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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

"Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódios 1 e 2

“Un Village Français

(Episódios Globais nºs 37 e 38 – 19 e 20/05/2016)

RTP 2

 

Trabalho obrigatório In.frenchcinetv.com

 

“Travail obligatoire” – “Trabalho Obrigatório”

23 Setembro 1943

 

“Le jour des alliances” – “O dia / O momento / O tempo das alianças”

24 de Setembro de 1943

 

A ação decorrendo ainda e sempre em Villeneuve e arredores, desenrola-se já em 1943, tomando a guerra outros rumos.

Que o próprio Heinrich Muller, cada vez mais dependente da morfina, ainda assim tem a clarividência de dar a conhecer à sua amada Hortense, que irão perder a guerra. Estão sempre a perder tanques, sem possibilidade de os recuperaram. Por cada um que perdem, os americanos e os russos constroem dezenas deles. É uma questão de matemática!

A “batalha de Estalinegrado” terminara, em Fevereiro de 1943, com a rendição alemã.

A “campanha do Norte Africana” também terminara com a derrota alemã, em Maio.

A “campanha de Itália” iniciara-se em Setembro.

Estava imparável a vitória dos Aliados, mas ainda demoraria quase dois anos.

 

Necessitando de “carne para canhão”, para lutarem na frente Leste, os nazis precisavam de homens para combaterem. Para isso requisitaram todos os jovens franceses de 20 anos.

 

Em Villeneuve o novo presidente da Câmara, Philippe Chassagne, personagem peripatética da ópera bufa que era a república de Vichy, coadjuvado pelo servil Servier, promoveu uma festa na Escola, para apresentação dos jovens a enviar para a frente, ao serviço dos nazis. Escassa meia dúzia, cabisbaixos, tristeza em pessoa, cara de quem sabe que vai buscar a morte, como carneiros para o matadouro. Alguns algemados, que os jovens que podiam fugiam a essa incorporação no exército alemão, tornando-se refratários.

E os jovens refratários são um grupo de novos personagens que emergem na narrativa e na história.

Em oposição, o discurso empolgado, encomiástico aos alemães, do presidente, seria um texto de comédia, não fora a situação trágica que se vivia, de jovens arregimentados para o massacre, em que se tornara a frente Leste e posteriormente todas as zonas de guerra. Nada de heroísmos, apenas mortes aos milhões, na loucura a que um “cabo militar” levara toda a Humanidade.

Esta situação é o mote para o título do Episódio um: “Trabalho obrigatório”.

Foto presidencial tvmag.lefigaro.jpg

Neste episódio e sequencialmente ao discurso do novo e empolgado presidente, este sofreu um atentado. Foi alvejado por um tiro, disparado por um supostamente varredor, que se entretinha no pátio da escola, a fazer que varria, enquanto sua excelência presidencial se ajeitava nas fotos do acontecimento, com a sua esposa Jeannine, ex-Schwartz.

O atirador conseguiu fugir, seria certamente membro de algum grupo resistente, não sabemos qual.

 

A Resistência vinha ganhando mais adeptos e promovendo também ações de guerrilha. Os comunistas, a partir de ideia de Suzanne, planeiam atacar camiões alemães, que sabem trazerem armas. Se planeiam, aprovado pela direção do partido, passarão à execução e o assalto é concretizado. Não sem baixas, que Julien acaba por morrer, por falta de assistência médica, de todo impossível, que as condições de vida dos Resistentes eram duríssimas. Mas os alemães perderam três soldados e acréscimo de desânimo, que isso levou à afirmação anterior do psicopata, Muller, que ainda há poucos meses se considerava invencível, superior a tudo e todos. E até tinha que ouvir reprimendas do comandante militar alemão, Kollwitz.

Nesta sequência, o tresloucado impôs à cidade de Villeneuve, a deportação de mais cinquenta cidadãos, com a anuência complacente de Servier e o entusiasmo idólatra e bajulador do presidente Chassagne! (Que apresentou as condolências ao SS, em nome da cidade!!!)

 

O Episódio 2, intitulado “Le jour des alliances”, que traduzi por “O dia / O momento / O tempo das alianças”, pode transportar-nos para a emergência política da realização de acordos, alianças, entre os vários grupos de Resistentes: comunistas, gaulistas. E, agora, também aliar, juntar à Resistência, os jovens refratários, ideologicamente meio perdidos, mas esfomeados e a necessitarem de um enquadramento estruturante das suas errâncias. Foi o que visualizámos no final do 2º episódio em que reapareceu Marie Germain, comandando um pequeno grupo de “partisans”, “maquis”, chegando ao acampamento improvisado e rudimentar dos jovens refratários, provavelmente aliciando-os para a “Resistência”. Aguardemos.

Também nos pode remeter para a situação conjugal de Suzanne, da célula comunista, que sendo casada, mas cujo marido estivera preso durante três anos e que, tendo fugido, agora reapareceu, pretendendo reatar o casamento e saber da aliança de casamento que ela já não usava, desde aquela célebre morte encenada, pelo seu atual namorado, Marcel Larcher, supostamente seu executor. Mas tudo isso aconteceu no final da 3ª temporada, em Novembro de 1941. Muita água passou por baixo da ponte de demarcação.

Vimos que, após muita reflexão e análise entre os vários intervenientes, ela acabou por devolver a dita aliança ao ex-marido.

 

E explicado o enquadramento dos títulos, aproveito para abordar sobre a estruturação narrativa, no respeitante ao prólogo e ao final.

Também nestes dois episódios observei que se mantém a ligação que já referi em post anterior.

(Provavelmente tem sido assim em todos, só que eu, dado não ter visto a série completa, nem sequer vários episódios na totalidade, só agora constatei esse facto. Irei continuar a observar esse aspeto.

É como se a narrativa girasse em espiral, em torno de um leit-motiv, e, no final, circundasse paralelamente esse tema.)

O 1º episódio iniciou-se com o caso de Antoine, na serração, com Raymond, seu cunhado, problematizando a questão do serviço militar, da sua isenção ou fuga para a Suíça.

O final, após as diferentes peripécias do enredo, termina na ida de Raymond à casa abandonada por Crémieux, onde deixara Antoine escondido, no intuito de o levar para a Suíça, já não o tendo encontrado.

O 2º episódio continua com a temática dominante dos “refratários”. Inicia-se com a fuga de Antoine e de Claude, igualmente refratário, pelas ruas da cidade e a subsequente perseguição que lhes é movida pelos “gendarmes”, que os mandam parar, apontando-lhes as armas. Logrando eles, todavia, escapar.

O final, já o abordei parcialmente. Estavam os vários jovens no acampamento improvisado, subitamente invadido pela chegada do camponês a quem eles haviam roubado galinhas, de espingarda em punho. Acompanhado de mais guerrilheiros, comandados por Marie.

Resta-nos saber qual vai ser o destino que lhes cabe.

Por mim, penso que vão engrossar as fileiras da Resistência.

O que acha?!

Só têm a ganhar com isso.

 

E estes dois episódios e deduzo que também os subsequentes, centram-se bastante na importância crescente da Resistência. Esta 5ª temporada intitula-se precisamente “Escolher a Resistência”.

 

E sobre outros personagens?

 

Surgiu uma nova personagem em cena, na Escola, na pessoa de uma nova professora, colocada a meio do ano, para a música.

Suscitou principalmente a curiosidade e desconfiança de Lucienne, que não esteve com meias medidas, enquanto não soube o conteúdo de uma carta que a professora, de nome Margarida, recebera do suposto marido preso num stalag.

Arranjou um pretexto para ir ao quarto da rapariga arranjar-lhe a persiana, de a mandar sair a buscar um pano para limpar as mãos e lá está ela a abrir a carta.

Lida esta, confirmou ser de teor diferente e não haver ali marido algum.

Continuou de intriga com o marido que falou com a moça, que também não é menos curiosa que Lucienne e o que quer é saber se Bériot pertence à Resistência.

Ele negou, que todo o cuidado é pouco, apesar de ela lhe apresentar dados aparentemente fiáveis.

Vejamos o que dali sairá, que agora, e pelo menos, o que constatamos são muitas mentiras, ou, pelo menos, apenas meias verdades.

 

Sobre Marchetti, a quem já tínhamos atribuído algum crédito positivo, no final da 4ª Temporada, pelo apoio dado a Rita de Witte, constamos que não tem salvação possível. Continua o mesmo escroque, a usar e abusar discricionariamente do seu poder.

Matou, a sangue frio e pelas costas, um jovem refratário, como se abatesse um coelho; serve-se de Eliane; pretenderá enquadrar Bériot no atentado ao presidente, para protelar a pesquisa sobre a morte do soldado alemão, na fronteira Suíça, que, como sabemos, foi de sua autoria, para que Rita seguisse a sua viagem para a Liberdade.

 

Sobre Muller já sabemos que entrou num abismo de loucura e dependência da droga, consciente que a guerra está perdida, é só uma questão de tempo, e arrastando Hortense com ele.

Esta agarra-se-lhe, como se não houvesse mais luz no universo, vai implorar morfina ao ex-marido, que, agora mais lúcido, lha nega.

Não desiste, cede à fatalidade da sua condição de mulher e oferece a aliança, para o subalterno do amante ir adquirir droga ao mercado negro.

 

Hortense tequiero in. lamagiedeslivres.skyrock.com

 

E já que falámos do médico, Daniel Larcher, sabemos que reside noutra localidade, Moissey, faz consultas em Villeneuve duas vezes por semana, e costuma trazer o pequenote Tequiero.

E foi comovente ver o miúdo a correr para a mãe adotiva, Hortense, e esta abraçada a ele.

 

E ficamos por aqui, aguardando próximos episódios e temporadas!

 

 

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódio 11

“Un Village Français

 

(Episódio global 35 - 17 de Maio de 2016)

RTP2

“La Souriciére” – “A Ratoeira / A Armadilha”: 12/11/1942

 

 

Na apresentação de cada episódio há uma estruturação técnica sempre comum, sob vários aspetos. Um deles é um introito em que, de algum modo, nos ligamos ao episódio anterior e ao que vai ser apresentado a seguir, como se fosse um leit-motiv do mesmo. No final, também nos apresentam algo que nos deixa em suspense para a temática do episódio seguinte.

No anterior, décimo primeiro, em ambos estes excertos da narrativa, foi dada relevância a uma mesma personagem, que nestes últimos episódios tem sido destacada no enredo. Trata-se de Rita De Witte.

(Sinceramente, não sei se esta tem sido a metodologia de todos os episódios. Neste, observei-a.)

 

Rita in. television.telerama.fr.jpg

 

Voltando à personagem.

No introito, apresentou-se ela perante o namorado, Jean Marchetti, na subprefeitura, após ter vindo do médico, conhecedora da existência da carta, ignorante do respetivo conteúdo.

Apreensiva, temerosa e com cautela, que muitos dissabores já passou, confrontou-o, muito subtilmente e com cuidado, sobre eventuais notícias que ele pudesse ter da mãe, sem nunca aflorar algo que a pudesse indiciar de conhecimento da missiva. Os medos serão múltiplos e diversos.

A conversa ficou-se por muitas e meias palavras, sentimentos aflorados e retraídos, tensão de ambos os protagonistas, que ele é um personagem cheio de contradições, aliás, próprias de qualquer ser humano, por demais em tempos tão conturbados e incertos. E ela é uma mulher só, num mundo hostil, uma náufraga perdida, em que o amado é um pedaço de madeira, frágil e inseguro, mas o único que lhe ofereceu um amparo e sustento e mais um rebento a nascer.

E que, apesar de todas as improbabilidades, a ama, a quer fazer sua mulher, e ser pai da criança a caminho.

Rita andou todo o episódio ausente.

Foi motivo de preocupação exacerbada do amante, que, inclusive, esqueceu as suas prioridades profissionais, ordenando imperiosidade na sua procura (!)

Dirigiu-se, arrogante e prepotente, a casa do médico Daniel Larcher, arrombou-lhe a porta, agrediu-o, invadiu-lhe os espaços, até ao quarto onde agonizava Madame Morhange, que aproveitou para, no leito de morte, o confrontar com a sua crueldade e cupidez, que fora ele que deportara a mãe da própria amada, a quem ela dera conhecimento do facto.

Desesperado, louco por saber do possível paradeiro de Rita, ameaçou de morte Sarah, chantageando Daniel, que apenas lhe disse o que sabia, que Rita planeava fugir para a Suiça.

Providencialmente, chegou o tão desejado Henri de Kervern, namorado de Madame Morhange, que enfrentou a fera enraivecida, lhe disse, com os punhos, o que ele há muito pedia, que é um pulha, um canalha, um escroque. E estatelou-o no chão.

Só assim a besta fugiu.

 

Marchetti   In. telerama.fr.jpg

 

Fugiu. E foi dedicar-se, de alma e coração, ao frenesim da sua missão. Prender, matar ou enviar para a morte franceses como ele, mas que vem perseguindo já anteriormente ao começo da guerra e da própria invasão nazi. Comunistas, bolcheviques, judeus e agora também os gaulistas. Em suma, os oprimidos e os lutadores pela Liberdade.

À data, já ao serviço dos boches, dos nazis, dos ocupantes. Querendo agradar-lhes, servi-los e dar-lhos como prémio.

Assim montaram a “ratoeira / armadilha” para apanharem os resistentes que se reunirão na quinta de Marie. Mercê da delação de Albert Crémieux, que mantem a sua falsidade e colaboração com os seus próprios algozes até ao fim.

 

Constate-se o aparato nessa armação, com todos os meios que os representantes de Vichy dispunham. Todos os efetivos policiais, exceto Vernet; um batalhão de “gendarmes”, o subprefeito em pessoa, Servier, servil instrumento da ocupação.

E até um novo personagem que tem andado a contracenar com a também fascista, Jeannine, de nome Philippe Chassagne, à procura de protagonismo, finalmente alcançado, que soubemos, foi nomeado novo presidente de câmara, que Daniel Larcher já não servia, nem compactuava com o colaboracionismo.

Todo este aparato para tentarem prender, de preferência matar, mais propriamente, chacinar compatriotas! Que era esse o seu propósito.

Aguardemos o episódio doze, derradeiro desta 4ª temporada.

 

E que viram e vimos nós também no final do episódio?!

 

Um ciclista que se aproximava.

Mais um membro da célula que vinha para a reunião?!

Que apenas houvera chegado um outro ciclista, Marcel Larcher. Comunista, mas muito voluntarioso e idealista, insistira em comparecer, apesar das recomendações de Edmond, mais conhecedor que ele do funcionamento partidário e dos cuidados da clandestinidade. Que um outro camarada, Roger, não comparecera previamente, sinal que haveria algum perigo e a reunião deveria ser suspensa.

O aviso transmitido por Jules Bériot à “menina” da “Maison Berthe” terá sido eficaz.

 

(Muitas, muitas situações ficam cortadas nesta minha narração, mas é de todo impossível transcrevê-las. Também não sou o guionista, não é?)

 

E, voltamos ao ciclista.

Marchetti pediu o binóculo para visualizar.

E quem viu ele, juntamente connosco?

Pois, nem mais nem menos que a sua amada Rita!

E que fará ela, ali, naquele momento tão crucial, agora que estão quase a atacar?!

 

Tanta força e energia, tantos recursos, para atacarem gente quase indefesa e não se voltarem contra os ocupantes que planeiam continuar a invadir a Zona Sul! E que perspetivam os franceses ocupados, como diminuídos.

E aqui bem caberia falar de Hortense... Que bem personifica a situação da França ocupada, face aos ocupantes.

 

Morhange In. a suivre.org..jpg

 

Mas não. Vou terminar com o que previra começar.

A morte assistida de Madame Judith Morhange.

Assistida pelo médico Daniel Larcher, em ambos os sentidos, e pelo seu amado, Henri de kervern.

Ambos choravam.

Antes de se tornar “invisível”, ainda pode contar os horrores que presenciara em Drancy!

(...)

 Un Village Français

“Un Village Français” - Temporada 3 - Ep. 6 – “La Java Bleue”

Uma Aldeia Francesa

Temporada 3

 

Episódio 6 – “La Java Bleue” – 25 de Outubro de 1941

(Episódio 18 – 21 de Abril de 2016)

 

Excerto do texto que escrevi no post anterior sobre este episódio específico:

 

“A rede da Resistência, encabeçada pelo Partido Comunista, continua os preparativos para um atentado contra um oficial alemão, planeando assassinar o comandante, quando ele visitar R. Schwartz.

Daniel tem conhecimento disso e tenta dissuadir o irmão, Marcel, de participar nessa ação.

Kurt é enviado para a frente russa, que estava no auge do ataque nazi, porque o seu relacionamento com Lucienne foi denunciado por uma carta anónima.

Hortense abandonou Daniel e vive no hotel.

O corpo de Caberni, que foi assassinado por Raymond Schwartz, é encontrado.”

 

*******

Na quinta-feira, dia vinte e um, tive oportunidade de ver um episódio completo.

É uma série que merece ser vista com atenção. Ao contar sobre ela não sei se conto pelo lado sério, que a temática assim o pede, se cedo à ironia, que também me apetece.

Guerra sem quartel In. www.allocine.fr.jpg

 Interessante este episódio, pois não sabia o significado do título.

Tive oportunidade de saber.

La Java Bleue” é o título de uma canção tradicional francesa, de 1939. Cantada por Madame Morhange, a antiga Diretora da Escola, que fora expulsa por ser judia, certamente no contexto da designada “arianização”.

Encantou na Festa das “Catherinettes”, raparigas de vinte e cinco anos, casadoiras e prontas a arranjar um marido, organizada na Escola Primária de Villeneuve. Com direito a discurso mais ou menos oficial, por Madame Schwartz, apologista dos ideais da “Nova França”, que é como quem diz do governo fascizante do Marechal (Pétain)!

E a canção estaria na moda, pois era recente e toda agente se pôs a dançar. A começar pelo Professor e Diretor da Escola, Jules Bériot, que depressa arranjou par entre as moças casadoiras. E quase todos lhe seguiram o exemplo, inclusive a Professora Lucienne com o seu amado alemão, Kurt, que viera de folga a visitá-la. (Que a guerra propriamente dita, em 1941, andava lá para a Frente Leste, para onde nenhum alemão queria ir.)

Assim também assumia publicamente o seu Amor, contra maus-olhados, olhadelas de soslaio, preconceitos e mexeriquices.

 

Lucienne Kurt In. www.allocine.fr.jpg

 

E muito haveria a contar sobre este episódio e a série.

 

Sobre o seriado, assinalo o título: “Uma Aldeia...

Pelo movimento, pelos recursos de que dispõe, acho que "Villeneuve" é mais uma cidade. Uma cidadezinha de província, é certo, nada que se compare a Paris, mas “Uma Aldeia” designa mal a categoria da povoação.

O meu reparo está feito.

 

Neste episódio assinalo o preâmbulo: os guerrilheiros comunistas a prepararem-se para matarem o comandante alemão, mas, dir-me-ão, isso já foi referido no resumo do episódio, no início do post.

No decurso do episódio assistimos à perseguição movida a Marcel, que, apesar de tudo, conseguiu escapar de ser preso.

 

Destaco também o início do episódio propriamente dito.

Hortense, teve honras, (ou desonras?) de abertura. Esparramada com Heinrich, na cama do hotel, numa cena ousada (?) de sexo. Cada um faz a guerra à sua maneira e Hortense faz guerra de alcova.

 

E, neste enredo, os personagens uns são mais idealistas, uns mais corajosos que outros. Uns mais heróis, outros situacionistas ou mesmo cobardes. Cada um toma as posições que entende e não há ali personagens neutras, pelo menos é o que me parece.

 

Marcel Daniel in.www.allocine.fr.jpg

 

O marido de Hortense, Daniel, Médico e Presidente da Câmara, pela sua profissão, pelo cargo que ocupa, desempenha papel crucial em toda a cidade. Dedica-se totalmente à causa dos seus concidadãos, ao ponto de se ir apresentar no comando do exército alemão, para ficar como refém, em substituição de todos os habitantes da sua cidade, que estão presos nessa situação, ameaçados de fuzilamento, caso o “ladrão da pistola” não se denuncie!

Herói, à moda antiga!

Concomitantemente, com a mulher, Hortense, que anda de alcova para alcova e ainda tem o desplante de voltar a casa, como se tivesse ido às compras, ao outro lado da linha de demarcação, (talvez a Badajoz comprar caramelos!), Daniel, porta-se, deixem-me que vos diga, como “um verdadeiro banana”! (Por enquanto.)

 

E, nesta descrição, lá estou eu a levar a narração por desvios ínvios. Hesitante em contar com a idoneidade que o tema merece, dado o contexto de guerra atroz, que foi a segunda grande guerra; ou se haverei de desenvolver a estória pelo lado mais mordaz, como, por vezes, a "pena" me pede.

 

Mas se sou tentado para uma abordagem mais ligeira é porque a forma como a narrativa se desenrola me pode levar por esse caminho.

Vejamos:

Decorre uma Guerra, com as atrocidades que lhe são inerentes, mas na série tudo ocorre distante. Em França, pelo menos até ao momento, houve apenas uma “ocupação”, uma invasão, aparentemente, ainda pouco destrutiva! Os efeitos devastadores da guerra ainda não se fizeram sentir. Com o avançar da narrativa esses momentos chegarão... Certamente!

 

Também se fala em fuzilamentos, mas foram noutras cidades. Mas essa ameaça também paira sobre cidadãos de Villeneuve!

 

tortura. Mas a forma com ela é apresentada parece que é apanágio apenas de um alemão psicopata; de profissão, polícia da Gestapo; que a executa como parte do “seu trabalho”, ansioso para voltar aos abraços fatais da mulher do “maîre”.

 

Não! A prática da tortura não era apenas uma idiossincrasia de um homem perturbado e viciado no ópio.

A tortura era o modo generalizado de atuação não só da polícia, mas de todo o sistema fascista que governava a França, sob as ordens e com o beneplácito dos ocupantes nazis. Estes, por sua vez, utilizavam-na sistemática e continuamente, sobre todos os que eles consideravam seres inferiores, com destaque especial para judeus, ou oponentes, caso dos comunistas.

Dir-me-ão. Na série e no contexto dos personagens, o indivíduo que personifica a Gestapo, traduz, na sua representação, essa atuação e, desse modo, significando o todo institucional.

Aceito!

Mas é sempre imprescindível lembrar que a tortura é um modo de operar de toda e qualquer ditadura, de qualquer cor! (Recado especial para o nosso “País Irmão”. Grave, muito grave, gravíssimo! Ao nível a que chegou a situação.)

 

E há ainda a tortura psicológica, moral, social, resultante do opróbrio e humilhação de um País ocupado por tropas estrangeiras; de Cidadãos, orgulhosos e briosos da sua identidade de Nação Independente, a rebaixarem-se permanentemente, para poderem coexistir, com alguma Dignidade!

 

Por outro lado, no guião da Série, há uma relevância acentuada para o lado lúdico da vida. Que até a personagem da Madame Schwartz, delatora, colaboracionista, “pétainista”, fascistoide, defensora da ocupação; comentava para o seu correligionário, o subprefeito Sérvier, que os concidadãos se queixavam da ocupação, mas nunca houvera tantas festas como à data. Isto no decurso e a propósito da “Festa das Catherinettes”.

 

Mas, poderá ser dito: E que quer que as pessoas façam perante a incerteza, a angústia e o medo, naquele contexto espacial e temporal; a não ser divertirem-se, provando e usufruindo dos prazeres da vida, que a morte é certa e pode espreitar na esquina; ao alcance de um tiro de um soldado nazi, de um ataque de panzers alemães ou de um caça transviado, a fazer tiro ao alvo a crianças indefesas, numa merenda com os professores?!

 

E, na perspetiva da Série, que poderão os guionistas inventar para cativar audiências num seriado, a não ser apimentar o enredo com cenas de amor mais ou menos romântico ou paixões proibidas e exacerbadas pelo desvario do desejo?!

Que uma série não é um documentário.

Para isso tivemos a “Queda do Reich”!

 

Mas os tempos que correm, aqui e agora, com tantos milhares de refugiados a fugirem de guerras dessas Áfricas e do Médio Oriente, lembram tanto e de maneira tão acutilante, os refugiados da 2ª grande guerra!!!

É por isso digo que o modo de narrar os episódios da guerra me parece muito suave. Diria “soft”! (Não me queria socorrer de uma palavra estrangeira, mas é a que me surge de momento!)

Mas dir-me-ão também. Não esqueça que a Série é de 2009, bem antes da situação que vivemos atualmente.

Mas, poderei contrapor: O conhecimento do que realmente foi a guerra é algo que não pode ser ignorado.

Dir-me-ão: A ação decorre em 1941 e, à época, a realidade do que de facto foi a guerra, com todo o seu cortejo de horrores, só seria conhecida mais tarde.

(...)

Estão desculpados os guionistas pelo lado “ameno” com que tratam o assunto.

 

A força do teclado, (já não se escreve com penas), levou-me por estes caminhos e sobre o episódio apenas relembro que o corpo de Caberni, que não sei quem seja, apareceu à tona de àgua, a jusante do rio que faz demarcação de território ocupado. Precisamente quando Raymond Schwartz, o suposto assassino, não me questionem como ou porquê, regressava das compras no outro lado, com a sua amada Marie!

Ele não fora simplesmente às compras, mas sim buscar uma encomenda para Crémieux, o judeu a quem adquirira a fábrica de betão e que era oposicionista à ocupação e ao regime de Vichy. Integrando-se num outro grupo de opositores, julgo que os “Gaulistas”. A cujo corpo acho que também pertencia o Professor Jules Bériot! (Questões a deslindar em futuros episódios.)

 

E, para isso, iremos continuar a visualizar a série, sempre que pudermos!

 Temporada 1 - Episódio 6

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