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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Almada: Alma subtil…

Primavera - Cante - Poesia

Foto original DAPL 16 / 17 Almada. Jacarandás. jpg

 

Ontem, dia 23 de Março, sábado, decorreram em Almada, três eventos culturais de grande relevância em que gostaria de ter participado ou assistido.

 

O Parque da Paz acolheu iniciativas no âmbito de “Dias da Floresta - Almada - 2019”: Observação de aves, mercado da horta, cuidar dos caminhos do Parque, eco-peddypaper, construção de caixas ninho.

Todas estas ações, habituais há vários anos, tal como noutras localidades por esse país fora, englobam-se genericamente no conceito de “Celebração da Primavera”. Atualmente, iniciativas predominantemente urbanas, mas que se enraízam em tradições milenares, que ao longo de séculos se vêm desenvolvendo em diferentes contextos culturais.

Uma das ações habituais em que também já tenho participado é a plantação de árvores.

E já plantei, este ano, seis árvores. Duas no “Chão”, quatro no “Vale”. Apesar do péssimo tempo que está: nada de chuva, calor de dia, frio à noite e vento.

Uma tília, uma figueira de são João, um loureiro, duas amendoeiras e um carvalho cerquinho. As últimas quatro, com ascendência em Almada.

 

A Tarde de Cante, no Clube Recreativo do Feijó, comemorativa do 33º aniversário da “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó”. Que divulguei no blogue, como habitualmente e a que já assisti noutras ocasiões.

 

E a “Gala dos 25 anos da SCALA”, no Cineteatro da Academia Almadense.

Não participei nem assisti à Gala, mas tive o grato prazer de participar, dia 17/03, no encerramento da “Festa das Artes da SCALA – 25ª Exposição Anual”, na Oficina da Cultura. Exposição em que participei com o quadro “Poema Psicadélico”.

E, no encerramento, tive oportunidade de “Dizer Poesia”! Ademais enquadrado entre tão excelentes Poetas e Dizedores. Qualidade, essa que também se verificava na Exposição. Com tão excelentes e categorizados Artistas!

E no encerramento também tive a grata experiência de ouvir a “Sancho Tuna, da Universidade Sénior Dom Sancho I”. Que abriram a sessão cultural e nos brindaram ao longo do sarau com bonitas canções tradicionais do Cancioneiro Nacional.

E foi pegando num verso de uma canção “não olhes p’ra mim, não olhes…” que disse algumas quadras do livro “De Altemira fiz um ramo…”. E numa segunda intervenção, “Na revista-cor-de rosa”.

E, deste modo, cumpri um dos meus objetivos para este ano: Dizer Poesia na Oficina de Cultura, em Almada!

 

E quem mais disse?

 

João Franco: “Cântico negro” e “Trova do vento que passa”;

Carlos Gaspar: “Insónia” e “Poema declamado”;

Palmira Clara:  … “As estações do não”;

Gertrudes Novais: “Silêncio” e “Caminhadas”;

Clara Mestre, disse e cantou: “Sol do mendigo” e “Canto da terra”;

Milena: “Teresinha, flor dos poetas…”;

Luís Alves: “Casamento do Tejo e Lisboa”.

O senhor Vereador António Matos também disse! De Gertrudes Novais: “… de pés descalços, na areia molhada…”

*******

E, da minha parte, compete-me dar os parabéns a todos os participantes: artistas, poetas, poetisas, dizedores, cantores, maestro, atores e autores dos excelentes trabalhos em exposição e dos poemas ditos e ouvidos.

Parabéns à SCALA. Parabéns à Oficina de Cultura! E a todos os que contribuíram para a Exposição e para o espetáculo de encerramento.

E parabéns a Almada!

E muito, muito Obrigado a todos!

 

(P. S. – Qualquer correção a fazer, deixe nos comentários, SFF.)

(Foto original DAPL. De 2016 ou 2017, não tenho bem a certeza. De jacarandás, em Almada, precisamente perto da Oficina de Cultura. Os Jacarandás são árvores originárias da América do Sul, muito peculiares. Agora, Março, ainda estão com as folhas do ano anterior. Só lá para Abril as perdem e nascerão as novas. A exuberância floral, lá para finais de Maio, princípios de Junho! Aprecie e observe, que vale  a pena.)

“Águas de Março”: Uma crónica salteada de ocorrências

Crónica sobre acontecimentos relativos a Março

 

Luz... Original DAPL 2016.jpg

 

Não, não vou falar sobre a célebre canção de Elis e Tom Jobim, não.

 

Também não vou comentar sobre tanta coisa importante ou nem por isso, que por aí pulula nos media. Muitos assuntos, até preocupantes, que nos surpreendem ou talvez não, como foi possível chegar-se a tal. Não estou virado para as “políticas e politiquices”, apesar de haver assuntos que mereceriam alguns comentários.

Nem também sobre o Portugal – Hungria irei perorar. Por enquanto, o futebol não me merece destaque. Acompanhemos o campeonato e aguardemos o próximo sábado.

 

Falo-vos, e para começar, precisamente de águas… de chuva.

Que finalmente resolveu brindar-nos, já na Primavera, quando se esquecera de nós, todo o Outono e Inverno. Mas, mais vale tarde… Que, “Março, marçagão…”

E, com ela, o frio. Não sei como serão as águas de Março, lá para o Rio, que anunciam o final do Verão. Aqui, “deveriam” (?) vir no Inverno e/ou no Outono, mas só agora chegaram. Precisamente com a Primavera! Que supostamente se deveria anunciar radiosa, alegre, iluminada. Mas não! Chuva e frio!

Ainda bem que nós não mandamos nisso, diz o povo!

 

E é precisamente e também da Primavera e das ocorrências humanas a ela associadas, que vos quero falar.

Ainda no dia 20, pela tarde, quando o sol, no seu movimento aparente, atingiu a posição de equinócio, passando a linha do equador, para o hemisfério Norte, oficialmente, iniciou-se a dita Primavera!

 

Habitualmente, essa ocorrência situa-se no dia 21 e é nesse dia que se celebram duas datas festivas importantes: “Dia da Árvore” e “Dia da Poesia”!

 

Em Almada, associada às boas-vindas à Primavera, organizam-se os “Dias da Floresta”.

Nessas atividades, entre outras igualmente interessantes, promovem a distribuição de árvores, plantas, arbustos, ervas aromáticas, a troco de lixo para reciclagem, conforme pode verificar na ligação anteriormente assinalada.

Já, por diversas vezes, temos participado nessa ação, neste ano novamente.

Cada pessoa tem direito a duas plantas, em função dos respetivos objetos levados para serem incorporados nos bidons específicos de reciclagem.

Cinco árvores: um pinheiro manso, dois carvalhos, uma alfarrobeira, uma azinheira e uma planta aromática, cujo nome não fixei, mas que, supostamente, é dissuasora dos mosquitos, quando colocada à janela! Haverei de saber-lhe o nome.

Ainda no âmbito das atividades integradas nos “Dias da Floresta”, ocorreram no dia 23, 5ª feira, as ações “Vamos Plantar!” e “Observação de Aves”.

Já tenho participado nesta última ação noutras ocasiões. Desta vez, envolvi-me mais na primeira: “Vamos Plantar”!

E plantei?!

Plantar, plantar mesmo, como já fiz imensas, tantas vezes, no Alentejo; em Almada e no Parque da Paz, não.

Apenas ajudei a plantar. De pá, com enxada, apenas atirei a terra para as covas onde os técnicos da Câmara haviam depositado uns choupos de folha branca e uns carvalhos portugueses. Que as covas estavam feitas, as árvores já colocadas.

Nesta ação, dei a minha ajuda e colaborei com as crianças da Escola “Primária” do Pragal, que aí estavam, entusiasmadíssimas, num trabalho prático, que lhes perdurará, certamente, nas suas vidas futuras, essa lembrança.

“- Sabes?! Recordas-te?!, quando viemos plantar estas árvores, aqui, quando andávamos na Escola?!” Dirão elas, daqui a alguns anos, quando, já crescidas, vierem correr ou passear para o Parque.

Também havia alguns adultos, mas poucos, que eu contasse, apenas quatro e um, o que pretendia era o kit das ervas aromáticas, que supostamente deveriam dar-lhe, em troca da participação. Ironicamente, não haviam sido levados os kits para o evento, com medo da chuva!

 

E voltando à plantação. Após pedir a pá a uma criança, questiona-me esta, numa voz cheia de alegria, contentamento e admiração.

“ – Você é Alentejano?!”

Dada a resposta, após saber o como e o porquê de tal pergunta, trivialíssima; chegou a minha vez de saber também a localidade de origem da menina. Que ela era daqui, de Almada, só que os familiares são da Esperança, já se viu nome mais bonito para uma aldeia?! Esperança: concelho de Arronches, duas localidades tão bonitas!

 

E voltando ou continuando na Poesia!

 

No dia 21, também o C. N.A.P. – Círculo Nacional D’Arte e Poesia promoveu uma bonita sessão dedicada a esta Arte Poética, no Centro de Dia de São Sebastião da Pedreira.

Disseram-se poemas, poesias, recitaram-se, leram-se, declamaram-se versos e rimas ou não, sobre temas poéticos; pelos presentes, que rimaram o ambiente do Centro. Parabéns a todos.

Também circularam boas amêndoas da Cidade de Régio.

 

E, nessa bela Cidade, e à mesma hora, a Poesia saiu à rua, homenageando os seus Poetas e suas Poetisas, em “Momentos de Poesia”!

 

E também e ainda em Março, se comemora o “Dia do Pai. Que todos os dias são dias de pai. E que Saudades e que falta me fazes, PAI!

 

E, igualmente em Março, e como de costume, o Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó, comemorou o seu trigésimo primeiro aniversário, no Clube Recreativo do Feijó. Aniversário a vinte e um, festejado ontem, sábado, vinte e cinco.

E que belos momentos se vivenciaram, através daquelas vozes telúricas, que em coro, no ponto ou no alto, nos evocam o nosso querido Alentejo, no âmago mais profundo do seu Ser!

 

E esta “crónica salteada” ainda tem mais condimentos?

 

Ontem, também planeara ir à sede da SCALA, aonde haveria também uma Sessão de Poesia.

Julgava que funcionava na Incrível. Também aportei à Academia. Aí indicaram-me a localização, no esquema: “direita, esquerda, frente…” e é facto assente, não dei com o local. Acabei por desembocar, voluntariamente, na Casa da Cerca. Local lindíssimo da Cidade de Almada, que é imprescindível visitar-se.

De volta, acabei por saber, no Centro de Interpretação de Almada Velha, que a sede da SCALA é na antiga Delegação Escolar, junto à antiga Escola Conde Ferreira.

Já sei, in loco, onde fica. Futuramente já não me irei “perder”!

 

E, nestas deambulações, antes passara pela Oficina da Cultura e pela Biblioteca, constatei o óbvio, em Almada: Cidade e Concelho.

Há sempre imensas atividades culturais, dos mais diversos tipos e âmbitos e pelos mais variados locais públicos e em espaços relativamente perto uns dos outros.

Por vezes, o difícil é escolher. Dada a simultaneidade dos eventos!

 

E, por aqui me fico, nesta crónica salteada, de eventos e “condimentos”, por locais e acontecimentos!

 

E a POESIA e a NATUREZA são sempre uma LUZ...

 

(Fotografia original DAPL - 2016)

Hoje, Dia 21 de Março de 2016

Hoje, dia 21 de Março, é suposto ser um “Dia Especial”.

 

Para além do início da Primavera, data esta não convencional, determinada pela posição aparente do Sol face à Terra, Equinócio da Primavera; as outras Comemorações são associadas convencionalmente a este facto anterior.

E essas datas comemorativas são: o “Dia da Árvore” e o “Dia da Poesia”!

 

Bem, quanto à Primavera ela deu um ar da respetiva graça, de manhã. Em Almada, esteve sol, mas, de tarde, levantou-se uma verdadeira trovoada. Contradisse o aforismo referente a Março: “Março, marçagão, de manhã, inverno; à tarde, verão!”

Nalgumas zonas do Alentejo, de manhã, chovia. De tarde, não sei, que ainda não consultei o “boletim meteorológico”.

 

Quanto à Árvore, não consegui nenhuma este ano, que o local de troca de produtos para reciclagem, por árvores, ocorreu na Costa da Caparica. Fora dos meus circuitos habituais. Não plantei ainda nenhuma nesta Primavera. Que também só agora começou.

 

Quanto à Poesia, estarão a ocorrer eventos comemorativos, na ridente Cidade de Régio, para os quais reportei neste post.

 

Quanto à Inspiração relacionada com estes temas, apenas uma simples quadra, inspirada noutra que já publiquei no ano passado.

 

 

Primavera

 

Na planura, tapeçaria de flores

Aves trovam hinos de beleza

Madrigais de aromas e cores

Exulta, alegre, a Natureza!

 

21/03/2016

 

De modo que este post nº 340 materializa-se nesta simplicidade textual, para além dos links, em que assinalo trabalhos referentes às temáticas abordadas.

Klique, S.F.F.!

Infelizmente não tenho, por agora, nenhuma foto sugestiva. Estive para pedir emprestado a "Rumo ao Sul", mas...

“O Livro da Selva”, de Rudyard Kipling

“O Livro da Selva”

Junglebook in wikipedia.jpg 

 Uma leitura no "Outono", quando recomendam ler na "Primavera"!

 

Rudyard Kipling, by Elliott & Fry in wikipedia fre

 

 

aqui me referi a este livro. Do escritor supracitado, foi publicado nesta forma em 1894. É uma coleção de histórias, publicadas primeiramente em revistas, em 1893 e 1894.

 

As revistas eram na época uma forma mais acessível de se chegar ao grande público. Grande, será uma forma de falar, que as restrições seriam muitas, nomeadamente o facto de maioritariamente as pessoas não saberem ler nem escrever. Estariam certamente na moda, seriam um veículo comunicacional mais disponível entre as classes burguesas endinheiradas ao tempo. Para além da aristocracia, classe dominante no Reino Unido.

 

Já o nosso Garrett, cinquenta anos antes, utilizara o mesmo meio de comunicação, com o aclamado “Viagens na Minha Terra”. Primeiro em revistas, depois em livro. Em meio século, a metodologia comunicacional permaneceu idêntica. Comparemos com os últimos cinquenta anos, neste dealbar de séculos, XX para XXI! As alterações radicais desde os anos sessenta do século passado, para a atualidade. As mudanças foram vertiginosas! A aceleração do progresso é cada vez mais acentuada, exponencial.

 

Atrever-me-ia a classificar estas histórias de fábulas, já que a maioria dos personagens principais são animais! Poderei?!

Das histórias, todas interessantes e perpassadas de moralidade, daí também a catalogação como fábulas, a que achei mais peculiar foi a última: “Servidores de Sua Majestade”.

 

O título é, só por si, paradigmático!

E, depois, a fala dos animais envolvidos na narrativa. A mula velha, de nome “Biddy”, da artilharia de montanha, a mula nova, recruta; o camelo de carga; o cavalo do segundo esquadrão de Lanceiros, cujo cavaleiro é chamado Ricardo; o elefante “Dois Rabos”, “Anacronismo Paquidérmico”; os bois das peças de artilharia; o cão rateiro, nomeado “Raposinha”; para além do narrador, o próprio escritor (?)

 

E, depois, a imaginação da parada aparatosa de trinta mil homens, milhares de camelos, elefantes, cavalos, mulas e bois, concentrados em Rawalpindi, para serem passados em revista pelo vice-rei da Índia, que “recebia a visita do emir do Afeganistão, rei bárbaro de um país bárbaro…”

Uma manifestação do poder do Império Britânico, no seu apogeu!

 

E, como epílogo, moralidade(?), a questão formulada por “um velho chefe da Ásia Central” a “um oficial indígena”, indiano (?) sobre como se conseguiu tal maravilha. Em que as bestas são tão entendidas como os homens.

E a resposta do “indígena”:

“- Obedecem como os homens. Mulas, cavalos, elefantes ou bois, todos obedecem ao seu condutor, o condutor ao sargento, o sargento ao tenente, o tenente ao capitão, o capitão ao major, o major ao coronel, o coronel ao brigadeiro, que comanda três regimentos, o brigadeiro ao general, que obedece ao vice-rei, que é o servo da imperatriz. É assim que se faz.”

E perante o desejo formulado pelo chefe de que no Afeganistão assim fosse, pois lá obedecem apenas à sua própria vontade, retorquiu o indiano.

“E por isso… o vosso emir, a quem não obedeceis, tem que vir aqui receber ordens do vice-rei.”

 

A apologia do imperialismo britânico no seu modo mais elementar e simultaneamente supra refinado! Em que a Índia era a “Jóia da Coroa”, recentemente incorporada no Império, 1877, sendo que a Imperatriz era a célebre Rainha Vitória.

 

Mas este pequeno texto, de apenas dezassete páginas, está cheio de mensagens subliminares, suscetíveis de variegadas interpretações. Não é monolítico no plano ideativo. Dá muito que pensar!

 

E as outras histórias?!

 

Tumai dos Elefantes e Cala Nague, elefante, que servira o Governo da Índia por mais de meio século?

 

E Ríqui – Tíqui – Távi, o mangusto que libertou o quintal do grande bangaló, das cobras capelo?

 

E a foca branca, Cótique, que conduziu as suas irmãs focas, do local de veraneio em Novastosná, no Mar de Béring, para as praias novas, para além do túnel da Vaca Marinha?

 

E Máugli? E Bálu, o velho urso pardo? E Bàguirá, a pantera negra? E Xer Cane, o tigre?! E..?  E..?

 

Bem! Se eu fosse a narrar, ainda que sinteticamente, as histórias/fábulas, perderíeis o interesse em lê-las.

 

Pois lede!

 

E surpreendais-vos com este livro, “Obra-prima da literatura juvenil de todos os tempos”!

Que, para mim, foi uma agradabilíssima leitura, pese embora a “primavera” já tenha ido há muito! E o Outono já ter começado no mês passado, a vinte e três.

 

Notas Finais:

 

O livro que li, de Edição Livros do Brasil, 2006; integrado na Colecção Nobel, exclusiva de Modelo Continente, tem algumas imperfeições.

 

Do livro original há imensas versões nos mais variegados suportes informativos. Filmes, vídeos, BD. É consultar a net e há imensa informação.

 

Mas nada, mesmo nada, se compara com a leitura da versão livro tradicional! Há mais recurso à imaginação!

 

 

 

 

Um conto que não gostaria de contar!

 

Conto e reconto, tristemente real e anual, sobre um reino que abandonou os seus campos à incúria e insensatez humanas.

 

Lado a lado, nas bermas das estradas, a erva nascera e medrara na ridente Primavera, florira e, no Verão, secara como mandam os preceitos da natureza.  Mas crescera tanto à beira das estradas, nas valetas e lombas mal amanhadas, que tirava até a visibilidade aos condutores.  E era um rastilho de pólvora, em pleno Agosto escaldante, de sol abrasador, esturricando giestas e rosmaninhos, agora ressequidos face à inclemência do astro rei.

 

Nas colinas e montes circundantes, nas ravinas xistosas ou graníticas das ribeiras, os pinheiros bravos multiplicaram-se sem qualquer desbaste ou controle, uns aceiros mal amanhados, alcatifado o chão de caruma e agulhas secas, tisnadas pela solina inclemente que estonteava campos e corações. Pelas fráguas arriba, as estevas e os medronhais, as urzes e as aroeiras, os silvados e tojeiras, que em Abril e Maio entoaram epopeias de cores e aromas resinosos e doces, são em Agosto abrasador, temperaturas infernais, humidade quase nula, num ar seco e abafadiço, são, em Agosto, um convite à desgraça dos campos, desérticos de gente e de cuidados de limpeza de matas e florestas, carentes de aceiros e consideração pessoal dos donos que mal os conhecem nem amam ou estimam.

 

E a desgraça chega! Chega de muitas maneiras e feitios, que o enredo da maldade ou da insensatez humanas tem muitas lábias e formas.

 

Um cigarro não apagado, lançado negligentemente pela janela dum automóvel, saltita na estrada à velocidade do carro e aloja-se no seio do pasto ressequido...

O sol inclemente e abrasador que incide num monte de lixo que mãos desumanas lançaram no meio da floresta: papéis e plásticos, garrafas de vidro que refractam a luz do sol que incide prismática num ponto, incandescendo folhas e papeladas, ateando ervas e carquejas...

Uma mão criminosa ou descuidada, um coração cheio de ódio e malvadez ou uma mente insana que risca um fósforo ou lança um petardo...

Ou alguém que por cupidez e ganância, por despeito ou inveja, seja por quaisquer outros sentimentos mais baixos, de vil desumanidade, dá uma ordem, paga ou incentiva à acção de outrem, para agir, destruindo pelo fogo, propriedade alheia, mas de todos, que o fogo quando ateado não conhece donos nem criados...

Seja qual for a razão, a causa ou o motivo, o destino é sempre o mesmo!

 

Eis que as chamas, tímidas de início, mas logo, logo, labaredas enormes, consomem ares e hectares de vida, anos e anos de trabalho, milhares e milhas de árvores, plantas, arbustos e animais, seres, teres e haveres, árvores centenárias, habitats preservados...

Em breves instantes, os campos são campos de Marte e de morte, uma bomba de napalm varreu serras e serranias, ravinas e desfiladeiros, colinas e cabeços, plainos e planuras.

E ficam esculturas negras de carvão e cinza erguidas para o céu, acusadoras da incúria, da maldade, do desleixo, do desrespeito do homem pela Natureza, que impotente não resiste ao fogo aniquilador.

in: pt.wikipedia.org.jpg

 

Mas, e quando chegar o Outono e vierem as primeiras chuvas?...

E chega o Outono e com ele as primeiras chuvas outonais.

Há muito desejada, a água, inicialmente, chegou tímida e foi recebida como uma benção de Deus para os campos sequiosos, as barragens vazias, as nascentes gotejantes. Mais foi caindo mais e cada vez com maior frequência, bátegas e trombas de água, trovoadas, vendavais e ventanias.

Nos campos desprovidos da protecção das copas das árvores, do arvoredo miúdo e da vegetação rasteira, a água rija, tocada a vento, caiu directamente no solo, arrastando terra e lodo, restos de ramos e arbustos, lixos e toda a porcaria que os homens deixam nas margens dos cursos de água. Tudo se arrasta encosta abaixo, ao contrário do fogo que sobe encosta acima, em direcção ao leito de cheia de ribeiros e ribeiras que ganham caudais de rios impetuosos. Leitos de cheia onde os homens modernos e actuais, previdentes, perspicazes e sabedores, construíram as suas habitações, subitamente invadidas por lamas, pedras e águas tormentosas arrastadas de montante, abaixo pelas encostas, desprovidas do coberto vegetal que os fogos dos verões consumiram...

 

E é este o conto e reconto tristemente real, ciclicamente repetido, num acumular de erros e tropelias dum estranho país realmente plantado à beira mar!

 O Lar da Cegonha!

in: publico.pt. jpg

As Árvores também têm História?!

As Árvores morrem de pé?

 P.S.

Este texto foi escrito há algum tempo, hei-de pesquisar quando, e ainda não fora publicado noutros enquadramentos. Era, portanto, inédito.

A "imagem" que, ao escrever, tinha presente sobre fogos, situava-se nuns campos a norte de Pavia, nas ravinas da Ribeira de Tera, em que houve um fogo há relativamente poucos anos. Lembro-me de ver as fráguas das duas margens da Ribeira, a montante da ponte, tisnadas pelos efeitos do fogo recente...

Locais Pitorescos do Alentejo!

Locais pitorescos de Aldeia da Mata

 

Foto original d D.A.P.L. Junho 2015.jpg

 

E porque temos estado a “postar” sobre atividades campestres, ainda que em meio urbano, vamos apresentar alguns aspetos peculiares e extremamente interessantes sobre algumas paisagens rurais de Aldeia da Mata.

 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015. jpg

 

Esta localidade do Norte Alentejano tem alguns monumentos e paisagens que merecem ser devidamente valorizados. As pessoas conhecedoras atribuir-lhes-ão o devido valor, mas muita gente não conhecerá…

Alguns monumentos serão mais destacáveis, nomeadamente dado o seu simbolismo e antiguidade, outros mais singelos e modestos, sem deixarem de ser interessantes. Uns serão mais significativos, no contexto atual, outros tê-lo-ão sido em tempos imemoriais.

De todos, num enquadramento cultural mais vasto, espacial e temporalmente, o mais significativo, também porque de maior antiguidade, será talvez a Anta do Tapadão.

A Igreja Matriz, num enquadramento cultural diverso e mais recente e, de entre os monumentos ainda em funcionamento, face aos objetivos para que foi fundada, também se destaca.

Todos estes aspetos se relativizam face ao contexto em que se inserem, no espaço e tempo próprios. Não se pretendem comparações com outros objetos de análise, de outras aldeias, vilas ou cidades. Falamos do que temos e como temos, tão somente!

 

De entre os monumentos que temos e também dos lugares e paisagens em que nos enquadramos, alguns são deveras interessantes.

 

Foto original de D.A.P.L.. Junho 2015jpg

 

Mais ou menos modestas, sem deixarem de ter interesse e valor, destacaria, por ex., o conjunto de fontes, de que algumas cumprem cabalmente a sua função debitando água agradável e fresca, todo o ano. Mesmo nos verões mais quentes e secos. Este ano não sei… Choveu quase nada!

Destas fontes uma se destaca entre todas. Primeiramente pela sua função primordial: a água. Será, indubitavelmente, a melhor água de entre a das diversas fontes.

 

Foto original de D.A.P.l. Junho 2015.jpg

 

Também é dotada de alguma relativa monumentalidade, na sua singeleza, de obra popular. Possui um evidente enquadramento paisagístico que a valoriza, de fráguas alcantiladas, de uma ribeira que a isola da povoação, mas a que uma ponte certamente centenária lhe permite aceder. Os penhascos, a vegetação autóctone, apesar da acácia australiana que teima em persistir e a ponte, talvez romana (?), talvez, tornam-na num passeio apetecível, apesar de atualmente pouco procurada.

 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015.jpg

 

Pois falo precisamente da Fonte do Salto e da Ponte do Salto.

 

Foto original de D.A.P.L Junho 2015.jpg

 

Acede-se a ela por um caminho que durante séculos terá sido via de transporte importante para pessoas, mercadorias e animais. Atualmente até de carro.

Recentemente, por incumbência da Junta de Freguesia, foi valorizada pela limpeza da arca da água que tem na parte superior e embelezada, qual noiva, pela pintura a branco e amarelo oca, cores tão características e tradicionais na região.

Merece uma visita!

Um garrafão ou garrafa para trazer e beber água fresquinha e a caminho.

Arriba! Que se faz tarde!

E, a propósito de caminhar…

A organização de uma caminhada em que se proporcionasse a conterrâneos e forasteiros um passeio pelas fontes da Aldeia seria uma boa sugestão. Não propriamente no Verão, que está muito calor e tudo muito seco, mas na Primavera em que o enquadramento paisagístico é exemplar.

Quem fala em fontes, poderá sugestionar: “Por pontes, passadeiras e fontes…”

 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015.jpg

 

Bem perto da Ribeira do Salto, outro excerto da Ribeira, também agradável, é a Ribeira da Lavandeira, onde existem umas artísticas passadeiras e a que se acede por uma calçada.

Também bastante antiga. 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015.jpg 

 Nota Final:

As fotos são todas originais de D.A.P.L.

 Junho 2015.

 

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Sobre aldea da mata

Questões...

Jacarandás

 

Jacarandás

 

Foto2163. Foto de DAPL 2015 jpg

 

 

Florir em Junho ou Maio, conforme o mar

Ricamente adornados de azul – lilás

São beleza estonteante, d’encantar

Nas alamedas exultam jacarandás!

 

Ser vivo, planta duma outra latitude

Raiz e berço no hemisfério sul

Traz à cidade uma nova amplitude

Poema declamado a verde e azul!

 

No Outono é mais verde, verde ainda

Nova juventude recobre o seu manto

D’ estações trocadas, mesmo assim linda

Esta árvore, nas praças, é um espanto!

 

Em Março cai a folha, nasce por Abril

Cumpre-se, enfim, destino primaveril!

 

Foto2165. Foto de DAPL 2015 jpg

 

Publicado em “Mensageiro da Poesia” (Boletim Cultural) Nº 118, Maio/Junho 2013.

Boletim Cultural do CNAP - Nº 125 - Ano XXVII - Nov. 2016.

 

Cidades e Jacarandás!

Maio, ainda… As Maias e uma justíssima homenagem!

Sagração Primavera. Sandro Botticelli  pt.wikipedia.org. jpg

 (A Sagração da Primavera, 1482, de Sandro Botticelli. in pt.wikipedia.org.)

 

Maio, ainda… As Maias e uma justíssima homenagem!

Maias Portalegre rádioportalegre.pt.jpg

Maias Portalegre rádioportalegre.pt.jpg

 

Escrever um texto sobre a temática supracitada é algo que venho delineando há algum tempo, mesmo ainda antes de ter sequer o blog.

Pensara, primeiro publicar sobre o assunto em suporte de papel.

Após, termos criado o blog, a respetiva divulgação simultaneamente neste enquadramento, passou a ser também um objetivo. Só que, escrever, por vezes traduz-se num parto difícil.

 

Já pesquisara sobre o assunto por várias vezes, recolhera documentação… Mas houve diversos condicionalismos que impossibilitaram a escrita: falta de tempo, mudanças de atividades, viagens e, algo que por vezes me atormenta, não localizava as fotos nem o manuscrito onde constava o texto original que serviria de mote para o assunto a abordar. Finalmente, localizei as fotos e encontrei o manuscrito, que transcrevi para computador.

Esse texto, escrito à mão, foi a transcrição do que a prima Teresa “Boa Nova” me contou em 1987, sobre como eram “As Maias”, em Aldeia da Mata, ao tempo da sua juventude.

 

Mas a inércia continuava… (A inércia, não a Dona Inércia de que também já falei neste blog, que essa, abalou...)

 

Outra questão prendia-se com a publicação das fotografias na net, da recriação que foi feita das “Maias”, julgo que em 1984, dinamizada pela prima Teresa com a colaboração de outras senhoras vizinhas da Rua Larga e que documentei fotograficamente.

Mas porquê essa hesitação na divulgação das fotos?!

Maias enfeitadas, foto parcial. Original de FMCL 1984jpg

 (Algumas das participantes na recriação das "Maias" em 1984.)

 

Como todos sabemos, o que publicamos na net, para ser lido ou visualizado em “sinal aberto” deixa de ser nosso. Passa a domínio público.

Por outro lado, as fotos envolvem pessoas, na altura miúdos e miúdas, atualmente adultos e, na minha perspetiva, para divulgá-las acho que deveria pedir autorização às próprias. Só que, na prática, esse aspeto tornou-se na verdade impossível de concretizar, em tempo útil.

Em contrapartida, abordar a recriação das “Maias” e não apresentar fotos era empobrecer muito o assunto. Nem faria qualquer sentido.

E um dos objetivos deste escrito é também homenagear todas as pessoas participantes nessa recriação com realce para a maior dinamizadora do evento.

E as fotos são bastante sugestivas.

Grupo que foi às boninhas. Foto de FMCL 1984jpg

 (Foto do grupo que foi colher "boninhas".)

 

De modo que, atrevi-me a publicar, digitalizadas, algumas das fotos tiradas na altura aos participantes nesse acontecimento, miúdos e miúdas, agora senhores e senhoras, alguns certamente já com filhos na idade que eles teriam à data do mesmo. As fotos não são nenhum prodígio de técnica ou primor de estética, valem fundamentalmente pelo seu valor documental, por retratarem momentos fugazes da Vida e do quotidiano, como tal irrepetíveis. Valem pela sua singeleza, simplicidade, mas também extraordinária comoção que nos podem despertar, pois, enquanto vivos, gostamos sempre de nos recordarmos nos momentos de infâncias felizes e as pessoas mais velhas que participaram, e já cá não estão, deixam-nos sempre muita Saudade.

Mata e Saudade

Penso que as fotos não deixarão ninguém que as visualize, indiferente.

E será que toda a gente ainda se reconhece nas imagens apresentadas?!

Grupo que foi às boninhas  Foto original de F.M.C.L..jpg

 (Outra imagem do grupo que foi às "boninhas".)

 

De qualquer modo e após ter refletido e tomado a decisão de expor as fotos, se alguém de entre os que nelas estão presentes não concordar com a respetiva publicação, pode dar-me conhecimento e eu retirarei a foto do modo público. O meu mail segue anexo também para esse efeito. (fcaritamata@hotmail.com)

 

E com todos estes hiatos, Maio seguia o seu percurso e este texto teria que ser publicado neste mês e mesmo assim já seguia atrasado, pois a temática enquadrar-se-ia melhor no início do mês…

 

E vamos então às “MAIAS”…

Estas festividades também designadas por “MAIO”, conforme as regiões, são uma tradição muito antiga, de raízes pré-cristãs, sendo-lhes atribuídas origens na cultura romana e também em rituais celtas, milenares, portanto.

Como em muitas outras tradições dá-se um processo de integração de diferentes padrões culturais, verificando-se um processo de aculturação. 

Durante algum tempo, nomeadamente na Idade Média, não foram bem aceites as respetivas manifestações, chegando a serem proibidas em Portugal.

Também num contexto cristão foram de algum modo integradas noutro tipo de festividade, com realce para as Festas da Santa Cruz, que atingem grande expressividade nalgumas localidades portuguesas, com especial destaque para Barcelos.

Na Aldeia, também se mantém a tradição de enfeitar a “Bela Cruz”, no início de Maio, nos cruzeiros de Santo António e de São Pedro, como ainda este ano aconteceu.

 

Mas retornando às “Maias”… que, ancestralmente, celebravam o início da Primavera e o final do Inverno, ainda que na vida atual, desligada dos rituais agrícolas esse significado possa não ser consciencializado.

Continuam ainda a ser lembradas e comemoradas, num contexto de cidadania atual, em diferentes localidades do Continente, de Norte a Sul, nas Ilhas e também em Espanha.

Das que conheço, que ainda se realizam, ocorrem na Cova da Piedade, Romeira, no 1º de Maio e na cidade de Portalegre, que integrou esta tradição precisamente nas festividades do “Dia da Cidade”, a vinte e três de Maio, conforme documento no início do post.

Mas na pesquisa efetuada, vi referências a festas no Minho, Trás-os-Montes (Mirandela, Bragança), Óbidos, Beja e várias terras do Algarve, para além de localidades dos Açores, onde as “Maias” também são festejadas.

FESTA_DAS_MAIAS_EM_BEJA_2015.jpg

 (In: Mais Beja - Associaçãp para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja.)

 

A forma de manifestação desta festividade ainda que se processe de modos diversos, conforme as localidades, contudo tem aspetos comuns. O principal é o recurso aos enfeites confecionados com flores, sejam as flores das giestas amarelas, a que em muitas zonas se chamam também maios e as boninas, que na Aldeia se nomeiam “boninhas”, ou seja os malmequeres amarelos.

Com diferentes características lá estão as flores amarelas, seja em ramos, em coroas ou em cordões, colares e pulseiras.

Confecção dos enfeites. FMCL jpg

 (A confeção dos enfeites.)

(A prima Antóna Caldeira observava e o Ti Tonho Rei, que me inspirou para um poema que já coloquei neste blog, guardava.) ( aqui)

 

Mas para quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto, deixo, no final, sugestões de algumas ligações para pesquisa…

 

E vamos então… finalmente, ao relato do que me foi contado pela prima Teresa Ferreira Belo, mais conhecida por “Teresa Boanova” sobre o festejar do “Maio” em Aldeia da Mata, nos anos quarenta do século XX.

 

« O Maio de 1940 era assim…

Juntavam-se as cachopas todas, iam colher as boninhas e fazia-se o “Maio”.

Vestia-se a rapariga que fazia de “Maio”, com uma saia rodada, uma balsa para fazer saia balão e o grupo a cantar ia atrás. O “Maio” ia vestido de branco, com uns cordões amarelos ao pescoço, pulseiras nos braços e grinalda na cabeça. (1)

 

E cantava-se:

 

Oh Maio, já lá vai Abril e Maio que a nossa mãe não amassa.

Cantamos uma cantiga, enquanto a fome passa.

Dá dez réis ao Maio para comprar melões

Que as vossas casas são uns casarões.

São uns casarões, umas casarias

Dá dez réis ao Maio, para comprar melancias.

Oh Maio, Oh Maio, Maio das cachopas

Para onde vai o Maio? Vai por essas barrocas.

Oh Maio, Oh Maio, Maio dos anjinhos

Para onde vai o Maio? Vai por esses caminhos.

Oh Maio, Oh Maio, Maio das solteiras

Para onde vai o Maio? Vai por essas barreiras.

Oh Maio, Oh Maio, Maio das casadas.

Para onde vai o Maio? Vai por essas tapadas.

 

No intervalo dos versos dizia-se, “… Dá dez réis ao “Maio” para comprar melões…” e outras vezes dizia-se. “… Já lá vai Abril e Maio que a nossa mãe não amassa…”

 

As pessoas das lojas davam rebuçados, alguns mais ricos, umas frutas, que eram divididas pelo grupo, que já andava com fome da cantoria…»

 

(Teresa Boanova, 1987/08/29)

 

 (1) - Os cordões, as pulseiras e a grinalda eram feitos com as boninas enfiadas com uma agulha numa linha.

 

Arranjo dos Enfeites,  à sombra. FMCL 1984jpg

 (Enfiando as "boninhas" na linha, com a agulha. Destaca-se a D. Dolores exatamente nessa função.)

 P.S.

Este é o texto sobre a temática em epígrafe e saindo ainda em Maio

Maio

Abordando o assunto das “Maias”, com destaque para Aldeia da Mata.

Homenageando todas as pessoas participantes, com especial lembrança das que já cá não estão… Realce à prima Teresa, a dinamizadora desta atividade e de outras ligadas à tradição popular.

Mas também a D. Dolores, em plena atividade, conforme a foto documenta e a prima Antónia Caldeira e o Ti Tonho Rei, mais observadores e ainda D. Maria dos Remédios, também participante na confeção. Já todos ausentes. 

E, para finalizar, haverá melhor maneira de homenagear as Pessoas, que não seja pela lembrança das suas realizações construtivas?!

Parabéns e obrigado a todos os participantes, miúdos e miúdas, à data; atualmente Senhores e Senhoras, pois sem as respetivas participações o "post" ficava mais pobre. Espero que se revejam com Saudade e que gostem!

Das Pessoas mais velhas participantes, também um obrigado muito especial a D. Maria Belo, graças a Deus, entre nós.

Um dia, pode ser que se publique uma versão do tema, em suporte de papel, de modo a alcançar outro tipo de público leitor.

Quem sabe?!

 

 

Experimentar os Enfeites,  com vista da rua. FMCLjpg

 (Experimentando os enfeites.) 

 

 

Alguns links:

Maias

httptreaestoriaeahistoria.blogspot.

Maios em Mirandela

 

 

 

Pastor em part - time

Introdução:

Tenho hesitado na divulgação deste texto. Poético?! Não sei, embora tenha essa pretensão.

“Inspirado” na leitura de Alberto Caeiro e na minha própria experiência pessoal, parafraseando precisamente o “Guardador de Rebanhos”. Simples pretensão!

Escrito nos finais da década de setenta, inédito, atrevo-me a divulgá-lo, cumprindo um dos propósitos por que abri este blog. Dar a conhecer textos por mim escritos, originais, na sua maior parte já publicados noutros contextos e agora também alguns que ainda não o foram, até ao momento, em suportes de papel.

Este texto, em versos sem rima e de métrica não estruturada, é a primeira versão deste tema.

Já na década de oitenta escrevi uma versão rimada, dada a conhecer no blog em 03/12/2014.

 Pastor a tempo parcial

Segue-se o texto.

 

 

“Eu nunca guardei rebanhos

Mas é como se os guardasse.”

Alberto Caeiro

 

PASTOR em part-time

 

‘ Guardei muita vez ovelhas

Mas é como se as não guardasse. ’

Estando junto a elas, no meio delas

Poucas vezes aí estava...

Com elas falava, falando sozinho

Gritava-lhes, estando calado

Ouvia-as, não as escutando.

Batia-lhes, fazendo festas

Acariciava-as, magoando.

Mandava-lhes o cão, que não ia

Ou ia sem o mandar.

 

Se lhes vedava o trigal

Era certo que lá estavam

E teimosamente insistiam.

Se um muro as separava do fruto

Quantas vezes não o galgavam!

Mal cheiravam uma figueira

Ei-las, em louca correria,

Na disputa do cobiçado troféu.

 

E fugia o rebanho todo…

Só os pequenos e fracos se atrasavam.

 

Pela água era a mesma coisa.

E muitas vezes morriam

Após barrigadas de figo ou embudo.

(São assim as ovelhas.

 Sempre em rebanho!)

 

Por vezes lutavam à cabeçada,

Duas a duas,

Os carneiros principalmente…

Troque, troque… troque

Embatiam os crâneos um contra o outro.

E recuavam…

Para ganharem impacto para novo combate.

Troque, troque, troque…

Até fazer sangue

Por entre os cornos.

E um se dar por vencido.

 

No Verão, mal o sol começa a aquecer

Pelas nove, dez horas

Lá vão elas, cabeça baixa…

Badalum, badalum, badalum…

Em fila indiana,

Pelo carreiro de todos os dias,

Para o acarro.

O sobreiro ou a azinheira de sempre.

 

Na Primavera, os campos cheios de erva

Dá gosto vê-las espalhadas pelas abrigadas

Pastando ao sol.

É um mar de ondas brancas, calmas

Por entre o verde da relva.

Os filhos dormitam,

Manchas mais brancas ainda,

Reflexos de luz em mar de palha.

Nesta época não há quem as tire da pastagem.

 

Era então…

Que o sol

O fascínio da luz e da cor

A sinfonia das rãs, dos grilos e aves

O perfume das mil e uma ervas

A confusão dos sentidos

Me afastavam do rebanho

Estando no meio dele.

 

O silvo dos comboios era o convite

À viagem.

O esvoaçar duma águia

O passaporte assinado.

 

O oriente e a serra

A miragem do azul e do mar

Eram o meu Destino.

 

E então, partia…

 

 

Escrito em 1979.

 

 

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