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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Serão os incêndios inevitáveis?!

Serão uma fatalidade, um fado, a que não possamos fugir no Verão?!

Uma ocorrência catastrófica, mas natural, como um furacão, um tsunami, um terramoto, um ciclone?!

 

Original DAPL 20170715.jpg

 

(Verão Escaldante!)

 

Volto a este assunto, porque, infelizmente, desde Junho que vivemos esta calamidade!

 

Este post anda para ser publicado desde Agosto. Mas tem-me sido difícil e doloroso escrevê-lo. Para além de outras questões, que me têm coartado a iniciativa de escrita. Mas tinha que ser escrito. E publicado! Em reforço ao que já escrevi anteriormente sobre o assunto.

 

Dada a forma e o conteúdo desta problemática e de como nos é ciclicamente apresentada, nomeada e muito especificamente pelos “media”, realce para as TVs, até parece que os incêndios são uma fatalidade, são uma inevitabilidade dos verões, dos verões de Portugal.

Mas serão?! Nomeadamente à escala e na dimensão em que, neste milénio, nos têm assolado?!

 

Na génese dos incêndios está, em muitos deles, quiçá na maioria, a malvadez humana de alguns, a cupidez e ganância de alguns outros e a inação de muitos.

(Há, obviamente, fatores naturais que são também causalidade, nalguns casos.)

Já me reportei a estes assuntos em vários posts e neles, caríssimo/a leitor/a, pode encontrar algumas das várias sugestões que apresento sobre o assunto e sobre a forma de minimizar este problema.

 

O que falta, o que tem faltado, é muito trabalho, muito trabalho de base, muito trabalho prévio, de prevenção; de prevenção, repito, a fazer-se anualmente, cada ano e ano, realço, por todas as entidades públicas e privadas e pelos cidadãos.

 

Original DAPL 20170715.jpg

 

Falta trabalho. Trabalho. E tanta gente que se queixa que não tem trabalho! E vontade de trabalhar?!

 

Impressiona-me que perante esta verdadeira catástrofe, que de tal se trata, se observe uma relativa indiferença das pessoas, em geral.

 

Nas grandes cidades, mesmo naquelas, que são a quase totalidade, igualmente suscetíveis de serem assoladas por tal fatalidade, anda tudo nos afazeres e prazeres, como se tal ocorresse num outro país, num outro mundo, numa outra realidade.

Aliás, nesse contexto, nesse âmbito espacial, tudo se processa como se os fogos fossem assim uma espécie de “realidade virtual”.

 

Que papel, que contributo, virão dando as televisões para esse adormecimento, para esse anestesiar das mentes?!

Durante estes trágicos meses de Junho, Julho e Agosto e Setembro (pasme-se!) em que o País tem sido assolado por essa vaga de incêndios, a abertura dos telejornais, nas várias televisões, tem sido focalizada nessa temática.

Mas será que a forma e o modo como esse assunto é veiculado, contribui para informar ou mais para deformar as perspetivas dos telespetadores?!

(Atente-se no termo: tele espetadores! Que é isso que somos frente à TV. Espetadores, não atores, à distância…

Veem-se imagens de fogos, a seguir de festivais e festivaleiros enfrascados, cenas de fogos virtuais da “Guerra dos Tronos”, outra publicidade qualquer, mais ou menos disfarçada, futebóis e futeboladas, milhões e milhões nas transferências… E, eis o telejornal, enquanto o pessoal janta ou almoça ou come umas tapas ou bebe um café à beira mar plantado… E que o País do Interior se prante…

E aquelas imagens trágicas e assim contextualizadas, informam ou deformam?!)

 

(Aliás, os telejornais têm o condão persistente de nos alertarem para a desgraça! A nossa e a alheia. Tanto, que anestesiam.)

 

Os Políticos do Poder Central envolvem-se em questões e explicações mais ou menos consistentes; em acusações mútuas, recíprocas, mais ou menos pertinentes; em causalidades com maior ou menor nexo com o real. Em questiúnculas… demasiadas vezes. Politiquices, tantas vezes!

Os Políticos do Poder Local andam todos numa fona pré eleitoral, que as Autárquicas se avizinham, há que constituir listas, agora já formadas, sabem-se lá os jogos de bastidores (?) e vão-se mostrando por festas e festarolas, festivais e festivalices. E foi assim todo o santo Verão. Enquanto os campos iam ardendo.

 

Impressiona-me, ainda mais, o distanciamento, mesmo nas localidades do Interior, aldeias, vilas, cidades, em que os efeitos dos incêndios ocorridos, a mais de uma centena de quilómetros, se manifestam sob diferentes aspetos, mas nem isso leva as pessoas a saírem da inação, da sua zona de conforto e comodidade.

Em todos estes meses, desde Junho, ainda anteontem, nove de Setembro, se observou, o Norte Alentejano, pelo final da tarde, mais acentuadamente próximo ao sol-pôr, é coberto por uma nuvem de fumo, direcionada de Noroeste, proveniente do Atlântico, passando pela “Zona do Pinhal”, concelhos do Centro de Portugal, abrangendo parte dos distritos de Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, onde têm ocorrido os trágicos incêndios, que tanto têm castigado as populações da Região.

Nalguns dias, em que o fumo se tornou mais intenso, o sol ocultou-se até mais cedo que o habitual, como se tivesse havido um eclipse.

E é o cheiro e o fumo que impregna e cobre as povoações, até em Espanha. Em Julho, no “Dia dos Avós”, pudemos observar esse facto em Valência de Alcântara. E, em Marvão, o vento impregnado de fumo, corria veloz, nas faldas da Serra, em direção aos campos da Meseta Estremenha!

E as casas e as árvores ficaram cobertas de um manto de cinza, restos de folhas e vegetais queimados, que o vento trazia dos locais dos incêndios.

 

Mas acha que estes factos, estas vivências diárias, durante estes meses, têm levado as pessoas à ação, ao trabalho de limpezas de campos, de caminhos vicinais, de estradas, de quintais, quintas e quintarolas, próximo e dentro das localidades?!

Ao aceire das bermas das estradas, dos campos circundantes, das serras e serranias, das encostas e terrenos junto e dentro de aldeias, vilas e cidades?!

 

E alguém ouve, apelos e sugestões, pedidos ou ordens, normativos ou posturas, dos Poderes Instituídos, Centrais e Locais, para que Cidadãos ponham as mãos ao trabalho?!

A começar pelas Juntas de Freguesias que deveriam ser as primeiras a agir?!

 

É só caminhar pelas localidades e redondezas. Viajar pelos concelhos limítrofes e olhar com olhos de ver!

Observe Caro/a Leitor/a, mesmo nas grandes Cidades.

 

Tudo se projeta para o futuro, mas entretanto, desde Junho, vivemos estas calamidades.

 

E os desgraçados que vivem e sofrem no meio destes incêndios!

Seja quem sofre os efeitos, que vive nos locais e quem acorre para apagar…

 

Situação a que a grande maioria deste País está sujeita! Dada a forma como todo este processo tem decorrido.

 

E os incendiários?!

Quando haverá uma ação direta e preventiva que impeça que esses indivíduos passem ao ato?!

Coartá-los de liberdade de movimentos nos meses críticos: Maio a Outubro.

Pô-los a trabalhar, a trabalhar no duro: na reflorestação, nas limpezas dos campos… (Durante o resto do ano.)

 

Legislar sobre estes assuntos é importante. Mas o fundamental é passar à ação. Em todos os campos possíveis.

E sem o trabalho de base não se obtêm resultados.

Operacionalizar agentes, em diversos enquadramentos funcionais, que se ponham a trabalhar, a trabalhar no terreno, nos terrenos, nos campos. Na Prevenção!

 

E a ação cívica dos cidadãos é imprescindível. Mais cuidado! Mais atenção aos lixos, que espalham por todo o País.

(Para algumas pessoas, o País, para além das portas e janelas da sua casa e do seu carro, é um vazadouro de lixo.)

E as beatas dos cigarros?!

 Trovoada-seca-mão-criminosa-descarga elétrica...

Incêndios...

*******

E quando vierem as primeiras chuvas?!

E a falta que a chuva nos faz.

*******

(Fotos Originais D.A.P.L. - 2017 - Julho)

Um conto que não gostaria de contar!

 

Conto e reconto, tristemente real e anual, sobre um reino que abandonou os seus campos à incúria e insensatez humanas.

 

Lado a lado, nas bermas das estradas, a erva nascera e medrara na ridente Primavera, florira e, no Verão, secara como mandam os preceitos da natureza.  Mas crescera tanto à beira das estradas, nas valetas e lombas mal amanhadas, que tirava até a visibilidade aos condutores.  E era um rastilho de pólvora, em pleno Agosto escaldante, de sol abrasador, esturricando giestas e rosmaninhos, agora ressequidos face à inclemência do astro rei.

 

Nas colinas e montes circundantes, nas ravinas xistosas ou graníticas das ribeiras, os pinheiros bravos multiplicaram-se sem qualquer desbaste ou controle, uns aceiros mal amanhados, alcatifado o chão de caruma e agulhas secas, tisnadas pela solina inclemente que estonteava campos e corações. Pelas fráguas arriba, as estevas e os medronhais, as urzes e as aroeiras, os silvados e tojeiras, que em Abril e Maio entoaram epopeias de cores e aromas resinosos e doces, são em Agosto abrasador, temperaturas infernais, humidade quase nula, num ar seco e abafadiço, são, em Agosto, um convite à desgraça dos campos, desérticos de gente e de cuidados de limpeza de matas e florestas, carentes de aceiros e consideração pessoal dos donos que mal os conhecem nem amam ou estimam.

 

E a desgraça chega! Chega de muitas maneiras e feitios, que o enredo da maldade ou da insensatez humanas tem muitas lábias e formas.

 

Um cigarro não apagado, lançado negligentemente pela janela dum automóvel, saltita na estrada à velocidade do carro e aloja-se no seio do pasto ressequido...

O sol inclemente e abrasador que incide num monte de lixo que mãos desumanas lançaram no meio da floresta: papéis e plásticos, garrafas de vidro que refractam a luz do sol que incide prismática num ponto, incandescendo folhas e papeladas, ateando ervas e carquejas...

Uma mão criminosa ou descuidada, um coração cheio de ódio e malvadez ou uma mente insana que risca um fósforo ou lança um petardo...

Ou alguém que por cupidez e ganância, por despeito ou inveja, seja por quaisquer outros sentimentos mais baixos, de vil desumanidade, dá uma ordem, paga ou incentiva à acção de outrem, para agir, destruindo pelo fogo, propriedade alheia, mas de todos, que o fogo quando ateado não conhece donos nem criados...

Seja qual for a razão, a causa ou o motivo, o destino é sempre o mesmo!

 

Eis que as chamas, tímidas de início, mas logo, logo, labaredas enormes, consomem ares e hectares de vida, anos e anos de trabalho, milhares e milhas de árvores, plantas, arbustos e animais, seres, teres e haveres, árvores centenárias, habitats preservados...

Em breves instantes, os campos são campos de Marte e de morte, uma bomba de napalm varreu serras e serranias, ravinas e desfiladeiros, colinas e cabeços, plainos e planuras.

E ficam esculturas negras de carvão e cinza erguidas para o céu, acusadoras da incúria, da maldade, do desleixo, do desrespeito do homem pela Natureza, que impotente não resiste ao fogo aniquilador.

in: pt.wikipedia.org.jpg

 

Mas, e quando chegar o Outono e vierem as primeiras chuvas?...

E chega o Outono e com ele as primeiras chuvas outonais.

Há muito desejada, a água, inicialmente, chegou tímida e foi recebida como uma benção de Deus para os campos sequiosos, as barragens vazias, as nascentes gotejantes. Mais foi caindo mais e cada vez com maior frequência, bátegas e trombas de água, trovoadas, vendavais e ventanias.

Nos campos desprovidos da protecção das copas das árvores, do arvoredo miúdo e da vegetação rasteira, a água rija, tocada a vento, caiu directamente no solo, arrastando terra e lodo, restos de ramos e arbustos, lixos e toda a porcaria que os homens deixam nas margens dos cursos de água. Tudo se arrasta encosta abaixo, ao contrário do fogo que sobe encosta acima, em direcção ao leito de cheia de ribeiros e ribeiras que ganham caudais de rios impetuosos. Leitos de cheia onde os homens modernos e actuais, previdentes, perspicazes e sabedores, construíram as suas habitações, subitamente invadidas por lamas, pedras e águas tormentosas arrastadas de montante, abaixo pelas encostas, desprovidas do coberto vegetal que os fogos dos verões consumiram...

 

E é este o conto e reconto tristemente real, ciclicamente repetido, num acumular de erros e tropelias dum estranho país realmente plantado à beira mar!

 O Lar da Cegonha!

in: publico.pt. jpg

As Árvores também têm História?!

As Árvores morrem de pé?

 P.S.

Este texto foi escrito há algum tempo, hei-de pesquisar quando, e ainda não fora publicado noutros enquadramentos. Era, portanto, inédito.

A "imagem" que, ao escrever, tinha presente sobre fogos, situava-se nuns campos a norte de Pavia, nas ravinas da Ribeira de Tera, em que houve um fogo há relativamente poucos anos. Lembro-me de ver as fráguas das duas margens da Ribeira, a montante da ponte, tisnadas pelos efeitos do fogo recente...

Locais Pitorescos do Alentejo!

Locais pitorescos de Aldeia da Mata

 

Foto original d D.A.P.L. Junho 2015.jpg

 

E porque temos estado a “postar” sobre atividades campestres, ainda que em meio urbano, vamos apresentar alguns aspetos peculiares e extremamente interessantes sobre algumas paisagens rurais de Aldeia da Mata.

 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015. jpg

 

Esta localidade do Norte Alentejano tem alguns monumentos e paisagens que merecem ser devidamente valorizados. As pessoas conhecedoras atribuir-lhes-ão o devido valor, mas muita gente não conhecerá…

Alguns monumentos serão mais destacáveis, nomeadamente dado o seu simbolismo e antiguidade, outros mais singelos e modestos, sem deixarem de ser interessantes. Uns serão mais significativos, no contexto atual, outros tê-lo-ão sido em tempos imemoriais.

De todos, num enquadramento cultural mais vasto, espacial e temporalmente, o mais significativo, também porque de maior antiguidade, será talvez a Anta do Tapadão.

A Igreja Matriz, num enquadramento cultural diverso e mais recente e, de entre os monumentos ainda em funcionamento, face aos objetivos para que foi fundada, também se destaca.

Todos estes aspetos se relativizam face ao contexto em que se inserem, no espaço e tempo próprios. Não se pretendem comparações com outros objetos de análise, de outras aldeias, vilas ou cidades. Falamos do que temos e como temos, tão somente!

 

De entre os monumentos que temos e também dos lugares e paisagens em que nos enquadramos, alguns são deveras interessantes.

 

Foto original de D.A.P.L.. Junho 2015jpg

 

Mais ou menos modestas, sem deixarem de ter interesse e valor, destacaria, por ex., o conjunto de fontes, de que algumas cumprem cabalmente a sua função debitando água agradável e fresca, todo o ano. Mesmo nos verões mais quentes e secos. Este ano não sei… Choveu quase nada!

Destas fontes uma se destaca entre todas. Primeiramente pela sua função primordial: a água. Será, indubitavelmente, a melhor água de entre a das diversas fontes.

 

Foto original de D.A.P.l. Junho 2015.jpg

 

Também é dotada de alguma relativa monumentalidade, na sua singeleza, de obra popular. Possui um evidente enquadramento paisagístico que a valoriza, de fráguas alcantiladas, de uma ribeira que a isola da povoação, mas a que uma ponte certamente centenária lhe permite aceder. Os penhascos, a vegetação autóctone, apesar da acácia australiana que teima em persistir e a ponte, talvez romana (?), talvez, tornam-na num passeio apetecível, apesar de atualmente pouco procurada.

 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015.jpg

 

Pois falo precisamente da Fonte do Salto e da Ponte do Salto.

 

Foto original de D.A.P.L Junho 2015.jpg

 

Acede-se a ela por um caminho que durante séculos terá sido via de transporte importante para pessoas, mercadorias e animais. Atualmente até de carro.

Recentemente, por incumbência da Junta de Freguesia, foi valorizada pela limpeza da arca da água que tem na parte superior e embelezada, qual noiva, pela pintura a branco e amarelo oca, cores tão características e tradicionais na região.

Merece uma visita!

Um garrafão ou garrafa para trazer e beber água fresquinha e a caminho.

Arriba! Que se faz tarde!

E, a propósito de caminhar…

A organização de uma caminhada em que se proporcionasse a conterrâneos e forasteiros um passeio pelas fontes da Aldeia seria uma boa sugestão. Não propriamente no Verão, que está muito calor e tudo muito seco, mas na Primavera em que o enquadramento paisagístico é exemplar.

Quem fala em fontes, poderá sugestionar: “Por pontes, passadeiras e fontes…”

 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015.jpg

 

Bem perto da Ribeira do Salto, outro excerto da Ribeira, também agradável, é a Ribeira da Lavandeira, onde existem umas artísticas passadeiras e a que se acede por uma calçada.

Também bastante antiga. 

Foto original de D.A.P.L. Junho 2015.jpg 

 Nota Final:

As fotos são todas originais de D.A.P.L.

 Junho 2015.

 

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o-topónimo-aldeia-da-mata

retalhos-do-alentejo

Sobre aldea da mata

Questões...

Jacarandás

 

Jacarandás

 

Foto2163. Foto de DAPL 2015 jpg

 

 

Florir em Junho ou Maio, conforme o mar

Ricamente adornados de azul – lilás

São beleza estonteante, d’encantar

Nas alamedas exultam jacarandás!

 

Ser vivo, planta duma outra latitude

Raiz e berço no hemisfério sul

Traz à cidade uma nova amplitude

Poema declamado a verde e azul!

 

No Outono é mais verde, verde ainda

Nova juventude recobre o seu manto

D’ estações trocadas, mesmo assim linda

Esta árvore, nas praças, é um espanto!

 

Em Março cai a folha, nasce por Abril

Cumpre-se, enfim, destino primaveril!

 

Foto2165. Foto de DAPL 2015 jpg

 

Publicado em “Mensageiro da Poesia” (Boletim Cultural) Nº 118, Maio/Junho 2013.

Boletim Cultural do CNAP - Nº 125 - Ano XXVII - Nov. 2016.

 

Cidades e Jacarandás!

Pastor em part - time

Introdução:

Tenho hesitado na divulgação deste texto. Poético?! Não sei, embora tenha essa pretensão.

“Inspirado” na leitura de Alberto Caeiro e na minha própria experiência pessoal, parafraseando precisamente o “Guardador de Rebanhos”. Simples pretensão!

Escrito nos finais da década de setenta, inédito, atrevo-me a divulgá-lo, cumprindo um dos propósitos por que abri este blog. Dar a conhecer textos por mim escritos, originais, na sua maior parte já publicados noutros contextos e agora também alguns que ainda não o foram, até ao momento, em suportes de papel.

Este texto, em versos sem rima e de métrica não estruturada, é a primeira versão deste tema.

Já na década de oitenta escrevi uma versão rimada, dada a conhecer no blog em 03/12/2014.

 Pastor a tempo parcial

Segue-se o texto.

 

 

“Eu nunca guardei rebanhos

Mas é como se os guardasse.”

Alberto Caeiro

 

PASTOR em part-time

 

‘ Guardei muita vez ovelhas

Mas é como se as não guardasse. ’

Estando junto a elas, no meio delas

Poucas vezes aí estava...

Com elas falava, falando sozinho

Gritava-lhes, estando calado

Ouvia-as, não as escutando.

Batia-lhes, fazendo festas

Acariciava-as, magoando.

Mandava-lhes o cão, que não ia

Ou ia sem o mandar.

 

Se lhes vedava o trigal

Era certo que lá estavam

E teimosamente insistiam.

Se um muro as separava do fruto

Quantas vezes não o galgavam!

Mal cheiravam uma figueira

Ei-las, em louca correria,

Na disputa do cobiçado troféu.

 

E fugia o rebanho todo…

Só os pequenos e fracos se atrasavam.

 

Pela água era a mesma coisa.

E muitas vezes morriam

Após barrigadas de figo ou embudo.

(São assim as ovelhas.

 Sempre em rebanho!)

 

Por vezes lutavam à cabeçada,

Duas a duas,

Os carneiros principalmente…

Troque, troque… troque

Embatiam os crâneos um contra o outro.

E recuavam…

Para ganharem impacto para novo combate.

Troque, troque, troque…

Até fazer sangue

Por entre os cornos.

E um se dar por vencido.

 

No Verão, mal o sol começa a aquecer

Pelas nove, dez horas

Lá vão elas, cabeça baixa…

Badalum, badalum, badalum…

Em fila indiana,

Pelo carreiro de todos os dias,

Para o acarro.

O sobreiro ou a azinheira de sempre.

 

Na Primavera, os campos cheios de erva

Dá gosto vê-las espalhadas pelas abrigadas

Pastando ao sol.

É um mar de ondas brancas, calmas

Por entre o verde da relva.

Os filhos dormitam,

Manchas mais brancas ainda,

Reflexos de luz em mar de palha.

Nesta época não há quem as tire da pastagem.

 

Era então…

Que o sol

O fascínio da luz e da cor

A sinfonia das rãs, dos grilos e aves

O perfume das mil e uma ervas

A confusão dos sentidos

Me afastavam do rebanho

Estando no meio dele.

 

O silvo dos comboios era o convite

À viagem.

O esvoaçar duma águia

O passaporte assinado.

 

O oriente e a serra

A miragem do azul e do mar

Eram o meu Destino.

 

E então, partia…

 

 

Escrito em 1979.

 

 

Pastor a Tempo Parcial

“Eu nunca guardei rebanhos

Mas é como se os guardasse.”

Alberto Caeiro

  

 Pastor a Tempo Parcial

 

Rebanho... Foto de F.M.C.L. (início anos 80)

 

Ovelhas, andei a guardá-las

Como se as não guardasse

No meio delas, a olhá-las

Não tardava me ausentasse.

 

Com elas falava, só falando

Gritava-lhes, estando calado

Ouvia-as, não as escutando

Festas fazia com o cajado.

 

Acariciava-as, magoando

Mandava o cão que não ia

Ou ia não o mandando

E, ao chamá-lo, fugia.

 

Ao vedar-lhes o trigal

Era certo que lá estavam.

Onde quer que fosse mal

Insistindo elas teimavam.

 

Se do fruto as separava um muro

Quantas vezes o galgavam.

E por um figo maduro

Corriam mal o cheiravam.

 

Era louca a correria

Ao cobiçado troféu.

Todo o rebanho fugia

E atrás dele ia eu.

 

Pequenos e fracos ficavam

Coxeando mais atrás

Pouco a pouco se atrasavam

Andando o que eram capaz.

  

Pela água ia tudo

Se fartando de beber.

Comendo figo ou embudo

Acabavam por morrer.

 

Morriam ovelhas, tal e qual

A Mestre de Filosofia

Que embude a cicuta é igual

Só que, à data, eu não sabia.

 

As ovelhas são assim

Sempre em rebanho.

Muitos homens, outrossim

São iguais, de igual tamanho.

 

À cabeçada, por vezes,

Lutavam duas ou mais.

E entre os cornos soezes

Sangue escorria demais.

 

Nove, dez horas, aquece

O sol quente de verão

Cada chocalho estremece

Na corna amarrada ao chão.

 

Em fila indiana indo

Sempre no mesmo carreiro,

Ao acarro vão seguindo

Na mesma azinheira ou sobreiro.

 

Primavera, erva e cheiros tantos

Dá gosto vê-las espalhadas

Aquecendo lanudos mantos

Pastando nas abrigadas.

 

De brancas ondas um mar

Na verdejante relva dispersas

Nas lombas, filhos a dormitar

Manchas brancas mais diversas.

 

Espelham reflexos de luz

Num verde "Mar da Palha"

Na erva que tanto as seduz

Tirá-las daí…Deus nos valha!

  

Era então que o sol

O fascínio da luz e da cor

Sinfonia de rãs, grilos e rouxinol

Das mil e uma ervas o odor…

 

Me afastavam do rebanho

Sem sair do meio dele.

O caminho era tamanho…

Partia, deixando a pele.

 

O apitar do comboio, ao longe

Era um convite à viagem.

Naquele deserto de monge

Seguia a minha miragem.

 

Uma águia esvoaçando

Meu passaporte assinava.

Era então, quando

Eu, com ela, voava.

 

Este poema, de inícios dos anos oitenta, é versão rimada de outro escrito em finais de setenta.

As Árvores Morrem de Pé?!

Porque se abatem as árvores, à beira das estradas?

Perguntou, inocente (ou atrevida?) a criança.

 

Porque impedem o alargamento das estradas.

Respondeu, categórico, o Presidente da Junta.

Porque os automobilistas nelas esbarram, esmagando os seus automóveis e as suas carolas nos troncos obtusos das árvores, que estacionam nos dois sentidos, não respeitando as regras de trânsito.

Sentenciou, sabedor, o Autarca Diligente.

 

Então… e a sombra? E o oxigénio?

 

E para que serve a sombra à beira das estradas?

Já ninguém anda a pé nem de carroça.

E temos toldos e guarda-sóis. Que há muitos no Hipermercado.

 

E o oxigénio compra-se em garrafas, não tarda muito.

 

E temos o ar condicionado!

 

Para que queremos árvores e natureza, se no meu Supermercado temos de tudo e é a verdadeira natureza?!

Para que precisamos de árvores, se temos tantas de plástico, perenes, sem folhas caindo, à venda no Hiper?!

Se temos tantas árvores empalhadas prontas a serem compradas para o Natal?!

Atalhou, solícito, o Dono de Uma Cadeia de Supermercados.

 

E as chatices que nos dão as árvores…

São as folhas que caem no Outono e voam por todo o lado.

E os ramos que têm que ser podados no Inverno…

E na Primavera enchem-se de flores e causam-nos alergias. Para depois murcharem e caírem…

E têm que ser regadas no Verão. E os frutos têm que ser colhidos, Quando há tantos na frutaria, À mão de semear…!

E trazem-nos mosquitos. E os pássaros. E os seus dejetos!

Acrescentou, pragmático, o Senhor Senso Comum.

 

E quando eu fizer anos, em Dezembro, e chegarem as cegonhas?

Que vão elas dizer das suas casas devassadas?!

Atreveu-se, ainda, a perguntar, impertinente, a criança.

 

O tempo das cegonhas já passou. Ou ainda acreditas nas cegonhas?

Pouco importa quando chegam. Nem como! Nem onde!

O tempo agora é digital. Mede-se nos écrans gigantes plantados nas bermas das vias rápidas, nos painéis publicitários anunciando o Novo Detergente. (Em vez das árvores que distraem os homens com os seus ramos a baloiçarem ao vento.)

Não há tempo, nem tempos, cronológico ou meteorológico que nos interessem. Não há Fim dos Tempos, que o Tempo é Eterno e Efémero.

Rematou, convincente, o Político Instalado no Poder.

 

E, a criança,

Perante tamanhas Sabedorias, calou-se.

Mas doeu-lhe muito ver tantos troncos de árvores

Cortados às rodelas, nas bermas das estradas!

 

E… Quando chegarem as cegonhas?

Que vão elas dizer…?!

Estas perguntas ficaram ecoando, em ressonância,

Na mente da criança.

Notas:

Escrito em Portalegre, Set. 2000.

Publicado no Boletim Cultural Nº 58, do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, Dez. 2000

Um conto...

 

Algumas explicações...

Algumas explicações sobre a publicação dos textos hoje divulgados:

  • I - Primeiro

O texto “Diálogo através duma máquina fotográfica”, publicado hoje, 4ª feira, 5 de Novembro, era para tê-lo sido na pretérita 2ª feira, dia 3 de Novembro, o primeiro dia que tivemos realmente de “inverno”, nesta estação outonal.

Mas acabou por não ter sido porque me questionei que sentido faria divulgar um texto que fala de sol, de luz ferindo a vista, de verão de calor ardente…  num dia tão escuro, cinzento e chuvoso como foi a passada segunda-feira?!

Por tal motivo ficou em stand–by.

  • II - Segundo

Seguidamente perspetivei publicar uma poesia que tinha acessível, especificamente na Antologia sobre “Portalegre em Momentos de Poesia”, precisamente e também porque estava na cidade de Portalegre e tinha um exemplar do livro na minha posse.

A poesia designa-se “De Portalegre para Timor”.

Por estranha coincidência apercebi-me, entretanto, que havia notícias online sobre Timor. Notícias relatando acontecimentos que não percebia muito bem o respetivo significado.

Por esse motivo também deixei ficar a divulgação do poema suspensa até entender melhor a situação. O que agora, apesar de mais algumas leituras talvez tenha vislumbrado um pouco melhor, embora ainda não compreendendo tudo…

  • III – Terceiro

De modo que, HOJE, 5 de Novembro, depois do dia muitíssimo especial que foi Ontem e embora os dias continuem cinzentos, como é natural nesta estação outonal e apesar de ainda não ter percebido tão bem como gostaria o que está acontecendo em Timor, tendo, inclusive, alguma apreensão pelo que toda esta realidade possa significar…

Mesmo assim e apesar de todas as contrariedades, decidi divulgar estes dois textos, um em prosa, outro em poesia, seguindo o princípio estabelecido de divulgar prioritariamente trabalhos já publicados noutros suportes (papel), no que respeita a poesia e prosa de ficção.

 

No concernente ao texto em prosa, porque apesar de ser outono quase inverno e o verão já ter terminado, ele virá novamente e, queira Deus, nós cá estejamos com ele!

 

O texto em verso, porque ele nos reporta para um acontecimento em que, nalguma quota-parte, Portugal e os Portugueses, a Nação Portuguesa e o Estado Português, desempenharam um papel fundamental, em que a Solidariedade de cada um e de todos nós, do Povo Português, permitiu, contribuiu, muito ou pouco, conforme o nosso papel, função e poder, para um desfecho que levou à Independência de Timor-Leste.

 

Foram atos e ações, momentos, gestos e atitudes, que com o peso relativo e a importância da respetiva origem e proveniência, contribuíram, a seu modo, para um construir, para um fluir positivo e progressivo da História de um Povo e quiçá da Humanidade. Poderá ter sido pouco, não terá sido o suficiente, mas foi certamente um exemplo que convém lembrar aos Homens, que quando as vontades se centram em objetivos positivos estes podem ser alcançados.

 

Paralelamente chegou-me às mãos uma carta com um folheto da unicef e um pedido de dádiva para Timor-Leste, com imagens carregadas de significado sobre a situação naquele País, especificamente no referente à obtenção de água potável e em que se destaca: “Timor-Leste é um dos países mais pobres do mundo.” (…)

Digitalização Timor 001.jpg

Não há muito mais a dizer. Mas friso que é nestas realidades que os dirigentes mundiais, os senhores do mundo, os dirigentes dos países, se deveriam concentrar. Primeiramente os dirigentes dos próprios países que, antes de tudo e de todo o mais, têm a primeiríssima responsabilidade sobre a situação dos Povos que regem e governam! Que têm a obrigação e o dever de elevar o nível de vida dos seus cidadãos a um patamar de dignidade.

 

Muitos se esquecem deste DEVER, quando atingem o Poder! Que o Poder deve ser para servir e não para se servir!

 

Por tudo o que foi dito e o que fica sub dito, divulgo o poema que nos reporta para um ato de DIGNIDADE, profundamente belo e construtivo, prova de que Povos, Nações, Estados, Cidadãos, Todos e cada Um de nós, todos juntos e unidos, somos capazes de construir um Mundo Melhor!

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