Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
Neste momento, não sei o nº de ordenação destas quadras populares / tradicionais.
Terei de ver, em ambos os blogues, o último conjunto que numerei. Corrigir/Completar as que anteriormente também não registei, até chegar a estas e seguintes.
Ultimamente tenho vindo a coligir quadras, ditas por D. Maria Belo. Algumas já terão figurado em "De altemira fiz um ramo". Também tentarei verificar isso.
Espero que goste.
Foto? É de Portalegre. Não é de jardim. É de Rua que dá acesso à Sé.
(Os versos nem sempre são de 7 sílabas. Embora seja a métrica dominante.)
***
(Entretanto fiz a pesquisa sobre ordenação das Quadras Tradicionais de Aldeia da Mata)
Lançamento de Livro, em Portalegre: Hotel José Régio
Como divulguei, em postal anterior, no dia 19/07/2025, passado sábado, foi lançado o livro “Quadras Tradicionais”, de Deolinda Milhano. No Hotel José Régio, espaço original da Cidade de Portalegre, onde, nos últimos anos, têm sido apresentadas as sessões de “Momentos de Poesia”.
Parabéns e Muito Obrigado a todos os participantes, promotores, “construtores”, colaboradores, diretos e indiretos desta produção poética, deste evento cultural, que muito valoriza a Cidade.
Especial realce à sua Autora – Drª Deolinda Milhano – pois este trabalho envolveu anos de pesquisa, diversos locais, múltiplos participantes, recolha, organização, escrita, materializada e concretizada, no Livro, ora apresentado pelo seu Prefaciador – Professor João Ribeirinho Leal e pela própria.
“Quadras Tradicionais (e não só) Um Património a Preservar”; Edição de 2025; Capa de Joana Nunes; Paginação, Impressão e Acabamentos: Fortisgraf – Artes Gráficas, Lda. – Portalegre.
Sobre o Livro, nada como citar participantes diretos:
“…. Ao divagar pelas páginas deste livro senti bem perto e bem forte o pulsar do coração português e pude fazer uma curiosa e muito agradável viagem pelas colinas dum passado em simultâneo tão presente e tão distante…” 08-04-2025 – Professor João Ribeirinho Leal. (Citado do Prefácio: “Duas Breves Palavras” – pag.5)
“…As quadras tradicionais ou populares, são textos curtos e simples, tal como os provérbios, que por vezes dizem muito, mas a que não se presta grande valor, contudo elas reflectem sobremaneira a sociedade, essencialmente a rural. Têm a ver com o quotidiano. Elas ensinam, revelam valores e comportamentos. Trata-se de uma tradição muito antiga. A sua riqueza, tal como a dos provérbios, varia consoante a classe social originária. Podendo ser mais simples ou mais erudita. (…)” – Drª Deolinda Milhano. (Citado de “Introdução” – pag.7)
Voltando à apresentação do Livro. Gostei muito de estar presente e de ver muitas das Pessoas que enquadram “Momentos de Poesia”. Renovados Parabéns e Agradecimentos.
(Estranhei a não presença de Órgãos de Comunicação Regional. De ninguém representante do “Poder Local”! Embora também não ache primordial, todavia considero que, estes Eventos, pelo Valor que têm, merecem outra divulgação e relevância. É também o que se passa com a Poesia e sobremaneira a Poesia Tradicional!)
(As visualizações ocorreram praticamente só no dia do destaque.)
Neste mês de Junho, mês dos “Santos Populares”, a rubrica Quadras Tradicionais III teve 562 visualizações. Este conjunto de quadras versam precisamente essa temática.
Associadas também as “Quadras Tradicionais I” = 45.
As rubricas que têm visualizações mais ou menos regulares, figuram também.
Ilustrado com fotos de “Altemira”, do quintal. Fotos originais, para compensar quando publiquei o postal das Quadras Tradicionais III não ter utilizado fotos minhas, que não tinha, nem sabia tirar fotos, à data.
A foto que utilizei foi retirada da net. Se reparar na flor, verá que é “singela”, apenas tem um conjunto de pétalas formando a corola. As que apresento hoje são compostas: várias pétalas constituindo a corola.
Resultam estas “cantigas” de uma recolha efetuada em 1982! Tenho-as manuscritas, com as palavras na forma como me foram ditas oralmente. Nesta transcrição escrevo-as respeitando a ortografia atual.
Continuamos deste modo a homenagear a Poesia, a Poesia Tradicional e os seus Autores, cuja origem se perde na memória dos tempos. Fica o registo dos seus transmissores, desconhecendo eu completamente se seriam originais, mas julgo que não.
(A Srª Catarina Matono também me relatou vários contos tradicionais, que tenho manuscritos.)
1 – Estas cantigas foram recolhidas por uma Senhora de Aldeia da Mata, neste Outono de 2016, e que nos pediu o favor de não divulgarmos o respetivo nome.
2 – Como pode verificar, já vamos no sexto conjunto de “QuadrasTradicionais” e temos vindo a alargar o leque das respetivas Fontes.
3 – A Senhora designou-as precisamente por “Cantigas ao Desafio”, conforme de facto o eram. Subintitulei-as como “Cantigas de Amizade”. Porque elas são um Hino à Amizade!
Uma memória dos que ainda estão connosco e lembrança dos que já se ausentaram. Que para esses também se reporta a nossa estima e recordação.
4 – Estas são tipicamente de “Cantigas ao Desafio” e a respetiva sequência, organizada pela Senhora, induz-nos precisamente nessa metodologia de cantar.
Quando os grupos das raparigas e de rapazes cantavam, fosse nos arraiais, nos bailes, em lazer; ou no trabalho, nos ranchos das azeitonadas ou noutras atividades campestres, quando os trabalhos eram quase totalmente manuais. Também nas idas e vindas para e do campo, nos trabalhos diversos, conforme já mencionei em “Quadras Tradicionais IV”.
5 – A 1ª “cantiga” é original da mencionada Senhora, como forma de introduzir o “Desafio” com D. Maria Belo, em quem se inspirou.
6 – Da nona “cantiga” / quadra, D. Maria Belo apresentou-nos uma outra versão. Situação corrente nestas “cantigas”, em que, por vezes, são apresentadas versões ligeiramente diferentes, conforme também constatámos na Revista “A Tradição”.
*
“Vai de roda, cantem todos
Cada um, sua cantiga
Primeiro é a do rapaz
Segundo a da rapariga.”
7 - E, para finalizar, espero que tenha gostado!
8 – Mais uma vez, ilustro com uma foto original de D.A.P.L., obtida no “nosso quintal”, em 2015.