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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Pois! E, por bem, é da SCALA!

Obrigado, à minha escala.

 

Poesia amarrotada?

E, logo após, emoldurada?!

Uma ideia bem lavrada

Numa tarde bem passada

Ademais por bem regada

Com chuva bem molhada

Na vetusta, “Velha” Almada.

Mas que Ada!

Que também foi lembrada.

Castanheira, Ary, Camões

Bocage, Espanca – Florbela

Poemas, poetas, canções…

Régio presente, declamado

E muito bem evocado.

Gertrudes – Mimi, Céu, Manuela

Naia, João, Gabriel

Só faltou a Gabriela

Nesta letra de cordel.

Houve música e alegria

Poemas – corações, Poesia.

Alice e também Daniela

Até Dona Maribela…

Que seria de nós sem ela?!

Do que falem não me rala…

E de que é que a gente fala?!

Pois… e, por bem, é da SCALA!

Obrigado, à minha escala!

Poesia Visual: Surpreeenda-se!

EXPOSIÇÃO POESIA VISUAL – SCALA - Almada

De 21 Setembro até 4 de Outubro de 2019

Texto Introdutório e Explicativo

 

Cartaz Exposição Poesia Visual (3).JPG

 

Esta Exposição na SCALA, marcada há vários meses, vem na sequência de Exposição individual realizada na Sede da APP - Lisboa, em Setembro de 2018, antecedida de participação em Exposição coletiva do CNAP, na Casa do Alentejo.

 

A temática fundamental é a POESIA! Abordada num modo diferente do habitual e enquadrada no conceito de “Poesia Visual”. Uma perspetiva de abordagem poética, em que a Palavra, o Verbo, sempre a essência do ato poético, são transpostos para outra dimensão: Artes plásticas, fotografia, artesanato, outros domínios artísticos…

É essa possibilidade de abordagem à Poesia, que esta Exposição nos sugere.

Observe, vivencie este processo de poetar, sem quaisquer preconceitos!

 

O referencial da Exposição, a base introdutória, são vários quadros elaborados na 2ª metade dos anos oitenta do século XX. (Texto explicativo da Expo APP.)

Também para documentar pesquisas feitas na altura e inspiradoras para essas “construções” poéticas, anexo alguma da bibliografia consultada e motivadora à ação.

E Antologias em que participei, apresentando poemas neste enquadramento visual.

Em vários quadros, a temática é o Mar, arquétipo primordial do Ser Humano!

 

Já neste milénio, estando a Poesia sempre presente, porque Ser Poeta é uma condição, talvez um Destino, quiçá uma Sina, continuei a executar trabalhos poéticos, no contexto anteriormente referido. O Mar continuando dominante, com recurso a outros materiais e técnicas, mais próximas do artesanato, aspirando a peças escultóricas. Surgiram, deste modo: “Pisa Poemas”, “Octopus”, “Corações de (A)mar”, “Porta – Poemas”!

Algumas peças já a pensar nesta Exposição.

Também preocupações ambientais: os cuidados a ter com os recursos marinhos, a reutilização e reciclagem de materiais, o lixo…

A Natureza, a interligação entre ecossistemas e ambientes, os seres vivos… A Humanidade!

 

E também e ainda quadros elaborados para esta exposição: “Cacela Velha” “Sussurra-me”, “Em Abril”, “Cacofonias”… Os temas anteriores e outros: a Liberdade, a Comunicação e as suas disrupções… os Sentimentos Humanos, o Amor!

 

E Vivenciar a Poesia! Sim! Porque pode lá haver evento poético em que não haja “Dizer Poesia”?!

E vamos “Dizer Poesia”, de forma interativa, com a participação de todos. Compartilhando Poesia. E a Amizade e a Camaradagem que nos une.

E também e porque também estamos ligados em rede, neste evento também há ligação ao Blogue. Onde publicámos textos em “Poetar – Partilhar.com. mar”.

 

E Viva a POESIA!

 

(E nota final: Esta Exposição inicia-se e começa também o seu Fim. Surpreenda-se!

Tal como na Vida. Mal nascemos, começamos a morrer!)

 

 

Poesia Visual: Cartazes e Sinopse

 

Cartaz Exposição Poesia Visual.JPG

 

 

De 21 de Setembro de 2019 – Até 4 de Outubro de 2019

“Poesia à Solta”: 28 de Setembro de 2019

*******

Sinopse da Estrutura da Exposição

QUADROS

1 - (“Os sonhos da cidade” – 1980)

2 – “Azul de (a)mar”- (1ª versão – 1985)

3- “Azul de (a)mar” - (3ª versão – 1986)

4 – “Ícaro”- (1ª versão - 1986)

5 – “Asas de Sonho / Asas de Ícaro” - (1987, 1989, 2018)

6 – “O mar enrola n’ areia…” - (2ª versão - 1986)

7 – “O mar enrola n’ areia…” - (3ª versão - 1986)

8 – “Verso e Reverso” - (2018)

(“Um Poema escrito a esferográfica” – “Poema figurado I” / 1987) 

9 – “Poema Psicadélico” - (1986) - (Poema: “Fuga à Solidão” - 1979) 

10 – “Em Abril” – 2019 - (Poema de 2004) 

11 – “Cacofonias” – 2019(Poema “Selfie” – 2018)

 *******

Quadro(s) / “Instalação”

(2014 – 2019) 

12 – “Cacela Velha” – (Poema e fotos de 2014) 

13 – “Sussurra-me ao ouvido” – Poema 2007

“INSTALAÇÕES”

“Corações de a(mar)”2018 /19

“Pisa Poemas” – “Somos Mar” – Poema Interativo - 2014 – 18 (Poema de1986)

Octopus – Polvo”- 2014 – 2019 (PoemasTexto de participantes em “Antologia Virtual”: “Poetar – Partilhar.com.mar”)

Vários “Pisa – Poemas” (2014), integrados na exposição.

Cartaz Original Exposição.JPG

 

Poetar – Partilhar.com.Mar: Participantes

Antologia Virtual

 

Caparica. Foto original 2015.jpg

 

Na sequência de desafio lançado na sessão de “Poesia à Solta”, ocorrida a 27/10/18, na sede da SCALA - Almada, a quem quisesse participar, de organizarmos uma “ANTOLOGIA VIRTUAL”, subordinada ao tema “MAR”… E após ter divulgado igualmente esse convite no blogue… Vamos finalmente (!) dar a conhecer os participantes e correspondentes textos, poéticos ou não.

Esta “Antologia Virtual” é uma iniciativa pessoal. Friso!

 

Eis, quem teve a amabilidade de participar.

 

Clara Mestre: “Uma Janela pró Mar” - 2009; “O Mar” – 2012; “O Meu Mar” – 2015.

José Rodrigues: “A Minha Aventura no Mar” – Dez. / 2018.

Maria Amélia Cortes: “Mar”.

Maria Gertrudes Novais: “Caminho”, in. “Entre o Céu e a Natureza”.

Maria João Brito de Sousa: “A Sedução” – Jan. 2008.

Palmira Clara: “Mar II” - Jan. / 2019.

 

Obrigado pela Vossa participação, que nos enriquece sempre podermos ler e divulgar a Arte da Escrita, poética ou em prosa. E ouvi-la dizer por cada um, como cada qual sabe, e que com o seu saber e labor nos revela um dos lados mais gratificantes da Humanidade: a Arte de Poetar e Dizer Poesia!

 

Ah! Eu também vou participar, claro.

 

E será que esta “Antologia Virtual” terá algo a ver com a “Exposição de Poesia Visual” a inaugurar a 21 de Setembro na sede da SCALA?!?

 

(…)

Festa das Artes da SCALA - Almada

OFICINA da CULTURA - ALMADA

25ª Exposição Anual

SCALA

 

Convite Festa Artes SCALA 2019. Cortesia Organização.png

Vou participar com o trabalho seguinte, de "Poesia Visual", que intitulei "Poema Psicadélico", para efeitos de concurso "Nau dos Sonhos" - 2018, promovido por APP - Associação Portuguesa de Poetas, que venceu.

"Poema Psicadélico" - 1986 A. Mata

Este quadro figurou pela primeira vez numa Exposição Coletiva, na Casa do Alentejo, em 2018. Exposição promovida pelo CNAP - Círculo Nacional D'Arte e Poesia.

E também englobou a Exposição Individual, organizada pela APP -Associação Portuguesa de Poetas, na respetiva Sede, aos Olivais, Lisboa, também no ano passado, com base precisamente nos vários trabalhos que elaborei na 2ª década de oitenta, inspirados na corrente estética designada por "Poesia Visual".

Almada: Tantas atividades aonde ir!

SCALA, Casa da Cerca, Oficina da Cultura , São Silvestre de Almada, Ciclo de Cinema Católico

 

Ontem, quinze de Dezembro, na SCALA, Almada, decorreu a Festa de Natal. Houve canções alusivas à quadra natalícia, acompanhadas musicalmente por Gabriel Sanches e pelo Grupo em que se integra, bem como por todos os presentes, que quiseram compartilhar as suas competências vocais.

 

Não faltaram os poemas relacionados com a temática, de autoria própria dos “Dizedores de Poesia”, ou de outros Poetas e Poetisas de suas preferências.

Toda esta dinâmica artística decorreu na habitual sala da Sede, emoldurada pela Exposição dos quadros oferecidos pelos Artistas associados, tendo em vista a angariação de fundos para a Associação. Evento que decorrerá no próximo dia vinte e nove.

Poesia Visual.jpg

 

(Desta vez não consigo nomear todos os presentes, éramos cerca de vinte, porque estavam várias pessoas cujo nome ainda não sei. O meu pedido de desculpas.)

 

Compartilhou-se o bolo – rei, oferecido pela SCALA. E que bolo! (Alguém foi contemplado com a fava?!)

Também terá ocorrido a tradicional troca de prendas, a que já não assisti, que me ausentei. (O que me terá calhado? E quem terá recebido a lembrança que levei?)

Almada tem um carisma especial, em termos culturais. Habitualmente acontecem variadas atividades de diversas tipologias (música, teatro, desporto, literatura, poesia,… cinema) e torna-se difícil escolher e impossível estar em todas simultaneamente.

Deixei a SCALA, passei pela Casa da Cerca onde era inaugurada a Exposição “o futuro do passado”. Estava imensa gente na sala. Não fiquei. Hei - de voltar com mais tempo.

Passei pela Oficina da Cultura, onde decorria o “Mercado de Natal Amigo da Terra”. Igualmente cheio. Uma pequena volta e já não voltarei, que terminou hoje. P’ró ano haverá mais…

Na Praça São João Batista, onde antigamente havia o “Mercado dos Ciganos”, (Onde é que isso já vai?! Mas que me inspirou para escrever uma narrativa fantástica…) Na Praça, além de uma parte do Mercado da Terra, também se iniciara, havia mais de meia hora, a São Silvestre de Almada.

Apanhei o metro, até à Bento Gonçalves. Parte da Avenida, o sentido ascendente, vedado ao trânsito. Por aí vinham calcorreando os maratonistas. Eles subindo, eu descendo o troço até à Piedade. Uns mais estafados que outros, lá seguiam eles para a Praça onde seria a meta.

É assim Almada. Capricha em várias vertentes culturais. Ombreia com Lisboa. Nalguns aspetos mede meças. Difícil é escolher. Com a vantagem de ocorrer tudo relativamente próximo.

No Auditório Fernando Lopes Graça também decorreu o Ciclo de Cinema Católico. Este ano não assisti, apesar de títulos interessantes, nomeadamente dois clássicos italianos.

 

Voltando à SCALA, nesta narrativa.

No que a Poesia se refere, disse “O Menino / O Futuro morre na praia”. E “Natal 2”, de Luís Ferreira. “Publicitei” o livro “De Altemira fiz um Ramo”, cujo lançamento se prevê para 30 de Dezembro, domingo, em Aldeia da Mata - Alto Alentejo.

Lembrei o repto lançado semanas atrás, de trabalhos sobre o Mar: Poetar-Partilhar.com. Mar - Antologia Virtual.

E, a propósito, com grato prazer, informo que já temos alguns trabalhos, todos diferentes, mas super interessantes. Aguardamos mais!

E esse desafio é alargado a um público-alvo mais vasto, que é dirigido a Pessoas da SCALA, mas também aos Amigos: SCALA & Amigos. Participe, SFF!

E até próxima crónica e/ou post seguinte.

 

 

“A Poesia é Força” - Tertúlia APP - Associação Portuguesa de Poetas

Tertúlia APP – Associação Portuguesa de Poetas

30 de Setembro 2018 - Domingo

 

Nesta Tertúlia, habitual no final de cada mês, na Sede da Associação, aos Olivais, em Lisboa, constava da “ementa poética”, a apresentação de livro “Um Braçado de Estrofes”, edição Modocromia, 2018, de Maria Lascasas, pseudónimo de Maria Beatriz Ferreira e a inauguração da minha primeira e individual “Exposição de Poesia Visual”.

 

Nela marcaram também presença: Carlos Cardoso Luís, Maria da Graça Melo, Rogélio Mena Gomes, Mabel Cavalcanti, Beatriz Fernanda, Camila Soares, Helena Guedes, Joaquim Horta Correia, Mário Bragança, Luiza Gregório Bragança, Júlia Pereira, Alcina Magro, Aires Plácido, Santos Zoio, Adelaide Zoio, Joaquim Sustelo, Bento Durão, Márcia Rocha e Lília Rocha.

 

Um minuto de silêncio, uma singela, mas bonita homenagem a São Reis, recentemente falecida.

 

Apresentação da Autora do livro “Um Braçado de Estrofes” e o melhor preito à Poesia: Dos presentes, todos os que quiseram, leram um poema. Previamente fora distribuído pelas cadeiras da sala, um, policopiado, assinado pela Autora e uma breve bibliografia. Ideia interessante! O que me calhou em “sorteio”, “A poesia é força”, divulgo-o neste post.

Parabéns à sua Autora! E continuação de boas e frutíferas colheitas de “Braçadas de Estrofes”. De Versos! E de Poemas!

 

Calhou-me a mim, em seguida, colher a atenção dos presentes, explicando, o melhor que pude e sei, sobre a Exposição. Li o poema “Ícaro”. Entreguei um exemplar do texto que divulguei no post anterior. Convidei os presentes a deixarem uma mensagem nos autógrafos, acrescentando às que já aí figuravam. Obrigado!

 

E navegámos para a Tertúlia propriamente dita. Aconteceu Poesia! Muita, bonita e marcante Poesia. Houve Fado, Canção e até um dueto quase improvável, mas extraordinariamente sentido! E um Poema dedicado a Mãe, presente pela primeira vez na Tertúlia: Dona Lília Rocha!

Foi uma tarde em que, mais uma vez, a Associação Portuguesa de Poetas dignificou e engrandeceu a Poesia! Parabéns e Bem - Haja a todos os Participantes!

(Ah! E houve também um agradável beberete!)

 

Foto DAPL 2015. jpg

 

“A poesia é força”

 

Se a poesia é vida

e o poeta um ser humanizado

a lágrima que brotar será a dor

que se junta à flor

à floresta queimada

ao escurecer de rochas

que mesmo duras e altivas

perderam o chão.

Se enfrentas, poeta, a realidade

e deténs teu olhar sobre a humanidade

escutarás o rumor do desespero

que chora no clarão da noite

junto dos enfraquecidos

dando-lhes o grito necessário.

 

Com mudas estrofes

indicas o melhor caminho

e seguras a mão molhada

dos que perderam tudo

e já não têm nada.

 

A chama queima-te os olhos

perante alguns, resta a indiferença

Porém, a tua raiva pura, indignada

é como força

que ateará novos sonhos

com a canção imaginada

no desenho de cada palavra nua.

 

Terás sempre outros, que não saberão

quão forte é em ti

a força da razão quando ela é tua.

 

Maria Lascasas; in. “Um Braçado de Estrofes”

 

 

 *******

Foto original DAPL - 2015: "Há sempre uma Flor - Poesia, um Verso, uma Estrofe que irão brotar no cinzento e indiferença dos dias!"

 

 

Exposição de “Poesia Visual”: Texto para Visitantes

Sede da APP – Associação Portuguesa de Poetas

Rua Américo de Jesus Fernandes, 16 - A – Olivais – Lisboa

30 de Setembro – 28 de Outubro / 2018

 

 

Esta Exposição tem por objetivo fundamental dar a conhecer um conjunto de trabalhos poéticos, que elaborei na segunda metade da década de oitenta, inspirados no conceito da designada “Poesia Visual”.

Alguns, fui-os divulgando no blogue “aquem-tejo.blogs.sapo.pt”, tal como tenho dado a conhecer outros textos poéticos ou em prosa, que fui elaborando ao longo dos vários anos em que escrevo.

 

O concurso da APP “Nau dos Sonhos” foi a oportunidade e o móbil imediato, que me levou a propor à Direção da APP, a realização desta mostra de Poesia, desde logo aceite.

Trabalhos desenvolvidos na época referida, inspirados na estética artística e poética mencionada, de que resultaram várias obras, em suporte de papel, seguindo metodologias diversas e contextos de inspiração variados.

Todos têm na base um poema, escrito na altura ou anteriormente, que estruturei visualmente face à temática a trabalhar. De alguns fiz mais do que uma versão, consoante a inspiração.

 

O poema azul de (a)mar é dos que construí mais do que uma versão.

A primeira, (85), inspirei-me numa célebre estampa japonesa. As subsequentes, (86), foram criadas num modo mais pessoal e original, em que a palavra – o significante, se foi gradualmente transformando no seu significado, o mar, a ponto de, no final do poema, as palavras e letras se confundirem com as próprias ondas do mar para que nos remetem. Da calmaria inicial para o movimento e rebentar das ondas… A azul, que azul é o mar!

(Deste trabalho, ofereço uma das versões à APP.)

 

O trabalho que intitulei, para efeitos de concurso como Poema Psicadélico”, de 1986, baseia-se num poema de 1979, intitulado “Fuga à Solidão”. (Este poema supostamente traduz a experiência multissensorial de uma pessoa sob o efeito do consumo de estupefacientes. Supostamente! Que “o Poeta é um fingidor…”)

Em “Poema Psicadélico”, os versos projetam-se nas paredes de um quarto, local de experimentações, como se de um filme se tratasse ou de uma banda desenhada.

Nele, há o recurso a variadas técnicas e possíveis conceitos estéticos, remetendo para várias Artes: desenho, pintura, evocando-nos o cinema, a banda desenhada, imaginariamente a música e até o desenho animado, pese embora a estática de um quadro; o graffiti, os murais… a colagem também, como meio, suporte, recurso e decisão consciente.

 

Com o título “Verso e “Reverso" , para efeitos de concurso, apresento um mesmo poema, escrito através de duas tecnologias pré-digitais: manuscrito, a esferográfica preta, porque escura é a ansiedade, e utilizando a ‘ancestral’ máquina mecânica. (São de 1987.)

Em ambas as tecnologias, procuro reportar o texto para uma dimensão visual para além do grafismo dos caracteres e das palavras. Uma aproximação ao desenho.

Formalmente, são os dois lados de uma mesma realidade e apresentam-se como se fizessem parte de um mostruário da designada “Literatura de Cordel”. (Esta ideia tomou forma também para efeitos de concurso.)

O poema é a interpretação analítica de um desenho não meu, de um jovem, que acompanhei quando trabalhava numa Instituição Profissional. (É uma interpretação, outras poderão ser possíveis.)

 

O mar enrola n’areia…” (1986), é quase um não-poema. Praticamente não há texto. Apresentando-se graficamente, um desenho produzido com a proverbial máquina de escrever mecânica, em duas versões experimentais, (Poesia experimental!).

Duas crianças, um menino e uma menina, à beira mar, entoando a célebre cantiga popular, e segurando papagaios de papel. Reporta-nos para o nosso imaginário infantil e, para além do grafismo do desenho, também para a cor e para a música. (Imaginariamente!) E que é da Poesia se não nos solta a Imaginação?!

 

A partir do poema Ícaro, publicado no Anuário Assírio Alvim, 1987, trabalhei duas versões.

Uma primeira, (86), reportando-me para a iconografia relativa ao mito grego: o labirinto, o minotauro, as ilhas gregas e as suas ruínas de templos. Ícaro, flutuando sobre as nuvens.

Este poema pretende ser uma desconstrução da simbologia inerente ao mito. (Os mitos suportam diversificadas interpretações.) Ícaro não caiu ao mar, com os seus sonhos, com a sua ânsia de liberdade e afirmação pessoal. Manteve-se, planando, não deixando de sonhar!

 

Uma segunda versão, de 87, 89 e que completei este ano, 2018, e estruturei deste modo para a Exposição, poderia intitulá-la, “Asas de Sonho” / “Asas de Ícaro”, baseia-se no mesmo poema, com a mesma desconstrução e transmutação ideativa, para a persistência e permanência da condição de sonhar! De sonhador(es)!

(Uma versão primeira, desta 2ª versão, foi publicada no Diário de Notícias, em 1987.)

 

A técnica, a tecnologia, os materiais utilizados, face ao mundo digital em que vivemos atualmente, são elementares, quase “pré-históricos”, ou melhor, pré-digitais. Trabalhos feitos manualmente, com recurso a esferográficas e canetas de feltro! A velhinha máquina de escrever mecânica! Algumas técnicas primárias de pintura…

Remetem-nos, sugestionam-nos os Textos Poéticos para outras formas de Arte.

 

Termino, dizendo o poema, Ícaro, que, de certo modo, traduz o meu pensar e sentir.

Nunca devemos desistir de sonhar!

 

(ÍCARO / Lá no alto, entre as nuvens / Ícaro, preso está. / Não perdoaram os deuses / Voos tão altos, com asas / tão de cera. / E Ícaro se quedou enredado. // É falso que ao mar haja caído / Espalhando-se no que seu nome tem / Por não seguir de Dédalo os conselhos. / Ficou somente preso, entre os seus sonhos, / Mas bem lá no cimo, entre nuvens.)

 

E Obrigado por me escutarem, por me terem possibilitado a concretização deste meu Sonho. Tal como Ícaro – Poema, nunca desisti de sonhar. Através desta materialização expositiva, concretizei um pouco dos meus sonhos.

Obrigado à APP. Obrigado, Sócios da APP. Obrigado, Direção da APP. Obrigado a todos os presentes. Obrigado a Amigos e à minha Família, que me incentivaram neste projeto!

 

*******

E uma Nota Final: Vários poemas reportam-nos para o tema Mar e o elemento Água.

Este poderia ser um aspeto também a abordar: o Mar e a Água, como fontes primordiais de Vida. O Mar e a Água, como arquétipos estruturantes da Humanidade. O Mar e a Água, como fatores fundamentais da vida terrestre (e haverá outro tipo de vida para além da terrestre?) e os cuidados para sua preservação e manutenção… (…)

Exposição Poesia Visual - Sede A. P. P.

Sede da Associação Portuguesa de Poetas

R. Américo de Jesus Fernandes - Olivais - Lisboa

Azul de amar 2018. jpg

Já está instalada a Exposição de Poesia Visual.

Nela estão expostos alguns trabalhos que elaborei segundo este conceito, na segunda metade da década de oitenta, agora estruturados para esta finalidade expositiva. Outros já organizados há algum tempo atrás.

Ícaro 2018. jpg

 

Obrigado ao  Presidente da Asssociação, Carlos Cardoso Luís, pela sua ajuda preciosíssima, na conceção, montagem, orgânica e estruturação da Exposição. Bem haja!

 

Ícaro 1989.jpg

 

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