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Tertúlia do C.N.A.P. – Maio 2018: Arte e Poesia!

por Francisco Carita Mata, em 13.05.18

Arte e Poesia em semana de Eurovisão!

 

O Círculo Nacional D’Arte e Poesia continua na sua meritória caminhada, há quase trinta anos, desde 1989, na divulgação da Arte e da Poesia.

 

No passado dia oito de Maio, como tem ocorrido nos últimos anos, graças à amabilidade da Direção do Centro de Dia de São Sebastião da Pedreira, aí decorreu mais uma Tertúlia dedicada à Poesia, irmanada com uma bonita Exposição de Pintura.

 

De entre os vários artistas, com obras expostas na improvisada galeria, estiveram presentes na inauguração (que piada eu acho à palavra “vernissage”!), digo, deram-nos a honra da sua comparência, D. Josefina Almeida, D. Fernanda de Carvalho, D. Maria Ivone Azevedo e D. Teresa Filipe. Autodidatas da arte de pintar, com alguns cursos de tempos livres, não académicos, mas nem por isso menos primorosas no seu labor!

Pintura original Josefina Almeida.jpg

 

D.Josefina apresenta-nos trabalhos paisagísticos, da sua região natal: Ponte Manuelina, na vila de Góis; Rio Ceira, na aldeia do Colmeal e “Cai neve”, em Viseu.

Pintura figurativa, em tons escuros, a que não são alheios os estados de alma e a tristeza vivida nas tragédias, ainda bem presentes, dos recentes incêndios que devastaram as áreas da “Zona do Pinhal” e das Beiras!

Mas o verde também sempre poeticamente presente, de esperança!

Pintura original Josefina Almeida. jpg

 

Essa nostálgica tristeza também se reflete em “Rio Turvo” “…meus desenganos…”, título e excerto de poema de sua autoria que nos deu a conhecer.

Já em “Mulher vais ser Mãe!”, “poema que escreveu há quase sessenta anos”, impregnado de realismo vivenciado, a que Mãe se referirá o sujeito poético?!

 

D. Fernanda de Carvalho opta por uma estética surrealista. Expõe duas peças artísticas. Uma “Sem Título”, que ela própria não consegue muito bem decifrar o que pretende mostrar-nos, segue o que o seu estro ordena, embora na obra vislumbre parte de mulher, uma pata de touro… Deixa-nos a nós, a capacidade e primazia de lermos o desenho e a pintura, segundo a nossa perspetiva de observadores.

Pintura original Fernanda Carvalho.jpg

Cores alegres, bem presentes também no sugestivo Rosinha dos Limões”. Lembrou-se deste título, pois veio-lhe à memória essa célebre canção, que eu desconhecia. (Mas vale-nos a net!) Na cara da “Rosinha” um lagarto pintado. (Lagarto pintado, quem te pintou?! A D. Fernanda que por aqui passou…)

Pintura original Fernanda Carvalho.jpg

Leu-nos poesia de índole pessoal. “…caminho passo a passo…”, ”Retalhos de uma Vida” e o sempre divertido, irónico, alegre: “Os meus namorados”.

 

Pintura original Maria Ivone Azevedo. jpg

D. Maria Ivone Azevedo, algarvia, traz-nos além de uma versão de “Girassóis” de Van Gogh, uma peculiar e icónica pintura do seu Algarve, com alguns elementos parcelares e temáticos desta província do sul de Portugal. Como se estivessem a ser visualizados a partir da estrutura de uma casa, envidraçada ou aberta à paisagem figurativa. A luz, a cor, as imagens… Os elementos marcantes do Sul: amendoeira, alfarroba, chaminé, moinho, o sol e a lua. E assim constrói a sua poesia!

Pintura original Maria Ivone Azevedo. jpg

 

D.Teresa Filipe apresenta-nos também uma pintura sobre uma paisagem, um ribeiro imaginário, correndo entre margens verdejantes. Não faz um plano prévio sobre o que pretende, vai inventando e dando largas à sua imaginação, à medida que vai construindo o quadro… também a sua forma de se expressar poeticamente!

(Desta pintora, não temos, por agora, imagem elucidativa. Lapsos do senhor fotógrafo! As novas tenologias permitir-nos-ão corrigir o problema, logo que possamos.)

 

Em termos picturais, está também exposto um quadro de Vitor Hugo: uma paisagem realista de Marvão, perspetivada a partir de uma das portas góticas.

Pintura original Vitor Hugo. jpg

 

De Elmanu: pintura no domínio do imaginário, atrevo-me a integrá-la também num conceito de surrealismo, bebido igualmente em Miró(?)

Pintura original  Elmanu. jpg

Tente o caro/a leitor/a expressar-se opinativamente!

 

Estão ainda expostos os seguintes sugestivos e festivos quadros.

O primeiro mais abstrato e algo impressionista.

Pintura original.jpg

 

E o segundo, um verdadeiro Hino à Primavera!

Pintura original. jpg

 (Autoria: Méli - Amélia Figueiredo.)

 

E refiro, aqui, como seria sempre importante a presença dos Artistas, que nos dessem um vislumbre pessoal da sua Arte!

 

E como no C.N.A.P. a Poesia é uma das vertentes primordiais, também esta Arte teve o seu papel.

D. Olívia Diniz Sampaio, a Alma-Mater do Círculo, trouxe-nos “Noctívago”, de Fernando Pinto Ribeiro e “Cântico e Súplica de Louvor a Deus”, de Amélia Figueiredo. Ambos figurando no recente Boletim Cultural (Nº 131 – Ano XXIX – Março 2018.)

 

Também de Pinto Ribeiro, o seu irmão, Carlos, presença habitual nestas tertúlias, assumindo quase a missão de divulgar a obra do irmão falecido, Fernando, nos leu o poema “Bendito Amor”, de canção gravada por José Mourão, com música de Jorge Fontes.

 

Igualmente do mesmo poeta, Drº Santos Silva também leu poemas do livro “O Cisne Submerso”: “… foi Deus quem de mim te raptou…”

E de Alberto de Serpa: “Há instantes tão longos…”, que também figura no citado Boletim nº 131 do CNAP.

 

Pela minha parte, desta vez, li a fábula “O HOJE e o Amanhã”.

E na sequência de Drº Santos Silva nos ter reportado para o JL e para um comentário de José Carlos Vasconcelos sobre o Facebook, acabei por dizer Meu Amor do Facebook!”. Que encerrou a Tertúlia!

 

Rolando Amado, que, de novo, colabora com as fotografias, a quem desde já agradeço, por esta vez não cantou! Reportou-nos, via telemóvel, para a audição do clássico: “Ninguém é de ninguém.” (Vantagens das novas tecnologias!)

Em contrapartida, tendo-nos enviado o seu último poema, é este que encerra esta crónica.

 

(Dir-me-á, caro/a leitor/a que estes são eventos culturais que passam quase despercebidos. E, infelizmente, é verdade!

Mas o que é que os nossos meios de comunicação divulgam?!

E a quem dão direito à palavra as nossas TVs?!

Há por aí uns quantos, que nem o bê-á-bá sabem soletrar, em que não há dia nem canal que não tenham direito de antena exclusivo!!!

É só estar atento, caro/a leitor/a.

E acha isso bem, estarmos a ouvir tantas calinadas diárias?!)

 

Bem, mas nem tudo é mau!

Esta crónica veio sendo escrita no contexto do espetáculo único que foi a realização do Festival da Eurovisão em Portugal!

E, na minha opinião, passe algumas futriquices de somenos importância, a realização portuguesa não ficou nada a dever às anteriores! Parabéns Portugal!

AH! A classificação da canção portuguesa… E o que posso eu dizer?! (…)   (…)

 

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«PORQUE AGORA É NOITE»

 

«Atravesso a noite e estremeço

Ainda temo essas sombras que sussurram,

O eco dos passos que produzo.

Porque a noite é longa,

Porque a noite é tudo.

A noite é ventre, é mãe, é princípio

É sonho, fuga, caos, turbilhão, redenção.

É a noite que nos agarra e devora

É ela que nos possui.

Embarco no navio da noite

À boleia de alguma tentação

Vestida de poesia sedutora

De pensamentos errantes

Porque sendo noite são memórias

De outras noites transformistas

De mil e uma noites eternas.

Atravesso a noite, densa, absoluta

Pelas ruas desertas de luzes tristes

E pintadas de sonhos dos sem-abrigo

Dos meus fantasmas e fantasias,

Que persistem.

É noite de bandidos e inocentes

De histórias intermináveis

De amores vendidos, de amores falsos

De sexo, amizade e ternura.

De navalhas em riste, crime e sangue

De vingança e de perdão

De grandes verdades e colossais mentiras.

É noite que transfigura,

De predadores e de santos

Dos animais das trevas, que nos miram

Expectantes, pelo medo que também sentem.

É noite, espelho de cada um

Que me abraça em seu mistério

Cada vez que navego em noite.

Do princípio e fim de tudo

Porque a noite é de ninguém

A noite é o sono da vida.»

 

ROLANDO AMADO RAIMUNDO

 

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publicado às 10:34

"... E Cai a Noite"!

por Francisco Carita Mata, em 08.04.18

Poesia de Rolando Amado Raimundo

 

Continuamos na "onda" da Poesia.

Hoje, divulgamos dois bonitos poemas do confrade supracitado: 

"Na cidade e cai a noite" e "Canção que transcende". Ambos de 2012.

 

Ginjal 2017. Original DAPL. jpg

 

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«NA CIDADE E CAI A NOITE»

 

«A penumbra trouxe agora acalmia aparente

Já tudo se vestiu para a noite, como as aves

As portas trancadas, os alarmes precavidos

Lá ao longe

O grito de ambulância fere lancinante

Aproxima-se. Homem, mulher?

Quem lá irá, que lhe aconteceu

Acidente, algum suicídio, mais um?

Junto à linha férrea, ratinhos banqueteiam-se

Sem pejo nem temor

Nos caixotes da avenida.

Velhas espreitam atrás dos vidros

Pela vez derradeira

Janelas com luzes dentro

Onde se faz sexo

E talvez amor

Há promessas de não cumprir

Ou maquinações tenebrosas

Gente feliz, gente contente

Gente a nascer e gente a morrer

Menos carros indiferentes

Tudo a girar como a bola mundo.

 

Há insónias, rezas

Pensamentos impuros

Intenções fraternais

E pensamentos lúbricos

A lassidão é companhia

Como mulher que seduz

Lânguida, impulsiva, quase empurra

Para os braços de Morfeu

É hora dos bichos nocturnos e sua rotina

Dos olhos dos gatos reflectidos

Das ratazanas e dos ladrões

Tudo atento, em seu lugar

Perfeito, como em êxtase.

 

Nalguns cantos espetam-se seringas de raiva e de alívio

E de viagens, nem sempre de retorno

Há restolhar do oculto e de segredos

De árvores, de pedras, de espíritos

De dentro das casas

De dentro da alma das casas

 

Agarrados um casal, tropeça

De álcool ou algo mais.

 

Beijam-se, há desejos carnais

Iluminados pelo luar

Sedentos de prazer

Felizes de juventude, que o tempo foge

Com todos os sonhos possíveis.

 

Querem viver e embriagar-se disso e agora.

- Depressa, antes que amanheça.»

 

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«CANÇÃO QUE TRANSCENDE»

 

«De súbito, como janela que se abre

A deixar entrar suave, suavemente

A fresca brisa que toca a reviver

Uma cantora vivencia e é sublime

Nessa voz que penetra fundo

Vai ao limbo do que sabemos nosso

Adormecido sono existencial.

 

E consola e abraça, como uma mãe

A cantar esses instantes

Esses sopros de vida remexidos

A despertar lembranças, sensações

 

Numa canção, todo esse mundo

Que revisitamos a pulsar

Voz de surpresa, canção que transcende

Voz tão suave, do coração

Tão perto e tão amiga

Voz que podíamos beijar…de gratidão.»

 

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(Fotografia original DAPL - 2017: Cais do Ginjal, ao entardecer.)

 

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publicado às 18:13

“Nau dos Sonhos - Prémio Ivone Vairinho” - 2018

por Francisco Carita Mata, em 06.04.18

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA de POETAS – APP

2018

 

No decurso da Sessão Solene comemorativa do 33.º Aniversário da APP, realizada no dia 3 de Abril de 2018, ocorreu a proclamação dos trabalhos vencedores do concurso de “Poemas Ilustrados” e de “Poemas com Ilustração” -  “NAU DOS SONHOS - PRÉMIO IVONE VAIRINHO."

 

Na “Modalidade A – Poemas Ilustrados” o vencedor foi o “POEMA PSICADÉLICO”, de minha autoria.

 

Na “Modalidade B – Poemas com Ilustração”, o prémio foi entregue ex-aequo aos trabalhos “DO OUTRO LADO DOS SONHOS”, do associado CARLOS ALMEIDA, e ao trabalho “MARES”, do associado CASSIANO SANTOS CABRAL.

 

Anexo uma foto do trabalho que intitulei como “Poema Psicadélico”, para efeitos do concurso.

Este trabalho poético, integrado no conceito estético de “Poesia Visual”, é dos finais da década de oitenta, do século XX.

Faz parte de um conjunto de trabalhos que elaborei nessa época, enquadrados num contexto experimental de Poesia, integrada no âmbito da estética da corrente de escrita referida.

 

Tem na sua base um poema de 1979, que intitulei, à data em que foi escrito, como “Fuga… à Solidão!”

 

*******

 

FUGA… à SOLIDÃO!

 

Trombetas projectam raios laser

numa pintura estereofónica.

Então… um aroma poliédrico

enche o presente…

… De esferas, prismas, cubos;

Violetas, rosas, carmins;

Maresias, manhãs, névoas…

Em tudo esvoaça o Nada.

 

Numa memória espacial,

me recordo de lugares que não vivi,

Do tempo que não percorri.

 

E neste caminho me provo,

cheirando cinzento – escuro.

Escuto. E saibo a limão.

Olho-me, numa sinfonia aromática.

Sinto o colorido Rock. E percebo!

Era… ontem, ali…

 

Hoje, sinto amargos de boca,

náuseas de prazer.

 

E estou só.

Só, entre quatro paredes nuas.

E brancas.

 

Estou triste!

 

*******

 

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 Anexo também uma imagem dos três trabalhos premiados, a partir de fotografia das fotocópias afixadas em placard, na Sede da Associação.

 

2018 original DAPL. jpg

 (Original DAPL 2018.)

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Atrevo-me a terminar este post com a frase introdutória à Exposição O Prodígio da Experiência”: “…um olhar abrangente sobre a obra visual de Ana Hatherly…”, na Galeria Municipal de ArteAlmada:

 

 «A pintura é poesia muda, a poesia imagem que fala.»,

de Simónides de Keos (Séc. VI a. C.)

 

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publicado às 19:05

Tertúlia Poética da APP no “Vá – Vá” - Uma Ronda de Poesia!

por Francisco Carita Mata, em 23.02.18

Associação Portuguesa de Poetas – APP

Restaurante, Café, Pastelaria, Snack – Bar,  “Vá – Vá”

Lisboa

11 Fevereiro 2018 (Domingo) – 16h. 30’

 

2018. Carlos Cardoso Luís. Lisboa. jpg

 

No Restaurante – Café – Pastelaria, Vá – Vá, em Lisboa, são organizadas tertúlias, há décadas.

 

Algumas estão documentadas, através de cartazes emoldurados nas paredes da sala onde habitualmente se realizam.

É esse facto que a fotografia apresentada, a documentar este post, nos atesta.

Alguns dos cartazes em que figuram algumas das personalidades homenageadas: os atores Rui de Carvalho e Eunice Muñoz, Lili Caneças, padre Feytor Pinto, maestro Victorino de Almeida… Ainda e também no lado oposto da sala, figura outro conjunto de posters, com outras personalidades: Herman José, Júlio Isidro, Lauro António, Lia Gama, Lurdes Norberto, Nicolau Breyner, e até o atual Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa. (Noutro contexto, evidentemente!). Também António Sala, Carlos do Carmo, Maria Eduarda Colares…

Estas tertúlias e/ou homenagens, que não sei de todo como funcionam, não pertenço a esse “meio” em que se enquadram estas Personalidades, têm um nome sugestivo “VÁ.VÁ.DIANDO”!

Mas não é sobre elas que lhe quero falar, Caro/a Leitor/a.

 

Antes de mais, e “o seu a seu dono”, frisar que a fotografia é um original de Carlos Cardoso Luís, atual Presidente da Associação Portuguesa de Poetas – APP.

 

E é sobre as Tertúlias da APP – Associação Portuguesa de Poetas, no Vá – Vá, que eu quero dizer de sua justiça!

Já se realizam também há anos, não sei desde quando, mas até seria interessante saber. (Caso tenha conhecimento, agradeço…).

Sei que já se realizavam quando, a saudosa, D. Maria Ivone Vairinho era Presidente.

Não me recordo se alguma vez terei comparecido nessa época, tinha muito menos disponibilidade… Mas compareci nesta última Tertúlia, dizendo poesia.

 

E, tal como eu, estiveram outros Poetas e Poetisas, também dizendo, declamando, lendo, cantando, os seus poemas, as suas canções ou de outros Autores, consagrados ou não.

 

Abençoados os Dizedores de Poesia!

Que transportam e difundem a Luz, que a Poesia representa e significa, culturalmente!

 

Dizer, Declamar, ler POESIA é quase um ato de “transgressão” Social!

Choca esta afirmação?!

Explicito: No sentido de ser um ato minoritário, quiçá ‘marginal’, perante o enquadramento e o destaque que outras atividades culturais têm na nossa sociedade.

(Se perspetivarmos o assunto reportando-nos ao destaque que os mass-media concedem à Poesia, as televisões, as rádios, os jornais, as redes sociais… Bem…

Em contraponto, observe-se a peroração nos “media”, sempre que um qualquer árbitro dá uma canelada no regulamento… Ou que um jogador dá uma cabeçada na bola!

Sem menosprezo pelo futebol, mas que acho hipervalorizado sob todos os ângulos de análise!)

 

*******

 

E vamos então à Tertúlia.

 

Como é habitual nestes eventos, cada Poeta ou Poetisa, Leitor ou Leitora, “Diseur”, Dizedor ou Dizedora, apresenta um dos seus trabalhos, original ou não, completando uma rodada, de modo que todos tenham a sua oportunidade. A não ser que queiram “passar”, como aconteceu desta vez com algumas pessoas.

 

Havendo ocasião, dependendo dos presentes, vai-se a uma segunda rodada ou até terceira, conforme o número de presenças e a disponibilidade de cada um e da Instituição onde se realiza o “sarau”.

 

Nas Tertúlias da APP, conforme tenho observado, há sempre um número razoável de presenças, quase sempre se chega a uma segunda volta, mas nem sempre todos voltam a participar, porque algumas pessoas têm que se ausentar, dado que a primeira ronda é mais demorada.

É também habitual fazer-se um pequeno lanche. Aliás, realizando-se numa Instituição particular de restauração, esse comportamento é mesmo de norma social! “Faz-se sempre despesa.”

Pessoalmente, prefiro chegar mais cedo e, antes de iniciar, tomar a minha bebida e bolo ou salgado e, no final, repetir.

 

Então… dirá… nunca mais diz quem esteve ou não esteve, que disse ou não disse, que cantou ou não cantou… e se encantou ou não?!

 

Bem, meu caro, se encantou ou não, fica à consideração de cada um. Que eu, por norma, não ‘adjetivo’ estas atuações. Não formulo juízos de valor. Todos contribuem, a seu modo, para o grande valor que têm estas ocorrências poéticas.

Que pena e que desperdício os media não lhes darem a merecida importância. Ademais, nelas comparecem Pessoas, Poetas e Poetisas que já têm alguma idade, alguns com mais de noventa anos, apesar de jovens de espírito e extremamente criativos!

 

E, nem a propósito, quem iniciou propriamente a ronda dos Poetas presentes a dizerem Poesia foi precisamente João Baptista Coelho, (1927), um dos decanos dos Poetas, sócios da APP. Quatro sonetos: “Tetralogia do Amor – Primavera… Verão… Outono… Inverno!”

 

Bem… dirá o/a caro/a amigo/a… mas não foi assim que se iniciou a Tertúlia…

E tem toda a razão!

 

É de praxe referir que a mesa era constituída por três elementos da Direção da Associação: Carlos Cardoso Luís, a presidir e que fez a apresentação do evento e a coadjuvar, Maria Graça Melo e Rogélio Mena Gomes.

 

Que, também como é habitual nas Tertúlias APP, são lidos poemas de ausentes, que, por dificuldades logísticas, não podendo comparecer, os enviam para serem lidos aos presentes. “Os Poemas do Mês”!

Foram lidos textos de Valquíria Imperiano, de Manuel Canela e Cassiano Santos Cabral, de Porto Alegre, Brasil. De Valquíria, "Batalha" e dos seguintes, refiro respetivamente: “Da minha janela” e “Sol e café”.

 

Ainda antes de se iniciar a ‘Ronda dos Poetas Presentes’, Carlos C. Luís leu um texto sobre a significação da quadra do Carnaval e uma quadra de Gilberto Gil.

E foi continuando as apresentações dos Poetas, intercalando com pequenos excertos, pensamentos e epigramas (?) sobre a temática carnavalesca e também alguns improvisos seus (?)

Ah! Esquecia-me de frisar que, estando nós, à data, no Carnaval - “Domingo Gordo”, esta temática do “Entrudo” foi sendo abordada por vários dos presentes.

 

Talvez por isso mesmo, quando chegou a sua vez, que foi logo em segundo, Rogélio Mena Gomes leu um seu poema, de um conjunto de "poemas do absurdo", que considerou o mais pequeno de todos, do seu livro “In Verso”, intitulado “Gargalhada”: Há? Há. Ahhh...!"

 

E foi com esta boa disposição que o sarau e convívio foi continuando.

 

Pais da Rosa disse “Perdido no tempo”.

Tereza Pais da Rosa, “É dia de Carnaval”.

Vitor Camarate, “Carnaval: Sai-me um bafo do coração…”

Felismina Mealha não disse, “passou”… estava de férias de Carnaval!

Esmeralda, “Mar de mulher”.

Alcina Magro, “Do vermelho dos poentes…”

Graça Balsa trouxe-nos Fernando Pessoa e “Comboio descendente”.

Júlia Pereira, Carnaval.

E, chegando a minha vez, fui dizer “Meu amor do facebook”.

Conceição Serra, de António Nobre, apresentou “Menino e moço”.

Carlos Cardoso Luís, de Sidney Poeta dos Sonhos, “Terno Carnaval”.

Maria Melo, “Pastor do monte”.

José Branquinho disse “Por uma vida em flor” e cantou “Amo-te desde criança… Portalegre”.

Maria Isilda Gonçalves deu-nos a conhecer um poema de Ruy de Carvalho, seu filho, não o ator anteriormente mencionado, intitulado “Máscara”, do livro “Matizes da Vida”.

Aurélio Tavares, outro dos decanos presentes, “Fui pai, agora avô…”

Outro senhor que também “passou” e, que me desculpe o próprio, mas não fixei o nome…

João Coutinho disse “Diferente de mim”, in. “Sonetos”.

Ana Herédia, “Férias de Verão”.

E Bento Durão, supostamente fecharia este primeiro ciclo, dizendo, “Gosto do Bairro da Graça” e cantando o fado “Carmencita”.

E Bento não fechou a primeira ronda, porque, entretanto, aparecera Márcia Rocha que nos disse que “Sei que vivo num mundo maravilhoso…”

 

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E, seguidamente, surgiu a oportunidade para se provarem os préstimos da Casa, tomando as suas bebidas e degustando os doces e salgados, ação que já executara previamente, antes do início da tertúlia.

Aproveitei para esclarecer nomes e títulos de poemas e canções… e mesmo assim terá saído esta crónica “transgressora” da realidade, porque certamente, imperfeita.

 

E na segunda parte…

 

José Branquinho cantou “Bairro negro”: “Olha o sol que vai nascer… anda ver o mar…” E quem sabia, acompanhou.

Pais da Rosa disse “o Vento”, “Formosa serra da Estrela”.

Tereza Pais da Rosa, “Vivendo como velhos…”

Vitor Camarate, “Sauda” (?).

Graça Balsa disse “Balada da neve”, de Augusto Gil.

Alcina também “passou” desta vez.

Júlia Pereira disse “No hospital”.

Esmeralda, “Ela a passar na rua…”

Eu disse a ‘alegoria’ ao telemóvel, texto dos finais de noventa, que nunca publiquei, inspirado numa canção de Ágata, integrado num programa televisivo chamado “Paródia Nacional”. (Texto que também não enviei para o Programa.)

Carlos Cardoso Luís disse “Chinela de varina”.

Maria Melo disse um poema de Amor: “Vazio”.

José Branquinho cantou “… Na margem da ribeirinha…”, que cantara pela primeira vez, quando tinha catorze anos!

Maria Isilda Gonçalves disse “Verde paz”, poema igualmente do filho, Ruy de Carvalho.

Aurélio Tavares disse/‘leu’ “Minha cidade está triste”, a partir da boina, que metaforicamente funciona como tampa da “caixa” onde tem os poemas guardados, a sua, dele, memória.

João Coutinho, “Aqui um homem de qualquer cor…”, “Estão aqui…”

Carlos Cardoso Luís, “Um palerma como tu”.

E Márcia Rocha terminou: “Uma nova decoração”!

 

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E assim decorreu e se concluiu a Tertúlia da APP no Vá – Vá.

 

(O local é ótimo, porque bem situado no centro de Lisboa. A Entidade, pelo que observo, é bastante recetiva. Os funcionários são atenciosos e alguns até manifestam interesse nas intervenções poéticas, como pude constatar. Também clientes se manifestam curiosos.

Pena é que as portas, com os enfeites sugestivos que têm, não possuindo vidros, permitem que o ruído exterior entre na sala.

Mas até essa dificuldade a Poesia consegue superar!)

 

Importa mencionar que estas tertúlias ocorrem, por norma, nos segundos domingos de cada mês, a partir das 16h e 30’.

Preste bem atenção, caso queira comparecer.

Informar ainda que a APP organiza outra tertúlia, na sua sede, aos Olivais – Lisboa, no último domingo de cada mês, a partir das 15h.

 

Compareça nas Tertúlias da APP.

 

Bem como nas de outras Instituições Poéticas que conheço:

CNAP – Círculo Nacional D’Arte e Poesia, em Lisboa;

SCALA – Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, em Almada;

Momentos de Poesia”, em Portalegre;

“Mensageiro da Poesia”, no concelho do Seixal.

 

E para terminar: Um Viva à Poesia!

 

E, esta crónica é ou não, de certo modo, algo “transgressora”, face ao contexto opinativo geral e generalizado entre “fazedores de opinião”?!

(Este último parágrafo tem o seu quê e porquê, que tem a ver com a publicação desta crónica… que se foi atrasando e só hoje foi dada a lume!)

 

E o meu muito obrigado, por me ter lido, até aqui.

Volte sempre, S.F.F.

 

 

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publicado às 14:27

Cantigas de oito pontos – “Amor p’ra toda a Vida”!

por Francisco Carita Mata, em 10.12.17

Quadras Tradicionais VII

 

Vale. original DAPL. 2016.jpg

 

(I)

«O sol é que domina

Toda a planta que há na terra

O meu coração se encerra

No teu peito, menina.

Inda eras bem pequenina

Já me caías em graça

Que queres, amor, que eu faça

Esta é que é a minha sina.»

 

(Cantiga (I) “dita” por Srº Domingos Carita Lopes, em 1982, em Aldeia da Mata.)

 

Arco Original DAPL. 2016. jpg

 

(II)

«Eu de cá e tu de lá

Forma-se um arco no meio

Eu de cá sempre estou firme

Tu de lá tens arreceio.

Os teus olhos são dois sóis

Que alumiam todo o mundo

As sobrancelhas, anzóis

Que pescam no mar sem fundo.»

 

(III)

«Sepultei minha tristeza

Na raiz do alecrim

Já não achas com certeza

Outro amor igual a mim.

Na palma da tua mão

Tá outra palma nascida

Se me souberes amar

Tens amor p’ra toda a vida.»

 

(Cantigas II e III “ditas” por Srª Catarina Matono, em 1982, em Aldeia da Mata.)

 

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Vale e Igreja. original DAPL. 2016.jpg

 

Com estas “Cantigas”, voltamos às Quadras Tradicionais. Este já é o Grupo VII.

Resultam estas “cantigas” de uma recolha efetuada em 1982! Tenho-as manuscritas, com as palavras na forma como me foram ditas oralmente. Nesta transcrição escrevo-as respeitando a ortografia atual.

Continuamos deste modo a homenagear a Poesia, a Poesia Tradicional e os seus Autores, cuja origem se perde na memória dos tempos. Fica o registo dos seus transmissores, desconhecendo eu completamente se seriam originais, mas julgo que não.

(A Srª Catarina Matono também me relatou vários contos tradicionais, que tenho manuscritos.)

 

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(As Fotografias são originais D.A.P.L. - 2016)

 

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publicado às 22:10

"Momentos de Poesia: Dar Voz aos Poetas"

por Francisco Carita Mata, em 08.12.17

"MOMENTOS DE POESIA"

PORTALEGRE

Dezembro de 2017

Há mais de dez anos a, regularmente, "Dar Voz Aos Poetas"

 

"Momentos de Poesia" - Cartaz Dez. 2017 Jpg.

É com grata satisfação que anuncio a realização do próximo evento poético de "MOMENTOS DE POESIA"!

Formulo votos de um bonito Sarau de Poesia, de Teatro, de convívio, conforme é apanágio da organização.

Pena tenho de não poder estar presente. Algum dia acontecerá essa possibilidade.

Aproveito para formular Votos de Bom Natal a todos os intervenientes, participantes na "Tertúlia!

 

(Cartaz de Autoria de Organização do Evento.)

 

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publicado às 15:34

Uma Equipa de Jovens… Com alguma Idade!

por Francisco Carita Mata, em 01.11.17

Associação Portuguesa de Poetas

 

Momentos Original Helena Cruz APP Out. 2017. jpg

 

Dinamismo. Trabalho. Competência.

Juventude!

 

Retorno à Poesia!

Também para falar da Associação Portuguesa de Poetas. E para continuar na divulgação dessa nobre Arte, a Poesia!.

 

A APP é uma Associação, com uma enorme vitalidade.

De certo modo, só faz sentido que assim seja, dado que está nos seus trinta e dois anos, mas esse facto também se deve ao dinamismo dos Associados e, obviamente, da respetiva Direção. Ao seu trabalho e competência.

 

Consultando as atividades mensais desenvolvidas e as previstas de realizar, verificamos uma grande azáfama, tanto da Associação, como dos Associados:

- Lançamentos de antologias coletivas, de livros individuais, de boletins culturais; organização de tertúlias variadas, eventos diversos de caráter cultural, por todo o Portugal e também no Brasil, centrados ou com a participação de sócios; prémios de poesia; reconhecimento do mérito e do trabalho de poetas e poetisas associados da APP, em ambos os Países irmãos, por diversas, diferentes e prestigiadas Instituições; programas de rádio, workshops poéticos, palestras, peças de teatro, blogues… artes plásticas, música, canto. Eu sei lá!

 

*******

 

Vou falar apenas e um pouco de três eventos a que assisti e/ou participei, no finado mês de Outubro.

 

A vinte e nove, (29/10), a habitual Tertúlia da APP, de final do mês, na sede da Associação: Rua Américo de Jesus Fernandes, nº 16 - A, aos Olivais, Lisboa.

 

Helena Cruz APP 2017.jpg

 

Integrada e inaugurada nesse contexto, uma bela Exposição de Pintura, “Momentos”, da associada, pintora Helena Cruz.

São de sua autoria, os quadros, que tomei a liberdade de enquadrar como ilustradores deste post.

Obrigado!

 

Também nesse enquadramento, foi apresentada a XXI Antologia, “A Nossa Antologia”, com 89 Autores. (Quase a bater o record da “V Antologia de Poesia Contemporânea”, organizada por Luís Filipe Soares, sócio nº 1 da APP, em 1988! Com 97 autores.)

 

XXI Antologia APP capa. Original Teresa Maia. jpg

 

Com uma sugestiva capa, ilustrada a partir de “Camões”, desenho a tinta-da-china, de Teresa Maia. (Composição e arranjo gráfico de João Luís.) Editor: Euedito.

 

No decurso da Tertúlia, todos os Poetas e Poetisas presentes, a maioria participantes da Antologia, tiveram oportunidade de ler/dizer/recitar/declamar um dos seus poemas. Alguns até nos demonstraram o seu estro de cantantes!

Obrigado a todos. Belos momentos vivenciados!

Também li um dos meus poemas publicados: «Empresta-me um Sonho».

 

*******

 

No dia quinze, (15/10), reiniciou a APP a já tradicional “Tertúlia do VÁ VÁ”.

Evento já com história, dado que proveniente de anteriores Direções da Associação. Interrompido algum tempo, devido às obras no café – restaurante.

 

Oportunidade para a apresentação do livro de poemas de Alcina Viegas, “Versos Do Meu Sul”, Edições OZ, 2017.

A imagem de capa reproduz um óleo s/ tela, também da Autora. (A capa e paginação são de Paulo Reis e a revisão de Paula Oz.)

 

Deste livro, tomei a liberdade de transcrever o poema “Além do Tejo”, pag. 22.

 

«Para além do Tejo,

os campos que vejo

são de sol dourado…

Os verdes trigais

e o chão semeado

são pão amassado

com dores e com ais.

E os verdes fatais,

cor dos olivais

são belos poemas,

às moças morenas.

Tem de Florbela

a dor e a candura

são amores em chama,

de uma alma pura,

alma alentejana.»

 

(Já conhecia a poesia desta Autora do blogue “Rumo ao Sul”.)

 

(Neste evento, de sala cheia, com mais de quarenta pessoas, apenas assisti. Não participei na tertúlia.

Tenho a realçar que a sala, per si, é adequada. Mas é pena que a porta que dá para o café, tendo um bonito rendilhado na sua estrutura, este não esteja coberto com algum material, vidro, por ex., de que resulta que, mesmo estando fechada, é como se estivesse permanentemente aberta…

Mas lá diz o ditado: “ a cavalo dado…”)

 

A APP prevê continuar a realizar estas tertúlias, mensalmente, nos segundos domingos.

A próxima está prevista para 12, do corrente mês, pela 16h. 30’.

Café – restaurante "VÁ VÁ", Lisboa, cruzamento da Avenida de Roma, com a dos Estados Unidos da América!

 

*******

 

Ainda no domínio das tertúlias também a APP iniciou recentemente uma nova.

Em Almada, a “Tertúlia Almadam”: terceira 3ª feira de cada mês.

No Café “Le Bistrô”, Rua dos Espatários, 2.

(Junto da Igreja de S. Sebastião, bonita de visitar, diga-se e perto da paragem de Metro, precisamente de Almada.)

Tem coordenação de Maria Melo e responsabilidade de Maria Leonor Quaresma.

A próxima será dia vinte e um, (21/11), pelas 16 horas.

 

Participei, com muito gosto, na anterior, a segunda a ser realizada, no transato dia dezassete, (17/10/17).

 

Apresentei: “Aquém – Tejo” e “Retalhos do Alentejo”.

 

Participaram:

Felismina Mealha: “Lisboa, Sonho Contigo” e “Clara Mestre”.

Clara Mestre: “Jovem Senhora” e “Maria Campaniça”, de Manuel da Fonseca.

Maria Melo, de “Aldravias”: “Meu Verso” e “Estrela Guia”.

Maria Petronilho: “Frágil Força” e “Como gostaria de ser Poesia”.

Carlos Cardoso Luís: “Auto Apresentação em Verso” e “Viagem pela Cidade”.

Márcia Cabral da Rocha: “Nesse Instante” e “Bela é a dor no peito do Poeta”.

Mabel Cavalcanti: “Eu sou” e “Apolo e Atena”.

Su Sam: “Ganhar corpo” e “Acrobatas”.

 

Excelentes “dizedores” de Poesia. (Que me sinto pequenino!)

 

Oportunidade ainda para mostrarem outros talentos.

 

Clara Mestre leu e cantou o belíssimo poema de Maria Guinot, “Silêncio e Tanta Gente”, canção que venceu o Festival da Canção de 1984.

 

Mabel Cavalcanti também cantou uma canção sobre um pássaro da Amazónia, que, quando canta, todos os outros se calam, cujo nome não consegui fixar. Não sei se é “irapunu”!

 

E era tempo de eu calar-me também… Não fora que Mabel ainda cantou “Só nós dois é que sabemos”.

 

E Clara Mestre ainda leu uma engraçadíssima anedota alentejana.

 

Resumindo: uma tarde belissimamente passada. Uma Tertúlia Interessantíssima. E que promete!

 

Apareça: terceiras terças-feiras do mês, no local já referido!

 

E assim termino esta crónica sobre a APP.

 

E longa vida à Associação Portuguesa de Poetas!

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publicado às 17:06

« Alentejo, Meu Alentejo»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

«ALENTEJO, MEU ALENTEJO»

 

Original DAPL 2016 Primavera Alagoa.jpg

 

«Alentejo, meu Alentejo!

(boca fechada) mmmmmm

 

Alentejo dos loiros trigais

Onde os ceifeiros cantam madrigais

Alentejo, planura sem fim

Que, todo, cabes dentro de mim

 

Mais do que a neve da serra

Mais do que a espuma do mar

O Alentejo é brancura

À luz branca do luar.

Solidão do Alentejo

Fontes, cruzeiros e alminhas

Cantam rolas e cigarras

No silêncio das tardinhas!

 

O pastor do Alentejo

Encostado ao seu cajado

Vai namorando a campina

Que é a mesa do seu gado!

Olhos vagos e profundos

Num sonho distante imersos

Há neles mais poesia

Do que num livro de versos.

 

Alentejo das debulhas

Das ceifas e dos montados

Dos ranchos de mondadeiras

Fiéis aos seus namorados

E do cavador tisnado

P’lo sol quente do meio-dia

Rude, branco e altivo

Fiel à sua Maria!

 

Alentejo dos sobreiros

Azinheiras e olivais

Alentejo, minha terra,

Eu quero-te sempre mais.

Alentejo das searas

Em Abril a ondular

E das chaminés branquinhas

Ao sol posto a fumegar.

 

Dos tarrinhos de cortiça

Das samarras e safões

Dos pastores e dos morais

Dos manajeiros e ganhões,

Símbolos deste Alentejo

Que eu pra bem poder cantar

Hei-de beijar a planície

De joelhos a rezar.»

 

Exibiu-se no rancho de Aldeia em 1960.”

 

Original DAPL Alentejo 2017.jpg

 

Notas explicativas:

Mão amiga fez chegar no ano passado, 2016, um conjunto de “cantigas” impressas em duas folhas A4, às mãos de D. Maria Belo. “Cantigas” essas que faziam parte do espólio de Srª D. Maria Águeda, distinta Professora Primária, natural de Aldeia da Mata, que exerceu o Magistério em Vila Viçosa, terra natal da célebre Florbela.

Além de “ALENTEJO, MEU ALENTEJO”, nesse conjunto, incluem-se ainda:

“O sino da nossa Aldeia”, “As moças da nossa Aldeia”, “Namoro”, “Marcha de Aldeia”, “Festa de Aldeia”, “Cantigas das nossas ruas (desafio)”, “Balada de Aldeia”.

Estas cantigas eram precisamente para serem cantadas e foram exibidas “no rancho em Aldeia da Mata no Verão de 1960”.

Esta publicação e divulgação no blogue é também uma homenagem e tributo de amizade e de consideração pela estima mútua.

 *******

As fotografias são originais de D.A.P.L., de campos alentejanos, na Primavera, de 2016 e de 2017. A primeira tem como fundo a aldeia de Alagoa e a segunda foi tirada perto de Monforte.

 

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publicado às 22:06

«ESCUTA!...»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

POESIA de João Guerreiro da Purificação.

Original DAPL. 2016. jpg

 

 

«ESCUTA!...»

 

«Se à Bíblia deres razão

Muda a tua vida de vez

Não faças que a tua mão

Veja o bem que a outra fez.

 

Se tu pousares com amor

A mão num ombro qualquer

Não toques sino nem tambor

Que tal bem morre ao nascer.

 

Se levares pela mão

Alguém em rude caminho

Não digas ao teu coração

Nem fales disso ao vizinho.

 

Se houver alguém que te pise

Ou te der algum encosto

Desculpa-te com um sorriso

Com esse, do pé mal posto.

 

Se tens arestas como picos

Lima-os todos muito bem

Não se virem os malditos

E te piquem a ti também.»

 

In.

III ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA, 64 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1986. Minigráfica, Lisboa.

 

Original DAPL Aldeia Igreja Araucária 2017jpg

 

Notas Finais:

Conforme mencionara em post anterior, prossigo na divulgação de Poesia de Pessoas da Aldeia, de que eu tenho conhecimento.

Supracitado, está o Srº João Guerreiro da Purificação, (10/07/1927 – 17/12/1997), que dispensa apresentações e que tive o grato prazer de conhecer e de conviver, como a grande maioria dos Matenses.

Segundo julgo saber, esta “III Antologia de Poesia Contemporânea” foi o 1º livro em que o Srº João participou, tendo também ainda publicado, nessa Antologia, “INIMIGOS”.

 

(Nesta mesma Antologia também participei. Com: “UM QUADRO” e “CAVALO DE FERRO”, que já figuram no blogue.)

 

No domínio das Antologias, que seja do meu conhecimento, ainda participou na “IV ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA”, 80 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1987; Minigráfica, Lisboa.

Deu a conhecer: “E FOI ASSIM” e “QUADRAS SOLTAS”.

 

(Nesta Antologia não participei. Mas tenho um exemplar autografado, que me foi oferecido pelo Srº João.)

(Relativamente a estas Antologias, não posso deixar de frisar o trabalho altamente meritório de Luís Filipe Soares, que neste domínio conseguiu sempre um crescendo de adesões, pois a “V Antologia de Poesia Contemporânea”, de Fev. 1988, conseguiu 97 Autores!

No final desse mesmo ano, Nov. 1988, “estranhamente”, surgiria uma outra Antologia intitulada “I Antologia de Poesia Contemporânea”, coordenada por um dos participantes na V Antologia de Poesia Contemporânea, já referida.) (!!!???)

 

No concernente ao Srº João Guerreiro da Purificação, frise-se que ainda veria, em vida, a publicação das suas Poesias, em livro de sua autoria: “ANTA”, Aldeia da Mata - 1992; Gráfica Almondina, Torres Novas. Com “Apresentação” de Srª D. Maria Aires, impulsionadora da publicação deste trabalho, como o próprio frisa na “Introdução”: “Encorajou-me de tal maneira que consegui levar por diante esta sua lembrança.”

 

Seria ainda publicado de sua autoria, embora já não em vida, um outro livro versando “As tradições da nossa Terra… o que foi a Grande Sabedoria Popular da nossa Terra”, conforme, de algum modo, sugerira na “Introdução” do mencionado “ANTA”.

Intitula-se “A nossa terra”; “2000, Há Cultura. Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda. / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata”; Colecção Patrimónios; Lisboa.

*******

As Fotografias são originais de D.A.P.L., de 2016 e 2017, de locais emblemáticos de Aldeia e de algum modo sugestionados pelo conteúdo do texto, numa interpretação sempre livre e pessoal.

A primeira reporta-se ao "Vale de Baixo"!

A segunda é por demais evidente.

(Foi nesse caminho que se situou um das metas do extraordinário evento de "Orientação", ocorrido em Fevereiro transato.) 

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publicado às 21:37

« “Mendigo do Ideal”»

por Francisco Carita Mata, em 26.09.17

« “Mendigo do Ideal”»

 

«Em outras eras, quando adolescente,

das Hostes do Ideal eu fui soldado,

Vida…fraternidade…amor…dourado

tudo eu via, sob luz’resplandecente…

 

Tudo…terra…água…’strelas…sol ardente…

Tudo, tudo eu amava, enamorado…

Ah! Frente à Natureza, extasiado,

Eu tive orações místicas de crente.

 

O Tempo andou…Com dolo e vil traição,

Os Batalhões do Mal, em elo forte,

Avassalaram o Ínclito Pendão.

 

De então, a alma em farrapos, no temporal

da Vida, aos baldões, mísero, sem norte,

Em vão esmolo o Reino do Ideal.»   

 

«Luanda, Dezembro de 1948

JoCris»

 

 

In.:

- Jornal “A MENSAGEM”, Setembro 2013, “Lembrando…” pag. 10.

- “TESTEMUNHOS de José Cristóvão Henriques (Engenheiro - Silvicultor)”; Junta de Investigações Científicas do Ultramar – Lisboa – 1981; (Edição de iniciativa de suas irmãs, Drª Piedade da Rosa Cristóvão e Drª Rita Florinda Cristóvão, que tomaram a seu cargo os custos da respetiva publicação.)

 

*******

 

Notas Finais:

Este soneto “encontrei-o” no supracitado Jornal “A Mensagem”. Decidi publicá-lo no blogue, no enquadramento de divulgação de “Poesia” e cumulativamente dar a conhecer trabalhos de e sobre Aldeia. Divulgarei outras Pessoas e Poesias, em idênticos enquadramentos.

Posteriormente, foi-me oferecido, pela Srª D. Belmira, o livro citado. A quem, publicamente, agradeço, pois a obra é muitíssimo interessante, versando fundamentalmente assuntos de silvicultura, especialidade de engenharia do mencionado senhor, que eu desconhecia completamente.

(Nasceu em Aldeia da Mata, a 8 de Dezembro de 1917 e aí viveu até aos sete anos. Aos 10 anos, foi para Lisboa - 1927. Em 1935, entrou no Instituto Superior de Agronomia, tendo concluído o curso já referido, em 1940. Em 1946, passou a exercer as funções de engenheiro – silvicultor em Angola, onde trabalhou; para além de Portugal Continental, Moçambique e Timor. Pertenceu aos quadros profissionais da Direção-Geral de Economia do Ministério do Ultramar, de 1961 a 1975.

Faleceu em 4 de Abril de 1976, com 58 anos, não sei em que localidade.)

 

Ilustro com foto original de DAPL – 2017, de paisagem de Aldeia, junto à "Fonte das Pulhas" que, de algum modo, nos poderá reportar para o “Idealismo” subjacente ao soneto e para paisagens possivelmente vislumbradas pelo Autor. No recorte do horizonte, os montados de azinho...

 

IMG 2016. Original DAPL.jpg

 (Foto original DAPL - 2016.)

*******

 

“Vi a luz numa pequena aldeia rural, toda alvacenta e em eterno namoro com montados de sobro e azinho e olival. Os contrafortes cinzentos da serra de S. Mamede…”

In. supracitado livro: “TESTEMUNHOS…” pag. 53

 

*******

Rua do Norte  - Fundão. Original FMCL.jpg

(Imagem de Rua Larga, ou do Fundão ou do Norte, que me lembram todos estes nomes da Rua. Original de FMCL - meados dos anos oitenta.)

(Esta "imagem" da Aldeia poderá ter sido "visualizada" pelo Autor do soneto, nos anos vinte, quando viveu na "aldeia... alvacenta...". Com excepção dos postes da luz, que só foi inaugurada nos finais dos anos cinquenta; da roseira, à porta da D. Dolores e da própria, que seria jovem à data, anos vinte do século vinte.)

 

 

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publicado às 19:28


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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