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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Pisão – Portalegre – Portugal – Poesia!

Celebrou-se, ontem, o "Dia de Portugal"!

 

Das Comunidades Portuguesas! Da Portugalidade! Das Portugalidades! Da Diáspora Portuguesa! Das Comunidades de Língua Portuguesa! Da nossa Língua como Pátria, ou Mátria. De Luís Vaz de Camões. Do Grande Camões! Da Poesia, e porque não?!

(Tudo isto digo eu, acrescentando ou sublinhando o(s) verdadeiro(s) significado(s) desta data comemorativa, evocativa, celebrativa! Que não sei se são todas estas as significações… Mas eu resolvo comemora-las!)

E, hoje?! Após a deslocação dos holofotes mediáticos, a recolha dos restos / lixos, que sempre ficam após concentrações populacionais?!

É ou não também Dia de Portugal?!

 

Portalegre. Foto original. 2015. jpg

 

 

Por acaso, ou talvez não, esta data foi escolhida para ser celebrada precisamente em Portalegre. Em Portalegre, Cidade…! E também em Mindelo – Cabo Verde.

 

Não pude estar presente. Não tenho o dom da ubiquidade. Optei por estar na APP – Poesia, na Sede, onde foi lançada, em Portugal, a Antologia de Poesia Luso Brasileira: “Encontro além – mar – Brasil Portugal, Antologia Literária – Editora In House- Jundiaí - 2019”.

Uma forma muitíssimo digna de celebrar / comemorar todos os Valores consignados no primeiro parágrafo.

Houve Poesia! Dita, lida, declamada, cantada. Congratulações à APP, aos sócios que compareceram, que participaram. À sua Direção. Aos Organizadores da Antologia, no Brasil e em Portugal!  “Antologia…é um sonho realizado”.

 

E o Pisão?! Já lá vamos…

 

Não sei se a propósito ou despropósito, uns dias antes de se iniciarem as Comemorações em Portalegre, foi anunciado por um Senhor do Governo que a celebérrima Barragem do Pisão iria ser construída. Com várias funcionalidades, e estaria concluída lá para 2027!

Questionar-me-á: Mas que raio de barragem é essa?!

Bem! Há sessenta anos que eu ouço falar nessa barragem. Em criança ainda, lembro-me de ouvir dizer que iria ser construída uma barragem na Ribeira de Seda e que uma aldeia iria ficar submersa… Precisamente a aldeia do Pisão, no concelho do Crato, distrito de Portalegre. Isto ainda antes de setenta e quatro, no enquadramento das obras do Estado Novo, dos anos cinquenta e sessenta, em que se construíram muitas barragens por esse País fora, em que a do Pisão também fora projetada, e a também celebérrima do Alqueva. (Essa, entretanto construída e em funcionamento.)

A do Pisão foi sempre sendo protelada, periodicamente prometida e propalada, já depois de setenta e quatro e por várias governações, de diversas orientações partidárias.

Em 2019, precisamente antes do 10 de Junho… a celebrar em Portalegre, volta a ser prometida!

 

(Peculiar correlação entre as diversas variáveis de tempo, espaço, contexto, e agenda política!)

 

Eu, cá por mim, sou como São Tomé! Ver para crer!

 

E, já que celebramos a Poesia, sempre…remeto para… Promessas…

Portalegre: Na encosta, ridente alegria…

Foto original DAPL. 2018. jpg

 

Portalegre, “Momentos de Poesia” e Régio

 

JOSÉ RÉGIO (Vila do Conde, 1901 – 1969), pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, viveu grande parte da sua vida em Portalegre, onde foi Professor de Português e Francês, no antigo Liceu Nacional, de 1929 a 1962, ano em que se aposentou. Manteve-se na Cidade até 1966, regressando a Vila do Conde, sua terra natal, onde viria a falecer em 1969.

Está indubitavelmente ligado à Cidade e esta, a Régio. A sua ação cívica na Cidade e no País foi, todavia, bem mais vasta do que a sua condição de Professor e Poeta, per si e só por si certamente bem importantes.

Comemoram-se este ano cinquenta anos da sua morte.

 

Momentos de Poesia que, desde 2006, vem desenvolvendo na “Cidade de Régio” um trabalho altamente meritório na divulgação da Poesia, dedicou o seu último evento poético, precisamente ao Poeta supracitado. No dia 21 de Março, “Dia Mundial da Poesia”, a partir das dezasseis e trinta, cerca de trinta pessoas percorreram as ruas da Cidade, desde a Praça da República, até ao Tarro, calcorreando a vulgarmente conhecida por “Rua do Comércio”. Num périplo por locais e espaços frequentados pelo Poeta, alguns emblemáticos e marcantes, como o Café Alentejano, o Central, o atual Café José Régio. Aí, disseram, declamaram, leram a Poesia de Régio.

Previamente a Organização do evento distribuíra e afixara cartazes com vários poemas do Autor, nas mais diversas lojas e comércios das ruas previstas de percorrer. Deste modo, o Poeta, a sua Poesia foram devidamente divulgados entre os transeuntes, os passantes, que os textos estavam nas montras, vários dias antes.

Também nos locais onde havia um cartaz com um poema, um elemento da comitiva lia esse mesmo poema na rua. Houve “Poesia na Rua”! Cantou-se o hino de “Momentos”!

Iniciativa de valor, esta. Parabéns à Organização. A todos os Participantes.

E Obrigado também!

 

Integrei-me na comitiva já ela vinha frente ao Conservatório. Acompanhei, ouvi, escutei, observei e gostei. E também participei!

E li os sonetos “Boneco Desfeito”, no Café Central e “Filho do Homem”, no Café José Régio.

E novamente Obrigado a Drª Deolinda Milhano e à Organização do evento, pelo trabalho de divulgação da Poesia de tão insigne Poeta e pela oportunidade de podermos também ter participação na efeméride.

Que assim também concretizei um dos meus objetivos para este ano. Que foi “Dizer Poesia” de um Poeta consagrado, ademais José Régio, um dos meus Poetas preferidos. E na sua Cidade… E no Café onde realizou tertúlia, tantos anos…

 

E ocorre-me perguntar:

E Portalegre, Cidade… oficialmente, como vai comemorar o Poeta e a sua Poesia?! (Pelo menos esta sua faceta, sem dúvida uma das mais conhecidas.)

Há uma ligação tão forte, tão marcante, entre Poeta e Cidade, que certamente existirão atividades. Que poderão envolver múltiplas e diversificadas entidades…

A Cidade ganharia muito em aproveitar esta “riqueza, recurso”, sei lá como designar, valor imaterial, que é potenciar globalmente a “Marca Régio” na Cidade. Tenho dito!

 

(A Rua, melhor, Ruas, ainda vulgarmente designadas de “Comércio”, já o tiveram, o comércio. Que este, hoje, se concentra quase exclusivamente fora dos espaços tradicionais. Decisões políticas tomadas há anos… cujas consequências se vivem, atualmente, numa cidade moribunda no seu miolo tradicional…

E soube, à saída do Café com o nome do Poeta, que havia outro evento simultâneo na “Velha Casa”. É caso para dizer que antes dois eventos, que nenhum… Mas alguma coordenação seria importante. Digo eu!)

 

“Surgiu no palco, um dia, um bailarino…”

«BONECO DESFEITO»

 

«ao ARTUR ESPANHA»

 

«Surgiu no palco, um dia, um bailarino,

Surgiu soberbamente nu, - jogando

Nas mãos ágeis de clown e de menino

Cem máscaras rodando, rodopiando…

 

Sobre um décor violento e sibilino

Cegamente bailou, tombou bailando,

Como se mais não fora seu destino

Que o seu bailado altivo e miserando.

 

No palco jaz agora um mutilado:

Jaz morto e nu, decapitado, olhado

Por milhões de olhos sem pudor nem vista.

 

… Que as máscaras sem fim que ele jogara

Não eram mais, talvez, que a própria cara

Dum desgraçado e humano ilusionista!»

 

 

In. “BIOGRAFIA” – José RégioOBRAS COMPLETAS – poesia – BRASÍLIA EDITORA – 6ª Edição – 1978. Pp. 69/70. (1ª Edição 1929)

 

A POESIA de JOSÉ RÉGIO (Vila do Conde, 1901 – 1969), é habitualmente bastante intimista, auto analítica, introspetiva. Fala muito de si mesmo, autoanalisa-se, de forma mais ou menos explícita. Escreve sobre Si, mas ao escrever sobre o próprio EU, projeta-se também nos e com os OUTROS, com os Outros Seres Humanos e, em suma, com a Humanidade. Sempre muito tocado pelo lado do Divino, a sua aproximação a Deus e, por demais, a Cristo, Deus feito Homem. Traduz uma das suas preocupações marcantes enquanto Homem e ademais como POETA!

Este livro citado, designa-se precisamente “BIOGRAFIA”. Nele, algumas das idiossincrasias do Poeta, mencionadas anteriormente, estão bem explícitas. A 1ª edição foi de 1929, tinha, José Maria dos Reis Pereira, 28 anos! A edição que possuo, sexta, é de 1979. Não sei se todos os poemas pertencem à 1ªedição.

 

Foto Original DAPL. 2018. Portalegre e sobreirais. jpg

 

 

Li, este poema, pela primeira vez em público, no Café Central – Portalegre, integrado no evento “MOMENTOS DE POESIA”, no passado dia 21 de Março – Dia da Poesia, evocativo de José Régio, que perfaz cinquenta anos da sua morte.

 

Ao reler este soneto, em 2011, dadas as suas caraterísticas tão de “poema visual”, associei à interpretação de Conan Osíris, na encenação, na coreografia, ao cenário, à estética visual do bailado, enquadrante da canção vencedora do Festival da Canção 2019!!!

Estranho?! Tente ler e visualizar as imagens sugeridas pelos versos… Sem preconceitos!

 

Ainda irei escrever um post sobre “Momentos de Poesia” e esse dia 21 de Março!

 

(A Fotografia, original DAPL - 2018 -, é obviamente de Portalegre e dos sobreirais, que tanto inspiraram o Poeta.)

 

 

Falta de Serviços Essenciais…

… Em Entidades que já foram Fundamentais!

Crónica de Descontentamento (s) VI

 

Os títulos, levados à letra, reportar-nos-iam para ene assuntos, n serviços e atividades que nos faltam, nos mais diversos contextos e enquadramentos.

 

Até podia ser sobre a chuva… Que “estragou” os Carnavais!

Mas então a chuva não faz falta?!

Não! Não?! Não vou falar da chuva. Que faz imensa falta. Ela que venha!

 

Hoje vou falar de Correios; os CTT, que já foram das Entidades que melhor terão servido as Comunidades ao longo de décadas, neste País, nomeadamente no Interior. Quando não existiam nenhumas das modernidades que hoje temos, telemóveis, internet, computadores, estas e outras funcionalidades existentes que, ainda há escassos anos, eram pura ficção.

Não falo nas dezenas ou centenas de lojas que fecharam por todo o país, especialmente no Interior, onde mais eram necessárias. Têm valido as Autarquias que se organizaram para servir as populações, institucionalizando esses serviços nas respetivas Sedes…

 

Falo de serviços elementares que faltam nas ainda existentes Lojas de CTT.

Concebe-se que numa Loja de CTT não haja uma máquina para comprar selos de correio, automaticamente, sem ter que esperar nas filas enormes?! (E, a este propósito, as filas são sinal de que os serviços são necessários.) Já houve! Mas foi retirada. E porquê? Bem sei que hoje quase ninguém escreve cartas…

(!!!…?)

Ou concebe-se que uma carta enviada de uma Aldeia do Interior, para chegar ao Litoral Suburbano de um Concelho da Margem Sul, demore dez dias até ao destinatário?! Nem no tempo da mala posta!

Ou que cartas vão parar regularmente aos vizinhos, até noutros prédios, e algumas até com documentos importantes?!

Ou que num posto de CTT, numa Capital de Província, ademais no Interior, a cabine telefónica não funcione há mais de um ano?!

 

Mas, agora os CTT até têm um Banco! E é verdade! E que promete… que promete…

Mas os bancos… nem assado, nem assim, nem mesmo os de jardim!

 

E são só esses os seus descontentamentos?!

 

Se os fosse a desfiar todos, eram um rosário… E eu já não vou nem em terços… Não falo das Agências da Caixa encerradas, na falta de Centros de Saúde… Não falo dos disfuncionamentos da Caixa… Não falo na falta de profissionais de Saúde nalguns Centros…

 

(E estes escritos surgiram-me na sequência de ter precisado de enviar um simples postal ilustrado… no dia 7! E quem ainda envia postais ou cartas?! Só mesmo os cotas dos cotas! E ao pretender um simples selo de correio, corri as freguesias e só havia numa loja particular… E os CTTs não são também particulares?)

 

E, dir-me-á… Preocupa-se você com estas ninharias quando há Pessoas, digo, Pessoas que vivem e dormem na rua, ao relento!...

"Momentos de Poesia": Fev. 2019 - Um Hino à Cultura!

"Momentos de Poesia" inicia as suas jornadas poéticas e culturais neste 2019, na Cidade de Régio.

Prossegue a sua Caminhada, "Dando Voz" a Poetas, Poetisas, Artistas, em suma, partilhando, divulgando, promovendo e criando Cultura, na bela Cidade de Portalegre.

Parabéns e Votos de que tudo corra pelo melhor!

Momentos de Poesia. Cortesia Organização. Fev 2019.jpg

Lamento não poder estar presente, mas apresentaremos, nesse dia, o livro "De altemira fiz um ramo" em Almada, na SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras  de Almada.

Até uma próxima oportunidade!

 

Praxes: a parvoíce continua!

E lá volto eu a este assunto!

 

Original DAPL. 2016. jpg

 

Desde que utilizo esta ferramenta do blogue esta temática das praxes vem quase sempre à baila nesta altura. Pelo lado negativo!

Não me apetece nada voltar a este assunto. Mas vai ter que ser!

Quando vejo na Cidade de Régio aqueles bandos de carneiros mal mortos, a serem arrastados por aqueles mantos corvídeos, carregados de pinos, a blasfemarem umas quantas obscenidades e a executarem uns quantos disparates na rua… apetece-me sempre interpelar.

E já o tenho feito, ainda este ano o fiz no Campo de Sant’ Ana!

E quando é que as Autoridades resolvem intervir, como deve ser por esse país fora?!

Que as cenas repetem-se invariavelmente por todo o lado…

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