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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Poemas...

Ao longe…

 

Ao longe, a serra…

Uma miragem

Duma impossível viagem.

 

 

 

 

 

A Oriente…

 

A Oriente se quedava a serra

Azul e tremente miragem.

Olhando-a, deixava a Terra

E seguia a minha viagem…

 

 

 

Poemas escritos em 1985, inspirados na visão distante da Serra…, ao tempo em que, nas Courelas, apascentava o rebanho…

Viagem… De uma jovem para o futuro!

No último post fizéramos uma pergunta...

Na altura em que a formulámos ainda os media estavam ofuscados pelo brilho do Ouro da Bola...

Entretanto a dúvida que nos suscitava a questão foi respondida. Os orgãos de comunicação social acabaram por responder...

Se isso nos preocupava?!... Se isso nos interessava?!... Se isso nos dizia respeito?!...  ?!...   ...   ...

Intrigou-nos a situação, que nos levou a formular a pergunta. Verdadeiramente pretendíamos também "despertar" leitores e leituras... Sem querer parecer imodesto, há já alguma temática neste blog que merece ser lida! E comentada! É sempre importante termos algum "retorno" sobre o que escrevemos...

Mas não foi por isso que estivémos estes dias sem "postar". 

Pois então...

Depois deste interregno de alguns dias, voltamos a divulgar Poesia.

E uma linda fotografia, inédita e original! 

 

Foto original de DAPL - Cacela Velha  -2014.jpg

 

 

Viagem…

De uma jovem para o futuro!

 

 

…   …   …

No seu ombro, encosto e recosto

A menina que fui.

 

Projecto e sonho

                     Outros sonhos que me fazem ser árvore da vida

Gaivota voando

             Planando sobre o mar.

 

Na hora dos afectos, outros afectos e sentimentos…

Se cruzam nas estradas e caminhos

Que quero percorrer.

 

No meu navio

É o mastro que me falta

A bússola que me norteia.

 

Chegou a hora de largar amarras

Lançar-me a navegar…

 

Mas, sempre, tendo o seu porto

              de afectos

                     onde me abrigar.

 

 

 

Escrito em 2006/07.

Publicado em: X Antologia do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, 2009.

Pastor a Tempo Parcial

“Eu nunca guardei rebanhos

Mas é como se os guardasse.”

Alberto Caeiro

  

 Pastor a Tempo Parcial

 

Rebanho... Foto de F.M.C.L. (início anos 80)

 

Ovelhas, andei a guardá-las

Como se as não guardasse

No meio delas, a olhá-las

Não tardava me ausentasse.

 

Com elas falava, só falando

Gritava-lhes, estando calado

Ouvia-as, não as escutando

Festas fazia com o cajado.

 

Acariciava-as, magoando

Mandava o cão que não ia

Ou ia não o mandando

E, ao chamá-lo, fugia.

 

Ao vedar-lhes o trigal

Era certo que lá estavam.

Onde quer que fosse mal

Insistindo elas teimavam.

 

Se do fruto as separava um muro

Quantas vezes o galgavam.

E por um figo maduro

Corriam mal o cheiravam.

 

Era louca a correria

Ao cobiçado troféu.

Todo o rebanho fugia

E atrás dele ia eu.

 

Pequenos e fracos ficavam

Coxeando mais atrás

Pouco a pouco se atrasavam

Andando o que eram capaz.

  

Pela água ia tudo

Se fartando de beber.

Comendo figo ou embudo

Acabavam por morrer.

 

Morriam ovelhas, tal e qual

A Mestre de Filosofia

Que embude a cicuta é igual

Só que, à data, eu não sabia.

 

As ovelhas são assim

Sempre em rebanho.

Muitos homens, outrossim

São iguais, de igual tamanho.

 

À cabeçada, por vezes,

Lutavam duas ou mais.

E entre os cornos soezes

Sangue escorria demais.

 

Nove, dez horas, aquece

O sol quente de verão

Cada chocalho estremece

Na corna amarrada ao chão.

 

Em fila indiana indo

Sempre no mesmo carreiro,

Ao acarro vão seguindo

Na mesma azinheira ou sobreiro.

 

Primavera, erva e cheiros tantos

Dá gosto vê-las espalhadas

Aquecendo lanudos mantos

Pastando nas abrigadas.

 

De brancas ondas um mar

Na verdejante relva dispersas

Nas lombas, filhos a dormitar

Manchas brancas mais diversas.

 

Espelham reflexos de luz

Num verde "Mar da Palha"

Na erva que tanto as seduz

Tirá-las daí…Deus nos valha!

  

Era então que o sol

O fascínio da luz e da cor

Sinfonia de rãs, grilos e rouxinol

Das mil e uma ervas o odor…

 

Me afastavam do rebanho

Sem sair do meio dele.

O caminho era tamanho…

Partia, deixando a pele.

 

O apitar do comboio, ao longe

Era um convite à viagem.

Naquele deserto de monge

Seguia a minha miragem.

 

Uma águia esvoaçando

Meu passaporte assinava.

Era então, quando

Eu, com ela, voava.

 

Este poema, de inícios dos anos oitenta, é versão rimada de outro escrito em finais de setenta.

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