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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (X)

A Nossa Antologia

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

*******

 

Introdução:

 

Continuo na divulgação de Poesia da XX Antologia da APP - 2016!

 

Neste 10º Grupo, Mabel Cavalcanti, Maria Alcina Magro, Maria José Reis, Maria Graça Melo, Maria Vitória Afonso, Mário Bragança e Mário Vitorino Gaspar.

 

De cada um, selecionei uma Poesia, como habitualmente.

 

Cabe a si, caro/a Leitor/a, apreciar!

 

Foto original DAPL 20160725..jpg

 

 

*******

 

MABEL CAVALCANTI

 

“ ESQUEÇAM, PARA LEMBRAR”

 

“ Esqueçam tudo que eu já sofri

Pois hoje renasci

Sou toda primavera

Renasci de amor em outra terra

Num inverno onde quase morri.

 

Foi aquele ali

Que me devolveu

Todas as estações

E hoje sou flor

Sou chuva e sabor

Num outono de amor

Desse verão

 

Apaguem minhas notas tristes

Aquela lá já não existe

Hoje sou bem melhor

Sou amor e sou amada

E ando acompanhada

Numa linda estrada

De girassol.

 

Esqueçam meu ontem chuvoso

E vejam que sol maravilhoso

É o meu andar

E deixem que eu cante a minha esperança

Nessa noite sempre criança

Esqueçam

Para se lembrar

Que só o amor, eterna semente

É meu futuro e presente

É o que me faz cantar.”

 

*******

 

MARIA ALCINA MAGRO

 

“A TUA AUSÊNCIA”

 

“Em silêncio, ou por palavras desconhecidas dos poetas,

gostava de te dizer o que sinto com a tua ausência,

o que sofro com a tua partida,

o que penso, com o teu silêncio.

 

O Sol enche de luz a minha casa,

as pombas espreitam às janelas

e sentam-se, descaradamente, na varanda.

 

As abelhas vêm beber a água dos vasos

e beijar as pétalas macias e coloridas das flores.

Viajo com as águas do Tejo que vejo correr

para o mar, lá longe, em Cascais.

 

Tenho saúde, agradeço este dia

em que contemplo a beleza do mundo,

e sinto bem fundo o amor que alimento.

 

Vivo com esta desmedida nostalgia,

com esta profunda saudade

humedecida nas paredes do meu peito

no momento em que me deito,

no momento em que me levanto.”

 

 

*******

 

MARIA JOSÉ REIS

 

“ALVORADA”

 

“Vejo nascer doirada a madrugada

Alegria renasce a cada instante,

Já vejo o claro dia alvoraçada

Essa dispersa luz tão madrugante!

 

Infinita alegria misteriosa

A aurora desperta com sua graça,

Inundando a paisagem radiosa

Cobrindo de harmonia a quem passa.

 

E no imenso altivo horizonte

Ouço chilrear aves matinais

E água a sair na clara fonte.

 

É o conhecimento p´lo amor

Duma vida florindo sempre mais

Em uma madrugada sempre em flor!... ”


*******
MARIA GRAÇA MELO

 

“AMOR ETERNO”

 

“No espanto dos teus olhos me espanto

Sempre e quando me perguntas inocente

Se o mundo vai girando e a gente

Continuará a se amar tanto, tanto

 

Não sei que responder mas de repente

Sinto em nossos corações o mesmo pranto

A dizer-nos que este amor é sacrossanto

E em nós, irá durar eternamente…

 

Este laço que nos une é permanente

Seiva e sangue a correr pelas artérias

Que a sábia natureza não desmente

 

E pr’além de todo o amor, o nosso alento

Haverá dentro de nós marcas etéreas

A servir às nossas almas de alimento…”

 

*******

 

MARIA VITÓRIA AFONSO

 

“AGOSTO”

 

“Avança o tempo, surge o mês de Agosto

Em casa permaneço assim calada

Deixa Deus que esse tempo, que não gosto

Se eclipse e doutro mês surja a madrugada.

 

Aqui encontro-me eu a contragosto

Desse meu Alentejo já exilada

Grita a saudade; a alma com desgosto

Perde a serenidade costumada.

 

Está-me assim, doendo a solidão

E sinto forte a falta de convívio

E nas horas de plena evocação,

 

Eis meu ser mergulhado no declívio

Deus me dê o alento e reflexão

Me traga, à soledade, pleno alívio.”

 

*******

 

MÁRIO BRAGANÇA

 

“MULHER BONITA”

 

“Se mais bonita é a mulher

Mais bonita ela quer ser

Faz tudo que pode e quer

Para bem melhor parecer

 

A mulher é uma beleza

Para o homem tentação

Mas nunca tem a certeza

De um dia a ter a mão

 

A mulher é importante

No mundo em que vivemos

Perdem tudo num instante

Se as não compreendemos

 

Os dons que a mulher tem

Fazem sempre companhia

Deles se orgulha e bem

Para lhe dar força e alegria

 

Atributos da mulher

Por vezes exagerados

Ela aumenta o que poder

E nunca são censurados

 

A mulher comanda a vida

Se nasceu para comandar

É uma vida bem vivida

Quando os dois se estão amar”

 

*******

 

MÁRIO VITORINO GASPAR

 

“A NUDEZ”

 

“A Princesa de nome Rosa,

na parede Jesus!

Brota uma só gota lacrimosa

nos esbeltos seios nus!

- Nua, sem vestido?

A Princesa a Deus implora

- … Não faz sentido!

Outra lágrima e chora.

 

- Nua… Sem vestidos,

só joia de brilhantes?

Nos seios recém-nascidos

baú de ouro e diamantes?

Joias! São peças únicas,

verdade! E de certeza,

nem sequer umas túnicas

cobrem a linda princesa?

 

Dançam nos seus olhitos…

Lágrimas! São folhas caídas,

gotículas aos saltitos,

nas curvas proibidas!

Cristais crescem sem nexo,

ninho que o choro nobre,

na virgindade do sexo,

 a nudez não encobre!

 

A criança é nua ao nascer –

e disso não há engano

- Veste-se até morrer,

nem que seja com um pano.

Sai uma lágrima cristalina

e a nudez é de nascença,

sendo ela tão divina…

Qual a diferença?”

 

*******

Notas Finais:

- Este é o penúltimo grupo de antologiados de que apresento um texto poético, de entre os que cada um deu a conhecer na XX Antologia.

- É natural e possível que tenha cometido alguma gaffe.

- Se, por acaso, verificar algum erro “tipográfico”, ou de outro tipo, involuntário, frise-se, agradeço que me dê conhecimento, se faz favor!

- Clicando, em espaços especificamente assinalados, poderá ficar com uma ideia significativa sobre a Antologia.

 

(A Fotografia é um original D.A.P.L. 2016.)

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (VII)

A Nossa Antologia

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

*******

 

Tejo original DAPL 2016.jpg

 

Introdução:

 

Continuamos com a divulgação de Poemas da XX Antologia da APP - 2016. Um sétimo grupo de Poetas estruturam o post nº 491.

Damos a conhecer Poesia de Hérlon Cavalcanti, João Baptista Coelho, João Coelho dos Santos, João de Deus Rodrigues e João Francisco da Silva.

Cabe a Si, caro/a Leitor/a apreciar mais um conjunto de bela Poesia!

E, como estamos em Fevereiro, todos os Poemas versam o Amor.

 

 

*******

flor mandacaru in. recantodas letras.com.br.jpg 

HÉRLON CAVALCANTI

 

“FLOR DE MANDACARU, NO TEJO”

 

“De Terras longas que vim

de mar, de rios e florestas

trouxe um bocado de mim

pra me juntar nessa festa

cantando e fazendo versos

nessa vida que me resta

 

Ao Tejo corri pra ver

toda a cidade a correr

linda e misteriosa

No berço que vi nascer

Visitei a minha história

E tudo que vim a ser..

 

Na Terra de minha gente

No berço dos ancestrais

deitei uma flor no Tejo

sai sem olhar pra traz

Por aqueles que chegaram

e os que não existem mais.

 

Na flor de mandacaru

Trazida do meu país

visitei o mar azul

amei e fui muito feliz

E voltei a Caruaru

E agora conto pra tu

Tudo quanto eu aprendi.”

 

(Hérlon e Mabel Cavalcanti)

 

*******

 

Cacela Original DAPL 2016.jpg

 

JOÃO BAPTISTA COELHO

 

“ POEMA DE AMOR”

 

“Anda comigo, amor, p´la praia fora,

os dois, de mão na mão, pisando a areia.

Vem ver a luz do sol a ir-se embora

e a noite a converter-se em lua-cheia.

 

Irmãos do par de amantes, do outrora

- o cavaleiro triste e Dulcineia –

seremos, no instante dessa hora,

o nauta enfeitiçado e a sereia!

 

No mar e na fundura da neblina,

a nau dos meus desejos, à bolina,

navega em meu azul do pensamento.

 

Vem vê-la! Vem falar-lhe com teu canto!

E põe a paz suprema no meu pranto…

com beijos que trocarmos sob o vento.”

 

*******

 

JOÃO COELHO DOS SANTOS

 

“A MÚSICA E A ALMA”

 

“Deslumbrado, abri um pórtico de luz,

Que cresceu ou emergiu,

Como a música e a alma.

Compus expressão teatral,

E gargarejei um pueril libreto de ópera.

No gotejar nota a nota do violino,

Com a alma grávida de ilusões,

Ou no suave tanger da lira,

Ora patético e teatral,

Ora tranquilo e benevolente

Cantei em tom de falsete,

Soltei lágrimas de felicidade

E adormeci sereno e sossegado,

Com o vento a acariciar a música e a alma.”

 

*******

 

Troia original DAPL 2016.jpg

 

JOÃO DE DEUS RODRIGUES

 

“À PROCURA DO TEU PASSADO”

“(a saudade)”

 

“Passaram-se dias, meses e anos,

E fui à tua procura sem te encontrar.

Perguntei por ti a rios, mares e oceanos,

Mas nenhum parou, para me escutar.

 

Era enorme a minha vontade de te ver,

Para saber se continua moreno o teu rosto.

E se tudo aquilo que tens andado a fazer,

Te trouxe felicidade ou causou desgosto.

 

Mas encontrei desertas as ruas do passado,

E gastas as pedras da calçada que pisámos,

Quando abraçados cumpríamos o nosso fado,

 

A olhar para as estrelas que ora ainda vejo,

Tão trémulas, a cintilar no firmamento,

Como as do jardim da realização do desejo.”

 

*******

 

JOÃO FRANCISCO DA SILVA

 

“EXCELSA FORMOSURA”

 

“ Deslumbrante é tua excelsa formosura,

Charme de mulher em todo o seu esplendor;

Tens coração generoso e alma pura,

Simbolizas a beleza e o amor!

 

És mãe da emoção, musa do poema,

Cultora da paz e da fraternidade;

Tens no amor o teu preferido tema,

És a rainha da singularidade!

 

Muito humana, sentes carinho e doçura,

Fazes o bem, partilhas da alheia dor;

Teus encantos aumentam com a candura

Com que semeias simpatia e amor!

 

És personagem de romântica fita,

Doce e terna como pétala de flor;

Mas o mundo quando diz que és bonita

Almeja interesses, ao dar-te valor!

 

Pura filha da humana natureza,

Amas as gentes, cultivas a verdade;

Floresce-te no Ser a moral riqueza,

És fluente fonte de felicidade!

 

Desafias o fulgor de mil estrelas,

És poema, maravilha, cor e luz,

Subiste ao pódio das mulheres mais belas;

Deus, por ditosos caminhos te conduz!

 

Sabendo tu que encantas, que deslumbras,

Que és admirada de modo profundo,

Nunca te envolvas em opacas penumbras;

Continua a ser um exemplo p´ró mundo!”

 

 Notas Finais:

Este post é ilustrado com algumas fotografias, originais de D.A.P.L., 2016. Lamento, mas não consegui enquadrar todos os poemas com fotografias originais.

Também, para documentar a "flor de mandacaru", que eu não sabia o significado, pesquisei na net. Mandacaru é um tipo de cacto. Também tenho um exemplar deste tipo de plantas, cuja flor apenas floresce por um dia. Plantei-a em 2015. A primeira vez que deu flor foi nesse mesmo ano, pela noite de São João: 23 para 24 de Junho. Em 2016 não sei se deu flor ou não. Não tive oportunidade de presenciar.

 

Poesia e Fado

XX Antologia de Poesia da APP – Apresentação em Lisboa

"Buba Espinho" no Fórum Romeu Correia - Almada

 

Aparentemente este título poderá parecer uma redundância, dado que estas duas realidades culturais andam de mãos dadas - irmanadas.

Mas a razão por que as explicitei, ligando-as, prende-se com o facto de pretender referir-me a dois eventos realizados ontem, domingo, 27 de Novembro.

 

Na sede da Associação Portuguesa de Poetas - APP, Av. Américo de Jesus Morgado, 16 – A, aos Olivais, Lisboa, realizou-se a apresentação da respetiva XX Antologia de Poesia - 2016. Cinquenta e sete antologiados, com poesias de diferentes matizes e cambiantes e conceitos formais, todos irmanados num mesmo sentir poético.

Um evento muito interessante, estando de parabéns todos os participantes, e com especial realce, os organizadores e coordenadores que desenvolveram o trabalho meritório de estruturar esta vigésima edição das Antologias da Associação e que atualmente dirigem os respetivos destinos.

Nunca é demais realçar o trabalho das pessoas que assumem dirigir as Associações, porque sem elas essas entidades morreriam. Nós, os sócios, somos relevantes, mas como diz o aforismo, “…sem cabeça tudo são pernas…”.

Parabéns pois e obrigado pelo vosso trabalho. As palmas são-vos inteiramente destinadas.

Previamente apresentei o meu pedido de desculpas por ter que me ausentar ainda antes da conclusão do sarau e a razão prendia-se pelo que explico a seguir.

 

Quase simultaneamente, em Almada, no Fórum Romeu Correia – Auditório Fernando Lopes-Graça, ocorreu o espetáculo “A Casa do Fado”, apresentando o jovem talento no fado, o alentejano Buba Espinho.

Um nome a fixar, com um cariz fadista, que toca profundo no sentir da veia artística deste modo de cantar.

Não queria deixar de assistir.

 

(Com algum esforço, foi possível estarmos presentes, no primeiro evento, apenas eu, mas em conjunto, no segundo.)

 

O fadista, agora a iniciar uma promissora carreira a solo, neste campo artístico, já o havia escutado, integrando o Grupo “Os Bubedanas”, de que falei na primeira crónica apresentada no blogue.

Anexo links sobre o seu cantar, integrante de grupos.

Julgo que ainda não tem CD individual.

De realçar, também com imenso mérito, os acompanhantes habituais nestes saraus fadistas no Fórum: André M. Santos, viola de fado e Hugo Edgar, guitarra portuguesa.

 

Solar Zagallos 2015 Foto original DAPL.jpg

 

A ilustrar o post apresento uma foto original de D.A.P.L. de uma hortense rosa, no Solar dos Zagallos, em Almada. Sugestionado a partir da capa da Antologia, da autoria de João Luís, que apresenta precisamente também uma foto de uma hortense, azul.

Assim, mais uma vez, se ligam os dois eventos, um em Lisboa, o outro em Almada, que não fica nada a dever à capital, em termos culturais, conforme tenho demonstrado neste blogue.

 

Na apresentação da Antologia, e enquanto estive presente, foram sendo entregues os livros, a que cada um dos antologiados teve direito e cada poeta ou poetisa foi lendo um poema seu, da Antologia ou não.

Optei por não ler o poema da Antologia, “Ei-los que vão!”, dado ser um pouco extenso e disse “Ser Poeta”, que divulgo agora no blogue. Apresento-o numa versão ligeiramente diferente daquela que li e com que documentei o Livro de Honra, pois, como referi, o poema ainda estava e está “em construção”.

Deixei-o atestando o “Livro de Honra” da Associação, dado que foi a primeira vez que tive a grata oportunidade de visitar a sede.

 

 

Ser Poeta!

 

Ser Poeta

É ter uma porta aberta

Ao Sonho, à Ilusão

É ter uma certeza certa

De viver em condição.

 

Em condição do Destino

De sofrer o desatino

Desta nobre tradição.

 

Ser Poeta

É algo que nos desperta

Nos alumia, nos cerca

De luz e d’escuridão.

 

Jogos de sombras e sons

Vozes que nos povoam

De sentimentos nobres e bons

Que na Alma nos ressoam!

 

Ser Poeta

 

P.S. – Tomarei a liberdade de ir divulgando poesias dos antologiados, preferencialmente de poetas e poetisas que não dei a conhecer no blogue, no contexto da Antologia do CNAP.

Se alguém se opuser é uma questão de me dar conhecimento. Obrigado!

 

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