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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Poema de Cesário Verde

Papoula. Original. 18.04.23.

 

 

 

 

 

 

 

«DE TARDE»

«Naquele «pic-nic» de burgueses,

Houve uma coisa simplesmente bela,

E que, sem ter história nem grandezas,

Em todo o caso dava uma aguarela.

 

Foi quando tu, descendo do burrico,

Foste colher, sem imposturas tolas,

A um granzonal azul de grão de bico

Um ramalhete rubro de papoulas.

 

Pouco depois, em cima duns penhascos

Nós acampámos, inda o sol se via;

E houve talhadas de melão, damascos,

E pão de ló molhado em malvasia.

 

Mas, todo púrpuro, a sair da renda

Dos teus dois seios como duas rolas,

Era o supremo encanto da merenda

O ramalhete rubro de papoulas!»

 

«O Livro de Cesário Verde

1887

Lisboa»

Papoula. Original. 18.04.23.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

In. "O Livro de Cesário Verde” – Publicações Anagrama, Lda. – Porto – Colecção Clássicos – 15.

*******

(Comprei este livro em 06/06/1984, numa Feira do Livro. Preço? Parece-me que registei 125$00! Em moeda atual e em valor nominal, correspondem a 62.5 cêntimos!!!!!)

Porque me lembrei de publicar um poema de Cesário Verde?!

Quando pesquisei sobre Camões, “Dia de Camões”, “Dia de Portugal”, observei um site sobre “O Sentimento dum Ocidental”, de Cesário Verde. Que havia escrito este poema em 1880, por ocasião das comemorações do 3º centenário da morte de Camões. Comemorações essas que deram muito que falar na época e tiveram muitas repercussões.

No blogue, tenho como um dos propósitos ir divulgando Poesia de Poetas Consagrados e de Poetisas. Tenho de Florbela, de Sophia,… de Camões, de Régio, de Pessoa… que me lembre, de cor… Então Cesário calhava.

Lembrei-me deste livrinho, materialmente muito singelo, mas muito rico de conteúdo. Reli muitos dos poemas que lera na década de oitenta, quando o comprara. Fui selecionando e, face à circunstância de publicar no blogue, optei pelo óbvio. Talvez dos poemas mais conhecidos. Também dos mais alegres, mais luminosos.

Uma série de circunstâncias respeitantes ao mês em que estamos – Junho, já referidas anteriormente.

Se analisarmos o conteúdo do poema, poderemos depreender que a ação em que decorre a narrativa também se reportará, muito provavelmente, a este mês de Junho.

Há uma série de circunstâncias felizes que abonam para escolher esta poesia, para identificar um Poeta, que não terá tido uma vida muito feliz.

(Cesário Verde: Lisboa – 25/02/1855 – Lisboa – 19/07/1886. Morreu de tuberculose, com 31 anos.)

papoula. original. 30.04.23.

Desejo que o/a Caro/a Leitor/a tenha gostado. Saúde, paz e poesia!

 

XIII Antologia de Poesia de C. N. A. P. – Poema: “Saudades”

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

Antologia

 

Neste Post Nº 300, divulgamos o Poema “Saudades”, de Ermelinda Negreiros, de Olhão.

 

Giestas Maio. Foto original de DAPL 2014 jpg

 

 

“Saudades”

 

“Tenho tantas saudades

de tudo!

Ah! Como o tempo se esvai!

Estou cansada de correr atrás da vida

e o tempo urge!

Sinto falta do que já tive,

do que desejei possuir,

e nunca alcancei...

tanta coisa bela e simples

que não agarrei!

Mas porque perdi o que tanto amei?!

Ah! Que saudades

dos teus braços...

e tal como o tempo que não volta

o teu amor já não renasce...

Quem te mandou partir e não voltar?!

Tenho saudades de tudo, sim!

Queria tanto ir ao campo no Maio

e colher papoilas vermelhas

para te oferecer como dádiva do meu amor...

Ah! Mas onde perdi o tempo

que não vivi

com a intensidade que algemei?!

E agora?!

Daria tudo por matar esta sede

que me sufoca e afoga em pranto

pela limitação dos gestos fracassados

que o tempo e a vida coartam em mim...

Que saudades eu tenho, confesso,

de tudo o que foi bom, em tempo novo,

e que fez pulsar meu coração!

Ah! Que saudades...”

 

Ermelinda Negreiros, Olhão

 

Ilustramos o Poema com bonitas fotos, originais de D.A.P.L., de 2014. Uma ilustração de Maio e de papoilas, não as do campo, mas as do quintal...

Papoilas da India. Foto original de DAPL 2014 jpg

 

E quem não tem Saudade de "...ir ao campo no Maio / e colher papoilas vermelhas..."?!

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