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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“A Herança” – Série Dinamarquesa - 8º, 9º e 10º Episódios

“Arvingerne” / “The Legacy”

A Herança

 

(14, 15 e 16/03/16 – 2ª, 3ª e 4ª Feira)

 

E vou narrar algumas peripécias do enredo reportando-me a alguns factos marcantes destes episódios, sem os reportar especificadamente a cada um dos mesmos, que não me recordo de tudo, nem terá sentido esmiuçar todos os pormenores, dado serem já três episódios passados e muitos aspetos terem-se alterado na sequência narrativa.

 

Cinzas Mãe in. dvdinfo.be.jpg

 

Ontem, no final, assistiu-se à prisão de Emil na distante Tailândia. E poderemos ajuizar das condições deploráveis em que se encontram os prisioneiros naqueles “aljubes”. Preso por estar na posse de uns quantos charros, fornecidos pelo seu ex-sócio, Hirun, também seu denunciante à polícia, despeitado por Emil ter vendido o empreendimento turístico, sem o seu consentimento e por uma tuta-e-meia.

 

Mais uma vez, é à família que recorre, neste caso Gro, para pagar a garantia, para poder ir a julgamento. Que estas prisões de estrangeiros funcionam também como uma forma de obtenção de divisas, num sistema corrupto a todos os níveis.

Que ao entrar naquele antro assustador, onde nem quase há espaço para se sentar, apesar de tudo, uma mão amiga, igualmente de um estrangeiro, Ken, o convidou a sentar-se junto dele, numa nesga do lajedo do chão. Que já ali estava há três meses, que estão sempre a pedir mais dinheiro de garantia. “Acho que nunca mais sairei daqui!”

E daqui poderemos ajuizar o que também poderá acontecer a Emil!

 

Gro esfalfou-se para obter o dinheiro, que também não o tem, Frederik também não quer ceder nada, pois está possesso com o irmão, não sei se contei porquê, mas talvez ainda conte...

 

Gro só consegue dinheiro líquido, vendendo Obras da Mãe. Sempre Veronika presente naquela família.

Andava em negociações da última peça produzida pela mãe, uma designada “Bico”. Negociava com um oligarca russo que queria a peça para assentar no hall da sua mansão, quando na respetiva conceção ela era para figurar pendurada no teto. Também negociava com um museu finlandês, que pretendia a obra para lhe dar um destaque merecido, à Obra da Mãe Veronika, em sala específica e adequada, nas condições originalmente previstas, apropriadas e de realce.

Mas face ao bico-de-obra, mais um, em que Emil se enfronhou, e na premência de obter a massa, decidiu-se por vendê-la aos russos, apesar de todos os constrangimentos e pruridos que tivera, pelo manifesto desconhecimento que o novo-rico apresentara face ao sentido estético da Obra!

Bom, mas que importa a Estética face, não direi Ganância, mas premente Necessidade?! E, nesta situação, por uma causa nobre, a de salvar o irmão. Amor Fraternal e Altruísmo.

Nestas mudanças a que todos se tiveram que adaptar, após o julgamento e respetiva sentença, Gro talvez seja a que se está a desenvencilhar melhor.

Voltou a estar na ribalta, ligada às “Altas Esferas Culturais”, inclusive voltou ao posto que lhe tinham oferecido antes, na chefia de um Instituto Cultural, cujo nome não consegui fixar, que as nomenclaturas dinamarquesas são quase como as do célebre vulcão islandês, perdoem-me o exagero.

Aí voltou novamente a brilhar, como ela gosta de estar, resplandecente, com um copo de vinho de qualidade e fama, pavoneando-se entre os assistentes inaugurais. Bebericando. Apenas bebericando.

Nada como a víramos na última vernissage, a camisa branca toda enojada de bebedeira.

Mas para isso agarrou-se às armas que tinha. Sabedora de que houvera qualquer coisa com umas Obras da Mãe, que Kim usara como garantia para obter um empréstimo qualquer, no princípio da sua vida cultural, tratou de esmiuçar esse assunto com Leone, a advogada da matriarca e que está por dentro destes meandros, mesmo que podres. Ela e Thomas, com quem aliás tem uma espécie de namoro, funcionam como pontos e contrapontos na narrativa, estruturando e desbloqueando o enredo, quando as coisas precisam de avançar.

E assim soube, na garantia de não citar o nome de Leone, que Kim usara algumas das Obras da Mãe, como garantia dum empréstimo, mas que no final não devolvera uma das mesmas. Que Veronika soubera, mas acabara por não fazer muito caso do assunto. Peça artística que figura num museu.

E foi com este conhecimento e argumento que Gro chantageou Kim, não vou esmiuçar muito o assunto, e o fez mudar de atitude em relação à própria, nomeadamente propondo-a novamente para Diretora do tal “Instituto ou o Que Quer Que Seja Cultural”, a que ela agora preside.

Também no plano afetivo a sua vida melhorou, pois Robert que já se oferecera para se juntar ou casar ou lá o que seja, com ela, apareceu-lhe em boa hora, no final de um dos episódios anteriores, vindo da Alemanha de carro e informando-a que deixara a mulher, Cláudia, para vir viver com Gro. Sopa no mel!

E foi com Robert, agora a viver no seu apartamento, julgo que em Copenhague, que não me confirmaram o endereço, que ela congemina mais uma das suas man(Obras) Culturais.

Tendo já vendido o célebre “Bico” ao russo endinheirado, enviado até dinheiro para pagar a fiança do irmão, recebeu, finalmente, a proposta de compra do Museu Finlandês!

E, vai daí, não esteve com meias medidas. Vendeu também aos finlandeses, que ela não é mulher para se atrapalhar.

E como se desenrascar dessa embrulhada?

Pois foi com Robert que “descobriram” a solução. A partir das plantas e esboços que a mãe deixou, congeminaram criar um outro “Bico”. Um “Bico de Obra”, diga-se. Mas afinal não se destina para um russo?! E a simbologia imperial da Antiga Rússia, cujas tradições têm sido restauradas pelos novos oligarcas, não é uma Águia de duas cabeças? Logo, dois bicos/”Bicos”.

E é nestes afazeres que ela agora se acha. Nos ateliês do Solar, com Rene, assistente de Veronika, a iniciarem a “criação” de uma novel Obra.

A que Signe também assistiu.

 

Relativamente a Signe, é caso para dizermos: Que farei com esta “Herança”?

Tomou conta do Solar e dos campos. E que lindos são os campos! O arvoredo, a paisagem de encostas e colinas suaves. No tempo narrativo em causa, julgo que será Verão.

Estão a modificar a Casa, pretensamente reconstituindo o apartamento onde vivia originalmente com Andreas, dentro do Solar! Para agradar a Andreas, que os espaços do Solar são enormes e desconfortáveis!

Mas o interesse dela, agora, são os campos, pois quer tornar-se agricultura. Produtora de cânhamo, para fins industriais, material isolante para casas, nada de maconhas, que ela não é rapariga dessas coisas.

Thomas, que voltou a viver na barraca, que não se adaptou à vivenda de Leone, nem ao corte de cabelo que ela lhe fez, nem às regras burguesas de viver engavetado, é que achará aliciante, tanto material para charros, à mão de semear. Isto, quando tal acontecer!

Que, por enquanto, ainda está tudo congeminado, na fase de projeto, as sementeiras serão só na primavera. Signe, apesar de obstinada, não está a conseguir dar conta do recado, nem está a ser capaz de segurar o namorado, que se sente excluído em todos aqueles seus projetos.

Aquela teimosia e estado selvagem dela, sinais de Veronika, como lhe dirá mais tarde a Mãe Adotiva, afloraram novamente à superfície comportamental e problematizam o seu relacionamento com o namorado.

Que os sonhos dele são outros. Quer formar Família com Signe, que ama e é reciprocamente amado, quer ter filhos. E ela, confusa como se confessa, o que quer é tornar-se lavradora.

“- Como é que a nossa família se encaixa nos teus planos?” Lhe perguntou Andreas.

“- Agora, quero plantar estes campos!”

E com valores e projetos antagónicos, apesar de se amarem, o inevitável aconteceria.

Andreas abandonou-a.

Signe ficou triste, só, acabrunhada, sentindo-se abandonada.

Nem Thomas lhe valeria, nem a sua música monocórdica, nem o colorido e rosado de uma amiga deste, Isa, diretamente chegada da Índia. Não da Tailândia, como diria o saudoso ator português falecido há alguns anos, Camacho Costa, quando por aí proliferavam os produtos made in.

(Nestes dias em que outro nome sonante do mundo artístico, também nos deixou, Nicolau, Nico, de inexcedível Obra! Nico D’Obra!)

Mas nestas ocasiões é sempre bom ter Mãe!

E, Lise, apesar de ser Mãe Adotiva, foi a verdadeira Mãe de Signe.

E foi ela que chegou para confortar a filha, a dar-lhe o seu Amor!

 

E a propósito de Amor, que é feito de Frederik? E de Solveig?!

No episódio oito, já após o julgamento, fora visto muito animado no célebre jogo em que a equipa de Andreas e John ganhou por 23 – 22 e subiu de divisão e foi uma alegria para todos. Que o Desporto tem este efeito redentor. Esta capacidade de libertação, quando jogado com Desportivismo, fair-play.

E parecia encaminhar-se tudo pelo melhor naquela família.

Parecia.

Havia aquele problema entre Emil e Solveig, mas só eles sabiam e se constrangiam, apesar de disfarçarem.

Só que de uma conversa entre ambos, a filha do casal, Hannah, ouviu qualquer coisa.

Idades complicadas, catorze anos, e a miúda ficou muito acabrunhada, agressiva com a mãe e o tio, isolando-se, assumindo uma postura meio gótica...

Bem não vou aprofundar muito este aspeto, apenas frisar que Solveig acabou por contar ao marido o que acontecera.

Muitos constrangimentos, mas acabou por dizer, em momento e ocasião preparada para tal, pelos vários intervenientes.

Após alguns rodeios e hesitações, terá proferido as palavras, não direi mágicas, mas terríficas.

“- Sabes, dormi com teu irmão!”

Forma simplista e muito linear de dizer. Porque, dormir, dormir não dormiu. Antes usasse o conceito bíblico de “entrar”. Ou a terminologia tão modernaça de “rapidinha”, teriam sido palavras mais adequadas ao acontecido. Mas foi “dormi” que foi traduzido, que também ignoro completamente qual o conceito usado pela artista em dinamarquês.

Mas adiante.

E perante este dizer, Solveig esperaria do marido uma reação brutal, que lhe chamasse nomes: “sua esta... ou aquela...”, omitimos os substantivos, que aqui não usamos palavrões; talvez até que a agredisse, apesar disso representar violência doméstica e também não fica bem no politicamente correto... Não sei! Só sei que ela ficou muitíssimo frustrada com a forma como Frederik reagiu.

E como foi essa reação.

Sem mais nem menos, de forma fria e calculista, dirigiu-se à secretária, pegou no computador, confirmou as contas e decidiu-se por não atribuir mais dinheiro nenhum a Emil, que já se fartara de receber da Mãe.

Nem mais um centavo! Nem menos um cêntimo!

Solveig abalou frustrada, lançando-lhe: “És sempre o mesmo!”

Mas tudo isto já foi noutro episódio mais anterior, que ontem ela e Frederik já estavam numa boa. “Eu sempre soube que era a ti que queria. Amo-te”, lhe disse ela.

(Mas neste contar há imensos excertos que não conto.)

Que a situação de Frederik tem sido a mais complicada de todas a entrar nos eixos. Alucinações com a Mãe, disfuncionamento sexual, idas a médico, tomada de anti depressivos, consulta de analista, quase tentativa de violação da própria mulher, eu sei lá.

(A imagem apresentada reporta-se ao enterramento do que restou das cinzas de Veronika. E, simultaneamente, a plantação de uma macieira nesse mesmo local! Cerimónia simples, mas carregada de simbolismos.)

Aguardemos os próximos episódios, para vermos como se irá processar todo o desenrolar do enredo!

“A Herança” – Série Dinamarquesa - 6º Episódio

“Arvingerne” / “The Legacy” 

The Legacy In. www.pinterest.com

 “A Herança

(10/03/16 – 5ª Feira)

Preparativos para o Julgamento

 

Neste sexto episódio, ultimam-se os preparativos, as estratégias, as táticas, “afiam-se as espadas” para a luta. Vai haver julgamento sobre a herança da Casa/Solar Gronnengaard.

Os dois lados estão extremados nas suas posições.

 

Frederik, sócio num Escritório de Advogados, (num Escritório de Advogados!), consegue ter nas mãos Emil, que o quer dinheiro, (voltou a ser ameaçado pela “máfia oriental”); e Gro, ameaçada de polícia pelo próprio irmão.

Continua desvairado, desatinado, ainda mais agora que a mulher, Solveig, se foi embora, ainda que apenas por alguns dias. Mas a sua obstinação, doentia, é a posse do Solar!

Vive obcecado pela Casa, pelos seus fantasmas na Casa e da Casa, da Mãe, inconscientemente realizará uma catarse da sua vida passada, relativamente aos progenitores, ao espaço e tempo em que aí viveu. Tentará, digo eu, através da obtenção da Casa, alcançar alguma “libertação”, paz interior e purificação emocional!

No fundo, também uma afirmação do seu Poder, que, pelo menos até agora, está a consegui-lo.

 

Signe, obstinada, também já aprendeu com os irmãos e também já coloca a ambição da Casa acima de tudo, apesar de ter sido a única que propusera uma solução em que todos eram contemplados. Sentindo-se, de facto, rejeitada por eles, mas também querendo ser reconhecida como igual, como irmã, como membro da Família, também vai de armas e bagagens à luta. E de ingénua, tornou-se audaz e conseguiu o documento em que declarava ceder a Casa à pretensa Fundação! Elemento fundamental para comprovar a sua ação desinteressada.

Não aceita as ofertas de dinheiro, 2,5 milhões, aumentados para 3, 5 milhões. (Confronta o próprio irmão, que não a reconhece como tal, que já lhe arremessou esse seu sentimento, na própria cara.

E que também o explicitou aos próprios colegas advogados, advogando que quer ser ele o representante da Firma neste caso.

Quer vencer e afirmar-se em todas as frentes!)

Signe tem como aliados a Família Adotiva, Lise também resolveu testemunhar a seu favor, para além do Pai, John, o namorado, Andreas, e o advogado do Clube. Tem também como suporte uma boa advogada, que lhe equaciona, explicita e explica os dados fundamentais do processo a ser julgado.

 

 

Nestes julgamentos valem, (valem?!), todas as armas e, Frederik, não se poupa a meios para atingir o seu móbil.

Uma campanha falaciosa na comunicação social, (já aqui abordei no blogue a questão de os “Media” terem “dono”), denegrindo a atitude de Signe, na obtenção da famigerada carta que Veronika lhe deu antes de morrer.

E, não hesitará em manchar a imagem da própria Matriarca, para conseguir o seu fito.

 

Mas temos que frisar que a teimosia, a cegueira ambiciosa, são o apanágio desta gente! Mas também, se não fosse assim, esses desenlaces terminariam com a série. E não é isso que interessa, não acha?!

 

Aguardemos o Julgamento em que irá haver todo um remexer no passado e sobre tudo o que se terá abordado ou poderá vir a sê-lo. E aguarda-se muito estilhaçar de jarras de flores e de cinzas de mortos, primordialmente de Memórias e lembranças que sairão conspurcadas. E muita coisa, e muita gente viva será enlameada. E será entre os vivos que mais se refletirão esses estilhaços. Que os Mortos estão mortos!

 

Ah! E Gro?!

Gro estava literalmente na fossa, sem sair de Casa, na cama, sem comer.

Valeu-lhe a vinda de Robert, que se deslocou propositadamente à Dinamarca, para que ela não faltasse à entrega de um prestigiado prémio, que ela também ajudara a criar, em Copenhague.

E convenceu-a a ir. E é vermos a transfiguração de Gro naqueles ambientes de “Alta Cultura”! Toda ela é pose e charme, como já o fora em anterior episódio na apresentação do “Livro da Mãe”!

Mas depressa se deixou cair, quando tentando reatar com Kim, não sei bem as funções deste personagem, mas deve ser “Algo relacionado com as Altas Culturas”, quando tentando abordá-lo de forma civilizada e humilde, este não lhe deu troco, não consentiu na abordagem, foi grosseiro com ela e teve até o desplante de lhe arremessar: “Talvez tu não valhas nada sem Ela!” (Referia-se à Mãe de Gro, Veronika, a Verdadeira e Incomensurável Artista, em cuja sombra e aproveitando-se, sempre Gro vivera e de quem fora apenas a “Secretária”!

Que estas “Personagens” das Culturas, principalmente das ”Altas Culturas”, têm muito que se lhe diga! E não é só nas Séries. Infelizmente! A Comunicação Social tem relatado, ultimamente, casos bem paradigmáticos!

E que fez Gro?!

Pois, refugiou-se nos copos, emporcalhou-se toda na camisa e até agarrou numa garrafa, para completar o cenário, não fora Robert “agarrar” nela e levá-la para o apartamento, onde lhe valeu o apoio de Emil, entretanto chegado, e que a ajudou a aliviar a bebedeira!

 

Mas aguardemos o Julgamento, que espero seja hoje e podermos ver como todos estes personagens, mais ou menos desequilibrados, vão reagir!

 

A Herança” – Série Dinamarquesa - 3º, 4º e 5º Episódios

“Arvingerne” / “The Legacy”

 

 “A Herança”

 (7, 8 e 9 de Março de 2016 – 2ª, 3ª e 4ª feira)

 

Não voltei a escrever sobre a Série, desde o 2º episódio, apesar de ter visualizado os episódios três, quatro e cinco. Tentarei abordar algumas questões do enredo, de forma lacunar, diga-se.

 

A partir do terceiro episódio, foram-se criando e/ou estreitando laços entre os irmãos, foram-se congeminando conluios entre as partes, no sentido de articular o modo de cada um obter o máximo da herança para si mesmo e os respetivos interesses egoístas.

 

Até tudo explodir.

 

frésias in floresonline.com.br..jpg

E aqui aproveito para falar sobre a imagem do genérico. Numa jarra, um lindo “bouquet”, como sói dizer-se. Lindas flores, parecem-me rosas, túlipas, frésias coloridas e cheirosas, imagino eu, pelas que tenho agora, no jardim.

Um simbolizado da Mãe, Veronika, ausente, mas sempre presente?!

Da Família?!

Que subitamente se estilhaça, se desfaz em mil pedaços, como se houvesse uma explosão no seu seio.

(Tal como aconteceu com as cinzas da Matriarca... no último episódio. Quebra-se o vaso e espalham-se as cinzas e precisamente sobre quem?! ...)

Que é isso que acontece naquela Família, naquelas Famílias, na sequência da herança da célebre Casa. Explodem. Quebram-se, partem-se todos os laços...

 

As posições de Gro e Frederik situam-se praticamente em polos opostos. São só irmãos do lado da mãe e rivais, de ódio figadal. Ainda que recalcado, por puro interesse.

 

O papel de Signe é fundamental e imprescindível em qualquer esquema possível de solução.

Gro entendeu isso perfeitamente, que a advogada lhe explicou. Sabe que sem Signe, ou contra ela, não poderá fazer nada.

Daí, tentou e conseguiu conquistá-la, seduzi-la, manipulá-la, puxá-la para o seu lado, “integrá-la” na Família, enredá-la, através das memórias guardadas e gravadas de quando ela era criança e frequentava o Solar, antes de ser definitivamente adotada e impedida de voltar junto da mãe verdadeira e dos irmãos.

E até lhe ofertou um vestido...

Fios, teias, em que Signe se foi deixando prender, embora ainda distante da questão da herança propriamente dita, que esse continua a ser o fito dos outros três.

A ponto de, no final do 3º episódio, dizer para o namorado, Andreas, que não queria voltar a ver os Pais que a criaram: o Pai verdadeiro, John e Lise, a Mãe Adotiva.

 

Esta atitude irá provocar complicações nesta Família e nos seus diversos membros, especialmente em Lise, em que se observam sinais perturbantes: devolver os objetos pessoais de Signe, quando criança, a pintura total do quarto, de branco; como se quisera riscar e apagar, branquear, parte da sua Vida, no respeitante à Filha que adotara.

 

Frederik, sempre com sinais de perturbação.

Na sua relação com a irmã Gro, imagem recalcada da Mãe, Veronika, que ele odeia.

Paradoxalmente no episódio de ontem, ele que tanto odeia a Mãe e quer afastar-se das suas lembranças, da sua memória, acabaria embebido, empoado, embrenhado, nas cinzas da própria mãe...

Esse ódio é projetado, no presente, sobre a irmã. Ao ponto de se lhe atirar a matar.

Ela devolve-lhe ódio igual, como se viu na reunião que Signe promoveu, na sua própria casa, e que se transformou numa cena de pancadaria. E ódios subitamente explodidos, mal Gro lhe arremessou pedra a um ponto sensível. Que foi Carl, pai de Frederik e Emil, que se suicidou no palheiro, tendo sido Frederik a encontrá-lo pendurado na trave mestra. Após aquele ter vindo da Califórnia, doente, no final dos célebres anos oitenta e Veronika o ter expulsado da sua própria casa. E sequencialmente os rapazes terem ido viver com uma tia, praticamente também expulsos...

Essa perturbação também se expressa no seu relacionamento com os filhos.

Na sua relação, ausente de relação, com a mulher.

Na sua obsessão com o trabalho e com a herança, que nem a esposa compreende, pois estão muito bem materialmente.

 

Gro, a todos tentou enganar, falsificando a assinatura, mas acabou desmascarada por Frederik, precisamente no dia da reunião com os investidores e promotores da Fundação. Em que também Signe já participava. E até Thomas, que inicialmente Gro lhe dissera que o excluía, como fizera no livro sobre a Mãe. E, zangada, também o ameaçara de expulsão, juntamente com a barraca onde vivia. E, nessa sequência, Thomas, despeitado, a denunciara a Frederik sobre as assinaturas. Não, sem antes confirmar, que não seria expulso da cabana, caso Frederik ficasse com a Casa.

E foi com essa delação que terminara o 4º episódio.

 

Emil, no meio destas lutas entre irmão e irmã, o que precisa urgentemente é de dinheiro líquido, que já foi ameaçado, de forma velada e subtil, pela máfia oriental a quem pediu emprestado.

 

E, no sexto episódio, ontem, Frederik conseguiu ser ele a comandar as hostes e a questão da herança. Promoveu uma reunião com os irmãos, às dez, com Gro, ameaçada de denúncia à polícia, e com Emil, definindo previamente uma estratégia para “derrotar” Signe, com quem marcou só para as onze, oferecendo-lhe 2,5 milhões e assim ver-se livre dela, que a não considera da Família. Que ele tem plena consciência que o direito à Casa é de Signe.

E não a considerar da Família e dizer-lho na cara, foi o erro tático dele.

Que ela não aceitou a sua oferta.

E foi assim que terminou o 5º episódio.

 

E Signe, para o bem ou para o mal, continua a ser a charneira em todo o processo da Herança, que até apresentou uma proposta muito conciliatória, no quarto episódio, mas que os dois irmãos rivais não aceitaram e na sequência da qual se gerou aquela luta de morte.

 

Vamos ver como ela vai conduzir o processo. Que também já aprendeu o cinismo com os irmãos!

 

“A Herança” – Série Dinamarquesa – 2º Episódio

 “Arvingerne” / “The Legacy”

 “A Herança”

(Reposição na RTP2)

(4 de Março 2016)

 

Solar in. nordicstylemag.com

 

Um Velório encenado em Festa de Passagem de Ano!

Que Artistas são Artistas!

 

E uma Artista de vanguarda, como fora Veronika, só podia ter um velório transmutado numa Festa. De Final de Ano. Um “happening”, acontecimento bebendo nos anos sessenta, ou não fossem esses os tempos e modos que enformassem o “modus vivendi” e os conceitos artísticos de Veronika Gronnegaard!

 

Conceito muito bem aproveitado pela filha Gro, uma personagem que sente com a cabeça. Fria. E calculista! Mas também sempre bem acompanhada de bons vinhos!

 

Mas voltando ao 1º episódio, introito de toda a narrativa. Que atirou ela à matriarca que a fez ficar com tantos remorsos e chorar desalmadamente perante o cadáver da mãe, no hospital? (Afinal não é tão fria assim, como aliás já nos mostrou quando se agarra a Robert...)

 

Quando a mãe se ufanou do facto, isto é, de ser Mãe, de amar, ser amada, que lhe arremessou a filha?

 

Que ser mãe era esse, que um filho, Frederik, não queria nada com ela e não colocava os pés naquela casa, há anos... Outro, Emil, só lhe ligava quando precisava de dinheiro... E, ela própria, Gro, não era mais que a sua secretária. E uma outra filha não fazia sequer ideia de quem ela era... Pois, que ser mãe, seria aquele?!

(Não terá sido exatamente assim, nesta sequência, que as palavras azedas e ressabiadas foram proferidas, mas o conceito será este.)

 

E estas palavras definem os sentimentos dos quatro filhos sobre a Mãe, Veronika.

E vão mostrar-se nessa encenação de velório, simultaneamente festa de fim de ano, final de ciclo de vida e projetos de ano futuro: “Ano Novo, Vida Nova!”. Na congeminação da posse da herança: o Solar. E tudo o que contém, as Obras e as Memórias da Artista.

 

Frederik acha-se nos direitos sobre o Solar, que afinal era do pai e da sua família há dois séculos, sendo ele o filho mais velho e com direitos de opção de compra.

Emil o que quer é dinheiro líquido. Que a mãe lhe prometeu, para ele investir em mais um projeto de esturrar a massa, agora na Tailândia.

Gro quer transformar tudo aquilo numa Fundação, o que até seria o projeto mais adequado, não fossem também os seus interesses particulares a sobreporem-se, pois, dessa forma, teria o controlo total sobre tudo, podendo continuar a brilhar, administrando o legado da matriarca, no fundo, continuando a ser a sua secretária.

 

E Signe, Sunshine?!

Pois, Sunshine ainda está alheada de tudo, vagueando de fato de trabalho naquele ambiente sofisticado de intelectuais de fim de ano. Apanhando memórias da infância, vendo fotos suas de criança, com a ajuda de Thomas, talvez o único personagem que sentiu a morte de Veronica e não se move por interesses materiais naquele contexto. Também não é herdeiro, diga-se.

 

Sunshine, Signe, está ainda fora da realidade.

Mas há quem não esteja. E, o pai, John, já tratou de mostrar a um advogado o papel que Veronika lhe escreveu e assinou, declarando-a como herdeira do Solar. Que é válido, comentou com o namorado daquela, Andreas.

Testamento no leito de morte! A casa, avaliada em dez milhões, é de Signe.

 

E estão lançados os dados, afiadas as garras, lançadas as armas, para a disputa da herança, na “Herança”!

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