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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

ADEUS!

Adeus: A Deus

 

Nos fios do telégrafo, do telefone

Aos magotes, em fila, empoleiradas

Já se juntavam as andorinhas.

Numa chiadeira ampliada a microfone

Chegando-se umas às outras, encostadas

Quase enchiam várias linhas.

 

Linhas, tantas linhas

Percorrendo as folhas dos cadernos…

Carinhos de cuidados sempre eternos.

Caminhos de letras, a soletrar

A descobrir, a conjugar

Formando palavras, ideias

Compartilhando, trocando, vivendo a meias

Amigas, amizade, de amar.

 

E, as andorinhas sobre as linhas, a chilrear

A soletrar.

 

E, adeus disseram… palavra difícil de achar

Mais difícil de dizer.

 

Adeus… Até mais ver!

Haveremos de voltar.

 

E partiram sobre o mar.

 

Seguiam o apelo que as chamava

As chamava sobre o mar…

 

Era o cheiro das searas

O gosto de amadurar.

Era o cantar das cigarras

Pedindo largar de amarras

Necessitando voar.

 

E, ei-las a navegar!

 

Largar âncora, deixar porto

Aterrar. Chegar. Aeroporto.

Nova âncora lançar.

Dividir-se: entre o ir e o ficar.

 

Adeus. A DEUS!

 

Haveremos de voltar…

 

 

Escrito em 1987.

Publicado em: Cancioneiro Infanto-Juvenil para a Língua Portuguesa – 1º Concurso Poético – Vol. I – “ EU MORO NA MINHA MÃE” – Instituto Piaget -1990

CORES da nossa memória!

 

Branco, branco de cal, sempre na tela

Nos povoa memória, nos enche a vista.

Rodapé azul, grená, barra amarela

Cultura de povo, nascente de artista.

 

Castanho ocre da paisagem ressequida

Verde cinza dos montados e olivais

Preto de viúva, primavera já esquecida

Florescente no seu tempo até nos matagais.

 

Searas verdes, boninas, rubras papoilas

Giestas, urzes, jeans em rosadas moçoilas

Apanhando ramo d’espiga nos trigais.

 

Trigo louro, talha barroca num altar

Azulejo, azeite, tinto, pão alvar

Branco absoluto, desejo de mortais!

 

 

Escrito em 1988.

Publicado no Jornal “Fonte Nova” em 22/09/1988.

 

 

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