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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Coletânea “Era uma vez… Alentejo”

Vamos participar?!

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«O Instituto Cultural de Évora, no âmbito do projeto Antologias Digitais, encontra-se a organizar a coletânea "Era uma vez...Alentejo".

O instituto está a trabalhar para publicar uma obra que seja representativa da Poesia e Arte Portuguesa da atualidade e pretende incluir o maior número de trabalhos possíveis. Os trabalhos poderão ser textos poéticos, fotografias e/ou obras artísticas, desde que todos estes sejam da própria autoria. Todos os trabalhos devem ter como tema o “Alentejo”.

Desta forma, pretende-se receber um poema, fotografia ou obra artística de autoria própria, que seja sobre o Alentejo, para que possa fazer parte desta Coletânea. Para tal, é necessário enviar, até dia 1 de maio de 2023, o seu poema em formato Word, com o tipo de letra Times New Roman, tamanho 12 e no caso de enviar também fotografia ou obra artística deverá enviar em formato JPG ou PNG. Os trabalhos deverão ser acompanhados do Nome do Autor(a) e Nome Artístico (caso se aplique), País e Distrito.

A coletânea não terá quaisquer custos e será publicada online em versão e-book, sendo que todos poderão fazer download gratuito da mesma, na editora Recanto das Letras.

Os trabalhos devem ser enviados para o e-mail: ice.antologia@gmail.com

Esta iniciativa conta com o apoio do IPDJ e do Corpo Europeu de Solidariedade.»

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(In. “Diário Campanário” - Regional Escrito por  Alexandre Lambuzana 05/04/23)

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Aqui está uma informação que me dá imenso gosto partilhar.

Caro/a Leitor/a, vamos meter “Mãos à Obra”?!

No ano passado participei. “Cheia” também. Vamos a ver se, neste ano 2023, mais Poetas e Poetisas, que navegam nestes mares do SAPO, disponibilizam o seu contributo.

(No texto informativo, os negritos são de minha autoria.)

 

“A palavra saudade…”

Afonso Lopes Vieira

 

Volto ao blogue.

E, nem a propósito, com o tema “Saudade”!

E ainda com o livroDe Altemira Fiz Um Ramo…”

 

Pessoa Amiga (Drª Deolinda Milhano / “Momentos de Poesia” – Portalegre) chamou-me a atenção que duas quadras integradas neste livro que editei, enquadradas no capítulo “Cantigas da Prima Teresa” seriam de Autores conhecidos. De Afonso Lopes Vieira e de João de Deus.

 

Através da internet, consegui confirmar o facto. (Parabéns pela perspicácia! E Obrigado!)

 

“A palavra saudade / Aquele que a inventou / A primeira vez que a disse / Com certeza que chorou.” (pag. 53 “De altemira fiz um ramo…”)

 

Esta quadra é de autoria de Afonso Lopes Vieira. Confirmado, via net. Não sei a que livro pertence. Inclino-me para “Poeta Saudade” – 1903. Já procurei nos meus livros do ensino primário, mas não encontrei. Afonso Lopes Vieira é um dos Autores consagrados que mais figura nos antigos livros da primária.

 

“Quem teve a grande desgraça / De não aprender a ler / sabe só que se passa / No lugar onde estiver.” (pag. 59 “De altemira fiz um ramo…)

 

Da autoria de João de Deus. Também confirmado via net. João de Deus também é um dos Poetas consagrados que mais aparece nos mesmos livros da antiga primária. Mas não encontrei esta quadra nem sei a que livro pertencerá.

 

Mérito dos Autores, que sendo consagrados e eruditos, conseguiram ser igualmente populares.

A respetiva Poesia é popular tanto na sua génese, a montante, como igualmente a jusante, na sua divulgação: público - alvo. Para a sua construção, estes Poetas beberam na Poesia Tradicional, tanto na forma como no conteúdo.

Inspiraram-se no Cancioneiro Popular, poetando segundo os mesmos moldes, nos temas abordados e também pelo modo e como o fizeram formalmente. Daí a sua aproximação ao Povo, tornando-se muito populares e conhecidas as suas produções poéticas.

Por outro lado, também beneficiaram do facto de serem muito divulgados nos livros oficiais da escolaridade. Nos livros únicos e obrigatórios em que estudei, editados nos anos cinquenta e sessenta, Estado Novo, lá figuram estes dois Poetas com variada frequência.

Nos livros em que minha Mãe e Prima Teresa terão estudado, nas correspondentes Primárias, nos anos trinta, no início do Estado Novo, não sei se terão figurado, que ainda não consegui obter estes livros para consulta.

 

A quadra de A. L. Vieira já a localizei num livro deste Autor: “Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa”, editado por António Manuel Couto Viana, Veja Editora, 1998.

Esta quadra tem duas versões. Para além da já transcrita, mais antiga, também figura uma segunda versão diferente nos dois últimos versos: “… /… / por ser palavra tão doce, / ia chorar, não chorou.”

 

Mérito também da Prima Teresa que sendo uma Poetisa Popular, não erudita, incorporou na sua narrativa, na sua Sabedoria, na sua Cultura, estas bonitas quadras de Poetas eruditos e consagrados.

Aliás, como muitas outras quadras destes e outros Autores, o Povo integrou-as no seu saber, no seu conhecimento, como refere o editor mencionado na obra citada e outros autores também.

As pessoas teriam ou não consciência da respetiva autoria, aliás provavelmente pouco lhes importaria tal facto. Era mais uma das “cantigas” a fazer parte do reportório do respetivo “cantante”, que a utilizaria quando precisasse nos bailes e arraiais em que participasse.

 

E este facto só valoriza todos os intervenientes!

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