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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Voltamos à Saga dos “Durrells”!

Mais alguns pormenores...

Desde que aprendi a retroceder nos programas da TV, e quando posso fazê-lo, é isso que faço. Revejo os programas.

 

Neste documentário, de facto, o filho mais novo, Gerald / Gerry é aquele sobre quem mais incide a narrativa. Certamente porque é o personagem sobre quem existe mais documentação, pois participou em múltiplas e diversificadas atividades, relacionadas com a sua condição de “naturalista”. Tanto na TV, como também em filmes, documentários, entrevistas.

A sua participação no programa televisivo, em que foi homenageado “This is your life” terá acontecido em 1983, pelas minhas contas, face às informações prestadas. (O irmão Leslie havia falecido em 1982.) Foi nesse programa em que também esteve Theo. Bem como a irmã de Gerry, Margot e um filho desta.

 

E falando em filiação, algo que no documentário poderia talvez ser referido era sobre a possível descendência desta família.

De Margot, vimos a neta a prestar depoimento e um filho, acompanhando-a nessa homenagem ao irmão.

E de Gerry, casado duas vezes, há descendência?

(Ele, tão preocupado com o prosseguimento das espécies de animais não humanos, esqueceu-se de dar continuidade à sua própria espécie?! Ou estou apenas a especular?)

E Larry?! Com tantas aventuras amorosas e sexo, não deixou descendentes?!

(A propósito. Referi que, em 61 e 62, o escritor era um dos candidatos a Nobel. No documentário, a investigadora da respetiva obra refere que uma das razões para ele ter sido preterido, se deveu ao facto de a sua escrita estar muito impregnada de sexo. Não estou a citar textualmente.)

E Leslie? Apesar de não ter tido uma vida tão preenchida cultural e socialmente, não poderiam ter mencionado algo mais sobre a sua pessoa e vivências? Viveu no Quénia, onde se dedicou à agricultura, foi praticamente o que referiram.

 

E voltando a Gerry e ao seu Zoo, em Jersey.

A cena da criança caída no fosso dos gorilas e a forma como o macho dominante defendeu o menino de eventuais ataques de outros símios foi bem marcante! Bem inteligente! Mais humana que muitos comportamentos de humanos!

 

Ainda mais alguns pormenores da saga da família.

Segundo a narradora, abalaram de Corfu, no Outono de 39. Assim, já depois da invasão da Polónia e da declaração de guerra. (Pensara ter sido um pouco antes.)

A mãe de família regressou apenas com Leslie e Gerry.

Margot ficou em Corfu, mais algum tempo, tendo abalado mais tarde, quando um namorado inglês a levou. Finalmente!

Larry viveu a guerra em Alexandria, de onde colheu inspiração para o seu célebre livro “O Quarteto de Alexandria”. Foi diplomata, tendo desempenhado missões em diversos países. (Diplomata e Serviços Secretos combinam.) No final da vida, fixou-se no Sul de França.

Um dos livros mais famosos de Gerry é “A minha família e outros animais”, de 1956. Deve ser interessante. Teve muito êxito.

Hei-de ver se o encontro nalguma livraria!

The-durrells-e-cidadania

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A Saga dos “Durrells”

O que lhes aconteceu?!

 Após o término da série “The Durrells”, a RTP2 apresentou o documentário, produzido na sequência do seriado, como forma de explicar o sucedido aos verdadeiros protagonistas. A série foi inspirada na vida dessa família, enquanto viveram em Corfu, bem como em pessoas da comunidade local. De forma algo ficcionada, como é natural.

Esse documentário passou ontem, dia 15 de Setembro, no horário habitual.

Se não viu, aproveite, SFF, enquanto está disponível na RTP2, retrocedendo, ou então vendo na RTPPlay. Adorei ver. Nem dei pelo tempo a passar. A narrativa é empolgante.

Vale a pena! Bem contado, bem documentado, excelentemente narrado, pela protagonista principal da série, a atriz inglesa, Keeley Hawes.

(Esta é a 3ª série que vejo, com desempenho desta atriz. Em “The Durrells”, foi o seu melhor papel. Luminoso, classificaria. Tal como o enredo e o conjunto da série.)

 

Que aconteceu então aos Durrells?!

Antes, uma síntese biográfica da Família.

Progenitores: Lawrence S. Durrell (1884 – 1928) – 44 anos e Louisa Durrell (1886 – 1964) – 78 anos

Filhos: Lawrence Durrell (1912–1990) – 78 anos; Leslie Durrell (1917–1982) - 65 anos; Margaret Durrell (1919–2007) – 88 anos; Gerald Durrell (1925–1995) – 70 anos.

Esta família tornou-se especialmente conhecida porque dois filhos Larry, o mais velho e Gerry, o mais novo, se tornaram conceituados e divulgados escritores.

Gerry também se tornou muito conhecido e popular, pela sua ação pioneira relativamente à forma de nos relacionarmos com os animais. Fundou um zoo, onde procurou aplicar as suas ideias, que ainda funciona, através de uma fundação. Participou em programas televisivos sobre estas temáticas. Em filmes. A série baseia-se muito nos livros que escreveu sobre a vida familiar em Corfu.

O irmão, Larry, como escritor, foi candidato ao Nobel em 61 e 62.

 

O documentário aborda estes assuntos, de forma apelativa e compreensível. A narradora, interliga os vários entre trechos e como referiu, durante os anos das gravações, tinha duas famílias. A real e a que desempenhava ficcionalmente em Corfu.

No documentário, interligam-se aspetos da ficção do seriado, com elementos da realidade dos personagens. Imagens fotográficas antigas, de filmes, de programas televisivos, de acontecimentos ocorridos na vida dos familiares. Depoimentos dos próprios e de pessoas que conviveram com os mesmos; as mulheres de Gerry, ainda vivas; vizinhas de Margot, de Bournemouth, uma sua neta; trabalhadores do Zoo.

Dos quatro filhos, Leslie foi o menos documentado, talvez porque a sua vida tenha sido um pouco mais discreta.

 Margot foi mais escrutinada, um pouco também pela sua vida mais excêntrica. O seu modo de vida menos convencional, as suas viagens pelo mundo.

 

A marca da Ilha fantástica, onde todos foram muito felizes esteve sempre presente e a importância que teve na respetiva formação pessoal.

Uma bisneta de Spiros prestou o seu depoimento. Abordou-se a dúvida, ainda persistente em Corfu, se o amor entre Louisa e Spiros terá sido mais que platónico.

(Que na série também não ficamos a saber muito bem, apesar de Louisa ter confessado à amiga, mulher do médico, que o desejava muito e de o ter beijado na praia.)

E no documentário também vimos o verdadeiro Theo, que compareceu como convidado, numa homenagem que fizeram a Gerry, enquanto “conservacionista”.

Não esquecer que Theo teve um papel importantíssimo na construção ideativa e nos valores interiorizados por Gerry, face às problemáticas ambientais, ao tratamento face aos animais e à vida na natureza. Aproveitou o interesse primário do miúdo face aos animais e ajudou-o a crescer e desenvolver-se. De certo modo, foi o seu mentor.

 

E ficamos por aqui, relativamente aos Durrells?!

 

 

The Durrells – Epílogo

Uma Celebração à Vida! E à Paz!

Terminou ontem, 2ª feira, 14 de Setembro, a divertida série, de quatro temporadas.

The Durrells Tv series Films season 4 In. News.gtp

Imagem: in. the-durrells-tv-series-films-season-4-

Perante o aproximar da guerra, Louisa Durrell, apesar da relutância ou alheamento iniciais, andava totalmente enlevada em Spiros, decidiu deixar Corfu, onde haviam sido todos tão felizes. Estamos em 1939, não me pergunte a data exata, dia e mês, S.F.F., que não vi o telegrama enviado à mãe de família e protagonista principal do seriado. O que sei, que a senhora leu, é que o primo Basil (não o primo Basílio, de Eça), mas o primo dela, co – herdeiro da tia Hermione, cuja herança delapidara por inépcia, havia sido morto na Albânia. Só pelo facto de ser inglês.

(Albânia fora invadida pelo exército da Itália fascista, na 2ª semana de Abril.) Terá sido depois disso que essa decisão foi tomada e apressada. Theo, amigo da família, já vinha avisando dessa necessidade, nomeadamente o caçula, Gerry, de quem era muito amigo, pelo mútuo interesse pelos animais.

Foi nessa sequência, pelo tempo presumia-se já Verão, que decidiram voltar a Inglaterra. Mas não iriam por terra, contrariamente ao que escrevi em postal anterior, pois não seria seguro. Viajariam de barco, que brevemente um navio aportaria a Corfu, para levar eventuais repatriados. (Não vimos esse repatriamento na série. Mas foi pena!)

 

Antes de abalarem, quiseram homenagear e agradecer à comunidade local que os recebera, de um modo geral bem, apesar de alguns equívocos recíprocos, e com os elementos gregos com quem mais se entrosaram, encenaram uma peça de autoria de Larry: Ulisses. Uma prova da consideração sobre o povo que os acolheu, uma celebração da Cultura Grega Clássica. Um êxito! Um verdadeiro acontecimento, “happening”, aos moldes dos anos sessenta, pois que factos reais se incorporaram no desenrolar da representação.

Um deles, foi a entrada em cena da protagonista. Vinda, mais o taxista, da praia, onde finalmente se declararam. Não sabemos se ficaram apenas pela verbalização. Outro acontecimento, bem espetacular, foi a chegada de barco, de Zoltan, ex - namorado de Margot, qual Poseidon… O que ocorreu a seguir?! … A rapariga britânica preferiu o turco ao grego!

 

Outro acontecimento de despedida ocorreu também na água… elemento primordial da Vida Humana. Uma degustação, uma celebração vínica, de despedida. Instalada uma mesa no mar, junto à casa onde habitaram, celebraram a Amizade que os uniu: os principais protagonistas.

(A família irá retornar a Bournemouth, exceto Larry que, regressado de Paris, onde estivera uns tempos, ficará na Grécia, pois entrou para os Serviços Secretos Britânicos!)

E muitíssimo ficou por contar…

 

Hoje, a RTP2 dará continuidade à saga dos Durrells. Como o enredo se baseava em situações reais, romanceadas é certo, vão abordar o prosseguimento da vida dos personagens principais.

 

Aguardo para ver, pois, à partida, acho que será bastante interessante.

 

Até logo, à hora habitual das séries na RTP2: 22h. 15´.

“The Durrells” e Cidadania

Uma olhar diferente sobre uma Série divertida!

Oliveiras centenárias. Foto Original. 2020. 08.jpg

 

Este postal resulta da divisão que fiz do anterior, abordando separadamente a temática da Série.

 

A propósito de “Cidadania”, assunto de que tanto se falava há alguns dias, entretanto passou de moda, apresento excerto das “Linhas Orientadoras” de “Educação para a Cidadania”, para que possa analisar, avaliar, formular o seu próprio juízo de valor, Caro/a Leitor/a!

As “…diferentes dimensões da educação para a cidadania, tais como: educação para os direitos humanos; educação ambiental/desenvolvimento sustentável; educação rodoviária; educação financeira; educação do consumidor; educação para o empreendedorismo; educação para a igualdade de género; educação intercultural; educação para o desenvolvimento; educação para a defesa e a segurança/educação para a paz; voluntariado; educação para os media; dimensão europeia da educação; educação para a saúde e a sexualidade. (…)”

In. Direção - Geral da Educação Dez 2012, atualizado em Novembro de 2013.

 

E o que tem tudo isto a ver com a Série “The Durrells”?!

 

Porque as temáticas abordadas na série são uma verdadeira Aula de Educação para a Cidadania!

 

A maior preocupação da Mãe de Família, Louisa Durrell, é precisamente a Educação dos Filhos. Na série, nas quatro temporadas, podemos observar esse processo, no decurso dos cinco anos em que decorre a ação, predominantemente na Ilha de Corfu – Grécia, nos problemáticos anos de 1935 a 1939, na iminência da II guerra mundial.

Oliveira Milenar. Foto Original. 2020. 08. jpg

 

Caro/a Leitor/a, se acompanha o seriado, relacione com os temas supracitados e formule o seu próprio juízo de valor.

Verifique se a maioria dos temas da Disciplina não perpassam no desenvolvimento da narrativa, SFF!

 

Se, por acaso, não tem seguido a trama, tente apanhar ainda o comboio, ver o final, que se aproxima. Que o enredo deve estar a encontrar um desfecho, que desconheço. Mas como a guerra está iminente, e as viagens ficarão problematizadas, face às invasões já concretizadas e ao avanço da barbárie, presumo que a família, provavelmente, tentará regressar a Inglaterra.

Replicar, em sentido inverso, a viagem efetuada por Margot. De comboio, por França, Suíça, Itália. De barco, nas ligações entre as Ilhas e o Continente.

Digo eu! Que não li os livros base, inspiradores dos guionistas televisivos.

Mas não podem retardar-se… que a guerra está aí.

Veja a Série, e divirta-se, sem deixar de refletir!

E será que Louisa e Spiros ainda se decidem?! (…)

*******

E as fotos documentais?! (Fotos originais.) Oliveiras... de certo modo ligam-nos a Corfu, também povoada destas árvores. Quem sabe, não serão as documentadas, clone de algumas da Grécia?! 

The Durrells - 4ª Temporada

 

Uma Série bem disposta! Vai gostar, de certeza!

The Durrells. httpswww.radiotimes.comnewstv.jpg

“Na próxima segunda, 10/08/20, começará nova temporada de “Os Durrell”, série engraçada, mas que, até aqui, não apreciei demasiado.” Escrevi em 9 Agosto de 2020.

 

Pensava eu que começariam nova temporada nessa data. Não! O que iniciaram foi a repetição das três temporadas, que já haviam apresentado na RTP2. Como forma de prepararem a visualização da 4ª temporada, que efetivamente se iniciou ontem, 7 de Setembro, 2ª feira, no horário habitual das Séries da RTP2: cerca das 10h. 15’.

Nesta repetição das três anteriores temporadas, segui os vários episódios, com bastante assiduidade, contrariamente ao que fizera na primeira apresentação. E segui com muito interesse, naquele quase hábito de ver e apreciar as Séries da RTP2, no tradicional horário fixo de serão. Gosto do horário, após as notícias, que também são as que sigo com mais frequência.

Se gostei da série?! Pois claro! Gostei e recomendo. Mais que engraçada, achei-a engraçadíssima. Tem imensas cenas de pura diversão, em que o riso nos ocorre espontaneamente. E faz bem seguir assim um seriado de gente bem disposta, a bem da Vida!

As peripécias da Família Durrells, na Ilha de Corfu – Grécia, nos idos de 1935 – 1939. Britânicos, nascidos na Índia, nos tempos do Império, finais séc. XIX, inícios do XX. Inadaptados na Inglaterra, aonde regressaram após a morte do chefe da família, ocorrida em 1928, a Mãe de família, Louisa, decide ir para a ilha grega, em 1935.

A narrativa novelística baseia-se na vida real desta família, mãe viúva, na casa dos quarenta e os quatro filhos: Lawrence / Larry, Leslie, Margaret / Margot e Gerald / Gerry. (Larry, já com mais de 20 anos e Gerry, doze.)

E dos seus amigos gregos que os ajudaram na adaptação ao modo de vida nesse ambiente: o taxista Spiros, a empregada Lugaretzia, o cientista Theo.

Bem, fica muitíssimo por contar… Pode sempre retroceder nos programas da RTP2, caso não tenha visto ou ir a RTPplay. Ou começar na 4ª temporada. Hoje será o 2º episódio.

Vai divertir-se, de certeza!

“Line of Duty” – Afinal quem é o H?!

Lei e Corrupção

 

Season Five – 5ª Temporada – BBC One - 6 Episódios

 

Terminou ontem, 24 de Setembro, 3ª feira, o sexto episódio desta interessante série britânica e também a 5ª temporada.

 

Pelo modo como finalizou, ainda estará prevista uma sexta, pois o suposto H, chefia superior dos quadros da polícia e elo fundamental de ligação e comando com o crime organizado, ainda não foi descoberto.

 

No desenvolvimento destes seis episódios, tudo parecia indicar que este chefão oculto seria o superintendente Ted Hastings e essa suposição, quase certeza, manteve-se até quase ao final do episódio último.

Numa reviravolta rocambolesca, afinal Ted foi mais uma quase vítima desse celebérrimo H.

Valeram-lhe os seus subordinados e equipa imprescindível, composta pelos infatigáveis, leais e incorruptíveis, sargento Steve Arnott e “investigadora” Kate Fleming. Assim a brigada anti corrupção AC – 12 irá continuar em funções.

 

Em contraponto e infiltrado no mundo do crime para descobrir o H, John Corbett, que acabaria degolado por um jovem destrambelhado dessa equipa de psicóticos que constituíam o Grupo Organizado de Criminosos. Deixando uma linda rapariga viúva com duas crianças para criar… Parece que Hastings, no final, lhe foi entregar um envelope com 50 mil libras! Parece!

Pelo meio, uma quantidade de mortos, especialmente polícias corruptos. E uma frívola dengosa, Gill Biggloe, assessora jurídica e falsa amiga de Ted, que afinal era intermediária desse celebérrimo H! Mas que também não sabe quem é.

Nem ela nem nós, que ficamos com esta curiosidade, que certamente só será esclarecida futuramente.

 

Gostei muito de ver esta 6ª temporada. Mas não gostei do desfecho, nem o achei especialmente plausível, nem de fácil entendimento na finalização.

Mas lá está. Há que “fazer render o peixe” e dar continuidade a mais uma “season”!

E tudo isto por causa do H! Afinal, o melhor é mesmo acabarmos com o H!

 

A “Operação Pear Tree” – árvore das peras, apenas serviu para deitar fora mais algumas maçãs podres.

Foi isto que os políticos de serviço declararam aos meios de comunicação social, para tranquilidade pública.

Não há corrupção institucionalizada na polícia. Apenas algumas maçãs pobres. Mas estas foram removidas com a operação da árvore das peras!!!

Temos dito!

(Aguardemos a sexta… season – estação – temporada…)

Philharmonia: Dor de ausência

A Orquestra - Série Francesa – RTP2

6º e Último Episódio – 2ª feira – 27 Maio

 

“Dor de ausência”, foi assim que Rafael Crozes, o melómano, apaixonado da maestrina Hélène e financiador da orquestra Philharmonia, caraterizou o solo genial de violino de Selena Riviére, quando esta se candidatou a titular nessa mesma orquestra.

Ausência e rejeição por parte da mãe biológica que não a aceitou reconhecer, após o terramoto de 1999, na Turquia, em que ambas se salvaram, mas a mãe a obrigou a ir para adoção e dizer sempre que a mãe estava morta. Tinha Selena quatro anos!

Seria adotada por uma família francesa, tendo partido de avião, mas sempre a chorar, ao ponto de a hospedeira lhe colocar auscultadores com música de Hélène Barizet, um célebre solo de violino.

Essa sintomatologia de rejeição foi confirmada e reafirmada no decurso da série, que a mãe biológica na Turquia, recusou-se novamente a vê-la e aceitá-la, face ao pedido e buscas que Selena encetara na Assistência Social.

Essa dor, de não amada, não aceite, rejeitada pela figura primordial, deixou marcas permanentes no seu ser, desenvolvendo nela uma pulsão ao assassinato das figuras próximas das Mães substitutas, fossem seres humanos ou animais. Caso da cadela de estimação da Mãe adotiva, que vimos, dos gémeos desta e de Jeff Moretti (oboé da orquestra), pela sua aproximação à maestrina, por quem Selena desenvolvera toda uma relação patológica de identificação e de mãe substituta. E de quem pretendia um amor absoluto e exclusivo!

 

A série foi extremamente apelativa, supervalorizada pela música, com enredo muito interessante de seguir, envolvendo várias problemáticas atuais e tocantes que, lamento caríssimo/a leitor/a, não posso aqui esmiuçar.

 

Relevo sobremaneira a parte final, a apresentação da sinfonia do ainda marido da maestrina, Peter Faulkner, que não houve tempo de se divorciarem, mas acontecerá.

O aparecimento em pleno concerto, de Selena, que andara desaparecida como sabe (!) tocando o seu violino e o dueto com a maestrina, também ela executante de violino. E essa soberba atuação de ambas e o final - final, com a entrada dos policiais, que haviam confirmado ter sido ela a assassina de Jeff, e o finalíssimo, de ela sacar da pistola da maestrina, mãe substituta, alter-ego, e disparar sobre si mesma e suicidar-se, em pleno palco.

 

E depois, terá havido enterro, que já só vimos a campa cheia de flores e as duas Mães, adotiva e maestrina, junto dela no cemitério. (Algum certamente famoso de Paris, julgo eu!)

 

E, aí, lugar de Morte e descanso final, finalmente, Hélène resolveu abrir o envelope com o resultado das análises à presença ou ausência do malfadado gene patológico herdado da mãe. Abriu, leu, pareceu sorrir, mas não nos disse nada, ficamos sem efetivamente saber o resultado.

Mas no final da alameda, rodeada de jazigos e sepulturas, apareceu o atual namorado de Hélène, Yvan Borowski. Não sei se lhe mostrou, mas seguiram ambos para fora do cemitério, certamente encaminhando-se para uma nova Vida de Amor e Música!

(Não me parece que esta série tenha continuidade. Mas que foi interessantíssima, foi, de facto!)

Séries: Final de temporada e sinal de continuidade…

Séries Europeias RTP2 - Séries Francesas

Agência Clandestina- O Barão Negro

 

Caro/a Leitor/a sabe que neste blogue se apreciam especialmente as séries europeias que vão passando na RTP2, pelo menos desde finais de 2014. Durante alguns tempos fui sempre escrevendo alguns posts sobre as mesmas, especialmente a partir de Borgen.

 

No ano passado, 2018, pouco escrevi. Este ano recomecei a escrever sobre o Barão Negro, ainda que não tenha concluído a análise sobre os últimos episódios apesar de ter visto o final.

 

Terminada esta série recomeçaram com a Agência Clandestina. (Péssima tradução do título para português…) Uma 4ª Temporada. Também vi, mas não escrevi nada sobre a mesma.

 

(Agora andam com uma sueca, “O Restaurante”, numa 2ª temporada. Vi a primeira e alguns episódios desta segunda. Também interessante, embora não tanto como as duas anteriores. Mas também aborda assuntos muito relevantes, mais de caráter social, a partir da cidade de Estocolmo, nos anos após a 2ª guerra, centrados numa família alargada, gestora de um restaurante muito famoso… Segue-se com muito agrado!)

 

Mas não é disso que quero falar.

Pretendo abordar a conjetura sobre a eventual continuidade dos seriados, com base nos finais de episódio e temporada e a hipotética continuidade das séries noutra sequência. Reporto-me às duas supra mencionadas. 

 

Philippe Rickwaert. in. net.jpg

 

Barão Negro

No final do último episódio, Philippe, a modos que se reconciliou com a filha Salomé, que foi encontrar nas dunas da praia de Dunquerque, a desenhar… E qual o desenho que a filha mostrou ao pai?!

Precisamente o respetivo rosto desenhado e com a legenda: Rickwaert a Presidente!

Sinal de que vai ou não haver nova temporada?! Ou que pelo menos deixam em aberto essa possibilidade?! O que acha Caro/a Leitor/a?! (…   …)

 

gullaume debailly.in. net. jpg

 

 

Agência Clandestina

Guillaume Debailly, Paul Lefebvre, Malotru, o “Agente Lendário”, que lhe chamo eu, ou lá o nome ou pseudónimo, ou anexim, estes ou outros que ele tenha usado, supostamente estaria na Ucrânia. Supostamente terá sido “condenado” a morrer, como forma de se verem livre dele, pelo potencial explosivo de todos os conhecimentos que ele foi adquirindo e como pagamento pela sua “traição”… Um ucraniano deu-lhe uma bebida, um alucinogénio, que lhe permitiria sonhar enquanto fosse morrer e deste modo levar a execução da sentença de forma mais benigna.

Vimo-lo a perder a consciência, supostamente imaginando-se em Paris num “escritório – prateleira” da Agência, o seu desejo; também na Cidade Luz, num bistrot, com a filha, Prune Debailly, aguardando a namorada, Nádia El Masour, a chegada desta, que cumprimentou e conversou amigavelmente com a “enteada”, muito animadas e ele, observando, sem participar na ação. Apenas como observador…

Na Ucrânia também viramos o soldado lançar um líquido à volta de Malotru, líquido que incendiou. Gerou-se fogo. Malotru em fundo, meio deitado, meio adormecido, naquele meio sonho… Não vimos o fogo chegar-se-lhe…

Morreu? Não morreu?! Haveremos de saber?! Talvez só numa eventual quinta temporada?!

O que acha Caro/a Leitor/a?!

(Este post surgiu-me, na sequência de comentário que foi feito num post sobre a série, friso!)

A Baronesa ultrapassa o Barão e torna-se Rainha!

A solidão e angústia nas tomadas de decisão cruciais!

 

Este capítulo de 3ª feira, 29/01, (T2 – Cap. 4) situou-se mais na Presidente e na sua capacidade de decisão. Foi muito mais de estratégia e tática políticas, centradas na Presidente, no seu protagonismo enquanto Chefe de Estado, na sua emergente capacidade decisória, no seu papel no contexto do presidencialismo da República Francesa. Muito marcantes aqueles momentos decisivos e decisórios em que a responsabilidade por atos e vidas de terceiros estiveram, exclusivamente, nas suas mãos, melhor, na sua vontade, na sua decisão!

 

(O presidencialismo francês tem muito de realeza! Até os espaços em que decorre a ação presidencial são todos eles de palácios antigos, dos reis, dos imperadores, da monarquia e do império. A série, de forma real ou ficcionada, reporta-nos para esses contextos espaciais.)

 

Três temas fundamentais.

 

A questão dos jihadistas, a que mexeu mais com a consciência da presidente, enquanto pessoa, ser humano, mulher, que teve que dar ordem de execução sobre os três terroristas. São sempre vidas humanas que são retiradas.

 

As chantagens dentro do próprio partido, protagonizadas por Malandrin, um verdadeiro malandrim!

Cyril Balsan suspenso, mas que deu a volta por cima e se lançou na carreira política, independentizando-se do seu mentor Philippe Rickaert , que até gostou de o ouvir e ver crescer.

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A questão das alianças governamentais e parlamentares face ao facto de o partido ter apenas uma maioria relativa para governar e precisar de acordos pontuais para fazer aprovar a legislação pretendida e estruturar toda a governação.

 

Philippe Rickaert, através da sua atividade de conselheiro da Presidente, pretende, que se concretize um acordo com os radicais de esquerda e se alcance a união entre ambas as esquerdas. E de manobra em manobra, com Michel Vidal e com a Presidente, consegue que aquele se reúna com Amélie, e tentem desbravar um possível acordo de governação, unindo as esquerdas. As coisas até pareciam ou poderiam ser possíveis, mas com um personagem como aquele foi de todo impossível. Egocêntrico, hiper – letrado, agarrado a citações, Michelet, Diderot, Marx, só faltou Althusser, teórico, tudo fez para fazer-se mostrar superior, acima do cotejo, do nível da Presidenta! Fez-se brilhar, mas não trabalhou absolutamente nada para um acordo. Só se situou nas suas perspetivas, na sua visão iluminada!

 

Os “elefantes” do partido, ou seja, os super poderosos, ocupando os cargos centrais, tudo fizeram para que a Presidenta se baseasse na governação através do artigo 49 - 3, que lhe permitiria agir e fazer aprovar legislação e desempenhar o seu papel executivo, ainda que em minoria, mas que Amélie e também Philippe não querem de todo.

 

Face a estes dilemas e à constante pressão destas diversas fações opostas, a Presidente optou e decidiu-se pela hipótese que mais lhe agrada e se sente mais próxima: alia-se a Thorigny, isto é, ao Centro.

 

Enquanto isso, Philippe vê-se a braços com a rejeição da filha que inclusive quer mudar de apelido. Paradigmática a cena de ambos apanhando água, apenas protegidos pelo minúsculo e frágil guarda-chuva de Salomé!

 

Para aprofundar sobre a Série!

De Barão Negro a Ministro do Trabalho!

Subida na Horizontal?!?!

Baron Noir 2019.jpg

Neste último episódio, o quinto, 6ª feira, dia 18, Philippe Rickwaert “ascendeu” a Ministro do Trabalho!

É caso para perguntar, de uma forma que hoje, em que é tudo tão politicamente correto, será considerada fora de moda, quase anátema:

- Será que Philippe usou a horizontalidade para subir?!

(Para esclarecer melhor. Se não estivesse de caso com a Secretária Geral do Partido, Amélie Dorendeu, que é tu cá tu lá com o Presidente, será que ele teria “ascendido” a Ministro?!)

 

E quanto à qualificação de “sacanagem”, se por acaso ainda não consciencializou a atitude, como classifica as jogadas havidas relativamente ao jovem líder estudantil , Medhi Fateni?!

 

(Com estes epítetos não pretendo desvalorizar a série, muito pelo contrário… Que é de seguir! Tem nomeadamente excelentes interpretações, além de um enredo por demais acutilante, apelativo e, infelizmente, atual!)

https://www.rtp.pt/play/p5407/e384969/barao-negro

https://www.rtp.pt/programa/tv/p36734/e6

 

Bora! Vamos ver os futuros episódios!

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