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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Homenagem a um Sportinguista!

«CRÓNICA breve dos dias de Hoje

Cidade de Régio. Foto Original. 2021. 05. jpg

«Vivemos num tempo em que as nossas televisões, nos seus canais generalistas, maioritariamente nos impingem programas de quase indigência mental, em que confrangedora, mas alegremente, assistimos a verdadeiros artistas representarem em “planos inclinados”, metáforas da vida atual, é certo, ou a fazerem “splashs” em piscinas, acompanhados de alguns e algumas excentricidades, concorrendo com “pigs braders” e outros programas de elevado nível social, cultural, educacional e etecetera.

 

Simultaneamente que isto acontece, ocorrem também espetáculos por diversas Coletividades e Instituições Culturais que protagonizados por “artistas amadores”, porque têm Amor à Arte, não passam nem são divulgados nas nossas televisões, ainda que muito mais merecedores de tal e, por vezes, até passam relativamente despercebidos nas respetivas localidades onde ocorrem.

 

Tenho assistido a verdadeiras obras de Arte, protagonizadas por excelentes artistas amadores em localidades como Feijó, Almada, maioritariamente nas respetivas Bibliotecas. Provavelmente ocorrerão acontecimentos idênticos pelas mais variadas regiões do País.

 

No fim de semana de um de Junho, sábado, obrigado por compromissos profissionais a ficar na ridente Cidade de Portalegre, tive conhecimento da ocorrência de um evento cultural mensalmente realizado na Biblioteca Municipal, já merecedor de um caráter institucional e designado “Momentos de Poesia”, a que poucas vezes pude assistir, mas das vezes em que tal aconteceu, saí sempre gratificado. Que neste sábado era dedicado a um nosso confrade de Círculo Nacional d’Arte e Poesia, o Professor José Branquinho, que apenas conhecia através do talento manifestado nos poemas que vou lendo no Boletim do Círculo ou nas Antologias.

 

Nesta bela tarde de sábado, tive o grato prazer de assistir ao seu cantar dos “Cantos” do seu “Canto” e outros poemas e canções, muitos dedicados a esta alegre “Cidade das Maias”. Foi um encanto só por si, pela alegria e jovialidade, pela maestria na atuação, pela emoção e sentido de humor e como com Amor trata a Arte.

 

Como se não bastasse, brindaram-nos ainda e bem com belíssimas canções pelo Grupo Polifónico Clube Sport de Portugal, também amantes das Artes, leões e leoas com lindas e melodiosas vozes, com reportório muito bem escolhido e variado, homenageando-nos a todos através do nosso património cultural antigo, mas também recente, sempre atual, enriquecedor dos belos momentos que vivemos, porque o tempo não se deu pela sua passagem, na acolhedora Sala da Biblioteca Municipal de Portalegre, agora também homenageando uma distinta professora da Cidade.

 

O meu obrigado a todos, participantes, organizadores, homenageados.

Finalizo, frisando, enquanto Cidadão, Professor e Poeta, estes espetáculos deveriam ser obrigatoriamente divulgados nas nossas TVs, em substituição do “lixo televisivo” que transmitem diariamente, onde, obviamente não se incluem todos os programas.

Só uma última nota final. Sou benfiquista!

“Francisco Carita Mata” 2 de Junho de 2013

Boninas. Encosta da Serra. Foto original. 2021.05.jpg

(Algumas notas finais:

Como ele gostaria de ter assistido à vitória do "seu" Sporting!

Os programas televisivos implícitos no texto acabaram. Ficaram outros de teor igual.

Entre aspas, figura o texto original, que terá sido publicado em Boletim do CNAP, por essa data.

Os negritos são realces para o texto no blogue.

Com este texto também valorizo o trabalho das entidades em que ambos “Dissemos Poesia”: APP, CNAP, “Momentos de Poesia”. E a própria Poesia, a que pouca gente atribui real valor.

As entidades que exercem o poder valorizam outras vertentes culturais, sobremaneira o futebol.

Este postal corresponde a um dos objetivos iniciais para que criei este blogue: materializar online trabalhos originais, publicados em suporte de papel, ou inéditos, antes de navegar neste suporte informativo. Está muito aquém do previsto!

A sessão poética descrita ocorreu precisamente há 8 anos!

E este é o postal 909! Acho piada a esta "coisa" dos números.

E as fotos são originais.)

 

Um Postal de Natal?!

APBP. Digitalização árvore natal 5.jpg

Casos Mediáticos!

 

Ao iniciar este postal, dirijo-me a Si, que terá a amabilidade de ler este texto. E desejo-lhe um excelente Dia de Natal!

 

Neste Dia, apesar da sua singularidade, não quero deixar de comentar algumas situações que nos têm chamado a atenção.

 

O caso da chacina na Herdade de Torre Bela – Azambuja. Um crime, sem qualificação possível. E não adianta extrapolar para as situações diárias em que o Ser Humano abate outros seres vivos, que é um facto a pensar também, mas o enquadramento, as finalidades, as motivações, os contextos são diferentes.

Na Torrebela foram centenas de assassinatos, fúteis, grotescos, sem qualquer justificativo.

A Herdade já noticiou não ter tido qualquer responsabilidade. Que também quer que os prevaricadores sejam punidos. E quem são eles?! A empresa ou empresas organizadoras? Os matadores? Também se irão descartar?! As armas dispararam sozinhas?!

Em última instância, ainda terão sido os indefesos animais que se puseram a jeito, frente à mira das espingardas…

Esperemos que haja investigação conclusiva e que o crime seja devidamente categorizado e os responsáveis / criminosos castigados.

 

Outro caso, para atenção dos promotores e defensores do Brexit. As intermináveis filas de camiões, à beira do túnel da Mancha. Bem sei que o motivo imediato da situação não foi o Brexit. Até parece que afinal chegaram a um acordo. Mas é situação que pode vir a ocorrer novamente, perante esta ou outra situação.

A interdependência entre povos, países, estados, nações, culturas, é irreversível. A existência de uma Europa Unida, de grandes espaços globais, é uma necessidade.

A demagogia dos populistas é um perigo à Paz dos Povos!

A União Europeia precisa ser repensada por Estadistas de visão alargada, precisa! Mas faz sentido a existência de um grande espaço de Paz na Europa. E no Mundo.

 

Um caso mais trivial. Em noite de Consoada, foi inevitável o comando da TV parar no “Big Brother”. (Estava sem óculos, por estar com máscara.) Mas… aquele pessoal, as várias famílias dos concorrentes não estariam todos excessivamente desconfinados?!

E a TVI a promover esses comportamentos.

E com as novas possibilidades tecnológicas de retroceder na programação, também houve oportunidade de rever aquela cena da Vaca no Presépio, na Casa da Dita Cuja. Ridículo!

 

E, nós?! Estaríamos também devidamente confinados e respeitando as normas de distanciamento social e de higiene exigidas?!

 

E para terminar… e novamente.

Um Excelente Dia de Natal! Festas Felizes! Muita Saúde para todos.

E muito especialmente para Si, Caro/a Leitor/a, que teve a amabilidade e paciência de concluir este texto. Bem Haja!

(Digitalização de Árvore de Natal. Obrigado APBP.)

“Simone, Força de Viver”

Costa Caparica. foto original. 2020. 08. jpg

Simone de Oliveira com Patrícia Reis – 3ª Edição: Novembro de 2013, Matéria-Prima Edições.

 

Tinha curiosidade em desbravar o livro.

E assim foi. Entre 5º e 6ª feira, foi lido, nalguns excertos relido. Muito bem escrito, muito bem contado, estórias da vida da Artista, multifacetada, umas mais apimentadas que outras. Simone é incontornavelmente uma figura pública da Cultura Portuguesa, desde os inícios dos anos sessenta. Música, teatro, canções, espetáculo.

 

Tinha pica na leitura, ademais bem contado e bem escrito, melhor se lê.

(Só assisti, melhor, assistimos, a um espetáculo ao vivo com a Simone, aí pelos inícios dos anos noventa, 91 ou 92 (?), nas Ruínas do Convento do Carmo.)

Mas em televisão, na rádio, desde meados de sessenta, principalmente 65, passou a fazer parte do nosso universo musical e do nosso imaginário.

Tinha uma voz que arrepiava. Em 69, foi aquele deslumbramento, aquela canção, aquele poema, aquela música, aquela interpretação. Arrebatadora!

Interessante a explicação, dada pela própria, sobre essa interpretação e o relacionamento dela com Henrique Mendes (pag. 46).

 

Anos sessenta, início dos setenta… a vivermos em ditadura, com todas as restrições à Liberdade, em todas as suas vertentes: pessoais, cívicas, sociais, políticas, culturais. Computadores, internet, redes sociais, revistas cor de rosa, “big brother”, tudo isso era ficção. Jornais, revistas, meios de comunicação, jornalistas tinham outra postura. Também estavam condicionados à censura, não havia liberdade de expressão. Falava-se nas ligações dos artistas, de boca em boca, exagerava-se até, mas pouco publicavam sobre a vida particular. Menos ainda os próprios a divulgavam, como agora, que mostram tudo, da raiz do cabelo até à unha do pé.

 

Bem, no livro, passados tantos anos, é interessante ler o que a Artista conta sobre essa emblemática interpretação com que ganhou o festival de 1969! Os acontecimentos tinham outra repercussão. Presenciámos, vimos em direto na TV, aquela atuação! Aquela garra!

Depois, a perda da voz, acompanhámos essas truculências da vida. A recuperação, numa forma diferente. Lembro-me perfeitamente do festival de 73, em que voltou a participar. (Até houve um concurso, promovido não sei se pela Emissora Nacional se pelo Rádio Clube Português, sobre uma das canções, penso que “Minha Senhora das Dores”.) O Ary quase monopolizou o Festival, escrevendo a maioria das letras.

 

Também fala da “rivalidade” com Madalena. E também da amizade entre ambas. Existindo, certamente. À data, realçava, de facto, essa picardia entre as duas. Existisse ou não, era muito alimentada pelos meios de comunicação da altura. Rainhas da Rádio, Rainhas disto e daquilo. Nunca votei nesses concursos, não tinha acesso aos respetivos cupões, não abundava o dinheiro para gastar em trivialidades, nem elas existiam no fim de mundo aonde vivia, aonde vivíamos todos, nesses tempos obscuros. O mundo da época, segunda metade da década de sessenta, não tinha nada a ver com o de hoje. Mas lembro-me, era miúdo, do Festival de 66, ganho pela Madalena e, eu, na altura, torcia por ela e pelo “Ele e Ela”.

Estas coisas podem parecer futilidades sem importe, mas naqueles tempos, pouco havia com que se interessar. Houve o célebre Mundial de 66, nesse ano na Inglaterra. E como foi empolgante e como se criaram tantas expectativas, goradas no fatídico jogo com a equipa anfitriã. E como Eusébio chorou e com ele chorámos.

Mas estou a perder-me do livro…que não aborda o futebol.

 

Mas aborda muitas mais coisas e mais importantes. Mas fará o favor de procurar o livro, adquirir, para oferecer às suas Velhotas ou Velhotes. E lê-lo, primeiro, antes de oferecer.

Vai gostar!

“… Todo o mundo é seu!”

“Era uma uma vez... uma folha de couve. Veio uma ovelha e comeu-a.”

Foto Original. 2020. 05. jpg

 

 J. J. no Benfica! C. Ferreira na TVI!

 

Há dias que ando para escrever sobre as transferências mediáticas deste início de verão quente. Quentíssimo! Não gosto muito de escrever na berra do calor. Que é o que mais afronta. E porquê a relutância na escrita?!

 

Primeiro, porque considero que as pessoas são livres de escolher e aproveitar as melhores oportunidades que se lhes oferecem. Têm livre arbítrio para decidir, conforme os casos. É um direito que assiste a qualquer cidadão.

Segundo, porque não sendo nenhuma destas personalidades das minhas preferências, porque perorar sobre os ditos cujos?! Ademais tenho alguma antipatia, primária, reconheço, sobre os mesmos.

Relativamente a J. J., não gosto daquele ar enjoado, cumulativamente a mascar pastilha. Após a célebre ida para a concorrência leonina, fiquei a detestar. Pela atitude do próprio, não pelo clube, que aceito como qualquer outro, nada me move contra. Já as atitudes de dirigentes, de treinadores, de jogadores, dos balúrdios que os movem, das atitudes de muitos adeptos fanáticos, das claques, é outra coisa. De qualquer clube!

Quanto a C. Ferreira, detesto aquelas risadas sem jeito, antipatia também primária, aceito. Vejo pouca televisão, raramente a TVI ou a SIC, acho-as muito iguais, concorrem uma contra a outra, muitas vezes na estupidez. Mas são as preferidas da maioria dos telespetadores!

Ambos inundam as redes sociais, a comunicação social adora estas picardias.

 

(E os provérbios?! Alentejanos, talvez nacionais, não sei. “Era uma vez... uma folha de couve, veio uma ovelha e comeu-a.” “… Todo o mundo é seu.” Isto é, de quem não tem a dita folha de couve.)

 

Mas cá está a escrita. E porquê?

 

Pelo dinheiro que movimentam. Choca, quando falta tanto, em tantos locais. Poderia frisar na Saúde, mas já é um tema batido. Na casa de muito boa gente. Mas também poderá ser dito que será muito boa dessa gente que alimenta os egos destas vedetas, a concorrência destas televisões, a euforia dos futebóis. Das Futebolices!

E de onde provem toda essa dinheirama?! E como é que clubes, cheios de dívidas, ainda conseguem entrar nestas jogadas de contratações fabulosas?!

E onde vão TVIs e SICs buscá-lo?

E por aqui poderia ficar.

 

*****

Mas… Não posso deixar de frisar que acho deplorável que, em Portugal, ao mais Alto Nível dos Representantes Institucionais da Pátria Portuguesa, tenham andado, de gosto, a bajular estas personalidades. Lamentável!

 

*******

E para acabar, dois versos do Poeta dos Poetas, do livro que ando a reler, o exemplar velhinho do antigo 5º ano do Liceu!!! (Após “Tieta”)

 

«Ó glória de mandar, ó vã cobiça / Desta vaidade, a quem chamamos Fama! …»

In. Canto IV – 95 – Os Lusíadas – Luís de Camões – Porto Editora, Lda – 7ª Edição

 

*******

Ah! A foto…

Como O/A Caro/a Leitor/a pode ver, até na foto, a folha de couve mal se vê. Como se tivesse vergonha de se mostrar. Cumulativamente, ratada. Comida, picada, não sei se pelos pássaros, se pelos caracóis, ou outros animais, ou todos eles.

Destacável, em 1º plano, a açucena: pureza virginal. Também repetida em fundo. Entrelaçada com as folhas de uma amendoeira doce, muito nova. Ao lado direito, esporas de jardim, azuis. À esquerda e em terceiro plano, alecrins. Em último plano, acompanhando a parede cinzenta, murtas.

 

“A Família Krupp” - Série Alemã - Teil I

“A Família Krupp” 

 

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RTP2 – Episódio I

3ª Feira – 13/10/15

 

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A história de uma Família, entrosada na História e outros considerandos de maior ou menor relevância…

 

Foi transmitido ontem, dia 13 de Outubro, 3ª feira, o 1º episódio desta série alemã sobre esta célebre família de industriais, ligados ao nascimento da indústria no território alemão, desde inícios do século XIX. Industriais produtores de aço, indústria siderúrgica. "Aciaria!"

 

A visualização da série era para ter-se iniciado anteontem, 2ª feira, mas devido a um problema técnico na RTP2, a emissão foi interrompida. Facto de que, ontem, antes do início da emissão pediram desculpa.

 

E eu que pensara que era um problema apenas da minha TV, que, de vez em quando, me prega essa partida.

Foge a imagem ou fixa-se parada numa cena qualquer, esquecida do que vem a seguir, é como se tivesse lapso de memória visual. Depois, desfoca-se, abala o som, desfaz-se em cores abstratas como se ensaiasse uma pintura de Vieira da Silva, até que foge também a cor, aparece um “sem sinal” e a sigla “Ext”, ou qualquer coisa assim parecida e era uma vez…

Mas esta situação é comum em diferentes TVs que usam essa tecnologia TDT, que nem sei o que significa e, periodicamente, ocorre em variadas localidades por esse País fora.

Mas continuamos a pagar sempre a taxa áudio visual, na fatura da eletricidade. O que ainda não vi foi que, num mês ou até mais, na fatura não viesse esse valor acrescentado à despesa. Um aviso tal como: “Este mês não paga taxa audiovisual, porque a TV nem sempre se porta bem!”

 

Mas a quem é que nós nos podemos queixar?! Já o fiz para o Provedor do Cliente, mas não tive qualquer resposta!

 

A forma como este negócio das telecomunicações funciona, das várias operadoras, dos vários meios de comunicação, das várias televisões, dos media e das ligações e interligações entre eles, da concorrência feroz, da manipulação da opinião pública, o seu “modus operandi” deixa muito a desejar…

 

Mas vamos ao que titula o post.

 

Ainda bem que foi um problema geral.

Assim alteraram a programação e apresentaram o 1º episódio da série.

 

Acho que vale a pena seguir. As temáticas que aborda. A História da Alemanha por mais de meio século, desde o início do século XX. Os ambientes e ambiências retratadas. Os conflitos e paixões, o entrosamento entre a vivência desta família e dos seus trabalhadores como se fossem uma grande Família, mas cada um no seu lugar, que cada rato tem seu buraco.

E, nesta família, vão-se descobrindo muitos buracos.

A ligação umbilical ao Poder, sendo também eles parte e suporte desse mesmo Poder. Em determinados momentos competindo de igual para igual.

O seu suporte desse mesmo Poder Político e Militar. E Económico. Base do desenvolvimento e poderio, primeiro da Prússia, potência continental emergente no século XVIII, e cujas guerras com a Áustria e França sustentou, ainda em meados do século XIX, consolidando esse estatuto de potência continental.

Depois da Alemanha, a partir da sua constituição como Estado unificado, em 1871, precisamente após a vitória sobre a França, na Guerra Franco-Prussiana. Base económica do Império Alemão até à 1ª Guerra. Pilar e estrutura fundamental da indústria alemã, sendo que a siderurgia, a produção de aço de alta qualidade era a matriz de múltiplas e variadas outras indústrias, na Alemanha e nos outros países em processo de industrialização acelerada. E também do expansionismo ultramarino alemão, com a colonização de África, que a Alemanha também partilhou com as outras potências europeias.

Base da indústria de guerra, da corrida aos armamentos, prenúncio, preparação e sustentáculo da Primeira Grande Guerra. E de outras Guerras… E o mais que estará para vir, que apenas ainda veio o primeiro episódio…

 

A qualidade técnica. A música. A interpretação dos personagens. Não são artistas que conheçamos, como aliás acontece com as outras séries europeias, excetuando as britânicas, pois nos últimos cinquenta anos a quase monopolização da cultura cinematográfica tem sido exacerbada pelo domínio anglo-saxónico, com especial realce para o lado americano.

 

E, o enredo?

 

Neste episódio, a ação decorreu em dois momentos temporais marcantes.

 

Em 1957, já bem após a 2ª Grande Guerra, em que os Krupp tiveram um papel relevantíssimo. E nos primeiros anos do século XX, 1901 e 1902, antes ainda das Guerras, mas em que as respetivas sementes estavam já lançadas e eram ensaiadas e testadas noutras guerras “menores”. E os armazéns e celeiros dessas mesmas guerras, de ódios assassinos e irracionais, estavam a ser recheados, na corrida aos armamentos. Papel fundamental que a Família desempenhou na Alemanha recentemente unificada, sob a égide imperial, nesse 2º Reich! E, mais tarde, também no terceiro. Mas ainda não vimos nada disso. Não nos adiantemos!

 

O espaço em que decorre a ação situa-se principalmente na cidade de Essen, ainda hoje um dos pólos industriais da Alemanha da Senhora Merkl, nesta Alemanha reunificada. Cidade situada no Centro Oeste do Estado Alemão.

Na villa Huguel, palácio residência da família, edifício monumental, mas austero; nas indústrias siderúrgicas, com demonstrações do funcionamento das máquinas colossais e do seu grau de precisão minuciosa, visitas de clientes nacionais e estrangeiros, até do Extremo Oriente, que o Japão também iniciava a respetiva industrialização. Visitas que as meninas da família, Bárbara e Berta estavam proibidas de realizar, que segundo a mãe, a fábrica não era lugar para mulheres.

Cenas episódicas em Berlim, no palácio do Kaiser Guilherme II, que os Krupp e o Império andavam entrançados, de braço dado.

Passagens por Capri, ilha italiana, no Mediterrâneo, lugar de descanso, veraneio, sonhos, paixões e devaneios, onde estavam atracados os iates da família.

 

A narração centra-se em Berta Krupp, jovem solteira ainda, no início do século XX, mas que em 1957, após ter vivenciado e vivido todos os enredos, enlaces e desenlaces da primeira metade do século XX, sofre um ataque de coração, estando a Vida entre cá e lá. Como o seu País também estava na época, Guerra Fria, Alemanha dividida, na linha de fronteira entre Ocidente e Leste.

E, convalescendo, não assumindo a doença, mas sentindo que a “Ceifeira de Gadanha” se aproximava, prepara a sua sucessão no império industrial e vai recordando a sua vida nesse meio século de história familiar, da História da Alemanha e do Mundo, que como sabemos, se entrosam e entrelaçam para o Bem e para o Mal.

Mas tudo isso ainda veremos. Que ela ainda nem ao casamento chegou. Apenas vimos o funeral de Estado do pai, Frederico Krupp, em 1902, a que o próprio Kaiser Guilherme II compareceu, seguindo isolado atrás do caixão, como comandante supremo das Forças Armadas, numa encenação político militar, mas igualmente de consideração e estima pelo industrial a que o Estado tanto devia.

E, a propósito de Berta, lembramos que foi este o nome de batismo dos célebres canhões de longo alcance, que bombardearam Paris na 1ª Grande Guerra.

Mas também lá irão, digo eu!

 

 

 

“Hospital Real” – 13º Episódio Television de Galicia

Série da RTP2

 

4ª Feira 16/09/15

 

Duarte e Mendonza.jpg

 

Intróito

 

E, conforme me foi sugerido num comentário, Duarte, o assassino em série, carrasco e vítima na mão de poderosos; submisso e obediente, mas mais autónomo do que imaginam; um zé ninguém, a mando de todos, mas mais senhor do próprio destino do que muitos; mais que inteligente, assumindo-se de meio néscio, coitadinho, mudo e analfabeto, vai fazer-se passar por Doutor Alvarez de Castro, médico do Hospital Real de Santiago de Compostela! Conforme veremos no episódio catorze, que ocorrerá logo à noite, e nos foi permitido visualizar na sinopse do que nos será apresentado nesse 14º episódio, provavelmente o penúltimo.

Ontem, no 13º episódio, andou treinando o registo de voz, na sala de operações, já envergando a jaqueta do jovem médico. Ensaio de voz a que assistiram os nossos jovens amantes, sempre em derriço, Cristobal, o boticário e Rosália, a enfermeira encarregue das plantas, mas que não distingue tomilho de arruda, nem poejo de alecrim. Que só ouviram os ensaios de voz, em audições separadas, que não viram o seu produtor, delas  imaginando que seria a voz do próprio médico, Doutor Daniel.

E, por aqui ficamos, de preliminares.

 

Desenvolvimento

 

Com Clara também não foram precisos preliminares, que dois shots a levaram a entregar-se ao seu carrasco, Mendonza, o Alcaide, filho bastardo do Intendente da Galiza, personagem pérfida e cruel, que assim se pretende vingar de Dom Andrés, o Administrador. E, eventualmente, dar-lhe um neto, que seria também herdeiro da nobre linhagem do Intendente, coisa que pouco importará a Dom Andrés, que é burguês esclarecido, mas interessará bastante à sua comadre, Dona Elvira, muito dada a estas questões de linhagem.

Clara, vítima de uma cabala da tríade venenosa que já nomeámos, Alcaide, Úrsula e Elvira, em cuja casa se entregou voluntariamente ao algoz, após ter ido à casa onde a sua própria Mãe, Laura, meio alienada, vive enclausurada por mando do próprio Pai.

 

Pai, Dom Andrés, que convencido por Dona Irene, aceita que na Botica do Hospital se produza água de cheiro, a partir das múltiplas plantas aromáticas que existem no quintal. Inovadora a ideia, partindo da empreendedora Irene, agora que, estando Espanha e França em guerra e as fronteiras fechadas, estes produtos não chegavam à Galiza.

Pai, que num gesto de carinho, foi levar um frasquinho dessa água perfumada à sua amiga Irene, que ele devaneia torná-la mais que amiga, mas ao que ela lhe responde não estar preparada, nem ele também, porque ainda não esqueceram os respetivos cônjuges.

“Valorizo muito a nossa amizade e não quero perdê-la.” Lhe respondeu ela.

“Tudo ficará entre nós, não se preocupe!” Retorquiu ele.

 

Nesta série, pequena novela classifico-a eu, o texto é fundamental, rico, ideativo e os diálogos elucidativos e esclarecedores, muito bem trabalhados pelos guionistas e interpretados pelos atores e atrizes, repito atrizes, que estávamos, à data, nos alvores da libertação feminina, lutando por reconhecimento de Direitos Iguais, como já constatámos.

 

Dom Daniel, Doutor Alvarez de Castro, agora substituído na função de marido, em breve na de médico, finalmente reconciliou-se com a esposa, às vezes o Destino escreve direito por linhas tortas e leva-lhe também água de rosas, que agora está na moda, e pede-lhe outra oportunidade! Sacrifício inútil o da Dama!

 

Sua mãe, fidalga, da fidalguia antiga, de nobres valores de honradez e elevada posição social, Dona Elvira, não hesitou quando foi preciso vender-se e uma vez vendida, perdida, levar outra à perdição. E na sua própria Casa, senhorial, abriu “janelas de tabuinhas” e tornou-se desse modo também caftina.

Arrepiada de medo, contudo destemida e audaz, entra no antro sinistro de Somoza e rouba-lhe o célebre testamento de Padre Damião, a pretexto de que fora para pedir ao Inquisidor que rezasse a primeira de dez missas pelo seu querido e falecido marido, Dom Leopoldo, na Catedral Compostelana.

 

Enquanto isso, o bom do Padre Bernardo continua encarcerado nos calabouços da Inquisição até que ceda à vontade de Somoza, ajudando-o a derrubar Dom Andrés do cargo de Administrador.

 

Sempre este leitmotiv, em todo o enredo da pequena novela, mas excelente obra literária e ficcional. Pelo que pesquisei, parece-me que não se baseia diretamente num livro específico, mas não sei.

 

E enquanto estas personagens andam e cirandam pelos caminhos do enredo, nas ruas de Santiago, nas salas e corredores do Hospital, neste vão morrendo crianças recém-nascidas, de um mal que os médicos desconhecem.

E deste modo nos apresentam a metodologia de pesquisa científica, posta em prática pelos médicos, na busca de solução para o problema.

Formulam hipóteses, que testam na prática, experimentando, ultrapassando as barreiras da crendice e dos preconceitos e espartilhos morais, religiosos e até legais, que são sempre contextualizados ao espaço e tempo em que se enquadram. Não fosse assim e dificilmente se evoluiria na ciência, na vida e na sociedade. Há sempre saltos qualitativos que é preciso dar e assim evoluir!

Doutor Daniel está nas sete quintas, formula hipóteses e teorias, faz pesquisas e investigações, tira conclusões, expõe teses.

E, de experiência em experiência, que só experimentando se podem testar as hipóteses, chegam à conclusão que o foco do problema se situa numa ama-de-leite, portadora de uma doença desconhecida, com que infetou os bebés órfãos, que amamentou. Mas constatam os médicos, não infetou os seus próprios filhos. Porquê?!

E esta é a pergunta, a nova questão por eles formulada, que essa é a base do desenvolvimento da Ciência, uma pergunta levanta outra pergunta, uma questão nova questão.

Não sabem eles, mas já sabemos nós, atualmente. O leite da mãe permite ao filho criar anticorpos que o defendem de múltiplas doenças e infeções e, por isso, hoje se recomenda tanto que as mães amamentem os próprios filhos. Um “ganho” substancial para todos, indivíduos, famílias, para toda a Sociedade, para todas as sociedades, sob todas as perspetivas!

 

E, ainda sobre coisas positivas que se passam no Hospital, relembramos o sucesso da produção da água aromática, ideia de Dona Irene, trabalho do Boticário e das suas assistentes, Rosália, também sua amada e de Olalla, agora também nariz de perfumista, experimentalista de perfumes, produzidos na Botica do Hospital, tornada igualmente numa “Corbeille de Fleurs”. Não fosse ela, Olalla, jovem, mulher, solteira e pobre e poderia chegar longe, disseram o boticário e o jovem médico!

 

E de ações vis já nos chegam as da Irmã Úrsula, sempre em urdiduras, sendo também urdida quando se trate do Inquisidor. Cada vez mais presa na teia do mestre, deixando-se apanhar com as mãos na gaveta da sua secretária, na busca do testamento, cada vez lhe fica mais devedora de resgate cada vez maior.

Mas ela, tão cascavel e víbora quanto ele, não desistiu e, como vimos, sempre obteve o original do testamento.

E retribuiu o favor da fidalga, atormentando a inocente Clara, que, ingénua, ignorante das teias que se lhe tecem, se foi entregar na boca do lobo!

 

E, deste modo, terminamos, que voltámos ao início do texto, como se fechássemos um círculo!

 

E temos ignorado o papel da jovem noviça de freira, de cujo nome não estou certo, que acompanha desveladamente os bebés e todos os orfãos, um coração doce que chora de infelicidade, que não entende os desígnios de Deus ao levar-lhe os seus anjinhos, que já amou Dom Cristobal, que, pelos vistos, a maltratou e que, como frágil que é, se tornou numa permanente vítima da Chefe, “Dragão”, mas de quem também já aprendeu algumas manhas.

 

Ah! Que este conto nunca mais tem conto! Não podemos esquecer o ataque que Mendonza fez a Duarte! E, assim encerramos, de facto, esta narrativa.

 

E Muito Obrigado, por ter lido até aqui!

 

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No referente a Leituras e Livros…

LEITURAS e LIVROS...

e também novelas e cinema...

 

Ainda, o clássico, "As Viagens na Minha Terra".

 

Sobre esta Obra da Literatura,  um clássico de meados do séc. XIX…

 

Ainda quero debruçar-me sobre o mesmo, a partir de dois posts que pretendo elaborar.

As Obras Clássicas têm esse condão. Sendo de épocas passadas, mas quando têm qualidade inexcedível ou foram produzidas por Artistas de competência inigualável, conseguem, apesar da passagem do tempo, manter atualidade, relativa é certo; no caso supra citado, ainda e apesar de terem passado quase cento e setenta anos.

 

As leituras entretanto realizadas.

 

mar morto in www.goodreads.com

 

Em Agosto ainda, e de uma assentada, li o emocionante livro de Jorge Amado, “Mar Morto”, que, como acontece com as Obras deste Autor, não deixo de ler enquanto não termino a Obra. Isto é, não faço pausas de dias ou semanas. Este li-o em dois dias, tal a força com que o enredo nos prende, sendo que não é, em termos de densidade de texto, propriamente uma “Tieta…”. Também é um livro praticamente da juventude do autor, dos seus 24 anos.

Jorge Amado produziu uma Obra notável, desde relativamente jovem. Paradoxalmente, e apesar dos muitos prémios que recebeu, nunca foi premiado com um Nobel.

As personagens dos seus livros são geralmente pessoas com quem se simpatiza facilmente. Normalmente são heróis da vida do dia-a-dia. Muitas de vidas muito atribuladas, mas sempre com uma grande carga de humanismo. As personagens nunca se revelam intrinsecamente más, pelo menos que me lembre. Algumas agem de forma errada, é certo, mas foi geralmente a vida, as agruras dum viver desesperançado que os levou à vida que levam, aos trilhos que pisam.

Jorge Amado revela uma especial predileção pelos deserdados de fortuna, sem eira nem beira, mas cheios de humanidade, que lutam e labutam no seu sustento diário.

Neste livro “… a história de Guma e de Lívia, que é a história da vida e do amor no mar.”

Homens e mulheres valentes que, cheios de coragem, mas também com o medo de todos os humanos, fazem e encaram a vida como uma luta pela Sobrevivência e Dignidade.

As mulheres são normalmente vistas com grande carinho e as mulheres de vida fácil, mulheres da vida, mulheres dama, têm um lugar sempre especial na narrativa, algumas até na categoria de heroínas e personagens principais, caso de Tieta, por ex.

A Baía, Ihéus, Itabuna, o Nordeste e o Mar, simultaneamente pai, mãe e carrasco dos homens e mulheres que nele labutam, as praias de areias sem fim de mundo, a densidade sincrética da cultura baiana, triângulo de miscigenação cultural de África – Europa – América, o erotismo, as mulatas e cabrochas que amam nas dunas embaladas pelo vento, são alguns dos ingredientes gostosos dos enredos literários que  o escritor confeciona como nenhum outro.

Muito fica por dizer sobre o Autor, de que conheço apenas algumas obras, algumas simultaneamente da literatura e da televisão, caso de Gabriela, que segui as duas novelas e reli o livro, e de Tieta, de que também vi a versão da TV (novela).

No caso de Gabriela é interessante mencionar que o Livro é um Obra ímpar. A primeira novela, com Sónia Braga e Armando Bógus, é outra Obra e a 2ª novela, remake da primeira, é uma terceira Obra. Têm pontos comuns entre si, mas também são relativamente diferentes, apesar de baseadas nas mesmas temáticas, em espiral sobre o texto primevo do Autor.

Também vi o filme “Dona Flor…”, assente no triângulo romanesco…

Dona_flor_e_seus_dois_maridos in wikipedia.jpg

 

E li “Os Subterrâneos da Liberdade” e “Capitães da Areia”, há bastante tempo. Este último, reli-o recentemente.

Ah e também já li e reli “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”! E adoro este conto.

 

E agora… 

Iniciei, há pouco tempo… Imagine-se! O livro que “Ninguém deveria ser autorizado a chegar à idade adulta sem ter previamente lido…” Eu que estou já a entrar na terceira idade…

Este livro já é do tipo que interrompo a leitura. Há dias que não lhe pego.

Também, agora, tenho-me dedicado muito ao blogue…

E qual é o Livro?!

Algumas dicas: é de um escritor de raiz anglo-saxónica, foi nobelizado e nasceu no século XIX.

 

… ? ?

 

 

 

"Hospital Real" - Episódio 7

 

Série da RTP2

3ª Feira – 8 de Setembro

 

org.wikipedia.pt.jpg

 

E o “assalto” ao Hospital Real já se equaciona às claras, não se subentende apenas...

 

O Alcaide e os seus apaniguados, reunidos no Clube só para homens, congeminam o ataque e definem estratégias e objetivos. Tomar conta do Hospital em duas frentes.

Economicamente, através de um fornecedor de víveres, que seja da sua confiança, alguém comandado por eles e que certamente já terão escolhido. Daí o assassinato do marido de Dona Irene, e das agressões e ameaças que lhe têm sido movidas, de modo a afastá-la dessa função.

Política e administrativamente, controlarem o Conselho do Hospital através da colocação de um elemento do grupo conspirador nesse mesmo órgão de decisão da Instituição. Presumo que o Alcaide, por inerência das funções exercidas na Cidade, já faça parte desse mesmo órgão decisor.

 

Paralelamente, os elementos do Clero também planeiam, verbalizam e expõem esse mesmo objetivo. Colocar o reverendo Somoza, inquisidor, nesse mesmo Conselho, no lugar vago deixado pelo fidalgo, entretanto assassinado, pelas mesmas razões de controlo da mina de dinheiro que é o Hospital.

 

Posta a situação neste ponto, com dois candidatos, a votação para a respetiva seleção estaria empatada, segundo as contas do Inquisidor, sendo que teria que ser o Administrador do Hospital a ter o voto de desempate. Será caso para dizer que “venha o diabo e escolha!”

 

O Administrador carregando nos ombros e no rosto todo o peso e fardo institucional, segundo disse a própria comerciante, vive atormentado, não só pela gestão e administração normais em qualquer instituição, mas pelos imbróglios que nela surgiram.

Primeiro, os assassinatos em série, todos relacionados com o Hospital; as mortes por envenenamento casual de funcionários e quase envenenamento dos doentes; a descoberta de um desfalque, aparentemente realizado pelo fidalgo; o roubo do livro da contabilidade, de que este era responsável.

Para além do peso e preocupação sempre presente na filha, portadora de uma doença psíquica, para que não encontram tratamento.

E, descobriu-se no final, que afinal a esposa não está morta, mas antes vive resguardada ou enclausurada, por ser portadora também de uma doença mental, que, à época, era um anátema que estigmatizava quem quer que dela fosse portador, bem como toda a família. Daí serem estas pessoas escondidas, isoladas do convívio social, quando os familiares tinham condições económicas para tal.

O facto de a mulher ainda ser viva faz-nos agora perceber a sua recusa e hesitação em aceitar outras mulheres, situação que até a “enfermeira entontada”, amada do boticário, uma vez se lhe referiu designando-o como “trouxa”.

 

E o nosso “Dragão”, de Komodo, lhe chamaria eu, sempre fareja o que de podre existe, a carniça morta. Está empenhada em descobrir o que o administrador esconde. O que nós já sabemos e que acabámos de revelar. A respetiva esposa ainda é viva!

Nesta sua obsessão em torturar e aproveitar-se sempre dos mais fracos e desvalidos, Irmã Úrsula, sempre à frente dos acontecimentos, com o vestido de noiva de Clara, que era o da sua própria mãe, encenou uma visita desta, supostamente morta, para que, Clara, a noiva prometida, imaginasse que seria a própria mãe que a teria vindo visitar de além-túmulo, deixando-lhe o nome, Clara, escrito a sangue na parede!

Cena macabra, que a todos deixou estarrecidos, mas que ela soube muito bem controlar, sempre impávida, serena, seráfica, santa, auto beatificada já em vida.

 

Mas sempre a organizar enredos e tramas.

Tendo sido interpelada pelo facto de ter supostamente descuidado as chaves do gabinete e armário do Administrador, o que foi um facto, ela, conhecedora dos meandros em que se movimenta nos corredores do Hospital, e das personagens com que se cruza, depressa deduziu que quem lhe terá roubado as chaves, assaltado o armário e levado o livro vermelho, só poderá ter sido Duarte.

E foi este interpelado nesse sentido.

“Tu não vales nada. Ninguém sabe que existes e se desapareceres também ninguém dará pela tua falta.” E lembrou-lhe a sua condição de exposto, marcado a ferro e de que fora ela que lhe valera, quando ele vagueava sem rumo pela Cidade. “Sei que foste tu que roubaste o livro, não sei ainda porquê… Que tu és mudo, mas não és parvo. O que te vale é o teu silêncio!” Terão sido sensivelmente deste teor as palavras proferidas pela enfermeira mor, para Duarte, moço de fretes e assassino.

 

E assim este rapaz, que serviu para tudo o que lhes convinha, agora vai-se tornando um estorvo, um empecilho a eliminar.

O Alcaide também já o informou diretamente desse propósito.

E, pelo que vislumbrámos do episódio que será transmitido hoje, atuou!

 

Aguardemos pelo que irá suceder.

 

E o destino do dinheiro roubado, melhor dizendo, desviado, pelo fidalgo, Senhor de Rastavales, para onde foi destinado?!

Esta pergunta também formula a equipa de investigação, agora formada pelos dois médicos e pelo administrador. A iniciante de enfermeira já não pertence a esta equipa, muita coisa mudou no enredo, para além dos handicaps que lhe são inerentes: ser mulher, jovem, aprendiz, de profissão subalterna, como o próprio amado, Dom Daniel, lhe fez ver!

 

E outros personagens e muitas outras questões ficam em aberto…

 

E Dona Irene?!

 

E Dona Elvira de Santamaria?

 

E Dom Cristobal, o boticário?

 

E o Capitão Ulloa?!

 

E os enredos romanescos?

E o par romântico e protagonistas da série?!

 ...   ... ...

protagonistas in. mag.sapo.pt.jpg

Mas caríssimo leitor/leitora, que teve a amabilidade e paciência de chegar até aqui, situação por que lhe estou eternamente grato, se eu fosse a rever tudo seria o guionista da série, não acha? E também não quero privar-lhe o prazer de congeminar as suas próprias análises e conclusões…

Pois, visualizemos o episódio oito, que ocorrerá dentro de poucas horas.

 

P.S. – Será que esta série terá sido baseada nalgum livro já existente?

 

 

 

RTP 2 - "Visita Guiada"

Programas RTP2

 VISITA GUIADA

 

Ao falar de Programas da RTP2, não posso deixar de mencionar o excelente e imperdível Programa “ "Visita Guiada", apresentado às 2ªs feiras à noite, cerca das 23h, após a exibição das séries, por Paula Moura Pinheiro, sempre acompanhada por reputados especialistas no assunto.

Ao longo dos vários episódios, têm sido divulgados monumentos, peças artísticas e museológicas de valor cultural inexcedível, verdadeiras obras de arte, das mais variadas correntes estéticas e diferenciadas épocas históricas, de contextos e funcionalidades diversas e de todo o País. Mas sempre de relevância inigualável, sob os mais diferentes pontos de vista. Pelo valor artístico, pelo peso histórico, pela função para que serviram ou ainda servem, pelo fim a que se destinaram, pelas personagens históricas a que estiveram ou estão ligadas, pela sua autoria…

E, de um modo geral, Obras relativamente desconhecidas de muitos de nós!

 

Biblioteca In www.fundaçãopassoscanavarro casamuseu.jpg

 

Lembro, por ex. dois dos mais recentes.

O que foi visualizado na noite de 20 de Julho, em que se apresentou a “Casa de Passos Manuel”, em Santarém, agora uma Casa Museu, instituída por um seu trineto, Canavarro.

E não posso deixar de relacionar com o que Almeida Garrett refere sobre essa casa, em "Viagens na Minha Terra", obra literária sobre que já me debrucei neste blogue. Aqui! .

 

“… entremos nos palácios de D. Afonso Henriques.”  (…)

“Recebeu-nos com os braços abertos o nosso bom e sincero amigo, actual possuidor e habitante do régio alcáçar, o Snr. M. P. 

Notável combinação do acaso! Que o ilustre e venerado chefe do partido progressista em Portugal, … viesse fixar aqui a sua residência no alcáçar do nosso primeiro rei…”

In pag.196, da mencionada obra literária, cap. XXVIII.

 

Sim, porque a referida Casa foi o alcácer que Dom Afonso Henriques conquistou aos mouros e onde posteriormente habitou!

 Aqui!

 E, agora sobre outra "Casa" e outro episódio...

Manutenção Militar. In www.exercito.pt.JPG

 

No transato dia 1 de Setembro, repetiram o excelente episódio sobre a “Manutenção Militar”. Extraordinário documento histórico, que passará certamente despercebido a quase todos nós!

Que não se deixe perder, desbaratar, apodrecer, tão valioso acervo de património industrial, para que dentro de alguns anos, alguns dos nossos queridos e iluminados governantes, não usem esse abandono como pretexto para o venderem para um armazém/shopping, de alguns endinheirados de qualquer nacionalidade…

 

Não deixe de ver este Programa, já amanhã, 2ª feira!

 

 

 

 

 

 

Crime? Ou Castigo?

Séries Europeias na RTP2

 

Diz o ditado que se volta sempre ao local do crime. Ou ao local em que fomos felizes…

Ou, o bom filho à casa torna…

 

Na RTP2, após as excelentes séries que foram sendo transmitidas, baseadas em temáticas europeias

 

gomorra. in rtp2.png

Após Gomorra, de que não vi o derradeiro episódio, presumo que a família Savastano, como que terá ressuscitado. Exceto Imacolata, claro…

 No final do penúltimo episódio, Gennaro, que aparentemente ficara morto, começou a mexer os dedos.

O pai, Pietro, que na prisão de alta segurança já parecia um morto vivo, um velho de chinelos a aguardar a morte num asilo, quando foi transferido, num golpe combinado para a sua libertação, transfigurou-se, ganhou vida e pareceu voltar aos velhos tempos.

Terá sido assim?! Terão os Savastano tomado conta dos negócios?!

Negócios?!

Não sei. Não vi o último episódio, só posso imaginar.

E não vou ver na internet, há certamente esse recurso disponível, mas recuso-me a pesquisar. Prefiro imaginar como se terá processado o hipotético desenlace final…

Terá ficado tudo em aberto como noutras séries?!

 

Na finalização desta série, repetiram a mini, designada Anna Karenina, baseada no livro homónimo de Leão Tolstoi.

Apenas revi o 1º episódio, já vira os episódios na 1ª transmissão, e também não tinha muita paciência para rever aquela atração fatal, daqueles amores românticos contrariados e vilipendiados socialmente, numa época em que casamentos eram supostamente eternos, adultérios repudiados.

E aquele puxar para o destino final e fatal da heroína que se suicida debaixo do comboio, símbolo máximo do progresso, à época.

(Lembremos que a ação ocorre em 1870, segunda metade do séc. XIX, na Rússia czarista, e na Germania, durante a guerra franco – prussiana, ainda antes do nascimento da Alemanha enquanto Estado unificado, sob a égide da Prússia vitoriosa, em 1871.

Unificado?! A História parece repetir-se? Não? Sim?

Em 1990, foi a reunificação, esclareça-se a questão do prefixo. Sendo que o prefixo foram duas Grandes Guerras Mundiais: a I e a II! Para além da chamada “Guerra Fria”.)

 

Scheherazade. Pintura séc. XIX, de Sophie Anderso

 

Depois desta mini, série, iniciaram outra também italiana, baseada nas 1001 Noites, de que vi também apenas parte do 1º episódio, pois a minha TV prega-me destas partidas. Começa a transfigurar as imagens, que se desfazem como se fossem elementos pictóricos de uma tela impressionista, desvanecendo-se gradual mas eficazmente, ficando apenas as cores, arco-íris desfeito, até que desaparece na totalidade qualquer cor, qualquer imagem. Resta apenas escrito um recado: sem sinal!

E deste modo não vi sequer esse 1º episódio completo em que a bela Sherazade contava as suas estórias dos seus amores com Aladino, como forma de escapar à morte anunciada pelo seu carrasco, o próprio Aladino disfarçado? Bem, não sei, como querem que saiba se depois não tive mais oportunidade de ver TV?!

 

Certo, certo, é que em cada fatura da EDP, lá vem um montante da taxa do audiovisual.

Até já escrevi, melhor, enviei um mail, para o Provedor do telespetador… a referir que pago a taxa e, de vez em quando, estou impedido de ver TV. E, como eu, estão milhares de telespetadores por esse país fora, que eu sei que estão!

Bem, mas nós nesta croniqueta, estamos a falar de ficção e não da realidade.

 

Seguidamente, na semana passada, a RTP2 apresentou dois excelentes filmes documentários da N.G.C., sobre os assassinatos de dois presidentes americanos: Lincoln e JFK. De realizadores de referência e também com excelentes atores.

“Killing Lincoln”, com narração de Tom Hanks e “Killing Kennedy”, em que o ator principal é Rob Lowe.

Vi apenas o segundo. Não vi o primeiro, mas não foi devido à TV. Não vi, porque não pude, por outras razões.

Deixo as ligações:

https://www.google.pt/ lincoln

segundos-que-mudaram-a-america

 

Nesta semana, na 2ª feira dia 20 de Julho, iniciaram um documentário “Mares e Oceanos”, de 2008, da TV Valenciana. Também muito interessante, é um género de temas que muito me agradam, mas de que já se têm visto muitos programas diversificados, em diferentes canais, desde os tempos de J. Cousteau.

 

E eu pensando que não haveria mais séries, quando me surpreendem com um “Coração das Trevas”, “Heartless”, embora ache que a série seja originária de um país nórdico, pela língua que ouvi no pouco tempo que tive paciência para seguir algumas cenas. Não percebi bem de qual, pois decididamente este género não faz a minha onda.

Temas em que o enredo supostamente se desenrole à volta de almas do outro mundo, vampiros, mortos vivos, zombies, bruxarias, fantasmagorias diversas, e afins, não são a minha praia. Não aprecio, não gosto, não vejo!

Gosto de ver filmes, embora consciente de que estou a ver ficção, mas em que há um substrato de realidade. Se as narrativas se baseiam ou documentam casos reais, embora ficcionando como sempre acontece num filme, então tanto melhor! Por isso é que apreciei especialmente as séries que têm vindo a ser transmitidas.

 

Borgen in RTP2.jpg

 

Desde que, por acaso, comecei a ver Borgen. E que me prendeu ao écran, a ponto de, sempre que me é possível, continuar a rever os episódios que estão a ser repetidos aos domingos, pelas 22h.

E, no domingo passado, dezanove de Julho, ocorreu um dos episódios que mais me tocaram. Aquele em que os media invadiram vergonhosamente o espaço completamente privado e mais sagrado a que qualquer cidadão, ainda que desempenhando cargos públicos, tem direito. A vida da filha da protagonista. Que foi exposta no seu lado mais frágil, já que a adolescente está em sofrimento, tratando-se de doença psiquiátrica e foi exposta da forma e do modo como as cenas mostraram. Regredindo no tratamento e com todas as consequências que se seguiram.

No desenlace do episódio, a protagonista conseguiu encontrar uma solução feliz. Interromper temporariamente as suas funções políticas, para se dedicar ao tratamento da filha.

Solução original e moderna, provavelmente só possível em Democracias avançadas. Mas precursora de hipotéticos casos a eventualmente acontecerem no futuro.

Aliás, para quem não possa valorizar o poder dos media em influenciar os comportamentos dos cidadãos, refira-se que a Dinamarca teve, pela primeira vez, uma mulher como Primeiro-Ministro, após esta série de grande êxito. Coincidências?!

E fazendo um pouco de cusquice, termo comum das duas jornalistas louras, só louras… do elenco, esta Primeiro-Ministro é a célebre dita cuja, que tanto furor causou nas redes sociais, no decurso das cerimónias do funeral do aclamado Nélson Mandela, por causa do celebérrimo Presidente Obama! Que até a querida Michelle ficou incomodada!

 

Sobre o papel imprescindível em Democracia, mas por vezes perigoso, da Comunicação Social, o 4º Poder, será um tema que iremos sempre abordando, direta ou indiretamente, nestas postagens.

 

Ainda a propósito da separação entre o privado e o público das figuras públicas e das eventuais ou reais consequências do que os media veiculam sobre as mesmas, principalmente quando elas estão fragilizadas, ainda hoje, precisamente, as redes noticiam um acontecimento ocorrido com uma figura pública nacional a que não terá sido alheia essa situação…

 

E já que pegamos em canais televisivos…

Muitas vezes me questiono para que nos serve termos dois canais privados que se copiam, por vezes mal e… Transmitindo programas indigentes, do mesmo tipo, à mesma hora, cronometrados até na publicidade enganosa, nas vergonhosas chamadas de valor acrescentado para encherem o bolso das operadoras de telecomunicações, com novelas que até no nome se repetem… E baseando-me no que também foi veiculado recentemente, agora até vão programar a realização de duas novelas ao mesmo tempo, no mesmo espaço geográfico?!

Falta de imaginação, diga-se, pese embora o cenário seja amplamente merecedor, é certo!

 

Mas é este o País que temos!

 

E terminamos a crónica que, como sempre, é longa de mais.

 

Obrigado, a quem tenha paciência para me ler até ao fim!

 

E, aproveito e peço desculpa pelo abuso, mas publicito também o que é meu!

Até porque já temos saudades da nossa querida capitã Laure Berthaud e dos seus Mosqueteiros! E temos tantas perguntas para lhes fazer... Mas ficam para outra ocasião.

E passe a publicidade.

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