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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“Passadiço” de Portalegre e Limpeza dos Terrenos

Cidade de Régio: Estrada da Serra – Encosta Norte do Colégio

Percurso do Passadiço. Foto Original. 2021.01. jpg

Um passeio, caminhando “Passadiço” acima, é sempre algo relaxante, por demais, quando em confinamento.

Terreno Limpo. Foto Original. 2021. 01. jpg

Em Janeiro, realizámos uma dessas caminhadas pelo “Passadiço”.

Lado Leste Estrada limpo. Foto Original. 2021.01. jpg

E pudemos constatar algo de muito positivo. Terrenos marginando a Estrada da Serra, limpos de matos, como forma de prevenção dos fogos. Foi tema que já abordáramos algumas vezes no blogue, em relatos de anteriores passeatas.

Sobreiral limpo. Foto Original. 2021. 01. jpg

Pois, agora podemos constatar que houve limpezas em vários dos locais em que eram necessárias. Por ex., na Fonte dos Amores as encostas a montante, lado Leste, foram desbastadas das matas. Também os sobreirais a jusante, lado Oeste da estrada, se encontram limpos.

Parabéns às entidades competentes que providenciaram essas limpezas, aos trabalhadores que as executaram. As fotos documentam esses factos.

Passadiço. Vista. Foto original. 2021. 01. jpg

E aproveitamos também para divulgar alguns excertos dos espaços que nos interpelam a atenção.

Escadaria Miradouro. Foto original. 2021.01. jpg

Deixamos à sua consideração apreciar as vistas e, quem sabe, realizar também alguma vez esse passeio - caminhada. Não se arrependerá.

Miradouro. Vistas. Foto Original. 2021.01. jpg

 

E por falar em limpezas, de matos.

Constatamos igualmente, agora, em Fevereiro, que um território que vinha pedindo limpeza há anos se encontra em processo de desmatação. Refiro-me à encosta da Serra, a norte do Hospital e do Colégio, que vê modificada a sua fisionomia, e bem, para melhor. Andam cortando e queimando os matos.

 

Difícil, difícil é erradicar as célebres acácias mimosas, agora floridas de amarelo, mas que sendo exóticas e infestantes, enxameiam os terrenos e são um obstáculo a uma limpeza eficaz.

No respeitante a estas árvores, o ideal é nunca plantá-las, mas uma vez efetuada essa plantação é uma trabalheira para nos vermos livres delas. Nem sei se conseguimos. É observar os terrenos a montante do Colégio, novamente cheios de ainda mais mimosas!

 

Sugestões:

Cortá-las verdes, é certo que passados meses estão em processo de rebentação. Queimá-las, ainda pior.

Experimentem, descascar-lhes o tronco, cerca de um metro a partir da base e deixar que elas se sequem, o que em princípio acontecerá. Depois de secas, então podem cortá-las. Não sei se será sempre eficaz. Todavia nalguns locais procedem desse modo.

 

E relembro as matas a Noroeste do Boi D’Água: pinheirais e matagais a pedirem limpezas.

 

E para quando as Entidades Nacionais, Públicas ou Privadas, implementam meios técnicos, industriais, para reaproveitar os matos, as lenhas dos desbastes efetuados? Por ex. produção de energia, a partir da biomassa.

*******

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/arvore-europeia-do-ano-2021

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/passeio-virtual-na-cidade-de-regio

Portalegre – Régio – Poesia

Estátua Régio lendo. Foto Original. 2021. 01. jpg

Está Régio, sentado… lendo. Perto, alguns dos seus ícones: livros, crucifixos…

 

“Evocação do Cinquentenário da Morte de José Régio”: É esse o leitmotiv do monumento escultórico, que a imagem documenta. Instalado perto da Casa Museu onde viveu e atualmente alberga o espólio das muitas coleções a que dedicou parte da sua vida.

Régio na Rua do Liceu. Foto Original. 2021. 01. jpg

Na Rua e no caminho que terá percorrido muitíssimas vezes, dirigindo-se ao Liceu de Portalegre, onde lecionou; na direção do centro da Cidade, aos cafés que frequentava. Indo e vindo, na sua vida, por aqui palmilhada vários anos. Foi bem escolhido o local para instalar a estátua.

 

Não poderemos dizer que a ideia seja cem por cento original. Deduzimos inspiração a partir da evocativa de Fernando Pessoa, instalada ao Chiado, em Lisboa. Mas isso também não é necessariamente relevante. Ademais, Pessoa e Régio foram contemporâneos, embora Pessoa fosse mais velho e tivesse morrido bem mais cedo. Régio era admirador de Pessoa e foi um dos primeiros divulgadores da respetiva Obra.

Não importa! Ou importa: Em Portalegre, porto ou porta…

 

Obra executada por Maria Leal da Costa e José Luís Hinchado, em mármore e ferro.

Régio lendo. Ícones Regianos. Foto Original. 2021. 01. jpg

É, todavia, relevante, frisar que este é um caminho a seguir pela Cidade. Valorizar a sua identidade como “Cidade de Régio”.

Institucionalizar a “Marca Régio: Portalegre – Cidade de Régio”.

Valorizar a Poesia – “PortalegreCidade de Poesia”!

(Todos estes Valores inerentes à Cultura, ao Turismo, atualmente estão algo adormecidos, com esta “coisa da Covid”. Mas atrás de tempos outros tempos virão. E sobrevirão outros e melhores tempos.)

 

E a propósito de tempos melhores, temos constatado que terrenos da Serra, em diversos locais, alguns bem dentro da Cidade, estão a ser limpos dos matos, das plantas infestantes. Estão fazendo limpezas, prevenindo e precavendo os fogos.

Muitíssimo bem. Aprovado. Parabéns! Foram assuntos que também abordámos e documentámos por diversas vezes no blogue. Voltarei a este tema.

 

Relativamente ao monumento, algumas dúvidas se me levantam. A escultura representa Régio ou um possível leitor de Régio?

E o que está o Personagem a ler?!

Ainda voltarei ao local, para observar melhor.

Poemas...

Ao longe…

 

Ao longe, a serra…

Uma miragem

Duma impossível viagem.

 

 

 

 

 

A Oriente…

 

A Oriente se quedava a serra

Azul e tremente miragem.

Olhando-a, deixava a Terra

E seguia a minha viagem…

 

 

 

Poemas escritos em 1985, inspirados na visão distante da Serra…, ao tempo em que, nas Courelas, apascentava o rebanho…

Sobre Aldea da Mata

100px-CRT-aldeiamata.png. - in wikipédia.Imagem,:in Wikipédia.

 

Memórias Paroquiais de 1758

 

Seguidamente se apresentam as principais informações disponibilizadas sobre a Paróquia de “Aldea da Mata”, com base nas fontes referenciadas no “post” anterior e com as respostas dadas pelo Pároco: ”O Reytor Cura Jozeph Martins”, respondendo às perguntas formuladas no Inquérito.

      Nesta divulgação optei pela utilização da ortografia atual, contrariamente ao que apresentara na versão publicada no Jornal “A Mensagem”, em 2014, de modo a tornar a informação mais entendível, embora considere que não é difícil compreender o texto com a ortografia da época.

Sublinhei alguns termos a negrito para destacar a informação. (As respostas do Pároco estão entre "aspas".)

Só estão apresentadas as perguntas sobre as quais houve respostas.

 

Sobre “Aldea da Mata”

cópia do original de Mata jpgImagem in: www.publico.pt/.../torre-do-tombo-memorias-paroquiais

 

 

Em observância do que se me ordena”

 

  1.Em que província fica, que bispado, comarca, termo e freguesia pertence?

R: “Aldeia da Mata fica na Província do Alentejo, comarca do Crato no termo da mesma vila, não pertence a outra freguesia.”

 

  1. Se é d'el-rei, ou de donatário, e quem o é ao presente?

R: “É do Sereníssimo Senhor Infante Dom Pedro como Grão Prior deste Priorado do Crato.”

 

  1. Quantos vizinhos tem e o número das pessoas?

R: “Tem trezentas pessoas de sacramento, e oitenta menores.”

 

  1. Se está situada em campina, vale, ou monte, e que povoações se descobrem dela, e quanto dista?

R: “Está situada em campina pequena.”

 

  1. Se a paróquia está fora do lugar, ou dentro dele, e quantos lugares, ou aldeias tem a freguesia, todos pelos seus nomes?

R: “A paróquia está fora da aldeia mas quase próxima a ela.”

 

  1. Qual é o orago, quantos altares tem, e de que santos, quantas naves tem; se tem irmandades, quantas, e de que santos?

R: “São Martinho é o seu orago, tem mais três altares, da Conceição, Rosário, e Almas, e tem somente uma nave.”

 

  1. Se o Pároco é cura, vigário, ou reitor, ou prior, ou abade, e de que apresentação é, e que renda tem?

R: “É reitor cura o qual apresenta o dito Sereníssimo Senhor Infante, tem de ordenado dois moios de trigo, vinte almudes de vinho, e em dinheiro dois mil reis.”

 

  1. Se tem ermidas, e de que santos, e se estão dentro, ou fora do lugar, e a quem pertencem?

R: “Tem duas ermidas, uma de Santo António outra de São Pedro muito pobres ficam quase fora da mesma aldeia e pertencem ao pároco da dita freguesia de São Martinho.”

 

  1. Quais são os frutos da terra que os moradores recolhem em maior abundância?

R: “Recolhe centeio, algum trigo e milho.”

 

  1. Se tem juiz ordinário, etc., câmara, ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra, e qual é esta?

R: “Tem juiz da vintena e é sujeita ao juiz de fora do Crato.”

 

  1. Se tem correio, e em que dias da semana chega e parte; e, se o não tem, de que correio se serve, e quanto dista a terra onde ele chega?

R: “Não tem correio serve-se do do Crato.”

 

  1. Quanto dista da cidade capital do bispado, e quanto de Lisboa, capital do reino? Se tem algum privilégio, antiguidades, ou outras cousas dignas de memória?

R: “Dista uma légua do Crato, e vinte e sete de Lisboa.”

 

  1. Se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755, e em quê, e se está reparado?
    R: “Não padeceu ruína alguma.”

 

Na parte do Questionário sobre a “serra”, foi respondido: “Não tem serra grande nem pequena.”

 

Sobre o “rio”: “Não tem rio grande nem pequeno, somente uma ribeira pequena que corre alguns meses no tempo do Inverno e neste mesmo tempo moem dois moinhos de moer pão que estão na mesma ribeira limite da mesma aldeia.”

 

Cascata da Azenha do Ti Luís Belo.jpg

 Foto de F.M.C.L

 

 

 

Memórias Paroquiais

Memórias Paroquiais de 1758

(As freguesias do atual concelho de Crato)

mapa  concelho crato.gif

Em 1758, no reinado de D. José I, três anos após o “Terramoto de 1755”, através de um aviso de 18 de Janeiro do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, foram enviados interrogatórios para todos os Párocos do Reino, inquirindo-os sobre as respetivas paróquias e povoações.

Retrato_do_Marquês_de_Pombal.JPG

Nesses inquéritos eram formuladas questões incidindo sobre três temas:

A terra, isto é, a localidade propriamente dita, nomeadamente sobre a sua geografia, dados eclesiásticos e religiosos, demográficos, históricos, económicos, administrativos e jurisdicionais, entre outros. Também se questionava sobre os danos provocados pelo “Terramoto”. Um total de 27 perguntas.

A serra, incluindo 13 questões sobre alguma serra existente na paróquia, seus cursos de água, minas, plantas, caça, povoações, etc.

E os rios, com 20 perguntas sobre a sua designação, volume de águas, navegabilidade, pescarias, cultivos nas margens, eventual ouro de aluvião, pontes, existência de moinhos ou lagares de azeite, etc.

Havia ainda uma pergunta, funcionando como recomendação final: «E qualquer coisa notável que não vá neste interrogatório.»

Após respondidos, deveriam as respetivas respostas ser remetidas à Secretaria de Estado dos Negócios do Reino.

A organização das respostas aos inquéritos coube ao Padre Luís Cardoso (1694 – 1769), que já anteriormente organizara um “Dicionário Geográfico de Portugal”, a partir de inquérito realizado em 1732. As designadas “Memórias Paroquiais” de 1758 só seriam concluídas em 1832.

As perguntas foram iguais para todos os párocos, mas as respostas variaram bastante, em função das características específicas de cada povoação, mas provavelmente também do eclesiástico respondente, conforme se pode verificar nas Memórias das Paróquias do “termo” da “villa” do Crato.

Na “Torre do Tombo” estão depositados 44 volumes manuscritos de “Memórias Paroquiais”, disponíveis online.

A Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com o Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo também disponibiliza informação tratada sobre o assunto.

A Universidade de Évora, através do CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora e da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia, disponibiliza informação digitalizada sobre várias paróquias do Alentejo, nomeadamente do concelho de Crato.

Foi a partir destes dados que foi coligida a informação referente às paróquias do termo da vila do Crato.

Na “net” também estão disponíveis diversos trabalhos específicos sobre o assunto, de múltiplas localidades e concelhos, praticamente de todo o País.

Há também muita bibliografia disponível sobre esta temática, referente aos mais diversos concelhos do País. Diversas Câmaras Municipais e variadas Instituições culturais têm apoiado a publicação, em suporte de livro ou revista, dos documentos respeitantes às respetivas Paróquias, que na sua essência estruturam o cerne das atuais freguesias, apesar das muitas modificações existentes ao longo destes dois séculos e meio, disponibilizando, deste modo, informação sobre o respetivo passado.

Nos textos que iremos apresentado nos “posts” pretende-se fundamentalmente divulgar informação sobre o passado das paróquias do Concelho, que a memória do que foi vivido, ainda que remotamente, estrutura o presente e condiciona o futuro.

Porque, apesar das muitas mudanças e alterações no mundo atual, e precisamente por elas existirem e fazerem parte integrante do nosso padrão de vida, é importante valorizarmos o legado material e imaterial que nos foi deixado e faz parte da nossa identidade e cidadania. Aproveitando, nomeadamente, este moderno recurso, a internet, que tão democrática e enriquecedoramente nos permite, por um lado, o acesso à informação e ao conhecimento e, por outro, nos proporciona a subsequente divulgação.

Que ao ‘Acender-se uma Luz…’! Usufruindo do direito inalienável da “Liberdade de Expressão”.

Poder-se-á dizer que estes textos memoriais têm lacunas e limitações. Certamente terão e estudiosos avalizados sobre o tema enumerá-las-ão…

Têm também virtualidades. Na minha perspetiva, nomeadamente a utilização da metodologia de inquérito, em que questões estruturadas e comuns foram colocadas a todos os Párocos do Reino, permitindo a recolha relativamente simultânea de respostas de diferentes pessoas, de variadas localidades sobre os mesmos problemas, obtendo informações que, com todas as relatividades inerentes, permitem tirar conclusões sobre aspetos comuns a todo o território.

Frisando, como disse, limitações que existem.

Por ex., pode ficar-se a conhecer e comparar os efeitos do “Terramoto”, pelas diferentes regiões do País. Lendo as Memórias Paroquiais de Almada e do Crato notam-se grandes diferenças sobre os efeitos que este fenómeno geológico teve em cada um dos “termos”.

1755_Lisbon_earthquake.jpg

Também se pode analisar comparativa e regionalmente sobre as produções agrícolas dominantes. E também concluir que, genericamente, assentavam à época ainda na trilogia fundamental desde a época romana: cereal, vinho e azeite, para além da criação de gado. Existiam, contudo, especificidades e preponderâncias regionais de uns ou outros produtos.

centeio.jpguva.jpgazeitona.jpg

Notas Finais:

  • Através deste “post”, voltamos à temática histórica.
  • Uma versão deste texto foi publicada no Jornal “A Mensagem”, em 2014.

 

Imagens:

- mapa do concelho do Crato, in “aquém-tejo.blogsapo.pt/ …”

- Sebastião José de Carvalho e Melo (1699 – 1782), Escola Portuguesa, Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco, in Wikipédia.

- “Gravura em cobre, mostrando Lisboa em chamas e o tsunami varrendo o porto”, in wikipédia.

- imagens de “centeio, uva e azeitona”, in wikipédia.

 

 

 

 

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