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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

«O Sino da Nossa Aldeia»

 

«O SINO da NOSSA ALDEIA»

(rancho)

Sino da Aldeia. Foto original. 2019. 07.jpg

 

«O sino da nossa aldeia

Sabe sentir como nós

Ri ou chora, canta ou reza,

O clamor da sua voz.

 

(Coro)

Vê o que tu fazes

Escuta o que eu digo

                         Espreita os meus passos                   (bis)

Se passo contigo

 

E se eu rio faz dlim dlim

Mas se eu choro faz dlão, dlão

O sino da nossa aldeia

Parece ter coração.

 

Mora no alto da torre

Toda cheia de luar!

Como firme sentinela

Que esta aldeia quer guardar.

 

Quando nós nos batizámos

Fez assim: dlim, dlim, dlim, dlim

Mas quando um dia casarmos

Fará: dlão, dlão, dlão, dlão, dlim.

 

No adro da nossa igreja

Brincámos em pequeninos

E ali, sem q’rer aprendemos

A gostar da voz dos sinos.

 

Quando estou longe d’Aldeia

Do sino, tenho saudades

Mas quando chego, me alegro

Com o toque das trindades!»

 

(Aldeia da Mata, Verão de 1960.)

In.

De Altemira Fiz Um Ramo – 2018 – (pag. 94) – “Cantigas de Dona Maria Águeda.

 

Torre Igreja. 2019. 07.jpg

 

A publicação desta “Cantiga” é uma Homenagem a esta Srª Professora de Aldeia da Mata, que exerceu o Magistério Primário em Vila Viçosa, terra natal de Florbela Espanca.

É também uma Homenagem à “Nossa Aldeia”!

Ilustrada com foto original, do Sino e da Igreja da “Nossa Aldeia”! - Memórias de “Outros Tempos”.

Quem detinha, na sua posse, estas “Cantigas” e, indiretamente, no-las fez chegar a nós, era D. Francisca Fonseca. O nosso Muito Obrigado!

“Com linha branca de luz” - António Nobre

“O novelo é a Lua - Cheia”

Estes versos fazem parte de uma quadra, que transcrevo e que também figura no livro “De Altemira fiz um ramo”. E é também uma quadra de autor erudito e consagrado, que foi incorporada no Cancioneiro Tradicional. Neste caso, de António Nobre (Porto – 1867 – 1900), inserta no livro “Só – O Livro Mais Triste Que Há Em Portugal”, editado originalmente em 1892.

Consultei numa edição de “Publicações Anagrama, Lda” – Porto - “Colecção Clássicos Anagrama Nº 19”. Especificamente no capítulo “Entre Douro e Minho”, subcapítulo “Para as Raparigas de Coimbra…”, quadra 16, pag. 51. Reportam-se, segundo o Autor, a Coimbra, 1890.

(O livro que tenho na minha posse não menciona data de edição. Sei que o comprei em 06/06/84, numa Feira do Livro, em Lisboa, por 125$00!)

 

“Nossa Senhora faz meia / Com linha branca de luz: / O novelo é a Lua – Cheia, / As meias são pra Jesus”.

 

Foi-me reproduzida, por D. Maria Belo, esta quadra, de modo ligeiramente diferente, no decurso da pesquisa efetuada sobre quadras tradicionais / cantigas de Aldeia da Mata, já neste quarto lustro do séc. XXI. Que a terá aprendido na sua infância ou adolescência, anos trinta ou quarenta do séc. XX.

 

Como se terá processado a incorporação desta e outras quadras já referenciadas, de autores célebres e eruditos, no contexto e âmbito do Cancioneiro Tradicional? (Afonso Lopes Vieira, João de Deus, …)

Na net também pesquisei e é igualmente mencionado que esta quadra também já fora recolhida nos anos trinta, em Elvas. E também foi cantada por Tristão da Silva (1927 - 1978).

 

Posso conjeturar uma hipótese, plausível, todavia sem certezas.

Certeza, apenas que não terá sido pelos meios ultra modernos que atualmente conhecemos.

 

Então como terá essa e outras quadras chegado ao conhecimento de pessoas trabalhando no campo, com poucos conhecimentos académicos, com imensas dificuldades de acesso a meios de comunicação?!

A hipótese que formulo é que terão sido estudantes de Coimbra que, no seu regresso às respetivas localidades de proveniência, cantassem essas quadras que haviam aprendido ou lido destes autores célebres, eles também frequentadores das tertúlias coimbrãs, nos finais do séc. XIX, princípios do séc. XX. Por essas vilas, aldeias e cidades do interior, em finais de séc. XIX, princípios de séc. XX, havia estudantes, filhos de famílias mais endinheiradas que frequentavam Coimbra, fosse em Medicina ou cursos de Direito ou Letras. É apenas uma hipótese.

Ao frequentarem, porque certamente o fariam, os arraiais e os bailes nas suas aldeias e vilas, também participariam nos despiques e desafios com os jovens das suas idades. Deste modo cantando e dando a conhecer as novas cantigas que traziam da Cidade dos estudantes, que seriam assim transmitidas oralmente, de geração em geração, de terra em terra.

 

Outra hipótese de divulgação: poderão ter sido os caminheiros, pedintes, cegos, que percorriam o Portugal de antanho, de lés – a - lés, que fossem os divulgadores dessas cantigas. Poderiam!

 

Esta quadra também a encontrei glosada em quatro quadras, por Teresa de Jesus, em “A Nossa Antologia” – Vol. X – 2002 – APP – Associação Portuguesa de Poetas. Foi aliás a partir dessa consulta fortuita que tomei conhecimento da respetiva autoria, que confirmei posteriormente na net e em livro.

 

E esta foi mais uma achega às aprendizagens a partir do livro “De Altemira…”

 

E oportunidade para recordar este Poeta. Quando puder, faça favor de ler “SÓ”!

“A palavra saudade…”

Afonso Lopes Vieira

 

Volto ao blogue.

E, nem a propósito, com o tema “Saudade”!

E ainda com o livroDe Altemira Fiz Um Ramo…”

 

Pessoa Amiga (Drª Deolinda Milhano / “Momentos de Poesia” – Portalegre) chamou-me a atenção que duas quadras integradas neste livro que editei, enquadradas no capítulo “Cantigas da Prima Teresa” seriam de Autores conhecidos. De Afonso Lopes Vieira e de João de Deus.

 

Através da internet, consegui confirmar o facto. (Parabéns pela perspicácia! E Obrigado!)

 

“A palavra saudade / Aquele que a inventou / A primeira vez que a disse / Com certeza que chorou.” (pag. 53 “De altemira fiz um ramo…”)

 

Esta quadra é de autoria de Afonso Lopes Vieira. Confirmado, via net. Não sei a que livro pertence. Inclino-me para “Poeta Saudade” – 1903. Já procurei nos meus livros do ensino primário, mas não encontrei. Afonso Lopes Vieira é um dos Autores consagrados que mais figura nos antigos livros da primária.

 

“Quem teve a grande desgraça / De não aprender a ler / sabe só que se passa / No lugar onde estiver.” (pag. 59 “De altemira fiz um ramo…)

 

Da autoria de João de Deus. Também confirmado via net. João de Deus também é um dos Poetas consagrados que mais aparece nos mesmos livros da antiga primária. Mas não encontrei esta quadra nem sei a que livro pertencerá.

 

Mérito dos Autores, que sendo consagrados e eruditos, conseguiram ser igualmente populares.

A respetiva Poesia é popular tanto na sua génese, a montante, como igualmente a jusante, na sua divulgação: público - alvo. Para a sua construção, estes Poetas beberam na Poesia Tradicional, tanto na forma como no conteúdo.

Inspiraram-se no Cancioneiro Popular, poetando segundo os mesmos moldes, nos temas abordados e também pelo modo e como o fizeram formalmente. Daí a sua aproximação ao Povo, tornando-se muito populares e conhecidas as suas produções poéticas.

Por outro lado, também beneficiaram do facto de serem muito divulgados nos livros oficiais da escolaridade. Nos livros únicos e obrigatórios em que estudei, editados nos anos cinquenta e sessenta, Estado Novo, lá figuram estes dois Poetas com variada frequência.

Nos livros em que minha Mãe e Prima Teresa terão estudado, nas correspondentes Primárias, nos anos trinta, no início do Estado Novo, não sei se terão figurado, que ainda não consegui obter estes livros para consulta.

 

A quadra de A. L. Vieira já a localizei num livro deste Autor: “Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa”, editado por António Manuel Couto Viana, Veja Editora, 1998.

Esta quadra tem duas versões. Para além da já transcrita, mais antiga, também figura uma segunda versão diferente nos dois últimos versos: “… /… / por ser palavra tão doce, / ia chorar, não chorou.”

 

Mérito também da Prima Teresa que sendo uma Poetisa Popular, não erudita, incorporou na sua narrativa, na sua Sabedoria, na sua Cultura, estas bonitas quadras de Poetas eruditos e consagrados.

Aliás, como muitas outras quadras destes e outros Autores, o Povo integrou-as no seu saber, no seu conhecimento, como refere o editor mencionado na obra citada e outros autores também.

As pessoas teriam ou não consciência da respetiva autoria, aliás provavelmente pouco lhes importaria tal facto. Era mais uma das “cantigas” a fazer parte do reportório do respetivo “cantante”, que a utilizaria quando precisasse nos bailes e arraiais em que participasse.

 

E este facto só valoriza todos os intervenientes!

Apresentação de Livro na Tertúlia da APP - Olivais

“DE ALTEMIRA FIZ UM RAMO”

“Versos e Prosas da Aldeia”

 

Aldeia. Vale de Baixo. Foto Original. 2014. jpg

 

 

Associação Portuguesa de Poetas

Sede – Rua Américo de Jesus Fernandes 16 A – Olivais LISBOA

 

28 de Abril (Domingo) – 2019 – 15h

 

Conforme previsto, realizou-se ontem, dia vinte e oito, a Tertúlia de final do mês, da APP – Associação Portuguesa de Poetas, na Sede, aos Olivais – Rua Américo de Jesus Fernandes – 16 A - Lisboa.

Como habitualmente, Poetas e Poetisas presentes disseram Poesia!

 

Nesta Tertúlia, inicialmente e de forma muito gratificante para mim, a Poesia dita e até cantada, consta do livro “De Altemira fiz um ramo…”, que foi apresentado nessa tarde de “Domingo de Pascoela”, precisamente nesse enquadramento, conforme tenho feito questão: divulgar o livro e a “Poesia Tradicional”, no âmbito dos grupos poéticos em que participo, enquanto sócio.

Na sede da SCALA – Almada; no âmbito do CNAP, no Centro de Dia de S. Sebastião da Pedreira e domingo, enquadrado nas atividades da APP. O lançamento fora a 30 de Dezembro, em Aldeia da Mata, na sede da Junta de Freguesia, como só poderia ser.

 

Gostei! Gostei muito! Parabéns e muito Obrigado à Associação. Parabéns e muito Obrigado à Direção da APP, que disponibilizou a logística ao lançamento e respetiva divulgação. Parabéns e muito Obrigado aos sócios, que tiveram a amabilidade e a possibilidade de estarem presentes. Muitíssimo Obrigado aos que, simpaticamente, se aprontaram para lerem e até cantarem quadras simples, despretensiosas, mas ricas de conteúdo e filosofia de Vida! Obrigadíssimo ainda mais aos que puderam contribuir para a concretização deste Projeto, adquirindo um exemplar de “… Versos e prosas da Aldeia”.

 

No respeitante a livros de minha autoria, talvez até uma próxima oportunidade, quem sabe?!... Num futuro, porque não publicar um livro com as minhas poesias?! “O Futuro, a Deus pertence…”

Que, no Presente, irei continuando a participar nas Tertúlias… Sempre que puder!

 

E nessa tarde, também cada um de nós teve oportunidade de “Dizer Poesia”, de sua autoria ou de outros Poetas de sua estima. E também cantar. Os que têm essa maestria. Parabéns e muito Obrigado a todos e a cada um!

E Viva a APP, recentemente aniversariante. E Viva a Poesia!

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