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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“O Milagre das Rosas” (I)

E do regaço brotaram… rosas?

 

Isabel de Aragão, Rainha de Portugal, saía, com suas damas de companhia, do castelo, palácio onde vivia e estava estabelecida a corte. No séquito de mulheres que seguiam a rainha, nas suas visitas pela cidade, iam todas vestidas de burel penitencial, dada a época do ano, Semana Santa e o propósito da saída precária do confinamento: dar de comer aos pobres.

Aproveitavam a ausência do Rei que teria ido para as suas caçadas noturnas, não sabemos se de javalis, se também de javalinas.

Castelo. Óbidos. Foto original. 2019. 04. jpg

Mal se haviam deslocado da antecâmara do paço para o exterior, logo se ouve o tropel de vários cavaleiros, comandados pelo Rei.

Estancaram as montadas, na entrada do alcácer, frente às damas, que estremeceram num frémito de temor e prazer, face aos mancebos e homens de montaria do Rei. O próprio: Dom Dinis, Rei de Portugal e dos Algarves!

Só Isabel permaneceu impávida e serena, perante o marido, senhor e rei. O avental arrebanhado no regaço, onde levaria pães, carcaças, pães alentejanos, ou de rio maior, para distribuir pela pobreza das ruelas e becos que rodeavam o castelo, um emaranhado e intrincado labirinto de habitações, mal acabadas, aonde pensavam dirigir-se.

 

Aliás, todos os que pediam de ofício, pobres, mais ou menos necessitados, também aleijados ou doentes, de qualquer maleita ou defeito de fabrico ou de vida, já deambulavam nas redondezas da barbacã, onde abancavam, mal sabiam da presença da Rainha no paço. Sempre esperando a sua possível saída. A fama de santidade já a aureolava, circulando nas redes sociais da época. Boca a boca, o diz que disse, e assim por diante. Alguns pregões nas tabernas, beatas nas igrejas e capelas.

 

Como e porquê o Rei chegou antecipadamente, sem ser previsto, vai lá saber-se…

Como, já sabemos. Veio a cavalo.

Porquê?! Talvez algum mensageiro, desejoso de lhe agradar, tivesse comunicado com Dinis, avisando-o da saída do confinamento da Rainha. SMS também havia na época: pombos correios. Não sei se outros meios.

Certo, certo, é que ainda o sol mal despontara para as bandas de Espanha, e a Rainha se ausentava…e, Dinis, o Rei, a interpelava:

- Onde ides, Isabel, tão fresca e airosa, ainda o sol mal nasceu?!

- E que levais no regaço, tão atafulhado?!

 Logo, não apenas uma, mas duas perguntas, a exigirem resposta.

E que respondeu Isabel, a Rainha, a Dinis, o Rei?

(As respostas ficam para próximo postal.)

(Na localização da ação, deste micro conto, imagino o castelo de Estremoz ou o de Óbidos, ambos locais onde Dona Isabel esteve, quase de certeza. Óbidos foi prenda do Rei, como dote e em Estremoz foi onde morreu. Como não tenho nenhuma foto do Castelo de Estremoz e várias do de Óbidos, vai mais uma fotografia do Castelo de Óbidos, a ilustrar o postal.)

*******

o-milagre-das-rosas-ii

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“Hospital Real” – 15º Episódio Television de Galicia - Parte I

Série da RTP2

6ª Feira 18/09/15

Parte I

hospital-real_foto-historica in www.clag.es.jpg

 

Bem, e terminou a série! Terminou?!

Pelo menos é dada como terminada, pelo menos por agora. Pois ficou quase tudo em aberto. Certamente para quando tiverem tudo a postos para a subsequente temporada. Que é essa a estratégia dos guionistas das séries.

 

E vamos jogar com algumas personagens… parafraseando-as como se situassem num tabuleiro de xadrez. E pressupondo até que haverá uma possível continuidade na Série...

 

O par Dom Andrés - Dona Irene, permite continuidade na Amizade, que os amigos são para as horas difíceis.

No Amor não se sabe, agora que ele lhe revelou o seu segredo, de que tem a mulher enclausurada, sob vigilância, forma que encontrou para a proteger de si mesma, resguardar a filha desse conhecimento e confronto com essa realidade cruel, de a expor aos outros ou enviar para um hospício, que seria matá-la em vida.

Por enquanto, Dona Irene fica no Hospital, mas a sua permanência deverá ser sujeita a votação do Cabido, que reunido extraordinariamente e já com a presença de Padre Bernardo, Capelão Mor, votou que ela deveria ser entregue à Justiça Civil e entregue ao Alcaide. Porque, Bernardo, liberto do calaboiço da Inquisição e seguindo a sugestão de Doutor Devesa votou de acordo com a cascavel Somoza e a víbora Úrsula. Tendo-se abstido Dona Irene, porque ninguém pode ser juiz em causa própria, é só fazer contas. Apenas dois votos a favor de ela permanecer no Hospital.

Mas numa jogada tática de xadrez, o rei branco, Dom Andrés, face ao rei preto, Mendonza, que, afinal, é apenas segundo Alcaide, condição de bastardo, determinou que a rainha branca, Dona Irene, fosse presa, sim, mas na prisão do Hospital.

E neste ínterim até que surja nova temporada, muita água irá correr debaixo das pontes. E quem sabe, irá Dona Irene salvar-se das garras do Alcaide, que o que realmente pretende é atingir o Administrador e ocupar o seu tão cobiçado cargo. Rei contra Rei.

 

E Mendonza ser efetivamente condenado por mandante dos crimes já cometidos, quiçá mesmo como autor dos mesmos, dado que a máscara usada pelo criminoso foi encontrada na sua própria casa, pelos homens do Arcebispo, Malvar de nome.

 

Arcebispo que desse facto teve conhecimento pela denúncia efetuada por Duarte, o verdadeiro assassino, mais uma vez fazendo-se passar por Doutor Alvarez de Castro. E as consequências que essa delação teve!

E dado o poder que tinha no contexto da História e a Classe social a que pertencia, à época; e nesta história, sob a perspetiva de xadrez, quando joga, como que peça joga o Arcebispo?

Só pode ser bispo branco, não acha?! O seu ataque é contra o rei preto e, taticamente também se opõe ao bispo da mesma cor.

E quem será o bispo negro?

 

E, esta forma de relatar o episódio de ontem, como se de uma partida de xadrez se tratasse, foi-me sugerida a partir do diálogo de Mendonza com Dona Elvira.

Que o texto e os diálogos nesta série estão muitíssimo bem trabalhados. A vantagem de ser também uma língua irmã da nossa melhora ainda a situação.

E, Dona Elvira, que peça prefigura?

Sendo aliada, dependente e interdependente do rei preto….

 

E, agora, Duarte que, ao longo de todo o enrolar/desenrolar do enredo, foi ganhando um protagonismo cada vez maior, construindo e desconstruindo a história.

Numa perspetiva de xadrez, em termos de importância relativa no Hospital, será apenas um peão. Mas estes, por vezes, põem em xeque o rei e, neste caso, o rei preto, Mendonza, foi por ele colocado nessa situação. Não foi xeque-mate, que por mim, e fora eu o guionista, já teria sido. Duarte matar Mendonza e assim faria justiça pelas próprias mãos. Só que o rei preto tem poder, que usa de múltiplas formas e Duarte, apesar de o enfrentar, dele também tem medo. E podemos mencionar que, na forma como atuou, fez uma jogada muito inteligente.

E Duarte, sendo peão, será preto ou branco? Penso que de ambas as cores, conforme com quem joga.

E tem sempre a vantagem de, como peão, passar despercebido.

Peões que, muitas vezes, vão comendo peças importantes do xadrez, e foi isso que ele foi fazendo, assassinando-as.

 

Com Olalla, é peão branco, em silêncio a ama, ou não fosse ele mudo, com desvelo a recolhe e ampara, quando foi atirada do varandim.

Será que ela se vai salvar?

E já que estamos em Olalla, que esta história é um novelo, foi ela atirada para o fosso das escadarias, por Clara, despeitada?!

E será que a nossa mocinha, salvando-se, vai voltar para o herói?!

 

E, eu, mais do que narrar o que aconteceu ontem ponho-me a especular sobre o que poderá ocorrer num futuro, que nem sei se virá a existir, pois nem sei se haverá outra temporada…

Mas a narrativa tem poder… e leva-nos por caminhos que não prevíramos. E para Santiago também há muitos Caminhos, embora todos se dirijam ao mesmo Lugar Santo: o Túmulo do Apóstolo.

E os Caminhos para Santiago continuam atualmente também perigosos, tal como em finais de século XVIII. Que o diga a turista americana que desaparecida há meses, já foi encontrado o corpo em local ermo, indicado pelo próprio assassino, entretanto preso.

 

E já que estamos em assassinatos, de que esta série está cheia, e de mortes, mesmo de crianças e de recém-nascidos, que estamos numa época de grande mortalidade, para mais agora em guerra, e o que ainda estará para vir, se a história continuar, que a História continuou e nós sabemos o que foi em Espanha, nos anos que se seguiram e em Portugal também, que Napoleão, à data desta história, 1793, ainda não chegara ao Poder, na França Revolucionária, mas, em breve, lá chegaria.

E quem chegou agora à narrativa foi o nosso herói, o nosso Daniel, Doutor Álvares de Castro.

Herói, anti-herói, salvador de vidas, tem, agora, a vida em perigo, arrastando-se, ferido por golpes de navalha desferidos por Mendonza, rei preto. Nesse arrastamento, estica e ergue o braço na direção da câmara… pedindo ajuda… querendo alcançar algo (?)… ou suplicando ao guionista que não o mate, que lhe dê mais uma oportunidade, tal como pediu a Clara e que continue o seriado?!

 

Não sei! Saberão os/as estimados/as leitores/leitoras?

 

O que ele também não sabe é como pode ser Pai de alguém que está ainda por nascer, sabendo ele que não foi visto para o assunto, embora tenha sido chamado, porque Clara o chamou, e por diversas vezes, só que ele não ouviu, fez que não ouviu, viu e não viu e, deste modo, a que deveria ser só sua mulher, foi mulher de outro, que dela fez mulher e, pelos vistos, irá fazer mãe.

Quando esta lhe disse, porque decidiu que o filho seria do pai que ela quisesse, Daniel ficou parvo de espanto, mudo de estupefação, branco de pasmo! Só não desmaiou, porque os homens não desmaiam; só não caiu para o chão, porque os heróis não caiem, embora ele tivesse terminado arrastando-se, como já referimos, mas para a câmara. E, os heróis, mesmo caindo, levantam-se sempre, que era assim que acontecia nos filmes de cow-boys, em que o herói tinha sempre sete vidas e até se desviava das balas.

Só que ele não se desviou dos golpes certeiros da navalha de Mendonza, equivocado sobre quem o tinha denunciado ao Arcebispo, porque Duarte, peão, fizera jogo de Rei.

Daniel, herói, de papel principal, torna-se vítima.

E que peça de xadrez?!

Por mim, acho que cavalo branco, ou não fosse ele herói.

Os heróis montavam sempre um cavalo dessa cor.

 

E quem montará o cavalo preto, isto é, quem representa essa peça no tabuleiro do xadrez da política hospitalar?

Eu acho que, neste momento da narrativa, essa peça já foi comida. E pelo peão.

Era, só podia ser, na minha perspetiva, o pai do nosso herói, que também montava a cavalo, já que era nobre, e essa era uma das funções dos nobres, montarem a cavalo, terem cavalos para as guerras dos reis, formarem as cavalarias.

Dom Leopoldo, era o cavalo preto, entretanto já comido e fora do tabuleiro.

 

E a Enfermeira Mor, Dona Úrsula, que peça simbolizará?

Dada a forma como se desloca no tabuleiro do Hospital, o peso pesado que é o seu corpo naquelas vestes de monja, e as ações que pratica, só pode ser a torre preta.

 

E há alguém que simbolize a torre branca?!

Só pode ser...

 

Dona Elvira de Santa Maria, fidalga de nobre e antiga linhagem, só pode ser...  a rainha preta.

 

Bem e vou voltar ao princípio, fechando o círculo, que vou terminar este post, para o publicar.

Mas vou terminar a narrativa? Tão incompleta, face a tudo o que se passou ontem?!

Não! Descansem caros leitores e leitoras, que ainda vou voltar.

Irei continuar a contar esta estória, a partir da história de “Hospital Real”, mergulhando também, e algumas vezes, na História.

Só que o poder da narração vai-me levando por caminhos diferentes dos que delineara, esta foi a forma de Caminho que encontrei. Não sei se será o francês, se algum dos espanhóis ou algum dos portugueses.

Mas há outras formas de contar, que isto de que quem conta um conto…

E ainda fica muito por contar, como dizia a minha avó e também Xerazade!

 

E ainda vou voltar para contar sobre personagens e aspetos de que não falei.

 

hospital-real_presentacion-en-santiago.jpg

 

Deixo-vos esta foto do grupo de atores que representou o enredo da série.

Mas não consigo identificar todos, personagem - versus ator/atriz.

Por ex. Úrsula, Alicia, Duarte,…

E há uma figura feminina por detrás de outras que não sei quem é…

E muito obrigado por terem a amabilidade e paciência de me terem lido até aqui.

Bem hajam!

Leia também sobre o 16º Episódio, SFF.

 

 

 

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