, “Carnaval: Sai-me um bafo do coração…”

Felismina Mealha não disse, “passou”… estava de férias de Carnaval!

Esmeralda, “Mar de mulher”.

Alcina Magro, “Do vermelho dos poentes…”

Graça Balsa trouxe-nos Fernando Pessoa e “Comboio descendente”.

Júlia Pereira, Carnaval.

E, chegando a minha vez, fui dizer “Meu amor do facebook”.

Conceição Serra, de António Nobre, apresentou “Menino e moço”.

Carlos Cardoso Luís, de Sidney Poeta dos Sonhos, “Terno Carnaval”.

Maria Melo, “Pastor do monte”.

José Branquinho disse “Por uma vida em flor” e cantou “Amo-te desde criança… Portalegre”.

Maria Isilda Gonçalves deu-nos a conhecer um poema de Ruy de Carvalho, seu filho, não o ator anteriormente mencionado, intitulado “Máscara”, do livro “Matizes da Vida”.

Aurélio Tavares, outro dos decanos presentes, “Fui pai, agora avô…”

Outro senhor que também “passou” e, que me desculpe o próprio, mas não fixei o nome…

João Coutinho disse “Diferente de mim”, in. “Sonetos”.

Ana Herédia, “Férias de Verão”.

E Bento Durão, supostamente fecharia este primeiro ciclo, dizendo, “Gosto do Bairro da Graça” e cantando o fado “Carmencita”.

E Bento não fechou a primeira ronda, porque, entretanto, aparecera Márcia Rocha que nos disse que “Sei que vivo num mundo maravilhoso…”

 

*******

 

E, seguidamente, surgiu a oportunidade para se provarem os préstimos da Casa, tomando as suas bebidas e degustando os doces e salgados, ação que já executara previamente, antes do início da tertúlia.

Aproveitei para esclarecer nomes e títulos de poemas e canções… e mesmo assim terá saído esta crónica “transgressora” da realidade, porque certamente, imperfeita.

 

E na segunda parte…

 

José Branquinho cantou “Bairro negro”: “Olha o sol que vai nascer… anda ver o mar…” E quem sabia, acompanhou.

Pais da Rosa disse “o Vento”, “Formosa serra da Estrela”.

Tereza Pais da Rosa, “Vivendo como velhos…”

Vitor Camarate, “Sauda” (?).

Graça Balsa disse “Balada da neve”, de Augusto Gil.

Alcina também “passou” desta vez.

Júlia Pereira disse “No hospital”.

Esmeralda, “Ela a passar na rua…”

Eu disse a ‘alegoria’ ao telemóvel, texto dos finais de noventa, que nunca publiquei, inspirado numa canção de Ágata, integrado num programa televisivo chamado “Paródia Nacional”. (Texto que também não enviei para o Programa.)

Carlos Cardoso Luís disse “Chinela de varina”.

Maria Melo disse um poema de Amor: “Vazio”.

José Branquinho cantou “… Na margem da ribeirinha…”, que cantara pela primeira vez, quando tinha catorze anos!

Maria Isilda Gonçalves disse “Verde paz”, poema igualmente do filho, Ruy de Carvalho.

Aurélio Tavares disse/‘leu’ “Minha cidade está triste”, a partir da boina, que metaforicamente funciona como tampa da “caixa” onde tem os poemas guardados, a sua, dele, memória.

João Coutinho, “Aqui um homem de qualquer cor…”, “Estão aqui…”

Carlos Cardoso Luís, “Um palerma como tu”.

E Márcia Rocha terminou: “Uma nova decoração”!

 

*******

E assim decorreu e se concluiu a Tertúlia da APP no Vá – Vá.

 

(O local é ótimo, porque bem situado no centro de Lisboa. A Entidade, pelo que observo, é bastante recetiva. Os funcionários são atenciosos e alguns até manifestam interesse nas intervenções poéticas, como pude constatar. Também clientes se manifestam curiosos.

Pena é que as portas, com os enfeites sugestivos que têm, não possuindo vidros, permitem que o ruído exterior entre na sala.

Mas até essa dificuldade a Poesia consegue superar!)

 

Importa mencionar que estas tertúlias ocorrem, por norma, nos segundos domingos de cada mês, a partir das 16h e 30’.

Preste bem atenção, caso queira comparecer.

Informar ainda que a APP organiza outra tertúlia, na sua sede, aos Olivais – Lisboa, no último domingo de cada mês, a partir das 15h.

 

Compareça nas Tertúlias da APP.

 

Bem como nas de outras Instituições Poéticas que conheço:

CNAP – Círculo Nacional D’Arte e Poesia, em Lisboa;

SCALA – Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, em Almada;

Momentos de Poesia”, em Portalegre;

“Mensageiro da Poesia”, no concelho do Seixal.

 

E para terminar: Um Viva à Poesia!

 

E, esta crónica é ou não, de certo modo, algo “transgressora”, face ao contexto opinativo geral e generalizado entre “fazedores de opinião”?!

(Este último parágrafo tem o seu quê e porquê, que tem a ver com a publicação desta crónica… que se foi atrasando e só hoje foi dada a lume!)

 

E o meu muito obrigado, por me ter lido, até aqui.

Volte sempre, S.F.F.

 

 

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publicado às 14:27

"Tertúlia Poética América Miranda” - Homenagem

por Francisco Carita Mata, em 04.02.18

Auditório Carlos Paredes

3 de Fevereiro de 2018 – 17h.

 

DQzImTbW4AIE5RE América Miranda.jpg

 

Decorreu ontem, sábado, em Benfica, uma homenagem à distinta Poetisa, América Miranda.

Sendo igualmente sócia da Associação Portuguesa de Poetas – APP e do Círculo Nacional d’ Arte e Poesia CNAP, participámos nalgumas Antologias.

Da IX Antologia do CNAP, transcrevo o seguinte poema, também como uma minha singela Homenagem!

 

«QUEM SEREI EU?

 

Quando olho a natureza em meu redor

sinto-me mais perto de ti, meu Deus,

analiso meu coração tão sofredor

e tiro da alma os erros meus.

 

Procuro ser melhor do que os ateus

mas se peco, eu só peco por amor

pedindo perdão por esse amor aos céus

e por amor a Ti, meu Criador.

 

Já me sinto neste mundo tão perdida

rio com a boca e a alma ferida

tentando enganar o que é só meu.

 

Vivo o dia-a-dia por viver

gargalhando encubro o meu sofrer

e não sei, afinal, já quem sou eu!»

 

In. – IX ANTOLOGIA DO CÍRCULO NACIONAL D’ARTE E POESIA – 2006.

 

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E vou iniciar uma crónica sobre o acontecimento, avisando-o/a, caro/a Leitor/a que esta resenha é parcelar, incompleta, quiçá imprecisa nalguns aspetos, conforme poderá constatar após a leitura total e talvez a sua colaboração seja preciosa, no sentido de corrigir ou colmatar imprecisões ou faltas.

Obrigado, desde já!

 

Em tarde de jogo do “glorioso” Benfica, no seu Estádio da Luz, decorreu no Auditório Carlos Paredes, nome de insigne músico, uma Tertúlia, não menos gloriosa ou ilustre, homenageando a distinta Poetisa, América Miranda.

Um programa notável, dedicado à Poesia, ao Canto, ao Fado, à Música, no palco do auditório referido!

 

Na Abertura do evento, a gravação de um poema de autoria da homenageada, declamado pela própria.

Seguidamente, Frassino Machado iniciou a apresentação da Tertúlia, que passará a ostentar o nome da Poetisa, que figurará como presidente honorária da mesma, traçando uma breve resenha da sua intervenção cultural.

Previamente agradeceu a todos os espetadores, pela sua comparência e, antes de entregar a subsequente apresentação a Mário Valejo, agradeceu igualmente aos técnicos presentes na logística de apoio ao espetáculo.

 

Foram convidadas a testemunhar, pessoas que o quisessem fazer, tendo comparecido, em diferentes enquadramentos, diversas personalidades.

João Coelho dos Santos, que também leu um poema seu; Carlos Cardoso Luís, na qualidade de Presidente da Associação Portuguesa de Poetas; uma Senhora, que conviveu largos anos com América Miranda, de quem leu um texto e o irmão do Poeta Fernando Pinto Ribeiro, também já falecido.

 

A sequente apresentação coube a Mário Valejo, já mencionado, que, segundo julgo saber, é irmão da célebre fadista Maria Valejo.

Interessante mencionar que este cavalheiro, antes de se iniciar o espetáculo, foi interrogando alguns dos presentes sobre uma peculiar e primordial questão, procurando conhecer o respetivo parecer! Eu apenas lhe respondi que tivesse cuidado, que estava muito frio e se podia constipar!

 

E o evento iniciou-se propriamente, na sua função principal e com Fado.

Mário Rodrigues fadistou: “Quero e não quero…”, “Saudade vive em nós…” e “Tempo parado”, este, com letra de América Miranda.

 

Seguiu-se Poesia. E também Canções – Baladas e Música!

Armando David disse um poema de América e um poema humorístico, de sua autoria: “Primo Zé”.

Luís Alves disse poema seu “Entre a vida e a morte” e a celebérrima “Toada de Portalegre”.

Os “Jograis da APP” , iniciando com o Hino da APP, continuaram com: “Hoje é dia de Poesia” – Carlos Cardoso Luís, “Poeta quase louca” – Maria Melo, “Ser poeta” – São Santos, “Neste dia de Poesia” – Carlos Cardoso Luís, “O poeta” – Aline Rocha e finalizaram com poema de Maria Melo, versando a “Liberdade”.

 

Manuel Pereira e Ricardo Cardoso cantaram e tocaram: “Senhora, partem tão tristes…”, “Não há machado que corte…”, “A cidade…”.

 

Fernando Marinho disse “Meu lindo Tejo” e “Palhaço”.

Benjamim Falcão, ator, disse: “Força das palavras”, de América Miranda e “Jogos de luz e luar”, de Jaime Cortesão.

Maria José e Francisco Assis cantaram, tocaram e disseram poesia. “Barco do amor”, de América; um soneto acróstico, também dedicado à Poetisa homenageada e cantaram “Poeta não tem tempo” e “Hino do tempo novo”.

Mário Valejo disse um poema dedicado a Bocage.

Fátima Arnauth disse, também de América, “Já lá vem a alvorada” e de sua autoria, “Amor imortal”.

Maria Graça Melo disse poema dedicado a América, “Poeta e força magia” e “Modernices”.

 

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E tendo feito eu, um pequeno intervalo e quase a ausentar-me, porque já eram dezanove horas e o espetáculo já começara às dezassete e sem haver uma pausa, que será ou não necessária nestes eventos(?!)… Bem!

Ainda entrei no anfiteatro e já se iniciara outro interveniente, cujo nome não consegui apanhar, não sei se seria Fernando Silva…

Só sei que também disse poesia e também cantou: “Eu canto para ti o mês das giestas…”, de Adriano Correia de Oliveira; “A chuva”, de Jorge Fernando; (E a falta que a chuva faz!) e uma canção de Zeca Afonso.

E ausentei-me.

Ouvi que a seguir iria atuar, Luís Filipe Rodrigues

…   …   …

 

E ao sair do edifício… não é que estava mesmo a chover?! Pedido do cantor, já se vê! Pouco, poucochinho, é certo, mas que apanhou muita gente desprevenida, eu, incluído.

E até ao Metro…

E o jogo estaria ainda no começo da segunda parte e a goleada viria só mais para o final.

Gostaria de ter ouvido o eco de um golo no estádio, mas não tive essa satisfação.

Aliás, a minha saída pelas 19h., resultou do facto de não querer ir no Metro, na avalanche previsível da saída do estádio.

No Metro, junto às bilheteiras e entradas, já estavam vários polícias… Para o que desse e viesse… Mas julgo que correu tudo bem!

 

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O meu pedido de desculpas a todos os intervenientes no evento de homenagem de quem não pude apreciar a respetiva atuação. (Quem ficou a perder fui eu!)

 

E também lamento possíveis lacunas ou omissões, involuntárias, nesta crónica.

Caso queira ter a amabilidade de fazer sugestões, agradeço.

Obrigado!

(Com a devida vénia, o cartaz foi retirado da internet. In. Twitter.com/tertúliamiranda)

 

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publicado às 22:17

Uma Equipa de Jovens… Com alguma Idade!

por Francisco Carita Mata, em 01.11.17

Associação Portuguesa de Poetas

 

Momentos Original Helena Cruz APP Out. 2017. jpg

 

Dinamismo. Trabalho. Competência.

Juventude!

 

Retorno à Poesia!

Também para falar da Associação Portuguesa de Poetas. E para continuar na divulgação dessa nobre Arte, a Poesia!.

 

A APP é uma Associação, com uma enorme vitalidade.

De certo modo, só faz sentido que assim seja, dado que está nos seus trinta e dois anos, mas esse facto também se deve ao dinamismo dos Associados e, obviamente, da respetiva Direção. Ao seu trabalho e competência.

 

Consultando as atividades mensais desenvolvidas e as previstas de realizar, verificamos uma grande azáfama, tanto da Associação, como dos Associados:

- Lançamentos de antologias coletivas, de livros individuais, de boletins culturais; organização de tertúlias variadas, eventos diversos de caráter cultural, por todo o Portugal e também no Brasil, centrados ou com a participação de sócios; prémios de poesia; reconhecimento do mérito e do trabalho de poetas e poetisas associados da APP, em ambos os Países irmãos, por diversas, diferentes e prestigiadas Instituições; programas de rádio, workshops poéticos, palestras, peças de teatro, blogues… artes plásticas, música, canto. Eu sei lá!

 

*******

 

Vou falar apenas e um pouco de três eventos a que assisti e/ou participei, no finado mês de Outubro.

 

A vinte e nove, (29/10), a habitual Tertúlia da APP, de final do mês, na sede da Associação: Rua Américo de Jesus Fernandes, nº 16 - A, aos Olivais, Lisboa.

 

Helena Cruz APP 2017.jpg

 

Integrada e inaugurada nesse contexto, uma bela Exposição de Pintura, “Momentos”, da associada, pintora Helena Cruz.

São de sua autoria, os quadros, que tomei a liberdade de enquadrar como ilustradores deste post.

Obrigado!

 

Também nesse enquadramento, foi apresentada a XXI Antologia, “A Nossa Antologia”, com 89 Autores. (Quase a bater o record da “V Antologia de Poesia Contemporânea”, organizada por Luís Filipe Soares, sócio nº 1 da APP, em 1988! Com 97 autores.)

 

XXI Antologia APP capa. Original Teresa Maia. jpg

 

Com uma sugestiva capa, ilustrada a partir de “Camões”, desenho a tinta-da-china, de Teresa Maia. (Composição e arranjo gráfico de João Luís.) Editor: Euedito.

 

No decurso da Tertúlia, todos os Poetas e Poetisas presentes, a maioria participantes da Antologia, tiveram oportunidade de ler/dizer/recitar/declamar um dos seus poemas. Alguns até nos demonstraram o seu estro de cantantes!

Obrigado a todos. Belos momentos vivenciados!

Também li um dos meus poemas publicados: «Empresta-me um Sonho».

 

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No dia quinze, (15/10), reiniciou a APP a já tradicional “Tertúlia do VÁ VÁ”.

Evento já com história, dado que proveniente de anteriores Direções da Associação. Interrompido algum tempo, devido às obras no café – restaurante.

 

Oportunidade para a apresentação do livro de poemas de Alcina Viegas, “Versos Do Meu Sul”, Edições OZ, 2017.

A imagem de capa reproduz um óleo s/ tela, também da Autora. (A capa e paginação são de Paulo Reis e a revisão de Paula Oz.)

 

Deste livro, tomei a liberdade de transcrever o poema “Além do Tejo”, pag. 22.

 

«Para além do Tejo,

os campos que vejo

são de sol dourado…

Os verdes trigais

e o chão semeado

são pão amassado

com dores e com ais.

E os verdes fatais,

cor dos olivais

são belos poemas,

às moças morenas.

Tem de Florbela

a dor e a candura

são amores em chama,

de uma alma pura,

alma alentejana.»

 

(Já conhecia a poesia desta Autora do blogue “Rumo ao Sul”.)

 

(Neste evento, de sala cheia, com mais de quarenta pessoas, apenas assisti. Não participei na tertúlia.

Tenho a realçar que a sala, per si, é adequada. Mas é pena que a porta que dá para o café, tendo um bonito rendilhado na sua estrutura, este não esteja coberto com algum material, vidro, por ex., de que resulta que, mesmo estando fechada, é como se estivesse permanentemente aberta…

Mas lá diz o ditado: “ a cavalo dado…”)

 

A APP prevê continuar a realizar estas tertúlias, mensalmente, nos segundos domingos.

A próxima está prevista para 12, do corrente mês, pela 16h. 30’.

Café – restaurante "VÁ VÁ", Lisboa, cruzamento da Avenida de Roma, com a dos Estados Unidos da América!

 

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Ainda no domínio das tertúlias também a APP iniciou recentemente uma nova.

Em Almada, a “Tertúlia Almadam”: terceira 3ª feira de cada mês.

No Café “Le Bistrô”, Rua dos Espatários, 2.

(Junto da Igreja de S. Sebastião, bonita de visitar, diga-se e perto da paragem de Metro, precisamente de Almada.)

Tem coordenação de Maria Melo e responsabilidade de Maria Leonor Quaresma.

A próxima será dia vinte e um, (21/11), pelas 16 horas.

 

Participei, com muito gosto, na anterior, a segunda a ser realizada, no transato dia dezassete, (17/10/17).

 

Apresentei: “Aquém – Tejo” e “Retalhos do Alentejo”.

 

Participaram:

Felismina Mealha: “Lisboa, Sonho Contigo” e “Clara Mestre”.

Clara Mestre: “Jovem Senhora” e “Maria Campaniça”, de Manuel da Fonseca.

Maria Melo, de “Aldravias”: “Meu Verso” e “Estrela Guia”.

Maria Petronilho: “Frágil Força” e “Como gostaria de ser Poesia”.

Carlos Cardoso Luís: “Auto Apresentação em Verso” e “Viagem pela Cidade”.

Márcia Cabral da Rocha: “Nesse Instante” e “Bela é a dor no peito do Poeta”.

Mabel Cavalcanti: “Eu sou” e “Apolo e Atena”.

Su Sam: “Ganhar corpo” e “Acrobatas”.

 

Excelentes “dizedores” de Poesia. (Que me sinto pequenino!)

 

Oportunidade ainda para mostrarem outros talentos.

 

Clara Mestre leu e cantou o belíssimo poema de Maria Guinot, “Silêncio e Tanta Gente”, canção que venceu o Festival da Canção de 1984.

 

Mabel Cavalcanti também cantou uma canção sobre um pássaro da Amazónia, que, quando canta, todos os outros se calam, cujo nome não consegui fixar. Não sei se é “irapunu”!

 

E era tempo de eu calar-me também… Não fora que Mabel ainda cantou “Só nós dois é que sabemos”.

 

E Clara Mestre ainda leu uma engraçadíssima anedota alentejana.

 

Resumindo: uma tarde belissimamente passada. Uma Tertúlia Interessantíssima. E que promete!

 

Apareça: terceiras terças-feiras do mês, no local já referido!

 

E assim termino esta crónica sobre a APP.

 

E longa vida à Associação Portuguesa de Poetas!

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publicado às 17:06

“E as Crianças, Senhor!”

por Francisco Carita Mata, em 08.06.17

Poesia de João de Deus Rodrigues

 

Fotografia original DAPL 2016. jpg

 

 

Prólogo

 

Antes de mais, constatar o óbvio.

Há quase um mês que não publicava no blogue. Retorno, agora!

 

Este é o meu primeiro post do mês de Junho. E como Junho se inicia com o “Dia da Criança” e porque todos os dias são “Dias de Criança”…

E porque a Poesia é uma das razões de ser deste blogue…

E porque é sempre imperioso e urgente lembrar a Poesia...

 

Reinicio a publicação no blogue com uma Poesia dedicada às Crianças.

 

Da Autoria de João de Deus Rodrigues, in Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora e in bloguePoetamos”.

 

 

 

«E as Crianças, Senhor!

 

 

Homens parem de gritar,

E ouçam o silêncio do vento.

E meditem nos segredos do mar,

E na imensidão do firmamento.

 

E contemplem, também,

A coisa mais preciosa que o mundo tem:

Uma criança.

 

Reparem na candura do sorriso dela, a brincar

No colo de sua mãe, no aconchego do doce lar.

 

Longe,

Bem longe, do alcance de déspotas avarentos,

Que passam momentos

A jurar que só querem o bem,

De todas as crianças que o mundo tem.

Porque elas, lindas e queridas,

São anjos inocentes, o melhor das suas vidas.

 

Mas, isso, é só ruído.

Palavras dolentes, sem sentido,

Dos que não querem ver

Tanta criança a sofrer,

Por esse mundo além,

Abraçadas ao peito da sua mãe,

Chupando peles gretadas,

Que a sede e a fome ressequiram,

E jazem sentadas, junto do seu amado Ser,

De olhos enxutos, sem lágrimas para verter.

 

Ó desumanidade!

Ó crueldade!

Ó Senhor meu Deus,

Dizei-me por favor,

Porque há tanta criança abandonada,

A perecer com sede e com fome,

Torturadas pela dor,

Com a complacência de parte da humanidade?

 

Enquanto ao som de trombetas,

Em salões forrados de veludo,

Há criaturas que fazem juras, e tudo,

Dizendo que só querem o bem

De todas as crianças,

Porque elas são o melhor que o mundo tem.

 

Ó desfaçatez!

Ó Ingratidão!

Porque não calam elas a sua usura,

E refreiam a sua ambição?

 

E não pensam, por uma vez, 

Que as migalhas que sobram da sua mesa,

E o escorrer das suas taças de cristal,

Bastavam para não morrerem,

Com fome, com sede e com mal,

Tantas crianças que juram amar.

 

Sim, ó vós?

Que em verdade sabeis,

Que elas estão a padecer.

Enquanto assobiais,

Julgando-vos imortais.

 

Que mundo cruel,

O vosso, com tão amargo fel!

 

Guardai as vossas lágrimas,

De serpente rastejante.

Guardai os vossos lamentos e ais,

Mas não venham dizer, de ora avante,

Ou jamais,

Que não sabeis, de verdade,

Dessas crianças com tanta necessidade.

 

Ou será que o fazeis,

Para melhor adormecerdes

Sobre o peso da vossa consciência!

Que julgais ser leve,

E pesa mais que o bronze.

Enquanto, não longe,

Se fina, num contínuo permanente,

Tanta criança inocente.

 

Não. Não venham com a falsa bondade,

Nem com a vossa sacra fé.

Porque isso mais não é

Que a negação da caridade.

 

O que me leva a acreditar,

Que nem os dóceis vermes da terra

Hão de querer tragar,

Os vossos corpos fedorentos.

E as moscas, e as formigas,

E até os ratos, seguirão tais intentos.

 

 Ide para os Infernos,

Criaturas com tais sentimentos.

 

Ah!, se eu pudesse lançar um raio

Aos vossos corações de besouro,

Que vos afogasse nos palácios de ouro,

Erguidos sobre o sofrimento de tanto inocente,

Eu o faria, num repente!

 

Sumam-se!

Porque até o doce mar profundo

Não vos há de querer sepultar.

Nem as flores silvestres,

Emprestar o seu perfume.

 

Evaporem-se,

Corja de malfeitores.

Para que haja um mundo melhor,

Mais generoso e fraterno,

No amor e na esperança,

Com o sorriso de uma criança!

 

Mas não vos esqueçais,

Que partis sem o perdão dos que cá ficam.

E sem a misericórdia e contemplação,

Dessas crianças que estão no Céu,

Enviadas pela vossa mão.»

 

      In Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora

In bloguePoetamos”.

 

***

 

(Fotografia original de D.A.P.L. – 2016.)

 

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publicado às 10:57

Um Poema dedicado à Mãe! A todas as Mães!

por Francisco Carita Mata, em 06.05.17

«AMOR DE MÃE»

 

DIA da MÃE

  

IMG_20160725_182014.jpg

 

«Amor de mãe é pra sempre / …

Dia da Mãe, mais que justo celebrar /…

Comemora-se o Dia da Mãe /…

Binómio sagrado, que Deus fez; / …

Obrigada por me teres dado a vida, / …

Minha mãe é minha amiga / …

O lugar da Mãe é sempre no trono da alma e da memória. / …

A Mãe é ninho de Amor / …

Mãe, fazes-me falta… / …

A mãe é nascente de vida, de alma pura, / …

A minha fada do lar /…

Aconchego-me no teu colo / …

Mãe, com tua pele de seda, teus cabelos pretos, olhos verdes, eras uma menina linda. / …

Mãe / Muito jovem partiu / …

Minha mãe é pobrezinha / …

Quero-te Mãe / …

Chamarei sempre o teu nome / …

Porque são os vossos olhos tristes? / …

Estamos a chegar a mais uma Páscoa! / …

Já não tenho pai nem mãe, / …

Tu mulher querida mãe, / …

Outono da vida – Inverno, muito frio! / …

É o eixo entre os filhos e o marido e todos os familiares, / …

No céu existe uma estrela / …

Mãe… / Um nome suave, tão doce / …

Menino (lembro-me tão bem) / …

No teu perfumado e doce ventre, / …

O navio… ia navegando, / …

Saudosos dias… / …

… A Mãe era mais discreta… / …

Ser mãe é ser o farol / … »

 

*******

 

Este Poema dedicado a todas as Mães, mesmo às que só puderam sê-lo, espiritualmente, foi “criado” por todos os Poetas e Poetisas que participaram na “Coletânea de Poesia e Prosa Poética” – 2017, subordinada à temática “Pai e Mãe”, de vários Autores e coordenada pela vice-presidente da APP – Associação Portuguesa de Poetas, Maria Graça Melo.

De cada poema, recolhi o primeiro verso ou aquele primeiro em que primeiro se fala especificamente da Mãe. De duas prosas poéticas, os títulos, que realcei, que assim estão nos textos originais.

Alguns textos não estão unicamente direcionados para as Mães. Mas, deles, lá está o 1º verso!

Estruturei-os pela ordem em que se encontram alojados no livro e resultou, digo eu, um lindo Poema Coletivo.

Ou não?!

Sim! Eu atrevo-me a dizer que concorda comigo. Concretizámos um Lindo Poema!

Faça o favor de ler com atenção!

Até seria muito interessante que, um dia, fosse lido em conjunto. Pode ser…

 

Ah! Falta frisar que, na concretização desta ideia, inspirei-me na metodologia utilizada no Prefácio da XX Antologia da APP, 2016, da Autoria de João Coelho dos Santos.

 

A foto é um original de D.A.P.L. – 2016.

 

(P.S. – Dir-me-á que falta referir o nome de todos os Antologiados. O que é inteiramente verdade. Darei conhecimento no próximo post, em que estruturarei os versos direcionados aos Pais. Que conseguiremos também um lindo Poema coletivo!)

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publicado às 15:06

Poesia: Homenagem a distintos Sócios da APP – Associação Portuguesa de Poetas

por Francisco Carita Mata, em 01.04.17

ABRIL

 

Foto1925 Primavera original DAPL 2015.jpg

 

Introito:

 

Terminou o mês de Março. E este post, nº 518, fora delineado para ser publicado nesse mês. Mas não foi possível.

Iniciando-se Abril, continuamos ainda em boa companhia, isto é, com a Poesia. Prosseguimos igualmente com a Associação Portuguesa de Poetas e pessoas que nela tiveram papel de destaque.

A divulgação de participantes na XX Antologia foi concluída no post nº 513, a 20 de Março.

Quando iniciei essa divulgação, ainda em 2016, referi que gostaria de realçar duas pessoas que foram muito importantes no âmbito da APP.

(No meu ponto de vista e na minha visão parcelar e provavelmente parcial sobre a temática. Eventualmente, poderei estar a ser injusto, por omissão, relativamente a outras personalidades, a quem apresento as minhas desculpas.)

 

Para possibilitar essa divulgação, tive que pesquisar a bibliografia disponível e, finalmente, hoje, posso divulgar duas Poesias, uma de Luís Filipe Soares, sócio nº1 da APP e outra de Maria Ivone Vairinho, sócia honorária da APP e que dirigiu os respetivos destinos de Março de 2002, a Maio de 2011.

 

*******

 

Seguem-se, então, os textos poéticos:

 

 

«NA SOMBRA DA VIDA»

 

«O despertador tocava

ininterruptamente.

Acordou.

Deixou o sono a escorrer

ao longo dos cabelos da sua imaginação,

cobriu a face com alva espuma de sabão

e deixou a água acariciar

as rugas da sua pele ressequida.

Deu os bons dias à vida,

bebeu o café

e saiu para a rua.

Fato de ganga: desbotado,

gasto, descosido e amarrotado.

É operário.

Vive só…

É casado e tem dois filhos!

Caminha apressado.

Não vê ninguém.

Ninguém o vê!...

Chega à oficina,

diz «Bom dia» para quem o ouvir

e começa a trabalhar

até o cansaço o invadir.

Hora do almoço.

Pega na lancheira; tira o naco de pão,

as rodelas de salpicão e toucinho

e bebe três goles de vinho para temperar.  

Regressa à oficina.

Não vê ninguém, mas também ninguém o vê!

Trabalha, trabalha sem parar.

Toca para sair

Invariavelmente,

exclama para quem o quiser ouvir:

«Até amanhã».

Sai apressado

como quem anseia por algo que é melhor.

Caminha lentamente.

Traz o coração estraçoado

pela dor do seu sofrimento.

Chega a casa.

Ninguém o espera.

Ninguém, a não ser

o silêncio da sua solidão.

Toma banho, janta

e senta-se um pouco

perscrutando os hálitos da sua poesia.

Deita-se, e adormece levando consigo

nas asas do seu pensamento

o som brutal do acidente

que lhe tirou a visão.

Sonha,

e nesse mundo de fantasia

viu-se rodeado dos amigos de então,

dos filhos que o vieram visitar,

da mulher que lhe pedia perdão

e no meio de uma sociedade

que o amparava e protegia.

E ele sorria.

Oferecia amizade e simpatia,

falava na esperança, no amor

e acima de tudo…vivia!

Mas… como sempre,

o verde da ilusão

foi vencido pelo negro da realidade.

… e ele acordou.

Esperava-o um dia sempre igual,

sombrio, transparente e vazio.

Antes de se levantar

pensou como devia parecer triste

aos olhos das outras pessoas:

Velho, pobre, doente…

Mas que importa?

… ele passa

E ninguém o vê!»

 

Luís Filipe Soares

 

In:

Revista “Família Cristã”

Ano XXXI, nº 11 – Novembro 1985.

 

(Nota 1 - Também tenho publicado, nesta edição da Revista, “CAVALO DE FERRO”, sob pseudónimo “Manuel Francisco”.)

 

*******

 

«CINZA DE LUME APAGADO»

 

«Chão aberto à semente

Água de riacho

Planta de funda raiz

Flor a desabrochar

Sou terra, água

Planta, flor

De Primavera

 

Águia que quer voar

Ave que canta no pomar

Em noites de lua cheia

Sou fruto amadurecido

De Verão

 

Fulgor do sol poente

Onda que se levanta

Em mar de vivas marés

Sou folha doirada

Que tomba, que cai

No Outono

 

Flor de Primavera

Seara de Verão

Folha caída de Outono

Cinza de lume apagado

Morro no Inverno.»

 

Maria Ivone Vairinho

 

In:

“A Nossa Antologia”

“Antologia de Poesia e Prosa Poética”

X Volume – 2002.

 

(Nota 2 - Nesta X Antologia também participei com:

POEMA FIGURADO (I)”,”POEMA FIGURADO (II) – Um ramo de flores para a Mãe”, e “POEMA FIGURADO (III) – Perdido de si”.

Nota 3 - De entre os participantes nesta X Antologia, também participaram na XX:

Bento Laneiro, Catarina Malanho, Feliciana Garcia, Maria Melo, Natália Fernandes e Virgínia Branco.)

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publicado às 21:21

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (XI)

por Francisco Carita Mata, em 20.03.17

“A Nossa Antologia”

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

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Introdução:

 

Neste Post nº 513, concluo a divulgação de Poesia da XX Antologiada da APP - 2016!

Neste 11º Grupo, e último, figuram: Natália Fernandes, Paula Laranjo, Rosa Redondo, São Reis, Teresa Duarte Reis, Teresa Ruas e Virgínia Branco.

De cada um dos antologiados, selecionei uma Poesia, como habitualmente.

(Rosa Redondo e Virgínia Branco já figuram no blogue, no âmbito da XIII Antologia do C.N.A.P. – Círculo Nacional D’Arte e Poesia.)

 

Aprecie, caro/a Leitor/a, se faz favor!

 

Assim, comemoramos também este Mês, Março, dedicado à Poesia!

 

 

Foto original DAPL 20160604.jpg

 

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NATÁLIA FERNANDES

 

“HORIZONTES DE SONHO”

 

“Em teares de nostalgia

pinto horizontes de sonho

e remansos de magia…

 

Ao sulcarem minhas veias

os rios da emoção

meu pensamento é a tela

onde surgem devaneios…

 

A outonal madrugada

de lírios é perfumada

e aflora meu coração

fugidia ilusão.

 

Flutuo e bebo sonhos

e em leveza, os sentidos

pincelam as noites brancas

de mil anseios retidos.

 

Sorvo no degrau vencido

gasto pelo tempo ido

fragrâncias d’amor em mim

rejeitando ainda o fim…

 

Pintada que foi a tela

eivada de sentimentos

a bordar ternos momentos,

dispo-me desta ilusão

desfazendo a “veste” aos ventos…!”

 

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PAULA LARANJO

 

“MAR”

 

“Trazes um sopro

de magia

enrolada

numa onda.

 

Trazes o encanto

de um olhar

que embeleza

o teu mar.

 

Trazes a luz

enfeitiçada

que enlouquece

a madrugada.

 

Trazes o brilho

incandescente

que permanece

eternamente. ”

 

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ROSA REDONDO

 

“SONHO DESFEITO”

 

“Ando hoje ao sabor das memórias

Balançando entre sonho e fantasia

Cantando momentos de glórias

Dum tempo passado… alguma alegria.

 

Enquanto em teus braços me acariciavas

Falavas de amor com tanta magia

Ganhava mais alento quando tu chegavas

Horas eram dias… quando não te via.

 

Indiferente seguia sem ver o abismo

Já na Primavera me pareceu Inverno

Levantei-me um dia e foi como sismo

Meu olhar turvou-se o Céu fez-se Inferno.

 

Naquela manhã perdi toda graça

Os olhos choraram tristes, minhas penas

Pintei outro quadro e sem carapaça!

Quantas amarguras deixei em poemas.

 

Rasguei essas cartas, que encantada li

Senti raiva e dor, até quis morrer!

Traição engendrada foi isso que vi

Um amor assim, não sei descrever.

 

Vieste… cruzaste este meu caminho

Xadrez foi o jogo… comigo jogaste

Zombaste e perdeste amor e carinho.”


*******

SÃO REIS

 

“BOA SAMARITANA”

 

À querida Doutora Madalena Perestrelo

Centro de Saúde de Marvila”

 

“Eu amo pra sempre a Doutora Madalena

Ela prós seus doentes é atenciosa

E possui aura tão maravilhosa

Exala luz e perfume… verbena!

 

É linda!... E como eu tão pequena

Sempre vi a Doutora mui graciosa

Para os seus doentes é muito bondosa

Pra mim teve sempre conversa amena!

 

A Doutora é muito profissional

Abraçou a Medicina… nobre Ideal!

Nesses conhecimentos é soberana!

 

Sua acção médica é cheia de luz

Será talvez inspirada por Jesus

Pra nós é bem Boa Samaritana.”

 

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TERESA DUARTE REIS

 

“POESIA ALADA”

 

“A sombra das flores perfumam os prados

Ensejo de paz nos campos em flor

É o despertar da vida no silêncio campestre

Em doce melodia, num grito de amor.

 

É poesia alada, brincando com o vento

Poisando sobre o trigo, cheirando o jasmim

É o macio das papoilas bordando as searas

Em ternura de abraços que envias para mim.

 

Ai, doce ternura sinto também no luar

Como a embalar os meus sonhos na lonjura

Quando o dia fechou os olhos de mansinho

 

Sinto que me olhas em meu sonho, na saudade

Qual ave debicando das flores a ternura

Na esperança do encontro em doce ninho. ”

 

*******

 

TERESA RUAS

 

“PORQUE FAÇO POESIA?”

 

“ Já na Primária eu pedia

Para redigir em verso.

A professora sorria,

Incentivando-me o jeito,

E essa redacção surgia

Com a maior alegria

Sobre qualquer tema eleito.

 

Era como água a brotar

Meu olhar de verde esperança…

Minha forma de cantar

Os meus sonhos de criança.

 

Ter um poema no sangue

É isto, de não saber

Que, sem termos quem nos mande,

Já o estamos a fazer.

 

É ferida que fica aberta.

Seiva de vida que corre

Pela tua vida incerta…

Ainda que sejas nada

Não podes ficar parada,

Porque esta seiva Não morre!”

 

 

*******

 

VIRGÍNIA BRANCO

 

“A LENDA O POETA E A VIDA!”

 

“(A um Poeta)”

“Parnaso sugeriu a forma da tua poesia.”

 

“Ainda em embrião visitaste o templo de Atenas

e foste testemunho, do amor e da paixão

de Posidon (“Rei dos mares e dos cavalos”)

por Medusa, sua amada!

Pégaso nasceu desta paixão firmada.

Um cavalo branco, alado,

que em seu voo te levou

até ao Monte Helicon,

onde residiam as musas.

Pégaso no seu cavalgar

Imprimiu uma patada, que se firmou

Nas terras do Monte.

E qual poço artesiano; eis que

muita água dela brotou!

Hipocrene foi o nome dessa fonte.

Tu Poeta saciaste nela as tuas sedes;

Verdadeiro amante da clássica Poesia.

Apolo partilhou contigo, a magia

da ambrósia que te alimentou

e te ofereceu a imortalidade!

Ao fim de 9 meses impunha-se a natalidade;

Pégaso voo por terras e mares chegando contigo ao Tejo,

onde as ninfas te beijaram.

E uns braços maternos te acolheram e amaram!

O mesmo mar e rio que viu partir as Caravelas,

te ofereceram muita inspiração,

de que és fonte perene…

Porque bebeste a água de Hipocrene!”

 

 

*******

Notas Finais:

- Este é o último grupo de antologiados de que apresento um texto poético, de entre os que foram dados a conhecer na XX Antologia da APP.

- É natural e possível que tenha cometido algum erro, involuntário, frise-se.

- Se por acaso observar alguma incorreção, agradeço que me dê conhecimento, se faz favor!

- Se quiser ter acesso a cada Grupo de Antologiados, basta clicar, em cada palavra assinalada neste período!

 

(A Fotografia é um original D.A.P.L. 2016.)

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publicado às 14:01

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (X)

por Francisco Carita Mata, em 18.03.17

A Nossa Antologia

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

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Introdução:

 

Continuo na divulgação de Poesia da XX Antologia da APP - 2016!

 

Neste 10º Grupo, Mabel Cavalcanti, Maria Alcina Magro, Maria José Reis, Maria Graça Melo, Maria Vitória Afonso, Mário Bragança e Mário Vitorino Gaspar.

 

De cada um, selecionei uma Poesia, como habitualmente.

 

Cabe a si, caro/a Leitor/a, apreciar!

 

Foto original DAPL 20160725..jpg

 

 

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MABEL CAVALCANTI

 

“ ESQUEÇAM, PARA LEMBRAR”

 

“ Esqueçam tudo que eu já sofri

Pois hoje renasci

Sou toda primavera

Renasci de amor em outra terra

Num inverno onde quase morri.

 

Foi aquele ali

Que me devolveu

Todas as estações

E hoje sou flor

Sou chuva e sabor

Num outono de amor

Desse verão

 

Apaguem minhas notas tristes

Aquela lá já não existe

Hoje sou bem melhor

Sou amor e sou amada

E ando acompanhada

Numa linda estrada

De girassol.

 

Esqueçam meu ontem chuvoso

E vejam que sol maravilhoso

É o meu andar

E deixem que eu cante a minha esperança

Nessa noite sempre criança

Esqueçam

Para se lembrar

Que só o amor, eterna semente

É meu futuro e presente

É o que me faz cantar.”

 

*******

 

MARIA ALCINA MAGRO

 

“A TUA AUSÊNCIA”

 

“Em silêncio, ou por palavras desconhecidas dos poetas,

gostava de te dizer o que sinto com a tua ausência,

o que sofro com a tua partida,

o que penso, com o teu silêncio.

 

O Sol enche de luz a minha casa,

as pombas espreitam às janelas

e sentam-se, descaradamente, na varanda.

 

As abelhas vêm beber a água dos vasos

e beijar as pétalas macias e coloridas das flores.

Viajo com as águas do Tejo que vejo correr

para o mar, lá longe, em Cascais.

 

Tenho saúde, agradeço este dia

em que contemplo a beleza do mundo,

e sinto bem fundo o amor que alimento.

 

Vivo com esta desmedida nostalgia,

com esta profunda saudade

humedecida nas paredes do meu peito

no momento em que me deito,

no momento em que me levanto.”

 

 

*******

 

MARIA JOSÉ REIS

 

“ALVORADA”

 

“Vejo nascer doirada a madrugada

Alegria renasce a cada instante,

Já vejo o claro dia alvoraçada

Essa dispersa luz tão madrugante!

 

Infinita alegria misteriosa

A aurora desperta com sua graça,

Inundando a paisagem radiosa

Cobrindo de harmonia a quem passa.

 

E no imenso altivo horizonte

Ouço chilrear aves matinais

E água a sair na clara fonte.

 

É o conhecimento p´lo amor

Duma vida florindo sempre mais

Em uma madrugada sempre em flor!... ”


*******
MARIA GRAÇA MELO

 

“AMOR ETERNO”

 

“No espanto dos teus olhos me espanto

Sempre e quando me perguntas inocente

Se o mundo vai girando e a gente

Continuará a se amar tanto, tanto

 

Não sei que responder mas de repente

Sinto em nossos corações o mesmo pranto

A dizer-nos que este amor é sacrossanto

E em nós, irá durar eternamente…

 

Este laço que nos une é permanente

Seiva e sangue a correr pelas artérias

Que a sábia natureza não desmente

 

E pr’além de todo o amor, o nosso alento

Haverá dentro de nós marcas etéreas

A servir às nossas almas de alimento…”

 

*******

 

MARIA VITÓRIA AFONSO

 

“AGOSTO”

 

“Avança o tempo, surge o mês de Agosto

Em casa permaneço assim calada

Deixa Deus que esse tempo, que não gosto

Se eclipse e doutro mês surja a madrugada.

 

Aqui encontro-me eu a contragosto

Desse meu Alentejo já exilada

Grita a saudade; a alma com desgosto

Perde a serenidade costumada.

 

Está-me assim, doendo a solidão

E sinto forte a falta de convívio

E nas horas de plena evocação,

 

Eis meu ser mergulhado no declívio

Deus me dê o alento e reflexão

Me traga, à soledade, pleno alívio.”

 

*******

 

MÁRIO BRAGANÇA

 

“MULHER BONITA”

 

“Se mais bonita é a mulher

Mais bonita ela quer ser

Faz tudo que pode e quer

Para bem melhor parecer

 

A mulher é uma beleza

Para o homem tentação

Mas nunca tem a certeza

De um dia a ter a mão

 

A mulher é importante

No mundo em que vivemos

Perdem tudo num instante

Se as não compreendemos

 

Os dons que a mulher tem

Fazem sempre companhia

Deles se orgulha e bem

Para lhe dar força e alegria

 

Atributos da mulher

Por vezes exagerados

Ela aumenta o que poder

E nunca são censurados

 

A mulher comanda a vida

Se nasceu para comandar

É uma vida bem vivida

Quando os dois se estão amar”

 

*******

 

MÁRIO VITORINO GASPAR

 

“A NUDEZ”

 

“A Princesa de nome Rosa,

na parede Jesus!

Brota uma só gota lacrimosa

nos esbeltos seios nus!

- Nua, sem vestido?

A Princesa a Deus implora

- … Não faz sentido!

Outra lágrima e chora.

 

- Nua… Sem vestidos,

só joia de brilhantes?

Nos seios recém-nascidos

baú de ouro e diamantes?

Joias! São peças únicas,

verdade! E de certeza,

nem sequer umas túnicas

cobrem a linda princesa?

 

Dançam nos seus olhitos…

Lágrimas! São folhas caídas,

gotículas aos saltitos,

nas curvas proibidas!

Cristais crescem sem nexo,

ninho que o choro nobre,

na virgindade do sexo,

 a nudez não encobre!

 

A criança é nua ao nascer –

e disso não há engano

- Veste-se até morrer,

nem que seja com um pano.

Sai uma lágrima cristalina

e a nudez é de nascença,

sendo ela tão divina…

Qual a diferença?”

 

*******

Notas Finais:

- Este é o penúltimo grupo de antologiados de que apresento um texto poético, de entre os que cada um deu a conhecer na XX Antologia.

- É natural e possível que tenha cometido alguma gaffe.

- Se, por acaso, verificar algum erro “tipográfico”, ou de outro tipo, involuntário, frise-se, agradeço que me dê conhecimento, se faz favor!

- Clicando, em espaços especificamente assinalados, poderá ficar com uma ideia significativa sobre a Antologia.

 

(A Fotografia é um original D.A.P.L. 2016.)

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publicado às 19:00


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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