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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Tapada das Freiras – Imagens de Resistência(s)

Uma Passeata por um Alentejo especial. No Inverno!

E... Cabras e suas cabrioladas!

Aldeia. Vistas Tapada Freiras. Foto Original.2021.02.21.jpg

Hoje, apresento umas fotos de paisagens alentejanas. Pode parecer estranho a quem julgue que o Alentejo é uma extensa planura e quase sempre seco. Mas não é sempre assim. Agora, nesta fase de início de Outono e final de Verão, a secura ainda predomina. Mas, chovendo regularmente, como está acontecendo desde o final de Verão e continuando no Outono, os campos alentejanos adquirem muitas tonalidades de verdes. Que se prolongam pela Primavera. Atingindo a exuberância de cores garridas, marcantes em Abril e Maio.

As fotos que apresento são de 21 de Fevereiro deste ano. Andava a pandemia por aí à solta!

São vistas da Tapada das Freiras e do Chão da Pereira.

(Foi nestas Tapadas que decorreu, em 2017, parte do célebre evento designado de “O-Meeting: um “Encontro de Orientação”. Extraordinário acontecimento!)

A 1ª foto, que titula o postal, é da Aldeia e alguns dos seus ícones: a Igreja Matriz, a Araucária de Norfolk, os telhados da Rua Larga.

As fotos que a seguem são de Árvores, em contextos de resistência e sobrevivência em enquadramentos adversos. Adquirindo posturas peculiares, de modo a resistirem às condições difíceis em que estão inseridas.

Uma azinheira e um sobreiro entre duas pedras, parecendo um torpedo!

Azinheira e sobreiro. Foto Original. 2021.02.21.jpg

Aroeiras também encasteladas entre pedregulhos

Aroeiras. Foto Original. 2021.02.21.jpg

Oliveiras (Oliveira?), velhíssima(s), resiliente(s) a todas as intempéries da vida!

Oliveiras. Foto original. 2021.02.21.jpg

Uma azinheira, forçando a capacidade da rocha de granito onde teima em resistir! Há quanto tempo?! E por quanto tempo?!

Azinheira. Foto Original. 2021.02.21.jpg

Fotos de cabras e suas cabrioladas. Atualmente, ausentes da Tapada, há algum tempo, onde pontificavam reinantes e chocalheiras. Uma verdadeira orquestra, quando se deslocavam na pastagem! Estas fazem-se à foto!

Cabras. Foto Original. 2021.02.21.jpg

Uma cabrada: no que mais gostam. Trepar às árvores!

Cabrada. Foto Original. 2021.02.21.jpg

Uma oliveira milenar, que adquiriu o molde artístico, que a foto documenta. No "Chão da Pereira".

Oliveira torcida. Foto Original. 2021.02.21.jpg

Não resisto a publicar esta foto para terminar. Há sempre um final! 

Caveira Ovelha. Foto Original. 2021.02.21.jpg

Já agora, Caro/a Leitor/a, saberá de que animal será esta caveira?!

 

O Amarelo é ou não uma Cor bonita?!

Passeio ao “Cabeço das Antenas”: Imagens (III)

Giesta amarela florida. Foto original. 2021. 04. jpg

A 1ª foto é de uma giesta florida, em toda sua explosão de amarelo.

São arbustos autóctones, que proliferam naturalmente por estes campos. Face ao contexto ambiental têm a particularidade de serem apreciadíssimas pelo gado: lanígero - ovelhas, e caprino - cabras.

Mesmo no final do Verão, as sementes são um maná para este gado. Havendo estes animais nos terrenos, desbastam-nas e assim controlam a respetiva propagação. Lembre-se do terreno que mostrei no anterior postal. Aqui não há sinais de gado e é pena! Como se observa também na imagem seguinte.

Pinheiral no Cabeço Antenas. Foto original. 2021. 04. jpg

As antenas, rodeadas do pinheiral, que abunda excessivamente em toda a encosta.

Sobreiro no matagal. Foto original. 2021. 04. jpg

Foto do matagal, um sobreiro e vislumbrando ao fundo, novamente a Cidade!

Sobreiro descortiçado. Foto Original. 2021. 04. jpg

Sobreiro descortiçado em 2018.

Já agora... Sabe quando será novamente descortiçado?

Eucalipto. Foto original. 2021. 04. jpg

Uma exótica, à beira do caminho! Não são muitas nestas encostas, apesar de tudo. São mais os pinheiros.

Carvalhinho negral. Foto original. 2021. 04. jpg

A Natureza sempre a renovar-se: um pequeno carvalho negral, novíssimo.

Pinheiral. Foto original. 2021. 04. jpg

O pinheiral excessivo. A pedir um desbaste radical.

Fetal. Foto original. 2021. 04. jpg

E terminamos, já no vale do Boi D’Água, com a imagem de um fetal.

Também autóctones, estes fetos. Neste vale, corre um ribeiro atrevido, perto há uma cascatinha que o ajuda no caudal sempre murmuroso, entoam sinfonias os rouxinóis, coadjuvados por melros, outras passaradas que desconheço nomes... e insetos.

Um deleite para os ouvidos!

E o que espera para fazer caminhadas?!

Votos de muita Saúde. E Primavera florida. Aliás, floridíssima!

 

 

Pastor em part - time

Introdução:

Tenho hesitado na divulgação deste texto. Poético?! Não sei, embora tenha essa pretensão.

“Inspirado” na leitura de Alberto Caeiro e na minha própria experiência pessoal, parafraseando precisamente o “Guardador de Rebanhos”. Simples pretensão!

Escrito nos finais da década de setenta, inédito, atrevo-me a divulgá-lo, cumprindo um dos propósitos por que abri este blog. Dar a conhecer textos por mim escritos, originais, na sua maior parte já publicados noutros contextos e agora também alguns que ainda não o foram, até ao momento, em suportes de papel.

Este texto, em versos sem rima e de métrica não estruturada, é a primeira versão deste tema.

Já na década de oitenta escrevi uma versão rimada, dada a conhecer no blog em 03/12/2014.

 Pastor a tempo parcial

Segue-se o texto.

 

 

“Eu nunca guardei rebanhos

Mas é como se os guardasse.”

Alberto Caeiro

 

PASTOR em part-time

 

‘ Guardei muita vez ovelhas

Mas é como se as não guardasse. ’

Estando junto a elas, no meio delas

Poucas vezes aí estava...

Com elas falava, falando sozinho

Gritava-lhes, estando calado

Ouvia-as, não as escutando.

Batia-lhes, fazendo festas

Acariciava-as, magoando.

Mandava-lhes o cão, que não ia

Ou ia sem o mandar.

 

Se lhes vedava o trigal

Era certo que lá estavam

E teimosamente insistiam.

Se um muro as separava do fruto

Quantas vezes não o galgavam!

Mal cheiravam uma figueira

Ei-las, em louca correria,

Na disputa do cobiçado troféu.

 

E fugia o rebanho todo…

Só os pequenos e fracos se atrasavam.

 

Pela água era a mesma coisa.

E muitas vezes morriam

Após barrigadas de figo ou embudo.

(São assim as ovelhas.

 Sempre em rebanho!)

 

Por vezes lutavam à cabeçada,

Duas a duas,

Os carneiros principalmente…

Troque, troque… troque

Embatiam os crâneos um contra o outro.

E recuavam…

Para ganharem impacto para novo combate.

Troque, troque, troque…

Até fazer sangue

Por entre os cornos.

E um se dar por vencido.

 

No Verão, mal o sol começa a aquecer

Pelas nove, dez horas

Lá vão elas, cabeça baixa…

Badalum, badalum, badalum…

Em fila indiana,

Pelo carreiro de todos os dias,

Para o acarro.

O sobreiro ou a azinheira de sempre.

 

Na Primavera, os campos cheios de erva

Dá gosto vê-las espalhadas pelas abrigadas

Pastando ao sol.

É um mar de ondas brancas, calmas

Por entre o verde da relva.

Os filhos dormitam,

Manchas mais brancas ainda,

Reflexos de luz em mar de palha.

Nesta época não há quem as tire da pastagem.

 

Era então…

Que o sol

O fascínio da luz e da cor

A sinfonia das rãs, dos grilos e aves

O perfume das mil e uma ervas

A confusão dos sentidos

Me afastavam do rebanho

Estando no meio dele.

 

O silvo dos comboios era o convite

À viagem.

O esvoaçar duma águia

O passaporte assinado.

 

O oriente e a serra

A miragem do azul e do mar

Eram o meu Destino.

 

E então, partia…

 

 

Escrito em 1979.

 

 

Pastor a Tempo Parcial

“Eu nunca guardei rebanhos

Mas é como se os guardasse.”

Alberto Caeiro

  

 Pastor a Tempo Parcial

 

Rebanho... Foto de F.M.C.L. (início anos 80)

 

Ovelhas, andei a guardá-las

Como se as não guardasse

No meio delas, a olhá-las

Não tardava me ausentasse.

 

Com elas falava, só falando

Gritava-lhes, estando calado

Ouvia-as, não as escutando

Festas fazia com o cajado.

 

Acariciava-as, magoando

Mandava o cão que não ia

Ou ia não o mandando

E, ao chamá-lo, fugia.

 

Ao vedar-lhes o trigal

Era certo que lá estavam.

Onde quer que fosse mal

Insistindo elas teimavam.

 

Se do fruto as separava um muro

Quantas vezes o galgavam.

E por um figo maduro

Corriam mal o cheiravam.

 

Era louca a correria

Ao cobiçado troféu.

Todo o rebanho fugia

E atrás dele ia eu.

 

Pequenos e fracos ficavam

Coxeando mais atrás

Pouco a pouco se atrasavam

Andando o que eram capaz.

  

Pela água ia tudo

Se fartando de beber.

Comendo figo ou embudo

Acabavam por morrer.

 

Morriam ovelhas, tal e qual

A Mestre de Filosofia

Que embude a cicuta é igual

Só que, à data, eu não sabia.

 

As ovelhas são assim

Sempre em rebanho.

Muitos homens, outrossim

São iguais, de igual tamanho.

 

À cabeçada, por vezes,

Lutavam duas ou mais.

E entre os cornos soezes

Sangue escorria demais.

 

Nove, dez horas, aquece

O sol quente de verão

Cada chocalho estremece

Na corna amarrada ao chão.

 

Em fila indiana indo

Sempre no mesmo carreiro,

Ao acarro vão seguindo

Na mesma azinheira ou sobreiro.

 

Primavera, erva e cheiros tantos

Dá gosto vê-las espalhadas

Aquecendo lanudos mantos

Pastando nas abrigadas.

 

De brancas ondas um mar

Na verdejante relva dispersas

Nas lombas, filhos a dormitar

Manchas brancas mais diversas.

 

Espelham reflexos de luz

Num verde "Mar da Palha"

Na erva que tanto as seduz

Tirá-las daí…Deus nos valha!

  

Era então que o sol

O fascínio da luz e da cor

Sinfonia de rãs, grilos e rouxinol

Das mil e uma ervas o odor…

 

Me afastavam do rebanho

Sem sair do meio dele.

O caminho era tamanho…

Partia, deixando a pele.

 

O apitar do comboio, ao longe

Era um convite à viagem.

Naquele deserto de monge

Seguia a minha miragem.

 

Uma águia esvoaçando

Meu passaporte assinava.

Era então, quando

Eu, com ela, voava.

 

Este poema, de inícios dos anos oitenta, é versão rimada de outro escrito em finais de setenta.

O Bom Pastor!

 Há sempre uma Luz a guiar-nos pelos Caminhos do Amor!

Uma Estrela a indicar-nos o rumo da Cidade Prometida.

 

 

Ao meu Pai, Domingos Carita

Homem íntegro e honesto.

 

 

O Bom pastor, por amor de suas ovelhas…

Cuidava delas, noite e dia, sem descanso.

Se alguma estava doente, buscava-lhe remédio.

Se uma fora mãe recente e esquecera o seu rebento,

Adormecido nas leiras, das encostas soalheiras…

Chegava-lhe o filho ao leite, seu sustento.

A outra, sendo velha e alquebrada… ajudava-a.

No final da sua caminhada.

 

O Bom pastor, sempre em cuidado com suas ovelhas,

Viu um sinal no Céu, uma Estrela Luminosa,

A estrela matutina, numa fria madrugada de Novembro,

A guiá-lo na senda da Terra Prometida.

 

À procura partiu então…

Dessa Estrela, do Divino, de Paz para a sua Alma,

No coração levando as suas ovelhas. Para o Descanso Final.

Carente do descanso, que em vida não tivera, sempre a labutar.

E, no final, inquietude em que vivia, em sofrimento.

Sem um queixume ou lamento.

 

O Pastor vendo um sinal no Céu…

Partiu.

Na busca do Divino!

 

Digitalização estrela natal.jpg"A Estrela sobre Belém", original pintado com a boca por Kyriacos Kyriacou, A.P.B.D., Artistas Pintores com a Boca e o Pé, Caldas da Rainha.

  

Poema escrito em Novembro de 2008, na sequência do falecimento do meu Pai.

 

Publicado em:

Boletim Cultural Nº 90 – Ano XIX – Dezembro 2008, de C.N.A.P. – Círculo Nacional d’Arte e Poesia.

Boletim de Natal - Nº 46 (III Série) – Ano XXIII – Dezembro 2008, de A.P.P. – Associação Portuguesa de Poetas.

Jornal “A Mensagem” Nº 442, Ano 38, Dezembro de 2008.

Mensageiro da Poesia, Boletim Bimestral Nº 94, Janeiro / Fevereiro 2009.

Coletânea "Pai e Mãe" - Vários Autores - 2017

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/coletanea-pai-e-mae-poema-dedicado-aos-144305

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