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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“O Gerente da Noite” - “The Night Manager”

Série Britânica

RTP 2

 

Night manager in. amc.com

(Imagem: in. amc.com) 

 

A RTP2 continua na senda de apresentação de boas séries.

 

A atual, “O Gerente da Noite”, uma mini série de raiz anglo-saxónica, igualmente enquadrada no mundo da espionagem atual.

Como a anterior: “Agência Clandestina”, série francesa, concluída 2ª feira, 04/09, a 3ª temporada. Com o lendário agente Malatrou / Paul Lefebvre que, mais uma vez, se escapou das redes das prisões em que se enredou, perdendo-se no nevoeiro de uma madrugada ainda por nascer, acompanhado apenas do seu cão, fiel amigo.

Reportando-nos, sugestionando-nos, uma 4ª temporada?

Antes, apresentara-nos também duas excelentes séries, essas alemãs: “Amor em Berlim” e “Irmãos e Rivais”.

 

Como tenho andado numa de pouco escrever, por variadas razões, não publiquei nada sobre elas.

Retorno, debitando sobre esta nova série, que promete.

Título original: The Night Manager”, baseada em novela de John le Carré. Com atores muito conceituados. E da BBC One (UK), em parceria com AMC (US).

 

Alguns personagens:

Mrº Pine, Jonathan, o gerente da noite, em hotéis super estrelados e locais internacionalmente relevantes. O herói. Antigo soldado no Iraque, onde presenciou horrores; atualmente, candidato a espião ao serviço de Sua Majestade (?), sob o disfarce de gerente da noite em hotéis de luxo. Ator: Tom Hiddleston.

Mrº Richard Roper, ator Hugh Laurie, no papel de um “senhor da guerra”, personagem representativa de figuras reais, que, na sombra e a coberto de capas impolutamente honestas, “vendem destruição, dor e morte”. “E gostam”.

 

Estas últimas palavras, realçadas, são da personagem Miss Sophie Alekam, de nome verdadeiro Samira, tragicamente assassinada no final do 1º episódio, por ter sábia e corajosamente denunciado o conluio entre o senhor das armas e os senhores do poder!

Atriz: Aure Atika, que, na série “Les Hommes de l’ombre”, representou o papel de secretária do Presidente francês.

 

Ação

Temporalmente, no 1º episódio, reportou-se a 2011.

No final do episódio, situou-nos quatro anos depois: 2015.

 

Espacialmente:

Para além de Inglaterra, Londres, a maioria das cenas ocorreram no Egipto, Cairo. Predominantemente no Hotel Nefertiti, onde Mrº Pine desempenhou as funções de gerente dos serviços noturnos, como convém a um candidato a espião. Um dos seus muitos eus, como lhe frisou Miss Sophie Alekam.

 

A narrativa contextualizou-se no âmbito da designada “Primavera Árabe”, na queda do regime de Mubarak, o povo lutando nas ruas da cidade.

(E no que deram as “primaveras árabes”?!)

 

Por detrás ou pela frente, sempre, os “senhores da guerra”, amancebados com os “senhores do poder”.

 

E, no final do episódio, quatro anos após, a ação já localizada na Suíça, Zermatt, hotel por demais luxuoso, Mrº Pine em funções noturnas. E para se hospedar, com adequada e certamente impoluta comitiva, Mrº Richard Roper.

 

“Sou Mrº Pine. Sou o gerente da noite!”

 

Mrº Roper franziu as sobrancelhas e a testa. Atestou! Que a memória terá começado a processar a informação…

 

(…)

 

A mini série promete! Já o disse.

 

*******

 

Promete e vale a pena, como temos observado nos episódios subsequentes.

 

(Este post era para ter sido publicado logo após o 1º episódio, mas questões técnicas impediram tal facto. Entretanto passaram os quatro primeiros episódios, não tendo visto o último.

O 2º e o 3º corresponderam plenamente às expectativas.

Mrº Pine, Pinheiro, está em vias de se infiltrar na comitiva e entourage de Mrº Roper.

Prossigamos na visualização…)

“O Roubo do Códice” - (Reposição)

Mini Série na RTP2

Agosto de 2016

 

Continua o calor. Persistem os fogos. Algumas notícias quentes, mesmo no Alentejo, habitualmente tão pacífico e com tantas festas e festivais.

Lá fora, as guerras, persistem... no tempo!

Crimes hediondos!

Codice Calistinnus in. www.wikiwand.com

 

Como é hábito, a RTP2 volta a transmitir programas já exibidos. Salutar, quando são interessantes! Desta vez, a mini série “ O Roubo do Códice”, “El Codice”, original da Televisão da Galiza, que transmitira em 2015, a seguir a “Hospital Real”.

Sobre os dois episódios escrevi algumas ideias, entrecruzando os personagens da série “Hospital…” com os da mini série “O Roubo…”. Nem sempre de forma direita, por vezes enviesando, como gosto de fazer e também não tendo identificado bem todos os personagens.

Ontem, após ter revisto o primeiro episódio, julgo ter reconhecido o “Padre Bernardo” do Hospital, no desempenho do Juiz, no “Roubo…”. E Alicia, a noviça do “Hospital…”, na empresária do bar, ex-jornalista, a colaborar com os antigos colegas.

Ainda não é desta que escrevo os nomes corretos dos artistas, para o que remeto também para este link, de Galiza.

elenco codice in. www.vertele.com

 

Apresento igualmente fotos do elenco, bem como do livro roubado.

Roubado?!

codice in. elpais.com

 

Veja ou revisite o 2º episódio.

manolo in. www.lavozdegalicia.es.jpg

 

Vale bem a pena, pelo conteúdo da história, a construção narrativa, o desempenho artístico, o contexto espacial e cénico… o enredo, o basear-se em factos reais.

Deão da Catedral in. media.rtp.pt.jpg

 

“Un Village Français” - Temporada 4 – Episódio 4

“Uma Aldeia Francesa”

 

“Une Évasion” / “Uma Evasão” - 23 de Julho de 1942

(Episódio nº 28 – 6ª feira – 6 de Maio de 2016)

 

Desde que se iniciou, na passada 3ª feira, a transmissão desta 4ª temporada, intitulada “A hora das escolhas”, foram apresentados quatro episódios, todos reportados a 1942 e ao mês de Julho:

1 – “Le train” – “O comboio” - Dia 20.

2 – “Un jour sans pain” – “Um dia sem pão”, ou melhor, “Um dia sem comida” – Dia 21.

3 – “Mille et une nuits” – “Mil e uma noites”, parafraseando Xerazade: Dia 22

4 – “Une évasion” – “Uma evasão”- Dia 23.

 

crianças presas in. video streaming.orange.fr.jpg

 

Nesses escassos quatro dias do mês de Julho, em que decorre a ação, desde que o comboio chegou a Villeneuve, com famílias judaicas a caminho de serem deportadas para os supostos “campos de trabalho”, muitos acontecimentos ocorreram nessa prisão improvisada a que crianças, velhos e adultos, homens e mulheres, estiveram temporariamente sujeitos na cidade.

Situações dramáticas, como a da alimentação de tantas pessoas, num contexto de penúria geral na cidade sujeita a racionamento e senhas para compras de bens.

 

(Não posso deixar de me reportar para a realidade e lembrar que essa situação de carência de bens, com especial realce para os alimentares, porque mais imprescindíveis, foi geral em toda a Europa, mesmo nos países que não estavam diretamente envolvidos na guerra. Como, no caso, Portugal, onde o racionamento e o comprar com senhas também foi comum durante o mesmo período.

Todo o trabalho produtivo era canalizado para o designado “esforço de guerra”.

Pasme-se e medite-se sobre a insanidade humana: andar a produzir só para destruir! E além de matar, deixar milhões morrerem à fome. Porque a guerra afetou todos: agressores e agredidos e esta situação dual alterou-se completamente no decurso da mesma.)

 

Mas deixemo-nos de “devaneios”... e não nos desviemos da matriz essencial deste meu contar.

Uma das situações ocorridas, mais dramáticas e chocantes, foi a separação das crianças dos respetivos progenitores.

 

crianças  in. video streaming.orange.fr.jpg

 

Ontem, na parte final do episódio, era suposto que as crianças se juntariam novamente aos pais e mães... Ação resultante do esforço negocial do Presidente da Câmara e de Madame Morhange, a porta-voz do grupo de judeus.

Era suposto... E, inclusive, chegou mesmo a concretizar-se parcialmente. Que Madame Crémieux conseguiu juntar-se com a filha, Hélène, e, ao chegar, anunciou que o autocarro com as crianças já aí vinha.

E é de imaginar o alvoroço, especialmente daquelas mães ansiosas, esperando a chegada dos filhos, mais ainda quando se ouviam os motores de carros se aproximando...

 

E chegaram! Mas anunciando-se com alarido e choque, estacionaram carros de tropas alemãs, soldados e oficial, boches, melhor dizendo.

Chegaram gritando e ameaçando tudo e todos, que o oficial berrou, para melhor atemorizar, que todos iriam pagar, porque houvera uma evasão, de entre os prisioneiros.

E, perante a abordagem e aproximação do chefe dos “gendarmes” franceses, não esteve com meias medidas, e pespegou-lhe um valente chapadão, que o deixou estatelado no chão!

 

E esta chapada e o estatelanço do “gendarme” traduzem, metaforicamente, a situação da Nação francesa colaboracionista. Estatelada no pó, às ordens do exército alemão.

 

Mas, frise-se, que essa obsessão pela perseguição aos judeus e aos comunistas não era “idiossincrasia” apenas dos nazis alemães. Em França, como noutros países europeus, ela fazia parte da práxis dos regimes vigentes, pelo menos desde a década de trinta.

Na série, esse aspeto é bem presente, por ex. na atuação do chefe da polícia de Villeneuve, Jean Marchetti, cuja preocupação profissional é prender uns e outros.

E é isso que torna a fazer neste episódio: consegue prender Sarah Meyer, que se escondia em casa do presidente da Câmara, Daniel Larcher, com o seu consentimento e da ainda esposa, Hortense.

 

E nos quedamos por aqui.

Que sobre Hortense muito haveria que contar.

E o comboio que levará os prisioneiros ainda vai demorar...

 "Un village français"

Uma Aldeia Francesa - Temporada 3 - Episódio 11

“Un Village Français”

 

Uma Aldeia Francesa

Temporada 3

 

Episódio 11 – “Le traître” (31 Outubro 1941) / O traidor

(Episódio 23 – 29 de Abril de 2016 -6ª feira)

 

(Ponto Prévio: Após, no último post, ter abordado temáticas dimanadas de uma Aldeia, portuguesa, no post de hoje, volto a debruçar-me sobre assuntos respeitantes a outra Aldeia, mas esta francesa.)

 

A vivência diária em Villeneuve, resultante da ocupação alemã, degrada-se a olhos vistos.

A situação dos principais personagens é cada vez mais problemática.

 

Daniel e Heinrich. in. lexpress.fr. jpg

 

Daniel Larcher, médico e autarca, dedicado a pacientes e munícipes, pai adotivo e extremoso de Tequiero, tio amigo e pai substituto de Gustave, marido desfeiteado pela esposa, encontra-se preso e a ser torturado pelo polícia da Gestapo, Heinrich, facínora psicopata e, cumulativamente, amante da sua mulher, Hortense.

Esta, já menos tresloucada de paixão pelo boche, todavia ainda desceu ao mais baixo da condição humana, ou melhor, destituiu-se dessa condição. Remeteu-se à categoria de objeto a ser usado como moeda de troca de favores. Digamos que, apesar de tudo, por uma boa causa. Pois, após ter presenciado a tortura sobre o jovem militante comunista, e ter desviado o olhar, ainda assim denunciou o cunhado Marcel. Mas não podia ficar indiferente à prisão e tortura do próprio marido, sujeito às sevícias do seu amante torcionário, que o agrediu, prendeu e torturou para saber do paradeiro do irmão Marcel.

Hortense moveu influências junto de Marchetti...

Todavia nada disso a livrou de ela própria conhecer os horrores da tortura, que o seu amante boche, não é homem de se desviar dos fins pretendidos.

E o objetivo por que se moviam os ocupantes e os policiais colaboracionistas era “caçar os terroristas”, que é como quem diz, os comunistas, personificados no operário Marcel Larcher!

 

Daniel não cedeu por ele mesmo, mas ir-se-ia abaixo por ela, para não a presenciar agredida selvaticamente pelo torturador alemão.

Valeu-lhes a providencial (?) chegada do comandante alemão, Kollwitz, pelos vistos não adepto da tortura nem do próprio Heinrich Muller e menos ainda da prisão do Presidente da Câmara, de quem providenciou a libertação. E farto (?) dos métodos do polícia da Gestapo, veio desde logo provido de guia de marcha do mesmo para Minsk, na Bielo Rússia, onde os exércitos hitlerianos se esforçavam, selvática, mas ingloriamente, por alcançar Moscovo, antes da chegada do “General Inverno”!

E foi de ver, marido e mulher, presidente da câmara e primeira-dama, a regressarem a casa, feridos, deslavados, roupas desalinhadas, rostos combalidos, sob o olhar atónito e interrogador dos munícipes de Villeneuve.

Daniel ainda tratou da mulher, a quem já declarara, finalmente (!) que se iria divorciar, apesar das lamechices, manipulações e subtilezas de Hortense, das tentativas de branquear a situação e “dar-lhe mais uma oportunidade”!

A ver vamos o que acontecerá!

 

Entretanto o irmão Marcel acoitava-se nuns campos de floresta e penedias, para aonde terá ido, em tempos de criança e adolescente, brincar com o irmão, certamente aos polícias e ladrões, não direi aos cow-boys, que, na época em que foram adolescentes, ainda não faziam parte do imaginário europeu.

Aí também se reunia com os camaradas do partido, os “partisans”, que lhe iam dando conhecimento da situação na cidadezinha e planeando ações de guerrilha contra os boches.

E interessantes também estes encontros clandestinos, os posicionamentos hierárquicos de cada um, segundo a respetiva condição de classe, o relacionamento e o papel atribuído a operários e intelectuais e as funções e tarefas “central e democraticamente” destinadas, precisamente de acordo com esse estatuto diferenciado!

E Suzanne, na qualidade de mulher operária e inteligente, frisou bem esse aspeto, não sem que lhe fosse mostrada, na prática, a sua situação de subalterna face à estrutura hierárquica inter-regional. “Nós, os operários, cavamos! E onde vão os intelectuais?!”

E mal sabia ela já ter o destino traçado.

Porque se Yvon foi denunciado e o próprio Marcel também, pois quem poderia ter sido o delator?

Edmond houvera pesquisado, investigado e descoberto que o traidor, melhor, a traidora, era Suzanne.

E como se paga a traição? Pois, só com a morte!

E, para esse fim, entregaram a Marcel uma pistola com três balas, para que ele resolvesse o problema, isto é, mandasse Suzanne para os anjinhos. Que ele é que a trouxera para a rede...

 

Marcel e Suzanne in. tv.skyrock.com

 

E que acha, caro leitor, cara leitora?!

Irá Marcel enviar Suzanne para a “outra camarada”?!

Aguardemos o próximo episódio do seriado.

 

E não falamos de Raymond e de Marie? E de Jeannine?

Nem de Henri Kervern e Judith?

Nem de Servier, o sub-prefeito?

 

Falamos de Sarah que, na qualidade de judia, será enviada para um dos campos especialmente destinados para esse fim, de acolhimento de judeus, em Pithiviers. Uma antecâmara para locais ainda mais sinistros!

Recebeu ordem de prisão direta do sub-prefeito, que se antecipou aos alemães, no sentido de a poupar a piores condições.

Prisão a que assistiu Gustave, sobrinho do prefeito e filho de Marcel, criança muito desperta para todas estas realidades, sobre as quais interrogou o tio que, naturalmente, teve dificuldade em explicar-lhe os motivos absurdos de tal detenção arbitrária.

 

E, nesta série, é muito interessante a perspetiva das crianças sobre os enredos da guerra, os excertos em que as crianças, e muito especificamente Gustave, são as protagonistas.

 

E que sentido fará a guerra aos olhos de qualquer criança?

E só das crianças?

Qual o sentido lógico de encetar todo um processo produtivo de armas e munições, gastando energia, matérias-primas, consumindo mão-de-obra, investindo capital, para ser tudo destruído, simultaneamente que se destroem outros bens, serviços, estruturas e infraestruturas, para além de matar milhões de pessoas, animais e os mais diversos seres vivos, nomeadamente plantas e alimentos?!

Este é um aspeto que ainda nos merecerá subsequentes abordagens.

 

E, já após ter escrito este texto, na sequência do anterior, publicado em 30 de Abril, e evocativo do “Dia da Mãe”, ocorreu-me uma abordagem da temática da série na perspetiva das mães que agem no enredo.

 Ou dos filhos, as crianças que se desenvencilham no seriado e sobre as quais os episódios sempre se debruçam, nalguns casos como assunto primordial.

“Uma Aldeia Francesa” – Personagens

Nova Série Europeia na RTP2

 “Un Village Français

Temporada 3

1941

"Vivre ses Choix"

 

Un village français saison 3. In. commeaucinema.com. jpg

 

Estou a redigir este texto sinopse sobre as personagens da série, quando se está iniciando a 3ª temporada. Concretamente na 6ª feira passada, 15 de Abril, ocorreu o 14º episódio global da série, o 2º da Temporada 3.

As duas primeiras temporadas tiveram, cada uma, seis episódios. A 3ª temporada tem 12 episódios. E as duas subsequentes, 4ª e 5ª, também têm, cada uma, 12 episódios.

Hei-de apresentar sinopse.

Tenho visto apenas alguns episódios, esporadicamente e nalguns, apenas excertos. De modo que não conheço muito bem todo o enredo, nem sequer muito bem todos os personagens. Daí ter resolvido pesquisar e organizar um texto sobre as personagens principais, com base no que li e também no que tenho apreendido, a partir dos episódios que tive oportunidade de visualizar.

 

PERSONAGENS

elenco 3 in. npa2009.org.jpg

 

(Algumas que considero principais. E que têm aparecido até ao momento e baseando-me no que eu tenho observado. Ao longo do seriado ainda surgirão outros personagens, que não desenvolvo, deixando aqui o link para o original do texto.)

“Os Larcher”

 

- Daniel Larcher (Robin Renucci): médico e presidente da Câmara de Villeneuve. Marido de Hortense, pai adotivo de Tequiero, a cujo nascimento assistiu. Irmão de Marcel e, portanto, tio de Gustave.

- Hortense Larcher, (Audrey Fleurot, a “nossa célebre Joséphine de “Crime e Castigo”), enfermeira e esposa de Daniel e, correlativamente com os graus de parentesco respeitantes aos familiares do marido. Mulher sedutora, foi amante de Jean Marchetti e será também de Muller. No episódio 13, num célebre jantar, exibe todos os seus dotes de “femme fatale”, sobre o alemão, para ciúmes do marido.

- Sarah Meyer, (Laura Stainkrycer), judia, de origem checoslovaca. Inicialmente fora empregada dos Schwartz, atualmente, nesta 3ª temporada, dos Larcher. Será amante de Daniel Larcher, na 4ª temporada.

- Marcel Larcher, (Fabrizio Rongione), irmão de Daniel, pai de Gustave. É viúvo de Micheline, que morreu na 1ª temporada. É empregado na serração, é ativista contra a ocupação alemã e, já antes da guerra, nos finais da década de trinta, era perseguido pelas suas ideias e atividades políticas. É amante de Suzanne, militante local do Partido Comunista clandestino. (Não cheguei ainda a perceber muito bem se ele é também militante ou apenas ativista, dado ter visto poucos episódios.)

Gustave Larcher, (Maxim Driesen), filho de Marcel e Micheline. E, logicamente, sobrinho de Daniel e Hortense. (Tem um papel interessantíssimo no desenrolar do enredo, pelas particularidades dos seus ascendentes e de como se entrosam as respetivas vivências. E como ele se desenvolve, naquele contexto da ocupação alemã, face aos vários contratempos que vão surgindo. Logo desde o 1º episódio em que ele desaparece, na sequência do bombardeamento do caça alemão ao piquenique das crianças da escola.)

(Neste enquadramento familiar também se inclui Tequiero Larcher, que nasceu no 1º episódio, e cujo nome me suscitou a referência a Marcel Pagnol, aspeto que terei que esclarecer melhor.)

 

“Os Schwartz”

 

Raymond Schwartz, (Thierry Godard, o nosso célebre “Gilou” da série “Um Crime, Um Castigo / “Les Engrenages”). É o patrão da serração. Colabora com os ocupantes alemães de quem é fornecedor. É casado com Jeannine, a verdadeira patroa, cujo pai é o capitalista da firma. É amante de Marie Germain, empregada na fábrica, e agente da rede anti alemã.

Pai de Marceau.

(A sua situação familiar, bem como a sua relação face aos ocupantes, irá mudar ao longo das várias temporadas. Mas aguardemos, que ainda agora começou a terceira.)

Jeannine Schwartz, (Emmanuelle Bach, a jornalista intrépida da série “Les Hommes de L’Ombre”). Esposa de Raymond e mãe de Marceau. Mulher atraiçoada, ama loucamente o marido, de quem tem, fundamentadamente, ciúmes exacerbados.

A sua situação também irá mudar no desenrolar da série.

Marceau Schwartz, (Max Renaudin), filho de Raymond e Jeannine. É amigo de Gustave Larcher, de quem é colega de escola. (Ao longo do seriado, têm oportunidade de apresentar a sua versão pessoal de crianças sobre o mundo dos adultos e a situação da ocupação alemã.)

(Neste campo familiar ainda irão surgir outros personagens.)

Joséphine Schwartz, (Natalie Bienaimé), empregada dos Schwartz, na 3ª e 4ª temporada; esposa de Raymond na 5ª temporada.

 

“Os Germain”

 

Lorrain Germain, (Dan Herzberg), caseiro dos Schwartz, marido de Marie Germain, pai de Raoul e Justin. Morreu na 2ª temporada, morto pela mulher. (Não vi este episódio.)

Marie Germain, (Nade Dieu), mulher de Lorrain e mãe de Raoul e Justin. Faz parte da Resistência Gaullista, juntamente com Albert Crémieux e Jules Bériot. Torna-se chefe dum movimento da Resistência. É amante de Raymond.

Desempenha um papel relevante no seriado não só no contexto político-social, como no campo romanesco.

Neste enquadramento familiar incluem-se os filhos do casal, Raoul e Justin, mas que ainda não me apercebi da sua participação nos episódios.

 

“Os Crémieux”

 

Albert Crémieux, (Laurent Bateau), industrial judeu, que nesta 3ª temporada está em negociações com Raymond Schwartz, para este lhe comprar a sua fábrica de betão, como forma de os alemães não se apropriarem da mesma.

Não tendo este dinheiro, nem sendo o do sogro suficiente para tal fim, Crémieux oferece-lhe emprestado, a juros convidativos e na condição de que ao terminarem as hostilidades e a serem abolidas as leis anti-semitas, metade da firma reverta para os Crémieux.

(Esta situação ocorreu no episódio treze, julgo que o negócio terá sido concretizado, talvez no episódio catorze, o último, que não vi.)

Após a transação, Albert envolve-se na Resistência, juntamente com Marie Germain, Jules Bériot e Vernet.

(Segundo li, será morto na temporada quatro, no decurso de uma ação movida pela polícia de Vichy contra a sua rede.)

Nesta família incluem-se ainda Anna, a esposa de Albert e a filha de ambos, Hélène, e igualmente judias. Terão sido ambas assassinadas em Drancy.

 

“No Comissariado”

 

Henri de Kerven, (Patrick Descamps), companheiro de Judith Morhange. Inicialmente era o Comissário Chefe da Polícia de Villeneuve, mas será substituído por Marchetti. Está envolvido na Resistência, deixa Villeneuve, na temporada quatro e será prefeito de De Gaulle, em 1944, temporada seis. Tem um papel fundamental na guerrilha anti alemã e anti colaboracionista, pela posição e função nefrálgica que ocupa e desempenha na vila.

(Será ferido pelos milicianos e salvo por Daniel com a ajuda de Kurt.)

Jean Marchetti, (Nicolas Gob), agente dos Serviços de Informações Gerais, uma espécie de “Polícia Política”. Esteve encarregue da perseguição aos comunistas, desde a primeira temporada, ainda antes do começo da guerra. Inicialmente comissário de polícia de Villeneuve tornar-se-á chefe. É colaboracionista.

Amante de Hortense Larcher, mais tarde de Rita Witte, uma judia, que ele esconde. Terão um filho: David.

(Como já referi, nesta série, o Amor não conhece barreiras!)

No final da sexta temporada, será preso pela Polícia Francesa e transferido para Dijon, para aí ser julgado.

No Comissariado ainda há mais um agente também pertencente à Resistência, Vernet, que será assassinado pelos milicianos, juntamente com a mulher e os dois filhos.

 

“Na Escola”

 

Lucienne Borderie, (Marie Kremer), jovem professora primária, ingénua e apaixonada, protagonista e despertadora de amores e paixões, desde o primeiro episódio, em que o seu colega, e primeiro flirt, foi abatido pelo caça alemão , durante o piquenique dos alunos.

Ao longo dos poucos episódios que tenho visto, essa faceta amorosa está sempre presente, para além do lado carinhoso e maternal que transparece na sua relação com as crianças.

Violada pelo chefe da Gestapo, Henrich Muller, na sequência da sua luta pela libertação do colega e diretor da Escola, Jules Bériot, que fora preso por esconder uma velha arma de caça, no relógio de sala, existente na Escola.

Jules que tem uma verdadeira idolatria por ela, a ponto de a desposar, apesar de a saber grávida de uma outra sua paixão, Kurt, um soldado alemão, após este ter sido enviado para a frente leste da guerra.

Judith Morhange, (Nathalie Cerda), inicialmente diretora da Escola, perdeu o lugar, por ser judia. Companheira do comissário da Polícia, Henri de Kerven, será enviada para Drancy, mas escapa à deportação, graças à intervenção do sub-prefeito, Servier. Voltará a Villeneuve, morrendo na temporada quatro.

Jules Bériot, (François Loriquet), sucede a Judith na direção da Escola. Apaixonado por Lucienne, com ela casará, na temporada 4.

É franco-maçon, opõe-se ao regime de Vichy, tornando-se responsável pela Resistência em Villeneuve.

 

“Resistentes Comunistas e Gaulistas”

 

Marcel Suzanne In. culturclub.com

 

Destaca-se Suzanne Richard, (Constance Dollé), funcionária dos Correios, protagonista de vários enredos e ações anti alemãs e anti governamentais, enquanto militante na rede clandestina. É amante de Marcel Larcher, como ele próprio declarou, no célebre episódio dos panfletos “Boches, fora!

Deste enquadramento ainda se nomeiam: Edmond, Max, Natacha, Émilie, Madame Berthe, Yvon, Victor, Vincent, Claude, Anselme.

 

Outro contexto de personagens enquadra “Os Habitantes de Villeneuve”, em que se incluem Ezechiel, judeu, Eliane e Inès, secretária de Raymond, na serração.

 

As “Autoridades Francesas”, incluindo Servier, Philippe Chassagne, Morel e Dupas. Todos “pétainistas” e colaboracionistas.

 

“Autoridades Alemãs”

Helmut von Ritter, (Gotz Burger), Kreiskommandant de Villeneuve. Transferido para a frente de Leste, no final da 2ª temporada.

Heinrich Müller, (Richard Sammel), Chefe da Gestapo. Torna-se amante de Hortense no decurso desta 3ª temporada. Tem ainda muita história para contar, para além do que já protagonizou. 

Kollwitz, (Peter Bonke), Kreiskommandant de Villeneuve em substituição de Von Ritter.

Kurt, (Samuel Theis), soldado alemão, amante de Lucienne e pai biológico da sua filha. Será enviado para a frente russa, regressando posteriormente a Villeneuve. Safou-se de morrer na frente Leste...

Há ainda outros intervenientes: Ludwig, Schneider, Krüger.

 

 

As “Milícias Francesas”, um corpo para-militar armado, formadas por fascistas, incluem: André Janvier, Alain Blanchon, Alban, Xavier.

 

E ainda “As Autoridades Americanas”, capitaneadas por Bridgewater, (John-Christian Bateman), a quem Maria pede para se dirigirem para Villeneuve, para afastarem os alemães e impedirem uma repressão, como certamente eles teriam feito ao retirarem, face ao avanço dos Aliados.

Mas isso ocorrerá só lá para a sexta temporada e ainda a série vai na terceira!

 

Vamos acompanhando a Série, à medida que pudermos!

 

Et, au revoir!

Les Personnages

 

“Uma Aldeia Francesa” – Enquadramento espacial

Nova Série Europeia na RTP2

 “Un Village Français

Temporada 1

 

Volto novamente à temática da série “Un Village Français”.

Especialmente para leitores que gostam de perceber os contextos em que se desenrolam as temáticas das séries. Que embora sendo elas fictícias, mas baseadas em factos históricos, mais ou menos verosímeis, reportam-se a tempos e espaços próprios.

Neste caso especificamente para contextualizar o enquadramento espacial em que decorre a ação.

Fundamentalmente, o enredo desenrola-se em Villeneuve, subprefeitura francesa fictícia, do departamento do “Jura”, situado no “Franco Condado”.

Franche Comté in. www.interfrance.com

 No Centro Nordeste de França, junto da fronteira com a Suíça.

França e Franco Condado In. britanica.com

  

E próximo da zona de demarcação, definida pelo exército alemão, durante a ocupação de França, de 1940 a 1945.

Vichy France. In. wikipedia.GIF

 Les Personnages

“Uma Aldeia Francesa” – Nova Série Europeia na RTP2

“Un Village Français”

Temporada 1 – Episódio 1

(29 – 03 – 2016)

 

Estreou uma nova série na RTP 2.

Um série francesa, de 2009, com seis temporadas, e sete anos de atraso, centrando-se nos anos de ocupação alemã da França, a partir de 1940.

Promete!

 

Un village français in. coulisses - tv.fr. jpg

 

A ação decorre em Villeneuve, uma subprefeitura francesa, fictícia, do departamento do "Jura", no Franco Condado (La Franche Comté), perto de Besançon. Mui cerca da linha de demarcação imposta pelos invasores alemães, em 1940.

 

Linha de demarcação In.cinemaenlimousin.jpg

 

Os alemães já chegaram!”

Isto assim dito até parece que os franceses esperavam com ansiedade gente amiga e da mesma Família, para alguma “party”!

 

Promete, esta série, que nos traz alguns atores já nossos conhecidos de outros seriados, nomeadamente de “Les Engrenages / Um Crime, Um Castigo”. A célebre advogada “Joséphine”, a atriz Audrey Fleurot e o “capitão mosqueteiro, Gilou”, o ator Thierry Godard. Para além de pelo menos outra atriz, Emmanuelle Bach, que desempenhava o papel de jornalista numa série sobre os bastidores do poder político, “Les Hommes de l’ombre”.

 

Inicia-se com bons augúrios, pois traz-nos o nascimento de um menino. Por momentos ainda pensei que fosse da “nossa querida capitã, Laure Berthaud”, que, como nos lembraremos, ficara grávida no final da última temporada. Não tendo continuado o seriado, pelo que, quando e se alguma vez houver continuação, já a criança terá nascido.

 

O menino que nasceu nesta nova série é filho de uma espanhola, fugida da Espanha franquista(?), que após dar à luz, lhe disse: “Te quiero, Te quiero...” O médico francês, que lhe perguntara que nome queria dar ao bebé, ao ouvir essas palavras, julgou ser o nome a atribuir-lhe e o menino chamar-se-á Tequiero!

 

Lembra-me um célebre texto de Marcel Pagnol, apresentado no livro de Francês do antigo 3º ano (anos sessenta), atual 7ºano de escolaridade, que tanto me intrigava na altura e só bem mais tarde compreendi. Quando, no primeiro dia de aulas, o Professor lhe perguntava o nome, ele respondia “Je suis Pagnol”. Esta frase escrita percebe-se, mas quando dita oralmente pelo próprio, à data e certamente para quem ouvia, soaria “Je sui’spanhol”. E o mestre perceberia que Pagnol se dizia espanhol! E tudo isto dava uma grande confusão no texto, que eu só mais tarde entenderia, pela diferença entre texto escrito e oralidade. Mas, naqueles primeiros anos de Língua Francesa era difícil entender esses cambiantes.

(Estou a lembrar-me de factos de há algumas dezenas de anos e também de cor. Quando tiver acesso ao livro tentarei transcrever esse excerto!)

 

Mas não é disso que trata a Série.

 

Mas já sabemos como eu trato estas narrativas sempre de forma muito enviesada...

Vamos a ver se tenho oportunidade de visualizar o seriado e escrever alguns textos!

 

Deixo um link com os elementos sobre a Série, a partir da wikipédia, para quem quiser ter uma ideia mais aprofundada do respetivo conteúdo.

Personagens

Les Personnages

 

Também tentarei, ainda, colocar um post sobre a “Herança”, logo que tenha oportunidade.

 

Até Breve! 

 

Temporada 1 - Episódio 6

Temporada 3 - Episódio 11

Temporada 4

Temporada 4 - Episódios 7, 8 e 9

5ª Temporada

Temporada 5 - Episódio 9

 

Temporada-7-Tópicos

 

“A Herança” – Série Dinamarquesa - Temporada 2 – Episódio 2 (12º Episódio)

“Arvingerne” / “The Legacy”

A Herança

(18/03/16 – 6ª Feira)

 

"Família Gronnengaard

Especial "Dia Do Pai!"

 

Antes de começar numa abordagem a algumas ideias fundamentais do episódio, quero informar do seguinte.

Na 6 ª feira, constatei na programação da RTP2, que, ao referirem-se ao episódio dessa noite o etiquetavam como Temporada 2, Episódio 2. Eu não me apercebi dessa mudança de temporada, embora tivesse havido referência àquele hiato de “Um ano depois...”.

Logo, na 5ª feira, o episódio que numerei como 11º, é o 1º da Temporada 2.

O de 6ª feira é o segundo da segunda temporada. Mas vou ainda numerá-lo também como décimo segundo.

 

família. in. series2see.com

 

E vou narrar os acontecimentos principais, relativamente ao meu ponto de vista, que, como já explicitei anteriormente, é um foco de análise sempre parcelar, parcial, por vezes enviesada, conscientemente incompleta... para além de outras limitações que, agora, não me ocorrerão. Subjetiva, também!

 

O título do seriado continua o supracitado, não me apercebi de qualquer mudança.

Todavia, estando a questão da herança sempre presente na narrativa, esse aspeto vai-se desvanecendo simultaneamente que avança o enredo.

Não fora o título “Família ...” ser um estereotipo no “batismo” de dezenas de séries e filmes, eu atrever-me-ia a designar, melhor, subintitular, esta série, pelo menos a partir desta 2ª temporada, como “A Família Gronnengaard”.

 

E, neste episódio, o conceito de Família esteve sempre bem presente.

Conceito de Família no contexto e modo de funcionamento das famílias atuais. O modelo de família nuclear, tradicional, tentam Frederik e Solveig estruturar e manter. Com dificuldades, muitas dificuldades na 1ª temporada, agravadas com aquela cena do irmão “entrar”, “biblicamente” falando, na cunhada. Mas o disfuncionamento já existia antes desse facto.

Nesta 2ª temporada parecem muito entrosados. Frederik aparenta muito melhor aspeto, está muito mais descontraído, mais calmo, mais solto. Mais à vontade com todos, nomeadamente com os filhos. Moram numa casa de campo, mas também perto do mar ou de um braço de rio, ou canal. Lembremo-nos que a Dinamarca é formada por várias ilhas relativamente próximas.

Essa vivência no campo, longe do bulício da cidade, estar-lhe-á a fazer bem. Não sabemos se continuou ou não a fazer terapia, mas melhor, está, é evidente.

 

Mas ele, como todos os outros, se integra ou vive na órbita da “Família Gronnengaard”.

Um conceito de família alargada, disfuncional é certo, já no tempo de Veronika.

Neste início de temporada foi essa família alargada contemplada com mais um rebento, Melody.

Filha de mãe ausente, e doente mentalmente, Isa; de um pai babado, Thomas, extremoso, mas muito ocupado ultimamente, e com outra namorada, Leone, também integrante dessa grande família. Com duas mães substitutas, Gro, a “Grande-Mãe” e Signe, a madrinha, agora mãe de filha de outra mãe, ela que não quis assumir uma maternidade biológica com o namorado Andreas. (Sabemos, agora, que ele, Andreas, tão obcecado andava por ser Pai, hoje é 19 de Março, que até já se adiantou com a fisioterapeuta do clube, Mette, para esse papel. Não festeja é ainda neste ano, ela só está de meses...)

E a criança, Melody, anda sempre nesta roda-viva, de uns para outros, que é tudo gente muito ocupada. Signe, mesmo assim, paradoxalmente e, por ironia do destino, é a mais presente.

Emil, ausente fisicamente, porque preso nos calabouços tenebrosos da Tailândia, (reparei melhor, neste episódio, que os presos estão acorrentados nas pernas), como disse, Emil, embora ausente, está bem presente nas preocupações dos irmãos, muito acentuadamente em Gro, naquele seu instinto maternal.

Soube, agora, nós já soubéramos anteriormente, que o irmão foi acusado de traficante e que o castigo, que pensavam ser apenas uma multa, seria de prisão de vários anos.

Ela desdobra-se toda para conseguir a libertação do irmão, abandona uma reunião importante que coordenava, delega noutra pessoa essa função; vai falar com a advogada que contratara e, face ao não resultado obtido, despede-a; chateia o irmão Frederik para este lhe arranjar outro advogado melhor; este consegue um amigo, que, por favor, acede a analisar a situação, mas este lhe dá a mesma opinião da advogada recentemente despedida.

Finalmente e, após muita insistência e rogos, consegue que Frederik aceda a analisar o processo. Afinal ele é advogado de gabarito, apesar de ter jurado não querer nada com o irmão “traidor”, que lhe “comera” a mulher! (Comer é forma de falar que, a moça está bem vivinha da silva e Emil não é antropófago!)

Mas após analisar e verificar que no relatório policial constava a acusação de que Emil tinha oitenta charros, (oitenta!), ele pediu à irmã para saber que roupa ele trazia no dia em que fora preso.

E ela continuou no seu propósito, e conseguiu telefonar ao irmão e saber a password do seu e-mail e a hipótese de, no facebook do amigo Neil, haver alguma foto dele desse fatídico dia.

E, na posse desses dados, juntamente com Frederik, analisaram as fotos e a roupa e os bolsos da dita. E o irmão face ao tamanho de cada bolso e dos charros, que ele também conhecia, que Thomas os industriava nesses meandros, deduziu que era impossível Emil trazer na sua posse oitenta charros, mesmo que tivesse os bolsos todos completamente cheios. E esse seria o argumento a utilizar para rebater na polícia. E deu este trunfo à irmã, que partiria brevemente para a Tailândia, para aí analisar a situação com os advogados.

Mais tarde, já noite, e na posse da palavra passe, entrou, não biblicamente falando, no facebook do irmão e leu a respetiva correspondência, e aí achou a conversa entre ele e a sua mulher, agradecendo-lhe o que ela por ele fizera, pois, como sabemos, Solveig é que deu o dinheiro a Emil para ele viajar novamente para a Tailândia, para vender o empreendimento turístico.

Fiquei expectante sobre qual seria a respetiva reação, temi que estrambelhasse novamente, que voltasse àquele estado neurótico em que andara, mas não, manteve uma postura muito calma e tomou uma decisão muito racional, vindo ao de cima aquela função paternal que sempre tivera com o irmão mais novo e que o Pai, Carl, lhe recomendara.

Acordou a mulher, Solveig, por momentos pensei que faria algum disparate, despediu-se, deu recomendações aos filhos e informou que ia ter com Gro, que acompanharia à Tailândia.

E foi vê-los a encontrarem-se, e abraçarem-se, já no aeroporto, puxando as bagagens a caminho do avião. Para a Tailândia, mas não para Phuket! (E assim terminou este episódio. Veremos os resultados que obterão. Mas foi uma decisão sábia. E, mais uma vez, o conceito de Família a funcionar!)

E, lembrar, mais uma vez que todos os dias são “Dias de Pai”, mas, hoje, convencionou-se dedicar-lhes muito especialmente este Dia!

 

E, ficamos por aqui de enredo da série?!

 

Até poderíamos ficar e teríamos ficado com “chave de ouro”, lembrando este Dia!

Mas não!

 

Ainda referimos que Signe anda numa azáfama com a sua cultura do cânhamo, que precisa de ser regada, será verão, e teve que improvisar um aspersor com a ajuda de “Pai Tomás”, que faz papel de ambos os progenitores com a filha Melody.

Que a cultura, além da rega, ainda precisa de ser financiada e que o banco não lhe concedeu esse empréstimo, porque na Dinamarca ainda não perceberam as potencialidades do cânhamo como cultura industrial, sustentável e não poluente.

Que terá perdido Andreas, apesar de se amarem, mas ele com a pressa de ser Pai, que se aproximava Março, terá esquecido Signe, que não o esqueceu. Quem não a teria esquecido, palavras do próprio, teria sido um dos adjuntos do Pai de Signe, John, que continua arrastando a asa à jovem, que, por enquanto, parece não corresponder. Mas nunca se sabe, isto de enredo novelístico tem que conter romance, e o rapaz mostra-se persistente. “Ficas extremamente sensual, quando falas do cânhamo”, piropo que lhe ofertou o moço. (Piropo não é legalmente condenável naquele Reino, Estado muito liberal! E o cânhamo, quando usado com outros fins não industriais, também tem o efeito de soltar as pessoas e os afetos, que o diga Tomás, sempre a enroscar-se com Leone, que até Signe os encontrou naquele preparo!)

 

Ainda de Pai falamos, que nem a propósito. Quem chegou à trama da novela foi o pai de Isa, Henrik.

Signe, mais uma vez ela, telefonara-lhe, a saber de Isa, e ele foi ao Solar, no intuito de ajudar na criação da neta. Mas perante aquele panorama, ver Tomás a fumar um charro na presença de Melody, passou-se. Queria levar-lhe a criança e foi uma cena caricata ver Tomás a fugir com a menina na sacola, vestido com uma espécie de saia, também faz papel de mãe, e o avô da bebé, a correr atrás dele.

Explicaria que não podia ver tal coisa. Um Pai a tomar uma passa, que fora a partir do vício de fumar erva, que a filha se perdera e ele a perdera, que ela sofria de uma psicose induzida por cannabis!

Fosse qual a sua razão para o seu comportamento, foi corrido do Solar, por Gro, entretanto chegada, e ameaçado de polícia, caso ali torne.

 

E ainda de Família e de Afetos: maternais, filiais, fraternais, paternais, falamos; quando lembramos a partida de Gro e de Frederik para a Tailândia.

Para libertarem o irmão Emil.

 

E, Emil, naquela prisão atroz, mesmo sofrendo, ao ver outro preso em pior estado que o seu, com ele partilha a manta que da Embaixada lhe enviaram e lhe dá, um a um, dia a dia, os comprimidos de penicilina, também daí mandados.

Faz papel de irmão, também de pai, também de mãe, de amigo, de samaritano.

E lembra e conta ao prisioneiro a sua história e de como o irmão mais velho, Frederik, também dele cuidou, fazendo também de PAI, que praticamente Emil não conheceu!

 

 

 

 

 

“A Herança” – Série Dinamarquesa - 11º Episódio - T 2 - Ep. 1

“Arvingerne” / “The Legacy”

 

A Herança

(17/03/16 – 5ª Feira)

(Temporada 2 - Episódio 1)

 

Neste décimo primeiro episódio pudemos observar o que aconteceu a Emil, na Tailândia. Quando tudo parecia indicar ser breve a sua libertação das amarras daqueles poderes discricionários e corruptos, metem-no outra vez na choça. Não sem antes o terem desancado. Com tanta porrada, malhado que nem maçarocas, quando o milho era descarolado com moeiras, nas eiras ensolaradas dos nossos campos. Arrastado pelo chão, como se fora saco de lixo, e atirado para um tugúrio nojento, desprovido de qualquer iluminação e provavelmente arejamento. Numa solitária, um verdadeiro horror! Uma desqualificação de qualquer atitude minimamente humana.

Penso que os realizadores da série pretenderam também apresentar uma denúncia político – social, mostrar como são as condições de vida em países como a Tailândia, tão idealizados em termos turísticos, mas com sistemas organizativos que não respeitam minimamente os mais elementares Direitos Humanos. Talvez, também, para as questões das drogas que, nalguns destes países, são completamente proibidas, com leis férreas nestes aspetos. Não só no referente ao comércio, como no respeitante ao próprio consumo.

E, em contraponto, de algum modo, comparar com a situação, por ex. no país de origem de Emil, a Dinamarca, em que estas realidades são completamente diferentes.

Talvez também alertar, para que ao viajar-se para esses países “exóticos” ter em atenção essas “particularidades” comportamentais e legais.

Mas sobre tudo isto, opino eu.

 

Paralelamente, no Reino da Dinamarca decorria outra realidade, completamente diversa.

 

Convém referir previamente que, na série, como aliás é hábito neste modo de narrar televisivo, há sempre um pequeno introito, resumindo algo de temas anteriores e fazendo alguma ligação com a temática do episódio a ser apresentado.

 

Também neste décimo primeiro episódio, previamente nos informaram que o tempo narrativo se situava um ano após o que fora apresentado anteriormente. “Um ano depois...”

Situemo-nos, pois, no tempo.

Verónica redigiu a célebre carta na véspera de Natal de 2013, morrendo no próprio Dia festivo, no 1º Episódio!

Todo o enredo que se foi desenrolando nos nove episódios seguintes terá demorado alguns meses. Assistimos aos campos nevados, Inverno; mais tarde, já na posse do Solar, Signe projetava as futuras sementeiras a ocorrerem na futura Primavera. Quando ela fazia esses projetos, pela aparência dos campos, seria Verão. Tudo isto em 2014.

Também foi nessa época que chegou ao Solar a tal Isa, toda rosada, que viera da Índia e se embrenhara na música com Tomás. Veremos que não se ficaram apenas pela música...

Neste 11º episódio, Signe, juntamente com Isa, foram assistir, ajudar nas sementeiras do célebre cânhamo para fins industriais.

Participar não, Signe bem queria pegar no trator, mas o técnico responsável não autorizou.

Situando-nos então no tempo... Seria Primavera. De 2015.

 

Melody  in. politiken.dk.jpg

 

Também no início deste episódio vimos uma criança, de alguns meses, ao colo de Gro, toda enlevada. Também Signe cirandava à sua volta e lhe pegava.

Inicialmente pensei, será que Signe se esqueceu de tomar a pílula quando andava com Andreas e veio o rebento tão desejado por este? Ou será de Gro e Robert?!

Pois, nada disso.

 

A criança resultara das sessões extra musicais de Tomás e Isa. Mas não podia fugir à Música e chamava-se Melody. Bonito e sugestivo nome.

Iria ser batizada nesse dia.

(Quanto ao tempo narrativo e considerando que a gestação são nove meses e que a criança já teria alguns, pelo menos aparentava, então as contas não batem muito certas. Não sei. Posso estar enganado ao afirmar que seria verão quando Isa voltou da Índia, talvez fosse ainda primavera. Melhor, seria início do Verão: Junho. E assim as contas já batem certo.)

 

Bem, localizemo-nos no espaço. Situamo-nos no Solar, onde havia uma grande azáfama, pois haveria o batizado de Melody.

Tomás andava enlevadíssimo, não só com a filha, como com a festa que preparara. Um verdadeiro “happening”, um acontecimento, à moda dos anos sessenta.

Estava o elenco todo convidado e todos compareceriam. Aliás uma grande troupe de amigos do pai Tomás, músicos, “performers”, já lá estava. Cirandavam por todo o lado. Tresandaria a erva!

Quem não aparentava nenhum entusiasmo, era a mãe da criança, Isa. Nem pela bebé, muito menos pela festa ou sequer pelo batizado. Completamente alheada. Revelando vários sinais de perturbação. Só se sentia bem com Signe.

 

Signe, agora dona do Solar e dos campos, de algum modo herdara o modo de estar da mãe biológica: Veronika. Era a anfitriã daquela gente toda. Deixava correr... Provavelmente todos eles se sentiriam muito mais à vontade, em todos aqueles espaços, que já teriam frequentado durante a vida da Matriarca.

Todo o pessoal andava numa boa e se sentia perfeitamente na deles. Signe, por vezes, tinha que chamar a atenção de algum, mas deixava todos a seu modo.

Por desejo de Isa, iria ser a madrinha de Melody, contrariamente ao que haviam planeado inicialmente, pois previram que seria Gro, mas esta atemorizava Isa, que afirmava que ela lhe roubava a roupa da menina!

 

E os convidados foram chegando.

 

Frederik com a família. Vindos de uma nova casa, isolada, que ele havia comprado junto ao mar, mas afastada trinta quilómetros do centro. Idiossincrasias dele, que obrigava mulher e filhos a compartilharem.

Aparentemente tudo parecia melhor, na relação com mulher e filhos. Mas mal se falou em dinheiro, em vender mais uma peça de arte da Mãe, logo ele e Gro se engalfinharam.

Mas envolveu-se em todo aquele teatro do “batismo”. (Que mais se assemelhava a um ritual de praxe!)

Muito agarradinho à esposa, aos beijinhos, que até se esquecera dos filhos.

Estes também se perderam naqueles meandros. E terão tido, pelo menos Villads, a primeira visão de uma cena “hard-core”. Enquanto os pais os procuravam, estiveram eles num “pipe-show”, que aqueles casarões davam para tudo, sobremaneira naquele dia, com tanta gente e tanta passa, que até Hannah experimentou, na frente de Signe.

(Paralelamente ocorreriam as cenas de violência com Emil, na Tailândia. A tal análise comparativa de que falei, entre hábitos culturais completamente diferentes.)

Na cena de sexo, que eles tiveram oportunidade de observar, ao sentir-se observado, o homem voltou-se e pareceu-me, de relance, ser John!

 

 Sim, é preciso informar que John e Lise também compareceram, muito bem, muito amigos e bem-dispostos. Numa ótima, como se poderá comprovar até pela cena do palheiro, sobre que não tenho uma certeza absoluta e peço desculpa por isso, caso esteja a errar.

Também foram convidados para o batizado, Lise, um pouco deslocada daqueles ambientes, já se vê, até perguntou a Signe quem era o padre!

 

Pois quem fez de acólito principal naquele ritual, como referi, muito inspirado nos “sixties”, mas para mim, mais nas praxes, quem ritualizava, era Thomas, o celebrante!

Chefiava uma “procissão”, oficiava uma “cerimónia”, supostamente de batizar a filha. Numa plataforma que instalara num lago da quinta, aí se colocou mais a filha Gro, mais Signe, e Isa que segurava Melody, numa espécie de cesto que fora amorosamente confecionado por Gro.

Não vou descrever os passos anteriores da pretensa “cerimónia batismal” da menina, porque, sinceramente, não acho grande “piada” a este tipo de rituais. Que só me reportam para os das “Praxes”!

 

Isa, que, como já reportamos, não estaria nada bem, também não se sentia nada confortável naquela “cerimónia” e, invocando um desequilíbrio na plataforma, ou propositadamente como a câmara nos pretendeu mostrar, é certo que atirou a filha ao lago. Pelo menos, é o que se depreende da focalização da câmara. Ou a criança foi cuspida do cesto, com o balanço que houve na plataforma.

Desequilíbrio houve. Na plataforma foi evidente. Na cabeça de Isa também, já manifestara vários sinais, reforçados posteriormente com tudo o que ela atirou a Tomás, em que o menos foi dizer-lhe que fedia da boca.

Então, e a menina Melody? Salvou-se?!

Sim, valeram-lhe Gro, Signe e Tomás, que rapidamente se atiraram à água e Gro recolheu-a sã e salva. (O seu Moisés, versão feminina!). E batizadinha da silva.

 

E ficamos por aqui, não sem antes ainda contar que Emil, único ausente, esteve sempre presente e muito dele se falou, nomeadamente o sobrinho Villads, que questionou os pais sobre o dito cujo. A apodrecer na cadeia tailandesa, mas disso só sabemos ainda nós.

 

Uma sugestão que dou aos irmãos: tratem de ir à Embaixada e procurem resolver o assunto pelas vias diplomáticas, breve, mas breve!

“A Herança” – Série Dinamarquesa - 8º, 9º e 10º Episódios

“Arvingerne” / “The Legacy”

A Herança

 

(14, 15 e 16/03/16 – 2ª, 3ª e 4ª Feira)

 

E vou narrar algumas peripécias do enredo reportando-me a alguns factos marcantes destes episódios, sem os reportar especificadamente a cada um dos mesmos, que não me recordo de tudo, nem terá sentido esmiuçar todos os pormenores, dado serem já três episódios passados e muitos aspetos terem-se alterado na sequência narrativa.

 

Cinzas Mãe in. dvdinfo.be.jpg

 

Ontem, no final, assistiu-se à prisão de Emil na distante Tailândia. E poderemos ajuizar das condições deploráveis em que se encontram os prisioneiros naqueles “aljubes”. Preso por estar na posse de uns quantos charros, fornecidos pelo seu ex-sócio, Hirun, também seu denunciante à polícia, despeitado por Emil ter vendido o empreendimento turístico, sem o seu consentimento e por uma tuta-e-meia.

 

Mais uma vez, é à família que recorre, neste caso Gro, para pagar a garantia, para poder ir a julgamento. Que estas prisões de estrangeiros funcionam também como uma forma de obtenção de divisas, num sistema corrupto a todos os níveis.

Que ao entrar naquele antro assustador, onde nem quase há espaço para se sentar, apesar de tudo, uma mão amiga, igualmente de um estrangeiro, Ken, o convidou a sentar-se junto dele, numa nesga do lajedo do chão. Que já ali estava há três meses, que estão sempre a pedir mais dinheiro de garantia. “Acho que nunca mais sairei daqui!”

E daqui poderemos ajuizar o que também poderá acontecer a Emil!

 

Gro esfalfou-se para obter o dinheiro, que também não o tem, Frederik também não quer ceder nada, pois está possesso com o irmão, não sei se contei porquê, mas talvez ainda conte...

 

Gro só consegue dinheiro líquido, vendendo Obras da Mãe. Sempre Veronika presente naquela família.

Andava em negociações da última peça produzida pela mãe, uma designada “Bico”. Negociava com um oligarca russo que queria a peça para assentar no hall da sua mansão, quando na respetiva conceção ela era para figurar pendurada no teto. Também negociava com um museu finlandês, que pretendia a obra para lhe dar um destaque merecido, à Obra da Mãe Veronika, em sala específica e adequada, nas condições originalmente previstas, apropriadas e de realce.

Mas face ao bico-de-obra, mais um, em que Emil se enfronhou, e na premência de obter a massa, decidiu-se por vendê-la aos russos, apesar de todos os constrangimentos e pruridos que tivera, pelo manifesto desconhecimento que o novo-rico apresentara face ao sentido estético da Obra!

Bom, mas que importa a Estética face, não direi Ganância, mas premente Necessidade?! E, nesta situação, por uma causa nobre, a de salvar o irmão. Amor Fraternal e Altruísmo.

Nestas mudanças a que todos se tiveram que adaptar, após o julgamento e respetiva sentença, Gro talvez seja a que se está a desenvencilhar melhor.

Voltou a estar na ribalta, ligada às “Altas Esferas Culturais”, inclusive voltou ao posto que lhe tinham oferecido antes, na chefia de um Instituto Cultural, cujo nome não consegui fixar, que as nomenclaturas dinamarquesas são quase como as do célebre vulcão islandês, perdoem-me o exagero.

Aí voltou novamente a brilhar, como ela gosta de estar, resplandecente, com um copo de vinho de qualidade e fama, pavoneando-se entre os assistentes inaugurais. Bebericando. Apenas bebericando.

Nada como a víramos na última vernissage, a camisa branca toda enojada de bebedeira.

Mas para isso agarrou-se às armas que tinha. Sabedora de que houvera qualquer coisa com umas Obras da Mãe, que Kim usara como garantia para obter um empréstimo qualquer, no princípio da sua vida cultural, tratou de esmiuçar esse assunto com Leone, a advogada da matriarca e que está por dentro destes meandros, mesmo que podres. Ela e Thomas, com quem aliás tem uma espécie de namoro, funcionam como pontos e contrapontos na narrativa, estruturando e desbloqueando o enredo, quando as coisas precisam de avançar.

E assim soube, na garantia de não citar o nome de Leone, que Kim usara algumas das Obras da Mãe, como garantia dum empréstimo, mas que no final não devolvera uma das mesmas. Que Veronika soubera, mas acabara por não fazer muito caso do assunto. Peça artística que figura num museu.

E foi com este conhecimento e argumento que Gro chantageou Kim, não vou esmiuçar muito o assunto, e o fez mudar de atitude em relação à própria, nomeadamente propondo-a novamente para Diretora do tal “Instituto ou o Que Quer Que Seja Cultural”, a que ela agora preside.

Também no plano afetivo a sua vida melhorou, pois Robert que já se oferecera para se juntar ou casar ou lá o que seja, com ela, apareceu-lhe em boa hora, no final de um dos episódios anteriores, vindo da Alemanha de carro e informando-a que deixara a mulher, Cláudia, para vir viver com Gro. Sopa no mel!

E foi com Robert, agora a viver no seu apartamento, julgo que em Copenhague, que não me confirmaram o endereço, que ela congemina mais uma das suas man(Obras) Culturais.

Tendo já vendido o célebre “Bico” ao russo endinheirado, enviado até dinheiro para pagar a fiança do irmão, recebeu, finalmente, a proposta de compra do Museu Finlandês!

E, vai daí, não esteve com meias medidas. Vendeu também aos finlandeses, que ela não é mulher para se atrapalhar.

E como se desenrascar dessa embrulhada?

Pois foi com Robert que “descobriram” a solução. A partir das plantas e esboços que a mãe deixou, congeminaram criar um outro “Bico”. Um “Bico de Obra”, diga-se. Mas afinal não se destina para um russo?! E a simbologia imperial da Antiga Rússia, cujas tradições têm sido restauradas pelos novos oligarcas, não é uma Águia de duas cabeças? Logo, dois bicos/”Bicos”.

E é nestes afazeres que ela agora se acha. Nos ateliês do Solar, com Rene, assistente de Veronika, a iniciarem a “criação” de uma novel Obra.

A que Signe também assistiu.

 

Relativamente a Signe, é caso para dizermos: Que farei com esta “Herança”?

Tomou conta do Solar e dos campos. E que lindos são os campos! O arvoredo, a paisagem de encostas e colinas suaves. No tempo narrativo em causa, julgo que será Verão.

Estão a modificar a Casa, pretensamente reconstituindo o apartamento onde vivia originalmente com Andreas, dentro do Solar! Para agradar a Andreas, que os espaços do Solar são enormes e desconfortáveis!

Mas o interesse dela, agora, são os campos, pois quer tornar-se agricultura. Produtora de cânhamo, para fins industriais, material isolante para casas, nada de maconhas, que ela não é rapariga dessas coisas.

Thomas, que voltou a viver na barraca, que não se adaptou à vivenda de Leone, nem ao corte de cabelo que ela lhe fez, nem às regras burguesas de viver engavetado, é que achará aliciante, tanto material para charros, à mão de semear. Isto, quando tal acontecer!

Que, por enquanto, ainda está tudo congeminado, na fase de projeto, as sementeiras serão só na primavera. Signe, apesar de obstinada, não está a conseguir dar conta do recado, nem está a ser capaz de segurar o namorado, que se sente excluído em todos aqueles seus projetos.

Aquela teimosia e estado selvagem dela, sinais de Veronika, como lhe dirá mais tarde a Mãe Adotiva, afloraram novamente à superfície comportamental e problematizam o seu relacionamento com o namorado.

Que os sonhos dele são outros. Quer formar Família com Signe, que ama e é reciprocamente amado, quer ter filhos. E ela, confusa como se confessa, o que quer é tornar-se lavradora.

“- Como é que a nossa família se encaixa nos teus planos?” Lhe perguntou Andreas.

“- Agora, quero plantar estes campos!”

E com valores e projetos antagónicos, apesar de se amarem, o inevitável aconteceria.

Andreas abandonou-a.

Signe ficou triste, só, acabrunhada, sentindo-se abandonada.

Nem Thomas lhe valeria, nem a sua música monocórdica, nem o colorido e rosado de uma amiga deste, Isa, diretamente chegada da Índia. Não da Tailândia, como diria o saudoso ator português falecido há alguns anos, Camacho Costa, quando por aí proliferavam os produtos made in.

(Nestes dias em que outro nome sonante do mundo artístico, também nos deixou, Nicolau, Nico, de inexcedível Obra! Nico D’Obra!)

Mas nestas ocasiões é sempre bom ter Mãe!

E, Lise, apesar de ser Mãe Adotiva, foi a verdadeira Mãe de Signe.

E foi ela que chegou para confortar a filha, a dar-lhe o seu Amor!

 

E a propósito de Amor, que é feito de Frederik? E de Solveig?!

No episódio oito, já após o julgamento, fora visto muito animado no célebre jogo em que a equipa de Andreas e John ganhou por 23 – 22 e subiu de divisão e foi uma alegria para todos. Que o Desporto tem este efeito redentor. Esta capacidade de libertação, quando jogado com Desportivismo, fair-play.

E parecia encaminhar-se tudo pelo melhor naquela família.

Parecia.

Havia aquele problema entre Emil e Solveig, mas só eles sabiam e se constrangiam, apesar de disfarçarem.

Só que de uma conversa entre ambos, a filha do casal, Hannah, ouviu qualquer coisa.

Idades complicadas, catorze anos, e a miúda ficou muito acabrunhada, agressiva com a mãe e o tio, isolando-se, assumindo uma postura meio gótica...

Bem não vou aprofundar muito este aspeto, apenas frisar que Solveig acabou por contar ao marido o que acontecera.

Muitos constrangimentos, mas acabou por dizer, em momento e ocasião preparada para tal, pelos vários intervenientes.

Após alguns rodeios e hesitações, terá proferido as palavras, não direi mágicas, mas terríficas.

“- Sabes, dormi com teu irmão!”

Forma simplista e muito linear de dizer. Porque, dormir, dormir não dormiu. Antes usasse o conceito bíblico de “entrar”. Ou a terminologia tão modernaça de “rapidinha”, teriam sido palavras mais adequadas ao acontecido. Mas foi “dormi” que foi traduzido, que também ignoro completamente qual o conceito usado pela artista em dinamarquês.

Mas adiante.

E perante este dizer, Solveig esperaria do marido uma reação brutal, que lhe chamasse nomes: “sua esta... ou aquela...”, omitimos os substantivos, que aqui não usamos palavrões; talvez até que a agredisse, apesar disso representar violência doméstica e também não fica bem no politicamente correto... Não sei! Só sei que ela ficou muitíssimo frustrada com a forma como Frederik reagiu.

E como foi essa reação.

Sem mais nem menos, de forma fria e calculista, dirigiu-se à secretária, pegou no computador, confirmou as contas e decidiu-se por não atribuir mais dinheiro nenhum a Emil, que já se fartara de receber da Mãe.

Nem mais um centavo! Nem menos um cêntimo!

Solveig abalou frustrada, lançando-lhe: “És sempre o mesmo!”

Mas tudo isto já foi noutro episódio mais anterior, que ontem ela e Frederik já estavam numa boa. “Eu sempre soube que era a ti que queria. Amo-te”, lhe disse ela.

(Mas neste contar há imensos excertos que não conto.)

Que a situação de Frederik tem sido a mais complicada de todas a entrar nos eixos. Alucinações com a Mãe, disfuncionamento sexual, idas a médico, tomada de anti depressivos, consulta de analista, quase tentativa de violação da própria mulher, eu sei lá.

(A imagem apresentada reporta-se ao enterramento do que restou das cinzas de Veronika. E, simultaneamente, a plantação de uma macieira nesse mesmo local! Cerimónia simples, mas carregada de simbolismos.)

Aguardemos os próximos episódios, para vermos como se irá processar todo o desenrolar do enredo!

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