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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Homenagem aos Idosos"

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

 

Antologia

 

Depois de um interregno na divulgação de Poemas da Antologia, regressamos, no cumprimento do objetivo que nos propusemos. Divulgar um Poema de cada um dos Antologiados.

Neste Post Nº 291, damos a conhecer no blogue, “Homenagem aos Idosos”, de Joaquina da Conceição Martins Semedo, de Urra, Portalegre.

 

“Homenagem aos Idosos”

 

"Ser idoso é ter coragem

Para a realidade enfrentar

Eu lhe mando minha mensagem

Não se esquecem de rezar.

 

Não esqueçam a oração

Que nos ajuda a viver

Para na mesa haver pão

Temos que a Deus agradecer.

 

Ninguém esqueça o valor

Da arma de São José

A dor é o grande amor

A oração e a fé.

 

Que o amor seja igual

Eu peço na minha oração

Não seja só no Natal

Mas sim em toda a junção.

 

Que haja uma luz divinal

Que haja mais compreensão

Que em todo o mundo em geral

Que nunca faltasse o pão.

 

Em letras venho mandar

Numa linda florinha

Para todos saudar

Seja idoso ou idosinha.

 

Para todo o idosinho

Que se fartou com trabalhar

Mando-lhe um beijo em pergaminho

Para todos homenagear."

 

 

Joaquina da Conceição Martins Semedo, Urra (Portalegre)

 

E ilustra-se o Poema, com uma imagem com que também já ilustrei uma Quadra sobre o Natal!

 

estrelas-brilhantes (www.MuitasImagens.com).jpg

 

“Que haja uma luz divinal”

 

 

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Eu Vivi Abril (Abril de 1974)”

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

 

Antologia

 

Neste Post nº 267, divulgamos uma Poesia de Manuel Faria Bento, de Gomes Aires (Almodôvar).

 

Flores Ondulantes original pintado com a boca Marthinus Pretorius

 

“Eu Vivi Abril (Abril de 1974)”

 

“Eu vivi Abril

Abril em revolução,

Estava na flor da minha idade,

Vivi abril com grande emoção,

Abril foi uma festa…

Uma passagem p’ra liberdade,

Abril foi uma festa…

Com muita responsabilidade,

Abril em Portugal…

Foi uma grande oferta

Dos militares em geral,

Abril por todos criado,

Ainda hoje é estimado

Por derrubar a ditadura…

Abril foi uma alegria

Que há muito se esperava

Para acabar a amargura,

Que há muito se vivia.

Com Abril Portugal evoluiu

Num modo diferente,

De um modo que nunca se viu,

Que faz confusão a certa gente.

Mas é próprio da vida,

Porque o homem se habituou

A viver no seu cantinho

Que com tanto gosto criou

Ali perto do seu vasinho.”

 

“Abril foi uma grande vontade

Que tanta força criou,

Ao longo de tantos anos,

A um povo vivendo sob crueldade,

De uma ditadura que os obrigou

A sofrer golpes tiranos,

Daqueles que viviam da repressão,

Recebendo dinheiro

Para aos outros arrancar o coração,

Destruindo vidas inteiras

Durante cinquenta

Cometendo tantas asneiras,

Perseguindo trabalhadores,

Gente pobre e carenciada,

Que ganhava fracos valores

Que não dava para nada,

E ainda lhe chamavam… traidores.”

 

“Abril nasceu em Portugal

Filho de toda a gente,

O estudante p’ra isso lutou,

O trabalhador por isso sofreu,

O militar nisso pensou,

O adolescente isso vivia,

Qualquer pessoa por isso era presa,

Mesmo que nada fizesse,

Era isso que toda a gente sentia,

Já nada era surpresa,

Na amargura que um povo vivia,

O pai era preso sem saber porquê,

A mãe era mal tratada,

O filho que fugia,

Para o estrangeiro emigrava,

A pide o perseguia,

Em qualquer lugar o matava,

Foi por isso que Abril nasceu!...

E que todo o povo aceitou,

Foi por isso que Abril nos deu.

A liberdade de viver,

A liberdade de trabalhar,

A liberdade de amanhecer,

A liberdade de ser português,

A liberdade de todos amar,

A liberdade de falar e ver,

A liberdade de aqui estar.

Isto é…

Vinte e cinco de Abril!..”

 

 

Manuel Faria Bento, de Gomes Aires (Almodôvar)

 

Retomámos a divulgação de Poemas da 13ª Antologia de Poesia do CNAP, de 2015, agora já em 2016.

Estamos ainda em Janeiro, é certo, mas sabe sempre bem antecipar Abril, que virá… e relembrar, a data marcante de Abril de setenta e quatro!

 

Na ilustração da poesia resolvi fugir ao mais óbvio, que seria ilustrá-la com o célebre “cravo vermelho”, optando por “papoilas”, numa pintura original de Marthinus Pretorius, pintada com a boca, em reprodução digitalizada de um cartão de A.P.B.P. – Associação de Pintores com a Boca e o Pé, Caldas da Rainha.

 

E tb, s.f.f. ...

 

 

 

 

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Sonata de Outono”

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

 

Antologia

 

No propósito que estabeleci de divulgar, em suporte digital, uma Poesia de cada um dos Poetas participantes na 13ª Antologia do CNAP, dá-se a conhecer, hoje, “Sonata de Outono”, de Manuela Machado, Aljustrel.

Não tive oportunidade de falar com todos os antologiados, mas com todos os que estabeleci contacto, nenhum se opôs a esta metodologia. Caso alguém se oponha, agradeço que me dê conhecimento e procederei em conformidade.

Também continuo a ilustrar cada poema com uma foto ou outro suporte de imagem sugestiva, preferencialmente original, no sentido de enquadrar o texto. Quando não disponho de nada pessoal, pesquiso na “net”. O procedimento mencionado no parágrafo anterior, também se aplica neste caso. Perante eventual discordância, agirei segundo o que me for sugerido. Na net, apesar de ficar sempre “rasto” do que se deixou, também se pode remover o que não se quer.

Algum erro que seja detetado, agradeço que me seja dado conhecimento.

E, efetuadas algumas considerações sobre “metodologias de trabalho”, segue-se o Poema.

 

“Sonata de Outono”

 

“Louvemos o Outono…

Que anuncia mudanças

Com o seu verde indefinível

A doce aragem

O seu céu azul lilás

O sol coado…

 

Que sejam boas as mudanças

Como sempre esperamos.

Assim, seguimos o delicado zéfiro

Confiantes, embriagados

Com os tons enganadores

De tão doces

O cheiro dos frutos

Das colheitas

As folhas que dançam no ar

Douradas

Ainda cheias dos reflexos do sol

Que já foi

 

Seguimos cegos de esperança

Nem calor nem frio

O regaço de Ceres transbordante

Em alegre dança sem euforia

Nem cuidados

 

Louvemos pois o Outono

Paragem ilusória, doce torpor

Que anuncia

Com delicadeza

A chegada

Do solene Inverno.”

 

Manuela Machado, Aljustrel.

 

 

Ilustra-se com uma foto original de F.M.C.L., 2014.

Árvore Outono. Foto original de F.M.C.L. 2014.jpg

 

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Poeta Caminhante”

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

 

Antologia

 

Continuamos com a divulgação da Poesia publicada na 13ª Antologia de Poesia do CNAP, 2015.

Neste post nº 264, damos a conhecer, “Poeta Caminhante”, de Maria Ana Tavares, Arronches.

 

"Poeta Caminhante"

 

"Vai, com as estrelas,

Sua luz de encantamento

E o luar e o mar e o vento…

Seu manto de silêncio e solidão

Abre-se a acordes de harmonia

Oriundos do além-crer,

Vindos em sonhos de infinito…

Seu coração vive e respira

A música que só ele escuta,

A beleza que só ele entende,

A luz que só ele apreende,

Em tudo à volta que se lhe oferece,

Para dar a tudo que vive e sente…

E vai, em seu caminho

De ardentes rosas, radiantes,

Que para ele se abrem ao passar,

Cercando-o de perfumes cambiantes

Em seivas de espinhos transformantes

Enquanto vai, mais e mais adiante,

Em sua busca, que o faz sempre ir…

Poeta ástreo e solitário,

Criatura errante, ensimesmada,

De olhos para lá do horizonte,

Caminhante do tempo e das estrelas,

De coração aberto ao Universo

Que, inteiro, se abre em seu caminho,

Dando-se em rimas de cósmica visão…

E vai, figura em trevas-luz envolta,

Em busca do adiante etéreo

Que ao longe entende, sem o alcançar,

Sonhando asas que o levem lá,

Vibrando rimas que o façam Ser,

Escutando, intuindo, andando,

Até poder, até morrer, até viver…"

 

Maria Ana Tavares, Arronches.

 

Ilustramos com um desenho original de F. M.C.L., de inícios deste milénio.

 

Digitalização de "Estrelas"  Desenho original de F.M.C.L..

 

“Vai, com as estrelas, / Sua luz de encantamento/ …” (M. A. T.)

 

 Ler também: Caminhadas.

Ícaro.

 

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Vontade”

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

Antologia

 

Hoje, divulgamos mais um poema da XIII Antologia de Poesia do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, 2015.

O Poema “Vontade” de Maria de Lourdes Guedes (Vinhais).

 

 

"Vontade"

 

"de te querer

de te amar

de te não perder"

 

"Medo"

 

"de sofrer

de me deixares

e eu não te esquecer"

 

 

Maria de Lourdes Guedes, Vinhais

 

 

Ilustrado com uma sugestiva fotografia original de D.A.P.L., de 2015, que poderíamos intitular “Rosa Agrilhoada”.

Rosa Agrilhoada Foto original de D.A.P.L. Feijó 2015.jpg

 

 E, para quem ainda não desejei, formulo Votos de um Santo Natal!

Consulte também S.F.F.

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Eu Vos Venero, Ó Pedras"

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

XIII Antologia

 

Neste post, divulgamos uma Poesia de Rolando Amado (Lisboa):

Ribeira do Salto Aldeia Foto original de D.A.P.L. 21 02 2015.jpg

 

“Eu Vos Venero, Ó Pedras”

 

"Passou água, passou vento, tudo e nada

Como deuses de várias formas, sois meu guia

Eu olho as pedras do rio e da estrada

E me esmagam de tempo e sabedoria.

 

Calhaus rolados ou dunas do deserto

Sedimentos mudos e dispersos

São vidas caladas que eu desperto

Dos pensamentos mais diversos.

 

Pedras que eu beijo e a que me entrego

Com amor maior humildemente

Ao Nirvana que busco e não renego

Pedras de ti, de mim, pó de semente.

 

Minha família, irmãs, eu vos escuto

Nesse desejo de amor absoluto

Das vossas entranhas um sinal.

 

E por toda a verdade que eu sei

Que a vós juntar-me um dia irei

Eu vos venero, ó pedras, afinal."

 

Rolando Amado (Lisboa)

Pedras da Ribeira do Salto Foto original de D.A.P.L.2015.jpg

 

Nota Final: As fotos são originais de D.A.P.L.

Ribeira do Salto - Aldeia da Mata, 2015

 

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